Uma Igreja para além da Modernidade

Amanhã inicia a primeira sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade. Talvez o evento eclesial católico romano mais importante depois do Vaticano II. Ou, visto de outro ângulo, a consequência maior e mais radical daquele Concílio que colocou a Igreja Católica Romana em diálogo com a Modernidade.

Um diálogo com um atraso de quinhentos anos. Desde o Concílio de Trento no séc. XVI o catolicismo andava em caminho contrário à Modernidade. Ser “do contra” tornou-se a identidade católico-romana. Pio IX, o Papa do longo séc. XIX, tornou-se o expoente maior deste modo de ser no mundo.

O Dogma da Imaculada Conceição, o “Syllabus Errorum” e o Vaticano I com o dogma da infalibilidade papa, foram a expressão doutrinário deste modo de “ser do contra”. O Vaticano II foi a passagem do contra para o diálogo. “Alegria e Esperança” foram a nova postura que, por contraditório que possa parecer, tornou-se o germe da crise que não é a da decadência, mas a da purificação.

A “volta à grande disciplina” ensaiada nos tempos woytilianos e ratzingerianos mostrou-se falido e quase fez a Igreja soçobrar. Graças à resistência de muitos e à força do Espírito, com Francisco de Roma retomamos o rumo e seguimos navegando para diante, para além da modernidade.

Com o Papa Francisco, somos convidados a superar as fronteiras da modernidade e seu produtivismo consumista e aventurar-nos em uma economia da frugalidade na convivência com as outras criaturas com as quais dividimos a Casa Comum. Com Francisco de Roma, ultrapassamos as barreiras dos nacionalismos para convivermos numa humanidade onde sejamos, de fato, “fratelli tutti”. Com Francisco de Roma e sua proposta de sinodalidade, as maiorias deixarão de impor sua vontade sobre as minorias e as relações entre humanos e na própria Igreja passarão a ter em conta a “todos, todos, todos”, para que ninguém fique para trás ou de fora.

Não será fácil! Mas a Esperança nunca é fácil. A Esperança é viver o hoje como se já estivéssemos no amanhã testemunhando que esse amanhã é possível. A Esperança não é ignorar ou esquecer o presente, mas Transfigurá-lo para que o presente se mostre e desabroche em todas as suas potencialidades para que o futuro não seja mais como e antigamente.

É hora de respirar fundo. Hora de mirar o horizonte. Hora de caminhar sem medo e com a alegria mesmo em meio aos sofrimentos. Caminhemos de mãos dadas, conciliarmente, sinodalmente, pois o caminhar já é objetivo alcançado.

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