Arquivo mensal: junho 2010

Luigi Padovese, bispo capuchinho na Turquia, é assassinado

Mgr Luigi Padovese, bishop of Iskenderun, in Anatolia, was killed today around 1 pm.

A priest friend had just met and spoken to him right after 12 o’clock.

The prelate’s driver and aide, a Muslim who had worked for the prelate for some time, is thought to have attacked the bishop with a knife.

Eyewitnesses said that the driver appeared “depressed, violent and threatening” in recent days.

Mgr Padovese, 63, was appointed Apostolic Vicar to Anatolia in 2004.

Currently, he was the president of the Catholic Bishops’ Conference of Turkey.

He was closely involved in ecumenical work and in the dialogue with Islam as well working to revive Turkey’s Christian communities.

He had met Turkish authorities yesterday to discuss problems affecting Christian minorities.

He was supposed to visit Cyprus tomorrow to meet Benedict XVI who is visiting the island where he will issue the Instrumentum Laboris for the Synod for the Churches of the Middle East.

This is not the first time that the Catholic Church in Turkey is the subject of threats, violence and death.

In 2006, a Fidei Donum priest, Fr Andrea Santoro, was assassinated in Trabzon.

In 2006, during the memorial Mass for the murdered priest, Mgr Padovese said, “we forgive whoever carried out this act. It is not by destroying someone who holds opposing views that conflicts can be resolved. The only path that must be taken is that of dialogue, of reciprocal recognition, of closeness and friendliness. But as long as television programs and newspaper articles produce material that shine a bad light on Christians and show them as enemies of Islam (and vice versa), how can we imagine a climate of peace?” Always talking about Fr Santoro, he added, “Whoever wanted to erase his physical presence does not know that his witness is now even stronger.”

Fr Federico Lombardi, director of the Holy See Press Office, said, “What has happened is terrible if we think about other examples of bloodshed in Turkey, like the murder of Fr Santoro a few years ago. [. . .] Let us pray that the Lord may reward him for his great service to the Church and that Christians not be discouraged,” but instead “follow his strong witness and continue to profess their faith in the region.”

Uma preparação um tanto esquizofrênica

Problemas com a imprensa e amistoso milionário contra país de ditador fazem parte da estranha preparação da seleção de Dunga para a Copa do Mundo

Tudo começou no dia 11 de maio quando o ex-capitão Dunga convocou os seus 23 preferidos para vestir o fardamento canarinho na primeira Copa do Mundo Fifa a ser realizada em território africano. Enquanto todos pediam os meninos Ganso e Neymar que brilhavam no Santos, as surpresas foram Kléberson, reserva do Flamengo, e Grafite, que jogou apenas 15 minutos num amistoso contra a Irlanda e deu um passe de calcanhar para Robinho marcar.

Dunga exaltou o patriotismo e disse não saber afirmar se os períodos da ditadura e da escravidão foram ruins porque não os viveu. Invocou a dedicação para justificar a presença de jogadores de futebol duvidável como Doni, Gilberto, Josué, Gilberto Silva, Felipe Mello, Julio Batista, Elano… dai já vai praticamente metade da patota.

No dia 21 de maio, a seleção da CBF começou a sua preparação para a Copa no Centro de Treinamento do Caju, do Clube Atlético Paranaense. Dizem a más línguas, que o fato de a seleção ter o Caju como base de treinamento fez parte do acordo para o Atlético-PR votar no candidato da CBF Kléber Leite, na eleição dos Clube dos 13, em abril.

Contudo o que se viu nesse período em que o time de Dunga esteve treinando no Brasil foi tudo menos os jogadores e futebol. Portões fechados para a imprensa e a torcida. Protestos e revolta por parte dos fãs curitibanos que queriam ver os seus ídolos de perto. Permissão concedida pela cúpula da comissão técnica apenas no último dia em Curitiba. Problema resolvido com o povo, deve ter pensado Dunga. Porém a outra parte dos que estavam presentes, para informar o resto da população brasileira, a imprensa, não ficam tão feliz e assim começou um atrito com o “carismático” técnico da seleção que viria se agravar com o tempo.

Em seguida, os jogadores, comissão técnica e o alto escalão da CBF, entre eles o presidente Ricardo Teixeira e o chefe da delegação brasileira na África do Sul, o presidente do Corinthians e amigo pessoal de Teixeira, Andres Sanches – que também votou a favor de Kleber Leite na eleição do Clube dos 13 – viajaram para Brasília. No Palácio do Planalto foram recebidos pelo presidente Lula. Neste encontro duas cenas no mínimo engraçadas: na primeira, na foto geral com todos os jogadores, o presidente Teixeira se viu espremido entre a barriga do presidente Sanches e o ombro do presidente Lula. Na outra, o patriótico e carrancudo Dunga cumprimenta de cara fechada e com a mão no bolso o sorridente presidente da República.

Rumo à África do Sul surgiu um boato de ordem política e organizacional, mas em relação a Copa de 2014 no Brasil. Os amigos Teixeira e Sanches parecem ter trocados figurinhas durante o vôo sobre uma certa construção que abalaria moralmente e politicamente um inimigo em comum: o presidente do São Paulo Futebol Clube, Juvenal Juvêncio. Juvenal, por sinal, estava na chapa vencedora de Fabio Koff na eleição do Clube dos 13. Mas voltando a construção: trata-se da arena multi-uso que seria erguida em São Paulo para servir de abertura para o torneio mundial de 2014. Com essa decisão o Corinthians ganharia de presente o seu tão sonhado estádio e Teixeira acabaria com as esperanças de Juvêncio de ver o Morumbi como abertura para a Copa de 2014. No olho deste furacão, o prefeito Gilberto Kassab por enquanto se esquivou: “nada a declarar”.

Voltando a Dunga e a preparação para a Copa deste ano. A seleção da CBF está hospedada num hotel construído especificamente para o mundial e de acordo com o padrão Dunga de segurança e reclusão. Faz corridas no campo de golfe anexo ao hotel e treina numa escola particular próxima. Todas as instalações utilizadas pelos jogadores e comissão técnica ficam numa área de altíssimo nível na periferia da gélida Joanesburgo, frequentada praticamente apenas por brancos, segregação social herdada do apartheid – período em que essa separação era explicitamente racial.

Como de praxe, a seleção realizará amistosos para servir de preparação técnica antes do início do torneio. Só que neste ano, como também tem sido de praxe por parte da CBF de Teixeira, os amistosos terão interesses econômicos. Juntos, os amistosos contra Zimbábue e Tanzânia arrecadarão aos cofres da entidade 5 milhões de euros. Mesmo tecnicamente, esses jogos são questionáveis porque ambas seleções ficaram longe de se classificar para o Mundial e estão aquém de outros conjuntos nacionais africanos que o Brasil poderia enfrentar como a anfitriã África do Sul e a irmã Angola, que enviaram convites a CBF logo recusados.

O amistoso contra o Zimbábue no dia 2 de junho envolve questões políticas muito delicadas que a seleção brasileira, em fase de preparação para a Copa, não deveria se envolver. O Zimbábue é um dos países mais pobres do mundo, não tem uma moeda corrente própria por causa da incalculável inflação e está sob um sangrento regime de repressão há trinta anos comandado pelo ditador Robert Mugabe, que foi o mais beneficiado pelo amistoso. Mugabe desembolsou milhões de euros para dar um dia de paz e alegria para o seu povo poder ir assistir os “samba boys” brasileiros no estádio Nacional de Harare, capital do país, reformado recentemente com dinheiro e trabalhadores chineses. Na capa de hoje do jornal do governo zimbabuano, o de maior circulação no país, o ditador Mugabe aparece cumprimentando o sorridente Kaká. Vitória de Mugabe.

De volta a Joannesburgo, os jogadores brasileiros realizaram um treinamento no estádio de Glastonbury, em Soweto, bairro pobre da periferia da capital que ficou famoso pela resistência ao apartheid e que tem como morador ilustre o ex-presidente Nelson Mandela. O evento foi organizado pela Fifa e tinha como objetivo aproximar a população mais pobre sul-africana do rico evento que a federação está organizando no país.

Nesta mesma quinta-feira 3, a rixa entre imprensa e comissão técnica teve mais um episódio. O auxiliar Jorginho reclamou que os jornalistas andam apenas criticando e parece que estão torcendo contra a seleção. Revoltado, ressaltou que essa disputa apenas fortalece e não atrapalha. Aparentemente Jorginho e Dunga estão acostumados com a parte da imprensa que tem como slogan “o nosso compromisso é torcer pelo Brasil” e se esqueceu que o papel dos jornalistas não é torcer nem a favor e nem contra, mas de apenas analisar e informar a situação apresentada.

A seleção segue treinando entre a elite até domingo quando parte para a Tanzânia para um novo amistoso contra a seleção local na segunda-feira. Pelo menos na Tanzânia há uma democracia.

Amantes de padres católicos pedem fim de celibato em carta

Representantes de um grupo de mulheres que dizem ter relações sentimentais com sacerdotes católicos divulgaram uma carta aberta que enviaram ao Vaticano para pedir o fim do celibato para os padres.

O grupo é formado por cerca de 40 mulheres de várias cidades da Itália, que tiveram ou ainda têm um relacionamento com padres católicos. Elas se conheceram e se comunicam através da internet.

Elas dividem experiências e pedem orientações. A maioria prefere manter a própria identidade sob sigilo.

Recentemente, 10 mulheres deste grupo escreveram uma carta aberta ao Papa, pedindo que o celibato seja eliminado ou se torne opcional.

“Estamos acostumadas a viver de forma anônima os poucos momentos que os padres nos concedem e vivemos diariamente o medo e as inseguranças dos nossos homens, suprindo suas carências afetivas e sofrendo as consequências da obrigação do celibato”, diz o texto da carta, que foi enviada a 150 órgãos de imprensa italianos.

A carta foi assinada apenas por três mulheres: Antonella Carisio, Maria Grazia Filipucci e Stefania Salomone. As outras preferiram permanecer no anonimato.

“Todos têm medo porque estamos perto do Vaticano. As mulheres, os padres e as pessoas que sabem dos casos preferem não falar. Por causa disso é difícil que na Itália exista uma verdadeira associação, como existe na França, na Suíça ou na Espanha”, disse Stefania Salomone à BBC Brasil.

Embora exista desde 2007, o grupo só ficou conhecido recentemente, devido ao escândalo dos abusos sexuais cometidos por padres católicos.

O celibato foi apontado como uma das possíveis causas dos abusos e a ala progressista da Igreja Católica defende sua abolição. O papa Bento 16, no entanto, reafirmou que o celibato é obrigatório e que seu valor é “sagrado”.

“Quando ouvimos mais uma vez o papa declarar que o celibato é sagrado, decidimos escrever pedindo que ele seja eliminado ou que se torne opcional”, disse Stefania, 42 anos, de Roma.

Ela disse que teve um relacionamento de 5 anos com um sacerdote. Casos como o seu são comuns, segundo ela, embora não sejam divulgados.

“A coisa fundamental é que não se saiba. O superior do religioso não tem interesse de impedir que o padre se encontre com uma mulher ou mesmo com um homem. O problema surge quando isto se torna público, ou quando desta relação nasce um filho. No grupo temos mulheres com filhos de padres.”

Transferência
Quando os casos são descobertos, segundo ela, os clérigos são transferidos para outras dioceses, como ocorreu com um padre brasileiro que teria se envolvido com outra mulher do grupo.

Antonella Carisio, de 42 anos, divorciada, com um filho de 15 anos, diz que teve uma relação de quase dois anos com o sacerdote brasileiro.

O religioso foi transferido para o Brasil, depois que o caso foi descoberto.

“Tenho certeza que ele quis voltar ao Brasil para colocar um fim no nosso relacionamento, que foi muito intenso.”, declarou Antonella à BBC Brasil.

“Todos na minha família o conheciam, até minha avó, e eram cordiais com ele. Chegamos a sair diversas vezes com meu filho, que eu não teria envolvido se não fosse um relacionamento sério”, afirmou Antonella.

A família do sacerdote no Brasil contudo, não sabia de nada. “Seria um choque para sua mãe, familiares e amigos” , diz a italiana.

“Eu estava disposta a ficar a seu lado do mesmo jeito, nunca impus que deixasse o sacerdócio. Seria difícil para ele, que entrou no seminário aos 12 anos de idade e viveu 30 anos nesta condição. Eu teria aceito ficar na sombra”.

Na avaliação de Antonella, os sacerdotes não têm o apoio necessário para enfrentar os problemas ligados à sexualidade e aos sentimentos.

“Nos seminários ensinam apenas a excluir os sentimentos da própria vida e a criar uma parede entre si e os outros. Como podem entender certas situações que nunca viveram?”

De acordo com Stefania Salomone, dificilmente um padre envolvido com uma mulher deixa o sacerdócio.

“A maior parte não abandona o sacerdócio por uma mulher. Preferem ter as duas coisas pois não suportam deixar de ser ministros sagrados para entrar na rotina de um casamento”.

O grupo tem o apoio de outros movimentos católicos que defendem o fim do celibato, como a associação de padres casados e o movimento internacional “Nós somos Igreja” .

Um estudo publicado pela revista Civiltà Cattolica, da Ordem dos Jesuitas, aponta que em 40 anos, de 1964 a 2004, 69 mil padres deixaram o sacerdócio no mundo. A maior parte dos pedidos de dispensa, segundo o estudo, deve-se a situações de instabilidade afetiva.

Bolsa Família aumenta renda de beneficiário em 48%, diz governo

As famílias que recebem os benefícios do Bolsa Família conseguem aumentar seus ganhos mensais em 48% com o programa de distribuição de renda, indica um levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome.

De acordo com o estudo, sem o benefício essas famílias teriam uma renda mensal per capita de R$ 48,69. O ganho, no entanto, sobe para R$ 72,42 quando a ajuda do governo federal é contabilizada.

A pesquisa também traz uma atualização sobre o perfil dos beneficiários. A maior parte das pessoas que compõem essas famílias mora em áreas urbanas (70%), tem casa própria (61,6%), é mulher (54%) e de cor parda (64%).

A família típica do Programa, segundo o estudo, é formada por quatro pessoas, além de ter como responsável legal uma mulher de 37 anos de idade, parda e com a 4ª série do ensino fundamental completa.

Criado em 2003, o Bolsa Família tem cerca de 12 milhões de famílias cadastradas, com um orçamento aproximado de R$ 13 bilhões.