Arquivo mensal: julho 2012

"Repensemos a posição sobre divorciados e gays"

Com os seus 55 anos, ele é o mais jovem do Colégio Cardinalício e, depois das últimas declarações, também é um dos mais abertos. Em entrevista à revista alemã Die Zeit, Dom Rainer Maria Woelki, arcebispo de Berlim, exortou a Igreja a repensar a doutrina sobre os divorciados em segunda união e os homossexuais.
Falando daqueles que contraem um segundo casamento – para os católicos, essas pessoas não podem ter acesso à Eucaristia, a menos que vivam com o novo cônjuge como irmão e irmã –, o cardeal recordou que o papa deu a Comunhão ao governador da Saxônia, divorciado e que convive com uma outra mulher.
Como padre – disse o arcebispo – devo supor que quem me pede a Eucaristia o faz com o coração puro. Mas não devemos perder de vista aqueles que, reconhecendo a ruptura do seu casamento, se esforçam por conduzir uma vida segundo os ensinamentos da Igreja e não recebem a Comunhão. Desse modo, dão um forte testemunho de fé”.

Woelki também balanceou com relação à homossexualidade. Lembrando que o Catecismo da Igreja Católica estabelece a necessidade de evitar toda marca de discriminação injusta contra gays e lésbicas, o purpurado acrescentou: “Se eu levo a sério o Catecismo, não posso ver as relações homossexuais exclusivamente como negação da lei natural. Eu também busco entender que há pessoas que assumem uma duradoura responsabilidade recíproca, prometem-se fidelidade e querem cuidar uma da outra”. Assim, o apelo final: “Devemos encontrar uma forma de permitir que as pessoas vivam sem ir contra os ensinamentos da Igreja”.
Sucedendo em julho de 2010 ao falecido cardeal Georg Sterzinski, Woelki logo se afastou das simpatias da comunidade LGBT berlinense, definindo a homossexualidade como “uma violação da ordem da criação”. Muitos pensaram que o diálogo entre o mundo gay e a Igreja alemã havia chegado a um beco sem saída. Ao contrário, poucos dias depois da sua primeira exposição sobre o assunto, o arcebispo convocou uma conferência de imprensa muito concorrida, durante a qual voltou atrás, dizendo-se pronto também para debater com os ativistas homossexuais.
E o diálogo aconteceu. No Katholikentag (16 a 20 de maio de 2012), a grande manifestação dos católicos alemães, com mais de 80 mil presenças, Woelki, desde fevereiro elevado à dignidade cardinalícia, disse: “Quando duas pessoas homossexuais assumem a responsabilidade recíproca, se tiverem uma relação fiel e de longo prazo, é preciso considerar essa relação do mesmo modo que um vínculo heterossexual”. Muitos dos presentes não acreditaram em seus próprios ouvidos. Há alguns dias, o arcebispo voltou sobre a questão na entrevista à Die Zeit.
Basicamente, essa é a primeira vez que um cardeal eleitor no próximo conclave se expressa em termos tão claros sobre um assunto tão delicado como a homossexualidade. Mudanças de percurso já haviam sido invocadas pelo cardeal Carlo Maria Martini – que tem mais de 80 anos e, portanto, não envolvido no pós-Ratzinger –, pelo arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, pelo bispo de Ragusa, Paolo Urso, mas nunca pelas primeiras fileiras do Colégio Cardinalício.
Outra coisa é o discurso sobre os divorciados em segunda união. A questão é muito sentida por Bento XVI, e há muito tempo surgem rumores sobre o estudo de uma solução para o problema.

A nota é de Giovanni Panettiere, publicada no blog Pacem in Terris, 09-07-2012 e reproduzido pelo IHU-Unisnos

Watterfall still running!

no preview

Para quem pensava que a cassação de Demóstenes seria um baque para Carlinhos Cachoeira e sua troupe, uma má notícia: Wilder Morais (DEM-GO) é o primeiro suplente de Demóstenes e foi colocado nesse posto pelo empresário Carlinhos Cachoeira, a quem chamava de “Vossa Excelência”. Mais: é ex-marido da atual mulher de Cachoeira! Ou seja, Charles Watterfalls still running!…

Bóson de Higgs

Para os poucos visitantes que me dão a honra de, de vez em quando, passar por aqui e, nos últimos dias, constataram a minha ausência temporária, meu pedido de desculpas com a informação da razão de minha ausência. O que aconteceu é que, há mais ou menos uma semana, passeando pela beira do Guaíba, perto da Usina do Gasômetro, me encontrei com o Sr. Bóson de Higgs. Todos já devem ter ouvido falar dele, com certeza. Também é conhecido por Partícula de Deus. É o cara mais procurado do mundo. Construíram dois grandes laboratórios chamados de “Colisor de Adrons” para tentar achá-lo. Um construído por um consórcio europeu, entre a Suíça e a França. O outro, nos Estados Unidos, com mão de obra mexicana, técnicos indianos e paquistaneses e dinheiro chinês. Enfim, todo mundo tá atras d’Ele.
Pois o Sr. Bóson de Higgs me disse, num português fluente (afinal, se ele é Partícula de Deus e Deus é brasileiro, nada mais normal que fale português) que estava cansado do Big Brother High Tech que montaram para observá-lo e se mandou pro lado debaixo do Equador onde, apesar do país tropical, faz muito frio e a elegância manda que, mesmo num julho de 30 graus, vista-se sobretudo, manta, boné, luva e bota e assim, disfarçado de “portoalegrense mediano”, pudesse ter uma vida normal.
Minha tentação foi perguntar ao Sr. Bóson porque o procuravam tanto se a Partícula de Deus que dizem que ele é pode ser encontrada todos os domingos na Missa que o Padre reza na Igreja das Dores, logo ali na Rua da Praia… Num insante me dei conta de que a herética pergunta poderia ser tomada por ofensiva e me calei. Afinal, um bom portoalegrense deve receber bem os ilustres turistas – estamos treinando para a Copa! – e não fazer perguntas indiscretas.
Enquanto olhava para o lado da Ilha Grande , a dos Marinheiros, para ver como estava o céu e a possibilidade de oferecer ao Sr. Bóson o mais lindo Por de Sol do mundo, nesse meu instante de distração, o ilustre visitando, sem que eu percebesse, tomou emprestado um skate de uma criança e, rapidamente, afastou-se em direção ao Anfiteatro Por-do-sol. Perdi-o de vista e, a partir daquele dia, todas as tardes voltei ao Gasômetro para ver se encontrava o Sr. Bóson. Daí meu pouco tempo para alimentar esta página.
Mas, hoje de manhã, ao lêr a Zero Hora, minha busca foi recompensada. Numa reportagem sobre o México que, com a vitória eleitoral do PRI à Presidência voltou a ter a Democracia Perfeita onde não há necessidade de eleições mas já se sabe de antecedência quem vai ganhar, um grupo de atores amadores leva alegria e diversão aos bairros periféricos da capital com encenações gratuitas de luta livre. Entre os atores, uma figura que reconheci imediatamente: o Sr. Bóson de Higgs. Mesmo que a máscara de lutador não deixasse ver seu rosto, não tive dúvias: lá estava ele, anônimo em meio à multidão que o aplaudia! Deve estar muito feliz…
P.S.: Escrevo este post às 8h30min da manhã. Não tomei nem fumei nada. Ontem foi meu último dia de aula do semestre!…

Um Prefeito amigo da Teologia da Libertação


Dom Gerhard Ludwig Müller, bispo de Regensburg, na Alemanha (Foto: )

Em uma medida amplamente esperada assim como criticamente importante, o Papa Bento XVI nomeou Dom Gerhard Ludwig Müller, bispo de Regensburg, na Alemanha, a suceder o cardeal norte-americano William Levada como prefeito da poderosa Congregação para a Doutrina da Fé.
Dentre outras coisas, a nomeação significa que Müller, 64 anos, será o ator-chave do Vaticano na revisão da Leadership Conference of Women Religious (LCWR) demandada pela Congregação doutrinal em abril.
Alguns observadores acreditam que o fato de o intercâmbio com a LCWR ser agora liderado por um não americano poderá afetar a intensidade do interesse da Congregação, senão até a substância das suas posições.
Levada, que completou 76 anos em junho, liderava a Congregação desde maio de 2005.
O novo czar doutrinal do papa tem um perfil na Alemanha como um acérrimo defensor da ortodoxia católica, embora não um ideólogo. Dentre outras coisas, Müller tem uma forte amizade com o teólogo da libertação peruano Gustavo Gutiérrez.
Müller goza claramente da confiança do papa.
Além do fato de Müller ser o bispo da diocese natal do papa, onde o irmão de Bento XVI, Geörg, ainda reside, ele também é o editor da opera omnia do pontífice, uma coleção abrangente de todos os escritos teológicos do papa. O próprio Müller é um prolífico autor, tendo escrito mais de 400 obras em uma ampla variedade de temas teológicos.
Apesar da sua reputação amplamente conservadora, Müller, de fato, obteve seu doutorado em 1977 orientado pelo então padre Karl Lehmann, que se tornaria o cardeal de Mainz e o líder da ala moderada da Conferência dos Bispos da Alemanha. A tese de Müller foi sobre o famoso teólogo protestante alemão Dietrich Bonhoeffer.
Além disso, Müller também é amigo íntimo de Gutiérrez, amplamente visto como o pai do movimento da teologia da libertação na América Latina. Todos os anos desde 1998, Müller viaja ao Peru para fazer um curso com Gutiérrez e passa algum tempo vivendo com os agricultores em uma paróquia rural, perto da fronteira com a Bolívia.
Em 2008, ele aceitou um doutorado honorário da Pontifícia Universidade Católica do Peru, que é amplamente vista como um bastião da ala progressista da Igreja peruana. Na ocasião, ele elogiou Gutiérrez e defendeu a sua teologia.
“A teologia de Gustavo Gutiérrez, independentemente de como você olha para ela, é ortodoxa porque é ortoprática”, disse ele. “Ela nos ensina a forma correta de agir de uma forma cristã, já que provém da verdadeira fé”.
Houve rumores de que Müller estaria na pole position para assumir a Congregação doutrinal há algum tempo, e no fim do ano passado houve um impulso nos círculos tradicionalistas para tentar bloquear a nomeação. Circularam e-mails sugerindo que Müller, ex-membro da Congregação para a Doutrina da Fé, não era um homem de “doutrina segura”.
Especificamente, os e-mails citavam Müller por ter se somado a posições suspeitas sobre a virgindade de Maria (ele disse em um livro de 2003 que ela não deveria ser entendida em um sentido “fisiológico”), a Eucaristia (Müller, aparentemente, aconselhou contra o uso do termo “corpo e sangue de Cristo” para descrever o pão e o vinho consagrados na missa) e o ecumenismo (em outubro passado, Müller declarou que os protestantes “já fazem parte da Igreja” fundada por Cristo).
Os defensores de Müller argumentaram que, em cada caso, suas palavras foram ou tiradas do contexto ou eram consistentes com o ensino oficial.
Nesse domingo, um líder da fraternidade católica tradicionalista de São Pio X se opôs à nomeação de Müller, citando seus pontos de vista supostamente heterodoxos sobre a virgindade perpétua de Maria.
“Não é aceitável que o líder da Congregação sustente uma heresia”, disse o bispo auxiliar Alfonso de Galarreta, um dos quatro prelados da Fraternidade separatista.
Os comentários foram feitos em uma cerimônia em que Galarreta ordenou dois novos padres para a Fraternidade.
Uma das novas responsabilidades de Müller será administrar as negociações com a Fraternidade São Pio X. Recentemente, o Vaticano anunciou planos para uma prelazia pessoal, ou seja, uma diocese não territorial, para reincorporar os tradicionalistas que desejam voltar à comunhão com Roma.
A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio do jornal National Catholic Reporter, 02-07-2012.