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Com traços de cocaína, refrigerante da Red Bull é proibido na Alemanha

Marcio Damasceno, de Berlim para a BBC Brasil

folhas de coca

Red Bulll Cola contém extratos de folha de coca

Cinco estados alemães proibiram a venda do refrigerante Red Bull Cola, depois que especialistas encontraram vestígios de cocaína na bebida.

As autoridades afirmaram que a dose encontrada é considerada mínima e não apresenta risco à saúde.

Entretanto, ressalvam que os vestígios da substância fazem com que a bebida deixe de ser um produto alimentício para, legalmente, se tornar um entorpecente, sujeito a uma autorização especial para ser comercializado.

Análises do Instituto Estadual para Saúde e Trabalho do Estado de Renânia do Norte-Palatinado constataram no refrigerante uma concentração considerada pequena, de 0,4 microgramas de cocaína por litro.

“O instituto examinou Red Bull Cola em um processo químico minucioso e realmente encontrou traços de cocaína”, confirmou o diretor do departamento de segurança alimentar do ministério alemão para Defesa do Consumidor, Bernhard Kühnle.

Revista científica elege insultos mais ofensivos na Itália

A revista científica Focus realizou uma pesquisa sobre os insultos considerados mais ofensivos pelos italianos. Segundo a publicação, as expressões que ofendem com maior intensidade são “porco Dio” e “porca Madonna”, que identificariam Deus e a Virgem Maria, respectivamente, como porcos.

A maioria dos termos mais ofensivos está relacionada a sexo, tendências sexuais e atitudes fora da lei. A revista elaborou uma tabela com índices de 0 a 3 para medir o grau de vulgaridade das expressões propostas. As palavras “zoccola” e “troia”, que taxam as mulheres de prostitutas, estão um grau abaixo de “figlio di puttana” (filho da p…).

Outras expressões com um índice alto são “stronzo” (imbecil) e “mafioso”, com 2,3, que estão dois décimos acima de “frocio” e “culo rotto”, que dão uma conotação negativa ao homossexualismo masculino. Já o insulto que menos ofende os italianos é “ateo” (ateu). A pesquisa concluiu que os termos mais graves estão relacionados a violações da lei e condutas sexuais, o que mostra uma “visão machista e homofóbica”, apesar de uma “aparente liberdade de costumes”.

A revista também fez um perfil do italiano mais sensível às palavras vulgares. Segundo o estudo, trata-se da mulher com mais de 50 anos, religiosa e habitante do sul do país. Ela se sentiria mais ofendida por expressões relativas a sexo, moral, religião e descumprimento de normas.

Pouco mais da metade das expressões propostas na enquete foi considerada “pouco vulgar ou inofensiva” pelas pessoas ouvidas. A publicação atribui este fato à mudança dos valores sociais e à descriminalização dos palavrões em 1999. Segundo a publicação, os italianos não consideram graves os termos relacionados a fatores sócio-econômicos e étnicos. Por isso, palavras como “giudeo” (judeu) ou “arabo” (árabe) têm um potencial de ofensa baixo.

Estes termos não tocam “diretamente os italianos”, já que as pessoas que responderam à pesquisa expressaram “pouca identificação com o drama dos estrangeiros”.

Inquérito denuncia abuso sexual ‘endêmico’ de meninos na Irlanda

Um inquérito realizado na Irlanda revelou que 1090 crianças alegam ter sofrido agressões em abrigos infantis, reformatórios e orfanatos católicos do país ao longo de 60 anos e que, em instituições para meninos, o abuso sexual foi “endêmico” no período.

Segundo a Comissão de Inquérito sobre Abuso Infantil, os menores sofreram violência física e abuso sexual em locais que chegaram a abrigar cerca de 35 mil crianças até os anos 80.

O relatório, que aborda a situação de mais de cem instituições religiosas investigadas ao longo dos últimos nove anos, concluiu que os líderes da Igreja sabiam sobre os abusos sexuais de meninos.

Além disso, segundo os depoimentos citados no documento, meninos e meninas das instituições apanhavam com tiras de couro por conversar durante as refeições ou por escreverem com a mão esquerda.

“As escolas eram administradas de forma severa, impondo uma disciplina opressiva e não razoável às crianças e funcionários”, diz o relatório.

A comissão foi criada em 2000 pelo então primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern, que pediu desculpas em nome do Estado às vítimas de abuso infantil.

Um esquema de compensações do governo também foi estabelecido na época e, desde então, já pagou quase 1 bilhão de euros às vítimas

Abusos “chocantes”

Milhares de vítimas prestaram depoimento à comissão, que surgiu depois que uma série televisiva revelou a escala dos abusos.

A jornalista Mary Raftery, que realizou os programas, disse que a extensão dos abusos era “profundamente chocante”.

Segundo a jornalista, as crianças eram levadas para “casas de terror” e ficavam confinadas até completarem 16 anos.

“Elas saíam de lá completamente perturbadas e muitas deixaram o país em seguida”, conta. “Elas sentiam que seu país as havia abandonado, assim como todo o resto, inclusive a religião.”

O relatório propõe 21 formas de o governo se redimir dos erros cometidos no passado, incluindo a construção de um memorial, um serviço de acompanhamento psicológico para as vítimas, muitas já aos 50 anos, e a melhoria dos serviços de proteção à criança na Irlanda.

No mês que vem será divulgado um outro relatório sobre supostos abusos de padres católicos em paróquias perto de Dublin, capital da Irlanda.

Software libre

Novo OpenOffice 3.1 tem performance 20 vezes melhor

A equipe OpenOffice.org liberou nos últimos dias a nova versão 3.1 da suíte de aplicativos para escritório mantida pela Sun. De acordo com o anúncio publicado no PRWeb, além de ser a maior atualização feita no software (mais de milhão de linhas de código), o usuário vai encontrar uma notável diferença no visual e no desempenho dos programas que compõem o conjunto.

Para esta versão, a comunidade OpenOffice.org resolveu atender aos pedidos dos usuários, que escolheram, através de votação, o que queriam ver na próxima versão. Com isso, os desenvolvedores se concentraram em trazer uma interface gráfica renovada, incluindo um novo método de anti-aliasing, técnica para minimizar a aparência de serrilhamento no desenho de diagonais, curvas e letras, suavizando-as. Graças a este recurso, os programas poderão mostrar imagens e textos de forma mais nítida.

Aparentemente, o software Calc foi o mais beneficiado pela atualização. Além das tabelas mais bonitas e o zoom comandado por uma barra deslizante, a performance foi melhorada em até 20 vezes em relação à edição anterior.

Para os demais programas, dentre os recursos da nova versão, ainda estão melhorias no sistema de gerenciamento de arquivos e no sistema de comentários, visando o trabalho em grupo, e ferramentas de correção gramatical mais acessíveis.

A versão 3.1 em Português Brasileiro não está disponível no site oficial, apenas na comunidade brasileira broffice.org. O software, no Brasil, foi rebatizado como BrOffice por questões legais.

O perigo do groupthink

Thomaz Wood Jr.

Wall Street, o centro financeiro norte-americano, foi eleito sem concorrência o vilão da crise atual. Em uma recente entrevista concedida ao jornal The Washington Post, Warren Bennis, decano professor de liderança da Universidade do Sul da Califórnia, examina as raízes comportamentais do drama econômico. Para Bennis, os líderes das instituições financeiras perderam o contato com a realidade. O problema não está nas “maçãs podres”, mas na seleção contínua dos gananciosos mais espertos das melhores escolas de negócios, a criar um sistema fechado, uma cultura corporativa autocentrada, que perdeu a capacidade de perceber a realidade fora de seus limites.

Toda organização socializa seus funcionários, provendo-lhes definições, explícitas ou implícitas, do que é considerado certo e errado. Empresas industriais valorizam o perfeccionismo dos engenheiros. Agências de propaganda estimulam a agressividade dos vendedores. Instituições financeiras promovem a ambição pelo dinheiro e o desejo de riqueza. Sem a contraposição de controles e princípios éticos, essas características podem gerar comportamentos patológicos, isolando os gestores do ambiente externo e tornando-os autorreferenciados. É a armadilha do groupthink, ou pensamento grupal.

O termo groupthink foi cunhado na década de 1950 pelo sociólogo William H. Whyte, para explicar como grupos se tornavam reféns de sua própria coesão, tomando decisões temerárias e causando grandes fracassos. Na literatura de gestão, o caso da tentativa de invasão da Baía dos Porcos é tido como exemplo clássico. Em abril de 1961, um grupo de exilados cubanos, treinados e equipados nos Estados Unidos, tentou invadir a ilha e derrubar o jovem governo de Fidel Castro. A CIA e o governo norte-americano apostavam no sucesso rápido de mais uma aventura caribenha. O ataque durou menos de uma semana, resultou em centenas de mortes de lado a lado e azedou de forma irremediável a relação entre Cuba e os EUA.

Análises posteriores atribuíram o fracasso da operação à incompetência da CIA. A agência teria superestimado o apoio dos cubanos à causa dos rebeldes e baseado suas decisões em premissas otimistas, que não se concretizariam. Após o episódio, diretores importantes foram forçados a renunciar. Consta que Che Guevara, irônico, chegou a enviar uma mensagem ao presidente John F. Kennedy agradecendo pela invasão, que teria fortalecido substancialmente a causa revolucionária.

Os manuais de gestão definem groupthink como um processo mental coletivo que ocorre quando os grupos são uniformes, seus indivíduos pensam da mesma forma e o desejo de coesão supera a motivação para avaliar alternativas diferentes das usuais. Os sintomas são conhecidos: uma ilusão de invulnerabilidade, que gera otimismo e pode levar a correr riscos; um esforço coletivo para neutralizar visões contrárias às teses dominantes; uma crença absoluta na moralidade das ações dos membros do grupo; e uma visão distorcida dos inimigos, comumente vistos como iludidos, fracos ou simplesmente estúpidos.

Organizações marcadas pelo groupthinking exercem enorme pressão sobre seus membros. Diante de ameaças à conformidade, elas neutralizam ou expulsam os mais rebeldes. Com o tempo, desenvolvem sofisticados sistemas de autocensura, inibindo visões críticas. Essas organizações podem se tornar ambientes silenciosos, caracterizados pelo cinismo ou pelo medo de expor posições que contradigam a visão oficial.

Tão antigo quanto o conceito são as receitas para contrapor a patologia: primeiro, é preciso estimular o pensamento crítico e as visões alternativas à visão dominante; segundo, é necessário adotar sistemas transparentes de governança e procedimentos de auditoria; e, terceiro, é desejável renovar constantemente o grupo, de forma a oxigenar as discussões e o processo de tomada de decisão.

Os estudos clássicos sobre groupthink foram feitos sobre grandes fiascos militares norte-americanos: a citada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em 1961, a escalada da Guerra do Vietnã, de 1964 a 1967, e a recente Guerra do Iraque, iniciada em 2003. Para cada uma dessas grandes catástrofes há centenas de pequenas tragédias, que ocorreram, e continuam a ocorrer, no mundo dos negócios.

Este escriba desconhece estudos realizados em Pindorama sobre o tema. Perdem os pesquisadores locais a chance de explorar riquíssimo material nas hostes corporativas e, especialmente, nos chamados poderes do descampado central. Quiçá a capital federal possa entrar inteira para o Livro dos Recordes, como o maior caso de groupthink do mundo.

Venezuela utilizará assessoria do MST em produção de fazenda expropriada

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dirige um trator ao anunciar a expropriação de terras

A Venezuela utilizará a assessoria do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para a produção agrícola em uma fazenda expropriada pelo governo em uma nova etapa da chamada “guerra ao latifúndio”, que estabelece o resgate de terras consideradas improdutivas.

Expropriada há um mês, a fazenda El Frío, de 63 mil hectares, será um dos polos de produção arrozeira no Estado de Apure (norte da Venezuela), de acordo com o governo.

Ali, o MST será responsável pelo desenvolvimento de dois projetos experimentais. Um será destinado à produção de arroz e peixe orgânicos e o outro, à criação de gado de leite.

O dirigente do MST na Venezuela, Alexandre Conceição, disse que o trabalho do grupo na fazenda El Frío será o de organizar a produção e o trabalho dos agricultores com base no modelo de cooperativas utilizado nos assentamentos do Brasil.

“Depois eles devem assumir sozinhos o projeto, porque o objetivo final é facilitar a transferência tecnológica em agroecologia para que a Venezuela possa alcançar sua soberania alimentar”, acrescentou.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ordenou seus funcionários a acelerarem o “resgate de terras”, defendeu a técnica utilizada pelo MST em suas cooperativas como uma alternativa para incrementar a produtividade do campo venezuelano.

“É possível incrementar em 30% a produção com essas técnicas alternativas”, disse Chávez. “No Brasil os sem-terra fazem isso. Aqui, temos uma brigada dos sem-terra há algum tempo trabalhando conosco”, afirmou o presidente durante uma reunião do Conselho de Ministros transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão, nesta quarta-feira.

Vietnã

A maior parte da produção de arroz na fazenda El Frío, no entanto, estará a cargo de um grupo de técnicos do Vietnã. O governo pretende produzir 250 t de arroz, em uma tentativa de reduzir os custos de importações do cereal.

Cerca de 70% dos alimentos consumidos na Venezuela são importados. Em 2008, saíram dos cofres da estatal petroleira PDVSA US$ 2,2 bilhões para a compra de alimentos, dos quais quase a metade foram destinados à importação de produtos do Brasil.

O convênio entre o governo venezuelano e os sem-terra começou em 2005, quando Chávez visitou um assentamento da reforma agrária no município de Tapes (Rio Grande do Sul). Neste assentamento, que funcionaria de acordo com o modelo de produção proposto pelo MST, uma das áreas de produção é destinada a arroz e piscicultura.

Na ocasião, foi firmado um acordo entre a Venezuela, o MST e a organização Via Campesina que estabelece a cooperação para a produção de sementes agroecológicas e a colaboração do MST na organização no setor produtivo e dos camponeses em cooperativas.

Em contrapartida, o governo venezuelano “custeia o trabalho” dos 15 integrantes do MST que atuam no país, além da infraestrutura para a realização do trabalho no campo, segundo Conceição.

“A relação do MST com o governo venezuelano é uma aliança política, não comercial. Corresponde ao nosso princípio de solidariedade”, afirmou o dirigente do MST.

Desapropriações

Questionado sobre se o MST está organizando os camponeses venezuelanos para a ocupação de propriedades rurais, Conceição disse que “não é necessário”. “Aqui o Estado se encarrega de cumprir a Constituição, ao desapropriar as terras improdutivas”, afirmou.

O primeiro trabalho realizado pelos sem-terra na Venezuela foi a criação de um Instituto Internacional de agroecologia para a formação de técnicos agrícolas, uma das cláusulas do convênio assinado em Tapes.

Inaugurado em 2006, em Barinas, Estado natal do presidente venezuelano, o instituto agroecológico leva o nome do educador brasileiro Paulo Freire e tem cerca de 70 estudantes provenientes de sete países da América Latina.

A questão agrária venezuelana é um ponto de permanente conflito entre o governo e o setor privado no país. A expropriação de terras e a regulação de preços dos alimentos tem aprofundado a disputa entre ambos e provocado desabastecimento dos principais produtos da cesta básica no país, entre eles, o arroz.

O governo diz que suas intervenções no campo são direcionadas a terras “improdutivas”. “Os produtores que têm suas fazendas e estão produzindo, não se preocupem, porque nós não vamos tomar nada”, afirmou Chávez.

Para o setor empresarial e os partidos opositores, no entanto, as medidas do governo são um “ataque” à propriedade privada e à Constituição do país.

Igreja abençoa união de pessoas do mesmo sexo

O casamento gay ainda é um tabu na maioria das sociedades. Tanto que boa parte delas ainda não reconheceu legalmente a possibilidade do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.

As dificuldades que a questão enfrenta no campo civil, entretanto, não chegam nem perto do que acontece no religioso. Se o uso de preservativos ainda é condenado por muitas instituições religiosas, imaginem o casamento gay.

Na contramão – ou na vanguarda? – dessa posição está a Igreja da Comunidade Metropolitana, que há quatro anos celebra a união de casais homossexuais no Brasil.

Tecnicamente, a Igreja não realiza casamentos. Ainda que a cerimônia seja praticamente idêntica e que o menu do site da instituição aponte para “casamento”, ela é chamada de “Benção de União de Casais Homoafetivos”.

“Existe uma diferença de conceito”, argumenta o pastor Cristiano Valério, da ICM. De acordo com o pastor, “o casal não está sendo unido no altar; eles estão vivendo juntos”.

– A Igreja dá uma benção a uma união que já é legítima, que já venceu muitos obstáculos e está consolidada. Na ICM, entendemos que os casais devem celebrar sua união depois de se conhecerem, inclusive sexualmente – afirma.

Casais celebram a união com muita fé

Casais celebram a união com muita fé

O pastor Valério faz questão de esclarecer porque a cerimônia é considerada uma benção. “Abençoamos a união porque não a consideramos um sacramento. Na ICM, apenas o batismo e a eucaristia são sacramentos”.

Cristiano Valério explica, ainda, o uso do termo “homoafetivo”:

– Homossexual dá a ideia de apenas sexo. Homoafetivo realça o carinho que envolve a relação. O desejo é apenas consequência. Mas a Igreja não tem nenhum problema em usar os termos “gays” ou “homossexuais” – diz.

União coletiva

Com a proximidade da Parada Gay de São Paulo, marcada para o dia 14 de junho, a ICM prepara-se para a 2ª edição da celebração de benção de união coletiva de casais homoafetivos.

O evento acontece na véspera da Parada Gay. Como toda primeira vez, a edição de 2008 foi um pouco tímida, reunindo apenas cinco casais. “A visibilidade é muito grande, alguns casais optam por celebrar em particular, ao longo do dia”, explica o pastor. Um número maior de casais é esperado para a união coletiva deste ano.

“Aproveitamos sempre oportunidades para nos posicionarmos politicamente”, explica Cristiano Valério. De fato, a militância é uma marca da ICM. “E não apenas pelo movimento LGBT, mas pelos direitos das mulheres, dos negros e dos índios…”, afirma Valério.

Por essa atuação a ICM esteve na I Conferência Nacional LGBT, em 2008, e na II Conferência de Igualdade Racial, no final de semana passado. Em 2003, o fundador da Igreja, reverendo Troy Perry foi convidado pelo Govenrno Lula para discutir o Programa Nacional por um Brasil Sem Homofobia.

Essa relação entre fé e militância foi fundamental para o surgimento da Igreja. Impedido de pregar pela sua opção sexual, o Rev. Troy Perry foi compelido a fundar sua própria congregação ao ver um amigo gay ser agredido e preso pela polícia. Em seu desespero, o rapaz gritou para Perry: “Deus não se importa! Deus não se importa com os gays!”.

A Igreja da Comunidade Metropolitana é o ramo brasileiro da Metropolitan Community Churches, fundada pelo reverendo Troy Perry em 1968, em Los Angeles (EUA).

Atualmente com 60 mil membros e mais de 300 igrejas em 22 países ao redor do mundo, a MCC realizou o primeiro casamento público entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos, no ano de 1969.

Na mesma ocasião, ingressou com uma petição para o reconhecimento legal para casamentos entre homossexuais naquele país.

Desde a sua fundação, a MCC e seus membros têm sido vítimas da violência e da intolerância religiosa. O Ver. Troy – hoje aposentado – já recebeu diversas ameaças de morte e cerca de 22 templos em todo o mundo já foram incendiados.

A ICM chegou ao Brasil há cinco anos. Consequentemente, sua presença no país ainda é pequena: chega a apenas nove cidades: São Paulo e Campinas (SP); Belo Horizonte e Divinópolis (MG); Fortaleza (CE); Teresina (PI); Curitiba e Umuarama (PR); e Vitória (ES).

Somente em três delas (São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza), tem os serviços completos, que incluem ação social e militância pelo movimento LGBT.

"queremos adorar Deus sem máscaras"

Pastor Cristiano: “queremos adorar Deus sem máscaras”

Embora a entrevista enfoque principalmente a união de pessoas do mesmo sexo, o pastor faz questão de enfatizar que “a ICM celebra a união de qualquer casal, homoafetivos ou heterosexuais”.

– Na ICM fazemos o que chamamos de inclusão radical. Aceitamos e pronto. Não existe um ser humano no planeta que não seria bem vindo na ICM. Nosso objetivo é adorar Deus sem usar máscaras – afirma o pastor Cristiano Valério.

Alas políticas opostas promovem boicote à visita do papa a Israel

papa Bento 16 na chegada a Israel

A visita do papa Bento 16 a Israel, iniciada nesta segunda-feira, está causando polêmica dentro de alas políticas opostas no país.

Tanto os políticos israelenses de direita quanto os de esquerda anunciaram que vão boicotar a visita do pontífice ao país, mas os motivos que alegam para justificar o protesto divergem profundamente.

Enquanto os políticos de direita chamam o papa de “antissemita e inimigo do povo judeu”, os de esquerda o acusam de ser “ultraconservador e retrógrado, responsável por milhões de vítimas da Aids na África”.

O deputado Nitzan Horowitz, do partido social-democrata Meretz, afirmou que pretende boicotar a visita “pois o papa traz uma mensagem de intolerância”.

“O papa é responsável pelo sofrimento de milhões de pessoas, é um dos conservadores mais rígidos da igreja”, afirmou.

“De todas as injustiças que cometeu, a pior consiste em se opor à distribuição de preservativos no terceiro mundo, levando ao sofrimento de um enorme número de pessoas na África, Ásia e América do Sul, que sofrem de Aids e outras doenças como resultado direto dessa atitude ignorante.”

Candelabro

Shalom Wolfa, rabino e líder do grupo de direita Centro para a Salvação do Povo e da Terra

Já o deputado de extrema-direita Michael Ben Ari, do partido Ihud Leumi (União Nacional), chamou o papa de “antissemita, criminoso e inimigo do povo judeu”.

O assessor parlamentar de Ben Ari, Itamar Ben Gvir, anunciou que vai entrar com um recurso na Suprema Corte de Justiça pedindo um mandato judicial que não permita a saída do papa Bento 16 do país a menos que o Vaticano devolva uma peça de um antigo templo sagrado para os judeus, o chamado Segundo Templo.

Segundo Ben Gvir, “o candelabro de ouro do Segundo Templo se encontra nos porões do Vaticano, depois que foi levado pelos Romanos quando destruíram o Templo” (no ano 70 d.C.)”.

Ben Gvir exige que o papa “devolva o candelabro antes de sair do país”.

O Rabino Shalom Wolfa, líder do grupo de direita Centro para a Salvação do Povo e da Terra, protestou contra o encontro programado dos Rabinos Chefes de Israel com o papa.

“Rabinos não devem se encontrar com o papa, isso contradiz o judaísmo”, disse Wolfa. “O papa que, quando era jovem, fazia parte da Juventude de Hitler, não deve ser recebido com honras de representante da religião cristã.”

O Movimento Islâmico em Israel, um dos maiores grupos políticos que representam a população árabe no país, convocou os árabes a não apoiarem a visita do pontífice, que “ofendeu o profeta Maomé”.

Benefícios

O governo e alguns setores da sociedade, no entanto, apoiam a passagem de Bento 16 pela Terra Santa.

O ex-embaixador de Israel no Vaticano, Oden Ben Hur, afirmou que “Israel só tem a ganhar com a aproximação com o Vaticano”.

Em entrevista à rádio estatal de Israel, Ben Hur disse que “é bom e importante que o papa venha ao país” porque, entre outros motivos, a visita pode incentivar a economia, aumentando o número de peregrinos na região.

Ainda segundo ele, uma elevação do nível das relações com o Vaticano pode ser benéfica para os interesses políticos de Israel.

O jornalista árabe cristão e cidadão israelense Faiz Abbas também considera a visita do papa positiva e acha que os muçulmanos devem dar-lhe as boas vindas.

“Discordo da posição de muçulmanos que se opõem à visita de Bento 16”, afirmou Abbas.

“Ele é o líder do mundo cristão e é capaz de ajudar aos palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém, e também aos cristãos, cuja população diminui na região de maneira que preocupa os chefes da Igreja”, disse.

Bento XVI na Jordânia

Papa Bento 16 (arquivo)

O Papa Bento 16 chegou nesta sexta-feira à Jordânia, dando início a um giro de uma semana pelo Oriente Médio, que tem como objetivo melhorar as relações do Vaticano com líderes islâmicos e judeus e encorajar a minoria cristã na região.

Essa é a primeira viagem de Bento 16 aos locais mais sagrados para o cristianismo desde sua eleição como Pontífice, há quatro anos. Ele descreveu a viagem como uma “peregrinação de paz”.

Nesta sexta-feira, Bento 16 encontrará o rei Abdullah da Jordânia, em Amã. A viagem prevê também visitas a Jerusalém e à cidade palestina de Belém, na Cisjordânia, local onde segundo a tradição cristã nasceu Jesus. O Papa fará um apelo pela paz entre israelenses e palestinos e pela criação de uma “terra palestina”.

A visita do Papa ao Oriente Médio também é vista por muitos como uma tentativa de interceder em favor dos árabes cristãos. O número de cristãos árabes vem diminuindo nos últimos anos em países muçulmanos, o que preocupa o Vaticano – o Oriente Médio é considerado o berço do Cristianismo e abriga algumas das mais antigas comunidades cristãs do mundo.

Visão

Bento 16 deve visitar Belém durante o giro pelo Oriente Médio

Há mais de 20 anos no Líbano, o historiador e pesquisador brasileiro Roberto Khatlab explicou que há uma visão errônea no mundo islâmico de que o Cristianismo é uma religião ocidental.

“Muitos árabes muçulmanos mais fundamentalistas não vêem os seus irmãos cristãos como árabes, mas como ocidentais, fazendo com que eles sejam perseguidos em algumas regiões”, disse Khatlab, que lançou recentemente no Brasil o livro Árabes Cristãos? (Editora Ave Maria, São Paulo, 2009).

O historiador afirmou que a visita do Papa tenta colocar mais pressão sobre os líderes da região para que protejam as comunidades cristãs em seus respectivos países.

“Está escrito no livro sagrado dos muçulmanos, o Corão, que deve haver um respeito mútuo entre Islamismo e Cristianismo. Mas, infelizmente, fundamentalistas distorceram a ideia entre as duas religiões para o ódio.”

As discriminações que ocorreram entre as duas religiões em vários momentos da História estão se repetindo agora, segundo Khatlab, com os árabes cristãos.

“Sem alternativa e sem proteção de seus governos, os cristãos são obrigados a fugir para outros países ocidentais.”

Declínio

Os grupos cristãos no Oriente Médio vem diminuindo na região por causa de uma combinação de fatores como baixa taxa de natalidade, emigração e, em alguns países, perseguição.

Segundo dados do Vaticano, países como Jordânia, Iraque e Irã possuem menos de 4% de suas populações compostas por cristões.

No Iraque, há registro de diversos casos de perseguições à população cristã, cuja presença no país data do século 2. A violência só aumentou, segundo as organizações, após o início da guerra no Iraque, em 2003, obrigando muitas famílias a buscar refúgio em outros países.

Segundo Khatlab, o Iraque se transformou no pior lugar da região para os cristãos.

“O país vem testemunhando perseguição a padres e bispos, inclusive o sequestro e assassinato de líderes religiosos cristãos”, enfatizou ele.

Na Síria, 9% da população é cristã. No Egito, essa porcentagem é de 16%. O Líbano é o maior reduto de cristãos no Oriente Médio, em torno de 40%, e lá eles ainda possuem algum poder político.

Antes da criação do Estado de Israel, em 1948, havia uma população cristã de até 20%, mas hoje a porcentagem é de apenas 2% nos territórios palestinos e Israel.

A própria cidade de Belém, antes uma cidade majoritariamente cristã, hoje é de maioria muçulmana.