Pioneiras no poder relatam preconceito contra mulheres

A escalada ao poder não foi fácil para as primeiras brasileiras que decidiram se aventurar na política. Mulheres pioneiras dizem que sofreram todo tipo de preconceito quando assumiram cargos que até então só haviam sido ocupados por homens.

A Folha ouviu Eunice Michiles (primeira senadora do país), Iolanda Fleming (primeira governadora), Luiza Erundina (primeira prefeita de São Paulo), Maria Luiza Fontenele (primeira prefeita de uma capital brasileira) e Roseana Sarney (primeira governadora eleita).

Luiza Erundina, 75, foi eleita primeira prefeita da maior cidade do país, São Paulo, em 1989, pelo PT.
Deputada Luiza Erundina, 75, foi eleita primeira prefeita da maior cidade do país, São Paulo, em 1989, pelo PT

Ao chegar ao poder, parte delas se deparou com o preconceito velado. Outras sofreram discriminação aberta.

Foi o caso da cearense Maria Luiza Fontenele, 67, eleita prefeita de Fortaleza em 1985, pelo PT. Já durante a campanha, Maria Luiza disse ter sofrido com a pecha de “sapatão” por ser divorciada.

Nascida em Quixadá (CE), cidade famosa por uma formação rochosa em formato de galinha, ela diz que ouvia coisas como: “Ela é de onde até as pedras são galinhas”.

A contratação de dois ex-maridos em sua gestão lhe rendeu o apelido de “dona Flor e seus dois maridos”.

A paraibana Luiza Erundina, 75, eleita para a Prefeitura de São Paulo em 1988, relata preconceito por ser nordestina e do PT. “Só faltava eu ser negra para completar. Uma vez, até recebi uma carta com vários xingamentos e com fezes dentro”, afirma Erundina, reeleita deputada federal pelo PSB.

Ela conta que, quando assumiu a prefeitura, em 1989, eram frequentes as ameaças de bomba na sede.

A acriana Iolanda Fleming, 74, diz que teve de enfrentar preconceitos desde o início de sua carreira. Ela lembra que resolveu cursar direito quando entrou na vida pública, aos 37. “Ouvi coisas do tipo: ‘Mulher que vai à faculdade é vagabunda’.”

Filha de seringueiros, ela assumiu o governo do Acre em 1986. Antes disso, havia sido vereadora e deputada estadual por duas vezes.

FLOR E POESIA

Primeira senadora do país, Eunice Michiles, 81, diz ter vivenciado uma espécie de “preconceito ao contrário” quando assumiu como suplente, em 1979, pela Arena, o partido de sustentação da ditadura militar (1964-85). “Fui recebida com flores, poesia. Não deixa de ser discriminatório, porque ninguém era recebido assim.”

Cercada por homens, ela afirma que todos eram gentis porque, na época, havia “aquela maneira de tratar uma dama”. “Não me sentia como uma colega.”

A governadora reeleita do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), 57, se tornou a primeira governadora em 1994.

Ela conta que, ao chegar nas primeiras reuniões de governadores de Estado, a pergunta era sempre: “Como vai a família, o marido, os filhos?”. “Eles não estavam acostumados. Com o tempo, passaram a me respeitar muito mais”, relata.

OITO DÉCADAS

Oito décadas separam a eleição de Dilma Rousseff (PT) e a de Alzira Soriano, a primeira eleita no Brasil.

Alzira elegeu-se prefeita de Lages (RN) em 1929, beneficiada pela legislação do Estado, que permitia às mulheres votar e se candidatar –apenas em 1932 isso passou a valer no resto do país.

Parte das pioneiras na política afirma que Dilma terá de imprimir sua marca. “Isso ela fará, porque as mulheres têm um jeito próprio de governar”, diz Erundina. Para Eunice Michiles, “ela é uma mulher de pulso, tem qualidades, mas ser mulher não é atestado de capacidade”.

Papa surpreende e diz que camisinha é aceitável em "certos casos"

Josep Lago/07.11.2010/AFPO papa Bento 16 surpreendeu ao afirmar que o uso de preservativos é aceitável “em certos casos”, especialmente para reduzir o risco de infecção do do vírus da aids.

As declarações veiculadas neste sábado (20) estão em um livro de entrevistas que será lançado na próxima terça-feira (23), em uma aparente suavização da postura da Igreja Católica, radicalmente contra o uso da camisinha.

Na série de entrevistas que será publicada na Alemanha, país natal do pontífice de 83 anos, Bento 16 é questionado quando a Igreja Católica não seria fundamentalmente contrária ao uso da camisinha.

Bento 16 diz que “com certeza [a igreja] não vê [o preservativo] como uma solução real e moral.

– Em certos casos, quando a intenção é reduzir o risco de infecção, pode ser, no entanto, um primeiro passo para abrir o caminho a uma sexualidade mais humana.

Vaticano é radicalmente contra método contraceptivo

O livro, que tem como título Light of the World: The Pope, the Church and the Signs of the Times (Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais do Tempo), é baseado em 20 horas de entrevistas conduzidas pelo jornalista alemão Peter Seewald.

Até o momento, o Vaticano proíbe o uso de qualquer forma de método contraceptivo – aceita apenas a abstenção -, mesmo como forma de evitar doenças sexualmente transmissíveis.

Bento 16 provocou revolta internacional em março de 2009 durante uma visita à África, continente devastado pela Aids, ao afirmar à imprensa que a doença era uma tragédia que não podia ser combatida com a distribuição de preservativos, que na opinião dele até agravava o problema.

Renda dos negros aumentou 38% desde 2007 no Brasil

A renda média per capita do negro aumentou 19 pontos percentuais a mais do que a dos brancos no Brasil, de 2007 a 2010, segundo a Data Popular. De acordo com o instituto de pesquisas, a renda média dos negros aumentou 38% enquanto o porcentual entre os brancos foi de 19% no período. O total da renda dos negros, que representam 50,5% da população brasileira em 2009, é estimado em R$ 554 bilhões, pelo Data Popular. Sendo que 89,4% dessa parcela de brasileiros estão nas classes econômicas C, D e E. Desde 1996, a população economicamente ativa, maior de 16 anos, e negra cresceu 58,3% no Brasil. A Data popular utilizou dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (Ipea) e do Instituto Brasileiro de geografia e estatísticas (IBGE)

Vídeo assustador: Globo de SC tem ódio de pobre

Amigo navegante viu, entre os comentários do post “Xenofobia e homofobia: onde isso vai parar?”, referência a esse comentário de um “comentarista” da Globo de Santa Catarina, a RBS, que despeja ódio contra a Classe “C”, que passou a ter carro.

Foi nisso que deu trazer o vaso sanitário para a sala de jantar onde, em Santa Catarina, alguns aparelhos de televisão ainda estão sintonizados na Globo.

O preconceito é a doença infantil do racismo.

Veja o vídeo em http://www.youtube.com/watch?v=uwh3_tE_VG4&feature=player_embedded

Associação diz que um homossexual é morto no país a cada dois dias

A ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) divulgou nesta terça-feira uma nota em repúdio as duas agressões contra homossexuais ocorridas no último final de semana. Segundo o relatório anual de assassinatos de homossexuais, divulgado pelo GGB (Grupo Gay da Bahia) em março deste ano, em média dois homossexuais são assassinados por dia no Brasil.

No último domingo (14), um rapaz de 19 anos foi baleado no parque Garota de Ipanema (zona sul do Rio) após a 15ª Parada do Orgulho Gay, em Copacabana. No mesmo dia, quatro rapazes também foram agredidos em três ataques na avenida Paulista (centro de São Paulo). A polícia de São Paulo diz haver indícios de motivação homofóbica.

Segundo o relatório, foram assassinados no Brasil, em 2009, 198 homossexuais, nove a mais que em 2008. Em 2007, de acordo com a instituição, foram 122. Do total de mortos.

O relatório também diz que Bahia e Paraná são os Estados com mais mortes: 25 homicídios cada um. Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais registraram 14 mortes e Rio de Janeiro, 8.

“A ABGLT vem se manifestar, mais uma vez, pelo fim imediato de toda e qualquer violência homofóbica, e pela promoção de uma cultura de paz e respeito à diversidade”, diz a nota.

A associação também pede que o governo federal “acelere a implementação do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos de LGBT” e que os governos estaduais e municipais “elaborem e também implantem seus planos de combate à homofobia”.

“Temos testemunhado que essa intolerância pregada por setores fundamentalistas cristãos tem sido transformada em violência extrema. A pregação religiosa que ataca os homossexuais acaba por legitimar atitudes de ódio. Infelizmente, temos assistido a uma onde conservadora, que ganhou contornos fortes na campanha presidencial. Ela atinge mulheres, negros, nordestinos e LGBT”, afirmou a associação.

A Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, por meio da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual do Estado de São Paulo, também divulgou nota sobre a agressão ocorrida na avenida Paulista.

“A Secretaria está acompanhando o andamento do caso e já determinou a instauração de procedimento para apurar a responsabiliade pelos fatos nos termos da Lei estadual 10.948, de 2001, que prevê multas administrativas para punir prática de discriminação em razão de orientação sexual e identidade de gênero. As multas variam de R$ 8.000 a R$ 150 mil”, diz a nota.

Robson Ventura/Folhapress
Rapaz maior de idade, suspeito de envolvimento em agressão na avenida Paulista, deixa delegacia
Rapaz maior de idade, suspeito de envolvimento em agressão na avenida Paulista, em SP, foi solto na segunda (15)

CASOS

No Rio de Janeiro, a vítima de agressão contou que, após a Parada Gay, foi para o parque com dois amigos, por volta das 22h30. Chegando lá, os três homens começaram a pedir identidade e telefone dos cerca de 15 jovens que estavam ali.

“Esses homens chegaram dizendo que a gente não podia ficar ali, pois era uma área militar, e que iam ligar para a polícia. E a partir daí começaram as agressões. Eles deram muitos puxões de cabelo, chutes, xingaram a gente e colocaram a arma na minha cabeça”, contou.

Após ser baleado, o jovem afirmou que ligou diversas vezes para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas o atendente alegava que se tratava de um trote e se recusou a fazer o atendimento. Ninguém foi preso.

Em São Paulo, foram três ataques no mesmo dia. A polícia aponta um grupo de cinco jovens, entre eles quatro menores, como responsável pelas agressões.

Segundo o boletim de ocorrência, os cinco jovens se aproximaram da vítima dando socos no rosto. Ele se desequilibrou e foi atingido na nuca. Em seguida, todos os jovens começaram a dar chutes e socos no rapaz, já caído no chão.

O grupo dizia, segundo as vítimas, “Suas bichas”, “Vocês são namorados!”.

Em dois dos ataques que ocorreram em São Paulo a polícia diz haver indícios de motivação homofóbica. Advogados e parentes dos cinco jovens, quatro deles adolescentes de 16 e 17 anos, dizem haver um exagero por parte da polícia e o que houve foi apenas “uma confusão que acabou em agressão”.

O jovem de 19 anos foi preso e os quatro adolescentes encaminharam para a Fundação Casa. No entanto, na segunda-feira, todos foram liberados.

O diabo e as drogas

A política de riminalização das drogas tem sido um rotundo fracasso. Esta foi uma das conclusões fundamentais do Seminário Internacional O uso e usuários do álcool e outras drogas na contemporaneidade, realizado em Salvador, entre os dias 3 e 6 de novembro, promovido pelo Núcleo de Estudos Avançados Sobre Álcool e outras Drogas e pelo Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD), vinculado à Universidade Federal da Bahia. Para mim, cuja iniciação nas drogas limita-se ao álcool, de preferência vinho, e uma iniciação que nunca extrapolou limites – de mim, dir-se-ia um careta – foi um impressionante aprendizado.

Disse, durante o seminário, que eu estava apenas costeando o alambrado, relembrando expressão muito a gosto do velho e saudoso Leonel Brizola. Estou começando a me aproximar do tema, embalado pelos conhecimentos da psicanalista Maria Luiza Mota Miranda, coordenadora do Núcleo de Estudos Avançados Sobre Álcool e outras Drogas, e do deputado Paulo Teixeira, amigo e companheiro, do PT de São Paulo, um dos conferencistas do encontro. Numa sociedade como a brasileira, dada a uma impressionante hipocrisia e farisaísmo, não é um tema simples de ser abordado.

É só lembrar o que foi a recente campanha presidencial para ver o quanto um tema como esse é explosivo. Afinal, o aborto, ao qual milhares de mulheres de classe média recorrem colocando-se sob cuidados médicos especializados e milhares de mulheres pobres morrem ou têm seqüelas decorrentes de abortos realizados em condições ultrajantes, para compreender como alguns assuntos são tratados como tabus. Serra descarregou toda a sua carga de farisaísmo, de hipocrisia, e só foi constrangido a parar quando revelou-se que sua mulher, Mônica, havia feito um aborto. Se o aborto enfrenta clima tão adverso, imagine a discussão em torno das drogas, especialmente uma discussão que pretenda não deixar o tema vinculado exclusivamente à esfera policial, à repressão violenta, a tratamentos desumanos, à perspectiva pura e simples da proibição.

Disse, durante o seminário, que toda essa política proibitiva, repressiva, estava e está vinculada a uma visão imperial, e vem de longe. Os EUA de há muito trabalham com essa ideia de combate às drogas, e os resultados que colhem são extremamente precários – quase nenhum. Afinal, todos se lembram das conseqüências da Lei Seca, dos anos 30. A proibição do consumo do álcool resultou, a rigor, no fortalecimento da máfia, de métodos criminosos, e não resolveu, de modo nenhum, o problema. Assim, tem acontecido atualmente com as drogas em escala mundial. Se tomamos a América do Sul como exemplo, os EUA têm desenvolvido uma autêntica guerra contra as drogas, e essa guerra não tem implicado em diminuição da oferta da droga, a par de servir de pretexto para a instalação de bases militares no Continente.

A psicanalista Maria Luiza Mota Miranda, na fala de abertura do seminário, lembrava que não há notícias históricas de uma sociedade sem drogas. Parece chocante ouvir isso, mas é absolutamente verdadeiro. E as drogas, com suas propriedades psicoativas, revelaram-se sempre um potente recurso das pessoas para a sobrevivência, pois anestesiam dores das intempéries, da fome e do frio, e constituem solução para a angústia e a dor da existência, como solução momentânea. Como medicamento, alivia tensões, stress, dores, sofrimentos. E ela, provocando, pergunta: o que dizer do vinho, o maior dos afrodisíacos, símbolo do prazer, louvado pelos poetas? E a cocaína, desde há muito inscrita na cultura dos povos, em suas religiões, rituais e no auxílio à força produtiva?

As perguntas de Maria Luiza podem parecer impróprias ou revelar apenas tentações panfletárias, mas não é nem uma coisa, nem outra. Têm absoluta propriedade. Vem de uma especialista que trabalha com o assunto há muito tempo. Ao lado do CETAD, um centro que se dedica ao assunto há mais de 25 anos, sob a dedicada orientação do professor Antonio Nery Filho, que fez a conferência de abertura do seminário sob o título, também aparentemente provocante, O CETAD e sua trajetória de 25 anos no campo da invisibilidade social. E Maria Luiza, na sua postura de questionar, perguntou mais:

Se há tantos séculos e de tantas formas o álcool e as outras drogas perfilam na história dos homens por que o uso dessas substâncias ganha um destaque tão intenso em nossa cultura, transformando-se em fenômeno e em sintoma social contemporâneo, especialmente a partir da segunda metade do século XX?

Para Maria Luiza, a lógica capitalista atual, com o avanço da ciência e da tecnologia, possibilita a transformação de algumas substâncias em negócios de larga escala e de grande valor econômico, entre elas as substâncias psicoativas que hoje ocupam um dos primeiros lugares na economia mundial, junto com a indústria de armas.

Assim, considerar, ainda para acompanhar a palestra de Maria Luiza, os usos intensivos do álcool e outras drogas uma doença sem cura, um desvio de comportamento, uma perversão, transforma a substância em mito, reduz o problema à dimensão clínica, deixando ao indivíduo somente a condição de impotência, sem alternativa senão a da marginalização. E não falamos de alienígenas, de seres distantes de nós, mas de nossos filhos, de nossos amigos, das figuras mais queridas de nossas vidas. As drogas, em suas múltiplas manifestações, as legais, tantas, e as ilegais são parte inseparáveis da vida contemporânea, a par de ter sido parte, também, como já dito, de todos os períodos históricos. Baco nunca nos abandonou, foi sempre um deus generoso, pródigo.

Na sociedade do consumo desenfreado, do gozo sem limites prometido pelo capitalismo, império do valor de troca, para recuperar noção cara ao marxismo, o gozo da droga se adequa como uma luva às leis do mercado. Por tudo isso, a discussão sobre as drogas, sobre essa louca política simplesmente repressiva, precisa ser muito ampliada, e não pode vincular-se a um desespero apocalíptico que muitos querem divulgar, espécie de beco sem saída a que estaríamos condenados, especialmente com a emergência do crack, novo demônio dos nossos tempos.

O buraco é mais embaixo, a discussão tem ir até os fundamentos de nossa sociedade, pensar a própria lógica capitalista, que estimula profundamente o uso das drogas, tanto com a pletora das drogas legais, que vão do álcool à profusão de drogas medicamentosas, até as ilegais, cujo consumo cresce, cresce e cresce, salvo naqueles países onde o consumo foi legalizado ou ao menos uma política menos repressiva foi implantada, a exemplo da Holanda, Portugal e Espanha.

Como estou costeando o alambrado, reflito sobre uma passagem de um livro de Saramago, que li há muito tempo – o título, se me lembro bem é O Evangelho segundo Jesus Cristo. Numa conversa entre Deus, Jesus e Lúcifer, no meio de um lago, ou do mar, não me recordo bem, Lúcifer, diante do mundo de sofrimentos que viria à frente, e Deus podia saber o que viria de sofrimentos na esteira do cristianismo, Lúcifer propõe então a Deus, para evitar todas aquelas dores, que ele voltasse ao aprisco dele, já que antes fora um de seus anjos prediletos. Deus, então, reage: não, de jeito nenhum, eu sem você não sobrevivo. Como faz muito tempo que li, pode haver equívocos, mas é mais ou menos este o raciocínio.

Penso que hoje há um demônio, a necessidade de um demônio, e o demônio deve ter sempre um nome: drogas, drogas ilícitas. E para chegar ainda mais perto do diabo, para ter um alvo, melhor ter u
m nome mais específico, e aí encontraram o crack, que é dada como uma droga mortal, contra a qual nada se pode fazer. E o usuário vira um adereço, uma estatística. Deixa de ser uma pessoa, um ser humano.

Antes, durante décadas, o Império apresentou um demônio ao mundo: o comunismo. Comunista, todos se lembram, comia criancinhas, e agora Serra tentou ressuscitar até a frase pelas palavras de sua mulher. Acabou a guerra fria, e é sempre necessário ter um demônio, mesmo que seja só nas aparências, mesmo que contraditoriamente, seja a partir mesmo do Império que o consumo, o grande negócio das drogas, legais e ilegais, seja tão profundamente estimulado. O diabo necessário agora são as drogas.
É fundamental desmistificá-lo. Trazer o assunto para perto das pessoas. Humanizar o problema. Olhar para os usuários com o carinho necessário. Trabalhar sem preconceitos com a ideia da legalização ou, para dizer de outra forma, quem sabe menos assustadora, com outros paradigmas que não sejam apenas aqueles vinculados à repressão pura e simples.

Costuma-se dizer que o diabo, ele outra vez, mora nos detalhes. Um detalhe simples: como trabalhar contra as drogas, com tanta violência, numa sociedade que nos bombardeia, segundo a segundo, com a promessa do gozo incessante, que se afirma como a sociedade do gozo eterno? Não há possibilidade de discutir a droga sem discutir a permanente droga proposta pela sociedade capitalista, a promessa do gozo sem fim, só possível por minutos no delírio que as muitas drogas possibilitam.

Eliminar as drogas é impossível. Ter outra convivência com elas, não. Esse foi o ensinamento desse oportuno seminário. Agora, nem que a médio prazo, trata-se de tirar conseqüências políticas disso, na esteira do que vem sendo feito na Europa, ou continuar o banho de sangue, cujo exemplo mais próximo de nós, de conseqüências assustadoras, vem sendo dado pelo México, cuja guerra contra as drogas tem implicado num quase genocídio.

Igreja do México permite suspender missas por insegurança no país

Horários de cursos e missas podem ser alterados ou suspensos em estados mais violentos do norte

CIDADE DO MÉXICO- A Conferência do Episcopado Mexicano (CEM) deu liberdade para que os sacerdotes das cidades mais afetadas pela onda de violência suspendam determinados serviços com o fim de “proteger a população”, afirmaram nesta sexta-feira, 12, fontes da instituição.

“Devemos nos antecipar a situações que podem ocorrer, para evitar perigos, e tomar as medidas mais oportunas para proteger a população”, explicou à Efe Manuel Corral, encarregado de Relações Públicas do CEM.

O secretário-geral do CEM bispo de Txcoco, Víctor René Rodríguez, anunciou ontem durante a XC Assembleia Plenária da organização que cada padre pode mudar o horário das missas, cursos e demais atividades vespertinas se considerar necessário, mas que não devem abandonar seus postos em nenhum caso.

Em princípio, a diretriz será aplicável em todos os estados do norte do país, como Tamaulipas, Nuevo León e Sinaloa. No entanto, a situação de outras regiões, como Michoacán, Veracruz e Puebla, já fez com que alguns padres mudassem ou eliminassem horários de missa para prevenir ações violentas.

“Não se trata de uma decisão do sacerdote, mas sim de toda a comunidade de fiéis”, afirmou o porta-voz. Nas tardes e noites, segundo relatou, quando a violência aumenta, “a população está restringindo sua assistência aos serviços religiosos”, o que tem consequências negativas para a igreja, que está recolhendo menos dízimos e doações.

O desemprego derivado da falta de investimentos nas regiões mais inseguras e “a extorsão e corrupção” que assolam os povoados também afeta, os recursos dos fiéis.

O sacerdote recordou que essa situação “não é novidade, vem de tempos atrás e foi aumentando”, e prognosticou que será prolongada durante o que resta do mandato do presidente Felipe Calderón, “enquanto os grupos de delinquentes se multiplicam”.

No início de seu governo, em dezembro de 2006, Calderón lançou uma guerra contra o narcotráfico que já custou a vida de mais de 30 mil pessoas, mortas em ações atribuídas ao crime organizado.


Cinco bispos anglicanos anunciam conversão ao catolicismo

o bispo Andrew Burnham

Bispo Andrew Burnham criticou rumos da Igreja Anglicana

Três bispos anglicanos em atividade e dois bispos aposentados vão passar a servir à Igreja Católica, informou o Vaticano nesta segunda-feira.

Os bispos estão deixando a Igreja Anglicana por divergências quanto à ordenação de homossexuais e mulheres, o que contraria os sacerdotes mais tradicionais.

Na tentativa de abrigar os descontentes com a Igreja Anglicana, a Santa Sé autorizou a adesão dos bispos anglicanos ao catolicismo, apesar de alguns serem casados e pais de família.

Em decisão de 2009, o Vaticano havia dito que padres anglicanos casados que queiram se converter terão seus pedidos analisados, caso a caso. Mas advertiu que isso não significava uma mudança na condição de celibato entre seus padres.

A Conferência de Bispos Católicos britânica disse que fará uma plenária no mês que vem para discutir a ordenação dos cinco anglicanos, mas já lhes deu as boas-vindas.

Já o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, líder espiritual da Igreja Anglicana, lamentou as renúncias dos bispos, mas desejou-lhes sorte “na próxima etapa de seu serviço à Igreja”.

Divergências

Robert Pigott, analista de assuntos religiosos da BBC, diz que a renúncia dos anglicanos não é surpreendente.

Os bispos em questão – Andrew Burnham, Keith Newton e John Broadhurst, em atividade, e Edwin Barnes e David Silk, aposentados – já cuidavam de paróquias “que não aceitavam a decisão de 1992 da Igreja de ordenar mulheres ao sacerdócio”, diz Pigott.

No entanto, como os bispos têm cargos de destaque na hierarquia da Igreja, sua decisão é um marco importante e pode influenciar a saída de outros sacerdotes.

Os tradicionalistas advogam que, segundo a crença de que Jesus escolheu homens para serem seus apóstolos – e, portanto, liderarem a Igreja -, as mulheres não podem cumprir esse papel.

Em entrevista à BBC, Burnham disse que a ordenação feminina era um ponto importante de discórdia, mas atribuiu sua decisão de “aceitar o convite do papa” por achar que a Igreja Anglicana está se afastando de seus princípios e “fazendo suas próprias regras”.

Em comunicado, os cinco bispos dissidentes haviam dito que repudiavam o “distanciamento” crescente entre anglicanos e católicos.

Vaticano irá realizar cúpula para discutir casos de abusos sexuais

O papa Bento 16 irá reunir cardeais do mundo todo em Roma na próxima semana para discutir escândalos sexuais envolvendo membros da Igreja Católica, além de outras questões envolvendo a instituição, informou o Vaticano nesta segunda-feira. A cúpula — que ocorrerá no próximo dia 19– será presidida pelo cardeal americano William Levada.

A reunião será um dia antes da cerimônia em que Bento 16 irá nomear 24 novos cardeais, e da qual costumam participar membros do alto clero do mundo todo. De acordo com o Vaticano, a cúpula será um dia de “reflexão e orações”, que também incluirá discussões sobre a ameaça à liberdade religiosa, a relação com outras religiões e os procedimentos que devem ser seguidos para que anglicanos insatisfeitos possam se integrar à Igreja Católica.

Nesta segunda-feira, cinco bispos ingleses anunciaram que iriam se converter ao catolicismo, depois do convite de Bento 16 para a integração dos anglicanos.

Alegações de abusos contra clérigos tomaram dimensão internacional, com a revelação de milhares de supostas vítimas e de indícios de que inúmeros casos foram acobertados pelo Vaticano durante décadas. As revelações abalaram a igreja neste ano, particularmente na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália.

Desde a eclosão de uma série de escândalos em vários países neste ano, e sob fortes críticas de que o Vaticano teria feito vistas grossas, o papa tem feito reiteradas declarações públicas condenando os casos. Ele já admitiu que a Igreja não tomou medidas suficientes para deter os abusos e se reuniu com vítimas do mundo todo, prometendo combater a ocorrência de novos abusos.

No mês passado, ele disse que os abusos são “absolutamente reprováveis”, mas não podem desacreditar a missão sacerdotal, e que na vida celibatária se pode viver “uma humanidade autêntica, pura e madura”.

Em visita ao Reino Unido em setembro, Bento 16 já havia condenado a “perversão” de sacerdotes e lamentado a falta de vigilância da igreja para os casos de pedofilia. Em junho deste ano, ele chegou a “implorar perdão” a Deus e às vítimas de abusos sexuais por sacerdotes.

Bernie McDaid e Gary Bergeron, fundadores do site de vítimas de abusos (www.survivorsvoice.org), disseram na última sexta-feira (5), em coletiva de imprensa, que iniciariam uma petição para que a Organização das Nações Unidas considere a pedofilia sistêmica um crime contra a humanidade.

“Não somos aleijados. Somos pessoas feridas e que agora estão dispostas a falar sobre isso. A culpa e a vergonha estão encobertas”, afirmou McDaid, que se tornou uma das primeiras vítimas de abuso a se encontrar com o papa, em Washington, há dois anos.

O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres

O Estadão de hoje dedica a capa e duas páginas – A15 e A16 a desmoralizar o ENEM.

Uma desmoralização arrasadora.

É porque 0,04% dos alunos VOLUNTARIAMENTE inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta.

0,04% !

Que horror!

Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.

Ontem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a “inépcia” do ENEM.

A Folha (**), se entende.

Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha, que foi devidamente afastada da concorrência deste ano.

O Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM.

Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.

Por que o Estadão, a Folha (**) e o Serra são contra o ENEM ?

Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o “fracasso” do Governo Lula.

Qual é o problema deles com o ENEM ?

O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora.

O que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.

Antes – como em São Paulo, hoje – cada “coronel” faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos o Di Gênio.

De Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes !

30 vezes, amigo navegante.

Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje.

É sempre assim.

O Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias.

O do Lula, que virou “Bolsa Esmola”, segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.

O que é o ENEM ?

É o passaporte do pobre à universidade pública.

É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENNEM.

Porque esse negócio de pobre estudar é um problema.

Fica com mania de grandeza, de autonomia.

Pensa que pode mandar no seu destino.

E não acredita mais na fita adesiva do “perito” Molina.

Isso é um perigo.

Pobre é para ficar na senzala.

50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM.

Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM.

Em 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM.

Aí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a “faculdade de pobre burro”).

Sabe o que aconteceu, amigo navegante ?

O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos.

Quanto pobre !

Para o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES.

Vai ser outro horror !

Mais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público.

Um horror !

Tudo público.

ENEM, faculdade, financiamento …

“Público” quer dizer “de todos”.

Amigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM ?

Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar.

Foi o Nordeste !

Que horror !

Já imaginou, amigo navegante ?

Nordestino pobre com diploma de engenheiro ?

Nordestina pobre com diploma de médica ?

Vai faltar pedreiro.

Empregada doméstica.

Aí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo.