Arquivo mensal: novembro 2010

O diabo e as drogas

A política de riminalização das drogas tem sido um rotundo fracasso. Esta foi uma das conclusões fundamentais do Seminário Internacional O uso e usuários do álcool e outras drogas na contemporaneidade, realizado em Salvador, entre os dias 3 e 6 de novembro, promovido pelo Núcleo de Estudos Avançados Sobre Álcool e outras Drogas e pelo Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD), vinculado à Universidade Federal da Bahia. Para mim, cuja iniciação nas drogas limita-se ao álcool, de preferência vinho, e uma iniciação que nunca extrapolou limites – de mim, dir-se-ia um careta – foi um impressionante aprendizado.

Disse, durante o seminário, que eu estava apenas costeando o alambrado, relembrando expressão muito a gosto do velho e saudoso Leonel Brizola. Estou começando a me aproximar do tema, embalado pelos conhecimentos da psicanalista Maria Luiza Mota Miranda, coordenadora do Núcleo de Estudos Avançados Sobre Álcool e outras Drogas, e do deputado Paulo Teixeira, amigo e companheiro, do PT de São Paulo, um dos conferencistas do encontro. Numa sociedade como a brasileira, dada a uma impressionante hipocrisia e farisaísmo, não é um tema simples de ser abordado.

É só lembrar o que foi a recente campanha presidencial para ver o quanto um tema como esse é explosivo. Afinal, o aborto, ao qual milhares de mulheres de classe média recorrem colocando-se sob cuidados médicos especializados e milhares de mulheres pobres morrem ou têm seqüelas decorrentes de abortos realizados em condições ultrajantes, para compreender como alguns assuntos são tratados como tabus. Serra descarregou toda a sua carga de farisaísmo, de hipocrisia, e só foi constrangido a parar quando revelou-se que sua mulher, Mônica, havia feito um aborto. Se o aborto enfrenta clima tão adverso, imagine a discussão em torno das drogas, especialmente uma discussão que pretenda não deixar o tema vinculado exclusivamente à esfera policial, à repressão violenta, a tratamentos desumanos, à perspectiva pura e simples da proibição.

Disse, durante o seminário, que toda essa política proibitiva, repressiva, estava e está vinculada a uma visão imperial, e vem de longe. Os EUA de há muito trabalham com essa ideia de combate às drogas, e os resultados que colhem são extremamente precários – quase nenhum. Afinal, todos se lembram das conseqüências da Lei Seca, dos anos 30. A proibição do consumo do álcool resultou, a rigor, no fortalecimento da máfia, de métodos criminosos, e não resolveu, de modo nenhum, o problema. Assim, tem acontecido atualmente com as drogas em escala mundial. Se tomamos a América do Sul como exemplo, os EUA têm desenvolvido uma autêntica guerra contra as drogas, e essa guerra não tem implicado em diminuição da oferta da droga, a par de servir de pretexto para a instalação de bases militares no Continente.

A psicanalista Maria Luiza Mota Miranda, na fala de abertura do seminário, lembrava que não há notícias históricas de uma sociedade sem drogas. Parece chocante ouvir isso, mas é absolutamente verdadeiro. E as drogas, com suas propriedades psicoativas, revelaram-se sempre um potente recurso das pessoas para a sobrevivência, pois anestesiam dores das intempéries, da fome e do frio, e constituem solução para a angústia e a dor da existência, como solução momentânea. Como medicamento, alivia tensões, stress, dores, sofrimentos. E ela, provocando, pergunta: o que dizer do vinho, o maior dos afrodisíacos, símbolo do prazer, louvado pelos poetas? E a cocaína, desde há muito inscrita na cultura dos povos, em suas religiões, rituais e no auxílio à força produtiva?

As perguntas de Maria Luiza podem parecer impróprias ou revelar apenas tentações panfletárias, mas não é nem uma coisa, nem outra. Têm absoluta propriedade. Vem de uma especialista que trabalha com o assunto há muito tempo. Ao lado do CETAD, um centro que se dedica ao assunto há mais de 25 anos, sob a dedicada orientação do professor Antonio Nery Filho, que fez a conferência de abertura do seminário sob o título, também aparentemente provocante, O CETAD e sua trajetória de 25 anos no campo da invisibilidade social. E Maria Luiza, na sua postura de questionar, perguntou mais:

Se há tantos séculos e de tantas formas o álcool e as outras drogas perfilam na história dos homens por que o uso dessas substâncias ganha um destaque tão intenso em nossa cultura, transformando-se em fenômeno e em sintoma social contemporâneo, especialmente a partir da segunda metade do século XX?

Para Maria Luiza, a lógica capitalista atual, com o avanço da ciência e da tecnologia, possibilita a transformação de algumas substâncias em negócios de larga escala e de grande valor econômico, entre elas as substâncias psicoativas que hoje ocupam um dos primeiros lugares na economia mundial, junto com a indústria de armas.

Assim, considerar, ainda para acompanhar a palestra de Maria Luiza, os usos intensivos do álcool e outras drogas uma doença sem cura, um desvio de comportamento, uma perversão, transforma a substância em mito, reduz o problema à dimensão clínica, deixando ao indivíduo somente a condição de impotência, sem alternativa senão a da marginalização. E não falamos de alienígenas, de seres distantes de nós, mas de nossos filhos, de nossos amigos, das figuras mais queridas de nossas vidas. As drogas, em suas múltiplas manifestações, as legais, tantas, e as ilegais são parte inseparáveis da vida contemporânea, a par de ter sido parte, também, como já dito, de todos os períodos históricos. Baco nunca nos abandonou, foi sempre um deus generoso, pródigo.

Na sociedade do consumo desenfreado, do gozo sem limites prometido pelo capitalismo, império do valor de troca, para recuperar noção cara ao marxismo, o gozo da droga se adequa como uma luva às leis do mercado. Por tudo isso, a discussão sobre as drogas, sobre essa louca política simplesmente repressiva, precisa ser muito ampliada, e não pode vincular-se a um desespero apocalíptico que muitos querem divulgar, espécie de beco sem saída a que estaríamos condenados, especialmente com a emergência do crack, novo demônio dos nossos tempos.

O buraco é mais embaixo, a discussão tem ir até os fundamentos de nossa sociedade, pensar a própria lógica capitalista, que estimula profundamente o uso das drogas, tanto com a pletora das drogas legais, que vão do álcool à profusão de drogas medicamentosas, até as ilegais, cujo consumo cresce, cresce e cresce, salvo naqueles países onde o consumo foi legalizado ou ao menos uma política menos repressiva foi implantada, a exemplo da Holanda, Portugal e Espanha.

Como estou costeando o alambrado, reflito sobre uma passagem de um livro de Saramago, que li há muito tempo – o título, se me lembro bem é O Evangelho segundo Jesus Cristo. Numa conversa entre Deus, Jesus e Lúcifer, no meio de um lago, ou do mar, não me recordo bem, Lúcifer, diante do mundo de sofrimentos que viria à frente, e Deus podia saber o que viria de sofrimentos na esteira do cristianismo, Lúcifer propõe então a Deus, para evitar todas aquelas dores, que ele voltasse ao aprisco dele, já que antes fora um de seus anjos prediletos. Deus, então, reage: não, de jeito nenhum, eu sem você não sobrevivo. Como faz muito tempo que li, pode haver equívocos, mas é mais ou menos este o raciocínio.

Penso que hoje há um demônio, a necessidade de um demônio, e o demônio deve ter sempre um nome: drogas, drogas ilícitas. E para chegar ainda mais perto do diabo, para ter um alvo, melhor ter u
m nome mais específico, e aí encontraram o crack, que é dada como uma droga mortal, contra a qual nada se pode fazer. E o usuário vira um adereço, uma estatística. Deixa de ser uma pessoa, um ser humano.

Antes, durante décadas, o Império apresentou um demônio ao mundo: o comunismo. Comunista, todos se lembram, comia criancinhas, e agora Serra tentou ressuscitar até a frase pelas palavras de sua mulher. Acabou a guerra fria, e é sempre necessário ter um demônio, mesmo que seja só nas aparências, mesmo que contraditoriamente, seja a partir mesmo do Império que o consumo, o grande negócio das drogas, legais e ilegais, seja tão profundamente estimulado. O diabo necessário agora são as drogas.
É fundamental desmistificá-lo. Trazer o assunto para perto das pessoas. Humanizar o problema. Olhar para os usuários com o carinho necessário. Trabalhar sem preconceitos com a ideia da legalização ou, para dizer de outra forma, quem sabe menos assustadora, com outros paradigmas que não sejam apenas aqueles vinculados à repressão pura e simples.

Costuma-se dizer que o diabo, ele outra vez, mora nos detalhes. Um detalhe simples: como trabalhar contra as drogas, com tanta violência, numa sociedade que nos bombardeia, segundo a segundo, com a promessa do gozo incessante, que se afirma como a sociedade do gozo eterno? Não há possibilidade de discutir a droga sem discutir a permanente droga proposta pela sociedade capitalista, a promessa do gozo sem fim, só possível por minutos no delírio que as muitas drogas possibilitam.

Eliminar as drogas é impossível. Ter outra convivência com elas, não. Esse foi o ensinamento desse oportuno seminário. Agora, nem que a médio prazo, trata-se de tirar conseqüências políticas disso, na esteira do que vem sendo feito na Europa, ou continuar o banho de sangue, cujo exemplo mais próximo de nós, de conseqüências assustadoras, vem sendo dado pelo México, cuja guerra contra as drogas tem implicado num quase genocídio.

Igreja do México permite suspender missas por insegurança no país

Horários de cursos e missas podem ser alterados ou suspensos em estados mais violentos do norte

CIDADE DO MÉXICO- A Conferência do Episcopado Mexicano (CEM) deu liberdade para que os sacerdotes das cidades mais afetadas pela onda de violência suspendam determinados serviços com o fim de “proteger a população”, afirmaram nesta sexta-feira, 12, fontes da instituição.

“Devemos nos antecipar a situações que podem ocorrer, para evitar perigos, e tomar as medidas mais oportunas para proteger a população”, explicou à Efe Manuel Corral, encarregado de Relações Públicas do CEM.

O secretário-geral do CEM bispo de Txcoco, Víctor René Rodríguez, anunciou ontem durante a XC Assembleia Plenária da organização que cada padre pode mudar o horário das missas, cursos e demais atividades vespertinas se considerar necessário, mas que não devem abandonar seus postos em nenhum caso.

Em princípio, a diretriz será aplicável em todos os estados do norte do país, como Tamaulipas, Nuevo León e Sinaloa. No entanto, a situação de outras regiões, como Michoacán, Veracruz e Puebla, já fez com que alguns padres mudassem ou eliminassem horários de missa para prevenir ações violentas.

“Não se trata de uma decisão do sacerdote, mas sim de toda a comunidade de fiéis”, afirmou o porta-voz. Nas tardes e noites, segundo relatou, quando a violência aumenta, “a população está restringindo sua assistência aos serviços religiosos”, o que tem consequências negativas para a igreja, que está recolhendo menos dízimos e doações.

O desemprego derivado da falta de investimentos nas regiões mais inseguras e “a extorsão e corrupção” que assolam os povoados também afeta, os recursos dos fiéis.

O sacerdote recordou que essa situação “não é novidade, vem de tempos atrás e foi aumentando”, e prognosticou que será prolongada durante o que resta do mandato do presidente Felipe Calderón, “enquanto os grupos de delinquentes se multiplicam”.

No início de seu governo, em dezembro de 2006, Calderón lançou uma guerra contra o narcotráfico que já custou a vida de mais de 30 mil pessoas, mortas em ações atribuídas ao crime organizado.


Cinco bispos anglicanos anunciam conversão ao catolicismo

o bispo Andrew Burnham

Bispo Andrew Burnham criticou rumos da Igreja Anglicana

Três bispos anglicanos em atividade e dois bispos aposentados vão passar a servir à Igreja Católica, informou o Vaticano nesta segunda-feira.

Os bispos estão deixando a Igreja Anglicana por divergências quanto à ordenação de homossexuais e mulheres, o que contraria os sacerdotes mais tradicionais.

Na tentativa de abrigar os descontentes com a Igreja Anglicana, a Santa Sé autorizou a adesão dos bispos anglicanos ao catolicismo, apesar de alguns serem casados e pais de família.

Em decisão de 2009, o Vaticano havia dito que padres anglicanos casados que queiram se converter terão seus pedidos analisados, caso a caso. Mas advertiu que isso não significava uma mudança na condição de celibato entre seus padres.

A Conferência de Bispos Católicos britânica disse que fará uma plenária no mês que vem para discutir a ordenação dos cinco anglicanos, mas já lhes deu as boas-vindas.

Já o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, líder espiritual da Igreja Anglicana, lamentou as renúncias dos bispos, mas desejou-lhes sorte “na próxima etapa de seu serviço à Igreja”.

Divergências

Robert Pigott, analista de assuntos religiosos da BBC, diz que a renúncia dos anglicanos não é surpreendente.

Os bispos em questão – Andrew Burnham, Keith Newton e John Broadhurst, em atividade, e Edwin Barnes e David Silk, aposentados – já cuidavam de paróquias “que não aceitavam a decisão de 1992 da Igreja de ordenar mulheres ao sacerdócio”, diz Pigott.

No entanto, como os bispos têm cargos de destaque na hierarquia da Igreja, sua decisão é um marco importante e pode influenciar a saída de outros sacerdotes.

Os tradicionalistas advogam que, segundo a crença de que Jesus escolheu homens para serem seus apóstolos – e, portanto, liderarem a Igreja -, as mulheres não podem cumprir esse papel.

Em entrevista à BBC, Burnham disse que a ordenação feminina era um ponto importante de discórdia, mas atribuiu sua decisão de “aceitar o convite do papa” por achar que a Igreja Anglicana está se afastando de seus princípios e “fazendo suas próprias regras”.

Em comunicado, os cinco bispos dissidentes haviam dito que repudiavam o “distanciamento” crescente entre anglicanos e católicos.

Vaticano irá realizar cúpula para discutir casos de abusos sexuais

O papa Bento 16 irá reunir cardeais do mundo todo em Roma na próxima semana para discutir escândalos sexuais envolvendo membros da Igreja Católica, além de outras questões envolvendo a instituição, informou o Vaticano nesta segunda-feira. A cúpula — que ocorrerá no próximo dia 19– será presidida pelo cardeal americano William Levada.

A reunião será um dia antes da cerimônia em que Bento 16 irá nomear 24 novos cardeais, e da qual costumam participar membros do alto clero do mundo todo. De acordo com o Vaticano, a cúpula será um dia de “reflexão e orações”, que também incluirá discussões sobre a ameaça à liberdade religiosa, a relação com outras religiões e os procedimentos que devem ser seguidos para que anglicanos insatisfeitos possam se integrar à Igreja Católica.

Nesta segunda-feira, cinco bispos ingleses anunciaram que iriam se converter ao catolicismo, depois do convite de Bento 16 para a integração dos anglicanos.

Alegações de abusos contra clérigos tomaram dimensão internacional, com a revelação de milhares de supostas vítimas e de indícios de que inúmeros casos foram acobertados pelo Vaticano durante décadas. As revelações abalaram a igreja neste ano, particularmente na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália.

Desde a eclosão de uma série de escândalos em vários países neste ano, e sob fortes críticas de que o Vaticano teria feito vistas grossas, o papa tem feito reiteradas declarações públicas condenando os casos. Ele já admitiu que a Igreja não tomou medidas suficientes para deter os abusos e se reuniu com vítimas do mundo todo, prometendo combater a ocorrência de novos abusos.

No mês passado, ele disse que os abusos são “absolutamente reprováveis”, mas não podem desacreditar a missão sacerdotal, e que na vida celibatária se pode viver “uma humanidade autêntica, pura e madura”.

Em visita ao Reino Unido em setembro, Bento 16 já havia condenado a “perversão” de sacerdotes e lamentado a falta de vigilância da igreja para os casos de pedofilia. Em junho deste ano, ele chegou a “implorar perdão” a Deus e às vítimas de abusos sexuais por sacerdotes.

Bernie McDaid e Gary Bergeron, fundadores do site de vítimas de abusos (www.survivorsvoice.org), disseram na última sexta-feira (5), em coletiva de imprensa, que iniciariam uma petição para que a Organização das Nações Unidas considere a pedofilia sistêmica um crime contra a humanidade.

“Não somos aleijados. Somos pessoas feridas e que agora estão dispostas a falar sobre isso. A culpa e a vergonha estão encobertas”, afirmou McDaid, que se tornou uma das primeiras vítimas de abuso a se encontrar com o papa, em Washington, há dois anos.

O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres

O Estadão de hoje dedica a capa e duas páginas – A15 e A16 a desmoralizar o ENEM.

Uma desmoralização arrasadora.

É porque 0,04% dos alunos VOLUNTARIAMENTE inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta.

0,04% !

Que horror!

Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.

Ontem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a “inépcia” do ENEM.

A Folha (**), se entende.

Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha, que foi devidamente afastada da concorrência deste ano.

O Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM.

Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.

Por que o Estadão, a Folha (**) e o Serra são contra o ENEM ?

Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o “fracasso” do Governo Lula.

Qual é o problema deles com o ENEM ?

O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora.

O que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.

Antes – como em São Paulo, hoje – cada “coronel” faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos o Di Gênio.

De Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes !

30 vezes, amigo navegante.

Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje.

É sempre assim.

O Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias.

O do Lula, que virou “Bolsa Esmola”, segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.

O que é o ENEM ?

É o passaporte do pobre à universidade pública.

É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENNEM.

Porque esse negócio de pobre estudar é um problema.

Fica com mania de grandeza, de autonomia.

Pensa que pode mandar no seu destino.

E não acredita mais na fita adesiva do “perito” Molina.

Isso é um perigo.

Pobre é para ficar na senzala.

50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM.

Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM.

Em 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM.

Aí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a “faculdade de pobre burro”).

Sabe o que aconteceu, amigo navegante ?

O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos.

Quanto pobre !

Para o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES.

Vai ser outro horror !

Mais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público.

Um horror !

Tudo público.

ENEM, faculdade, financiamento …

“Público” quer dizer “de todos”.

Amigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM ?

Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar.

Foi o Nordeste !

Que horror !

Já imaginou, amigo navegante ?

Nordestino pobre com diploma de engenheiro ?

Nordestina pobre com diploma de médica ?

Vai faltar pedreiro.

Empregada doméstica.

Aí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo.

Visita do papa gera protestos e polêmicas na Espanha

Papa Bento 16

O papa Bento 16 chega neste sábado à Espanha para uma visita de 32 horas que já vem sendo marcada por protestos e polêmicas.

O pontífice – que já esteve em 2006 na Espanha – irá no sábado visitar a cidade de Santiago de Compostela, no noroeste do país, e no domingo vai a Barcelona, onde consagrará o templo da Sagrada Família, que passará a ser uma basílica após 128 anos de construção.

Segundo artigo publicado no jornal El Mundo, na região de Castela e Leão (norte do país), os bispos e arcebispos locais manifestaram sua “alegria” com a visita do pontífice, afirmando que ela reforçará a fé cristã no país.

O grupo católico conservador Ecclesia reuniu mais de mil assinaturas de personalidades que “agradecem a visita num momento de grave crise econômica e social que afunda o país em uma profunda crise moral”, disse à BBC Brasil Maria Pelayo, uma das promotoras do abaixo-assinado de boas-vindas.

Na Catalunha (região do nordeste da Espanha onde fica Barcelona), um grupo de 36 personalidades civis e eclesiásticas também veio a público com um manifesto de apoio e boas-vindas ao papa.

Mas pelo menos 147 instituições católicas condenam a visita e desde quinta-feira, mais de 70 organizações civis já vem realizando protestos.

A posição da igreja em relação a assuntos como o aborto, os gastos com a viagem do papa (que custará ao governo espanhol R$ 7 milhões) e a forma como vem sendo apuradas as suspeitas de abusos sexuais atribuídos a sacerdotes católicos são alguns dos motivos que mobilizam os manifestantes.

Abusos

O teólogo e presidente da organização Redes Cristãs, Evaristo Villar, representante de 147 instituições católicas contrárias à visita, considera a viagem “uma tentativa do Vaticano de mostrar poder e desafiar o Estado perante leis como a do aborto, casamento gay e a futura lei de liberdade religiosa”.

Pelo menos cem das pessoas que se opõem à vinda do papa se declaram vítimas de pedofilia dentro da Igreja e pedem o afastamento de Bento 16, considerando-o último responsável pelos crimes.

“Não o único, mas sim o último. É preciso que os maiores dirigentes de uma organização claramente piramidal assumam suas responsabilidades”, disse à BBC Brasil o presidente da associação Igreja Sem Abusos, Carlos Sánchez Mato.

O país tem menos casos divulgados de pedofilia do que outros países, como os Estados Unidos, onde há mais de 4,5 mil sentenças a favor de vítimas.

O ex-professor de catecismo Sánchez Mato disse que as vítimas de abuso cometidos por religiosos na Espanha “não se atrevem (a reclamar na Espanha) por medo de pressões, por acreditar que não conseguirão nada e porque aqui a Igreja ainda manda muito”.

“O que pedimos é que haja investigação. Na Bélgica houve e apareceram 1,5 mil casos”, diz Mato.

Para a Igreja Católica espanhola nem há tantos casos nem tanta razão para reclamar. Essa foi a razão alegada para o papa não se encontrar com vítimas de abusos sexuais durante a viagem à Espanha.

“Não nos consta que existam tanto pedidos de encontros ou denúncias”, disse à BBC Brasil a assessoria de imprensa da Conferência Episcopal da Espanha.

‘Habemus party’

As 70 organizações civis que já vem protestando contra a visita reúnem ativistas laicos, sindicatos e associações de defesa dos direitos dos homossexuais.

Na quinta-feira, eles iniciaram as manifestações do “Habemus Party” – um trocadilho misturando a frase usada no anúncio de um novo papa no Vaticano (Habemus Papa) com a palavra inglesa party, que significa festa.

Os organizadores convocaram a população para atos simbólicos polêmicos como um encontro de mulheres vestidas de prostitutas e um “beijaço” de homossexuais nas ruas próximas à catedral de Barcelona no momento em que o Papa estiver na Sagrada Família.

Visita do papa gera protestos e polêmicas na Espanha

Papa Bento 16

Associações iniciaram protestos antes da chegada do papa

O papa Bento 16 chega neste sábado à Espanha para uma visita de 32 horas que já vem sendo marcada por protestos e polêmicas.

O pontífice – que já esteve em 2006 na Espanha – irá no sábado visitar a cidade de Santiago de Compostela, no noroeste do país, e no domingo vai a Barcelona, onde consagrará o templo da Sagrada Família, que passará a ser uma basílica após 128 anos de construção.

Segundo artigo publicado no jornal El Mundo, na região de Castela e Leão (norte do país), os bispos e arcebispos locais manifestaram sua “alegria” com a visita do pontífice, afirmando que ela reforçará a fé cristã no país.

O grupo católico conservador Ecclesia reuniu mais de mil assinaturas de personalidades que “agradecem a visita num momento de grave crise econômica e social que afunda o país em uma profunda crise moral”, disse à BBC Brasil Maria Pelayo, uma das promotoras do abaixo-assinado de boas-vindas.

Na Catalunha (região do nordeste da Espanha onde fica Barcelona), um grupo de 36 personalidades civis e eclesiásticas também veio a público com um manifesto de apoio e boas-vindas ao papa.

Mas pelo menos 147 instituições católicas condenam a visita e desde quinta-feira, mais de 70 organizações civis já vem realizando protestos.

A posição da igreja em relação a assuntos como o aborto, os gastos com a viagem do papa (que custará ao governo espanhol R$ 7 milhões) e a forma como vem sendo apuradas as suspeitas de abusos sexuais atribuídos a sacerdotes católicos são alguns dos motivos que mobilizam os manifestantes.

Abusos

Carlos Sánchez Matto, presidente da associaçao Igreja Sem Abusos

Mato diz que foi pressionado para não seguir com denúncias de abusos

O teólogo e presidente da organização Redes Cristãs, Evaristo Villar, representante de 147 instituições católicas contrárias à visita, considera a viagem “uma tentativa do Vaticano de mostrar poder e desafiar o Estado perante leis como a do aborto, casamento gay e a futura lei de liberdade religiosa”.

Pelo menos cem das pessoas que se opõem à vinda do papa se declaram vítimas de pedofilia dentro da Igreja e pedem o afastamento de Bento 16, considerando-o último responsável pelos crimes.

“Não o único, mas sim o último. É preciso que os maiores dirigentes de uma organização claramente piramidal assumam suas responsabilidades”, disse à BBC Brasil o presidente da associação Igreja Sem Abusos, Carlos Sánchez Mato.

O país tem menos casos divulgados de pedofilia do que outros países, como os Estados Unidos, onde há mais de 4,5 mil sentenças a favor de vítimas.

O ex-professor de catecismo Sánchez Mato disse que as vítimas de abuso cometidos por religiosos na Espanha “não se atrevem (a reclamar na Espanha) por medo de pressões, por acreditar que não conseguirão nada e porque aqui a Igreja ainda manda muito”.

“O que pedimos é que haja investigação. Na Bélgica houve e apareceram 1,5 mil casos”, diz Mato.

Para a Igreja Católica espanhola nem há tantos casos nem tanta razão para reclamar. Essa foi a razão alegada para o papa não se encontrar com vítimas de abusos sexuais durante a viagem à Espanha.

“Não nos consta que existam tanto pedidos de encontros ou denúncias”, disse à BBC Brasil a assessoria de imprensa da Conferência Episcopal da Espanha.

‘Habemus party’

As 70 organizações civis que já vem protestando contra a visita reúnem ativistas laicos, sindicatos e associações de defesa dos direitos dos homossexuais.

Na quinta-feira, eles iniciaram as manifestações do “Habemus Party” – um trocadilho misturando a frase usada no anúncio de um novo papa no Vaticano (Habemus Papa) com a palavra inglesa party, que significa festa.

Os organizadores convocaram a população para atos simbólicos polêmicos como um encontro de mulheres vestidas de prostitutas e um “beijaço” de homossexuais nas ruas próximas à catedral de Barcelona no momento em que o Papa estiver na Sagrada Família.

A "igreja moderada" e o sertão moderno

O presidente da CNBB e arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha

O presidente da CNBB e arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha

Edmilson Lopes Júnior
De Natal (RN)

Não é raro, nas coberturas jornalísticas sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), referências a uma ala “moderada” da Igreja. Esta se caracterizaria por um prudente distanciamento tanto do cada vez mais minoritário setor identificado com a esquerda e também com os setores mais abertamente identificados como conservadores. Esse esquema simplista, embora não traduza bem a pluralidade da CNBB, fornece ao menos um indicativo do que ocorre no mundo mais rico, complexo e contraditório da igreja hegemônica no país. E, em verdade, não há porque se esperar algo muito mais sofisticado em se tratando de coberturas destinadas ao grande público. O problema, aí sim, é quando essa enviesada radiografia da Igreja Católica alicerça análises políticas. E, muito particularmente, avaliações sobre os seus supostos impactos no processo eleitoral.

Gostem ou não os “bem pensantes”, reprodutores de lugares-comuns a respeito do comportamento eleitoral dos brasileiros, os eleitores têm, ao contrário do que acreditam muitos, produzido escolhas racionais e reflexivas nas últimas eleições. Nessas escolhas, a contribuição da Igreja Católica, especialmente no vasto território do semi-árido nordestino, não tem sido devidamente avaliada. O seu distanciamento do proselitismo político cria a falsa impressão de que o trabalho desenvolvido pela Igreja Católica no interior do Nordeste não tenha tido um peso significativo no apoio ao Governo Lula e na grande votação obtida por Dilma Rousseff nos municípios sertanejos.

Nas dioceses do semi-árido, durante décadas, bispos, padres e freiras têm buscado afirmar o seu compromisso cristão através do “exemplo”, não da retórica. Daí o distanciamento cuidadoso que têm tido em relação à produção discursiva da esquerda tradicional. Embora dialoguem com sindicalistas e militantes da esquerda, esses religiosos procuraram, ao longo dos anos, afirmar outros valores. Dentre estes, “alívios” concretos para “o sofrimento do povo de Deus”. A ausência de proselitismo político, e a desautorização da militância pastoral esquerdista, alimentam, em analistas superficiais, a visão de uma prática religiosa “apolítica” e sem impactos eleitorais vistosos. Nada mais equivocado!

As idéias e valores expressos nas práticas desses religiosos foram incorporados reflexivamente pela vasta população católica do interior do Nordeste. Durante um longo tempo, nas emissoras de rádio da Igreja, ainda detentoras de grande audiências sertão afora, e nas missas e encontros religiosos, as pessoas foram estimuladas a prática do “ver, julgar e agir”. A não se deixar encantar pelos belos discursos. A noção de que o “exemplo” vale mais do que mil palavras, por exemplo, orienta as avaliações desses eleitores. Em um universo social no qual a “fala bonita dos doutores” sempre mereceu desconfiança, essa pregação encontrou terreno fértil.

Para esses religiosos, grande parte deles catalogados como “moderados”, a própria relação com o sagrado tem sido objeto de uma reflexão socializada com os fieis. Cultiva-se, nesse meio, uma condenação à utilização da fé para outros meios. O que, à primeira vista, pareceria alimentar o apoliticismo, serve, na verdade, como uma vacina contra a introdução de temas religiosos na disputa eleitoral.

Para falar na língua da sociologia, a atuação da “igreja moderada” no interior do Nordeste, tem contribuído, como conseqüência não-intencional, para a emergência de um eleitorado mais reflexivo, mais atento aos interesses em jogo e muito ciente de quais as apostas que valem a pena. Em uma obra seminal para a sociologia, publicada no início do século XX, Max Weber apontou como a “ética protestante”, como um efeito não intencional, alimentou o racionalismo característico do “moderno capitalismo”. No início do século XXI, a senda analítica aberta pelo cientista social alemão talvez possa iluminar como uma prática religiosa tida como “moderada” e tradicional está alimentando uma prática política marcadamente moderna em um vasto território comumente descrito nos discursos carregados de etnocentrismo de classe média, como “grotões”.

Edmilson Lopes Júnior é professor de sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).