Arquivo mensal: dezembro 2012

Mons. Casaldáliga ameaçado de morte

El obispo claretiano Pedro Casaldàliga, de 84 años, se ha visto obligado a dejar su casa en São Félix do Araguaia e irse a más de 1.000 kilómetros por indicación de la policía federal de Brasil. Religión Digital ha informado de esta noticia que nosotros completamos. La causa ha sido la intensificación en los últimos días de las amenazas de muerte que recibe por su labor durante más de 40 años en defensa de los derechos de los indios Xavante. La productora Minoria Absoluta, que trabaja en una ‘mini serie’ sobre el religioso, ha sido uno de los denunciantes. El hecho de que el gobierno de Brasil haya decidido tomar las tierras a los “fazendeiros” para devolver a los indígenas, legítimos propietarios, ha agravado el conflicto. De hecho, la productora señaló que el equipo de rodaje tuvo que modificar su plan de trabajo. En concreto, y por recomendación del gobierno brasileño, el equipo tuvo que cruzar el bosque y hacer una ruta de 48 horas de duración para evitar la zona de conflicto. Casaldàliga se ha convertido en objetivo de los llamados ‘invasores’ que fraudulentamente se apropiaron de las tierras en Marâiwatsédé de los Xavantes. El obispo claretiano, de 84 años y afectado de Parkinson, trabaja desde hace años a favor de los indígenas y de sus derechos fundamentales a la prelatura de São Félix y se ha convertido a nivel internacional en cara visible de la causa. Los terratenientes y los colonos que ocuparon fraudulentamente y con violencia las tierras, serán desalojados próximamente por la orden ministerial que desde hace 20 años está pendiente de cumplimiento. Según informó en un escrito la Asociación Araguaia con Casaldáliga , el obispo ha tenido que coger una avión escoltado por la policía y actualmente se encuentra en casa de un amigo suyo del que se ha ocultado identidad y la localización por temas de seguridad. “Nos sentimos plenamente identificados con la defensa que desde siempre ha hecho el Obispo Pere y la Prelazia de Sâo Félix de la causa indígena”, dice el escrito de la asociación, que emplaza a la comunidad internacional a velar por la seguridad de Casaldàliga y los derechos de los indios de Xavantes. También a través de Twitter ha circulado el comunicado de apoyo del Conselho Indigenista Missionário-organismo vinculado a la Conferencia Nacional de Obispos de Brasil-, firmado por asociaciones y entidades vinculadas con la lucha indígena y con los derechos humanos. Este vídeo que mostramos, ha sido grabado hace tan solo un mes. Pedro Casaldáliga, atacado por el temblor del Parkinsons, con la cabeza despierta… sigue, erre que erre, hablando de lo importante que es para todo cristiano que quiera serlo de verdad estar del lado de los pobres.

Robinson Crusoé USB

Vitor Knijnik

Blog do Defoe

Robinson Crusoé, apesar de não ter vampiros e magos adolescentes, segue atrativo para as novas gerações. É que para este público não existe nada mais assustador, nos dias de hoje, do que ficar desconectado. Por isso, o livro saiu da prateleira de “Aventuras” e foi parar na de “Terror”. Imagina comer sem postar a foto do prato. Descobrir uma praia secreta e não mostrar pros amigos. Colher verduras da sua horta orgânica e não compartilhar. Que pesadelo.
Não vou mentir pra você que planejei ou previ tal efeito. Meu livro, como todos, é fruto da época em que nasceu. E eu o escrevi durante o período de expansão do império britânico. A história idealiza a figura do colonizador, ao mesmo tempo que vende as maravilhas do colonialismo inglês. Olha só: um homem branco europeu chega numa ilha deserta e desconhecida. Com engenho e coragem, edifica sua casa, fabrica seus instrumentos, doma a natureza, prove seu sustento e ainda prospera até o ponto de estocar alimentos. Civiliza um nativo e lhe apresenta “o verdadeiro Deus”. Nem um publicitário faria melhor. Por falar em publicitário, aquele filme “O Náufrago” com Tom Hanks é a versão Milton Neves do Robinson Crusoé. Desculpe a dispersão, foi só um comentário.

Para as novas gerações não existe nada mais assustador do que ficar desconectado. Imagina comer sem postar a foto do prato. Descobrir uma praia secreta e não mostrar pros amigos
Apesar da atualidade da obra, pensei em escrever uma nova versão de meu clássico. Ainda não tenho claro o que desejo fazer. Talvez trazer a história para o presente, sei lá. Anotei algumas ideias e, mesmo que ainda cruas, quero compartilha-las aqui. Vai que você se inspira e acaba contribuindo com outras sugestões. Preciso me modernizar. Nestes tempos de crowdsourcing ninguém precisa ser uma ilha.
Anotações para Robinson Crusoé 2.0
» Depois do naufrágio, ele chega na praia. Tira do bolso o celular e, milagrosamente, o aparelho funciona. E surpresa: o 3G também. Mas antes de ligar para alguém o socorrer, Robinson não resiste e gasta os últimos pontinhos da bateria lendo o Facebook. Depois se lamenta por vinte e oito anos, dois meses e dezenove dias.
» No lugar do Novo Testamento, Crusoé leva o Google impresso e o consulta o tempo todo. Como domesticar cabras? O que fazer num sábado à noite numa ilha deserta? Pode o homem casar com um coco? E com sua mão?
» Crusoé envia um e-mail pedindo socorro. A mensagem é recebida. Mas a guarda costeira, encarregada de o resgatar, usa os mapas da Apple e, portanto, não consegue localizar a ilha.
» Assim como na versão original, Robinson parte do Brasil. Ao chegar na ilha não consegue ligar o seu notebook porque nenhuma tomada é compatível.
» Robinson passa quase três décadas isolado. Finalmente, uma embarcação chega à ilha. Dentro dela, a equipe da revista Caras. Crusoé está louco para ir embora, mas é obrigado a participar de uma longa sessão de fotos, antes de zarpar.
» Por fim, pensei em trocar o nome do personagem Sexta-feira para Black Friday.

”A ordenação de mulheres corrigiria uma injustiça”

“A nossa mensagem é de que acreditamos que o sensus fidelium é de que a exclusão das mulheres do sacerdócio não tem nenhuma base forte na Escritura nem qualquer outra justificativa convincente”, escreve, em editorial, o jornal National Catholic Reporter.
O chamado ao sacerdócio é um dom de Deus. Ele está enraizado no batismo e é convocado e afirmado pela comunidade por ser autêntico e evidente na pessoa como um carisma. As mulheres católicas que discerniram um chamado ao sacerdócio e tiveram esse chamado afirmado pela comunidade devem ser ordenadas na Igreja Católica Romana. Barrar as mulheres da ordenação ao sacerdócio é uma injustiça que não pode ser autorizada a permanecer.
A declaração mais notória no comunicado de imprensa do dia 19 de novembro anunciando a “excomunhão, dispensa e laicização” de Roy Bourgeois é a afirmação de que a “desobediência” e a “campanha contra os ensinamentos da Igreja Católica” de Bourgeois “ignorava as sensibilidades dos fiéis”. Nada poderia estar mais longe da verdade. Bourgeois, sintonizado por uma vida inteira de escuta aos marginalizados, ouviu a voz dos fiéis e respondeu a essa voz.
Bourgeois traz essa questão ao verdadeiro coração da questão. Ele disse que ninguém pode dizer que Deus pode e não pode chamar ao sacerdócio; e dizer que essa anatomia é de certa forma uma barreira à capacidade de Deus de chamar um dos próprios filhos de Deus coloca limites absurdos ao poder de Deus. A maioria dos fiéis acredita nisso.
Revejamos a história da resposta de Roma ao chamado dos fiéis a ordenar mulheres:
Em abril de 1976, a Pontifícia Comissão Bíblica concluiu unanimemente: “Não parece que o Novo Testamento por si só irá nos permitir resolver de uma forma clara e de uma vez por todas o problema do possível acesso das mulheres ao presbiterado”. Em uma nova deliberação, a comissão votou 12 votos a favor e 5 contra a visão de que a Escritura sozinha não exclui a ordenação de mulheres, e 12 votos a favor e 5 contra a visão de que a Igreja poderia ordenar mulheres ao sacerdócio sem ir contra as intenções originais de Cristo.
Na declaração Inter Insigniores (datada de 15 de outubro de 1976, mas publicada no mês de janeiro seguinte), a Congregação para a Doutrina da Fé disse: “A Igreja, por um motivo de fidelidade ao exemplo do seu Senhor, não se considera autorizada a admitir as mulheres à Ordenação sacerdotal”. Essa declaração, publicada com a aprovação do Papa Paulo VI, foi uma afirmação relativamente modesta como esta: “A Igreja não se considera autorizada”.
O Papa João Paulo II elevou a aposta consideravelmente na carta Ordinatio Sacerdotalis (22 de maio de 1994): “Declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”. João Paulo II queria descrever a proibição como “irreformável”, uma postura muito mais forte do que “definitiva”. Isso encontrou uma substancial resistência dos bispos de alto escalão que se reuniram em um encontro especial no Vaticano em março de 1995 para discutir o documento, informou o NCR na época. Mesmo assim, os bispos, em sintonia com as necessidades pastorais da Igreja, ganharam uma concessão para a possibilidade de mudar o ensinamento.
Mas essa minúscula vitória era passageira.
Em outubro de 1995, a congregação doutrinal fez novas ações, publicando um responsum ad propositum dubium referente à natureza do ensino da Ordinatio Sacerdotalis: “Esse ensinamento requer aprovação definitiva, uma vez que, fundado na Palavra de Deus escrita, e desde o início constantemente preservada e aplicada na Tradição da Igreja, foi definida infalivelmente pelo Magistério ordinário e universal”. A proibição à ordenação de mulheres pertence “ao depósito da fé”, disse o responsum.
O objetivo do responsum era parar toda discussão.
Em uma carta sobre o responsum, o cardeal Joseph Ratzinger, então chefe da congregação, pediu que os presidentes das conferências episcopais “fizessem todo o possível para assegurar a sua distribuição e favorável recepção, tendo o cuidado particular para que, acima de tudo por parte dos teólogos, pastores de almas e religiosos, posições ambíguas e contrárias não voltem a ser propostas”.
Apesar da certeza com que a Ordinatio Sacerdotalis e o responsum foram emitidos, eles não responderam a todas as perguntas sobre o assunto.
Muitos apontaram que o fato de dizer que o ensinamento é “fundado sobre a Palavra de Deus escrita” ignorava completamente as descobertas de 1976 da Pontifícia Comissão Bíblica.
Outros afirmaram que a congregação doutrinal não fez uma reivindicação de infalibilidade papal – ela disse que o que o papa ensinou na Ordinatio Sacerdotalis era o que “foi definido infalivelmente pelo Magistério ordinário e universal”. Isso, também, no entanto, foi colocado em questão, porque na época havia muitos bispos em todo o mundo que tinham sérias reservas sobre o ensinamento, embora poucos as pronunciassem em público.
Escrevendo na revista The Tablet em dezembro de 1995, o padre jesuíta Francis A. Sullivan, uma autoridade teológica sobre o magistério, citou o Cânone 749, que diz que nenhuma doutrina é compreendida como definida infalivelmente, a menos que isso seja claramente estabelecido. “A questão que permanece na minha mente é se o fato de os bispos da Igreja Católica estarem tão convencidos pelo ensinamento quanto evidentemente o Papa João Paulo II é um fato claramente estabelecido”, escreveu Sullivan.
O responsum pegou quase todos os bispos de surpresa. Embora datado de outubro, ele não foi tornado público até o dia 18 de novembro. Dom William Keeler, arcebispo de Baltimore, então presidente cessante da Conferência dos Bispos dos EUA, recebeu o documento sem nenhum aviso três horas depois que os bispos haviam adiado o seu encontro anual de outono. Um bispo disse ao NCR que ficara sabendo do documento ao ler o New York Times. Ele disse que muitos bispos ficaram profundamente perturbados com a declaração. Ele, assim como outros bispos, falou de forma anônima.
O Vaticano já começou a ajeitar as coisas contra o questionamento. Como o padre jesuíta Thomas Reese relatou em seu livro de 1989, Archbishop: Inside the Power Structure of the American Catholic Church, com João Paulo II, o ponto de vista de um candidato episcopal em potencial sobre o ensino contra a ordenação de mulheres se tornou um teste decisivo para saber se um padre poderia ser promovido a bispo.
Menos de um ano depois que a Ordinatio Sacerdotalis foi publicada, a Ir. Carmelo McEnroy, das Irmãs da Misericórdia, foi removida do seu cargo titular de professora de teologia do Seminário St. Meinrad, em Indiana, por sua dissidência pública ao ensino da Igreja. Ela havia assinado uma carta aberta ao papa pedindo a ordenação de mulheres. McEnroy muito provavelmente foi a primeira vítima da Ordinatio Sacerdotalis, mas houve muitos mais, como Roy Bourgeois mais recentemente.
O Beato John Henry Newman dizia que há três magistérios na Igreja: os bispos, os teólogos e o povo. Sobre a questão da ordenação de mulheres, duas dessas três vozes foram silenciadas, razão pela qual a terceira voz agora deve se fazer ouvir. Devemos nos pronunciar em todos os fóruns disponíveis para nós: nos encontros do conselho paroquial, nos grupos de partilha da fé, nas convocações diocesanos e nos seminários acadêmicos. Devemos escrever cartas para os nossos bispos, aos editores dos nossos jornais locais e canais de televisão.
A nossa mensagem é de que acreditamos que o sensus fidelium é de que a exclusão das mulheres do sacerdócio não tem nenhuma base forte na Escritura nem qualquer outra justificativa convincente. Por isso, as mulheres devem ser ordenadas. Ouvimos o assentimento dos fiéis a isso em inúmeras conversas em salões paroquiais, auditórios e reuniões de família. Isso foi estudado e rezado individualmente e em grupos. O bravo testemunho da Women´s Ordination Conference, como um exemplo, nos dá a garantia de que os fiéis chegaram a essa conclusão após uma análise e um estudo orantes – sim, até mesmo um estudo da Ordinatio Sacerdotalis.
O NCR une a sua voz a Roy Bourgeois e pede que a Igreja Católica corrija esse injusto ensinamento.
Editorial do jornal National Catholic Reporter, 03-12-2012.

A moral de velhas prostitutas

Aos poucos, sem nenhum respeito ou rigor jornalístico, boa parte da mídia passou a tratar Rosemary Noronha como amante do ex-presidente Lula. A “namorada” de Lula, a acompanhante de suas viagens internacionais, a versão tupiniquim de Ana Bolena, quiçá a reencarnação de Giselle, a espiã nua que abalou Paris.

Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula
Como a versão das conversas grampeadas entre ela e Lula foi desmentida pelo Ministério Público Federal, e é pouco provável que o submundo midiático volte a apelar para grampos sem áudio, restou essa nova sanha: acabar com o casamento de Lula e Marisa.
Já que a torcida pelo câncer não vingou e a tentativa de incluí-lo no processo do “mensalão” está, por ora, restrita a umas poucas colunas diárias do golpismo nacional, o jeito foi apelar para a vida privada.
Lula pode continuar sendo popular, pode continuar como referência internacional de grande estadista que foi, pode até eleger o prefeito de São Paulo e se anunciar possível candidato ao governo paulista, para desespero das senhoras de Santana. Mas não pode ser feliz. Como não é possível vencê-lo nas urnas, urge, ao menos, atingi-lo na vida pessoal.
Isso vem da mesma mídia que, por oito anos, escondeu uma notícia, essa sim, relevante, sobre uma amante de um presidente da República.
Por dois mandatos, Fernando Henrique Cardoso foi refém da Rede Globo, uma empresa beneficiária de uma concessão pública que exilou uma repórter, Míriam Dutra, alegadamente grávida do presidente. Miriam foi ter o filho na Europa e, enquanto FHC foi presidente, virou uma espécie de prisioneira da torre do castelo, a maior parte do tempo na Espanha.
Não há um único tucano que não saiba a dimensão da dor que essa velhacaria causou no coração de Ruth Cardoso, a discreta e brilhante primeira-dama que o Brasil aprendeu desde muito cedo a admirar e respeitar. Dona Ruth morreu com essa mágoa, antes de saber que o incauto marido, além de tudo, havia sido vítima do famoso “golpe da barriga”. O filho, a quem ele reconheceu quando o garoto fez 18 anos, não é dele, segundo exame de DNA exigido pelos filhos de Ruth Cardoso. Uma tragicomédia varrida para debaixo do tapete, portanto.
O assunto, salvo uma reportagem da revista Caros Amigos, jamais foi sequer aventado por essa mesma mídia que, agora, destila fel sobre a “namorada” de Lula. Assim, sem nenhum respeito ao constrangimento que isso deve estar causando ao ex-presidente, a Dona Marisa e aos filhos do casal. Liberados pela falta de caráter, bom senso e humanidade, a baixa assessoria de tucanos, entre os quais alguns jornalistas, tem usado as redes sociais para fazer piadas sobre o tema, palhaços da tristeza absorvidos pela vilania de quem lhes confere o soldo.
Esse tipo de abordagem, hipócrita sob qualquer prisma, era o fruto que faltava ser parido desse ventre recheado de ódio e ressentimento transformado em doutrina pela fracassada oposição política e por jornalistas que, sob a justificativa da sobrevivência e do emprego, se prestam ao emporcalhamento do jornalismo.

As brasas sob as cinzas eclesiásticas

Estamos submersos, até uma sensação de sufocamento, pelas cinzas eclesiásticas que produzem muito peso sobre aqueles que a ela pertencem. Não há nada de novo nisso, são coisas que sabemos e repetimos. A análise é do teólogo italiano Vito Mancuso (foto), ex-professor da Università Vita-Salute San Raffaele, de Milão.
“O padre Karl Rahner usava de bom grado a imagem das brasas que se escondem sob as cinzas. Eu vejo na Igreja de hoje tantas cinzas sobre as brasas que muitas vezes me assola uma sensação de impotência. Como se pode livrar as brasas das cinzas de modo a revigorar a chama do amor? Em primeiro lugar, devemos procurar essas brasas.”
Essa imagem das brasas usada por Carlo Maria Martini na celebérrima última entrevista publicada pelo Corriere della Sera no dia 1º de setembro evoca a vida espiritual.
Se as brasas são índice do fogo, mas está submersa por tantas cinzas – institucionais, eclesiais, políticas, econômicas – como faço, dia após dia, na monotonia da cotidianidade, para alimentar a esperança, para não deixar apagar dentro de mim a chama da vida espiritual?
A origem da vida: a água e o fogo
Os mitos cosmogônicos da humanidade, todos, na origem da vida, puseram o fogo; há outro elemento que a consciência arquetípica da humanidade, depositada nesses mitos, colocou como origem: a água. Dos sumérios aos babilônios, dos egípcios aos textos hindus dos Vedas até o Gênesis bíblico: a vida se origina da água.
A superfície do nosso planeta é, em sua grande parte, composta de água, assim como o nosso organismo. Sem água, não há vida. O que representa, então, o elemento do fogo? Assim o explica Simone Weil: “A palavra grega que é traduzida como Espírito significa literalmente sopro ígneo” [1], ou seja, sopro de fogo, fogo primordial que a ciência moderna indica com a palavra energia. A água que é a base da vida é transfigurada pelo sopro quente do Espírito: e eis aquilo que nós somos, água-terra, tornadas luminosas pelo ar-fogo que nelas se reflete criando transparências, arco-íris, reverberações luminosas. Nós somos água-terra que reverbera a luz e ilumina a mente como capacidade de decisão, de liberdade, de emoção, de criatividade, de laços de amor.
A vida espiritual autêntica, aquela que toca e cura a vida, une os dois elementos primordiais: sopro de fogo que desce sobre as águas e as transforma de obscuras a luminosas.
Teilhard de Chardin nos faz compreender que entre Espírito e matéria não há oposição. A matéria é mãe de todas as coisas, dela também surge o Espírito, que, surgindo, torna-se algo novo e diferente com relação à própria matéria. Não dualismo, mas sim dualidade; isto é, não dualidade original, mas sim dualidade que surge da evolução dos sistemas físicos, biológicos, psíquicos.
O encontro entre matéria e Espírito
Como ocorre o encontro entre matéria e espírito? Plutarco o indica: “A mente não precisa ser preenchida como um vaso, mas sim como a lenha precisa de uma centelha que a acenda e nela infunda o impulso para a busca e para um amor ardente pela verdade” [2].
A mente não precisa sobretudo de instrução, de doutrina que diga o que é preciso pensar e o que não, que canalize e encaminhe. A mente precisa sobretudo de uma centelha que acenda: a mente – para que haja vida espiritual – precisa ser tratada como liberdade. Liberdade responsável. Dá-se vida espiritual quando essa liberdade não é vivida como arbítrio, mas sim como impulso para a busca e para o amor ardente pela verdade.
O cardeal Martini diz algo muito desestabilizante acerca do modo como entendemos o nosso ser comunidade eclesial: “Jerusalém ainda hoje está cheia de escolas bíblicas. (…) Quem quer fazer perguntas vai a um professor, a um rabino e estuda a Bíblia. Hoje em dia, algo semelhante seria importante justamente para tornar os cristãos independentes. Na realidade, todo cristão que vive com a Bíblia deveria encontrar respostas pessoais para as perguntas fundamentais, para ser capaz de testemunhar de modo convincente a sua fé, mesmo diante dos outros e saber respondê-las. A paróquia e a grande Igreja, então, de que servem? A paróquia e a grande Igreja se tornariam um contexto que produz estímulos e apoio, não necessariamente um magistério do qual o cristão deveria depender e que muitas vezes toma como pretexto para se afastar” [3].
A Bíblia deveria ser a escola que exercita a mente, a paróquia deveria ser um contexto dentro do qual se possa desenvolver essas escolas da mente que visam a ler a realidade animados constantemente pelo amor ardente pela verdade.
As cinzas que cobrem as brasas
Ao contrário. Ao contrário, estamos submersos, até uma sensação de sufocamento, pelas cinzas eclesiásticas que produzem muito peso sobre aqueles que a ela pertencem. Diz Martini: “A Igreja está cansada na Europa do bem-estar e na América. A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes, as nossas casas religiosas estão vazias, e o aparato burocrático da Igreja aumenta, os nossos ritos e os nossos hábitos são pomposos. O bem-estar pesa. (…) Eu vejo na Igreja de hoje tantas cinzas sobre as brasas que muitas vezes me assola uma sensação de impotência. (…) A Igreja ficou 200 anos para trás”.
Vocês pensam que essas coisas, talvez, não são claras para todos os homens da Igreja? Não há nada de novo nessas análises, são coisas que sabemos e repetimos; o ponto é que ele, o cardeal, teve a coragem de dizê-las de modo claro. O peso descrito por Martini refere-se à Igreja Católica e à alma ocidental.
Umberto Galimberti explica isso claramente em um livro recém-publicado, Cristianesimo. La religione dal cielo vuoto. Galimberti sustenta que, no Ocidente, não só as raízes, mas o todo da planta – o tronco, as folhas, os frutos, os ramos – tudo está impregnado de religião cristã. Por isso, o vazio do céu do cristianismo é o vazio do céu do Ocidente, incapaz de sonhar, presa do niilismo e da resignação.
Cuidar da centelha sagrada
O que fazer? Martini aponta alguns instrumentos, o primeira dos quais é a conversão. A Igreja deve percorrer um caminho de conversão e de mudança radical. Por que, dentre as coisas a mudar, Martini fala da sexualidade? Porque o fim do Concílio Vaticano II começou quando Paulo VI impediu que os padres conciliares se pronunciassem sobre a moral sexual, advogou para si mesmo a matéria e publicou, três anos depois, a Humanae Vitae. Ali começou o fim da renovação conciliar.
No ano 2000, foi publicada uma pesquisa encomendada pela hierarquia eclesiástica para entender em que medida a moral sexual da Humanae Vitae era praticada no mundo católico. Entrevistaram uma amostra de mulheres católicas praticantes, mulheres que pertencem ao corpo vivo da Igreja Católica. O resultado foi de que apenas 8% declararam praticar as normas morais da carta encíclica.
Esse resultado tão falimentar revela outro aspecto que Martini destacou na entrevista: “Nem o clero nem o Direito eclesial podem substituir a interioridade do ser humano. Todas as regras externas, as leis, os dogmas nos foram dados para esclarecer a voz interior”. O fundamento decisivo de todo discurso sobre a verdade está ligado à interioridade humana. A interioridade humana é algo que deve cuidar da centelha sagrada, do núcleo vital que não se resigna ao desespero, que insere energia positiva no mundo, que insere esperança.
Se não há interioridade, não há vida espiritual. Se não há a pessoa interior, o mundo, com os seus poderes fortes, antes ou depois destrói a imaginação utópica. E nos conformamos com isso, e essa é a desilusão de grande parte da esquerda, porque falta a energia interior, uma fonte outra – que não deve ser necessariamente cristã – com relação à simples lógica dos poderes deste mundo.
A fé de Dostoiévski
Fiódor Dostoiévski escreveu uma carta que eu gosto tanto a ponto de me comover. Encarcerado na Sibéria, Dostoiévski havia sido condenado à morte: o comandante havia enfileirado o pelotão de fuzilamento, comandado o fogo e, depois, como se fosse um jogo, disse: “Chegou o pedido de graça, não atirem”.
Desde então, Dostoiévski ficou vítima de ataques epilépticos. Na Sibéria, ele havia sido visitado por uma mulher que havia dado a ele e aos seus outros companheiros de prisão o Novo Testamento. Quando saiu da prisão, ele procurou aquela mulher e, em janeiro de 1954, lhe escreveu esta carta:
“Eu lhe direi que sou um filho do século, um filho da descrença e da dúvida, e que, eu sei, permanecerei assim até o túmulo. Que terrível sofrimento me custou e me custa agora essa sede de fé, que é tão mais forte na minha alma quanto mais são os argumentos contrários. No entanto, Deus me manda às vezes minutos em que eu estou totalmente sereno. Nesses minutos, eu amo e sei que sou amado pelos outros. Nesses minutos, eu criei em mim uma profissão de fé em que tudo me é claro e sagrado. Essa profissão de fé é muito simples, ei-la: crer que não há nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais razoável, de mais corajoso e perfeito do que o Cristo, e não só que há, mas, com amor ciumento, digo a mim mesmo que não pode não haver. E não somente isso: se alguém me demonstrasse que o Cristo está fora da verdade e, de fato, resultasse que a verdade está fora do Cristo, eu preferiria ficar com Cristo em vez da verdade.”
“Nesses minutos, eu amo e sei que sou amado”: essa é a fonte existencial que levou Dostoiévski a criar a sua profissão de fé. O Cristo do qual ele fala não é outra verdade conteudística ao lado das outras; é o símbolo ao amor concreto, solidário, conectado em todo instante com a realidade, é um método.
Aquela modalidade que te leva a olhar a vida não sob a insígnia da vontade de poder, do teu credo, da tua Igreja, mas sim que te faz estar em conexão com a vida verdadeira para servi-la a todo instante, para fazer brotar o bem de toda situação. Esse é o sentido em que Cristo dizia “Eu sou a verdade, eu sou o caminho, a verdade, a vida”, para caminhar neste mundo servindo sempre o bem e a justiça.

Notas:
1. Simone Weil, L’enracinement [O enraizamento]. Paris: Gallimard, 1949.
2. Essa frase se encontra na conclusão de um pequeno tratado intitulado “A Arte de ouvir”.
3. Carlo Maria Martini e Georg Sporschill. Diálogos noturnos em Jerusalém (Mondadori, 2008, p. 66) [versão brasileira: Paulus, 2008].

O artigo foi publicado na revista Oreundici, de dezembro de 2012, reproduzido pelo IHU-Unisinos.

Mulher, imigrante e explorada: estudo retrata trabalho doméstico nos EUA

Domésticas durante o lançamento do relatório, em Nova York. Foto: Cidadão Global

Porta de entrada da economia americana para muitos imigrantes, principalmente mulheres, o trabalho doméstico nos Estados Unidos padece dos mesmos males que em países mais pobres: salários baixos, longas horas sem intervalos nem compensações, ausência de contratos e quase nenhum poder de barganha.
É o retrato traçado pelo primeiro estudo a tentar fazer o perfil dessa atividade no país, elaborado pela Aliança Nacional de Trabalhadores Domésticos (NDWA, na sigla em inglês) em parceria com 34 organizações de direitos civis.
De uma amostra de 2.086 profissionais entrevistadas em 14 regiões metropolitanas – entre babás, faxineiras e pessoas que tomam conta de idosos –, a entidade calculou que metade recebe salários insuficientes para manter a sua família adequadamente.
Um em cada quatro trabalhadores declarou receber um salário abaixo do mínimo do seu Estado. Entre os que vivem nas casas dos patrões, essa proporção subiu para dois terços.
Além disso, as entrevistas, feitas em nove idiomas, indicaram que menos de 2% dos patrões contribuem para a aposentadoria dos seus empregados. Menos de 9% pagam as contribuições sociais e 65% dos trabalhadores não têm nenhuma cobertura de saúde – em um país onde os custos de tratamento médico são os mais caros do mundo.
“Ao contrário do que seria de se esperar, no século 21 os trabalhadores domésticos não têm acesso aos direitos mais básicos que se pode imaginar”, disse à BBC Brasil a coordenadora nacional da pesquisa, Linda Burnham, da NDWA.
“As ocupações domésticas ainda são essencialmente feitas pelas mulheres e ainda não são consideradas como trabalho. Temos septuagenários que não podem parar de trabalhar, porque ninguém recolheu as contribuições sociais em nome deles. Eles não têm aposentadoria. Vão trabalhar até colocar o pé na cova”, acrescentou Burnham.

Imigração e exploração

Historicamente, os trabalhadores agrícolas e domésticos foram excluídos das principais proteções trabalhistas americanas por pressão dos Estados do sul, dependentes de mão-de-obra pouco qualificada para tocar as suas fazendas e residências. Nunca puderam, por exemplo, formar sindicatos nem negociar conjuntamente.
Segundo a chamada Pesquisa de Comunidades Americanas, conduzida anualmente pelo Censo, 95% dos trabalhadores domésticos nos EUA são mulheres. Cada vez mais, são também imigrantes.
Nas regiões metropolitanas pesquisadas, assim como na amostra da pesquisa, 60% dos trabalhadores domésticos são latinos. Apenas um em cada cinco é nascido nos EUA, e só um terço tem a cidadania.
Linda Burnham diz que mesmo os estrangeiros legalmente documentados recebem menos do que os cidadãos americanos. “É basicamente uma punição salarial por não ser cidadão”, diz.
“Mas mesmo entre os americanos é um trabalho complicado. A relação patrão-empregado é muito pessoal e muitas vezes os empregadores não se veem como tal. Outro dia eu estava conversando com uma mulher de Atlanta, afroamericana, que fica sem salário cada vez que a família para quem ela trabalha tira férias”, descreve.
“(Nesse ramo) quase não existem férias remuneradas, a maioria dos trabalhadores não tem contrato – apenas um acordo informal –, e os patrões determinam que horas o trabalho começa, mas nunca quando termina. O dia se estende até altas horas e você continua ganhando US$ 200 por semana.”
Burnham diz que os estrangeiros indocumentados, em particular, estão mais vulneráveis quando se trata de reclamar seus direitos trabalhistas. Na pesquisa, 85% dos que sofreram abuso evitaram levar o caso adiante por medo de ter seu status usado contra si.
Não há dados em relação à legalidade ou não desses profissionais no país – na amostra pesquisada, os documentados eram um pouco mais numerosos que os indocumentados (53% a 47%).

Legislação

A pesquisa ouviu apenas trabalhadores domésticos que negociam diretamente com seus patrões, obtendo seu emprego através de indicações ou anúncios de classificados. Dados do Censo indicam que existem entre 700 mil e 800 mil empregados com estas condições nos EUA.
Mais difícil, entretanto, é precisar quantos trabalham para agências de empregos, afirma a pesquisadora.
Se o entendimento deste setor ainda é fracionado nos EUA, igualmente é o trabalho das entidades trabalhistas para mudar a legislação.
Linda Burham. Foto: Cidadão Global

Para Linda Burnham, muitos empregadores ainda não reconhecem os direitos dos trabalhadores domésticos (Foto: Cidadão Global)
Em nível federal, elas consideram que seria muito difícil avançar projetos no Congresso, relutante em reforçar proteções trabalhistas por medo de ferir o “livre mercado” e avesso a passar medidas que favoreçam os imigrantes ilegais.
A solução tem sido lutar para incluir a categoria nas legislações estaduais – Estado por Estado. Depois de mais de meia década de pressão, Nova York foi o primeiro a assinar uma legislação específica de proteção para trabalhadores domésticos.
Um projeto semelhante chegou a ser aprovado no Legislativo da Califórnia, mas o governador Jerry Brown vetou a legislação em outubro passado.
Em 2011, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovou uma convenção sobre os direitos dos trabalhadores domésticos, a fim de beneficiar os 53 milhões de empregados nestas atividades em todo o mundo.
A convenção 189 estabelece a igualdade em relação a outras profissões e determina que os países que adotem o acordo definam direitos mínimos, como regulamentação por contrato, horas, intervalos, férias e contribuições. O primeiro país a ratificar a convenção foi o Uruguai, em abril deste ano. O Brasil ainda não o fez.
“Existem regulamentações: se você trabalha quatro horas para alguém, precisa de um intervalo para o almoço. Outras profissões são cobertas por essa legislação. Se trabalha mais de oito horas por dia, precisa ganhar hora extra”, diz Linda Burnham.
“Muitos empregadores querem fazer as coisas corretamente, e uma parte do nosso trabalho também é educá-los. Mesmo que tenham diaristas que venham um ou dois dias por semana, se é uma relação contínua, de 52 semanas por ano, eles precisam pagar os impostos e as contribuições.”
“São direitos que no século 21 os empregadores teriam de entender e garantir. Mas não é sempre o caso. Às vezes ouço histórias e penso, isso não é possível. Mas é.”

4 em cada 10 jovens dispensam camisinha em relacionamento estável

 Quatro em cada dez jovens brasileiros acham que não precisam usar camisinha em um relacionamento estável. A conclusão é da pesquisa Juventude, Comportamento e DST/Aids realizada pela Caixa Seguros com o acompanhamento do Ministério da Saúde e da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde). Terapia anti-HIV reduz risco entre casais Ministério da Saúde faz acordo para produção de droga anti-HIV Um quarto dos brasileiros com HIV não sabe que está infectado O levantamento ainda revelou que três em cada dez ficariam desconfiados da fidelidade do parceiro caso ele propusesse sexo seguro.
O estudo ouviu 1.208 jovens com idades entre 18 e 29 anos em 15 Estados (Rondônia, Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás) e no Distrito Federal. As mulheres correspondem a 55% da amostra e os homens, a 45%. Ao todo, 91% dos jovens entrevistados já tiveram relação sexual; 40% não consideram o uso de camisinha um método eficaz na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis ou gravidez; 36% não usaram preservativo na última vez que tiveram relações sexuais; e apenas 9,4% foram a um centro de saúde nos últimos 12 meses para obter informações ou tratamento para DST (doenças sexualmente transmissíveis). 
Os dados também mostram que falta aos jovens brasileiros o conhecimento de algumas informações básicas, já que um em cada cinco acredita ser possível contrair o HIV utilizando os talheres ou copos de outras pessoas e 15% pensam que enfermidades como malária, dengue, hanseníase ou tuberculose são tipos de DSTs. “Notamos que os jovens menos vulneráveis são aqueles que conversam com os pais sobre sexualidade e que têm maior escolaridade. Mas pouquíssimos conversam com os pais sobre isso e a maioria não está estudando, repetiu alguns anos na escola. Embora eles não percebam, essa vulnerabilidade em relação à Aids existe e é latente”, afirmou Miguel Fontes, coordenador da pesquisa. As recomendações feitas pelo estudo incluem maiores investimentos em conteúdos de qualidade sobre sexo e Aids na internet e a capacitação de professores que trabalham com jovens para tratar temas relacionados a DST e Aids. “No lugar de campanhas massivas na TV e no rádio, precisamos de canais diretos na internet. Ela age hoje como um gancho muito forte e é necessário levá-la em consideração como uma ferramenta educativa, além de reforçar o papel dos pais, fonte de educação mais confiável, e dos profissionais de saúde. Muitas vezes, os amigos são a principal fonte de informação do jovem, mas isso não implica em um melhor nível de conhecimento”, ressaltou o coordenador do estudo. 
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que os brasileiros com idade entre 15 e 29 anos representam 40% da população, totalizando 50 milhões de jovens. Levantamentos do Ministério da Saúde mostram uma tendência de crescimento de novas infecções pelo HIV nessa faixa etária desde 2007, chegando a 44,35 registros para cada grupo de 100 mil pessoas. Atualmente, entre 490 mil e 530 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, 135 mil não sabem que têm o vírus. A incidência da Aids no país, em 2011, chegou a 20,2 casos para cada 100 mil habitantes. No ano passado, foram registrados 38,8 mil novos casos da doença –a maioria nos grandes centros urbanos.