Arquivo do autor:Vanildo Luiz Zugno

Sobre Vanildo Luiz Zugno

Espaço para publicação de textos teológicos e áreas afins. Aberto a todos aqueles e aquelas que desejam compartilhar suas reflexões e experiências teológicas e religiosas.

Professor: um risco prazeroso

Ser professor é uma opção arriscada. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, em todos os países do mundo, é uma das profissões com os mais altos índices de stress. No Brasil, a pressão emocional vem acompanhada pela baixa remuneração. Num ranking de 48 países organizado pela OCDE, os professores e professoras brasileiros são os mais mal pagos. Junte-se a isso, a falta de reconhecimento social. São raros os docentes que já não ouviram a pergunta: “Você não trabalha? Só dá aula?” Como se “dar aula” não fosse trabalho!

Por que persistimos, então, nessa ocupação? Pelas razões de qualquer outra profissão: necessidade e satisfação. Por necessidade, porque todo ser humano, para sobreviver, precisa trabalhar. E ensinar é um labor como qualquer outro que busca a justa remuneração para a satisfação das necessidades básicas e dos prazeres que a vida humana merece.

E há também a satisfação como deveria haver em qualquer outra profissão. Uns sentem prazer em jogar futebol, em arar a terra, em esculpir ou desenhar, fabricar carros, cozinhar, limpar uma casa, vender… E nós sentimos prazer em ensinar, em transmitir conhecimento e em ver pessoas crescerem no saber e no ser. É neste último aspecto que está o maior prazer do professor e da professora.

Prazer que, há de se reconhecer, vem sempre acompanhado de uma dose de ansiedade. Afinal, o que vai ser desta criança, jovem ou adulto com o qual ocupamos nossas horas e dias?

Ser professor é viver a vida no futuro do pretérito. Quais vão ser as consequências futuras daquilo que ensinamos às pessoas do hoje que já é ontem? Pergunta difícil que, como diz o tempo verbal, mesmo sendo do modo indicativo, é sumamente dubitativo, marcam o dia a dia do professor e da professora.

Afinal, pessoas não são coisas nem máquinas. Não são determináveis. Não podemos moldá-las conforme nossos desejos e interesses. O êxito de nosso trabalho não depende, em última instância, de nós. Está assentado na acolhida e cultivo do que semeamos por parte de quem está à nossa frente. Ele é o sujeito. Nós, apenas os meios.

A maioria dos estudantes passa pelas nossas vidas e desaparece… Nunca mais os vemos ou temos notícias. Mesmo daqueles e daquelas que pareciam tão próximos. Outros aparecem muito tempo depois, quase sempre por acaso. Aparições que podem trazer alegria ou dor. Às vezes a notícia não é boa. Aquele ou aquela que um dia foi nosso aluno tomou um rumo na vida que o fez infeliz. Outras vezes a alegria explode ao descobrirmos que todo aquele potencial que apenas vislumbrávamos agora desabrochou e está a nossa frente uma pessoa realizada e transbordante de contribuições para a sociedade.

E a culminância do prazer do professor acontece quando um daqueles jovens que havia desaparecido da memória te encontra e diz: “Eu achava as suas aulas chatas e você muito exigente, mas agora me dei conta de como aquilo era importante e está sendo útil em minha vida”.

Mas há um degrau a mais, o suprassumo da razão de continuar na profissão de professor. É quando alguém chega e te diz: “As suas aulas me ajudaram a mudar o rumo da minha vida. Foi ouvindo a sua explicação que tomei uma decisão que foi decisiva para mim”. É uma frase que não tem preço. Ela compensa todas as horas mal pagas e arduamente trabalhadas. Ouvi-la, uma vez que seja na vida, justifica todos os esforços de quem se dedica ao ensino. É a realização antecipada de tudo o que sonhamos. É o presente do futuro.

Tenho o prazer de dizer que já ouvi essa frase. E foi  muito bom ouvi-la! Por ela e por todas as outras, agradeço a cada um e cada uma que, nestes 22 anos de magistério, partilharam a sala de aula comigo. Obrigado!

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São Francisco e os animais

Início de outubro e a mesma cena em inúmeras Igrejas: filas e filas de pessoas com seus animais para serem abençoados. A maioria são cães. Também há muitos gatos. E pássaros de todas as cores e plumagens. E não deixam de aparecer as lagartixas, tartarugas, peixes e iguanas. E alguns até estranhos para a vida doméstica: galinhas, mini-porcos, cabras, guaximins…

Estima-se que hoje, no Brasil, haja em torno de 150 milhões de animais domésticos: 55 milhões de cães, 25 milhões de gatos, 25 milhões de peixes ornamentais, 40 milhões de aves ornamentais e 2,5 milhões de répteis e pequenos mamíferos. Toda esta população animal gera um mercado de aproximadamente 40 bilhões de reais. Em plena pandemia, o “mercado pet” foi um dos que mais cresceu no Brasil: 13,5% no ano de 2020. Apenas para efeito de comparativo, o Bolsa Família, programa do governo federal destinado ao segmento mais pobre da população humana brasileira e que atende de 15 milhões de pessoas, teve, em 2019, um orçamento de 30 bilhões de reais.

A tendência, segundo especialistas do setor pet, é a de “humanização dos animais” com oferta de produtos premium, rações especiais e produtos de higiene que facilitam a convivência dos bichos de estimação com os humanos, bem como serviços veterinários, banho, tosa, fitness e hotelaria. Segundo um dos maiores empresários do setor, “o animal que ficava do lado de fora da casa e se alimentava com restos de comida, virou um filho”. Nesta descrição, claro, não estão incluídos os animais que acompanham as milhares e milhares de pessoas que, em todas as cidades do Brasil, desde as metrópoles até as pequenas interioranas, vivem na rua e se alimentam das sobras das comidas que já não são destinadas aos animais.

Mas voltando à bênção dos animais nos perguntamos: o que diria de tudo isso o santo que é invocado como protetor dos animais? Nessa questão que sempre provoca muita polêmica, é melhor deixar o santo falar. Na Primeira Regra, Francisco fala explicitamente da questão e diz: “Ordeno a todos os meus irmãos que de modo algum criem qualquer animal, nem junto a si mesmos, nem com outra pessoa, nem de qualquer outra forma”. É uma das poucas ordens que Francisco dá aos irmãos. Normalmente, ele pede ou aconselha. Aqui, ao se tratar de animais, ele ordena que os frades jamais os possuam.

Mas então, São Francisco não gostava dos animais? Ele gostava, sim. Podemos vê-lo em várias passagens das diversas biografias do santo. No relato de Tomás de Celano, há três episódios que mostram a relação que o Santo de Assis estabeleceu com três animais: um pássaro aquático, um faisão e uma cigarra. O pássaro aquático é trazido a Francisco por um pescador a fim de alegrar o santo em sua doença. Depois de ouvir o pássaro, ele “ordenou com bondade à ave que voltasse sem medo à sua primitiva liberdade”. Ao faisão, Francisco deixa a liberdade para escolher entre “morar conosco ou ir para os lugares de costume, que são mais adaptados para ele”. Quanto à cigarra, depois de desfrutar de seu mavioso canto, Francisco a despede para que parta livremente.

Quanto ao famoso Lobo de Gubbio, Francisco não o acorrenta e nem o encerra num tenebroso canil. Simplesmente o alimenta e lhe permite retornar a seu ambiente original.

Francisco ama os animais. Mas como seu amor é verdadeiro, não os quer submissos e a serviço do seu prazer. Ele quer os animais livres, vivendo em seu ambiente natural e sendo o que eles são e não instrumento para a satisfação das carências humanas. Quem escraviza animais pelo prazer que eles lhe proporcionam ou para suprir as próprias carências, não está vivendo o espírito de São Francisco. Muito antes pelo contrário…

O que fazer, então, com os 50 milhões de animais presos nas casas e apartamentos. Libertá-los seria condená-los à morte na selva urbana. É responsabilidade de quem os aprisionou cuidá-los até o fim de suas vidas. E, mais importante ainda, interromper o mercado de exploração animal não comprando outros para substitui-los na escravidão.

Quanto aos humanos que não conseguem viver sem o amor de um animal, para esses, talvez seja aconselhável procurar um psicólogo e desvendar as razões que o impedem de amar e deixar-se amar por humanos. O amor, como lembra outro santo medieval, Santo Tomás de Aquino, nos torna iguais àquilo que amamos. Se amamos a Deus, nos tornamos divinos. Se amamos os humanos, nos humanizamos cada vez mais. Quanto aos animais, cabe-nos apenas deixar que vivam livres em sua animalidade feliz.

Que São Francisco nos ajude neste caminho.

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O pulo do Paulo

Alfabetizar é mais do que aprender a colocar letras lado a lado e palavras formar. É construir palavras e relacioná-las entre si de modo a formar sentido. Frases podem ser eficientes, mas não são suficientes. É preciso que nasçam da própria mente e deem sentido ao mundo. Alfabetizar é descobrir quem somos no universo em que vivemos na relação com os outros e com a natureza. Alfabetizar é humanizar. Alfabetizar é libertar. Uma dupla libertação. Da incapacidade de ler as palavras e poder escrevê-las e das garras daqueles que querem impedir as pessoas de pensar o mundo com os próprios pés, com as próprias mãos, com o próprio coração, com a própria razão.

Alfabetizar é educar. Bem diferente de adestrar. O patrão quer o empregado adestrado. Apenas capacitado para executar a ordem sem perguntar o porquê. Ensino técnico, profissionalizante, despersonalizante, coisificante, instrumentalizante, alienante, escravizante. Nada de filosofia, história, geografia, sabedoria. Os humanos não precisam de humanas. Apenas exatas e práticas. Tecnologia copiada, imitada, sucateada, superada e descartada por aqueles que de verdade produzem ciência e conhecimento. Lixeira mundial do mundo do saber nos querem. Relés imitadores, copiadores e compradores do saber que os outros produzem em seu interesse e querem nos fazer pensar ser o nosso.

Alfabetizar é ensinar a perguntar a razão de ser de todas as coisas que existem. Por que eu não posso morar no condomínio que ajudei a levantar? Por que meu filho não pode estudar na escola que eu acabei de pintar? Por que eu não posso comprar na loja que acabo de limpar? Por que eu não posso compreender a fala do deputado que eu ajudei a eleger? Por que eu não posso comer na mesa que me obrigam a servir para ganhar um salário que não basta para meus filhos saciar?

Alfabetizar é politizar. É mediar as relações cidadãs com a comunicação que sabe dizer e sabe escutar. E sabe polemizar, discutir, cantar e dançar na emoção da multidão na praça reivindicando casa, trabalho e pão. Dizer tudo nas muitas formas de escrever a vida. De forma falada, escrita, gritada, dançada. Na prosa, poesia, música, canção e fantasia. E também com muita emoção e, se for preciso, convulsão, revolução. Sim, pois é preciso o grito, a loucura, qualquer coisa, menos o silêncio do gelo, o silêncio da morte que paira sobre as ruas e praças ao som dos soturnos soldados, armados ou não, que marcham mecanicamente aboletados nos gabinetes do poder.

Alfabetizar é esperançar. É sonhar com um futuro que não seja a repetição do passado ou a eterna continuidade do presente. É a capacidade de fazer-se ausente para contemplar de longe a sociedade em que vivemos e dizer que um outro mundo é possível, sim, se a gente quiser e decidir de fazê-lo, juntos, unindo a indignação e o compromisso com as multidões que não cabem nesse mundo e são impedidas de escrevê-lo com suas próprias histórias.

Alfabetizar é, acima de tudo, amar. Aproximar-se do outro e respeitá-lo em sua alteridade. No seu jeito de ser, de viver, de trabalhar, de rezar, de cantar. É desenvolver a capacidade de escutar o mundo do outro em suas próprias palavras, sem a pretensão de interpretar. Apenas acolher e, se for conveniente, responder, dizendo quem em sou e colocar nossos mundos em comum na diversidade do existir.

Alfabetizar é dar o pulo de Paulo Freire. Passar da mera repetição à criação do saber. Um pulo que assusta os que rastejam pelas estradas do mundo e querem impedir os outros de voar. Isso não deve amedrontar. Nem nos induzir a odiar. O opressor também é desumanizado em sua condição. Ele também precisa de libertação.

Viva Paulo Freire. Viva a educação!

Uma pátria para ser chamada de nossa.

Muito recente é a pátria-Brasil. Talvez um século. Sendo generoso, século e meio. Pouco mais talvez. Até 1922 éramos colônia. Colônia é o que não é por si mesma. É o colonizador quem a diz a partir de sua Pátria de origem. Colônia de Portugal. Mais precisamente: de Sua Majestade o Rei de Portugal. Ele é o pai da pátria, o dono das terras.

Pátria vem do latim pater. Em latim, pai. No caso, o rei de Portugal. Os que habitavam suas terras, eram seus filhos. Legítimos e reconhecidos alguns. Bastardos e desconhecidos, a maioria. Filhos de uma pátria que não os reconhecia como seus. Escravizados os negros. Peças d’África. Ou selvagens a serem domesticados. Nativos colocados à força dentro do domus, da casa do pai. Como escravizados. Jamais como filhos.

Com a Independência, a pátria não mudou de dono. O filho do rei de Portugal assumiu a coroa e fez destas terras a sua pátria. Muitos queriam sua própria pátria: Confederados do Equador, Farrapos do Sul, Cabanos do Grão-Pará, Praieiros de Pernambuco. Só os uruguaios conseguiram e da pátria-Brasil fugiram. À força de muitas guerras formou-se o Império do Brasil. O império da família Orleans e Bragança. Pedro I antes e Pedro II depois. Uma pátria onde mais de metade da população não podia assentar raízes. Não lhes era reconhecida como sua terra. Eram escravizados. Peça d’África aqui reproduzida do ventre escravo. Uma pátria de escravos não é pátria. É casa-grande-e-senzala. Mais senzala que casa grande. Pelourinho; porão; açoite e morte.

O medo de um grande Haiti fez branquear o Brasil. A migração foi a solução. Germânicos, poloneses, espanhóis, italianos, portugueses. Migrante não tem pátria. É hóspede na terra de outro.

O fim da escravidão trouxe a República. Mas a pátria continuou privatizada. A Velha República era do café com leite. O Império virou Fazenda. Donos da terra, da planta e do gado. Donos das gentes que aqui viviam. Os antigos escravos ainda não eram livres. Só passaram a ser reconhecidos como “nacionais” em 1910. Mas sem direito à terra, sem cidadania. Brasileiros de segunda categoria.

O Estado Novo ensaiou um projeto de nação. Fascista, elitista, autoritário. Com um viés nacionalista afinal. O suficiente para ser derrubado pela “revolução” de 1964. Um golpe entreguista que negou a pátria em nome do Império. Não mais o monarquista Orleans e Bragança caricatural. O império agora é do capital. Não tem pátria. É o império do dinheiro, dos bancos, do capital, estrangeiro ou nacional.

Passada a tormenta da ditadura, quisemos uma Nova República. Uma constituição com gosto de cidadania. Aquela de 1988. Universalização da saúde, da cultura, da educação. Trabalho com dignidade, respeito, dignidade. Uma pátria de cidadãos. Não de terra física só. Uma pátria palco de sonhos, de futuros, uma casa sem muros, aberta para todos. Não apenas pátria. Queremos mátria e frátria, uma terra de irmãos e irmãos. O que nos une não é só passado. O passado é dado, é fechado. Mas pode ser alterado. Pátria não é propriedade. Pátria é cidade, universalidade, multidiversidade, pluralidade, felicidade.

7 de setembro ficou para trás. 15 de novembro está no passado. A pátria futura é 20 de novembro, 19 de abril, 8 de março, 28 de junho. A pátria é todos os dias. Pátria é cidadania, real, plena a cada dia. Pátria é, acima de tudo, fantasia. Pátria é utopia.

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Raiana ou uma janela para a liberdade

Janela, fenestra ou ventana. Uma abertura, geralmente a meia altura, nas paredes externas de uma construção. Um buraco protegido. Por vidro, tela, grade, persiana, veneziana. De muitos materiais: madeira, ferro, alumínio, plástico. Em muitos formatos. Pequenos buracos, de parede inteira, panorâmicos, quadrados, redondos, alongados, hexagonais, verticais, horizontais, ogivais como as das góticas catedrais. Janelas de correr, de bater, basculantes.

Em muitas formas, uma só função: permitir, proibir, inibir. De entrar ou de sair. A janela é um regulador. De luz, de ar, de som, de frio ou calor. Na justa medida. De dentro para fora. E do exterior para o interior. Um excelente engenho controlador. Conforme a necessidade. Conforme a curiosidade. Há janelas discretas de cortinas repletas que impedem a vista do interior. E há as indiscretas que do alto contemplam tudo o que passa no exterior.

Janelas não são para pessoas. Gente passa por uma janela de um tipo diferente. Uma janela que chamamos de porta. Uma designação meio torta. Um buraco na parede que vai até o chão. Igual a uma janela. Só que até o chão. Regula a entrada de luz, ar, som, frio e calor. Igual a uma janela. Só que até o chão. Em muitos materiais e formas. Assim como as janelas. Só que até o chão. Com diferente função. Portas são para gente. Para entrar e sair. Ou para impedir.

Raiana Ribeiro da Silva entrou pela porta. Bairro Boca do Rio, Salvador, Brasil, agosto de 2021. A porta cumpriu sua função. Raiana entrou. Melina Esteves França fechou. Gente do bem a patroa. Anúncio na internet. Pouco trabalho. Bom salário. Comida boa. A porta não mais abriu, sua função cumpriu. Raiana de sair impediu. Ela não pode mais sair. O apartamento virou prisão. Cuidar de três crianças a servidão. Sem descanso. De noite e de dia. Todo dia. Todos os dias. Sem comida. Sem água. Sem descanso. Sem salário. Esse seu trabalho diário. Dormir no chão. Ao primeiro pedido de socorro, cortada a comunicação.

A janela trancada. De alto a baixo fechada. Encadeada. A liberdade cerceada. A servidão dos avós, bisavós, trisavós rememorada, revivida, renovada. A África-Brasil reescravizada. Patroa branca não pode viver sem escrava. Babá. Ama-de-leite. Cozinheira. Copeira. Faxineira. Lavadeira. Patroa branca tem mais o que fazer. Cabelereiro, manicure, pedicure, whatsapp, instagram, facebook, as amigas, reais e virtuais, cinema, teatro, shopping, praia e tudo mais.

Vivemos em outro mundo. Corremos em outra raia. Se reclamar bate, espanca, fere, deixa manca. No banheiro tranca. Pequeno cubículo. Escuridão. Uma pequena ventilação. Uma janela. Pequena. Mal entra o ar apenas. Basculante. Raiana olha hesitante. Como escada a pequena estante. Uma janela de oportunidades. O caminho para a liberdade. Desliza seu magro corpo no estreito vão. Três andares. A rua embaixo. Carros, gente, confusão. Arriscar a morte é melhor que a escravidão. Fecha os olhos. Lança o corpo. Tombo no chão. Saiu na televisão. Brasil século XXI. Cinco séculos de escravidão.

Um Corpo Que Cai

Um corpo que cai não é apenas um corpo que cai. Um corpo que cai é toda a humanidade que cai. Estrepitosamente. Fragorosamente. Absurdamente. Ensurdecedoramente cadente. Do alto de um avião em ascensão. Um avião que não é apenas um avião. É uma nação. Um império sem noção. Um império que fez da opressão o seu modo de ação. Vietnã. Coreia. Camboja. Irã. Nicarágua. Panamá. Síria. Iraque. Afeganistão. Até onde irão? Insensatos. Sem razão. Servidão das armas da destruição. Da fome a consorte. Indústria da morte.

O corpo cai. O império cai? Talvez seja cedo demais. Mas há sinais de que cai. Ou é apenas um tombo para subir ainda mais? Por enquanto ouvimos apenas os “ais” dos que caem do sonho de partir para um lugar onde não entrarão jamais. A porta está fechada. A fronteira está fechada. A amizade é apenas fachada que se esvai, se esfumaça, disfarça, trapaça. Aqui o afegão não passa. O turco não passa. O negro não passa. O chicano não passa. Se passa cai. Tomba do muro. Por tontura, altura, arame farpado ou bala. Muitos muros. Duros. Escuros. Berlim é passado. Virado. Desmanchado. Envergonhado. Agora é Ceuta, Melilla, Palestina, Evros, Coreia, El Paso, Ciudad Juarez. Em cada porto. Em cada aeroporto. Em cada cabeça. Em cada corpo. Em cada rosto o muro está escrito, restrito, dito.

Vertigem. A humanidade rodopia qual turbina do C-17 que decola deixando para trás um rastro de corpos que caem. Estamos todos tontos de tanto girar sobre nós mesmos sem saber para onde ir. Para que lado vamos cair na hora em que a piorra de nossos desejos insanos não mais rodar? Para o sul, o norte, o leste ou o oeste? Os corpos caem para baixo. Sempre é bom lembrar. Vertigem de humanidade. Quando um corpo cai, é toda a humanidade que se vai.

Vertigo. Luzes se apagam. Está escuro. Estamos num lugar chamado Vertigem. Isso é tudo o que não queríamos saber. E a noite é cheia de buracos abertos pelas balas douradas que rasgam o céu de Cabul, de Caracas, de Manágua, do Vigário Geral, da Cidade de Deus, do Jacarezinho, do Alemão, de Paraisópolis. Os corpos caem. Corpos árabes, afganis. pashtuns, filipinos, marroquinos, argelinos, indonesianos, chicanos, peruanos, humanos. Jovens. Negros. Pobres. A humanidade cai. Vamos cair. Um buraco sem fim.

Um corpo que cai. Hitchcock não troca mais os corpos. Madeleine não é Judy. “Scottie” Ferguson não está tonto nas alturas. Os corpos que caem são reais. Únicos em suas realidades carnais. Do avião que sai não é apenas um corpo que cai. É um filho, um irmão, um esposo, um namorado, um pai. É amado. Esperado. Chorado. Talvez nem seja enterrado.

O mundo está louco. Aloprado. Alucinado. Não é a papoula. Não é o ópio do talibã. É o ópio do povo. A religião do dinheiro, do negócio, do capital, do lucro. Os aviões vão e voltam. As lágrimas vão e não voltam. As vidas vão e não voltam. As balas e os canhões voltarão? Nossa humanidade voltará? Vertigem. Um corpo que cai. A humanidade que cai.

Madrugadas Olímpicas

As Olimpíadas de Tóquio terminaram. Jogos estranhos. Em meio à pandemia. Sem público. Sem torcida. Silenciosos. Tão silenciosos que podíamos ouvir o som dos golpes do boxeador no ringue, as passadas do atleta na pista, o suspiro da ginasta antes do salto final, o gemido do corredor de longa distância em seu esforço derradeiro para alcançar o pódio.

O congraçamento esperado, adiado e por fim realizado, se transformou em apreensão, medo, tensão. Os atletas foram testados em seus limites físicos. Deram o máximo de suas possibilidades corporais. E também das mentais. Diferente dos jogos anteriores, o desafio físico foi acompanhado pelo psicológico. Mesmo na elite mundial do esporte, alguns sucumbiram à tensão e desistiram da competição. Atletas não são super-heróis. São pessoas de carne, osso e sentimentos.

Em meio a tudo isso, os jogos de Tóquio foram generosos para o Brasil. Nunca o esporte nacional conquistou tantas medalhas. E em modalidades tão variadas. Coletivas e individuais. Novas e tradicionais. Com atletas fazendo subir ao pódio a imensa diversidade dos muitos brasis que somos. Brilharam atletas de ambos os sexos e de muitos gêneros não mais escondidos. Procedentes de todos os recantos e estratos desta imensa nação de muitas nacionalidades e imensas potencialidades. Nordestinos e sudestinos. Pampeanos e amazônidas. Cabeças chatas, redondas e quadradas. De todas as raças, de todas as cores, de todos os sabores e de todos os humores. Urbanos, suburbanos e interioranos. Sem medo de mostrar e dizer suas diversas identidades de um povo que quer, acima de tudo, a felicidade de brilhar e amar.

As noites insones de Tóquio mostraram que, apesar dos ventos contrários que por aqui sopram, o Brasil quer voltar a ser brasileiro. O Brasil com seus corpos atléticos que, diante do mundo, mantêm o bamboleio e sabem gingar, com suas cabeças livres que sabem pensar, capazes de tirar a mãe preta do cerrado e botar o Rei Congo no congado, o Preto Velho no tablado, nas pistas, quadras, ringues, ondas, piscinas, estádios, diante do mundo, sem medo de ser feliz, com ouro, prata ou bronze ou pelo simples orgulho de competir, de dizer “estamos aqui” e vamos comemorar.

Comemorar de muitos jeitos. Comemoração não tem uniforme. Comemoração tem coração. É coisa do coração. Tem silêncio, tem grito, tem soco no ar, tem choro avassalador, tem o olhar desafiador nascido da dor e dos muitos obstáculos superados até chegar a esse momento tão desejado e muitas vezes adiado. Um comemora sozinho, outro com os colegas, com o treinador e, sublimidade esportiva, festeja com o adversário derrotado ou com aquele que o venceu e passa a ser admirado sem ser invejado.

Alguns atletas já voltaram. Outros logo virão trazendo seus louros de bronze, prata e ouro. Já podemos voltar a dormir mais cedo e mais tarde levantar. E, bem descansados, continuar a pensar o país que somos, a nação que formamos e o futuro que sonhamos.

O skate, o estetoscópio e a sombra nazista.

Durante muito tempo, no Brasil, o skate foi considerado coisa de marginal, de vagabundo e de maconheiro. Na cidade de São Paulo era proibido. Era crime. Até que veio uma mulher prefeita, a Luiza Erundina, e não só descriminalizou a prática, mas a incentivou como uma forma de promover as expressões culturais e esportivas juvenis.

Algumas décadas depois, o Brasil inteiro festeja a Fadinha que, com seus treze anos, buscou a prata olímpica em Tóquio. Os únicos que não se unem à alegria talvez sejam aqueles e aquelas que sentem saudades dos tempos em que o jovem ou a jovem que andasse de skate nas ruas e praças de São Paulo era recolhido por uma viatura discreta da ROTA e acabava espancado em uma delegacia ou coisa ainda pior.

Mas, além do show de skate, a pequena Rayssa também deu uma profunda demonstração de cidadania. Na volta de Tóquio, pediu a todos seus conterrâneos de Imperatriz que não a esperassem no aeroporto. Pediu para não aglomerar, manter o distanciamento social, sempre usar máscara e procurar a vacina para logo vencer a pandemia que nos assola.

Algumas horas depois desse show de cidadania, em rede nacional de rádio e televisão, o Ministro da Saúde também falou sobre a pandemia. Falou de tudo aquilo que o governo não fez como se tivesse feito. Em outras palavras: mentiu descaradamente. Todos sabem e a CPI, espero, vai demonstrar com provas cabais, que o atual (des)governo fez de tudo para impedir a vacinação. Ela só está acontecendo por pressão dos prefeitos, governadores e da sociedade. E mais: o governo não só não fez nada como fez tudo o que podia para impedir que a vacinação avançasse. E, criminosamente, criou canais para que a corrupção se instalasse em todos os escalões da saúde pública com pastores, cabos e coronéis intermediando a compra superfaturada de vacinas que sequer existiam.

O detalhe que talvez muitos não observaram, é que o Ministro, que é médico cardiologista, em nenhum momento pediu para a população continuar usando máscara e mantendo distanciamento, medidas que, todos sabem, são as únicas que podem colaborar para que a vacinação tenha de fato o efeito esperado. Vacinar é a solução. Usar máscara e manter o distanciamento é prevenção, antes e depois da vacinação.

Tudo o que uma menina de 13 anos soube dizer com toda a propriedade, o doutor ministro esqueceu em sua necedade. Hipócrates deve estar rolando desde ontem no túmulo.

A que se deve tal omissão por parte da maior autoridade sanitária do país? À ignorância com certeza não. Ele sabe muito bem a importância destas duas atitudes. Suspeito que a causa de tal disparate se deve “às ordens que vem de cima”. Afinal, como bem disse o “presidoente”, no seu governo, “uns mandam e os outros obedecem”.

Imagino também que o Ministro, assim como outras autoridades deste governo, principalmente aqueles que costumam receber delegações nazistas, lembrem dos julgamentos de Nürenberg e de Jerusalém. Diante dos tribunais, os oficiais nazistas se declaravam inocentes e argumentavam que estavam apenas cumprindo ordens que vinham de cima. Talvez o Ministro Queiroga também esteja apenas cumprindo ordens que vem de cima ao omitir a necessidade do uso da máscara e distanciamento social. Mas isso não o isenta de responsabilidade e das consequências judiciais que um dia, espero, recaiam sobre aqueles que, por sua ação ou omissão, fazem com que a pandemia, no Brasil, tenha se transformado em um verdadeiro genocídio.

Mas uma coisa é certa e deve preocupar a todos e todas: a sombra nazista paira cada vez mais sobre o nosso país. É preciso denunciá-la. É preciso combatê-la com todas as formas.

Por mais skatistas e mais Rayssas. Por mais médicos e mais estetoscópios. É o compromisso de cada um e de cada uma em defesa da liberdade e da vida.

Extraterrestres e astronautas

Existe vida fora da Terra? É uma pergunta que todos nós, mais cedo ou mais tarde, rara ou frequentemente, nos fazemos ou nos foi feita. Alguns se interessam mais pela questão, outros menos.

Eu sou dos que pouco ou quase nada se preocupam com ela. E não por não acreditar na possibilidade. Pelo contrário. Racionalmente pensando, é muito provável – quase certo eu diria – que em algum planeta ou satélite dos muitos que giram em torno a uma das bilhões de estrelas que compõem o universo, haja as condições necessárias para a existência de vida. Na forma em que a conhecemos ou em outras que sequer imaginamos. Incluso vida inteligente. Sim! É de todo possível que outros seres, talvez nada semelhantes a nós, tenham desenvolvido a habilidade de raciocinar de forma semelhante à nossa ou em outra totalmente diferente e incompreensível para os humanos que somos. Afinal, em um universo tão amplo e variado, tudo é possível.

Meu desinteresse pelo assunto se sente incômodo quando surgem nos noticiários reportagens sobre supostas tentativas de contato de seres de outras paragens siderais com nós os humanos. O que me deixa desconfiado é que estas “matérias de gaveta”, como se diz no jargão jornalística, sempre são publicadas em momentos de crise política, econômica, militar. Não por coincidência, na crise do fim do governo Trump, o Pentágono liberou imagens e arquivos de OVNIs caçados pela Força América estadunidense. Para quem pensa fria e racionalmente, é claro que o objetivo é distrair a opinião pública e tirar o foco dos problemas do momento.

Essas eram minhas convicções até poucas semanas faz. Um fato veio abalar minha inabalável confiança na desimportância da preocupação pela existência ou não de vida fora da Terra. Um fato de conhecimento público. No curto espaço de uma semana, dois multimilionários – Richard Branson e Jeff Bezos – deram-se ao luxo de uma viagem espacial. Alguns dizem que não foi bem espacial. Apenas teriam chegado à beira do espaço. E durou poucos minutos. A “passagem” numa nave de Richard Branson – diversão já disponível ao público – custa a bagatela de 1,3 milhões de reais. Para acompanhar Jeff Bezos em seus quatro minutos de viagem suborbital, houve quem estivesse disposto a pagar 28 milhões de dólares, ou seja, cento e oitenta milhões de reais. E a fila de espera para os novos voos já programados é longa. Até o ano de 2030, o mercado do turismo espacial espera movimentar a soma de 8 bilhões de dólares.

Mas quem são essas pessoas dispostas a pagar essa soma exorbitante para ter o deleite de tão curta viagem? Muitos devem estar a se perguntar isso também. Eu tenho a resposta, fruto da nova convicção elaborada no choque de ver na TV as naves indo e voltando do espaço com seus turistas sorridentes. Na verdade, esses viajantes não são “pessoas”. São extraterrestres que, por acidente, acaso ou opção, vieram parar no Planeta Terra. Aqui eles vivem disfarçados esperando as condições para voltar ao seu lugar de origem. E, enquanto elas não chegam, aproveitam para subir e, lá de cima, dar uma espiadinha em direção ao lugar para onde desejam voltar.

Afinal, se fossem humanos, com certeza estariam se preocupando com os cinco ou mais milhões de mortos pela Covid19, os milhões de mortos pela fome e pelas guerras, os 70 milhões de deslocados e refugiados, as cidades caóticas em que vivemos, a Amazônia e o Pantanal em chamas, os oceanos inundados por plásticos, os lunáticos que governam tantos países. Quem não se interessa por esses problemas e se dá ao luxo de uma viagem de turismo espacial, só pode ser extraterrestre. Com certeza, humano não é.

Ah! E outra descoberta que fiz: aqueles extraterrestres que nos visitam em seus reluzentes OVNIs, são super-ricos de outros planetas que vieram dar uma voltinha por aqui, só prá se distrair. Oxalá não percam suas naves e possam voltar logo ao seu lugar de origem. Já temos extraterrestres demais por aqui!

A boca fala o que o coração está cheio.

Os tristes dias de verborragia escatológica presidencial que somos obrigados a suportar, fazem-me lembrar com saudades da juventude, dos tempos de Faculdade de Filosofia e das aulas do querido professor Jandir JoãoZanotelli. A lembrança é boa, mesmo que suscitada pela contradição. Sim. Tudo o que ouvimos agora da Primeira Boca do Brasil, vai exatamente em sentido contrário do que o então professor e depois Reitor da Universidade Católica de Pelotas nos ensinava lá na metade dos anos oitenta, tanto na forma como no conteúdo.

Nas longas aulas noturnas que escorriam rapidamente sem percebêssemos os ponteiros girarem, o grande professor (tanto na forma como no conteúdo!), com sua fala mansa e bem elaborada, conduzia-nos pelos caminhos da amizade ao saber. E o fazia dando-nos a conhecer os grandes pensadores de todos os tempos, dos pré-socráticos aos existencialistas e latino-americanos. Suas explicações se tornavam claras e saborosas com as histórias do cotidiano e as citações musicais que iam da atávica música nativista aos irreverentes Demônios da Garoa. E claro, como não podia deixar de ser naqueles tempos de ditadura decadente, os comentários políticos correntemente se faziam presentes. Até porque o professor Jandir não era apenas um professor. Ele era um educador, um pedagogo no sentido freiriano, um homem engajado na reconstrução democrática, um político no senso estrito da palavra, uma pessoa comprometida com os pobres daquela cidade emprobrecida do sul do Rio Grande do Sul. E todo esse compromisso transbordava em palavras que nos cativavam e desafiavam a pensar, a falar, a agir.

Mas o conteúdo também era provocante no que se refere à palavra. Lembro em especial do Seminário de Metafísica em Autor onde o professor nos desafiou a ler Martin Heidegger. Leitura pesada, difícil, exigente para iniciantes no campo da Filosofia. Daquelas páginas árduas que muito valeram a dor e o sofrimento da leitura, uma das coisas que se gravaram na minha memória, é a descrição heideggeriana de que “a linguagem é a morada do ser”, ou seja, a identificação ontológica entre a linguagem e o ser. Em outras palavras, que a linguagem é o fundamento onde emerge o real.

Se a minha interpretação está correta – dizia-nos o professor que um pensamento sempre tem mais de uma interpretação plausível -, nós, seres humanos, somos aquilo que falamos a respeito de nós mesmos, dos outros e das coisas que nos rodeiam. Não que o nosso falar crie as coisas. Isso seria pretensão exacerbada. Nossa fala dá sentido às coisas e, como a condição humana é constituída pelos sentidos que dizemos, com as palavras desvelamos (para usar outra palavra cara ao pensador alemão) o nosso ser e o ser que damos àquilo que nos rodeia.

As complexas argumentações de Heidegger se tornavam nas aulas compreensíveis com as sábias explicações do professor e para mim se tornaram ainda mais convincentes quando prestei atenção nas palavas de outro pensador. Não era outro metafísico alemão… Trata-se de um judeu contador de histórias e fazedor de milagres que, ao ser interpelado pelos fariseus que o ofendiam com pesados impropérios e palavrões – eles que se consideravam os donos da palavra, não apenas a humana, mas também a divina – retrucou com uma frase contundente: “A boca fala daquilo que o coração está cheio”. Em outra discussão com os mesmos fariseus, voltou à carga: “Tudo o que sai da boca procede do coração”. Se, como nos mostrou o professor Jandir, no pensamento semita, o coração é o centro do ser, entre Heidegger e Jesus há mais proximidade do que aquilo que muitos admitem haver. E ambos nos fazem pensar e compreender as razões da verborragia escatológica presidencial.

Para finalizar, só quero assinalar que Jesus não disse nada de novo. Sua fala brota da ancestral sabedoria humana registrada nos provérbios populares judaicos, essa forma tão doce e forte de dizer as coisas. Apenas para efeito de amostra, no Livro dos Provérbios lemos: “A boca do justo é fonte de vida, mas a violência cobre a boca dos perversos. Os sábios entesouram a sabedoria; mas a boca do tolo o aproxima da ruina”.

Que assim seja, para que todos possamos clamar “Aleluiah”!

P.S.: Professor Jandir João Zanotelli reside atualmente em Pelotas, é Sócio Honorário do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras, Acadêmico – cadeira 46 – da Academia Sul Brasileira de Letras e assessor do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras.

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