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Sobre Vanildo Luiz Zugno

Espaço para publicação de textos teológicos e áreas afins. Aberto a todos aqueles e aquelas que desejam compartilhar suas reflexões e experiências teológicas e religiosas.

Vaticano perde o monopólio da Teologia e esta ciência ganha espaço em centros acadêmicos laicos

Juan G. Bedoya

A teologia, a disciplina acadêmica que já foi considerada a imperatriz das ciências, hoje parece encerrada em uma capela de catequistas que repetem o que o Vaticano decide a cada momento. É só uma aparência. Grandes pensadores cristãos produzem sua obra abrigados em centros universitários laicos, ou publicam em editoras livres do controle eclesiástico. Um exemplo é o teólogo suíço Hans Küng, especialista no Concílio Vaticano 2º junto com Joseph Ratzinger (hoje papa Bento 16). Execrado sem contemplações por Roma, que lhe retirou inclusive a categoria de “teólogo católico”, Küng continua sendo uma referência mundial. No próximo mês de janeiro será investido doutor “honoris causa” pela Universidade à Distância (Uned), por proposta de sua Faculdade de Filosofia.

Na Espanha já funcionam uma dezena de centros superiores onde a teologia ou as ciências das religiões não têm qualquer odor eclesiástico. São cátedras criadas sem interferência religiosa e dirigidas por professores das próprias universidades. Entre outras, contam com centros desse tipo as Universidades Complutense e Carlos 3º (Madri), a Pablo de Olavide (Sevilha), Pompeu Fabra de Barcelona, Universidade de Valência e a cátedra de filosofia da religião e história das religiões na própria Uned.

A perda do tradicional monopólio teológico da hierarquia católica foi pacífica. Ninguém discute mais a competência do Estado para criar faculdades de teologia, muito menos a existência de universidades católicas com o mesmo fim. Nem sempre foi assim. A sabedoria popular, a mais afetada pelas ferozes guerras de religião que assolaram a Europa durante séculos, cunhou a expressão “E se armou a de Deus é Cristo” [um grande alvoroço] para representar as consequências das disputas teológicas sobre se Jesus de Nazaré era filho de Deus e não um simples Messias.

Velhas lembranças da Inquisição, entre outras. Agora a Igreja de Roma tem um núcleo irrenunciável de doutrina e o guarda a sete chaves, sem discussão, mas sem violência. Para fora, entretanto, florescem teólogos que escapam da caverna, livres de ameaças de tortura ou fogueira. São poucos, mas costumam ter o favor do público. É a atração da dissidência.

Entre os que na Espanha pagaram pela ousadia de ser livres destacam-se nos últimos anos José María Díez-Alegría, José María Castillo, Benjamín Forcano, José Antonio Pagola, Juan Masiá e Juan Antonio Estrada, afastados da docência através de processos tortuosos. O último caso é o do teólogo franciscano José Arregi, obrigado a abandonar a congregação de Francisco de Assis para evitar males maiores a seus superiores.

“Humiliter se subiecti” – submeteu-se humildemente. Essa era a fórmula de submissão dos censurados por Roma. Persiste. O Vaticano 2º suprimiu em 1965 o Santo Ofício da Inquisição, mas ressurgiu com força, agora com o nome de Congregação para a Doutrina da Fé. Também há uma latinada para enunciar a nova intransigência. “Roma locuta, causa finita” – uma vez que Roma tenha se pronunciado, o assunto fica decidido. É difícil encontrar outra instituição que trate de modo tão desdenhoso os que defendem outros pontos de vista em suas fileiras.
O Vaticano 2º proclamou que haviam terminado os métodos do Santo Ofício – cruéis, muitas vezes criminosos, com dezenas de milhares de pessoas queimadas vivas ou assassinadas por outros meios -, diante do escândalo de que três dos principais papas do século passado tivessem sido molestados pelo inquisidor de turno como suspeitos de heresia ou desvios pastorais. Foram Bento 15, João 23 e Paulo 6º. Grandes teólogos do famoso concílio também sofreram o indizível nas garras do Santo Ofício. Décadas mais tarde, observaram com estupor que um dos melhores peritos do Vaticano 2º, o alemão Joseph Ratzinger, iria ressuscitar algumas das práticas inquisitoriais repudiadas em 1965.

Foi o cardeal austríaco Franz König quem deu o alarme, e expressou bem alto sua perplexidade. Ele o fez quando Ratzinger caiu sobre o teólogo jesuíta belga Jacques Dupuis por “desvios doutrinários” no livro “Para uma Teologia Cristã do Pluralismo Religioso”. Em uma disputa com Ratzinger muito instigada nos meios católicos, o grande König saiu à forra. “Minha função não consiste em aconselhar à congregação doutrinal, mas não posso permanecer em silêncio porque meu coração se parte quando vejo causar um dano tão evidente ao bem comum da Igreja de Deus. A congregação tem perfeito direito de salvaguardar a fé – embora ainda o fizesse melhor se a promovesse. No presente caso, entretanto, é um sinal de que estão se ampliando a desconfiança e a suspeita sobre um autor que tem as melhores intenções e que adquiriu grandes méritos em seu serviço à Igreja Católica”, escreveu em um depoimento intitulado “Em Defesa do P. Dupuis”.

König, um dos grandes aberturistas do Vaticano 2º, tinha motivos para se dizer escandalizado. Não só estavam pisoteando a proclamação conciliar da liberdade religiosa e de consciência, como a ideia de que se devia proteger o trabalho dos teólogos. König chegou a lembrar a Ratzinger o discurso de Paulo 6º à Cúria Romana em pleno concílio: “Temos de aceitar com humildade a crítica, com reflexão e também com reconhecimento” .

Ratzinger mantinha então a mesma ideia. Escreveu em 1968: “Ainda acima do papa encontra-se a própria consciência, à qual é preciso obedecer primeiro, se for necessário inclusive contra o que diga a autoridade eclesiástica. O que faz falta na Igreja não são panegiristas da ordem estabelecida, mas homens cuja humildade e obediência não sejam menores que sua paixão pela verdade, e que amem a Igreja mais que a comodidade de sua própria carreira”.

Essas palavras foram levadas pelo vento assim que Ratzinger ascendeu em 1981 à presidência da Congregação Doutrinal, convertida pouco a pouco em férrea polícia da fé. Desde então, a teologia é tratada como criada do magistério episcopal.

Obediência e unidade são as palavras que justificam tudo. E também a vontade de Deus. Mas os teólogos não fazem caso. Seguem nisso o Evangelho, mais que a seus superiores. É o que afirma Hans Küng, companheiro e amigo de Ratzinger quando coincidiram como docentes na Universidade de Tubingen, na Alemanha. “Jesus tampouco obedeceu às cegas. Já com 12 anos, no templo, demonstrou que não obedecia cegamente a seus pais.”

A verdade os fará livres, proclama Jesus. É em nome dessa liberdade que o teólogo Küng se rebelou. “Não poderia seguir outro caminho, não só pela liberdade, que sempre me foi querida, como pela verdade, que está acima de minha liberdade. Se o tivesse feito, teria vendido minha alma pelo poder na Igreja.”

Durante séculos a Igreja romana se opôs à tradução dos textos sagrados para as línguas de cada povo. Quando Lutero publicou a Bíblia em alemão, o papa intensificou suas exigências de que levassem a Roma a cabeça do monge agostiniano. Com as ideias de Jesus nas mãos do povo, Roma não poderia justificar seu poder terreno, nem suas pompas e vaidades, nem o afã de dominação ou a marginalização da mulher. Por isso, como afirma Küng, “parece que Jesus goza de maior estima fora da Igreja do que dentro dela”. Acrescenta: “Nunca se pergunta o que Jesus teria feito ou dito; tal pergunta torna-se nesse contexto tão estranha que a maioria as julgaria pouco menos que absurda”.

Foi o que destacou bem alto o teólogo José María Díez-Alegría, expulso da Universidade Pontifícia Gregoriana em Roma e refugiado em uma das barracas do Pozo del Tío Raimundo, junto ao mítico José María Llanos. “Jesus entrou em Jerusalém no lombo
de um burrico. Papas viajam coroados com a tiara pontifícia.”

Não houve um só aspecto da vida em que a Igreja não se considerasse com direito a impor seu ditame. Monarcas autocráticos, os papas praticaram durante séculos a doutrina de Gregório 7º em “Dictatus Papae”, de 1075: só o pontífice romano pode usar insígnias imperiais, “unicamente do papa beijam os pés todos os príncipes”, só a ele compete depor imperadores, suas sentenças não devem ser reformadas por ninguém, enquanto ele pode reformar as de todos.

O último desses imperadores (ou assim se acreditava) foi Pio 12, soberano entre 1939 e 1958. Obcecado pelo protocolo tradicional, os funcionários deviam ajoelhar-se quando o papa começava a falar, dirigir-se a ele ajoelhados e sair do aposento andando para trás.
São lembranças do brasileiro Leonardo Boff, forçado a abandonar a ordem franciscana. “Minha experiência de 20 anos de relação com o poder doutrinário é esta: é cruel e impiedoso. Não esquece nada, não perdoa nada, exige tudo. E para alcançar seu fim toma o tempo necessário e escolhe os meios oportunos.”

Boff nunca esquecerá que inclusive tentaram queimar seus livros. Depois de muitas disputas, silêncios e humilhações, chegou o dia em que teve “a sensação de ter chegado diante de um muro”. Então abandonou também o sacerdócio. “Há momentos em que uma pessoa, para ser fiel a si mesma, tem de mudar. O próprio Jesus foi morto por dizer que nem tudo é lícito neste mundo. Nem tudo é lícito na Igreja. Existem limites intransponíveis: a dignidade e a liberdade da pessoa. Deixei o ministério sacerdotal, não a Igreja. Afastei-me da ordem franciscana, não do sonho terno e fraterno de são Francisco de Assis. A Igreja hierárquica não possui o monopólio dos valores evangélicos, nem a ordem franciscana é a única herdeira do Sol de Assis.”

O hoje papa Bento 16 foi professor de Boff em Munique, Alemanha, e inclusive lhe deu de seu bolso o dinheiro para que pudesse publicar a tese de doutorado porque a considerava uma grande contribuição teológica. “Ratzinger é uma pessoa muito complexa e ao mesmo tempo muito negativa para a Igreja. É um homem muito influenciado pela teologia agostiniana, com uma visão pessimista do ser humano. Não é um homem que ilumine o caminho, mas que o obscurece, impedindo transitar por ele. Duvido que creia no ser humano, e portanto também duvido que confiasse em mim. Por isso me condenou.”

“Gestapo eclesiástica”, “máquina de estrangular”, “camarilha indecente e ignorante”… Esses são alguns qualificativos contra a Inquisição romana na boca do dominicano francês Yves Congar. Afastado do ensino, mandado ao exílio, humilhado, Congar chegou a se sentir destruído, à beira do suicídio. “Desproveram-me de tudo aquilo em que acreditei e a que me entreguei”, disse. Mas resistiu e venceu. Como compensação aos anos de silenciamento e em reconhecimento a sua profundidade teológica (um dos grandes inspiradores do Vaticano 2º), João Paulo 2º o fez cardeal em 1994. De Congar é esta frase: “Pode-se condenar uma solução, mas não se pode condenar um problema”.

O jesuíta Juan Masiá, expulso da cátedra de bioética na Universidade Pontifícia de Comillas, afirma que a Igreja Católica fala de direitos humanos para fora, mas não os respeita dentro. “Renunciar ao espírito inquisitorial é uma questão pendente. Quando impera um sistema de pensar – na realidade, de não pensar – estritamente regulamentado pelos cânones da ortodoxia, quem quiser subir em sua ordenação não terá outro recurso além de calar-se. A perfeita ortodoxia levada ao extremo daria destaque ao silêncio e notabilidade à repetição de papagaio; uma aprovação por pouco a quem insinuar timidamente perguntas proibidas. E certamente uma suspensão a toda divergência, por mais fiel, responsável, inteligente, meditada e ponderada que seja.”

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

"Preconceito nunca se apresenta claramente", diz 1º embaixador negro do Brasil; leia relato

Meu pai foi agente de portaria, um contínuo (…) O preconceito nunca se apresenta claramente. No campo das relações humanas, você nota reação positiva ou negativa (…) É preciso que haja ações afirmativas (…) Eu não me beneficiei de nenhuma política. Na minha época, isso não havia.

Filho de um contínuo, Benedicto Fonseca Filho, 47, foi promovido em dezembro a embaixador, o primeiro negro de carreira. E o mais jovem. Passou por Buenos Aires, Tel Aviv e Nova York. Vai chefiar o departamento de Ciência e Tecnologia. Ele declara orgulho de ser negro e filho de pais humildes que o educaram para chegar ao topo na casa mais aristocrática do país.

Nasci no Rio, em 1963. Mudei para Brasília em 1970 porque meu pai veio ser funcionário do Itamaraty. Ele foi agente de portaria, que é um contínuo. Quando eu tinha nove anos, toda a família foi para a [antiga] Checoslováquia [no leste europeu], quando meu pai foi removido para Praga por três anos.

Sergio Lima/Folhapress
Embaixador Benedicto Fonseca Filho, na escadaria do Itamaraty, em Brasília
Embaixador Benedicto Fonseca Filho, na escadaria do Itamaraty, em Brasília

Naquele tempo, todos os funcionários das embaixadas eram de carreira. Hoje, esses são terceirizados. Foi essa experiência internacional que me despertou o interesse pelo Itamaraty. Talvez por ter estudado em escolas internacionais, na escola francesa e na americana.

Meu pai e minha mãe, na sua humildade, nunca pouparam esforços para nos proporcionar as melhores condições de estudo.

Hoje, meu pai tem 84 anos, já é aposentado há 14. Minha maior satisfação foi eu ser promovido com ele ainda vivo. Ele ficou tão ou mais contente do que eu.

Fiz o concurso [do Itamaraty] em 1985 e entrei de primeira, aos 22 anos. Quando saiu a lista dos aprovados, um jornal de Brasília fez uma matéria que dizia: “Mulher e negro passam em primeiro lugar no Rio Branco”. A mulher foi o primeiro lugar e eu, o segundo.

Vinte e cinco anos depois, uma mulher passar em primeiro lugar já não causa tanto espanto. Naquela época, tinha só uma mulher embaixadora.

Hoje, são várias mulheres embaixadoras, acho que 20, ocupando postos importantes. Talvez chame muito mais atenção quando um negro ascende na carreira do que uma mulher.

Em relação à diversidade racial já avançamos muito, mas ainda temos muito que avançar. Houve um olhar para essa questão na gestão do ministro Celso Amorim.

PRECONCEITO

O preconceito nunca se apresenta claramente. No campo das relações humanas, você nota reação positiva ou negativa das pessoas.

Mas seria leviano dizer que eu experimentei uma situação que pudesse identificar como preconceito [no Itamaraty]. Nunca houve.

Me lembro de um caso [de reação positiva]. A primeira vez que fui à ONU em 2004, um colega do Caribe me chamou no canto para dizer que pela primeira vez via um diplomata negro na delegação brasileira.

Ele enfatizou: “It’s the first time ever, ever. We are proud” [É a primeira vez. Estamos orgulhosos].

Eu faço um paralelo com os EUA, que tiveram um sistema de cotas importante para criar uma classe média negra que se autossustenta, que agora pode seguir em frente sem a necessidade de políticas diferenciadas.

No Brasil, as cotas das universidades vão produzir uma diversidade salutar.

COTAS NO ITAMARATY

É preciso haver políticas de ação afirmativa. No ministério, damos bolsas para proporcionar condições financeiras adequadas para que os afrodescendentes se preparem, o que tem tido um resultado muito positivo.

O objetivo é dar condições para pessoas que têm talento. Algumas vezes é visto como se estivessem recebendo um privilégio. Temos o cuidado de preservar as condições de preparação.

Eu não me beneficiei de nenhuma política. Na época, não havia. Mas olhando retrospectivamente, creio que me beneficiei de certas circunstâncias.

Tive oportunidades que raramente os negros têm. Morei no exterior, estudei idiomas com a ajuda do Itamaraty, porque ajudavam nos estudos dos filhos dos funcionários.

Os críticos das cotas têm uma contribuição que não é irrelevante. Eles dizem que, cientificamente, não há raças, não há diferenças entre brancos e negros.

É uma desmistificação para quem acha que há diferenças intrínsecas. Mas há uma falha no argumento. Do ponto de vista humano e das relações sociais, existem diferenças.

Basta ver os índices sociais, condições de saúde e de moradia para ver que existe um problema. Isso não é tratado de maneira séria e aprofundada [pelos críticos].

Nosso país tem muitos passivos. A preocupação social e racial tem que andar lado a lado. Ou deixamos as coisas acontecerem, ou tentamos uma intervenção. O assunto não pode ser jogado para debaixo do tapete.

ÁFRICA

Nos últimos anos, houve uma preocupação de diversificar as relações externas, ter um olhar novo não só em relação à África. Resgatar elementos de nossa identidade, cultura e sociedade.

Mas também avançamos na área comercial, levando em conta nosso interesse econômico. Tenho orgulho de ser negro. Faz parte da minha identidade. E de ser brasileiro. Mais do que isso, tenho orgulho de ser filho dos meus pais.

Uma revolução ainda por fazer

Por Leonardo Boff

Toda mudança de paradigma civilizatório é precedido por uma revolução na cosmologia (visão do universo e da vida). O mundo atual surgiu com a extraordinária revolução que Copérnico e Galileo Galilei introduziram ao comprovarem que a Terra não era um centro estável mas que girava ao redor do sol. Isso gerou enorme crise nas mentes e na Igreja, pois parecia que tudo perdia centralidade e valor. Mas lentamente impô-se a nova cosmologia que fundamentalmente perdura até hoje nas escolas, nos negócios e na leitura do curso geral das coisas. Manteve-se, porém, o antropocentrismo, a idéia de que o ser humano continua sendo o centro de tudo e as coisas são destinadas ao seu bel-prazer.

Se a Terra não é estável –pensava-se – o universo, pelo menos, é estável. Seria como uma incomensurável bolha dentro da qual se moveriam os astros celestes e todas as demais coisas.

Eis que esta cosmologia começou a ser superada quando em 1924 um astrônomo amador Edwin Hubble comprovou que o universo não é estável. Constatou que todas as galáxias bem como todos os corpos celestes estão se afastando uns dos outros. O universo, portanto, não é estacionário como ainda acreditava Einstein. Está se expandindo em todas as direções. Seu estado natural é a evolução e não a estabilidade.

Esta constatação sugere que tudo tenha começado a partir de um ponto extremamente denso de matéria e energia que, de repente, explodiu (big bang) dando origem ao atual universo em expansão. Isso foi proposto em 1927 pelo padre belga, o astrônomo George Lemaître o que foi considerado esclarecedor por Einstein e assumido como teoria comum. Em 1965 Arno Penzias e Robert Wilson demonstraram que, de todas as partes do universo, nos chega uma radiação mínima, três graus Kelvin, que seria o derradeiro eco da explosão inicial. Analisando o espectro da luz das estrelas mais distantes, a comunidade científica concluiu que esta explosão teria ocorrido há 13,7 bilhões de anos. Eis a idade do universo e a nossa própria, pois um dia estávamos, virtualmente, todos juntos lá naquele ínfimo ponto flamejante.

Ao expandir-se, o universo se auto-organiza, se auto-cria e gera complexidades cada vez maiores e ordens cada vez mais altas. É convicção de notáveis dos cientistas que, alcançado certo grau de complexidade, em qualquer parte, a vida emerge como imperativo cósmico. Assim também a consciência e a inteligência. Todos nós, nossa capacidade de amar e de inventar, não estamos fora da dinâmica geral do universo em cosmogênese. Somos partes deste imenso todo.

Uma energia de fundo insondável e sem margens – abismo alimentador de tudo – sustenta e perpassa todas as coisas ativando as energias fundamentais sem as quais nada existe do que existe.

A partir desta nova cosmologia, nossa vida, a Terra e todos os seres, nossas instituições, a ciência, a técnica, a educação, as artes, as filosofias e as religiões devem ser resignificadas. Tudo e tudo são emergências deste universo em evolução, dependem de suas condições iniciais e devem ser compreendidas no interior deste universo vivo, inteligente, auto-organizativo e ascendente rumo a ordens ainda mais altas.

Esta revolução não provocou ainda uma crise semelhante a do século XVI, pois não penetrou suficientemente nas mentes da maioria da humanidade, nem da inteligentzia, muito menos nos empresários e nos governantes. Mas ela está presente no pensamento ecológico, sistêmico, holístico e em muitos educadores, fundando o paradigma da nova era, o ecozóico.

Por que é urgente que se incorpore esta revolução paradigmática? Porque é ela que nos fornecerá a base teórica necessária para resolvemos os atuais problemas do sistema-Terra em processo acelerado de degradação. Ela nos permite ver nossa interdependência e mutualidade com todos os seres. Formamos junto com a Terra viva a grande comunidade cósmica e vital. Somos a expressão consciente do processo cósmico e responsáveis por esta porção dele, a Terra, sem a qual tudo o que estamos dizendo seria impossível. Porque não nos sentimos parte da Terra, a estamos destruindo. O futuro do século XXI e de todas as COPs dependerá da assunção ou não desta nova cosmologia. Na verdade só ela nos poderá salvar.

Dez dicas para fazer a faxina semanal em seu PC

Você já notou que, no início, seu computador era um avião e agora parece uma carroça? Isso é resultado da instalação e remoção de programas. Basta fazer uma faxina semanal para que esse efeito demore mais a acontecer.

Você já notou que, no início, seu computador era um avião e agora parece uma carroça? Isso é resultado da instalação e remoção de programas, da criação e remoção de arquivos e de vários elementos inúteis que vão se acumulando e deixando o equipamento mais lento.

A solução é simples. Basta fazer uma faxina semanal para que esse efeito demore mais a acontecer. Veja algumas medidas básicas:

1) Acabe com os arquivos antigos. Ao remover arquivos que não usará mais, você estará contribuindo para deixar seu computador mais rápido. Se não tiver certeza de que precisará deles ou não, faça o backup de todos os arquivos em um disco externo, em DVD ou na internet (mais detalhes sobre essa última forma de backup neste texto).

2) Desinstale programas que não usa mais. O computador também ficará mais rápido com menos programas instalados. No Windows, clique em Iniciar > Painel de Controle > Programas e Recursos. Depois de analisar a lista de programas instalados, clique naqueles que não são mais usados e, em seguida, em Remover.

3) Use antispyware. A maioria dos programas pode ser removida usando o processo descrito acima, porém há programas do tipo spyware que são mais teimosos. O Windows Defender (download gratuito em http://www.microsoft.com/windows/products/winfamily/defender/default.mspx) ou outro programa da mesma categoria detecta e remove esses programas. Você deve sempre ter um antispyware instalado e ativo, assim evitará que essas pragas virtuais se instalem em seu computador sem sua autorização. Depois de instalar o programa antispyware, execute-o para detectar e remover programas indesejados.

4) Remova arquivos temporários. Seu computador mantém arquivos temporários enquanto você usa, por exemplo, o Microsoft Word ou navega pela web. Ao longo do tempo, esses arquivos podem comprometer o desempenho do computador. Você pode usar a ferramenta Limpeza de Disco do Windows para se livrar desses arquivos. Clique em Iniciar > Todos os Programas > Acessórios > Ferramentas de Sistema > Limpeza de Disco.

5) Limpe o disco rígido. No caso de queda de energia ou quando um programa trava durante a execução, o computador pode apresentar erros em blocos de dados do disco rígido. Ao longo do tempo, esses erros tornam o sistema lento. Felizmente, o Windows inclui um programa de verificação de disco que exclui eventuais erros, ajudando a manter o bom funcionamento do equipamento. No Windows Vista, por exemplo, clique em Iniciar > Computador. Em seguida, clique com o botão direito no disco rígido que deseja verificar e escolha Propriedades. Na guia Ferramentas > Verificação de erros, clique em Verificar agora.

6) Rearranje seus dados. Quando gravados em seu disco, os arquivos são divididos em partes que, ao longo do tempo, podem não ficar arranjadas de forma contígua. O resultado? Arquivos fragmentados que tornam mais lento o acesso aos dados Em outras palavras, o disco sabe onde estão todas as partes, mas demora para colocá-las todas juntas quando precisa do arquivo. O Windows traz uma ferramenta , o Desfragmentador de Disco, que rearranja as partes para deixá-las mais próximas. No menu Iniciar,clique em Computador. Escolha a unidade de disco que deseja desfragmentar e, em seguida, clique em Propriedades > Ferramentas > Desfragmentar agora.

7) Limpe a lixeira. A Lixeira mantém arquivos que você exclui ao longo do tempo. Você pode deixar seu computador mais limpo removendo esses arquivos permanentemente de tempos em tempos. Clique com o botão direito do mouse sobre a Lixeira e, em seguida, escolha Esvaziar.

8) Pegue leve com o histórico dos navegadores. Os navegadores web armazenam em seu computador as páginas visitadas, organizando em um histórico diário. Embora esse recurso seja útil para manter informações, por exemplo, de uma semana, ele pode gerar problemas de desempenho caso comece a guardar dados por mais tempo. No Internet Explorer, vá em Ferramentas > Opções da Internet > Geral > Histórico de Navegação > Configurações. No item Quantos dias as páginas ficam no histórico, escolha o período que for mais conveniente para você. No Firefox, a mesma configuração pode ser feita em Ferramentas > Opções > Privacidade > Histórico > Usar configurações personalizadas, no item Memorizar as páginas visitadas por pelo menos XX dias.

9) Organize seus e-mails. É provável que você tenha um filtro contra spam no Microsoft Outlook ou outro programa de correio eletrônico. O que eles fazer é desviar mensagens identificadas como spam para uma pasta, em geral, chamada Lixo Eletrônico. Analisá-la periodicamente para verificar se alguma mensagem foi mal interpretada com spam e apagar as que, de fato, são inúteis é uma ótima conduta para não sobrecarregar o programa e se livrar das mensagens indesejadas. O mesmo deve ser feito com a pasta de Mensagens Excluídas.

10) Planeje. Algumas dessas tarefas podem ser realizadas automaticamente pelo Windows, dispensando-o do trabalho sujo. Basta criar um cronograma de manutenção para o computador e definir o que se deseja fazer, normalmente, em períodos que a máquina está ligada, mas não está sendo utilizada (por exemplo, durante o horário de almoço). Clique em Iniciar > Todos os Programas > Acessórios > Ferramentas de Sistema > Agendador de Tarefas. No menu Ação, clique em Criar Tarefa Básica. Digite um nome para a tarefa e uma descrição opcional e, em seguida, clique em Avançar. Selecione a frequência com que deseja realizá-la, por exemplo, semanalmente, e clique em Avançar novamente. Especifique o período do agendamento. Clique em Iniciar um programa e em Avançar. Agora, basta informar o nome do arquivo do programa que deseja executar, como cleanmgr.exe e encerrar o processo.

NOTA DE LA CONGREGACION PARA LA DOCTRINA DE LA FE


CIUDAD DEL VATICANO, 22 DIC 2010 (VIS).-Sigue la nota publicada ayer tarde
por la Congregación para la Doctrina de la Fe, titulada: "Sobre la
banalización de la sexualidad. A propósito de algunas lecturas de "Luz del
mundo".
"Con ocasión de la publicación del libro-entrevista de Benedicto XVI, Luz
del mundo, se han difundido diversas interpretaciones incorrectas, que han
creado confusión sobre la postura de la Iglesia Católica acerca de algunas
cuestiones de moral sexual. El pensamiento del Papa se ha instrumentalizado
frecuentemente con fines e intereses ajenos al sentido de sus palabras, que
resulta evidente si se leen por entero los capítulos en donde se trata de la
sexualidad humana. El interés del Santo Padre es claro: reencontrar la
grandeza del plan de Dios sobre la sexualidad, evitando su banalización, hoy
tan extendida
Algunas interpretaciones han presentado las palabras del Papa como
afirmaciones contrarias a la tradición moral de la Iglesia, hipótesis que
algunos han acogido como un cambio positivo y otros han recibido con
preocupación, como si se tratara de una ruptura con la doctrina sobre la
anticoncepción y la actitud de la Iglesia en la lucha contra el sida. En
realidad, las palabras del Papa, que se refieren de modo particular a un
comportamiento gravemente desordenado como el de la prostitución (cfr. Luz
del mundo, pp. 131-132), no modifican ni la doctrina moral ni la praxis
pastoral de la Iglesia.
Como se desprende de la lectura del texto en cuestión, el Santo Padre no
habla de la moral conyugal, ni tampoco de la norma moral sobre la
anticoncepción. Dicha norma, tradicional en la Iglesia, fue reafirmada con
términos muy precisos por Pablo VI en el n. 14 de la encíclica "Humanae
vitae", cuando escribió que "queda además excluida toda acción que, o en
previsión del acto conyugal, o en su realización, o en el desarrollo de sus
consecuencias naturales, se proponga, como fin o como medio, hacer imposible
la procreación". Pensar que de las palabras de Benedicto XVI se pueda
deducir que en algunos casos es legítimo recurrir al uso del preservativo
para evitar embarazos no deseados es totalmente arbitrario y no responde ni
a sus palabras ni a su pensamiento. En este sentido, el Papa propone en
cambio caminos que sean humana y éticamente viables, que los pastores han de
potenciar "más y mejor" (cf. Luz del mundo, p. 156), es decir, caminos que
respeten plenamente el nexo inseparable del significado unitivo y procreador
de cada acto conyugal, mediante el eventual recurso a métodos de regulación
natural de la fertilidad con vistas a la procreación responsable.

En cuanto al texto en cuestión, el Santo Padre se refería al caso
completamente diferente de la prostitución, comportamiento que la doctrina
cristiana ha considerado siempre gravemente inmoral (cf. Concilio Vaticano
II, Constitución pastoral "Gaudium et spes" n. 27; Catecismo de la Iglesia
Católica, n. 2355). Con relación a la prostitución, la recomendación de toda
la tradición cristiana -y no sólo de ella- se puede resumir en las palabras
de san Pablo: "Huid de la fornicación" (1 Co 6, 18). Por tanto, hay que
luchar contra la prostitución; y las organizaciones asistenciales de la
Iglesia, de la sociedad civil y del Estado han de trabajar para librar a las
personas que están involucradas en ella.
En este sentido, es necesario poner de relieve que la situación que en
muchas áreas del mundo se ha creado por la actual difusión del sida, ha
hecho que el problema de la prostitución sea aún más dramático. Quien es
consciente de estar infectado con el VIH y que por tanto puede contagiar a
otros, además del pecado grave contra el sexto mandamiento comete uno contra
el quinto, porque conscientemente pone en serio peligro la vida de otra
persona, con repercusiones también para la salud pública. A este respecto,
el Santo Padre afirma claramente que los profilácticos no son "una solución
real y moral" del problema del sida, y también que la "mera fijación en el
preservativo significa una banalización de la sexualidad", porque no se
quiere afrontar el extravío humano que está en el origen de la transmisión
de la pandemia. Por otra parte, es innegable que quien recurre al
profiláctico para disminuir el peligro para la vida de otra persona, intenta
reducir el mal vinculado a su conducta errónea. En este sentido, el Santo
Padre pone de relieve que recurrir al profiláctico con "la intención de
reducir el peligro de contagio, es un primer paso en el camino hacia una
sexualidad vivida en forma diferente, hacia una sexualidad más humana". Se
trata de una observación completamente compatible con la otra afirmación del
Santo Padre: "Ésta no es la auténtica modalidad para abordar el mal de la
infección con el VIH".
Algunos han interpretado las palabras de Benedicto XVI valiéndose de la
teoría del llamado "mal menor". Esta teoría, sin embargo, es susceptible de
interpretaciones desviadas de tipo proporcionalista (cf. Juan Pablo II,
Encíclica "Veritatis splendor", nn. 75-77). No es lícito querer una acción
que es mala por su objeto, aunque se trate de un mal menor. El Santo Padre
no ha dicho, como alguno ha sostenido, que la prostitución con el recurso al
profiláctico pueda ser una opción lícita en cuanto mal menor. La Iglesia
enseña que la prostitución es inmoral y hay que luchar contra ella. Sin
embargo, si alguien, practicando la prostitución y estando además infectado
por el VIH, se esfuerza por disminuir el peligro de contagio, a través
incluso del uso del profiláctico, esto puede constituir un primer paso en el
respeto de la vida de los demás, si bien el mal de la prostitución siga
conservando toda su gravedad. Dichas apreciaciones concuerdan con lo que la
tradición teológico moral ha sostenido también en el pasado.
En conclusión, los miembros y las instituciones de la Iglesia Católica
deben saber que en la lucha contra el sida hay que estar cerca de las
personas, curando a los enfermos y formando a todos para que puedan vivir la
abstinencia antes del matrimonio y la fidelidad dentro del pacto conyugal.
En este sentido, hay que denunciar también aquellos comportamientos que
banalizan la sexualidad, porque, como dice el Papa, representan precisamente
la peligrosa razón por la que muchos ya no ven en la sexualidad una
expresión de su amor. "Por eso la lucha contra la banalización de la
sexualidad forma parte de la lucha para que la sexualidad sea valorada
positivamente y pueda desplegar su acción positiva en la totalidad de la
condició humana" (Luz del mundo, p. 131)".

Bispo recusa comenda no Senado em protesto contra reajuste de parlamentares

Uma solenidade de entrega de comenda no Senado terminou em constrangimento para os parlamentares que estavam em plenário. Em protesto contra o reajuste de 61,8% concedido a deputados e senadores na semana passada, o bispo de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson Cruz, recusou-se a receber a Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara.

Em discurso, ele destacou a realidade da população mais carente, obrigada a enfrentar as filas dos hospitais da rede pública. “Não são raros os casos de pacientes que morreram de tanto esperar o tratamento de doença grave, por exemplo, de câncer, marcado para um e até para dois anos após a consulta”.

Ao recusar a comenda, o bispo foi taxativo: “A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la”. Nesse momento, quando a sessão era presidida por Inácio Arruda (PCdoB-CE), autor da homenagem, o público aplaudiu a decisão.

Após a recusa formal, o bispo cearense acrescentou que “ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho”. Ele acrescentou que o reajuste dos parlamentares deve guardar sempre “a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e o da aposentadoria”.

Dom Edmilson Cruz afirmou que assumia a postura “com humildade, sem a pretensão de dar lições a pessoas tão competentes e tão boas”. Diante da situação criada, o senador José Nery (PSOL-PA) cumprimentou o bispo pela atitude considerada “coerente” com o que pensa.

“Entendemos o gesto, o grito e a exigência de dom Edmilson Cruz que, em sua fala, diz que veio aqui, mas recusará a comenda. Também exige que o Congresso Nacional reavalie a decisão que tomou em relação ao salário de seus parlamentares”, acrescentou o senador paraense.

O protesto contra o reajuste dos parlamentares não se resumiu, no entanto, à manifestação do bispo. Cerca de 130 estudantes secundaristas e universitários de Brasília foram barrados na entrada principal do Congresso quando preparavam-se para protestar contra a decisão tomada na semana passada pelos parlamentares.

Raul Castro defende abertura, não capitalismo, em Cuba

Raul Castro discursa na Assembleia cubana (Foto: Raquel Perez)

O presidente de Cuba, Raúl Castro, defendeu mudanças no regime cubano, sem abrir mão do socialismo.

Em um discurso de duas horas encerrando os trabalhos da Assembleia Nacional, no sábado, Raul Castro disse que não foi eleito para “restaurar o capitalismo em Cuba”, mas reconheceu que foi um erro “estatizar quase toda a atividade econômica do país”.

“Temos o dever fundamental corrigir os erros que cometemos nessas cinco décadas de construção do socialismo em Cuba”, afirmou o líder cubano.

Castro lembrou que tanto Karl Marx quanto Vladimir Lênin, ideólogos do comunismo, definiram que o Estado só deveria “manter a propriedade sobre os meios fundamentais de produção”.

Entretanto, o presidente cubano estabeleceu o limite das mudanças. “O planejamento, e não o mercado, será o traço definitivo da economia e não se permitirá a concentração da propriedade. Mais claro que isso, nem água”.

Em seu discurso, Castro delineou a estratégia política que seu governo continuará no ano que vem, tanto no plano econômico quanto no social e político.

Segundo o presidente, as mudanças estruturais continuarão: créditos e subsídios serão eliminados, as funções do partido e do governo serão separadas, o emprego autônomo será promovido e o governo colocará um ponto final em restrições “desnecessárias”.

Entre os anúncios mais importantes feitos por Raul Castro está o de que ele pretende separar as estruturas do governo e do Partido Comunista – que atualmente se confundem em todos os níveis, dos municípios para à Presidência da República.

“O partido deve dirigir e controlar, e não interferir nas atividades de governo, em qualquer nível”, disse Raúl Castro.

O tema será discutido na Conferência Nacional do Partido Comunista, em meados do próximo ano, o último do qual participará o que ele chamou de “geração histórica”.

Castro assegurou que promoverá uma descentralização do poder de Havana, “aumentando gradualmente a autoridade dos governos provinciais e municipais, dando-lhes maiores poderes para administrar seus orçamentos.”

Hoje, a dependência dos governos municipais em relação a Havana é tal que os seus representantes não têm sequer autoridade para comprar ou receber um carro doado, ou para abrir uma conta bancária em Cuba.

Para o presidente cubano, estes governos devem assumir o controle real de suas regiões, cobrar impostos de empresas localizadas em sua jurisdição e até mesmo investir em projetos de desenvolvimento regional.

Para implementar algumas das novas políticas econômicas, Cuba teria de mudar a Constituição. Castro informou que as leis serão adaptadas para permitir as mudanças.

Sobre as relações com Washington, Raul Castro disse não ver sinais de distensão, porque nos EUA “não existe a menor vontade de corrigir a política contra Cuba, mesmo para eliminar os seus aspectos mais irracionais”.

Ciclo de vida: como saber quando devemos comprar novos produtos eletrônicos?

Você comprou seu aparelho de Blu-ray ontem e acaba de ser informado sobre a versão 3D? Adquiriu o iPad e teve o desprazer de saber que vai sair a segunda versão no começo do ano que vem? Então seja bem-vindo ao mundo da tecnologia, que gira mais rápido do que qualquer outro!

Diariamente o Baixaki traz notícias sobre novos produtos, tecnologias, tendências e todo tipo de avanço da indústria eletrônico. Hoje não foi diferente em nossa redação, exceto por este artigo, no qual não vamos apenas falar sobre as novidades, mas também abordar alguns aspectos importantes para você aprender o momento certo de comprar.

Como você já deve ter notado, os produtos duram pouco, e quando não, nós encurtamos a vida deles jogando-os no lixo e adquirindo novos e melhores eletrônicos. Conheça agora como você se enquadra neste mundo consumista e aprenda a analisar a vida dos produtos.

Que tipo de consumidor é você?

Basicamente um consumidor é qualquer pessoa que compre algo ou usufrua de um serviço. Todavia, os consumidores podem ser divididos em classes, afinal, nem todo mundo adquire os mesmos produtos, nem o mesmo número de objetos e muito menos na mesma época.

Existem aqueles que não podem saber de uma novidade, pois já começam a planejar a compra do produto sem nem sequer existir no mercado. É o caso dos “inovadores”, que precisam ter todos os jogos para todas as plataformas, necessitam ter o último iPhone e sempre preferem os produtos de alto valor.

A segunda classe de consumidor é constituída pelos “Early Adopters” (Iniciais). As pessoas que se encaixam nesta classe costumam esperar até que o produto esteja disponível no Brasil, mas não gostam de ser o segundo a possuir o produto. Nesta classe também existe um consumismo acima do comum, mas de forma moderada.

Depois que determinado produto já está difundido e os preços estão razoáveis, a grande maioria dos consumidores pensa na aquisição do item em questão. Esta classe é denominada “Early Majority” (Maioria Inicial), justamente por ser boa parte da população interessada em um mesmo produto. O consumismo aqui já não é exagerado e as pessoas dessa classe tendem a fazer pesquisas para encontrar qual loja oferece o produto com melhor preço.

Assim que o produto já vendeu alguns milhares ou milhões de unidade, as lojas tendem a baixar muito o preço, principalmente porque novos lançamentos substituirão os antigos com valores atraentes. As pessoas que fazem parte dessa classe são conhecidas como “Late Majority” (Maioria Tardia), pois não se importam tanto com a novidade e buscam apenas o preço baixo.

O consumismo da classe “Late Majority” é mais fraco, pois os compradores já estão contentes com o que possuem e nem sempre veem necessidade de um produto novo. Pode-se dizer que a frase “meu bolso agradece” é muito utilizada por pessoas dessa classe.

A última classe de consumidores é conhecida como “Laggards” (Retardatários). Os compradores desta classe não costumam buscar por novidades e muitas vezes procuram um produto que já não é vendido nas lojas. Essas pessoas não ligam para o consumismo e só compram um novo item quando o que já possuem estragou.

Vale frisar que as classes de consumidores independem do poder aquisitivo das pessoas. Não é porque uma pessoa tem pouco dinheiro que ela vai ser um “Laggard”, afinal, existe muitas maneiras de adquirir produtos parcelados. Da mesma forma, alguém da classe A ou B pode se encaixar no grupo “Late Majority”, justamente porque a pessoa não vê necessidade na troca dos produtos que possui e que, possivelmente, já realizam as funções de novos aparelhos.

Período comum de renovação dos produtos

A Apple e o ciclo de produtos

Você provavelmente já deve ter notado que a Apple lança um iPhone por ano. Além disso, a empresa costuma modificar o design e a funcionalidade de outros produtos. Os iPods são exemplos de eletrônicos que receberam alterações neste ano. O modelo Nano ganhou tela multitouch e consequentemente teve o visual renovado.

Quando o assunto é computador, a Apple também possui um planejamento anual. Novas versões do MacBook Air chegaram às lojas neste ano. Usando novos processadores, modelos mais finos de SSD e com telas de tamanhos diferentes, os novos computadores da Apple provam que a empresa procura inovar com uma periodicidade padrão, de modo a agradar os consumidores.

Novo modelo do MacBook Air

Fonte: site oficial da Apple

Foi através de dados coletados anualmente que pudemos perceber os meses em que determinados produtos da Apple são lançados. Sendo assim, fica um pouco mais fácil prever quando um novo item chegará ao mercado e assim é possível planejar qual produto comprar.

  • Ciclo de vida: 1 ano.
  • Investimento: depende do produto.
  • Período ideal para adquirir um iPhone 4: agora. Se você encontrar em algum lugar.
  • Por quê? O preço do produto já caiu.

Notebooks ficam velhos num piscar de olhos

E não é só a Apple que atualiza os produtos anualmente. Outras marcas como a HP, a Dell e a Positivo criam estratégias para que os consumidores comprem notebooks, desktops, impressoras, monitores e outros itens de informática anualmente.

Se você tem um notebook, deve ter notado que com o passar do tempo surgem novos programas e jogos que sua máquina não consegue encarar. Até mesmo a qualidade dos materiais utilizados em notebooks não é programada para longa duração. Sendo assim, os consumidores vêm trocando seus computadores portáteis com uma periodicidade regular.

Dell Inspiron 14

Fonte: site oficial da Dell

Analisando apenas a questão do hardware e software, pode-se concluir facilmente que um notebook (de configuração básica) tem vida útil aceitável de até dois anos. Claro que isso não significa uma regra e não se aplica a todos os modelos do mercado, mas em parte os consumidores percebem essa diferença no desempenho e veem a necessidade da troca.

  • Ciclo de vida: 1 a 2 anos.
  • Investimento: R$ 1 mil a R$ 5 mil.
  • Período ideal para adquirir: varia conforme a marca. Vale uma pesquisa para averiguar preços e configurações.
  • Por quê? Cada montadora lança produtos em épocas diferentes e tudo vai depender do quanto você pode gastar.

Compre o seu smartphone no momento certo

Na época em que o smartphone não existia, os celulares tinham vida útil prolongada. A cada ano eram lançados mais modelos, porém nem sempre os consumidores corriam trocar de produto, justamente por não haver uma grande necessidade das funções que os celulares novos apresentavam.

Com a introdução dos smartphones tudo mudou com uma incrível rapidez. Os consumidores notaram que os novos aparelhos tinham muitas funcionalidades úteis e, entre elas, o acesso à web. Esta vantagem, unida à possibilidade de usar documentos criados em comput
ador diretamente em um aparelho portátil, tornou os smartphones em objetos de alto valor.

Motorola Milestone 2 lançado há pouco no Brasil

Fonte: site oficial da Motorola

Até aí o consumo ainda era moderado, porém o interesse do grande público gerou o barateamento dos smartphones e agora eles podem ser adquiridos pelo preço de outros gadgets que não sejam muito inteligentes. A compra de um smartphone deve ser programada, principalmente porque o consumidor deve analisar se necessita do mais caro ou de um aparelho que atenda aos quesitos que sejam utilizados no cotidiano.

  • Ciclo de vida: 1 a 2 anos.
  • Investimento: R$ 600 a R$ 2 mil.
  • Período ideal para adquirir um Samsung Galaxy ou um Motorola Milestone 2: ano que vem
  • Por quê? Os dois estão com preços elevados e até que seja anunciado o substituto de cada aparelho, os valores não devem ter quedas significativas.

O ciclo dos desktops e dos itens de hardware

Se as montadoras de computador lançam novos modelos anualmente, é certo que as fabricantes de processadores fornecem modelos mais robustos, menores e com preços compatíveis para o consumidor.

Os desktops estão entre os poucos produtos que demoram para envelhecer. Geralmente um desktop é desvalorizado rapidamente, porém este é o tipo de produto que pode ser renovado sem a troca de todas as peças.

No ano que vem o i7 será ultrapassado

Fonte: site oficial da Intel Corporation

Os componentes de um computador do tipo desktop também demoram certo tempo para caírem em desuso. Claro que tudo depende do foco do seu computador, mas falando apenas da utilização básica, pode-se considerar que um PC dure até três anos sem grandes problemas no desempenho.

  • Ciclo de vida: 2 a 3 anos
  • Investimento: R$ 200 a R$ 3 mil.
  • Período ideal para adquirir um processador Intel Core i7: 2011.
  • Por quê? Nova linha será lançada e preços dos atuais modelos Core i7 estarão mais baixos.

Novos consoles em breve…

O Playstation 3 e o Xbox 360 já estão no mercado há alguns anos, mas parece que o poder gráfico e de processamento deles não tem grandes esperanças para uma duração prolongada. Ainda que o PS3 tenha alguma vantagem com o Blu-ray e com o recente Playstation Move, já é sabido que a Sony vem elaborando um console de oitava geração.

A Microsoft não fica por menos e mesmo com o Kinect tendo grande repercussão, a empresa tem planos para um futuro console. Em notícia recente aqui no Baixaki citamos o possível processador que será utilizado no suposto Xbox 720. Sem quaisquer confirmações por parte da Microsoft, a única certeza que se tem é de que haverá sim um console de oitava geração que sucederá o Xbox 360 e claro, com ele teremos a segunda geração do Kinect.

Kinect deve prolongar a vida do Xbox 360

Fonte: site oficial da Microsoft

E se o assunto é console de oitava geração, não podemos esquecer-nos do próximo console da Nintendo, que pode aparecer ainda ano que vem. Para muita gente, o Wii está com os dias contados, principalmente porque não oferece vantagens sobre seus concorrentes. Outros afirmam que a Nintendo não está preocupada com as “vantagens”, todavia produzirá um novo console para revolucionar — assim com aconteceu com a primeira geração do Wii.

  • Ciclo de vida: 4 a 5 anos.
  • Investimento: R$ 1 mil a R$ 2 mil.
  • Período ideal para adquirir PS3, Xbox 360 ou Wii: agora.
  • Por quê? Preços estão baixos e não há previsões de outros consoles.

Dica para quem pensa no Wii 2: talvez seja interessante economizar para a segunda versão do Wii, ele pode sair ainda no ano que vem.

Portáteis novos vêm aí!

Não podemos falar em vídeo games sem abordar os portáteis. Dominantes em vendas, os consoles de bolso já estão ganhando versões para a futura geração. Em 2010, a Nintendo anunciou o 3DS, sucessor do atual DS. Com destaque para a tecnologia 3D, que permitirá ao jogador visualizar games que saiam da tela, a Nintendo pretende iniciar a nova geração de portáteis.

Nintendo 3DS será comercializado no começo do ano que vem

Fonte: site oficial do Nintendo 3DS

A Sony também tem planos para inovar no ramo, porém não há nenhum pronunciamento oficial. As dúvidas quanto ao novo console da Sony permanecem, principalmente porque existem boatos que sugerem o PSP2 e outros que relatam a possibilidade do Playstation Phone — um híbrido de smartphone com console portátil.

  • Ciclo de vida: 5 a 6 anos.
  • Investimento: R$ 500 a R$ 1 mil.
  • Período ideal para adquirir o portátil da Nintendo: março de 2011.
  • Por quê? Nintendo 3DS será lançado nessa época.
  • Período ideal para quem não quer o 3DS: agora ou 2011
  • Por quê? Preço está bom agora, mas em 2011 pode estar ainda mais baixo.
  • Período ideal para adquirir o portátil da Sony: agora.
  • Por quê? Não há previsões de lançamento do PSP2.

Adquira tecnologia com consciência

Como você pode ver, cada produto tem seu preço alterado durante o ano, seja em decorrência da adesão dos consumidores ou do lançamento de novos aparelhos. Para quem deseja adquirir um novo gadget de qualidade e com um preço aceitável é sempre importante pesquisar sobre as configurações, a época de lançamento, opiniões de outros usuários e sobre os aparelhos concorrentes.

Nem sempre um novo produto é o melhor para suas necessidades e sempre há um grande número de compradores que se arrependem após a compra de uma tecnologia nova. Sendo assim, fica a dica para você avaliar bem suas escolhas antes de tomar decisões na hora de novas aquisições. Em que classe de consumidor você se encaixa? Já se arrependeu após alguma compra? Compartilhe suas experiências e opiniões.

Morros do Rio, resquícios de Canudos

Por Elias Botelho

Em 05 de outubro de 1897 foram mortos os últimos defensores do arraial de Canudos na Bahia. O Estado naquela ocasião resolveu também pôr fim na comunidade que aparentemente se insurgia contra a soberania da recém-criada República. O massacre contra a vida de miseráveis, foi sem dúvidas, uma das maiores barbáries patrocinadas pelo Estado.

O desconhecimento acerca do que muitos chamavam de jagunços e fanáticos, liderados por Antônio Conselheiro, levou o então presidente (im) Prudente de Morais a autorizar o fuzilamento de uma comunidade estimada em mais de quinze mil pessoas. Sem dados concretos sobre os reais propósitos do Conselheiro e seus seguidores, pobres e sem terra, a facção mais radical do partido Republicano se declarou a favor da eliminação de Canudos como sendo um grande mal para República.

Não fosse o respeitado repórter do jornal do Estado de São Paulo, Euclides da Cunha, teríamos como verdade aquilo que membros da república quiseram demonstrar para o resto do país e do mundo. No seu brilhante relato sobre o que chamou de guerra, o escritor chegou a conclusão de que em vez do governo ter mandado soldados para extirpar ignorantes, deveria enviar educadores para ensinar aquele povo, ou seja, transformar analfabetos e excluídos em pessoas civilizadas, capazes de progredirem para sobreviverem dignamente.

O Massacre acabou e os milhares de soldados foram enviados ao Rio de Janeiro pelo Governo que lhes prometera doar casas além de pagar os soldos atrasados. Sem condição de arcar rapidamente com o acordado, esses soldados ocuparam os pés dos morros cariocas, que seriam provisórios, e por lá permaneceram. Dessa ação, depreende-se que o governo exterminou pobres que viviam num lugar quase que inóspito e trouxe os seus “algozes” para formar outra comunidade de miseráveis sem nenhum planejamento.

Logo, soldados e ex-escravos transformaram os morros num amontoado de casas irregulares formando as conhecidas favelas, em referência ao “Monte da Favela”, existente em Canudos como narrou Cunha em Os Sertões: “O monte da Favela, ao sul, empolava-se mais alto, tendo no sopé, fronteiro à praça, alguns pés de quixabeiras, agrupados em horto selvagem. À meia encosta via-se solitária, em ruínas, a antiga casa da fazenda…”

Os anos se passaram e nenhuma política satisfatória foi implantada capaz de conter as invasões de outros morros de forma organizada, que pala situação geográfica de ambos, serviu de esconderijos aos que pela sorte, ou por opção, acabaram engrossando a fileira do que o Estado por suas leis denominaram delinqüentes.

Hoje totalmente povoados, e depois de décadas tirando o sono de estudiosos, políticos, polícias e os que neles residem. Cada qual com sua opinião acerca do problema ali existente e sem uma solução unânime, o Estado, coagido pela opinião pública e ações de “traficantes”, resolve pôr fim na situação. Simetricamente, Becos, Ruelas e Vielas foram tomados por homens armados sob olhares diversos.

28 de novembro de 2010, domingo de manhã, 113 anos depois do massacre de Canudos, várias emissoras de rádio e TV deram cobertura total à mega-operação de ocupação do complexo do Alemão. Imaginei, de logo, isso não vai ser bom… Sim, uma grande emissora trancar sua programação normal, para focar em outro assunto fora de sua grade, deve ser algo no seu sentir, sensacional e de indubitável repercussão. No entanto, para muitos, a cobertura televisa foi “positiva”, pois acabou servindo, pelo menos, para livrar os supostos traficantes de um massacre quando estes partiram em retirada do Morro do Cruzeiro para o Morro do Alemão.

Antes do começo da ocupação, confesso que me bateu uma angustia, imaginava como em Canudos: homens tombando, sangue jorrando, uma carnificina e, o pior, ao vivo. Para alegria de muitos, o bom senso prevaleceu. Alguns tiros, apenas… Até porque não existe “guerra” sem som de tiros, bombas e outros artefatos.

Acalmado tudo, passamos a ouvir das autoridades governamentais, o sucesso e as glórias por ter finalmente o bem vencido o mal. De outro lado, analistas, comentaristas e especialistas em segurança pública davam suas opiniões que nem sempre coincidiam com tais autoridades. Uns acham que tal operação não passou de uma farsa que impedirá momentaneamente conflitos entre grupos criminosos. Outros afirmam que a maior causa da violência urbana é a corrupção policial e as milícias. Outros questionavam a legalidade das incursões aos morros, ante as denuncias dos seus moradores sobre agressões sofridas por policiais.

Por tudo que ocorreu na ocupação do Complexo do Alemão, temos sempre a considerar que pessoas trabalhadoras e honestas que vivem nessas localidades merecem verdadeira tranqüilidade, e não uma farsa. Que não ouçamos mais falar no “chamado poder paralelo” que determina horários e cobra pedágios. E, mais do que nunca, o Estado que por inconseqüência, há mais cem anos, abandonou à própria sorte seus servidores (soldados combatentes de Canudos) aos pés dos morros, que resgata agora, a dignidade que não teve quando inventou uma guerra em nome de uma facção política, em detrimento de pobres miseráveis.

Após hits espíritas, "Aparecida" é resposta católica

Se há um fenômeno capaz de fazer frente ao fenômeno “Tropa de Elite 2” em 2010 é o dos filmes de fé.

Os espíritas “Chico Xavier” e “Nosso Lar” levaram quase 8 milhões de espectadores ao cinema.

Se o filme católico da temporada, “Aparecida – O Milagre”, que chega hoje aos cinemas, vender mais alguns milhões de ingressos, a tríade religiosa não terá feito nada feio nos negócios.

O contra-ataque católico foi, segundo os produtores, mera coincidência. “Aparecida”, dirigido por Tizuka Yamasaki, começou a sair do papel há três anos.

“Queríamos fazer algo sobre a fé brasileira. E a santa é quase uma síntese da brasilidade”, diz Paulo Thiago. O produtor lembra que, quando o projeto começou a sair do papel, ainda não havia os filmes espíritas no ar.

“A estreia no mesmo ano é um acaso. Agora, não sei se a existência dos três filmes é coincidência ou sinal dos tempos”, pondera Thiago. “É o Brasil da violência e da fé. É céu e inferno.” Seria, quase, deus e o diabo na terra dos blockbusters.

Divulgação
Murilo Rosa e Maria Fernanda Cândido em cena de "Aparecida, O Milagre", de Tizuka Yamasaki
Murilo Rosa e Maria Fernanda Cândido em cena de “Aparecida, O Milagre”, de Tizuka Yamasaki

A exemplo do que aconteceu com “Chico Xavier” e “Nosso Lar”, que tiveram o empurrão da Federação Espírita, “Aparecida” terá o endosso da Igreja Católica.

O filme foi feito com o consentimento e o apoio do Santuário de Aparecida e todas as paróquias estão mobilizadas para divulgá-lo.

Thiago nega, porém, que a mão da igreja tenha pesado no roteiro, absolutamente fiel aos princípios católicos da família. “Eles pediram para ler o roteiro. Mas o que mais os atraiu foi o fato de o filme não ser uma pregação religiosa”, diz o produtor.

Apesar de mirar, fortemente, o público da classe C, “Aparecida” fez as primeiras aparições na tela para espectadores católicos pertencentes à classe A.

As pré-estreias paulistanas aconteceram nos shoppings Iguatemi e Vila Olímpia, com uma lista de convidados de PIB nada desprezível. “Queremos mostrar para as pessoas que Aparecida é um lugar lindo, que elas não precisam viajar para o exterior para conhecer uma basílica”, diz Silvia de Aquino, organizadora da sessão do shopping Iguatemi, amiga de Dom Damasceno, arcebispo de Aparecida.

Produzido em associação com a Paramount e aporte de um patrocinador privado –que colocou dinheiro do próprio bolso no filme, mas não quer aparecer de jeito nenhum–, “Aparecida” estreará com cerca de 270 cópias no país. As cidades do interior e as zonas mais populares receberão várias delas.