Arquivo mensal: fevereiro 2010

Iceberg gigante se rompe da Antártida e ameaça mudar correntes marítimas

Iceberg (AFP)

Um vasto iceberg que se descolou do continente Antártico depois de ser abalroado por outro iceberg gigante pode causar alterações nas correntes marítimas do planeta e no clima, alertaram cientistas.

Pesquisadores australianos afirmam que o iceberg – que tem aproximadamente a metade do tamanho do Distrito Federal e está flutuando ao sul da Austrália – pode bloquear uma área que produz um quarto de toda a água densa e gelada do mar.

Segundo os cientistas, uma desaceleração na produção desta água densa e gelada pode resultar em invernos mais frios no Atlântico Norte.

Neal Young, um glaciologista do Centro de Pesquisa de Ecossistemas e Clima Antártico na Tasmânia, disse à BBC que qualquer interrupção na produção destas águas profundas super frias na região pode afetar as correntes oceânicas e, consequentemente, os padrões de clima ao longo de anos.

“Esta área é responsável por cerca de 25% de toda a produção da água de baixo na Antártica e, portanto, irá reduzir a taxa de circulação de cima para baixo”, afirmou Neal Young.

“Você não irá ver isso imediatamente, mas haverá efeitos corrente abaixo. E também haverá implicações para os pinguins e outros animais selvagens que normalmente usam esta área para alimentar-se”, completou.

Água aberta

O iceberg está flutuando em uma área de água aberta cercada de gelo do mar e conhecida como polinia.

A água gelada e densa produzida pela polinia desce para o fundo do mar e cria a água densa salgada que tem papel-chave na circulação dos oceanos ao redor do globo.

Benoit Legresy, um glaciologista francês, afirmou que o iceberg descolou-se da Geleira Mertz, uma língua de gelo saliente de 160 km na Antártida Leste, ao sul de Melbourne.

O iceberg foi deslocado pela colisão com outro iceberg maior e mais velho, conhecido como B-9B, que rompeu-se em 1987.

“A língua de gelo já está quase quebrada. Ela está pendurada como um dente frouxo”, afirmou Legresy.

“Se eles (os icebergs) ficarem nesta área – o que é provável – eles podem bloquear a produção desta água densa, colocando essencialmente uma tampa na polinia”, acrescentou.

Líder protestante alemã admite ter dirigido embriagada

A líder da Igreja Protestante alemã, bispa Margot Kaessmann, admitiu ter dirigido embriagada após ter sido flagrada cruzando um sinal vermelho na cidade de Hannover no último sábado.

Kaessmann, nomeada como a primeira mulher chefe da Igreja Evangélica Alemã (DEK, na sigla alemã) no ano passado, foi detida pela polícia no fim de semana, logo após o incidente, em um estado “completamente inapropriado para dirigir”, segundo as autoridades.

“Estou chocada comigo mesmo por ter cometido um erro tão grave”, disse a bispa ao jornal Bild.

“Sei dos perigos causados por dirigir alcoolizada e obviamente vou assumir as consequências legais”, acrescentou.

Afeganistão

Líderes da DEK, que congrega 22 igrejas luteranas e outras protestantes e tem cerca de 25 milhões de seguidores, discutem se o incidente terá consequências para a posição de Kaessmann.

A bispa pode ser multada em um mês de salário e ter sua carta suspensa por um ano.

Kaessmann, de 51 anos, tornou-se a mais jovem bispa alemã em 1999.

Crítica do envolvimento alemão na guerra do Afeganistão, ela causou irritação entre algumas lideranças do país ao pedir, em um sermão no início do ano, a retirada das tropas da Alemanha do conflito.

Margot Kaessmann também já havia criticado preceitos católicos sobre a homossexualidade, a ordenação de mulheres e o celibato.

Mosteiro austríaco oferece experiência grátis de 'vida de monge'

Arquivo

Um mosteiro perto de Viena, na Áustria, está oferecendo a homens a chance de experimentar a vida de monge por um fim-de-semana.

Os monges franciscanos do mosteiro de Maria Enzersdorf, construído no século 15, tiveram a ideia de abrir suas portas como forma de cooptar novos membros.

Durante o final de semana, o mosteiro permite a homens de até 40 anos que trabalhem e orem com os monges residentes.

Os franciscanos afirmam que querem dar às pessoas uma amostra realista da vida como um monge.

O final de semana entre os monges é de graça e começou a ser oferecido em outubro de 2009. Segundo a direção do mosteiro, três pessoas estão considerando uma ordenação no local.

A experiência não se restringe apenas aos homens – uma ordem de franciscanas também está oferecendo finais de semana para que mulheres possam ter a experiência de vida no monastério.

Obra que retrata religiosos empilhados é criticada na Espanha

Uma escultura que traz elementos religiosos católicos, judeus e muçulmanos foi vendida em três minutos na feira de arte contemporânea de Madri, Arco 2010, e se tornou a obra de arte mais polêmica do evento.

Chamada Stairway to Heaven (Escadaria para o Paraíso), a obra do artista espanhol Eugenio Merino retrata três homens rezando, um em cima do outro: um muçulmano, sobre ele um sacerdote católico e acima dos dois um rabino judeu, todos eles segurando livros sagrados das religiões dos demais – o Alcorão, a Bíblia e a Torá.

A obra foi vendida por 45 mil euros (R$ 112 mil) a um colecionador belga cuja identidade não foi divulgada. A escultura provocou a ira dos fiéis na Espanha e recebeu queixas oficiais.

Ao lado dela, aparece outra escultura que une uma metralhadora Uzi com uma menorá (candelabro ritual judaico).

A primeira reclamação saiu da embaixada de Israel em Madri. Em uma nota à direção da feira, o governo do Estado judaico diz que as peças “contêm elementos ofensivos para judeus, israelitas e certamente para outros.”

A embaixada classificou as esculturas como “uma mensagem cheia de preconceitos, estereótipos, provocações gratuitas e que fere a sensibilidade por muito que pretenda ser uma obra artística”.

A Conferência Episcopal da Espanha também reclamou. Através de comunicado à Arco os representantes do alto clero descreveram a peça com os religiosos como “provocação blasfema absolutamente desnecessária”.

Escultura Stairway to Heaven, do artista espanhol Eugenio Merino

Mas apesar das reclamações feitas logo no primeiro dia do evento, a galeria espanhola ADN, que representa o autor, não tem medo de represálias e afirma não entender a polêmica levantada pela escultura.

O proprietário da galeria, Miguel Ángel Sanchez, disse à BBC Brasil que a peça “deveria ser vista pelo lado positivo de um encontro religioso porque não há nada de ofensivo ali”.

Já o autor da escultura acha que o problema “não é a obra dele”, mas as interpretações que possam ser feitas “por mentes fechadas”.

“Cada um é livre para pensar o que quiser. Fiz uma peça que fala da unidade de religiões. Uma torre com as três grandes religiões que se juntam para chegar ao mesmo fim, que é Deus”, disse Merino à BBC Brasil.

“Mas se as mentes fechadas querem ver outra coisa, aceito a crítica. Só que eles também têm que aceitar meu trabalho”, afirmou o artista.

Merino admite, no entanto, que a segunda escultura, que mistura a arma com o candelabro, possa afetar a sensibilidade de alguns fiéis.

“É verdade que a metralhadora é uma Uzi, uma arma de Israel famosa nos conflitos com os palestinos. Mas a intenção foi reciclar os elementos para transformar em uma coisa que não mata. No fundo a peça trata da paz”, disse ele à BBC Brasil.

A feira de arte contemporânea de Madri, Arco, é uma das duas maiores do mundo e já está na 29ª edição. Neste ano, o evento termina no próximo dia 21, embora para o público fique aberta até o dia 19.

Papa diz a bispos irlandeses que pedofilia é crime hediondo

Bispos irlandeses no Vaticano

O papa Bento 16 disse aos bispos irlandeses que o abuso sexual de crianças por parte de padres é um “crime hediondo”, informou o Vaticano nesta terça-feira.

O papa convocou os 24 bispos da Irlanda ao Vaticano para discutir sua resposta a um escândalo de pedofilia na Igreja do país.

Bento 16 disse que os bispos irlandeses têm que enfrentar o escândalo com coragem e determinação, e agir para restaurar a “credibilidade moral” da Igreja.

No ano passado, a Igreja da Irlanda admitiu acobertar casos de abuso sexual de crianças por décadas.

Duas investigações feitas por ordem do governo irlandês revelaram a ocorrência de muitos casos de abuso em várias instituições assistenciais para crianças administradas pela Igreja Católica no país, e como padres acusados de abuso eram simplesmente transferidos por bispos para novas paróquias.

Os investigadores descobriram que autoridades eclesiásticas compilaram informações confidenciais sobre mais de cem padres acusados de abuso sexual, mas mantiveram estes documentos em segredo.

Vítimas de pedofilia acusaram a Igreja de colocar sua própria reputação acima de preocupações com o bem estar de crianças que sofreram abuso.

‘Honestidade e coragem’

Depois de três encontros com os bispos em dois dias, o Vaticano divulgou declaração afirmando: “De sua parte, o Santo Padre observou que o abuso sexual de crianças e jovens não apenas é um crime hediondo, mas também um pecado grave que ofende a Deus e fere a dignidade da pessoa humana criada à Sua imagem.”

“Embora percebendo que a atual situação dolorosa não vai ser resolvida rapidamente, ele desafiou os bispos a lidar com os problemas do passado com determinação e firmeza, e a enfrentar a presente crise com honestidade e coragem.”

“Ele também expressou a esperança de que o atual encontro ajude a unir os bispos e a permitir a eles que falem com uma só voz na identificação de passos concretos para levar alento aos que sofreram abuso, encorajando uma renovação da fé em Cristo e restaurando a credibilidade moral e espiritual da Igreja.”

O Vaticano também disse que os bispos irlandeses prometeram cooperar com as autoridades civis “para garantir que os padrões, políticas e procedimentos da Igreja sejam os melhores nesta área”.

Vítimas

Vítimas de abuso praticado por padres irlandeses escreveram uma carta o papa Bento 16 pedindo a renúncia dos bispos “que se envolveram nesta cultura de acobertamento”.

“As vidas de milhares de irlandeses foram arruinadas pelo abuso sexual praticado por padres”, disse a carta.

Quatro bispos apresentaram pedido de renúncia, embora apenas o de um tenha sido aceito formalmente.

Um porta-voz disse que a questão da renúncia não foi discutida nas reuniões do papa com os bispos.

Essa postura foi criticada por algumas das vítimas. Andrew Madden, um dos primeiros a expor casos de pedofilia no clero irlandês em 1995, disse: “Está claro que a maioria dos bispos da Irlanda deveria deixar o cargo porque conspiraram no acobertamento de crimes hediondos.”

“A maioria deles vai se agarrar à sua posição, não importa a angústia que isto cause às vítimas”, disse ele à agência de notícias Associated Press.