Futebol filosófico


Gosto de futebol. Gostava de jogar… Coisa que, infelizmente, não posso mais fazer por problemas físicos. E até que não era tão ruim em campo. Fui “centroavante” (os mais novos talvez nem saibam o que é isso!) do Aimoré – não o de São Leopoldo, mas o de Vila Flores – durante vários anos. Bons tempos…
Agora, o que me resta, é assistir os jogos, de preferência os de campeonatos europeus, onde estão os melhores jogadores brasileiros. O Campeonato Brasileiro até que está resgatando um pouco de sua dignidade na medida em que vai se consolidando o sistema de pontos corridos e alguns clubes começam a ter um planejamento a longo prazo, tipo São Caetano, o ex-Grêmio Barueri e o São Paulo.
Aqui no Rio Grande do Sul, o que resta é o futebol de várzea. Ir a um campinho – os que ainda existem – na periferia de Porto Alegre ou de qualquer outra cidade do interior, é a única possibilidade de se ver um futebol agradável, divertido e de paixão.
Mas o que queria comentar aqui são frases pronunciadas nestes últimos dias por dois jogadores do Internacional.
Uma, a do atacante (ia escrever “centroavante”, mas isso já não existe mais…) Walter, do Internacional. Tentando explicar o seu sumiço, disse que foi por não estar sendo valorizado. Estava ganhando “só” quinze mil reais por mês… Indagado pelo repórter sobre se esta quantia não era suficiente, ele respondeu que “quanto mais se ganha, mais se precisa”!
Não sei se o Walter – que, diga-se de passagem, é um excelente jogador – fez a afirmação pensando em toda a sua consistência. Consciente ou não, ele desvelou o coração do sistema capitalistan que reside em acumular infinitamente tudo o que é possível acumular. E até o que é impossível acumular, como alegria, prazer, amizade e felicidade. E, como o sistema nos faz pensar que tudo pode ser comprado com dinheiro, precisamos dele sempre mais para comprar o incomprável…
A outra frase é do Andrezinho, também jogador do Internacional. Não é um jogador ruim. Nem um craque. Um mediano jogador… Excelente cobrador de faltas. O que não gosto no estilo dele é a enrolação. Falta a objetividade que tinha um Falcão, Zico ou Sócrates (dos grandes que eu vi jogar). No retorno do intervalo do jogo contra o Caxia em que o Inter perdir por 1 X 0, Andrezinho disse a um repórter que era possível virar o jogo mas que, “antes de fazer o segundo, o Inter tinha que fazer o primeiro”. A frase até hoje me intriga. Pensei muito nela e não consegui entender o que ele queria dizer. Ou temos aí um novo Aristóteles ou temos a explicação para uma das causas das dificuldades do futebol brasileiro. Me ajude o leitor a entender!…

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