NEM TUDO ESTÁ PERDIDO!

Deu vontade de interromper a conversa dos dois para dar parabéns. Mas aí pensei: se eu fizer isso, estarei normalizando o fato de que os homens não deveriam se preocupar com seus filhos e deixar os cuidados necessários para as mães. Essa é a lógica machista e eu a estaria confirmando.
Melhor fiquei quieto. Talvez os dois sejam os representantes comuns das novas masculinidades em construção. Uma maioria silenciosa que se expressa sem vergonha em locais tipicamente masculinos. É bem provável que isso também aconteça corriqueiramente nos bares, nos estádios de futebol, nas saunas, nas borracharias e em outros tantos lugares antes impensáveis para a presença de homens que não se sentem desmasculinizados por serem simplesmente humanos.

Hoje, quem precisa gritar nas redes sociais, nos meios de comunicação, nos palanques políticos e nos púlpitos a sua crise de masculinidade são aqueles que perderem seu lugar de poder baseado no princípio falocrático. Os que deram o passo para relações de equidade de gênero e assumem a sua masculinidade de forma não competitiva e quiriarcal, vivem tranquila e serenamente sua nova identidade de gênero sem deixarem de ser masculinos.

É o caso do rapaz e do barbeiro que, animadamente, conversavam na barbearia ontem no final da manhã. Voltei prá casa feliz! Nem tudo está perdido.

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