|
|
||||||||
Uma atriz comediante italiana corre o risco de ser processada por ter mandado o papa Bento 16 “ir para o inferno” durante um discurso em um comício em Roma.
No evento, promovido em protesto contra recentes leis apresentadas pelo primeiro-ministro Silvio Berlusconi, Sabina Guzzanti disse que o papa iria para o inferno, onde seria recebido por “diabos homossexuais”. “Graças à lei Moratti (ex-ministra da educação, Letizia Moratti), daqui a 20 anos os professores serão escolhidos pelo Vaticano. Mas daqui a 20 anos, Ratzinger vai estar onde deveria estar, no inferno, atormentado por dois diabos homossexuais superativos e não passivos”, esbravejou Guzzanti. O procurador Giovani Ferrara, do tribunal de Roma, pediu que o Ministério da Justiça autorize o início do processo contra ela. Para Ferrara, Guzzanti ofendeu o Pontífice “usando palavras vulgares que teriam superado o limite da sátira”. O procurador disse que a comediante poderá ser acusada de violar o Concordato, um conjunto de leis previstas no Código Penal que igualam o pontífice ao presidente da República. Sacro e inviolável Um dos artigos da lei estabelece que a ofensa ao papa, “pessoa sacra e inviolável”, pode ser punida da mesma forma que uma ofensa ao presidente da República. Se condenada, a atriz poderá pegar de um a cinco anos de prisão. O ministro da Justiça ainda não se manifestou sobre o caso. O Concordato, ou Pacto Lateranense, foi assinado em 1929 por Benito Mussolini e o cardeal secretário de Estado vaticano da época, Pietro Gasparri. Grupos católicos e expoentes da igreja haviam manifestado “profundo pesar pelas palavras ofensivas” de Guzzanti logo após o comício. Polêmica A ação que o procurador pretende mover reacendeu as polêmicas. Paolo Guzzanti, pai da comediante e deputado conservador do Partido da Liberdade, de Berlusconi, disse que a sociedade italiana está “na era medieval” e pediu ironicamente que a filha seja julgada pela “justiça divina”. “Façamos com que ela se submeta ao juízo de Deus, que caminhe sobre brasas ardentes e encerremos o caso judiciário”, declarou ele aos jornais italianos. Para o ex-magistrado Antonio Di Pietro, Sabina Guzzanti não ofendeu ninguém, apenas “exerceu o direito de manifestar livremente seu pensamento”. Na avaliação do Prêmio Nobel Dario Fo, ator e autor teatral, usar uma norma do Pacto Lateranense, “uma lei fascista, é andar para trás no tempo”. “Seria preciso, então, condenar até Dante, o maior poeta italiano”, dosse Fo. “Ele também mandou um papa (Bonifácio 8°) ao inferno, dizendo que ele iria para um buraco no meio de um grande fogo”, disse ele em entrevista ao jornal La Reppublica. De acordo com o deputado socialista Vittorio Craxi, “processar a sátira é um jeito de se aproximar ao totalitarismo”. O padre jesuíta Bartolomeo Sorge disse que a atriz deve ser perdoada, mas não quer se envolver nos asuntos ligados à Justiça. “As ofensas podem acontecer e os cristãos devem perdoar. Tenho creteza que o papa já a perdoou. Mas o curso da Justiça e a obra dos magistrados é outra coisa. Quando acham que houve violção de uma lei, não cabe a mim julgar”, disse o padre a um jornal italiano. |
||||||||
|
|
||||||||
Arquivo do autor:Vanildo Luiz Zugno
Aprovação de Lula bate recorde histórico, diz Datafolha
Embalado por bons resultados na economia e por grande exposição na campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o seu próprio recorde de avaliação positiva. Segundo pesquisa Datafolha, 64% da população consideram seu governo ótimo ou bom. O recorde anterior já colocava Lula na frente de todos os presidentes eleitos após a redemocratização.
A reportagem com o resultado da pesquisa pode ser lida na Folha desta sexta-feira. A íntegra está disponível para assinantes do UOL e do jornal.
Pela primeira vez, Lula tem o apoio da maioria no Sudeste (57%), nas regiões metropolitanas (57%), entre os que têm curso superior (55%) e entre os que vivem em famílias com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos (57%).
Os resultados da pesquisa coincidem com a divulgação de um crescimento do PIB de 6% no primeiro semestre e com o momento em que a inflação começa a ceder.
O Datafolha ouviu 2.981 pessoas maiores de 16 anos em 212 municípios do país entre os dias 8 e 11 de setembro. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou menos.
Leia reportagem na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.
![]() |
Aprovação de Lula bate recorde histórico, diz Datafolha
Embalado por bons resultados na economia e por grande exposição na campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quebrou o seu próprio recorde de avaliação positiva. Segundo pesquisa Datafolha, 64% da população consideram seu governo ótimo ou bom. O recorde anterior já colocava Lula na frente de todos os presidentes eleitos após a redemocratização.
A reportagem com o resultado da pesquisa pode ser lida na Folha desta sexta-feira. A íntegra está disponível para assinantes do UOL e do jornal.
Pela primeira vez, Lula tem o apoio da maioria no Sudeste (57%), nas regiões metropolitanas (57%), entre os que têm curso superior (55%) e entre os que vivem em famílias com renda familiar mensal superior a dez salários mínimos (57%).
Os resultados da pesquisa coincidem com a divulgação de um crescimento do PIB de 6% no primeiro semestre e com o momento em que a inflação começa a ceder.
O Datafolha ouviu 2.981 pessoas maiores de 16 anos em 212 municípios do país entre os dias 8 e 11 de setembro. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou menos.
Leia reportagem na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.
![]() |
Cardeal Martini pede reforma da Igreja
| Copiado de http://www.caravideo.com.br/index.php?page=martini |
|
|
|
A Igreja deve ter a coragem de se reformar. Essa é a idéia principal do cardeal Carlo Maria Martini (nascido em Turim em 1927), um dos grandes eclesiásticos contemporâneos. Com elogios ao reformador protestante Martinho Lutero, o cardeal pede à Igreja Católica idéias para discutir, até a possibilidade de ordenar viri probati (homens casados, mas de fé comprovada) e mulheres. Também pede uma encíclica que termine com as proibições da Humanae Vitae, emitida por Paulo 6º em 1968 com severas censuras em matéria de sexo. O cardeal Martini foi reitor da Universidade Gregoriana de Roma, arcebispo da maior diocese do mundo (Milão) e papável. É jesuíta, publica livros, escreve em jornais e debate com intelectuais. Em 1999 pediu diante do Sínodo de Bispos Europeus a convocação de um novo concílio para concluir as reformas postergadas pelo Vaticano II, realizado em Roma entre 1962 e 1965. Agora volta à atualidade porque se publica na Alemanha (pela editora Herder) o livro Colóquio Noturnos em Jerusalém, como testamento espiritual do grande pensador. É assinado por Georg Sporschill, também jesuíta. Sem disfarces, o que Martini pede às autoridades do Vaticano é coragem para reformar-se e mudanças concretas, por exemplo, nas políticas sobre o sexo, um assunto que sempre desata os nervos e as iras dos papas, já que são solteiros. O celibato, afirma Martini, deve ser uma vocação, porque talvez nem todos tenham o carisma. Espera também a autorização do preservativo. E nem sequer o assusta um debate sobre o sacerdócio negado às mulheres, porque encomendar cada vez mais paróquias a um pároco ou importar sacerdotes do estrangeiro não é uma solução. Lembra ao Vaticano que no Novo Testamento havia diaconisas. Vários jornais europeus divulgaram a publicação de Colóquios Noturnos em Jerusalém, salientando a exortação do cardeal a não se afastar do concílio Vaticano II e a não ter medo de confrontar-se com os jovens. Exatamente sobre o sexo entre jovens, Martini pede para não desperdiçar relações e emoções, aprendendo a conservar o melhor para a união matrimonial. E rompe os tabus de Paulo 6º, João Paulo 2º e o atual papa, Joseph Ratzinger. Diz: Infelizmente, a encíclica Humanae Vitae teve conseqüências negativas. Paulo 6º evitou de forma consciente o problema para os padres conciliares. Quis assumir a responsabilidade de decidir sobre os anticoncepcionais. Essa solidão na decisão não foi, em longo prazo, uma premissa positiva para tratar dos temas da sexualidade e da família. O cardeal pede um novo olhar para o assunto, 40 anos depois do concílio. Quem dirige a Igreja hoje pode indicar uma via melhor do que a proposta pela Humanae Vitae, afirma. Sobre a homossexualidade, o cardeal diz com sutileza: Entre meus conhecidos há casais homossexuais, homens muito estimados e sociais. Nunca me pediram, nem teria me ocorrido, condená-los. Martini aparece no livro com toda a sua personalidade, de uma curiosidade intelectual sem limites. A ponto de reconhecer que quando era bispo perguntava a Deus: Por que não nos dá idéias melhores? Por que não nos faz mais fortes no amor e mais valentes para enfrentar os problemas atuais? Por que temos tão poucos padres? Hoje, aposentado e doente – acaba de deixar Jerusalém, onde vivia dedicado a estudar os textos sagrados, para ser tratado por médicos na Itália -, limita-se a pedir a Deus que não o abandone. Além do elogio a Lutero, o cardeal Martini revela suas dúvidas de fé, lembrando as que teve Teresa de Calcutá. Também fala sobre os riscos que um bispo tem de assumir, referindo-se a sua viagem a uma prisão para falar com militantes do grupo terrorista Brigadas Vermelhas. Os escutei e roguei por eles e inclusive batizei dois gêmeos filhos de pais terroristas, nascidos durante um julgamento, relata. Eu tive problemas com Deus, confessa em determinado momento. Foi por não conseguir entender por que fez seu filho sofrer na cruz. Acrescenta: Inclusive quando era bispo algumas vezes não conseguia olhar para o crucifixo porque a dúvida me atormentava. Também não conseguia aceitar a morte. Deus não poderia tê-la poupado aos homens, depois da de Cristo? Depois entendeu. Sem a morte não poderíamos nos entregar a Deus. Manteríamos abertas saídas de segurança. Mas não. É preciso entregar a própria esperança a Deus e crer nele. De Jerusalém a vida se vê de outra maneira, sobretudo as parafernálias de Roma. É o que conta Martini: Houve uma época em que eu sonhei com uma Igreja na pobreza e na humildade, que não dependesse das potências deste mundo. Uma Igreja que desse espaço para as pessoas que pensam mais além. Uma Igreja que transmitisse valor, especialmente a quem se sente pequeno ou pecador. Uma Igreja jovem. Hoje já não tenho esses sonhos. Depois dos 75 anos decidi rezar pela Igreja. Nunca mais o erro de Galileu O cardeal Martini sempre se empenhou em estabelecer um terreno comum de discussão entre leigos e católicos, confrontando também aqueles pontos nos quais não há consenso possível. Com essa intenção abriu um dos debates mais saborosos entre intelectuais contemporâneos, publicado em 1995 na Itália com o título de In cosa crede qui non crede? (Em que crêem os que não crêem?). Tratava-se de uma série de cartas trocadas entre o cardeal e o escritor Umberto Eco, sobre temas como quando começa a vida humana, o sacerdócio negado à mulher, a ética, ou como encontrar, o laico, a luz do bem. Um setor da hierarquia católica assistiu à controvérsia com indisfarçável incômodo, mas uma década depois o mesmo cardeal Ratzinger, hoje papa Bento 16, enfrentou um debate semelhante com o filósofo alemão Jürgen Habermas sobre a relação entre fé e razão. O cardeal Martini lamentou em 1995 que sua Igreja vivesse mergulhada em desolada resignação sobre o presente. Também admitiu diante de Eco o medo da ciência e do futuro. Então o fez com tesouros de sutileza, ele mesmo reconheceu. Dava como testemunho a prudência de Tomás de Aquino em semelhantes compromissos, por medo de Roma, que esteve a ponto de castigar quem hoje é um de seus guias mais ilustres. O cardeal, já aposentado – quer dizer, mais livre do que quando exercia responsabilidades hierárquicas -, se expressa no novo livro com a sutileza que usou no debate com Umberto Eco, mas coloca sobre a mesa pontos de vista surpreendentes para seus pares, como o controle da natalidade e os preservativos. Soam também como chicotadas seus elogios a Martinho Lutero e o desafio a Roma para que empreenda com coragem algumas das reformas que o frade alemão reclamou em seu tempo. No fundo de suas manifestações de hoje, em que o cardeal às vezes parece angustiado – com um sentimento mais trágico de sua fé -, surge o debate interminável do confronto entre a Igreja de Roma e a ciência e o pensamento moderno. Novamente é um jesuíta quem volta a colocar a discussão, para desgosto do Vaticano. A vantagem de Martini é que não está mais ao alcance de nenhuma pedrada. O também jesuíta George Tyrrell, o erudito tomista irlandês, foi castigado sem contemplações e suspenso de seus sacramentos. Inclusive teve negada sua sepultura em um cemitério católico quando morreu em 1909. Seu pecado: reivindicar, como Martini, o direito de cada época a adaptar a expressão do cristianismo às certezas contemporâneas, para apaziguar o conflito absolutamente desnecessário entre fé e ciência, que é um mero espantalho teológico. O que buscam todos esses pensadores católicos é espantar qualquer risco de cometer outra vez o erro de Galileu. É outra exigência do cardeal.
|
Cardeal Martini pede reforma da Igreja
| Copiado de http://www.caravideo.com.br/index.php?page=martini |
|
|
|
A Igreja deve ter a coragem de se reformar. Essa é a idéia principal do cardeal Carlo Maria Martini (nascido em Turim em 1927), um dos grandes eclesiásticos contemporâneos. Com elogios ao reformador protestante Martinho Lutero, o cardeal pede à Igreja Católica idéias para discutir, até a possibilidade de ordenar viri probati (homens casados, mas de fé comprovada) e mulheres. Também pede uma encíclica que termine com as proibições da Humanae Vitae, emitida por Paulo 6º em 1968 com severas censuras em matéria de sexo. O cardeal Martini foi reitor da Universidade Gregoriana de Roma, arcebispo da maior diocese do mundo (Milão) e papável. É jesuíta, publica livros, escreve em jornais e debate com intelectuais. Em 1999 pediu diante do Sínodo de Bispos Europeus a convocação de um novo concílio para concluir as reformas postergadas pelo Vaticano II, realizado em Roma entre 1962 e 1965. Agora volta à atualidade porque se publica na Alemanha (pela editora Herder) o livro Colóquio Noturnos em Jerusalém, como testamento espiritual do grande pensador. É assinado por Georg Sporschill, também jesuíta. Sem disfarces, o que Martini pede às autoridades do Vaticano é coragem para reformar-se e mudanças concretas, por exemplo, nas políticas sobre o sexo, um assunto que sempre desata os nervos e as iras dos papas, já que são solteiros. O celibato, afirma Martini, deve ser uma vocação, porque talvez nem todos tenham o carisma. Espera também a autorização do preservativo. E nem sequer o assusta um debate sobre o sacerdócio negado às mulheres, porque encomendar cada vez mais paróquias a um pároco ou importar sacerdotes do estrangeiro não é uma solução. Lembra ao Vaticano que no Novo Testamento havia diaconisas. Vários jornais europeus divulgaram a publicação de Colóquios Noturnos em Jerusalém, salientando a exortação do cardeal a não se afastar do concílio Vaticano II e a não ter medo de confrontar-se com os jovens. Exatamente sobre o sexo entre jovens, Martini pede para não desperdiçar relações e emoções, aprendendo a conservar o melhor para a união matrimonial. E rompe os tabus de Paulo 6º, João Paulo 2º e o atual papa, Joseph Ratzinger. Diz: Infelizmente, a encíclica Humanae Vitae teve conseqüências negativas. Paulo 6º evitou de forma consciente o problema para os padres conciliares. Quis assumir a responsabilidade de decidir sobre os anticoncepcionais. Essa solidão na decisão não foi, em longo prazo, uma premissa positiva para tratar dos temas da sexualidade e da família. O cardeal pede um novo olhar para o assunto, 40 anos depois do concílio. Quem dirige a Igreja hoje pode indicar uma via melhor do que a proposta pela Humanae Vitae, afirma. Sobre a homossexualidade, o cardeal diz com sutileza: Entre meus conhecidos há casais homossexuais, homens muito estimados e sociais. Nunca me pediram, nem teria me ocorrido, condená-los. Martini aparece no livro com toda a sua personalidade, de uma curiosidade intelectual sem limites. A ponto de reconhecer que quando era bispo perguntava a Deus: Por que não nos dá idéias melhores? Por que não nos faz mais fortes no amor e mais valentes para enfrentar os problemas atuais? Por que temos tão poucos padres? Hoje, aposentado e doente – acaba de deixar Jerusalém, onde vivia dedicado a estudar os textos sagrados, para ser tratado por médicos na Itália -, limita-se a pedir a Deus que não o abandone. Além do elogio a Lutero, o cardeal Martini revela suas dúvidas de fé, lembrando as que teve Teresa de Calcutá. Também fala sobre os riscos que um bispo tem de assumir, referindo-se a sua viagem a uma prisão para falar com militantes do grupo terrorista Brigadas Vermelhas. Os escutei e roguei por eles e inclusive batizei dois gêmeos filhos de pais terroristas, nascidos durante um julgamento, relata. Eu tive problemas com Deus, confessa em determinado momento. Foi por não conseguir entender por que fez seu filho sofrer na cruz. Acrescenta: Inclusive quando era bispo algumas vezes não conseguia olhar para o crucifixo porque a dúvida me atormentava. Também não conseguia aceitar a morte. Deus não poderia tê-la poupado aos homens, depois da de Cristo? Depois entendeu. Sem a morte não poderíamos nos entregar a Deus. Manteríamos abertas saídas de segurança. Mas não. É preciso entregar a própria esperança a Deus e crer nele. De Jerusalém a vida se vê de outra maneira, sobretudo as parafernálias de Roma. É o que conta Martini: Houve uma época em que eu sonhei com uma Igreja na pobreza e na humildade, que não dependesse das potências deste mundo. Uma Igreja que desse espaço para as pessoas que pensam mais além. Uma Igreja que transmitisse valor, especialmente a quem se sente pequeno ou pecador. Uma Igreja jovem. Hoje já não tenho esses sonhos. Depois dos 75 anos decidi rezar pela Igreja. Nunca mais o erro de Galileu O cardeal Martini sempre se empenhou em estabelecer um terreno comum de discussão entre leigos e católicos, confrontando também aqueles pontos nos quais não há consenso possível. Com essa intenção abriu um dos debates mais saborosos entre intelectuais contemporâneos, publicado em 1995 na Itália com o título de In cosa crede qui non crede? (Em que crêem os que não crêem?). Tratava-se de uma série de cartas trocadas entre o cardeal e o escritor Umberto Eco, sobre temas como quando começa a vida humana, o sacerdócio negado à mulher, a ética, ou como encontrar, o laico, a luz do bem. Um setor da hierarquia católica assistiu à controvérsia com indisfarçável incômodo, mas uma década depois o mesmo cardeal Ratzinger, hoje papa Bento 16, enfrentou um debate semelhante com o filósofo alemão Jürgen Habermas sobre a relação entre fé e razão. O cardeal Martini lamentou em 1995 que sua Igreja vivesse mergulhada em desolada resignação sobre o presente. Também admitiu diante de Eco o medo da ciência e do futuro. Então o fez com tesouros de sutileza, ele mesmo reconheceu. Dava como testemunho a prudência de Tomás de Aquino em semelhantes compromissos, por medo de Roma, que esteve a ponto de castigar quem hoje é um de seus guias mais ilustres. O cardeal, já aposentado – quer dizer, mais livre do que quando exercia responsabilidades hierárquicas -, se expressa no novo livro com a sutileza que usou no debate com Umberto Eco, mas coloca sobre a mesa pontos de vista surpreendentes para seus pares, como o controle da natalidade e os preservativos. Soam também como chicotadas seus elogios a Martinho Lutero e o desafio a Roma para que empreenda com coragem algumas das reformas que o frade alemão reclamou em seu tempo. No fundo de suas manifestações de hoje, em que o cardeal às vezes parece angustiado – com um sentimento mais trágico de sua fé -, surge o debate interminável do confronto entre a Igreja de Roma e a ciência e o pensamento moderno. Novamente é um jesuíta quem volta a colocar a discussão, para desgosto do Vaticano. A vantagem de Martini é que não está mais ao alcance de nenhuma pedrada. O também jesuíta George Tyrrell, o erudito tomista irlandês, foi castigado sem contemplações e suspenso de seus sacramentos. Inclusive teve negada sua sepultura em um cemitério católico quando morreu em 1909. Seu pecado: reivindicar, como Martini, o direito de cada época a adaptar a expressão do cristianismo às certezas contemporâneas, para apaziguar o conflito absolutamente desnecessário entre fé e ci
ência, que é um mero espantalho teológico. O que buscam todos esses pensadores católicos é espantar qualquer risco de cometer outra vez o erro de Galileu. É outra exigência do cardeal. |
Pampa poderá ser tombado pela UNESCO como Reserva da Biosfera
Em reunião ocorrida no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília, dia 28.08, foi aprovada a ampliação da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA). A proposta foi apresentada pela Rede Brasileira de Reservas da Biosfera, resultado dos trabalhos iniciados em 2006 e aprovados em 2007 pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera (CN-RBMA). A aprovação unânime se deu na reunião do Comitê Brasileiro para o Programa “O Homem e a Biosfera” (MaB), da UNESCO, previsto na lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O Centro de Estudos Ambientais (CEA) tem assento no COBRAMAB, sendo a única ONG ecológica brasileira a compor o Comitê, representando o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais Para Desenvolvimento Sustentável (FBOMS). Entre as atribuições do COBRAMAB está a coordenação do Programa MaB, o qual foi criado em 1968, após a Conferência sobre a Biosfera, realizada pela UNESCO, em Paris.

Segundo Antonio Soler, advogado ambientalista, representante do CEA no COBRAMAB, a decisão “é importante e inédita para a proteção do bioma Pampa, o qual não apresenta áreas protegidas na proporção de sua diversidade biológica e relevância ecológica”.
Pampa poderá ser tombado pela UNESCO como Reserva da Biosfera
Em reunião ocorrida no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília, dia 28.08, foi aprovada a ampliação da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica (RBMA). A proposta foi apresentada pela Rede Brasileira de Reservas da Biosfera, resultado dos trabalhos iniciados em 2006 e aprovados em 2007 pelo Conselho Nacional da Reserva da Biosfera (CN-RBMA). A aprovação unânime se deu na reunião do Comitê Brasileiro para o Programa “O Homem e a Biosfera” (MaB), da UNESCO, previsto na lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O Centro de Estudos Ambientais (CEA) tem assento no COBRAMAB, sendo a única ONG ecológica brasileira a compor o Comitê, representando o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais Para Desenvolvimento Sustentável (FBOMS). Entre as atribuições do COBRAMAB está a coordenação do Programa MaB, o qual foi criado em 1968, após a Conferência sobre a Biosfera, realizada pela UNESCO, em Paris.

Segundo Antonio Soler, advogado ambientalista, representante do CEA no COBRAMAB, a decisão “é importante e inédita para a proteção do bioma Pampa, o qual não apresenta áreas protegidas na proporção de sua diversidade biológica e relevância ecológica”.
Sempre a Madonna!
![]() |
|
| Madonna ainda se apresenta em Londres, Nova York e São Paulo |
“Eu dedico esta música ao papa, porque eu sou uma filha de Deus”, disse a cantora a uma audiência de 60 mil pessoas na capital italiana. “Todos vocês também são filhos de Deus.”
Há dois anos, Madonna foi criticada pela Igreja Católica por realizar uma simulação de crucificação em um show no Estádio Olímpico de Roma.
Mas os jornais italianos publicaram críticas favoráveis ao show de artista americana, de 50 anos.
“Na etapa romana de sua turnê, Madonna não perdeu a oportunidade de uma provocação que certamente será debatida”, disse o Corriere della Sera.
Madonna tem uma longa história de uso de símbolos religiosos em suas performances. Em seu vídeo de 1989 para a canção Like a Prayer, ela incluiu cruzes em chamas, estátuas com lágrimas de sangue e uma sedução de um suposto Jesus negro.
Sempre a Madonna!
![]() |
|
| Madonna ainda se apresenta em Londres, Nova York e São Paulo |
“Eu dedico esta música ao papa, porque eu sou uma filha de Deus”, disse a cantora a uma audiência de 60 mil pessoas na capital italiana. “Todos vocês também são filhos de Deus.”
Há dois anos, Madonna foi criticada pela Igreja Católica por realizar uma simulação de crucificação em um show no Estádio Olímpico de Roma.
Mas os jornais italianos publicaram críticas favoráveis ao show de artista americana, de 50 anos.
“Na etapa romana de sua turnê, Madonna não perdeu a oportunidade de uma provocação que certamente será debatida”, disse o Corriere della Sera.
Madonna tem uma longa história de uso de símbolos religiosos em suas performances. Em seu vídeo de 1989 para a canção Like a Prayer, ela incluiu cruzes em chamas, estátuas com lágrimas de sangue e uma sedução de um suposto Jesus negro.
Padres italianos e suas inusitadas idéias…
O concurso já tinha nome, “Irmã Itália 2008”, e estava marcado para começar em setembro, no blog do padre Antonio Rungi, da paróquia de Mondragone no sul do país.
Conforme a intenção do religioso, a escolha seria feita via internet e, além das freiras mais bonitas, os internautas elegeriam também os projetos de trabalho mais interessantes das irmãs.
O aspecto físico, contudo, acabou tendo maior repercussão e isso prejudicou o projeto, na avaliação do clérigo, que interrompeu tudo nesta segunda-feira.
“Estão tentando impedir minha iniciativa, isto é certo”, disse padre Rungi à BBC Brasil.
O padre lamentou o destaque excessivo ao aspecto estético, dado pela imprensa, argumentando que a idéia era apresentar as freiras mais expressivas, que tivessem uma história de vida para contar.
“Não seria uma competição de miss, com passarela e desfiles, mas um concurso de beleza global, não apenas exterior mas interior”, esclareceu.
A notícia teve destaque na imprensa nacional e internacional e o sacerdote foi chamado por seu superior, o monsenhor provincial da ordem dos passionistas de Nápoles, para dar explicações.
Brasileiras
“Ele (meu superior) ficou confuso e provavelmente foi contatado pela Santa Sé. Não entenderam que se trata de um blog. As freiras se apresentariam com áudio e vídeo e poderiam ser votadas com base na opção de vida religiosa que representam. É claro que, tendo uma bela foto, o aspecto físico também seria votado. Há algo de mal nisso?” questionou.
Segundo o padre Antonio, por causa da crise de vocações na Itália, estão vindo religiosas de outros países, mais jovens e com vitalidade. Ele disse aos jornais italianos que há freiras “muito bonitas” provenientes da África e da América Latina, “sobretudo as brasileiras”.
“Sem discriminar as outras, as brasileiras são mais alegres e joviais. Quem esteve no Brasil sabe como vivem, é um povo alegre. Elas levam esta espiritualidade da alegria às comunidades religiosas onde vão. Neste sentido, é uma beleza que se transfere em comportamentos, atitudes e felicidade pela escolha que fizeram”, disse padre Rungi à BBC Brasil.
O clérigo é conhecido também por suas atividades de divulgação da fé em situações inusitadas, como rezar o terço nas praias em meio aos banhistas de férias. Na interpretação dele o concurso seria um jeito de usar os meios de comunicação modernos para evangelizar.
“É preciso valorizar as novas linguagens, a nova mídia, para levar o bem”, justificou o sacerdote que, devido às críticas que recebeu, resolveu suspender o concurso e o próprio blog.
‘Provocações’
“Suspendi porque começaram a chegar provocações em vídeos e fotos que nada tinham a ver com o argumento, enviados por pessoas que desejam deturpar a boa iniciativa, que nem era minha”.
Quem deu a idéia do concurso foram as próprias freiras, segundo o religioso. “Elas me diziam: ‘porque não organizar a visibilidade dos institutos num blog, onde as freiras contariam suas experiências?’”
Nem todas as religiosas contudo vêem a idéia de forma positiva.
“Quem esté a fim de ser miss?”, disse à BBC Brasil a Irmã Natália, brasileira de Santa Catarina que vive em Roma há 3 anos. Pertencente à Ordem das Paulinas, congregação especializada em comunicações sociais, a religiosa não concorda com a proposta de votar o trabalho realizado pelas freiras.
“Todos os trabalhos são válidos, um completa o outro. Não é justo definir um melhor do que o outro, nem criticar uma vocação ou tendência ”, disse.
Para retomar o projeto, padre Antonio Rungi vai precisar da autorização das próprias religiosas e das madres superioras por escrito, além de passar pelo aval do Vaticano.
“Não estou fazendo nada de mal, é uma forma moderna de promover a imagem das freiras que não são aquelas velhas que querem nos mostrar. São diplomadas, inteligentes, preparadas e poderiam ter uma visibilidade até por sua beleza física, não vejo porque se escandalizar”, defendeu o clérigo.
O padre disse que recebeu telefonemas de freiras do Brasil e da Argentina, aprovando a iniciativa.
“Acho difícil que ele consiga criar esse concurso, se quiser mesmo divulgar o trabalho das irmãs através da eleição de miss. É meio estranho mas, quem sabe…”, avaliou a Irmã Natália.



