Arquivo mensal: novembro 2009

Celibato dos Clérigos Romanos

O Boletim eletrônico emitido quase que diariamente pelo Vaticano – VISES – publicou hoje nota aclaratória relacionada ao celibato dos futuros presbíteros formados a partir dos “ordinariatos pessoais” criados para permitir a incorporação na Igreja Católica Romana do setor conservador da Igreja Católica Anglicana. Mesmo esclarecendo que os futuros presbíteros ordenados nestes “ordinariatos pessoais” terão como regra geral a condição célibe, a nota, como a Constituição Apostólica ainda a ser publicada, não toca no tema principal: o de que o Celibato presbiteral não é uma questão teológica, mas apenas um regramento canônico, ou seja, poderia ser, a qualquer momento, derrogado. A seguir, o texto da Aclaração, em espanhol.

ACLARACIÓN SOBRE CELIBATO ANGLICANOS REGRESAN IGLESIA

CIUDAD DEL VATICANO, 31 OCT 2009 (VIS).-El director de la Oficina de Prensa de la Santa Sede, padre Federico Lombardi S.I., hizo pública la siguiente declaración ante las especulaciones sobre el asunto del celibato en la anunciada constitución apostólica sobre los ordinariatos personales para los anglicanos que ingresan en la comunión plena con la Iglesia católica.

“Se han difundido especulaciones, basadas en observaciones supuestamente informadas del corresponsal italiano Andrea Tornielli, según las cuales el retraso en la publicación de la constitución apostólica sobre los ordinariatos personales para la incorporación de los anglicanos a la plena comunión con la Iglesia católica, anunciada el 20 de octubre de 2009 por el cardenal William Joseph Levada, prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe, se debe a algo más que a “razones técnicas”. Según estas especulaciones, hay una cuestión sustancial que explicaría el retraso, un desacuerdo sobre si el celibato será la norma para los futuros clérigos.

“El cardenal Levada ha comentado sobre estas especulaciones: “Si se me hubiera preguntado, con gusto habría aclarado cualquier duda sobre lo que dije en la rueda de prensa. Estas especulaciones no tienen razón de ser. En el Vaticano nadie me ha mencionado esta cuestión. El retraso es meramente técnico, pues se trata de asegurar la consistencia del lenguaje canónico y de las referencias. Las cuestiones de traducción son secundarias; la decisión de retrasar la publicación esperando a que se publique el texto ‘oficial’ en latín en el “Acta Apostolicae Sedis” se tomó hace tiempo”.

“Los borradores preparados por el grupo de trabajo y presentados para el estudio y la aprobación a través del proceso habitual seguido por la Congregación, han incluido todos ellos la siguiente afirmación, que actualmente se encuentra en el artículo VI de la Constitución:

§1 Quienes ejercieron el ministerio como diáconos, presbíteros u obispos anglicanos y cumplen con los requisitos establecidos por el derecho canónico y no están impedidos por irregularidades u otros impedimentos, pueden ser aceptados por el ordinario como candidatos a las sagradas órdenes en la Iglesia católica. En el caso de los ministros casados, se han de observar las normas establecidas en la carta encíclica del Papa Pablo VI “Sacerdotalis Coelibatus”, n. 42, y en la declaración “En el mes de junio”.
Los ministros no casados deben atenerse a la norma del celibato clerical del Código de Derecho Canónico, canon 277 §1.

§2 El ordinario, en plena observancia de la disciplina del celibato clerical en la Iglesia latina, por regla general (pro regula) admitirá sólo a hombres célibes al orden del presbiterado. Puede también pedir al romano pontífice, como una derogación del canon 277, §1 la admisión de hombres casados a la orden del presbiterado, caso por caso, según los criterios objetivos aprobados por la Santa Sede.

“Este artículo se ha de entender como coherente con la actual práctica de la Iglesia, según la cual ex ministros anglicanos casados pueden ser admitidos al ministerio sacerdotal en la Iglesia católica, según el criterio de caso por caso. Por lo que se refiere a los futuros seminaristas, se consideró una mera especulación los casos de una dispensa de la regla del celibato. Por esta razón, se han de desarrollar criterios objetivos sobre estas posibilidades (por ejemplo, seminaristas casados que ya se están formando) entre el ordinariato personal y la conferencia episcopal, presentados para la aprobación de la Santa Sede.

“El cardenal Levada reveló que el trabajo técnico sobre la “Constitución” y las “Normas” concluirá para finales de la primera semana de noviembre.
OP/CELIBATO:ANGLICANOS/LOMBARDI:LEVADA VIS 091103 (600)

Yeda, Lula e a imprensa gaúcha

Paulo Cezar da Rosa é jornalista e, atualmente, assina coluna na edição eletrônica de CartaCapital (www.cartacapital.com.br). Duas vezes vereador em Canoas (PT), Paulo Cezar também foi candidato a prefeito. O texto abaixo é da revista CartaCapita.

Paulo Cezar da Rosa

Muita gente acredita na recuperação de Yeda Crusius, na possibilidade dela vir até a reelege-se em 2010. Crê que vencidos os inquéritos, os processos administrativos, judiciais e políticos, como o impeachment e a CPI ainda em curso na Assembleia, a governadora renascerá das cinzas numa campanha eleitoral restauradora de sua imagem e sua política. O trabalho que está sendo feito nos últimos 60 dias para Yeda reforça essa tese. No lugar da governadora geradora de conflitos, uma Yeda “paz e amor” passou a ser apresentada em todos os meios de comunicação em fotos e manchetes.

Até ano passado a possibilidade de recuperação era real. Um conjunto de elementos indicava que Yeda poderia afirmar seu governo e, um pouco como Lula no pós-mensalão, dar a volta por cima. Agora, não existe mais gerenciamento de imagem que resolva seus problemas. Os que acreditam poder recompor sua viabilidade eleitoral em geral subestimam a inteligência do eleitor. Acham que o marketing e mídia podem tudo.

Os motivos que levaram Lula às alturas na avaliação do cidadão brasileiro são os mesmos que colocam Yeda entre os piores governos da história do Rio Grande. O presidente Lula chegou aos 80% de aprovação por causa da sua política e navegando na contra-mão do PIG. Já Yeda fez o inverso. Com uma proteção permanente do PIG, a governadora hoje tem cerca de 80% de desaprovação. Ou seja, assim como o PIG não derrotou Lula, o PIG não será capaz de reerguer Yeda em 2010.

Políticas inversas
A saga de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul repete, em grande medida, a de seus antecessores. Jair Soares, Alceu Colares, Antonio Britto, Olívio Dutra, Germano Rigotto foram governadores que buscaram acertar e acabaram recusados pelo eleitor. Mas Yeda tem uma particularidade: ela sempre dependeu da força das suas ideias e pôde desprezar, em sua trajetória, partidos, forças sociais e soluções de compromisso. Até chegar, quase por acaso, ao cargo que ocupa hoje.

Tudo o que se pensar sobre Lula e suas políticas, deve-se colocar um sinal de negativo para compreender Yeda. Enquanto Lula agrega, Yeda confronta. Enquanto Lula conversa, Yeda briga. Enquanto o Brasil segue em frente, O Rio Grande vai para trás.

Yeda faz um governo que teve a ousadia de instalar uma representação em Brasília chamando-a de “embaixada”, como se o Brasil fosse um outro país. No governo gaúcho, confrontada com uma posição em que, obrigatoriamente, é preciso “fazer política”, Yeda revelou-se incapaz. Sua gestão é uma sucessão de confrontos e feitos inúteis ou negativos, a maior parte deles com os próprios aliados. Incluem-se nesta lista o vice-governador, Paulo Feijó, do DEM; o assessor morto em Brasília, que chegou a ser nomeado “embaixador” da “representação gaúcha”; o “companheiro” Lair Ferst, que teria feito uma delação premiada; o ex-secretário da Segurança Pública, Otávio Germano (PP), que teria a ver com a corrupção no Detran…. A lista é longa e deve frequentar as atas de julgamentos e condenações judiciais nos próximos anos. Diante de tudo isso, Yeda mostrou-se inconfiável ao eleitor. Ela havia prometido “um novo jeito de governar”. O mínimo que deveria ter cumprido seria encarar de um modo diferente a corrupção. Mas, não. Yeda acabou decorando o quarto do neto em sua casa particular com dinheiro público. Comprou puffs e assoalhos emborrachados. E não existe PIG no planeta que consiga justificar isso. Nem vai resolver o PSDB intervir no estado gaúcho, nomeando uma agência paulista para cuidar da imagem de Yeda.

O papel do PIG gaúcho
Já manifestei aqui meu distanciamento crítico quanto ao termo PIG. Esqueçam! Vocês, leitores, me convenceram de que é preciso trabalhar com o conceito. Mas vamos ao que interessa: O PIG gaúcho fez tudo o que podia e não podia por Yeda Crusius. Se alguma coisa vale a minha palavra, eu testemunho: nunca um governante teve tamanha boa vontade da mídia quanto Yeda Crusius. Nem mesmo Antônio Britto foi tão defendido. Yeda teve tudo, tudo, tudo. E ainda está tendo. E, em que pese o peso e importância da mídia na formação da opinião das pessoas, todo o apoio que foi dado à governadora não conseguiu forjar uma imagem positiva de seu governo.

Ao mesmo tempo, o PIG gaúcho vem martelando contra Lula noite e dia nos últimos anos mas também não consegue imprimir uma imagem negativa ao presidente. Ao contrário, hoje Lula tem no RS praticamente os mesmos índices que possui no país. Ou seja, o papel do PIG gaúcho, cada vez mais, é enrolar peixe no dia seguinte.