‘Invasão’ de cultura e cidadania no Complexo do Alemão (RJ)

Os 33 anos de sacrifícios de tia Beth na luta contra a violência e miséria foram recompensados nesta segunda-feira (10/1) com a visita da ministra Ana de Hollanda (Cultura) ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro (RJ), onde assinou a criação do segundo Ponto de Cultura da comunidade. Esse novo equipamento no local beneficiará o projeto Oca dos Curumins, que tia Beth toca desde 1977, alfabetizando e oferecendo atividades esportivas e culturais para crianças e jovens.

O projeto nasceu na sala da casa de sua mãe, cresceu e hoje atende 300 meninos e meninas da comunidade, oferecendo atividades esportivas, artesanato, aulas de inglês e reforço escolar. Com o apoio do Ministério da Cultura, tia Beth — que chegou ao Complexo do Alemão aos 10 anos de idade junto com os pais e os cinco irmãos — acredita que irá, no mínimo, triplicar o número de beneficiados. Nos próximos três anos, o projeto receberá R$ 180 mil:

Muda muito, porque vamos ter uma estrutura para desenvolver as ações já existentes, implantar novos projetos e atender muitos outros interessados. E vou dizer: nesses mais de 30 anos, percebi que a Cultura é um divisor de águas na vida dos meninos. Através da cultura, melhoramos a saúde, educação, e promovemos a cidadania. É maravilhoso.

O Complexo do Alemão, antes considerado quartel-general da principal facção criminosa do Rio de Janeiro, foi ocupado pela polícia e pelo Exército no dia 28 de novembro de 2010 e desde então vem procurando meios para transformar sua realidade — e a cultura é um dos mais poderosos agentes dessa transformação. “Decidi ter como minha primeira agenda pública a visita ao Complexo do Alemão, pela importância simbólica e fundamental que a cultura tem no combate à violência”, afirmou, destacando que acompanhou de perto a vitória contra o tráfico, “uma vitória do cidadão junto com o Estado brasileiro”. Segundo a ministra, a cultura tem uma função a cumprir nesse processo: dar as ferramentas para que as comunidades possam ser autoras na transformação de sua realidade e na promoção de uma cultura de paz.

“A experiência dos Pontos de Cultura é fundamental, como a presença do Estado nesses territórios ao reconhecer e potencializar o trabalho dessas comunidades pela sedimentação da paz.”

Os Pontos de Cultura são um projeto do Ministério da Cultura, por meio do qual organizações não governamentais de todo o país recebem recursos federais para desenvolver projetos na área. O outro Ponto de Cultura do Alemão, Raízes em Movimento, que desenvolve o Projeto Circulando, de pintura com grafite e de leitura, também foi visitado por Ana de Hollanda.

O coordenador do Instituto Raízes em Movimento, Alan Pinheiro, aposta que em 2011 mais de mil jovens serão beneficiados pelo projeto, praticamente o dobro de 2010, “com a ajuda do Ponto de Cultura”. Desde 2001, o grupo trabalha a questão ambiental, promove atividades esportivas e ações para a educação e cultura, além da capacitação constante de seus integrantes. “O objetivo é formar replicadores e protagonistas sociais dentro da própria comunidade”, avaliou Alan.

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