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Sobre Vanildo Luiz Zugno

Espaço para publicação de textos teológicos e áreas afins. Aberto a todos aqueles e aquelas que desejam compartilhar suas reflexões e experiências teológicas e religiosas.

Montadora do Irã quer lançar 'carro para mulheres'

Motorista iraniana
As mulheres podem dirigir carros, mas não motos no Irã

Uma montadora do Irã anunciou que está planejando lançar um modelo de carro especialmente projetado para as mulheres.

De acordo com a montadora Iran Khodro, o veículo “feminino” deve incluir, entre seus assessórios, mecanismos para ajudar a estacionar o carro, um sistema de navegação, transmissão automática e um macaco que permitirá à motorista trocar o pneu seu sujar seu chador – o tradicional vestido islâmico, que cobre quase todo o corpo.

O carro também deve ter outros recursos para facilitar a vida da motorista quando ela estiver levando compras do supermercado para casa ou levando crianças para a escola.

A Iran Khodro, que é a maior montadora iraniana, anunciou que pretende lançar o veículo em várias cores consideradas femininas, e com o interior com diversos tipos de design.

Sexismo

O anúncio sugere que um certo grau de sexismo na sociedade iraniana. O que, possivelmente, é verdade – apesar de 60% dos estudantes universitários do país serem hoje mulheres.

Um estudo recente realizado na Universidade Allameh Tabatabaii, em Teerã, revelou que a maior parte das mulheres que trabalham no Irã afirma que homens e mulheres deveriam dividir mais igualitariamente o trabalho doméstico.

Entretanto, o estudo concluiu que os maridos das mulheres pesquisadas “pensam e agem de acordo com a tradição”.

De fato, a idéia de que homens casados cozinhem para suas mulheres é vista como bastante excêntrica na sociedade iraniana.

O resultado disso, de acordo com o estudo, é que as mulheres que trabalham “são obrigadas a assumir o papel de supermulheres para resolver seus problemas ao lidar com todas suas tarefas”.

O estudo também diz que, por isso, as mulheres iranianas “se tornaram cada vez mais frustradas com suas vidas”.

Motos proibidas

Oficialmente, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, diz que o Irã é o país onde existe a maior igualdade entre os sexos do mundo.

As autoridades proclamam com orgulho as conquistas e oportunidades abertas às mulheres iranianas.

Mas o conceito de “igualdade” iraniano é bem diferente do conhecido pelas feministas do Ocidente.

As mulheres (todas, inclusive as estrangeiras que estiverem no país) são obrigadas a usar um véu cobrindo a cabeça e ainda são proibidas de dirigir motos.

Recentemente, o país também anunciou planos de criar uma bicicleta especial para mulheres. Aparentemente, a idéia é incluir nas bicicletas “coberturas” especiais para esconder as formas femininas quando elas estiverem pedalando.

Disputa impede reparos em mosteiro no Santo Sepulcro

Basílica do Santo Sepulcro (arquivo)
O mosteiro Dir El Sultan, instalado sobre o teto da Basílica do Santo Sepulcro, corre um risco imediato de desabar e causar sérios danos a um dos locais mais sagrados para a religião cristã.

Segundo o governo israelense, a disputa entre as igrejas etíope-ortodoxa e a copta-ortodoxa, pelo controle do local, impede a execução dos reparos.

De acordo com o relatório do engenheiro israelense Igal Bergman, contratado pelo igreja etíope-ortodoxa, o mosteiro Dir El Sultan “representa um risco para a vida dos monges e dos visitantes, trata-se de uma emergência, e reparos no local devem ser feitos com urgência”.

O mosteiro fica sobre o teto da Basílica do Santo Sepulcro, local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo foi crucificado e sepultado.

A Basílica, construída pela primeira vez no século 4º, é administrada por diversas correntes da religião cristã, inclusive a católica romana, a greco-ortodoxa, a etíope-ortodoxa e a copta (egípcia) ortodoxa.

Condição

A propriedade sobre o mosteiro Dir El Sultan é disputada há 200 anos pelas igrejas etíope e copta, o que dificulta a realização de trabalhos no local.

De acordo com o jornal Haaretz, o Ministério do Interior de Israel afirma que “sabe da necessidade de reparos no mosteiro desde 2004 e está disposto a arcar com as despesas da obra”.

Porém, a condição do Ministério para iniciar os trabalhos é que as igrejas cheguem a um acordo sobre a responsabilidade pelo local.

Segundo o arcebispo Mateus, chefe da igreja etíope-ortodoxa, que enviou uma carta urgente ao Ministério do Interior de Israel, exigindo a execução dos reparos, “a condição do governo israelense é inaceitável porque não reconhecemos direito algum da igreja copta no local”.

O Ministério do Interior disse ao jornal Haaretz que “qualquer intervenção ativa do governo israelense na Basílica do Santo Sepulcro, sem o acordo das duas igrejas, pode provocar uma crise entre Israel, a Etiópia e o Egito”.

O prefeito de Jerusalém, Uri Lupoliansky, afirmou que vai tentar intermediar a crise entre as duas igrejas para que seja possível realizar as reformas.

Disputa impede reparos em mosteiro no Santo Sepulcro

Basílica do Santo Sepulcro (arquivo)
O mosteiro Dir El Sultan, instalado sobre o teto da Basílica do Santo Sepulcro, corre um risco imediato de desabar e causar sérios danos a um dos locais mais sagrados para a religião cristã.

Segundo o governo israelense, a disputa entre as igrejas etíope-ortodoxa e a copta-ortodoxa, pelo controle do local, impede a execução dos reparos.

De acordo com o relatório do engenheiro israelense Igal Bergman, contratado pelo igreja etíope-ortodoxa, o mosteiro Dir El Sultan “representa um risco para a vida dos monges e dos visitantes, trata-se de uma emergência, e reparos no local devem ser feitos com urgência”.

O mosteiro fica sobre o teto da Basílica do Santo Sepulcro, local onde, segundo a tradição cristã, Jesus Cristo foi crucificado e sepultado.

A Basílica, construída pela primeira vez no século 4º, é administrada por diversas correntes da religião cristã, inclusive a católica romana, a greco-ortodoxa, a etíope-ortodoxa e a copta (egípcia) ortodoxa.

Condição

A propriedade sobre o mosteiro Dir El Sultan é disputada há 200 anos pelas igrejas etíope e copta, o que dificulta a realização de trabalhos no local.

De acordo com o jornal Haaretz, o Ministério do Interior de Israel afirma que “sabe da necessidade de reparos no mosteiro desde 2004 e está disposto a arcar com as despesas da obra”.

Porém, a condição do Ministério para iniciar os trabalhos é que as igrejas cheguem a um acordo sobre a responsabilidade pelo local.

Segundo o arcebispo Mateus, chefe da igreja etíope-ortodoxa, que enviou uma carta urgente ao Ministério do Interior de Israel, exigindo a execução dos reparos, “a condição do governo israelense é inaceitável porque não reconhecemos direito algum da igreja copta no local”.

O Ministério do Interior disse ao jornal Haaretz que “qualquer intervenção ativa do governo israelense na Basílica do Santo Sepulcro, sem o acordo das duas igrejas, pode provocar uma crise entre Israel, a Etiópia e o Egito”.

O prefeito de Jerusalém, Uri Lupoliansky, afirmou que vai tentar intermediar a crise entre as duas igrejas para que seja possível realizar as reformas.

EL DOMINGO SE INAUGURA EL SINODO SOBRE LA PALABRA DE DIOS

CIUDAD DEL VATICANO, 3 OCT 2008 (VIS).-El arzobispo Nikola Eterovic,
secretario general del Sínodo de los Obispos, informó esta mañana en la
Oficina de Prensa de la Santa Sede sobre la inminente XII Asamblea General
Ordinaria del Sínodo: "La Palabra de Dios en la vida y en la misión de la
Iglesia", que se inaugura el domingo 5 de octubre con una misa presidida por
el Papa en la basílica de San Pablo Extramuros.

El arzobispo Eterovic afirmó que "es la primera vez que un sínodo se
inaugura en otra basílica distinta a la de San Pedro. El motivo -dijo- es
obvio, dado que el sínodo se celebra durante el Año Paulino". La clausura
está prevista el 26 de octubre en la basílica vaticana.

En esta XII Asamblea, dijo, participarán 253 padres sinodales
representantes de 113 conferencias episcopales, de 13 Iglesias orientales
católicas "sui iuris", de 25 dicasterios de la Curia Romana y de la Unión de
los Superiores Generales. También asistirán 41 expertos procedentes de 21
países y 37 auditores de 26 países. Entre los expertos hay 6 mujeres y las
auditoras son 19, una más que los auditores.

El secretario general del Sínodo de los Obispos señaló que en este próximo
sínodo también participarán algunos delegados fraternos representantes de 10
Iglesias y comunidades eclesiales. Además del patriarcado ecuménico estarán
representados los patriarcados de Moscú, de Serbia y de Rumania, la Iglesia
Ortodoxa de Grecia y la Iglesia Apostólica Armenia, así como la Comunión
Anglicana, la Federación Luterana Mundial, la Iglesia de los Discípulos de
Cristo y el Consejo Mundial de Iglesias.

También asistirán a los trabajos sinodales tres invitados especiales del
Santo Padre: el Rabino jefe de Haifa, Shear Yashyv Cohen, que en la tarde
del 6 de octubre hablará a los padres sinodales sobre cómo el Pueblo Judío
lee e interpreta la Sagrada Escritura. "Es la primera vez que un rabino y
un no cristiano se dirige a los participantes en el sínodo". Los otros dos
invitados especiales son: el reverendo A. Millar Milloy, secretario general
de las "United Bible Societies" y el hermano Alois, prior de la Comunidad de
Taizé.

El 18 de octubre habrá un encuentro ecuménico: el Papa y el patriarca
ecuménico de Constantinopla, Bartolomé I, presidirán en el Aula del Sínodo
las primera vísperas del domingo XXIX del tiempo ordinario y pronunciarán un
discurso sobre el tema de la Palabra de Dios, con particular referencia al
Año Paulino. "Es la primera que el patriarca ecuménico se dirige a los
padres sinodales".

Según el reglamento del Sínodo, además de las intervenciones escritas de
los padres sinodales -cada uno dispondrá de cinco minutos-, están previstas
-como en la anterior asamblea general-, las discusiones libres, que tendrán
lugar de las 18 a las 19, es decir, al final de las congregaciones generales
vespertinas.

El secretario general del Sínodo de los Obispos indicó que también el 6 de
octubre por la tarde habrá discusión libre tras las cinco relaciones -cada
una de diez minutos- en las que cinco obispos pondrán de relieve cómo el
tema sinodal se percibe en los cinco continentes. Por último, está prevista
una intervención de unos 30 minutos sobre la recepción de la exhortación
apostólica postsinodal "Sacramentum caritatis" de Benedicto XVI, a la que
seguirá una discusión libre sobre este tema.
SE/SINODO PALABRA DIOS/ETEROVIC VIS 081003 (570)

EL DOMINGO SE INAUGURA EL SINODO SOBRE LA PALABRA DE DIOS

CIUDAD DEL VATICANO, 3 OCT 2008 (VIS).-El arzobispo Nikola Eterovic,
secretario general del Sínodo de los Obispos, informó esta mañana en la
Oficina de Prensa de la Santa Sede sobre la inminente XII Asamblea General
Ordinaria del Sínodo: "La Palabra de Dios en la vida y en la misión de la
Iglesia", que se inaugura el domingo 5 de octubre con una misa presidida por
el Papa en la basílica de San Pablo Extramuros.

El arzobispo Eterovic afirmó que "es la primera vez que un sínodo se
inaugura en otra basílica distinta a la de San Pedro. El motivo -dijo- es
obvio, dado que el sínodo se celebra durante el Año Paulino". La clausura
está prevista el 26 de octubre en la basílica vaticana.

En esta XII Asamblea, dijo, participarán 253 padres sinodales
representantes de 113 conferencias episcopales, de 13 Iglesias orientales
católicas "sui iuris", de 25 dicasterios de la Curia Romana y de la Unión de
los Superiores Generales. También asistirán 41 expertos procedentes de 21
países y 37 auditores de 26 países. Entre los expertos hay 6 mujeres y las
auditoras son 19, una más que los auditores.

El secretario general del Sínodo de los Obispos señaló que en este próximo
sínodo también participarán algunos delegados fraternos representantes de 10
Iglesias y comunidades eclesiales. Además del patriarcado ecuménico estarán
representados los patriarcados de Moscú, de Serbia y de Rumania, la Iglesia
Ortodoxa de Grecia y la Iglesia Apostólica Armenia, así como la Comunión
Anglicana, la Federación Luterana Mundial, la Iglesia de los Discípulos de
Cristo y el Consejo Mundial de Iglesias.

También asistirán a los trabajos sinodales tres invitados especiales del
Santo Padre: el Rabino jefe de Haifa, Shear Yashyv Cohen, que en la tarde
del 6 de octubre hablará a los padres sinodales sobre cómo el Pueblo Judío
lee e interpreta la Sagrada Escritura. "Es la primera vez que un rabino y
un no cristiano se dirige a los participantes en el sínodo". Los otros dos
invitados especiales son: el reverendo A. Millar Milloy, secretario general
de las "United Bible Societies" y el hermano Alois, prior de la Comunidad de
Taizé.

El 18 de octubre habrá un encuentro ecuménico: el Papa y el patriarca
ecuménico de Constantinopla, Bartolomé I, presidirán en el Aula del Sínodo
las primera vísperas del domingo XXIX del tiempo ordinario y pronunciarán un
discurso sobre el tema de la Palabra de Dios, con particular referencia al
Año Paulino. "Es la primera que el patriarca ecuménico se dirige a los
padres sinodales".

Según el reglamento del Sínodo, además de las intervenciones escritas de
los padres sinodales -cada uno dispondrá de cinco minutos-, están previstas
-como en la anterior asamblea general-, las discusiones libres, que tendrán
lugar de las 18 a las 19, es decir, al final de las congregaciones generales
vespertinas.

El secretario general del Sínodo de los Obispos indicó que también el 6 de
octubre por la tarde habrá discusión libre tras las cinco relaciones -cada
una de diez minutos- en las que cinco obispos pondrán de relieve cómo el
tema sinodal se percibe en los cinco continentes. Por último, está prevista
una intervención de unos 30 minutos sobre la recepción de la exhortación
apostólica postsinodal "Sacramentum caritatis" de Benedicto XVI, a la que
seguirá una discusión libre sobre este tema.
SE/SINODO PALABRA DIOS/ETEROVIC VIS 081003 (570)

Papa reitera condenação da Igreja à anticoncepção

O Papa Bento XVI reiterou nesta sexta-feira a condenação da Igreja Católica à anticoncepção, por ocasião dos 40 anos da polêmica encíclica “Humanae vitae” de Paulo VI sobre o tema, que fechou a porta a qualquer evolução.

“Excluir a possibilidade de dar a vida por meio de uma ação destinada a impedir a procriação significa negar a verdade íntima do amor conjugal”, afirma o Papa em uma mensagem dirigida aos participanes de um colóquio sobre a “Humanae Vitae” e publicada pelo serviço de imprensa do Vaticano.

O único método contraceptivo admitido pela Igreja Católica, quando o casal passa por “circunstâncias graves” que justificam atrasar os nascimentos é “a observação dos ritmos naturais da fertilidade da mulher” (ou seja a abstinência no período de fertilidade), acrescenta o Sumo Pontífice.

A encíclica “Humanae vitae” provocou em 1968 um terremoto na Igreja Católica e causou o afastamento de muitos fiéis de uma instituição que para eles não levava em consideração as realidades da vida.

Papa reitera condenação da Igreja à anticoncepção

O Papa Bento XVI reiterou nesta sexta-feira a condenação da Igreja Católica à anticoncepção, por ocasião dos 40 anos da polêmica encíclica “Humanae vitae” de Paulo VI sobre o tema, que fechou a porta a qualquer evolução.

“Excluir a possibilidade de dar a vida por meio de uma ação destinada a impedir a procriação significa negar a verdade íntima do amor conjugal”, afirma o Papa em uma mensagem dirigida aos participanes de um colóquio sobre a “Humanae Vitae” e publicada pelo serviço de imprensa do Vaticano.

O único método contraceptivo admitido pela Igreja Católica, quando o casal passa por “circunstâncias graves” que justificam atrasar os nascimentos é “a observação dos ritmos naturais da fertilidade da mulher” (ou seja a abstinência no período de fertilidade), acrescenta o Sumo Pontífice.

A encíclica “Humanae vitae” provocou em 1968 um terremoto na Igreja Católica e causou o afastamento de muitos fiéis de uma instituição que para eles não levava em consideração as realidades da vida.

Reparando equívocos

Coordenador de um dos grupos de trabalho constituídos pela Funai para rever a dimensão das terras indígenas no Mato Grosso do Sul, o antropólogo Rubem Thomaz de Almeida tem evitado falar com jornalistas há semanas.

O recolhimento, justifica, deve-se à forte campanha movida por proprietários rurais contra o processo de demarcação, razão pela qual solicitou à CartaCapital que não divulgasse seu retrato. “O clima é de intimidação. Os carros das equipes responsáveis por este levantamento chegaram a ser perseguidos nas estradas por picapes de fazendeiros”, conta.

Dedicado ao estudo dos índios guaranis há 35 anos, Almeida concordou em conceder esta entrevista para “desfazer alguns dos equívocos” que, acredita, deram o tom do debate até agora.

CartaCapital: Por que os índios precisam de mais terras?
Rubem Thomaz de Almeida:
Do fim do século XIX para cá, os colonizadores ocuparam praticamente todo o território que antes pertencia aos guaranis. Nesse processo de ocupação, os indígenas foram, pouco a pouco, sendo restringidos a áreas muito pequenas. Hoje, temos 40 mil índios que vivem em cerca de 44 mil hectares. Eles estão praticamente sem terra. Na aldeia de Dourados, a situação é dramática: há apenas 3,5 mil hectares para 12 mil índios. Eles não têm condições de desenvolver a sua agricultura de subsistência. Dependem da cesta básica dada pelo governo.

CC: Os conflitos entre indígenas, dentro das aldeias, têm relação com a questão fundiária?
RTA:
Sim, devido à convivência forçada entre famílias que jamais se aproximariam de maneira espontânea. Alguns índios contornam esse problema por meio do casamento ou de alianças políticas. Mas há muitas brigas, que por vezes resultam em homicídios. No passado, quando uma família brigava com outra, geralmente uma delas se mudava para outra região, onde também tinha vínculos familiares. Havia espaços disponíveis. Hoje, não.

CC: Qual é a área necessária para abrigar os guaranis?
RTA:
Os grupos de trabalho foram criados para fazer esse levantamento, para que se conheça, com alguma precisão, a real demanda dos índios. Hoje, há muita especulação. A imprensa chegou a anunciar que a área seria de 12 milhões de hectares. Isso é um disparate, representa um terço do estado, a área total de 26 municípios, incluindo os centros urbanos. Admitir isso seria tão absurdo quanto propor a demarcação de terras indígenas em Copacabana, no Rio, ou no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

CC: É possível estimar a área a ser demarcada?
RTA:
É preciso aguardar os estudos. Certa vez, a um jornal local, deixei claro que não faz sentido falar em 12 milhões de hectares se a área sob investigação ocupa, no máximo, 3 milhões de hectares. O número foi divulgado como a área da demarcação. Nada disso. Dentro desse território, ainda serão feitos os levantamentos antropológicos para saber quais as terras pretendidas e se elas são tradicionalmente ocupadas por índios.

CC: O que será avaliado nos estudos?
RTA:
A composição das famílias, as relações de parentesco, a história deles em relação à terra, a ocorrência de determinados indicadores que comprovem a presença deles por ali, como casas abandonadas, resquícios de objetos, cemitérios indígenas etc.

CC: Os índios podem ser assentados em outra região?
RTA:
Nós, brancos, temos a concepção de que a terra é um título de propriedade. Para os guaranis, é o contrário. As terras não pertencem aos índios. Estes é que pertencem a uma terra. Por isso, eles se recusam a aceitar terras que não são suas, que não foram ocupadas pelos seus antepassados. No fim dos anos 70, a Funai tentou assentar um grupo de guaranis na aldeia Bodoquena, dos índios Kadiwéu, um pouco mais ao norte do estado. Ela tem 575 mil hectares para uma população muito pequena, entre 1,5 mil e 2 mil índios. Não deu certo. Os guaranis insistiram para voltar. Como a Funai não mobilizou transporte para trazê-los de volta, eles iniciaram uma marcha a pé de mais de 700 quilômetros.

CC: A demarcação será em área contínua?
RTA:
Em Roraima, a Raposa Serra do Sol tem 1,7 milhão de hectares para 18 mil índios em área contínua. Mas pensar numa situação similar no Mato Grosso do Sul é irreal. O estado tem colonização consolidada e economia estabelecida. A rigor, pela Constituição, até seria possível pensar numa solução para os índios desconsiderando os brancos. Não é o caso. O plano operacional prevê a presença dos proprietários rurais na região. Estuda-se, sim, a possibilidade de criar conexões entre as aldeias por meio de corredores ecológicos, o que permitiria a passagem de bichos e a circulação dos guaranis. Sem prejuízos, já que os corredores passariam pela área de reserva legal das fazendas. Isso leva em conta o próprio desenvolvimento do estado, eu diria.

CC: De que forma?
RTA:
As implicações que esses conflitos entre fazendeiros e indígenas trazem podem depor contra a economia local, seja pela desvalorização da terra, seja pela dificuldade do setor ao obter financiamentos ou mesmo na exportação de produtos. Isso é bastante comum. Na Europa, são negados negócios poderosos em função da questão ambiental, do trabalho escravo, de uma série de fatores. E a questão dos índios aqui também é preocupante. Não oferecer solução a essa população também traz prejuízos.

CC: Os índios terão condições de cultivar essas terras como os brancos?
RTA:
É um equívoco querer transformar os índios em produtores, tentar transformá-los em brancos. Eles têm o seu modo de vida, sua cultura, não tem a intenção de abandonar isso para se transformar num trabalhador rural, num profissional qualificado para determinado tipo de trabalho. Já se tentou isso numerosas vezes, seja pela Funai, seja pela atuação de missionários, e nunca deu certo. Os índios não querem ser brancos. Se os índios quisessem, já teriam feito, porque a relação de contato dos índios guaranis com os brancos é longa, de séculos. Parece-me da maior relevância que a sociedade entenda isso e compreenda que eles precisam do mínimo de terra para exercer o seu modo de ser, com a agricultura de subsistência, a caça e a pesca.

CC: Como se dá a relação dos guaranis com os brancos hoje?
RTA:
Fragmentos da sociedade indígena efetivamente têm uma relação mais próxima com os brancos. Conseqüentemente, eles são os que mais aparecem, os mais visíveis. São índios que têm um certo domínio com os nossos códigos e é com eles que os brancos dialogam. Mas isso é uma porcentagem bastante reduzida da população indígena. Os guaranis têm uma organização acéfala, baseada nas famílias extensas. Fala-se muito em liderança indígena. Quem seriam essas lideranças? Justamente aqueles que têm o domínio do nosso código, falam melhor a nossa língua e atuam como interlocutores. Se você entrar de fato das aldeias, descobrirá que a maioria fala muito mal o português e não pretende ter essa relação mais próxima conosco. Fazem questão de manter o seu modo de ser. E isso deve ser levado em conta. Se não for, o Estado brasileiro vai corroborar para o etnocídio. Impor nossa cultura é uma forma de matá-los culturalmente.

CC: E como resolver problemas como o alcoolismo e a violência dentro das aldeias guaranis?
RTA:
Fala-se muito do problema do alcoolismo entre os índios, mas não há nenhuma pesquisa acurada para verificar a dimensão do problema. Os jornais estampam: índios bêbados. Mas quem são eles? Os mesmos problemas que nossa sociedade enfrenta, eles também enfrentam. Tanto que tivemos de fazer a lei seca para evitar as mortes nas estradas devido ao consumo irresponsável da bebida alcoólica. Há uma porcentagem dos índios que, ao ingerir álcool, pode trazer problemas. Mas é necessário fazer uma pesquisa acurada sobre o tema. Eu insisto na idéia do segmento. É muito fácil dizer que os índios são bêbados e vagabundos. Mas seria justo dizer que a sociedade brasileira é uma sociedade de bêbados porque uma porcentagem da população bebe e causa problemas? Também fala-se em droga e prostituição. Eu trabalho com eles há 35 anos e nunca vi um índio se drogando ou uma índia se prostituindo. Não estou dizendo que não existe, mas eu nunca vi. E olha que eu ando, eu circulo por essas bandas desde 1973. Há um senso comum orientado por interesses de diversas áreas, dos missionários aos proprietários rurais, permeado por uma dose grande de preconceito. Cria-se uma imagem de os índios são bêbados, drogados e vagabundos.

CC: Há muito preconceito em relação aos guaranis?
RTA:
Sem dúvida. Dizem, por exemplo, que eles não trabalham. Só que os índios têm uma noção muita clara de que quem não trabalha não sobrevive. Eles trabalham, mas não como nós. Os índios não vão se tornar capitalistas. Precisamos acabar com essa ilusão. Eles têm interesse, sim, de desenvolver a sua economia de subsistência. Estão interessadíssimos nisso. Eles querem trabalhar e ficam extremamente irritados de depender de cesta básica. Até quando o governo vai bancar cesta básica para todo mundo? A vida deles gira em torno da roça. A caça e a pesca são certamente valiosas para os guaranis, mas eles não são nômades. No Brasil, existe somente uma etnia nômade: os nhambiquaras. Mesmo assim, eles deixaram de ser, por diferentes razões. Mas aí vem o rótulo: nômades. Ora, se são nômades, não precisam de terra.

CC: Basta ter acesso à terra?
RTA:
Não, mas há experiências que comprovam que com pouquíssimo investimento é possível estruturar as comunidades indígenas, não há a necessidade de vultosos investimentos. Mas a terra é fundamental, e deve-se levar em conta a organização das famílias extensas de guaranis. Essas famílias pertencem a uma determinada terra e não permitem que qualquer índio ocupe a sua área. Isso só acontece em áreas delimitadas pelo governo.

CC: O elevado número de suicídios entre os guarani tem relação com esses conflitos fundiários, com a falta de terra?
RTA:
Em alguma medida. O suicídio faz parte da cultura guarani. Desde o século XVII, há o registro histórico do que os indígenas chamam de jejuvy, termo que significa “enforcar-se”. Sabidamente isso é da tradição guarani. Mas, ultimamente, há uma exacerbação do suicídio, que aparece de maneira mais veemente, em número muito maior. A taxa de suicídio entre os guarani é uma das mais elevadas do mundo. E isso também tem relação com essa convivência forçada em áreas muito pequenas. Não é justo dizer que os índios se suicidam por causa dos brancos. Não é isso. Mas a falta de terra potencializa o problema.

Reparando equívocos

Coordenador de um dos grupos de trabalho constituídos pela Funai para rever a dimensão das terras indígenas no Mato Grosso do Sul, o antropólogo Rubem Thomaz de Almeida tem evitado falar com jornalistas há semanas.

O recolhimento, justifica, deve-se à forte campanha movida por proprietários rurais contra o processo de demarcação, razão pela qual solicitou à CartaCapital que não divulgasse seu retrato. “O clima é de intimidação. Os carros das equipes responsáveis por este levantamento chegaram a ser perseguidos nas estradas por picapes de fazendeiros”, conta.

Dedicado ao estudo dos índios guaranis há 35 anos, Almeida concordou em conceder esta entrevista para “desfazer alguns dos equívocos” que, acredita, deram o tom do debate até agora.

CartaCapital: Por que os índios precisam de mais terras?
Rubem Thomaz de Almeida:
Do fim do século XIX para cá, os colonizadores ocuparam praticamente todo o território que antes pertencia aos guaranis. Nesse processo de ocupação, os indígenas foram, pouco a pouco, sendo restringidos a áreas muito pequenas. Hoje, temos 40 mil índios que vivem em cerca de 44 mil hectares. Eles estão praticamente sem terra. Na aldeia de Dourados, a situação é dramática: há apenas 3,5 mil hectares para 12 mil índios. Eles não têm condições de desenvolver a sua agricultura de subsistência. Dependem da cesta básica dada pelo governo.

CC: Os conflitos entre indígenas, dentro das aldeias, têm relação com a questão fundiária?
RTA:
Sim, devido à convivência forçada entre famílias que jamais se aproximariam de maneira espontânea. Alguns índios contornam esse problema por meio do casamento ou de alianças políticas. Mas há muitas brigas, que por vezes resultam em homicídios. No passado, quando uma família brigava com outra, geralmente uma delas se mudava para outra região, onde também tinha vínculos familiares. Havia espaços disponíveis. Hoje, não.

CC: Qual é a área necessária para abrigar os guaranis?
RTA:
Os grupos de trabalho foram criados para fazer esse levantamento, para que se conheça, com alguma precisão, a real demanda dos índios. Hoje, há muita especulação. A imprensa chegou a anunciar que a área seria de 12 milhões de hectares. Isso é um disparate, representa um terço do estado, a área total de 26 municípios, incluindo os centros urbanos. Admitir isso seria tão absurdo quanto propor a demarcação de terras indígenas em Copacabana, no Rio, ou no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

CC: É possível estimar a área a ser demarcada?
RTA:
É preciso aguardar os estudos. Certa vez, a um jornal local, deixei claro que não faz sentido falar em 12 milhões de hectares se a área sob investigação ocupa, no máximo, 3 milhões de hectares. O número foi divulgado como a área da demarcação. Nada disso. Dentro desse território, ainda serão feitos os levantamentos antropológicos para saber quais as terras pretendidas e se elas são tradicionalmente ocupadas por índios.

CC: O que será avaliado nos estudos?
RTA:
A composição das famílias, as relações de parentesco, a história deles em relação à terra, a ocorrência de determinados indicadores que comprovem a presença deles por ali, como casas abandonadas, resquícios de objetos, cemitérios indígenas etc.

CC: Os índios podem ser assentados em outra região?
RTA:
Nós, brancos, temos a concepção de que a terra é um título de propriedade. Para os guaranis, é o contrário. As terras não pertencem aos índios. Estes é que pertencem a uma terra. Por isso, eles se recusam a aceitar terras que não são suas, que não foram ocupadas pelos seus antepassados. No fim dos anos 70, a Funai tentou assentar um grupo de guaranis na aldeia Bodoquena, dos índios Kadiwéu, um pouco mais ao norte do estado. Ela tem 575 mil hectares para uma população muito pequena, entre 1,5 mil e 2 mil índios. Não deu certo. Os guaranis insistiram para voltar. Como a Funai não mobilizou transporte para trazê-los de volta, eles iniciaram uma marcha a pé de mais de 700 quilômetros.

CC: A demarcação será em área contínua?
RTA:
Em Roraima, a Raposa Serra do Sol tem 1,7 milhão de hectares para 18 mil índios em área contínua. Mas pensar numa situação similar no Mato Grosso do Sul é irreal. O estado tem colonização consolidada e economia estabelecida. A rigor, pela Constituição, até seria possível pensar numa solução para os índios desconsiderando os brancos. Não é o caso. O plano operacional prevê a presença dos proprietários rurais na região. Estuda-se, sim, a possibilidade de criar conexões entre as aldeias por meio de corredores ecológicos, o que permitiria a passagem de bichos e a circulação dos guaranis. Sem prejuízos, já que os corredores passariam pela área de reserva legal das fazendas. Isso leva em conta o próprio desenvolvimento do estado, eu diria.

CC: De que forma?
RTA:
As implicações que esses conflitos entre fazendeiros e indígenas trazem podem depor contra a economia local, seja pela desvalorização da terra, seja pela dificuldade do setor ao obter financiamentos ou mesmo na exportação de produtos. Isso é bastante comum. Na Europa, são negados negócios poderosos em função da questão ambiental, do trabalho escravo, de uma série de fatores. E a questão dos índios aqui também é preocupante. Não oferecer solução a essa população também traz prejuízos.

CC: Os índios terão condições de cultivar essas terras como os brancos?
RTA:
É um equívoco querer transformar os índios em produtores, tentar transformá-los em brancos. Eles têm o seu modo de vida, sua cultura, não tem a intenção de abandonar isso para se transformar num trabalhador rural, num profissional qualificado para determinado tipo de trabalho. Já se tentou isso numerosas vezes, seja pela Funai, seja pela atuação de missionários, e nunca deu certo. Os índios não querem ser brancos. Se os índios quisessem, já teriam feito, porque a relação de contato dos índios guaranis com os brancos é longa, de séculos. Parece-me da maior relevância que a sociedade entenda isso e compreenda que eles precisam do mínimo de terra para exercer o seu modo de ser, com a agricultura de subsistência, a caça e a pesca.

CC: Como se dá a relação dos guaranis com os brancos hoje?
RTA:
Fragmentos da sociedade indígena efetivamente têm uma relação mais próxima com os brancos. Conseqüentemente, eles são os que mais aparecem, os mais visíveis. São índios que têm um certo domínio com os nossos códigos e é com eles que os brancos dialogam. Mas isso é uma porcentagem bastante reduzida da população indígena. Os guaranis têm uma organização acéfala, baseada nas famílias extensas. Fala-se muito em liderança indígena. Quem seriam essas lideranças? Justamente aqueles que têm o domínio do nosso código, falam melhor a nossa língua e atuam como interlocutores. Se você entrar de fato das aldeias, descobrirá que a maioria fala muito mal o português e não pretende ter essa relação mais próxima conosco. Fazem questão de manter o seu modo de ser. E isso deve ser levado em conta. Se não for, o Estado brasileiro vai corroborar para o etnocídio. Impor nossa cultura é uma forma de matá-los culturalmente.

CC: E como resolver problemas como o alcoolismo e a violência dentro das aldeias guaranis?
RTA:
Fala-se muito do problema do alcoolismo entre os índios, mas não há nenhuma pesquisa acurada para verificar a dimensão do problema. Os jornais estampam:
índios bêbados. Mas quem são eles? Os mesmos problemas que nossa sociedade enfrenta, eles também enfrentam. Tanto que tivemos de fazer a lei seca para evitar as mortes nas estradas devido ao consumo irresponsável da bebida alcoólica. Há uma porcentagem dos índios que, ao ingerir álcool, pode trazer problemas. Mas é necessário fazer uma pesquisa acurada sobre o tema. Eu insisto na idéia do segmento. É muito fácil dizer que os índios são bêbados e vagabundos. Mas seria justo dizer que a sociedade brasileira é uma sociedade de bêbados porque uma porcentagem da população bebe e causa problemas? Também fala-se em droga e prostituição. Eu trabalho com eles há 35 anos e nunca vi um índio se drogando ou uma índia se prostituindo. Não estou dizendo que não existe, mas eu nunca vi. E olha que eu ando, eu circulo por essas bandas desde 1973. Há um senso comum orientado por interesses de diversas áreas, dos missionários aos proprietários rurais, permeado por uma dose grande de preconceito. Cria-se uma imagem de os índios são bêbados, drogados e vagabundos.

CC: Há muito preconceito em relação aos guaranis?
RTA:
Sem dúvida. Dizem, por exemplo, que eles não trabalham. Só que os índios têm uma noção muita clara de que quem não trabalha não sobrevive. Eles trabalham, mas não como nós. Os índios não vão se tornar capitalistas. Precisamos acabar com essa ilusão. Eles têm interesse, sim, de desenvolver a sua economia de subsistência. Estão interessadíssimos nisso. Eles querem trabalhar e ficam extremamente irritados de depender de cesta básica. Até quando o governo vai bancar cesta básica para todo mundo? A vida deles gira em torno da roça. A caça e a pesca são certamente valiosas para os guaranis, mas eles não são nômades. No Brasil, existe somente uma etnia nômade: os nhambiquaras. Mesmo assim, eles deixaram de ser, por diferentes razões. Mas aí vem o rótulo: nômades. Ora, se são nômades, não precisam de terra.

CC: Basta ter acesso à terra?
RTA:
Não, mas há experiências que comprovam que com pouquíssimo investimento é possível estruturar as comunidades indígenas, não há a necessidade de vultosos investimentos. Mas a terra é fundamental, e deve-se levar em conta a organização das famílias extensas de guaranis. Essas famílias pertencem a uma determinada terra e não permitem que qualquer índio ocupe a sua área. Isso só acontece em áreas delimitadas pelo governo.

CC: O elevado número de suicídios entre os guarani tem relação com esses conflitos fundiários, com a falta de terra?
RTA:
Em alguma medida. O suicídio faz parte da cultura guarani. Desde o século XVII, há o registro histórico do que os indígenas chamam de jejuvy, termo que significa “enforcar-se”. Sabidamente isso é da tradição guarani. Mas, ultimamente, há uma exacerbação do suicídio, que aparece de maneira mais veemente, em número muito maior. A taxa de suicídio entre os guarani é uma das mais elevadas do mundo. E isso também tem relação com essa convivência forçada em áreas muito pequenas. Não é justo dizer que os índios se suicidam por causa dos brancos. Não é isso. Mas a falta de terra potencializa o problema.

O paraíso da Santa Sé

Bento XVI tende a reforçar a interferência política da Igreja Católica no mundo e na Itália, ampliando o raio de ação atingido durante o pontificado de João Paulo II. Em visita à França entre 15 e 17 passados, o papa Ratzinger voltou ao tema da família em uma alocução aos bispos do país ao atacar as leis “que há décadas relativizam a sua natureza de célula primordial da sociedade”.

A Igreja, disse o papa, deve opor-se à legalização das uniões estáveis fora do matrimônio. Observe-se que a França é pioneira no reconhecimento dessas uniões, legalizadas dede 1999. “Amiúde – sublinhou –, as leis cuidam de adaptar-se aos hábitos e às reivindicações de certos indivíduos ou grupos, em lugar de promover o bem comum.”

Dias antes, na Itália, Ratzinger lamentara a ausência de verdadeiros católicos praticantes entre os políticos em geral e no próprio governo. Trata-se de manifestações que ofendem poucos e não surpreendem o mundo cristão, acostumado com as dubiedades de uma Igreja que diz preocupar-se com a saúde espiritual dos homens, mas na prática, age freqüentemente como poder temporal. E nem sempre a bem da humanidade.

Por exemplo. A Santa Sé, como paraíso fiscal, é muito mais segura que as Ilhas Cayman, e, se Daniel Dantas usufruísse de conhecimentos certos no Vaticano, com muitas probabilidades a Operação Satiagraha teria abortado ao nascer. O Instituto para as Obras de Religião, ou como todos o conhecem: IOR, este é o nome do banco do papa, que concede aos seus selecionadíssimos clientes juros mínimos de 12% ao ano, a garantia, além da segurança do capital, de proventos com risco zero, impensáveis no restante mundo ocidental, um anonimato blindado no caveau da torre onde se localiza a sede central do Instituto, com os seus 5 bilhões de euros.

Nos últimos 30 anos, o IOR esteve envolvido em todos os escândalos que assolaram a Itália, mas nunca nenhum juiz solicitou uma investigação, nem de rotina, para procurar compreender, caso houvessem, quais as responsabilidades dos banqueiros vaticanos. Não, não é uma ficção científica, mas apenas algumas revelações do La Questua, ensaio que há meses lidera as estatísticas de vendas na Itália, embora seja ignorado pela maioria dos mass media. No entanto, o volume é o fruto de anos de pesquisas realizadas por Curzio Maltese, jornalista investigativo do diário La Repubblica que há tempo indaga teimosamente sobre esses temas, batendo contra a parede de borracha das autoridades eclesiásticas.

Veja a íntegra na edição impressa de Carta Capital