Não sei quanto vai durar… Mas me disponho a esperançar. Sim! Que seja pelo menos para uma temporada. A temporada 2024. Campeonato Gaúcho, Copa do Brasil e Série A do Brasileirão. Três grandes desafios!
Sei que as coisas são muito instáveis no futebol. Instáveis porque negociáveis. Melhor dizendo, comercializáveis. Jogadores assinam contratos por três meses. Treinadores, por seis, oito ou doze talvez. Muitos nem isso duram. Uma proposta melhor ou um fracasso são razão para romper qualquer contrato. Sem falar dos empresários e investidores e seus interesses sem pudores.
Contando com tudo isso, espero que Roger Machado, pelo Juventude recém contratado, tenha a oportunidade de mostrar o que sabe fazer com uma equipe de futebol. Já o mostrou no Grêmio quando passou pela equipe da capital e, se ali se deu mal, não foi por falta de potencial. Seu pecado venial no time da capital foi o de não resignar-se a ser um simples profissional.
Treinando o Grêmio, Roger Machado montou uma equipe competitiva e moderna com perspectivas de se tornar vitoriosa. Mas ele queria mais. Queria que seus jogadores fossem respeitados como homens e como profissionais e não como meras peças comerciais. E ousou colocar em discussão temas sociais e raciais. Fazia questão de se pronunciar contra o “mercado” do futebol e o racismo que cerca as quatro linhas do campo, os vestiários e os meios de comunicação que sobrevivem do futebol.
Por suas posições e não por suas atuações, Roger foi punido e de Porto Alegre banido. Um time de brancos e ricos não suporte um treinador que se diz trabalhador e negro.
Lembrando disso, me pergunto sobre o futuro dele em Caxias do Sul. Ainda mais agora que a ele se juntou um outro ícone do futebol brasileiro, o preparador físico Paulo Paixão. Aos 72 anos, Paulo Paixão talvez não traga consigo os mais modernos métodos de preparo físico. Mas é uma das pessoas que mais entende de jogador de futebol no Brasil.
Fico torcendo para que o racismo não vença antes de os dois convencerem de que há, sim, possibilidade de juntar a alegria do futebol com o sonho de justiça social e racial neste Brasil da disparidade.
Boa sorte Roger Machado! Boa sorte Paulo Paixão! Que o Juventude e caxias do Sul os suportem para o bem dos atletas, do time, do clube e do esporte.
