A palavra é pouco usada. Mas existe na Língua Portuguesa. Ela é usada para designar um tipo específico de pirata. Quando ouvimos a palavra pirata, logo vem à mente aquele aventureiro que arregimenta pessoas sem medo da morte e parte pelos mares para saquear navios espanhóis carregados de ouro e prata provenientes das colônias do Novo Mundo. É a imagem cinematográfica e literária. Eles, de fato, existiram. Não só no Atlântico do período colonial. Em todos os tempos, em todos os mares e em todos os lugares. Esse é o pirata genérico.
Existe um tipo específico de pirata. Trata-se do corsário. Eram os que agiam a mando de uma potência para roubar as riquezas de outra potência. Os mais conhecidos para nós brasileiros são os corsários franceses e ingleses que, periodicamente, tentavam se apropriar das riquezas da colônia portuguesa que um dia viria a se tornar Brasil. Suas incursões marítimas e terrestres no Maranhão e Rio de Janeiro ilustram esse modo de proceder.
Um segundo tipo específico de pirata é menos conhecido por nós. São os flibusteiros. A origem da palavra é incerta. Provavelmente provém de um tipo de navio rápido (fly boat em inglês ou vlieboot em neerlandês) utilizado por ingleses e holandeses. Mas os flibusteiros mais conhecidos não são nem ingleses nem holandeses. São norte-americanos. São verdadeiros exércitos armados informalmente pelo governo norte-americano ou por grandes empresas norte-americanas enviados à América Central e do Sul para desestabilizar os governos locais e colocar no poder governantes favoráveis a seus interesses.
A lista dos flibusteiros é longa. Cito aqui, por razões de brevidade, a penas o mais conhecido: William Walker. Assim como Elvis Presley, ele nasceu em Nashville, no Tenessee, no ano de 1824. Depois de uma fracassada tentativa de conquistar os territórios de Sonora e Baixa Califórnia no México, em 1855, dirigiu-se para a Nicarágua e tentou controlar a passagem então existente, através do Rio San Juan e do Lago de Cocibolca, entre o Atlântico e o Pacífico. Para tal, com ajuda de empresas norte-americanas e dos estados sulistas, derrubou o governo nicaraguense e instalou em seu lugar um novo Presidente e, em seguida, assumiu pessoalmente a presidência reinstalando a escravidão que havia sido abolida naquele país em 1824.
Os países vizinhos, Costa Rica e Honduras, sentindo a ameaça da presença de William Walker na Nicarágua, reagiram e, depois de várias batalhas que são consideradas a segunda independência daqueles países, conseguiram expulsar os flibusteiros e seu chefe foi finalmente fuzilado em Tegucigalpa no ano de 1860, aos 34 anos.
Por que trago essa história que a muitos parece irrelevante? É pela razão X. X de Ellon Musk, o flibusteiro do século XXI, o garoto mimado que assumiu publicamente ter financiado um golpe de estado na Bolívia em 2020 e que agora tenta desestabilizar o governo brasileiro não mais usando a força de barcos, cavalos e canhões, mas utilizando o poderia tecnológico de suas empresas de comunicação.
Os tempos passam. Os impérios mudam. As armas para manter a dominação são atualizadas. Mas o desejo de domínio sobre as colônias (antigas e novas), continua. Nenhum império admite que seus colonizados busquem a autonomia. É preciso estar atento a suas forças destruidoras e sedutoras para não cair em nova servidão. Esse é o X da questão.

importante artigo pra consciênciapolítica