O quinto cavaleiro do Apocalipse.

Há apenas quatro anos a humanidade foi assolada pela pandemia provocada pelo Covid 19. Um vírus invisível a olho nu espalhou-se rapidamente pelo mundo inteiro causando um excesso de mortes de em torno de 22 milhões de pessoas e prejuízos econômicos, sociais, educacionais e emocionais que permanecerão por décadas.

Aqui no sul do Brasil, vivemos a tragédia das enchentes. Nos vales dos rios que compõem a Bacia do Jacuí, as águas desceram arrastando tudo o que encontravam pela frente: encostas, estradas, pontes, casas, cidades inteiras… Na Região Metropolitana, no Delta do Jacuí, as correntes encontraram repouso e descansaram na planície alagando durante quase um mês os bairros onde moram as populações mais empobrecida. Morte, dor e destruição.

Nestes dias estamos assistindo, qual espetáculo hollywoodiano, os incêndios na região de Los Angeles. A Califórnia, o Estado mais rico do mundo, impotente diante do fogo que já causou prejuízo de quase um trilhão de dólares e dezenas de mortes.

Enquanto isso, em Gaza, na Ucrânia, no Sudão, Moçambique, Iêmen, Etiópia, Líbia, Congo e tantos outros lugares esquecidos pela lógica geopolítica que domina o mundo, as guerras seguem destruindo infraestruturas construídas com o esforço de gerações, matando milhões de inocentes, deixando outros tantos na fome ou obrigando-os a deixar suas famílias, terras, casas…

Na pandemia, dizíamos que, depois dela, o mundo seria outro. Que nada! O negacionismo sanitário continua a navegar nas redes sociais e é bandeira política que elege vereadores, deputados, senadores e presidentes.

Depois das enchentes, o ogro-negócio continua a devastar o Bioma Pampa e os portoalegrenses reelegeram um negacionista climático para sanar os problemas que ele dizia não existirem.

Tenho minhas fundadas dúvidas quanto à capacidade dos cidadãos californianos e norte americanos em geral abdicaram de seu posto de maiores poluidores per capita do mundo.

Quanto às guerras, sem elas, o capitalismo não sobrevive. Elas garantem as matérias primas e a destruição generativa de novos, imensos e rápidos lucros para o capital especulativo que se autosatisfaz na lógica dos algoritmos programados apenas para gerar mais e mais lucros sem se importar com a vida e a morte das pessoas e dos outros seres vivos reais.

Há esperança de que a humanidade sobreviva aos quatro Cavaleiros do Apocalipse? Como fazer para resistir à peste, à fome, à guerra e à morte provocada pelas catástrofes ambientais e pelas guerras imorais? Qual dessas ameaças é a mais ameaçadora?

Temo que nenhuma das quatro seja a que mais devamos que temer. Talvez seja a quinta ameaça, o Quinto Cavaleiro o mais tenebroso. Ele se chama Ignorância Consentida. Ela consiste em tomar conhecimento dos fatos, mas não aceitar que eles nos concernem pessoalmente e exigem de cada sujeito uma ação pessoal e coletiva. É o indiferentismo gnosiológico, fruto do egocentrismo que permite ver e sentir o mundo desabar ao nosso redor e pensar que isso tudo não nos diz respeito. É o torpor provocado por doses contínuas de narcótico eletrônico injetado pelas mídias sociais por aqueles que só ganham com a destruição.

Há cura? Não sei… Temo que não. Espero que sim! Luto para que haja e tento somar-me aos que tomaram este caminho e convidar outros para nele entrarem. Que a inocência dos que não se deixaram contaminar pelo pecado original da ganância desenfreada nos proteja nesta batalha que para alguns pode parecer insana, mas é o que faz a humanidade ser, verdadeiramente, humana.

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