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FGV: renda dos mais pobres cresceu 49% em seis anos

por ALESSANDRA SARAIVA – Agencia Estado

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RIO – A desigualdade na renda dos brasileiros apresentou uma grande redução de ritmo de 2001 a 2007. A renda acumulada dos 10% mais pobres da população brasileira cresceu 49,25% no País no período, patamar mais de sete vezes superior ao aumento da renda acumulada no período entre os 10% mais ricos da população (6,70%). A análise é do pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV), que divulgou hoje o levantamento “Miséria e a Nova Classe Média na Década da Igualdade”.
A pesquisa foi feita com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) anunciada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Esse período trouxe muitas notícias boas no campo da renda, como aumento do emprego com carteira assinada, por exemplo”, comentou o pesquisador. Entretanto, ele observou que, especificamente no ano de 2007, os 10% mais pobres da população sentiram um recuo de 5,22% em sua renda média, em comparação com os ganhos de 2006. A ausência de expansão em programas assistenciais no ano passado, como o Bolsa Família, pode ter contribuído para isso.
O pesquisador comentou que a desigualdade de renda, que ficou estagnada entre 1970 e 2000, sofreu sucessivas quedas anuais de 2001 a 2007. “Não há, na história documentada brasileira, que vem desde 1960, nada similar à redução de desigualdade observada desde 2001”, afirmou. “Somente de 2006 para 2007, 1,5 milhão de pessoas cruzaram a linha da miséria (abaixo dos R$ 135 mensais por pessoa)”, afirmou.
Ele lembrou que, de acordo com o levantamento, em 2007 a classe dos miseráveis abrange 18,11% do total da população brasileira, sendo que em 2006 essa fatia era maior, de 19,18%.
“No ano de 2007, quem mais ganhou foi a camada ”do meio” da população, a chamada classe média”, assinalou Neri, explicando que isso é mais um sinal do recuo da desigualdade do País. De 2006 para 2007, a classe média saltou de 45,08% para 47,06% do total da população brasileira. “De 2001 até 2007, muitos miseráveis saíram da classe E e nem passaram pela classe D: foram direto para a classe C, que nós consideramos classe média”, afirmou.
O CPS/FGV considera como classe E famílias com renda mensal entre zero até R$ 768. Por sua vez, as famílias de classe D seriam com rendimento entre R$ 768 até R$ 1.064. Já a classe média abarcaria renda mensal entre R$ 1.064 até R$ 4.591.
Para Neri, o ano de 2007 se apresenta como uma síntese do que ocorreu entre os principais indicadores sociais ao longo da década. Ele explicou que a renda per capita no ano passado cresceu 2,26%, porcentual próximo ao registrado na média dos últimos sete anos até 2007 (2,5% ao ano). “Além disso, o ritmo de redução da miséria em 2007 está duas vezes mais rápida do que o requerido para atender às metas de redução de extrema pobreza das metas do milênio da ONU (que é de queda de 2,73% ao ano)”, disse. “Se tivermos os próximos 10 anos iguais aos de 2007, o Brasil mudará bastante e para melhor”, disse.

FGV: renda dos mais pobres cresceu 49% em seis anos

por ALESSANDRA SARAIVA – Agencia Estado

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RIO – A desigualdade na renda dos brasileiros apresentou uma grande redução de ritmo de 2001 a 2007. A renda acumulada dos 10% mais pobres da população brasileira cresceu 49,25% no País no período, patamar mais de sete vezes superior ao aumento da renda acumulada no período entre os 10% mais ricos da população (6,70%). A análise é do pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPS/FGV), que divulgou hoje o levantamento “Miséria e a Nova Classe Média na Década da Igualdade”.
A pesquisa foi feita com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD) anunciada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Esse período trouxe muitas notícias boas no campo da renda, como aumento do emprego com carteira assinada, por exemplo”, comentou o pesquisador. Entretanto, ele observou que, especificamente no ano de 2007, os 10% mais pobres da população sentiram um recuo de 5,22% em sua renda média, em comparação com os ganhos de 2006. A ausência de expansão em programas assistenciais no ano passado, como o Bolsa Família, pode ter contribuído para isso.
O pesquisador comentou que a desigualdade de renda, que ficou estagnada entre 1970 e 2000, sofreu sucessivas quedas anuais de 2001 a 2007. “Não há, na história documentada brasileira, que vem desde 1960, nada similar à redução de desigualdade observada desde 2001”, afirmou. “Somente de 2006 para 2007, 1,5 milhão de pessoas cruzaram a linha da miséria (abaixo dos R$ 135 mensais por pessoa)”, afirmou.
Ele lembrou que, de acordo com o levantamento, em 2007 a classe dos miseráveis abrange 18,11% do total da população brasileira, sendo que em 2006 essa fatia era maior, de 19,18%.
“No ano de 2007, quem mais ganhou foi a camada ”do meio” da população, a chamada classe média”, assinalou Neri, explicando que isso é mais um sinal do recuo da desigualdade do País. De 2006 para 2007, a classe média saltou de 45,08% para 47,06% do total da população brasileira. “De 2001 até 2007, muitos miseráveis saíram da classe E e nem passaram pela classe D: foram direto para a classe C, que nós consideramos classe média”, afirmou.
O CPS/FGV considera como classe E famílias com renda mensal entre zero até R$ 768. Por sua vez, as famílias de classe D seriam com rendimento entre R$ 768 até R$ 1.064. Já a classe média abarcaria renda mensal entre R$ 1.064 até R$ 4.591.
Para Neri, o ano de 2007 se apresenta como uma síntese do que ocorreu entre os principais indicadores sociais ao longo da década. Ele explicou que a renda per capita no ano passado cresceu 2,26%, porcentual próximo ao registrado na média dos últimos sete anos até 2007 (2,5% ao ano). “Além disso, o ritmo de redução da miséria em 2007 está duas vezes mais rápida do que o requerido para atender às metas de redução de extrema pobreza das metas do milênio da ONU (que é de queda de 2,73% ao ano)”, disse. “Se tivermos os próximos 10 anos iguais aos de 2007, o Brasil mudará bastante e para melhor”, disse.

Assembléia de Deus compra madrugada da Band

11.out.02/Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
Um mês depois de “arrendar” o canal 21 (em UHF) por cinco anos para a Igreja Mundial do Poder de Deus, a Band fechou novo contrato, em sigilo, com outra igreja: a Assembléia de Deus, que comprou o horário das 2h às 7h, de segunda a sexta, e das 4h às 7h aos sábados e domingos.
A Band não revelou nem o valor e nem a duração do contrato (cerca de quatro anos, segundo Ooops! apurou). Para efeito de comparação, o pastor R.R. Soares paga à Band algo em torno de R$ 5 milhões por mês para ter uma hora de programação da Band em horário nobre.

O contrato foi fechado pelo pastor Silas Malafaia, que já apresenta um programa na Band, o “Vitória em Cristo”.

Malafaia é um pastor polêmico, que já foi acusado por inimigos (alguns, pastores de outras linhas evangélicas) de fazer sermões que promovem racismo e ódio aos homossexuais. Um rival chegou a denunciar (sic) que ele pertenceria à maçonaria e ao G12 (controvertido grupo neopentecostal que surgiu no início da década de 80), o que gerou grande tensão em seu ministério. Malafaia negou tudo na TV.

Assembléia de Deus compra madrugada da Band

11.out.02/Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
Um mês depois de “arrendar” o canal 21 (em UHF) por cinco anos para a Igreja Mundial do Poder de Deus, a Band fechou novo contrato, em sigilo, com outra igreja: a Assembléia de Deus, que comprou o horário das 2h às 7h, de segunda a sexta, e das 4h às 7h aos sábados e domingos.
A Band não revelou nem o valor e nem a duração do contrato (cerca de quatro anos, segundo Ooops! apurou). Para efeito de comparação, o pastor R.R. Soares paga à Band algo em torno de R$ 5 milhões por mês para ter uma hora de programação da Band em horário nobre.

O contrato foi fechado pelo pastor Silas Malafaia, que já apresenta um programa na Band, o “Vitória em Cristo”.

Malafaia é um pastor polêmico, que já foi acusado por inimigos (alguns, pastores de outras linhas evangélicas) de fazer sermões que promovem racismo e ódio aos homossexuais. Um rival chegou a denunciar (sic) que ele pertenceria à maçonaria e ao G12 (controvertido grupo neopentecostal que surgiu no início da década de 80), o que gerou grande tensão em seu ministério. Malafaia negou tudo na TV.

Atriz pode ser processada por mandar papa 'pro inferno'

O papa Bento 16 (arquivo)
Código Penal iguala figura do papa à do presidente da República

Uma atriz comediante italiana corre o risco de ser processada por ter mandado o papa Bento 16 “ir para o inferno” durante um discurso em um comício em Roma.

No evento, promovido em protesto contra recentes leis apresentadas pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi, Sabina Guzzanti disse que o papa iria para o inferno, onde seria recebido por “diabos homossexuais”.

“Graças à lei Moratti (ex-ministra da educação, Letizia Moratti), daqui a 20 anos os professores serão escolhidos pelo Vaticano. Mas daqui a 20 anos, Ratzinger vai estar onde deveria estar, no inferno, atormentado por dois diabos homossexuais superativos e não passivos”, esbravejou Guzzanti.

O procurador Giovani Ferrara, do tribunal de Roma, pediu que o Ministério da Justiça autorize o início do processo contra ela. Para Ferrara, Guzzanti ofendeu o Pontífice “usando palavras vulgares que teriam superado o limite da sátira”.

O procurador disse que a comediante poderá ser acusada de violar o Concordato, um conjunto de leis previstas no Código Penal que igualam o pontífice ao presidente da República.

Sacro e inviolável

Um dos artigos da lei estabelece que a ofensa ao papa, “pessoa sacra e inviolável”, pode ser punida da mesma forma que uma ofensa ao presidente da República.

Se condenada, a atriz poderá pegar de um a cinco anos de prisão.

O ministro da Justiça ainda não se manifestou sobre o caso.

O Concordato, ou Pacto Lateranense, foi assinado em 1929 por Benito Mussolini e o cardeal secretário de Estado vaticano da época, Pietro Gasparri.

Grupos católicos e expoentes da igreja haviam manifestado “profundo pesar pelas palavras ofensivas” de Guzzanti logo após o comício.

Polêmica

A ação que o procurador pretende mover reacendeu as polêmicas.

Paolo Guzzanti, pai da comediante e deputado conservador do Partido da Liberdade, de Berlusconi, disse que a sociedade italiana está “na era medieval” e pediu ironicamente que a filha seja julgada pela “justiça divina”.

“Façamos com que ela se submeta ao juízo de Deus, que caminhe sobre brasas ardentes e encerremos o caso judiciário”, declarou ele aos jornais italianos.

Para o ex-magistrado Antonio Di Pietro, Sabina Guzzanti não ofendeu ninguém, apenas “exerceu o direito de manifestar livremente seu pensamento”.

Na avaliação do Prêmio Nobel Dario Fo, ator e autor teatral, usar uma norma do Pacto Lateranense, “uma lei fascista, é andar para trás no tempo”.

“Seria preciso, então, condenar até Dante, o maior poeta italiano”, dosse Fo.

“Ele também mandou um papa (Bonifácio 8°) ao inferno, dizendo que ele iria para um buraco no meio de um grande fogo”, disse ele em entrevista ao jornal La Reppublica.

De acordo com o deputado socialista Vittorio Craxi, “processar a sátira é um jeito de se aproximar ao totalitarismo”.

O padre jesuíta Bartolomeo Sorge disse que a atriz deve ser perdoada, mas não quer se envolver nos asuntos ligados à Justiça.

“As ofensas podem acontecer e os cristãos devem perdoar. Tenho creteza que o papa já a perdoou. Mas o curso da Justiça e a obra dos magistrados é outra coisa. Quando acham que houve violção de uma lei, não cabe a mim julgar”, disse o padre a um jornal italiano.

Atriz pode ser processada por mandar papa ‘pro inferno’

O papa Bento 16 (arquivo)
Código Penal iguala figura do papa à do presidente da República

Uma atriz comediante italiana corre o risco de ser processada por ter mandado o papa Bento 16 “ir para o inferno” durante um discurso em um comício em Roma.

No evento, promovido em protesto contra recentes leis apresentadas pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi, Sabina Guzzanti disse que o papa iria para o inferno, onde seria recebido por “diabos homossexuais”.

“Graças à lei Moratti (ex-ministra da educação, Letizia Moratti), daqui a 20 anos os professores serão escolhidos pelo Vaticano. Mas daqui a 20 anos, Ratzinger vai estar onde deveria estar, no inferno, atormentado por dois diabos homossexuais superativos e não passivos”, esbravejou Guzzanti.

O procurador Giovani Ferrara, do tribunal de Roma, pediu que o Ministério da Justiça autorize o início do processo contra ela. Para Ferrara, Guzzanti ofendeu o Pontífice “usando palavras vulgares que teriam superado o limite da sátira”.

O procurador disse que a comediante poderá ser acusada de violar o Concordato, um conjunto de leis previstas no Código Penal que igualam o pontífice ao presidente da República.

Sacro e inviolável

Um dos artigos da lei estabelece que a ofensa ao papa, “pessoa sacra e inviolável”, pode ser punida da mesma forma que uma ofensa ao presidente da República.

Se condenada, a atriz poderá pegar de um a cinco anos de prisão.

O ministro da Justiça ainda não se manifestou sobre o caso.

O Concordato, ou Pacto Lateranense, foi assinado em 1929 por Benito Mussolini e o cardeal secretário de Estado vaticano da época, Pietro Gasparri.

Grupos católicos e expoentes da igreja haviam manifestado “profundo pesar pelas palavras ofensivas” de Guzzanti logo após o comício.

Polêmica

A ação que o procurador pretende mover reacendeu as polêmicas.

Paolo Guzzanti, pai da comediante e deputado conservador do Partido da Liberdade, de Berlusconi, disse que a sociedade italiana está “na era medieval” e pediu ironicamente que a filha seja julgada pela “justiça divina”.

“Façamos com que ela se submeta ao juízo de Deus, que caminhe sobre brasas ardentes e encerremos o caso judiciário”, declarou ele aos jornais italianos.

Para o ex-magistrado Antonio Di Pietro, Sabina Guzzanti não ofendeu ninguém, apenas “exerceu o direito de manifestar livremente seu pensamento”.

Na avaliação do Prêmio Nobel Dario Fo, ator e autor teatral, usar uma norma do Pacto Lateranense, “uma lei fascista, é andar para trás no tempo”.

“Seria preciso, então, condenar até Dante, o maior poeta italiano”, dosse Fo.

“Ele também mandou um papa (Bonifácio 8°) ao inferno, dizendo que ele iria para um buraco no meio de um grande fogo”, disse ele em entrevista ao jornal La Reppublica.

De acordo com o deputado socialista Vittorio Craxi, “processar a sátira é um jeito de se aproximar ao totalitarismo”.

O padre jesuíta Bartolomeo Sorge disse que a atriz deve ser perdoada, mas não quer se envolver nos asuntos ligados à Justiça.

“As ofensas podem acontecer e os cristãos devem perdoar. Tenho creteza que o papa já a perdoou. Mas o curso da Justiça e a obra dos magistrados é outra coisa. Quando acham que houve violção de uma lei, não cabe a mim julgar”, disse o padre a um jornal italiano.

Aprovação de Lula bate recorde histórico, diz Datafolha

Embalado por bons resultados na economia e por grande exposição na campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o seu próprio recorde de avaliação positiva. Segundo pesquisa Datafolha, 64% da população consideram seu governo ótimo ou bom. O recorde anterior já colocava Lula na frente de todos os presidentes eleitos após a redemocratização.

A reportagem com o resultado da pesquisa pode ser lida na Folha desta sexta-feira. A íntegra está disponível para assinantes do UOL e do jornal.

Pela primeira vez, Lula tem o apoio da maioria no Sudeste (57%), nas regiões metropolitanas (57%), entre os que têm curso superior (55%) e entre os que vivem em famílias com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos (57%).

Os resultados da pesquisa coincidem com a divulgação de um crescimento do PIB de 6% no primeiro semestre e com o momento em que a inflação começa a ceder.

O Datafolha ouviu 2.981 pessoas maiores de 16 anos em 212 municípios do país entre os dias 8 e 11 de setembro. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou menos.

Leia reportagem na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.

Aprovação de Lula bate recorde histórico, diz Datafolha

Embalado por bons resultados na economia e por grande exposição na campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o seu próprio recorde de avaliação positiva. Segundo pesquisa Datafolha, 64% da população consideram seu governo ótimo ou bom. O recorde anterior já colocava Lula na frente de todos os presidentes eleitos após a redemocratização.

A reportagem com o resultado da pesquisa pode ser lida na Folha desta sexta-feira. A íntegra está disponível para assinantes do UOL e do jornal.

Pela primeira vez, Lula tem o apoio da maioria no Sudeste (57%), nas regiões metropolitanas (57%), entre os que têm curso superior (55%) e entre os que vivem em famílias com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos (57%).

Os resultados da pesquisa coincidem com a divulgação de um crescimento do PIB de 6% no primeiro semestre e com o momento em que a inflação começa a ceder.

O Datafolha ouviu 2.981 pessoas maiores de 16 anos em 212 municípios do país entre os dias 8 e 11 de setembro. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou menos.

Leia reportagem na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.

Cardeal Martini pede reforma da Igreja

Copiado de http://www.caravideo.com.br/index.php?page=martini


por Juan G. Bedoya
Madri
tarja

A Igreja deve ter a coragem de se reformar. Essa é a idéia principal do cardeal Carlo Maria Martini (nascido em Turim em 1927), um dos grandes eclesiásticos contemporâneos. Com elogios ao reformador protestante Martinho Lutero, o cardeal pede à Igreja Católica idéias para discutir, até a possibilidade de ordenar viri probati (homens casados, mas de fé comprovada) e mulheres. Também pede uma encíclica que termine com as proibições da Humanae Vitae, emitida por Paulo 6º em 1968 com severas censuras em matéria de sexo. O cardeal Martini foi reitor da Universidade Gregoriana de Roma, arcebispo da maior diocese do mundo (Milão) e papável. É jesuíta, publica livros, escreve em jornais e debate com intelectuais. Em 1999 pediu diante do Sínodo de Bispos Europeus a convocação de um novo concílio para concluir as reformas postergadas pelo Vaticano II, realizado em Roma entre 1962 e 1965. Agora volta à atualidade porque se publica na Alemanha (pela editora Herder) o livro Colóquio Noturnos em Jerusalém, como testamento espiritual do grande pensador. É assinado por Georg Sporschill, também jesuíta. Sem disfarces, o que Martini pede às autoridades do Vaticano é coragem para reformar-se e mudanças concretas, por exemplo, nas políticas sobre o sexo, um assunto que sempre desata os nervos e as iras dos papas, já que são solteiros. O celibato, afirma Martini, deve ser uma vocação, porque talvez nem todos tenham o carisma. Espera também a autorização do preservativo. E nem sequer o assusta um debate sobre o sacerdócio negado às mulheres, porque encomendar cada vez mais paróquias a um pároco ou importar sacerdotes do estrangeiro não é uma solução. Lembra ao Vaticano que no Novo Testamento havia diaconisas. Vários jornais europeus divulgaram a publicação de Colóquios Noturnos em Jerusalém, salientando a exortação do cardeal a não se afastar do concílio Vaticano II e a não ter medo de confrontar-se com os jovens. Exatamente sobre o sexo entre jovens, Martini pede para não desperdiçar relações e emoções, aprendendo a conservar o melhor para a união matrimonial. E rompe os tabus de Paulo 6º, João Paulo 2º e o atual papa, Joseph Ratzinger. Diz: Infelizmente, a encíclica Humanae Vitae teve conseqüências negativas. Paulo 6º evitou de forma consciente o problema para os padres conciliares. Quis assumir a responsabilidade de decidir sobre os anticoncepcionais. Essa solidão na decisão não foi, em longo prazo, uma premissa positiva para tratar dos temas da sexualidade e da família. O cardeal pede um novo olhar para o assunto, 40 anos depois do concílio. Quem dirige a Igreja hoje pode indicar uma via melhor do que a proposta pela Humanae Vitae, afirma. Sobre a homossexualidade, o cardeal diz com sutileza: Entre meus conhecidos há casais homossexuais, homens muito estimados e sociais. Nunca me pediram, nem teria me ocorrido, condená-los. Martini aparece no livro com toda a sua personalidade, de uma curiosidade intelectual sem limites. A ponto de reconhecer que quando era bispo perguntava a Deus: Por que não nos dá idéias melhores? Por que não nos faz mais fortes no amor e mais valentes para enfrentar os problemas atuais? Por que temos tão poucos padres? Hoje, aposentado e doente – acaba de deixar Jerusalém, onde vivia dedicado a estudar os textos sagrados, para ser tratado por médicos na Itália -, limita-se a pedir a Deus que não o abandone. Além do elogio a Lutero, o cardeal Martini revela suas dúvidas de fé, lembrando as que teve Teresa de Calcutá. Também fala sobre os riscos que um bispo tem de assumir, referindo-se a sua viagem a uma prisão para falar com militantes do grupo terrorista Brigadas Vermelhas. Os escutei e roguei por eles e inclusive batizei dois gêmeos filhos de pais terroristas, nascidos durante um julgamento, relata. Eu tive problemas com Deus, confessa em determinado momento. Foi por não conseguir entender por que fez seu filho sofrer na cruz. Acrescenta: Inclusive quando era bispo algumas vezes não conseguia olhar para o crucifixo porque a dúvida me atormentava. Também não conseguia aceitar a morte. Deus não poderia tê-la poupado aos homens, depois da de Cristo? Depois entendeu. Sem a morte não poderíamos nos entregar a Deus. Manteríamos abertas saídas de segurança. Mas não. É preciso entregar a própria esperança a Deus e crer nele. De Jerusalém a vida se vê de outra maneira, sobretudo as parafernálias de Roma. É o que conta Martini: Houve uma época em que eu sonhei com uma Igreja na pobreza e na humildade, que não dependesse das potências deste mundo. Uma Igreja que desse espaço para as pessoas que pensam mais além. Uma Igreja que transmitisse valor, especialmente a quem se sente pequeno ou pecador. Uma Igreja jovem. Hoje já não tenho esses sonhos. Depois dos 75 anos decidi rezar pela Igreja. Nunca mais o erro de Galileu O cardeal Martini sempre se empenhou em estabelecer um terreno comum de discussão entre leigos e católicos, confrontando também aqueles pontos nos quais não há consenso possível. Com essa intenção abriu um dos debates mais saborosos entre intelectuais contemporâneos, publicado em 1995 na Itália com o título de In cosa crede qui non crede? (Em que crêem os que não crêem?). Tratava-se de uma série de cartas trocadas entre o cardeal e o escritor Umberto Eco, sobre temas como quando começa a vida humana, o sacerdócio negado à mulher, a ética, ou como encontrar, o laico, a luz do bem. Um setor da hierarquia católica assistiu à controvérsia com indisfarçável incômodo, mas uma década depois o mesmo cardeal Ratzinger, hoje papa Bento 16, enfrentou um debate semelhante com o filósofo alemão Jürgen Habermas sobre a relação entre fé e razão. O cardeal Martini lamentou em 1995 que sua Igreja vivesse mergulhada em desolada resignação sobre o presente. Também admitiu diante de Eco o medo da ciência e do futuro. Então o fez com tesouros de sutileza, ele mesmo reconheceu. Dava como testemunho a prudência de Tomás de Aquino em semelhantes compromissos, por medo de Roma, que esteve a ponto de castigar quem hoje é um de seus guias mais ilustres. O cardeal, já aposentado – quer dizer, mais livre do que quando exercia responsabilidades hierárquicas -, se expressa no novo livro com a sutileza que usou no debate com Umberto Eco, mas coloca sobre a mesa pontos de vista surpreendentes para seus pares, como o controle da natalidade e os preservativos. Soam também como chicotadas seus elogios a Martinho Lutero e o desafio a Roma para que empreenda com coragem algumas das reformas que o frade alemão reclamou em seu tempo. No fundo de suas manifestações de hoje, em que o cardeal às vezes parece angustiado – com um sentimento mais trágico de sua fé -, surge o debate interminável do confronto entre a Igreja de Roma e a ciência e o pensamento moderno. Novamente é um jesuíta quem volta a colocar a discussão, para desgosto do Vaticano. A vantagem de Martini é que não está mais ao alcance de nenhuma pedrada. O também jesuíta George Tyrrell, o erudito tomista irlandês, foi castigado sem contemplações e suspenso de seus sacramentos. Inclusive teve negada sua sepultura em um cemitério católico quando morreu em 1909. Seu pecado: reivindicar, como Martini, o direito de cada época a adaptar a expressão do cristianismo às certezas contemporâneas, para apaziguar o conflito absolutamente desnecessário entre fé e ci
ência, que é um mero espantalho teológico. O que buscam todos esses pensadores católicos é espantar qualquer risco de cometer outra vez o erro de Galileu. É outra exigência do cardeal.

Cardeal Martini pede reforma da Igreja

Copiado de http://www.caravideo.com.br/index.php?page=martini


por Juan G. Bedoya
Madri
tarja

A Igreja deve ter a coragem de se reformar. Essa é a idéia principal do cardeal Carlo Maria Martini (nascido em Turim em 1927), um dos grandes eclesiásticos contemporâneos. Com elogios ao reformador protestante Martinho Lutero, o cardeal pede à Igreja Católica idéias para discutir, até a possibilidade de ordenar viri probati (homens casados, mas de fé comprovada) e mulheres. Também pede uma encíclica que termine com as proibições da Humanae Vitae, emitida por Paulo 6º em 1968 com severas censuras em matéria de sexo. O cardeal Martini foi reitor da Universidade Gregoriana de Roma, arcebispo da maior diocese do mundo (Milão) e papável. É jesuíta, publica livros, escreve em jornais e debate com intelectuais. Em 1999 pediu diante do Sínodo de Bispos Europeus a convocação de um novo concílio para concluir as reformas postergadas pelo Vaticano II, realizado em Roma entre 1962 e 1965. Agora volta à atualidade porque se publica na Alemanha (pela editora Herder) o livro Colóquio Noturnos em Jerusalém, como testamento espiritual do grande pensador. É assinado por Georg Sporschill, também jesuíta. Sem disfarces, o que Martini pede às autoridades do Vaticano é coragem para reformar-se e mudanças concretas, por exemplo, nas políticas sobre o sexo, um assunto que sempre desata os nervos e as iras dos papas, já que são solteiros. O celibato, afirma Martini, deve ser uma vocação, porque talvez nem todos tenham o carisma. Espera também a autorização do preservativo. E nem sequer o assusta um debate sobre o sacerdócio negado às mulheres, porque encomendar cada vez mais paróquias a um pároco ou importar sacerdotes do estrangeiro não é uma solução. Lembra ao Vaticano que no Novo Testamento havia diaconisas. Vários jornais europeus divulgaram a publicação de Colóquios Noturnos em Jerusalém, salientando a exortação do cardeal a não se afastar do concílio Vaticano II e a não ter medo de confrontar-se com os jovens. Exatamente sobre o sexo entre jovens, Martini pede para não desperdiçar relações e emoções, aprendendo a conservar o melhor para a união matrimonial. E rompe os tabus de Paulo 6º, João Paulo 2º e o atual papa, Joseph Ratzinger. Diz: Infelizmente, a encíclica Humanae Vitae teve conseqüências negativas. Paulo 6º evitou de forma consciente o problema para os padres conciliares. Quis assumir a responsabilidade de decidir sobre os anticoncepcionais. Essa solidão na decisão não foi, em longo prazo, uma premissa positiva para tratar dos temas da sexualidade e da família. O cardeal pede um novo olhar para o assunto, 40 anos depois do concílio. Quem dirige a Igreja hoje pode indicar uma via melhor do que a proposta pela Humanae Vitae, afirma. Sobre a homossexualidade, o cardeal diz com sutileza: Entre meus conhecidos há casais homossexuais, homens muito estimados e sociais. Nunca me pediram, nem teria me ocorrido, condená-los. Martini aparece no livro com toda a sua personalidade, de uma curiosidade intelectual sem limites. A ponto de reconhecer que quando era bispo perguntava a Deus: Por que não nos dá idéias melhores? Por que não nos faz mais fortes no amor e mais valentes para enfrentar os problemas atuais? Por que temos tão poucos padres? Hoje, aposentado e doente – acaba de deixar Jerusalém, onde vivia dedicado a estudar os textos sagrados, para ser tratado por médicos na Itália -, limita-se a pedir a Deus que não o abandone. Além do elogio a Lutero, o cardeal Martini revela suas dúvidas de fé, lembrando as que teve Teresa de Calcutá. Também fala sobre os riscos que um bispo tem de assumir, referindo-se a sua viagem a uma prisão para falar com militantes do grupo terrorista Brigadas Vermelhas. Os escutei e roguei por eles e inclusive batizei dois gêmeos filhos de pais terroristas, nascidos durante um julgamento, relata. Eu tive problemas com Deus, confessa em determinado momento. Foi por não conseguir entender por que fez seu filho sofrer na cruz. Acrescenta: Inclusive quando era bispo algumas vezes não conseguia olhar para o crucifixo porque a dúvida me atormentava. Também não conseguia aceitar a morte. Deus não poderia tê-la poupado aos homens, depois da de Cristo? Depois entendeu. Sem a morte não poderíamos nos entregar a Deus. Manteríamos abertas saídas de segurança. Mas não. É preciso entregar a própria esperança a Deus e crer nele. De Jerusalém a vida se vê de outra maneira, sobretudo as parafernálias de Roma. É o que conta Martini: Houve uma época em que eu sonhei com uma Igreja na pobreza e na humildade, que não dependesse das potências deste mundo. Uma Igreja que desse espaço para as pessoas que pensam mais além. Uma Igreja que transmitisse valor, especialmente a quem se sente pequeno ou pecador. Uma Igreja jovem. Hoje já não tenho esses sonhos. Depois dos 75 anos decidi rezar pela Igreja. Nunca mais o erro de Galileu O cardeal Martini sempre se empenhou em estabelecer um terreno comum de discussão entre leigos e católicos, confrontando também aqueles pontos nos quais não há consenso possível. Com essa intenção abriu um dos debates mais saborosos entre intelectuais contemporâneos, publicado em 1995 na Itália com o título de In cosa crede qui non crede? (Em que crêem os que não crêem?). Tratava-se de uma série de cartas trocadas entre o cardeal e o escritor Umberto Eco, sobre temas como quando começa a vida humana, o sacerdócio negado à mulher, a ética, ou como encontrar, o laico, a luz do bem. Um setor da hierarquia católica assistiu à controvérsia com indisfarçável incômodo, mas uma década depois o mesmo cardeal Ratzinger, hoje papa Bento 16, enfrentou um debate semelhante com o filósofo alemão Jürgen Habermas sobre a relação entre fé e razão. O cardeal Martini lamentou em 1995 que sua Igreja vivesse mergulhada em desolada resignação sobre o presente. Também admitiu diante de Eco o medo da ciência e do futuro. Então o fez com tesouros de sutileza, ele mesmo reconheceu. Dava como testemunho a prudência de Tomás de Aquino em semelhantes compromissos, por medo de Roma, que esteve a ponto de castigar quem hoje é um de seus guias mais ilustres. O cardeal, já aposentado – quer dizer, mais livre do que quando exercia responsabilidades hierárquicas -, se expressa no novo livro com a sutileza que usou no debate com Umberto Eco, mas coloca sobre a mesa pontos de vista surpreendentes para seus pares, como o controle da natalidade e os preservativos. Soam também como chicotadas seus elogios a Martinho Lutero e o desafio a Roma para que empreenda com coragem algumas das reformas que o frade alemão reclamou em seu tempo. No fundo de suas manifestações de hoje, em que o cardeal às vezes parece angustiado – com um sentimento mais trágico de sua fé -, surge o debate interminável do confronto entre a Igreja de Roma e a ciência e o pensamento moderno. Novamente é um jesuíta quem volta a colocar a discussão, para desgosto do Vaticano. A vantagem de Martini é que não está mais ao alcance de nenhuma pedrada. O também jesuíta George Tyrrell, o erudito tomista irlandês, foi castigado sem contemplações e suspenso de seus sacramentos. Inclusive teve negada sua sepultura em um cemitério católico quando morreu em 1909. Seu pecado: reivindicar, como Martini, o direito de cada época a adaptar a expressão do cristianismo às certezas contemporâneas, para apaziguar o conflito absolutamente desnecessário entre fé e ciência, que é um mero espantalho teológico. O que buscam todos esses pensadores católicos é espantar qualquer risco de cometer outra vez o erro de Galileu. É outra exigência do cardeal.