Frei Salvador Pinzetta: a santidade no cotidiano

Vanildo Luiz Zugno*

Daison Firmino Sá**

…o homem vale o que é diante de Deus e nada mais ((Francisco de Assis, Adm. 20,2).

1  Um santo em tempos difíceis

O homem com fama de santidade que aqui queremos apresentar é alguém a quem tocou viver, no interior do Rio Grande do Sul, o “breve século vinte” com todas as suas tensões e contradições.[1] Uma “era dos extremos”, um tempo de profundas mudanças a nível mundial, como o destaca Hobsbawn. Mudanças que, mesmo nas paragens remotas da Região de Colonização Italiana (RCI), foram sentidas e tiveram consequências que tocaram a vida das pessoas.

Nascido em 27 de julho de 1911 na localidade de Mauá, município de Casca, a vida de Hermínio Pinzetta que se tornaria Frei Salvador de Casca, conhecido hoje como Frei Salvador Pinzetta, cruzou as duas Guerras Mundiais, a Guerra Fria, a longa ditadura do Governo Vargas no Brasil, o curto período democrático dos anos cinquenta, o Golpe Militar e a subsequente ditadura, até falecer em 31 de maio de 1972.

Mudanças radicais que atingiram a sociedade e, como parte dela, a Igreja Católica. O arco de tempo que coube a viver a Frei Salvador vai do antimodernismo de Pio X às mudanças radicais introduzidas pelo Vaticano II e recebidas por alguns e rechaçadas por outros. Disputa que repercutiu no interior da Vida Religiosa Consagrada e da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos da qual Frei Salvador fez parte. Concretamente, na Província dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul, os últimos anos de vida de nosso frade foram marcados por dezenas de defecções e disputas acirradíssimas em torno ao caminho a percorrer.

Hermínio Pinzetta pode ser caracterizado como um imigrante de segunda geração. Seu avós, Luigi Pinzetta e Teodora Romani, migraram da Itália para o Brasil na segunda metade do século XIX. A vinda dos dois, assim como a de outros milhares de alemães, poloneses, italianos, franceses, espanhóis, portugueses, ucranianos, russos…, era consequência das contradições econômicas geradas na Europa pela triunfante “Era do Capital”.[2] Na Itália, a unificação de 1870 gerou condições para a implantação de uma agricultura em larga escala que dispensou milhares de trabalhadores agrícolas que sobreviviam em regime de quase servidão, arrendamento ou de propriedades minúsculas que já não garantiam a sobrevivência da família.[3]

Oriundos da região de Mântua, no sul da Lombardia, as famílias de Luigi Pinzetta e Teodora Romani instalaram-se, na década de setenta do séc. XIX na Colônia Princesa Isabel. Coube-lhes o Lote 11 da Linha Armênia, próximo ao Rio das Antas.[4] Viúvo de dois casamentos anteriores, um na Itália e outro no Brasil, Luigi casou-se com Teodora em 1878. Com ela teve seis filhos: Anereu, Fiorentino, Marcelo, Antônio, Beatrice e Prosperina. Fiorentino, pai de Hermínio Pinzetta, nasceu no ano de 1888.

Em 1907 a família Pinzetta deixou a colônia velha de Bento Gonçalves e mudou-se para as “terras novas” de Guaporé onde permaneceu por alguns meses e em seguida tomou o rumo de Casca. Era o percurso de muitas famílias de imigrantes que, tendo explorado à exaustão a colônia recebida e sem a possibilidade de aumentá-la para prover de meios de sustento os numerosos filhos, deixava os velhos sítios e partia para avançar em direção ao norte onde o governo do estado traçava novas colônias em terras libertadas dos nativos caingangues e guaranis.

Estabelecida a família na capela Santo Antônio do Trinta da Linha 16, a sete quilômetros da localidade do povoado de Mauá, Fiorentino conheceu e casou-se, ainda no ano de 1907, com Isabel Romani. Da união resultaram treze filhos e filhas. A filha mais velha, Levínia, tornar-se-ia mais tarde religiosa na Congregação das Irmãs Carlistas onde assumiu o nome de Irmã Flora. Hermínio, o segundo, no ano de 1945, fez-se frade capuchinho com o nome de Frei Salvador. Dos outros irmãos, Rinaldo, Pedro, Anareo, Santina, Luiz e Gema casaram-se e estabeleceram-se na região. Uma menina chamada Cecília faleceu aos oito anos de idade e um menino chamado Luiz faleceu com um mês. Gentília, Cecília e Ângela permaneceram solteiras.[5]

2  A santidade no quotidiano e na humanidade

Para um dos seus biógrafos, frei Adelino Pilonetto, descrever a vida de Frei Salvador “é uma tarefa difícil por não apresentar fatos grandiosos no sentido jornalístico. É uma vida tecida de cotidiano, parecida com a do homem comum, irrelevante para os noticiosos. Sua grandeza está no vigor da fé e na paixão interior que a perpassa”.[6]

Esse fato, como observa o Papa Francisco, não é um obstáculo para a santidade. Pelo contrário. Ele nos convida a nos deixarmos “estimular pelos sinais de santidade que o Senhor nos apresenta através dos membros mais humildes deste povo que participam também da função profética de Cristo, difundindo o seu testemunho vivo, sobretudo pela vida de fé e de caridade.” (GE 8). Frei Salvador é um caso típico desta “santidade que mora ao lado”, da “classe média” da santidade que passa despercebida àqueles que buscam o extraordinário de Deus enquanto Ele se revela no ordinário “nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir.” (GE 6)

Vivida desde a infância e a juventude e continuada após o ingresso na comunidade capuchinha, a santidade do quotidiano estava presente no imaginário cristão de Frei Salvador. Em seu segundo retiro de postulantado, ele já anotava: “Ser santo não é fazer milagres; é amar a Jesus de todo o coração e entregar-se a ele sem reservas; é crer firmemente em seu amor e fazer, só, unicamente e em tudo, a vontade de Deus.”[7]

A infância e juventude de Hermínio Pinzetta foram iguais às de todos os jovens descendentes de famílias descendentes de imigrantes instaladas nas novas colônias. O trabalho na roça com todas as suas vicissitudes era o desafio cotidiano. Nos fins de semana, pela manhã, a missa em Casca onde, desde 1907, residia um padre, primeiro da Congregação dos Palotinos e depois dos Carlistas Scalabrinianos. A partir de 1937, com a criação da Paróquia na localidade de Evangelista, atendida pelo Pe. Alexandre Studzinski, o caminho para a missa tornou-se mais curto. A escassez de animais de montaria, no entanto, fazia com que os muitos filhos de Fiorentino e Romani se revezassem na ida à Missa.

Mas o lugar onde a vida religiosa da comunidade girava semanalmente e na qual se forjou a personalidade de Frei Salvador, era a Capela de Santo Antônio do Trinta da Linha 16. Sua construção foi de iniciativa de Luigi Pinzetta.[8] Ele foi o primeiro catequista da localidade sendo sucedido na função pelo filho Fiorentino. Além de catequista, Fiorentino foi fabriqueiro da comunidade durante trinta e dois anos.

Nos domingos de tarde, depois da reza do terço, das ladainhas e outras devoções típicas da comunidade, as crianças recebiam as instruções da catequese em preparação aos sacramentos. Mas não era só a vida de fé que girava em torno à capela. Era toda a vida social da pequena comunidade que girava ao redor deste eixo aglutinador que mesclava a fé através das orações e da catequese, a educação na escola da comunidade, a cooperação através da bodega, a solução dos litígios pelo “juiz de travessão” e a diversão no jogo de cartas, na cancha de bocha ou no futebol.[9] Nela forjou-se o espírito de comunidade e solidariedade que acompanharão o futuro Frei Salvador até o fim de sua vida.

Experiência religiosa que era alimentada diariamente nas devoções familiares. Reza ao amanhecer, no começo dos trabalhos, antes e depois das refeições, o terço em família de noite, as novenas de Natal e Pentecostes, as novenas de Nossa Senhora.[10] Esta merecia uma devoção especial. Além do terço diário, no mês de maio a devoção se intensificava com a leitura de uma meditação diária sobre Nossa Senhora e a confecção da Coroa de trinta e uma rosas – uma para cada dia do mês – em dedicação a Nossa Senhora.[11] Além da participação na capela de Santo Antônio, Hermínio frequentava assiduamente a capela vizinha dedicada a Nossa Senhora da Misericórdia, na Linha Bodanese.

O fato de o avô e o pai serem catequistas, proporcionou a Hermínio, filho mais velho, o acesso à literatura devocional disponível na época. A alfabetização lhe fora precária e sua leitura, bem como a escrita, era titubeante. Mas em casa dispunha da “História Sagrada” e diversos livros de vidas de santos e outros devocionários, tanto em italiano como em português, dos quais fazia uso frequente a ponto de saber as vidas dos santos de cor para contá-las a seus irmãos e a outras pessoas que não as conheciam. Dentre todos os santos, o de devoção especial era São Luiz Gonzaga.[12]

Apenas dois fatos são notáveis na juventude do futuro frei Salvador. Primeiro, o de ele não ter contraído casamento. Na RCI, o normal era o jovem casar-se entre os dezesseis e os vinte anos.[13] Como filho mais velho, Hermínio tinha a responsabilidade de ajudar os pais na criação dos filhos mais novos. Mas isso não era empecilho para que contraísse casamento. Os depoimentos a que tivemos acesso não fazem referência a esse fato. A única suposição razoável é a de que a família Pinzetta ainda não tivesse acumulado recursos para comprar outro lote de terra onde o filho mais velho, caso casasse, pudesse se estabelecer.

O outro fato notável e decisivo foi uma infecção, em consequência de calos arruinados, na mão esquerda, que o levou, nos inícios dos anos de 1940, a uma internação de trinta e dois dias no Hospital de Serafina Correa. Escapou de ter a mão amputada, mas com um tratamento que perdurou por meses, ela ficou sem forças para o trabalho pesado na agricultura.

Padre Alexandre Studzinsky, ao ver o jovem piedoso e devoto, solteiro aos trinta e dois anos, incapacitado para o trabalho na roça, fez-lhe a proposta: “Hermínio, acho que este mundo não é para você. Deus o chama para coisas mais altas. Abandone este mundo e entre no Convento dos Capuchinhos. Lá você encontrará o que procura.”[14] A sugestão foi aceita e, feitos os devidos contatos, no dia 2 de fevereiro de 1944, o jovem colono dirigiu-se para o Convento de Marau onde permaneceu um mês e, sendo aprovado, voltou para casa, reuniu seus pertences pessoais para estar, no dia 22 de março, no Convento de Flores da Cunha para preparar-se ao Postulantado. No dia 6 de julho do mesmo ano foi admitido oficialmente ao Postulantado sob a direção de Frei Fulgêncio Caron.

3  A consciência da santidade como objetivo de todo cristão

O Papa Francisco, ao falar sobre a santidade, afirma que “todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra” (GE 14). O chamado a santidade não é apenas para os clérigos ou religiosos, como se concebia anterior ao Concílio Vaticano II. A “Lumem Gentium” (n. 5), lembra que toda a comunidade dos filhos e filhas de Deus são chamados a santidade e neles morar Aquele que é Santo. O mesmo documento afirma que todos têm o múnus do sacerdócio comum, e por este fato, todos são chamados a plena participação e a viver uma vida santa (LG 10).

Tomando esta perspectiva conciliar, Frei Silvestre Gialdi afirma, em relação a Frei Salvador, que ele viveu “uma santidade ao alcance de todos. Este é o enfoque central a santidade de Frei Salvador Pinzetta, irmão leigo capuchinho”[15]. E, de fato, em Frei Salvador, a santidade estava presente em todas as circunstâncias de sua vida.

Em suas anotações pessoais, no ano de 1966, encontramos a seguinte afirmação: “Senhor, dai-me a graça de vos amar sempre mais e de alcançar aquela santidade que vós quereis de mim”.[16] Mas ele não via a possibilidade da santidade apenas para si. Ele a percebia como um caminho possível para todas as pessoas. Por isso, além de recomendar-se às orações dos outros, ele sempre manifestava a sua disposição para rezar para que os outros também se tornassem santos. Era seu costume afirmar às pessoas de suas relações: “Rezo para você alcançar aquela santidade que Deus espera de você”.[17]

A tomada de consciência na busca da santidade por parte de frei Salvador, já se dava antes mesmo de ingressar na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Assim o relata sua irmã Cecília:

Encontrava-se certa vez na casa onde se havia criado quando, uma noite, pelas três e pouco da madrugada, sua irmã, Cecília, percebeu que Salvador já estava acordado em seu quarto rezando. – Frei Salvador, a estas horas você já está rezando? –Eh! Não tenho mais sono, já dormi bastante. –Você é mesmo um santo! Disse Cecília. –Te pol farte santa anca ti!  Você pode tornar-se santa também, Cecília – retrucou ele. E passou a recomendar-lhe que fizesse tudo por amor a Deus e lhe oferecesse os trabalhos do dia, vivesse em sua presença… Pois a santidade não consiste em fazer milagres, mas em amar sempre mais a Deus, procurando fazer tudo o que lhe agrada[18].

Sabia ele que, para ser santo, bastava fazer as coisas por amor a Deus. Papa Francisco na “Gaudete et Exsultate” afirma que a santidade não é fazer coisas extraordinárias, mas sim tornar o ordinário da vida na vontade de Deus. Essa procura pela santidade é a santidade ao “pé da porta” (GE 6-9).

4 Suportação, paciência e mansidão

O chamado a santidade é para todos, e o Senhor apresenta características que favorecem para viver esse chamado. Na Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre a santidade encontramos algumas dessas características que auxiliam na caminhada para responder ao Senhor. Frei Salvador Pinzetta, apresenta muitos desses sinais em sua vida. A partir de relatos e testemunhos perceber-se-á a consonância das características apresentadas na exortação com a vida do Servo de Deus Salvador Pinzetta.

Enfatiza Papa Francisco na exortação:

A primeira destas grandes caraterísticas é permanecer centrado, firme em Deus que ama e sustenta. A partir desta firmeza interior, é possível aguentar, suportar as contrariedades, as vicissitudes da vida e também as agressões dos outros, as suas infidelidades e defeitos: “se Deus está por nós, quem pode estar contra nós? (GE 112).

A capacidade de suportar as adversidades e não deixar-se levar pela raiva, mas pacientemente, manter a mansidão, parecem acompanhar Frei Salvador desde a infância. Nos relatos de seus irmãos e conhecidos, são vários os episódios em que os colegas de infância e juventude, assombrados com sua calma e tranquilidade, provocavam situações em que esperavam que ele reagisse com raiva e violência. Mas sua reação era sempre calma e tranquila e nunca de agressão para com quem o provocava.[19]

Afirma ainda o Papa Francisco que “não nos faz bem olhar com altivez, assumir o papel de juízes sem piedade, considerar os outros como indignos e pretender continuamente dar lições. Esta é uma forma subtil de violência” (GE 117). Segundo depoimento de Frei Francisco Deon, Frei Salvador não se queixava de ninguém.[20]

Segundo outro confrade que com ele conviveu, Frei Victório de Carli,

é convicção unânime de quantos o conheceram que ele nunca se queixava, nem das coisas nem das pessoas. Mesmo quando as coisas lhe iam atravessadas, sabia entrever nelas a realização do desígnio de Deus: ‘El Signor el sá cosa el fá’. Via esse desígnio divino acontecendo também na escolha que Deus fizera dele para a vida religiosa: ‘mi che sono un poveiro ignorante che no sa far niente’.[21]

Frei Salvador Pinzetta entendia que o sofrimento, contradições e humilhações acontecidos na vida eram para entrar em conformidade com o sofrimento do Senhor Jesus. Sua convicação era de que, para se alcançar a salvação, era necessário carregar a cruz e sofrer, pois, o preço da vitória estaria garantido.

Ele costumava falar: “o Senhor também sofreu, porque não haveria de sofrer também”[22]. Nos escritos pessoais de Frei Salvador encontra-se, mais de uma vez, a seguinte consideração: “Quanto Jesus sofreu por mim e pela humanidade! Derramou todo o seu sangue! Preciso meditar muito a Paixão do Cristo e amar sempre mais a Jesus crucificado”[23].

Em outras cartas é possível ler também: “Não se deve escolher a própria cruz, mas aceitar a que Deus envia, sem cortá-la nem diminuí-la. Deve-se carregá-la, não arrastá-la. Carregá-la com humildade, não com ostentação. Todavia, carregá-la sem envergonhar-se dela”.[24]

5  Alegria e sentido de humor

Outra característica apresentada pelo Papa Francisco que manifesta a santidade é a alegria e sentido de humor. Ela é um antídoto contra o risco do negativismo e a tristeza que cultura dos dias de hoje. Diz o Papa:

O que ficou dito até agora não implica um espírito retraído, tristonho, amargo, melancólico ou um perfil sumido, sem energia. O santo é capaz de viver com alegria e sentido de humor. Sem perder o realismo, ilumina os outros com um espírito positivo e rico de esperança. Ser cristão é “alegria no Espírito Santo” (Rm 14, 17), porque, “do amor de caridade, segue-se necessariamente a alegria” (GE 22).

É uma alegria que nasce da liberdade. É assim que Frei Salvador compreende sua alegria em viver, segundo a história narrada por Piloneto.

Poucos dias depois [da profissão solene], Frei Salvador foi junto aos seus familiares soubemos apenas que foi dar destino aos bens que lhe pertenciam. Quando de volta, tivemos a impressão de que era uma pessoa livre. Não tinha mais nada a ver com o mundo. Fizera o que tinha que ser feito. Essa fugaz saída do convento e imediata volta ao mesmo, parecia o bota-fora definitivo do mundo. Um acerto de contas final. Essa foi a impressão que nos deixou esse episódio de sua vida.[25]

No retorno de Frei Salvador a Flores da Cunha, após a profissão solene, alguns noviços, entre os quais Dom Frei Orlando Dotti, foram perguntar, em tom de brincadeira, ao Frei Salvador: “E agora que o senhor não tem mais nada, como fica se o senhor um dia tivesse que voltar para casa?” Ao que ele respondeu prontamente: “Adesso mi son libero! Agora eu sou um homem livre!”[26]

A Exortação Apostólica sobre a santidade lembra que “normalmente a alegria cristã é acompanhada pelo sentido do humor, tão saliente, por exemplo, em São Tomás Moro, São Vicente de Paulo, ou São Filipe Néri. O mau humor não é um sinal de santidade: “lança fora do teu coração a tristeza” (Ecl 11, 10)” (GE 26).

Há muitos episódios do quotidiano de Frei Salvador na convivência com os outros frades e noviços que revelam seu bom humor.[27] Saber ser alegre e manter o bom humor mesmo em situações de conflito, era uma característica de Frei Salvador. Frei Luiz Carlos Susin, noviço em 1967, conta que certo dia, na “sala dos padres”, os frades estavam em uma discussão fervorosa por motivos do trabalho do dia. Ao ouvir a acirrada discussão, Frei Salvador se aproximou da sala pela janela e disse: “Ma varda sol che sciantisi”, isto é, “olha só que relâmpago”. Os frades imediatamente saíram em direção à janela para observar o relâmpago e não encontraram nada. Perguntaram onde estava o relâmpago. Frei Salvador simplesmente disse que o relâmpago estava dentro da sala e todos os frades começaram a rir devido a ao bom humor de frei, que por sinal, terminou com toda a discussão que estava acontecendo.[28]

6.    Ousadia e ardor

Para alcançar a santidade, segundo o Papa Francisco, e necessário ter um espírito ousado e viver com muito fervor, sem deixar que a acédia cômoda, consumista e egoísta tome conta da existência (GE 111). Segundo a exortação,

[…] a santidade é parresia: é ousadia, é impulso evangelizador que deixa uma marca neste mundo. Para isso ser possível, o próprio Jesus vem ao nosso encontro, repetindo-nos com serenidade e firmeza: “não temais!” (Mc 6, 50). “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20). Estas palavras permitem-nos partir e servir com aquela atitude cheia de coragem que o Espírito Santo suscitava nos Apóstolos, impelindo-os a anunciar Jesus Cristo (GE 129).

No retiro de 1956, frei Salvador escreve: “Quero ser sempre mais humilde […] ser sempre mais pequeno, como Jesus que nasceu pobre, trabalhou e tudo sacrificou por amor ao Pai. Eu também quero fazer tudo por amor ao Pai. Só assim poderei ser santo”.[29]

Esse entusiasmo de querer seguir o Senhor e fazer a vontade do Pai como o próprio Cristo, revela no servo frei Salvador, o sair do comodismo e deixar com que a graça do Senhor aja sem hesitar quando o Espirito exige que de passos à frente no anúncio do Evangelho.

A radicalidade na busca do Evangelho é lembrada por sua irmã Joana que afirma que  “frei Salvador tinha como princípio fazer cada coisa como se fosse a última de sua vida”. De modo semelhante, Frei Antônio Canever recorda que Frei Salvador “gostava de lembrar que a qualquer momento deveríamos estar prontos para prestar contas ao Senhor.”[30]

7 Em comunidade

Um dos elementos fundamentais da Vida Religiosa Consagrada é a vivência comunitária. Na tradição franciscana, chama-se fraternidade, que está além de apenas uma vida comunitária. O desafio da fraternidade consiste em ser irmãos e irmãs. Essa procura pela comunidade vai “contra a tendência do individualismo consumista que acaba por nos isolar na busca do bem-estar à margem dos outros, o nosso caminho de santificação não pode deixar de nos identificar com aquele desejo de Jesus” (GE 146). Segundo o Papa Francisco, “santificação é um caminho comunitário, que se deve fazer dois a dois” (GE 141).

Segundo Dom Frei Clóvis Frainer, “era agradável conviver com Frei Salvador. Não era uma pessoa de atitudes duras. Jamais o observei nervoso, impaciente ou bruto. Ninguém pode se queixar de um gesto ou de uma palavra dura saída de seus lábios. Era um homem fraterno”.[31]

E não são grandes coisas que fazem a vida comunitária e fraterna. Segundo o Papa Francisco, “a vida comunitária, na família, na paróquia, na comunidade religiosa ou em qualquer outra, compõe-se de tantos pequenos detalhes diários” (GE 143). Nessa perspectiva, a relação dos frades com frei Salvador sempre foi agradável, como podemos constatar no  testemunho de Dom Frei Orlando Dotti:

Nele não havia fingimento. E porque não havia fingimento, era humano, era fraterno. Era sempre um ‘bom papo’ no recreio. Intervinha nas conversas com naturalidade e, por vezes, com entusiasmo. Todos tinham prazer em conversar com ele. O lado humano de sua fraternidade era apreciadíssimo.[32]

Sua convivência em fraternidade ia além dos confrades e se estendia a todas as pessoas do entorno. Encontra-se este dado no depoimento de Matilde Piardi, uma mulher que trabalhou como cozinheira no convento: “Em quinze meses que trabalhei lá, nunca o vi triste ou brabo, nem o ouvi falar mal de ninguém ou queixar-se; estava sempre contente”.[33]

8 Em oração constante

São inúmeros os depoimentos que destacam a intensa vida de oração de Frei Salvador. Entre eles, destacamos alguns:

Frei Francisco Deon: “…estava sempre rezando. Quando tinha uma folguinha, retirava-se para ler um livro do Frei Bruno sobre ‘O coração de Jesus’. Tinha sempre aquele livro para ler.”

Frei Firmino Batistella: “Eu admirava nele o espírito de oração. […] Rezava muito, comia pouco. Trabalhava e rezava com fervor e simplicidade”.

Frei Brás Rodigheri: “Fiquei impressionado com o Frei Salvador desde os primeiros dias pela sua humildade, espírito de oração e obediência. Quanto tinha uma folga ou logo depois do almoço, ia à capela rezar o terço, fazer a via sacra ou meditar.”

Frei Armando Grison: “Ele passava longas horas de joelho, concentrado, imóvel, diante do Santíssimo, sobre tudo à noite, de madrugada”.[34]

Todos estes depoimentos remetem a um sinal inconteste de santidade destacado pelo Papa Francisco na “Gaudete et Exsultate”:

…mesmo que pareça óbvio, lembremos que a santidade é feita de abertura habitual à transcendência, que se expressa na oração e na adoração. O santo é uma pessoa com espírito orante, que tem necessidade de comunicar com Deus. É alguém que não suporta asfixiar-se na imanência fechada deste mundo e, no meio dos seus esforços e serviços, suspira por Deus, sai de si erguendo louvores e alarga os seus confins na contemplação do Senhor. Não acredito na santidade sem oração, embora não se trate necessariamente de longos períodos ou de sentimentos intensos (GE 147).

Pela beleza da descrição, dois depoimentos mais merecem ser aqui relacionados. Frei Antônio Guizzardi, que conviveu com ele em Garibaldi, diz: “Parecia que as horas mais felizes para ele eram as que podia passar em oração, não só na igreja ou no coro, mas em toda parte. Nada de afetação, porém”[35].

Frei Mansueto Fiore, um irmão muito próximo a Frei Salvador assim descreve seu espírito e prática de oração: “Tinha as mãos de Marta e a alma de Maria. Rezava pelas tripas do diabo, ora jaculatórias, ora um Pai Nosso, ora um réquiem pelas almas do purgatório. Ele falava com Deus de verdade, com uma fé extraordinária”.[36]

Pilonetto, resumindo os muitos depoimentos sobre a vida de oração de Frei Salvador, faz a seguinte descrição:

O dia de Frei Salvador começava cedo. Pelas 4 horas da madrugada, mesmo nas noites frias de Flores da Cunha, ele se dirigia à capela para rezar diante do Santíssimo e ali permanecia silenciosamente, de luz apagada, sob a tênua luz da lamparina, de olhos baixos ou fixos no altar, rezando era também comum ele rezar ajoelhado e de braços abertos diante de um grande Crucifixo que havia na capela ou diante de uma imagem de Nossa Senhora. Inspirava-se, nestas vigílias, no exemplo de São Francisco que ‘passava a noite repetindo: Meu Deus e meu tudo!’ (como anota em seu caderno). Quando os frades chegavam, ele ia ocupar o seu lugar no banco que lhe era destinado e ficava ali ajoelhado, sem se mexer, como se fosse uma estátua, no dizer de Urbano Poli, mestre de noviços que conviveu com ele de 1953 a 1958. Mas estas afirmações são confirmadas pelos outros mestres e guardiães que conviveram com Frei Salvador naquela casa: Frei Martinho Rigotto, Frei Donato Pegoraro, Frei Marcos Fachinelli, Frei Luiz Ferronato e outros freis.[37]

Com tudo isso, podemos dizer que a oração do silêncio que fazia parte da vida do Servo de Deus Frei Salvador, era uma oração em que a felicidade não só iluminava o interior da alma, mas o próprio mundo exterior, isto significa dizer que a partir da oração, encontrava uma maneira de viver autenticamente a vida e a vocação, em todas as suas circunstâncias, de modo especial da simplicidade.

9 Luta, vigilância e discernimento

Segundo o Papa Francisco, é sempre necessário lembrar que “a vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demónio e anunciar o Evangelho. Esta luta é magnífica, porque nos permite cantar vitória todas as vezes que o Senhor triunfa na nossa vida” (GE 158).

Estar sempre em estado de vigilância é necessário para que não se deixe morrer o espírito de busca pela santidade. No contexto em que se vive sempre é possível deixar-se levar por outros caminhos. Sendo assim, é preciso lutar, vigiar e diante de algumas provocações discernir.

Conforme um relato de Frei Mansueto Fiore, Frei Salvador vivia constantemente esta atenção vigilante para manter-se no caminho da santidade:

Mansueto Fiore era muito amigo de Salvador, mas gostava de provocá-lo brincando. Num dia bem frio, saiu-se com esta: “Frei Salvador, como se estaria bem hoje no purgatório!” A resposta veio pronta: “Eh! Não, frei. Você não sabe o que está dizendo!” Noutra ocasião tentou aliciá-lo: “Frei Salvador, basta de rezar, você já é santo”. “Santo onde?” retrucou ele. “Um pecador é que sou”. Mas o outro insistiu: “Ah, frei, deixe hoje a oração de lado, vamos fazer farra!” “Farra, sim! Penitência pela conversão dos pecadores é que devo fazer![38]

Para manter-se seguro, vigilante e atento na sua vida espiritual, sabia ele, muito bem, o caminho a ser feito, pois, “recomendava rezar o terço colocando uma intenção especial para cada dezena: uma pelas missões, outra pelas crianças, outra pelos pecadores, etc. E dizia: ‘Quando rezo pelos pecadores estou incluído também, porque eu também sou pecador’”.[39]

10 A lógica do dom e da cruz

Assim fala Frei Salvador a respeito de sua primeira profissão:

É o dia de minha Profissão Simples. Que grande dia para mim! Que alegria e contentamento por me entregar todo ao meu bom Jesus! Obediência, Pobreza e Castidade! Com Jesus quero viver, com Jesus quero morrer. Meu Jesus, misericórdia! Tende compaixão deste pobre pecador. Frei Salvador de Casca – 6.1.1946.[40] (Grifo nosso)

Na conversa que teve com o Mestre de Noviços, Frei Fulgêncio Caron, perguntado sobre suas intenções ao fazer a profissão, respondeu:

Eu quero fazer a profissão para me entregar sem reservas a Deus, para sua glória e honra. Igualmente, quero ser religioso para salvar muitas almas. E também para rezar e sacrificar-me pelos sacerdotes e missionários, à imitação de Santa Terezinha do Menino Jesus. […] Quero rezar e sacrificar-me para que Nosso Senhor mande muitos irmãos capuchinhos, pois vejo que somos poucos em comparação com o número de padres e as necessidades que temos.[41]

No primeiro retiro do postulantado no ano de 1944, na sua reflexão, ao considerar que Jesus morreu na cruz pela nossa salvação, conclui: “Então eu devo fazer penitência dos meus pecados e da humanidade”.[42] No segundo retiro, confirmou ele seu desejo inicial de ser santo: “ser santo não é fazer milagres; é amar a Jesus de todo coração e entregar-se a ele sem reservas; é crer firmemente em seu amor e fazer, só, unicamente e em tudo, a vontade de Deus”.[43]

Estas palavras de Frei Salvador nos remetem às do Papa Francisco na “Gaudete et Exsultate”:

Condição essencial para avançar no discernimento é educar-se para a paciência de Deus e os seus tempos, que nunca são os nossos. Ele não faz descer fogo do céu sobre os incrédulos (cf. Lc 9, 54), nem permite aos zelosos arrancar o joio que cresce juntamente com o trigo (cf. Mt 13, 29). Além disso requer-se generosidade, porque «a felicidade está mais em dar do que em receber» (At 20, 35). Faz-se discernimento, não para descobrir que mais proveito podemos tirar desta vida, mas para reconhecer como podemos cumprir melhor a missão que nos foi confiada no Batismo, e isto implica estar disposto a fazer renúncias até dar tudo (174).

11 Em meio à confusão, a calma da oração

A renovação da Igreja consequente ao Concílio Vaticano II impactou fortemente a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos assim como toda a Vida Religiosa Consagrada. A Província dos Capuchinhos .do Rio Grande do Sul também viveu a tormenta e, em meio a ela, muitos frades deixaram a vida consagrada.

Entre outros efeitos, a crise resultou no fechamento do Noviciado de Flores da Cunha no ano de 1969. Aproveitando o vazio, o convento passou por reformas que duraram até 1970. Em consequência, não havia mais missas diárias no Convento. Frei Salvador, assim como os outros frades, dirigiam-se à Igreja Matriz para a Missa Diária. Com isso, frei Salvador começou a ter mais contato com a comunidade de Flores da Cunha.

A Secretaria da Paróquia foi instalada num dos espaços do convento. Com isso, a presença de leigos e leigas era mais constante e, com ela, o contato com o Frei que sempre estava a rezar, mas que, quando solicitado para uma conversa, atendia com toda presteza e atenção.

O número menor de frades também fez com que as exigências de trabalho fossem menores. Com isso frei Salvador teve oportunidade de intensificar uma atividade que muito lhe aprazia: a visita aos doentes. Fazia-o tanto em casa como no hospital Nossa Senhora de Fátima dirigido pelas Irmãs Carlistas Scalabrinianas.

Entre as muitas mudanças introduzidas na vida da Igreja pelo Concílio Vaticano II, o estímulo aos ministérios leigos foi uma das mais significativas. Em abril de 1970, a pedido do Pároco de Flores da Cunha, Frei Eduardo Reginatto, o bispo diocesano, Dom Benedito Zorzi, conferiu ao Frei Salvador Pinzetta, o Ministério Extraordinário da Eucaristia. Na missa do dia 26 de abril, 4º Domingo de Páscoa, Frei Salvador recebeu o cibório e a âmbula, símbolos do ministério. A partir daquele dia, além da visita aos doentes como sempre realizara antes, também levava a Eucaristia, tanto nas casas como no hospital.

As novidades do Concílio, no entanto, continuavam a agitar a vida capuchinha no Rio Grande do Sul. No dia 30 de maio de 1972, Frei Jaime Biazus, então Provincial, visitou a Fraternidade de Flores da Cunha. Foi um dia todo e intenso de trabalho sobre a situação e o futuro dos capuchinhos na Província e no mundo. As opiniões eram divergentes e muitas tensões afloraram durante o dia. Frei Salvador esteve presente durante todos os trabalhos. A um companheiro do grupo afirmou: ‘Eu só continuo aqui porque acho que é vontade de Deus que fique, mas não estou entendendo nada’”. No fim da tarde, alegando dores de cabeça, pediu para retirar-se.

No dia seguinte, 31 de maio, festa de Nossa Senhora Rainha, como fazia todos os dias, levantou-se às quatro horas da manhã e foi para a capela do convento onde permaneceu em oração até às 6h. Foi então ao hospital para a missa das 6h30min. Antes que a missa iniciasse, voltou ao convento e recolheu-se ao quarto. Ausente na hora do café, foi encontrado no quarto, caído, manifestando fortes dores de cabeça. Levado ao hospital, foi diagnosticado com derrame cerebral e, às 18h, quando tocavam os sinos do Ângelus, faleceu. A cidade estava enfeitando-se com tapetes coloridos para a procissão de Corpus Christi que, a partir daquele ano, seria também a procissão de Frei Salvador.

Conclusão

Frei Salvador foi um homem de seu tempo. Viveu a sua vida de Frade Menor Capuchinho dentro daquilo que era o esperado para um irmão leigo daquela época: trabalho, oração e simplicidade. Nessa vida aparentemente simples, ele viveu a intensidade do encontro com Jesus Cristo no seguimento de Francisco de Assis. Fez da sua humanidade o caminho da santidade vivida nos pequenos gestos de cada dia que encarnavam a presença misericordiosa de Deus entre as pessoas de sua convivência, tanto familiares, como frades, leigos e leigas da comunidade. Nesse seu caminhar, deixou traços de santidade que convocam a viver, na humildade do dia a dia, a grandeza do seguimento de Jesus.

Referências

COLODA, Antônio; SALVADOR, Felipe Alexandre; COLODA, Santos Carlos; COLODA, Valentin Antônio. Frei Salvador Pinzetta: Sou o que sou diante de Deus. Porto Alegre, EST, 2005.

FRANCISCO, Papa. Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate sobre a chamada à santidade no mundo atual. São Paulo: Paulus, 2018.

FRANZINA, E. La storia altrove: casi nazionali e casi regionali nelle moderne migrazioni di massa. Verona: Cierre, 1998.

FRANZINA, E. Storia dell’emigrazione veneta: dall’unità al fascismo. Verona: Cierre, 1991.

HOBSBAWM, E. J. A Era do Capital. 15 ed. São Paulo : Paz e Terra, 2012.

HOBSBAWM, E. J. Era dos extremos: o breve século XX – 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

PILONETTO, Adelino G. A vida de Frei Salvador Pinzetta. Caxias do Sul, São Miguel, 1991.

SILVA, José da. Une première Communion au Brésil. Le Rosier de Saint François, Chambéry, V Anée, nº 9, p. 269-272, septembre 1904.

ZUGNO, Vanildo Luiz. As capelas como experiência de eclesiogênese na Região Colonial Italiana do Rio Grande do Sul. Cadernos da ESTEF, Porto Alegre, n. 54, 2015, p. 5-24.

ZUGNO, Vanildo Luiz. As devoções marianas na Região Colonial Italiana do Rio Grande do Sul. Em: BRUSTOLIN, Leomar Antônio; FONTANA, Luis Bedin (Orgs.) Congresso de Mariologia (2017 : Porto Alegre, RS). Anais do Congresso de Mariologia: piedade popular, cultura e teologia. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2017. P. 217-225.

* Licenciado em Filosofia; Doutor em Teologia. Professor na Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana.

** Licenciado em Filosofia; Bacharel em Teologia; Especialista em Espiritualidade Franciscana; Mestrando em Teologia na PUCRS.

 Notas

[1] HOBSBAWM, E. J., Era dos extremos: o breve século XX – 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

[2] HOBSBAWM, E. J. A Era do Capital. 15 ed. São Paulo : Paz e Terra, 2012.

[3] Sobre as causas da imigração italiana, ver: FRANZINA, E. La storia altrove: casi nazionali e casi regionali nelle moderne migrazioni di massa. Verona: Cierre, 1998; FRANZINA, E. Storia dell’emigrazione veneta: dall’unità al fascismo. Verona: Cierre, 1991.

[4] Atual município de Monte Belo do Sul.

[5] Os nomes Cecília e Luiz se repetem. Era costume entre os descendentes de imigrantes italianos dar o nome de uma criança falecida a outra que nascesse depois.

[6] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador Pinzetta. Caxias do Sul: Ed. São Miguel, 1991, p. 5.

[7] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 5.

[8] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 10.

[9] Sobre a importância das capelas na RCI, ver: ZUGNO, V. L. Z., As capelas como experiência de eclesiogênese…, p. 5-24.

[10] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador… , p. 15.

[11] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador… p. 12-13. Sobre a devoção a Nossa Senhora na Região Colonial Italiana, ver: ZUGNO, V. L. As devoções marianas na Região Colonial Italiana…, p. 217-225

[12] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 28-31.

[13] SILVA, J. da. Une primière Communion au Brésil, p. 270.

[14] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador… , p. 33.

[15] Apud COLODA, A.; SALVADOR, F. A.; COLODA, S. C; COLODA, V. A. Frei Salvador Pinzetta: Sou o que sou diante de Deus. Porto Alegre, EST, 2005. p. 13.

[16] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 38

[17] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 38

[18] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 87

[19] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 20-22.

[20] Apud PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 40.

[21] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 47

[22] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 78.

[23] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, pp. 77-78.

[24] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 78.

[25] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 51

[26] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 51

[27] Cf. PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 67

[28] Cf. PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador… p. 80

[29] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 99

[30] Apud PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 103

[31] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 73

[32] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 73

[33] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 73

[34] Cf. PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 40.

[35] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 45

[36] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 45

[37] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 92-93

[38] Cf. PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 46

[39] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 87

[40] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 43.

[41] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 43.

[42] PILONETTO, A. G. A Vida de Frei Salvador…, p. 37.

[43] PILONETTO, A G. A Vida de Frei Salvador…, pp. 37-38

Baixe aqui a íntegra do artigo escrito em parceria com Frei Daison Firmino de Sá.

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