Arquivo da categoria: Uncategorized

Escritor português José Samarago morre aos 87 anos

José Saramago

O escritor português José Samarago morreu nesta sexta-feira em sua casa em Lanzarote, nas ilhas Canárias, Espanha, aos 87 anos.

Saramago ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1998.

O escritor passou recentemente vários períodos hospitalizado por problemas respiratórios.

Saramago é autor de obras como O Evangelho Segundo Jesus Cristo, A Viagem do Elefante e Ensaio sobre a Cegueira, que foi transformado em filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles em 2008.

Falha do glifosato gera temor por uso de agrotóxicos ainda mais violentos

O que leva uma grande corporação a admitir que um de seus principais produtos é falho? A pergunta vem sendo repetida nas últimas semanas, à medida que a Monsanto divulga mais informações de que o glifosato, base de seu principal herbicida, o Roundup, não dá conta das promessas de que seria infalível.

Usado em ampla escala, o produto da principal empresa de sementes e agrotóxicos do mundo foi apresentado durante anos como a solução para se obter uma lavoura com altíssima produtividade e custos mais baixos. A empresa de St. Louis, nos Estados Unidos, desenvolveu para isso as variedades de sementes Roundup Ready, que em tese resultariam nas únicas plantas resistentes à solução à base de glifosato – todo o resto ao redor morreria, inclusive as ervas daninhas que incomodam os produtores.

Mas, hoje, só nos Estados Unidos há 130 tipos de super-ervas daninhas capazes de resistir ao Roundup, a maioria nas plantações de soja e de algodão. A Monsanto aponta que vai buscar uma solução para o caso.

Paulo Kageyama, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, entende que aí está a admissão dos problemas no herbicida: o desenvolvimento de um novo produto. O integrante da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio), órgão responsável pela liberação de novos transgênicos e pela autorização de testes para produtos e agrotóxicos, aponta que é melhor admitir a falha do Roundup para aumentar a importância da eventual solução a ser apresentada. “Essa é a prática da indústria de sementes. Querem ter o domínio do mercado pensando que o avanço da tecnologia é o uso de cada vez mais agroquímicos”, pondera Kageyama.

A promessa da empresa é de que a nova linha chegará ao produtor com custos mais baixos que os atuais. Mas é preciso saber como será essa nova linha, quais seus efeitos para a saúde dos trabalhadores rurais e do consumidor final. Agrotóxicos estão para as plantas como alguns tipos de remédios estão para o corpo humano: quanto mais se usa, menor será o efeito e será preciso recorrer a um novo produto, muitas vezes mais forte que o anterior, com possíveis efeitos colaterais graves.

Por isso, é de se esperar um novo coquetel de agrotóxicos altamente violento. Kageyama teme a confirmação dos rumores de que o novo produto da Monsanto tenha como base o 2,4-D. Esse produto era um dos componentes do Agente Laranja, primeiro herbicida “seletivo” a ter uso comercial. O agente foi utilizado inicialmente na década de 1960, durante a Guerra do Vietnã. A intenção oficial era desfolhar dezenas de milhares de hectares de florestas para evitar ataques-surpresa e acabar com as lavouras que alimentavam as tropas vietnamitas.

Além dos efeitos imediatos sentidos pela população, como intoxicação, o 2,4-D provoca problemas na renovação celular, gerando leucemia – efeito registrado em vários veteranos de guerra dos Estados Unidos.

Outra possibilidade é a ampliação do uso de glufosinato de amônio, aplicado em lavouras de milho e de arroz. A expectativa é de que as demais empresas de biotecnologia busquem o avanço do produto, banido no ano passado em toda a União Europeia. A conclusão dos especialistas consultados pela Comissão Europeia é de que o glufosinato apresenta alta toxicidade, com riscos para os humanos, em especial para as crianças.

“O argumento inicial, que era o benefício ao meio ambiente, já foi enterrado. E economicamente também não vale a pena para o produtor, que tem de usar cada vez mais agrotóxicos e cada vez mais fortes”, argumenta Iran Magno, coordenador da Campanha sobre Transgênicos do Greenpeace.

Questão econômica – “A forma como usamos o glifosato é que acaba gerando complicações. Eu diria que a gente tem informações técnicas que permitem controlar o problema ou até evitar”, afirma Dionísio Grazieiro, pesquisador da Embrapa Soja, a estatal de pesquisa agrícola.

Paulo Kageyama discorda. Ele aponta que os produtores passaram a utilizar amplamente as sementes transgênicas – e os agrotóxicos que as acompanham – graças a uma eficiente estratégia de marketing que prometia alta rentabilidade. “Sempre vão culpar o agricultor, dizer que é ‘burro’. Não que a propaganda é que é enganosa. Esse é o problema da indústria química, que é poderosa e ‘tratora’ tudo”, lamenta.

Uma das explicações para que o Roundup perca efetividade – o uso repetido – tem por trás de si outras duas questões. A primeira é de ordem econômica: se os preços da soja compensam, os produtores acabam optando pela monocultura, que favorece amplamente as ervas daninhas. Por outro lado, há pouca saída para o proprietário. Aquele que opta pelo cultivo de soja transgênica está fadado a pagar royalties cada vez mais altos às empresas de biotecnologia. Deixar de pagar esses direitos de uso tampouco é fácil: a área agricultada teria de ficar algum tempo sem ser utilizada até que recupere a ‘normalidade’. Esta alternativa é penosa e poucos produtores estão dispostos ou têm possibilidades financeiras de arcar com ela.

Os sojicultores têm reagido à Monsanto, acusada de “manipulação” e “imposição de regras”. A Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) decidiu recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça para barrar o poder da multinacional.

“Se você produzir acima da média de 55 sacas por hectare, tem que pagar um adicional de 2%. Se misturar com convencional, também paga. Eles querem fazer papel de governo”, afirma o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira da Silva, ao jornal Valor Econômico.

“Outro problema é que em algumas regiões a Monsanto estimulou os sementeiros a produzirem muito mais sementes transgênicas do que convencionais. Hoje em dia, é difícil achar a semente convencional para retornar a esse tipo de cultivo”, adiciona Magno, do Greenpeace.

Aparentemente, não haverá saída para este caso, pelo menos a curto prazo. O anseio por retorno econômico imediato segue sendo a arma para convencer os produtores de que o melhor é optar pelas variedades transgênicas, mesmo que isso signifique o uso cada vez maior de agrotóxicos. E, caso o uso de 2,4-D passe a ser difundido, os riscos para a saúde se incrementam.

“É o uso de cada vez mais agrotóxicos como um sinônimo de avanço tecnológico. Estamos vivendo um momento muito difícil”, pontua Kageyama, e finaliza: “Todas as coisas que a gente acha que deveriam avançar na biossegurança, eles acham que deve ser a biotecnologia pela biotecnologia.

Cala Boca Galvão chega ao NY Times: Ele é uma máquina de lugar comum

O NY Times de hoje publicou uma reportagem sobre o fenômeno mundial que é este vídeo que finge proteger a espécie galvão, como se fosse uma ave da Amazônia, e na verdade é sobre Galvão Bueno, uma máquina de dizer lugar comum.

O fenômeno “Cala Boca Galvão” gerou outro vídeo que já se tornou um sucesso, nele, vemos o próprio Adolf Hitler, desesperado, a dizer Cala Boca Galvão.

Apelo: Prêmio Nobel da Paz 2011 para as mulheres africanas


A África caminha com os pés das mulheres. No desafio da sobrevivência, todos os dias centenas de milhares de mulheres africanas percorrem as estradas do continente à procura de uma paz duradoura e de uma vida digna. Num continente massacrado há séculos, marcado pela pobreza e sucessivas crises econômicas, o papel desenvolvido pelas mulheres é notório.

A campanha, nascida na Itália, já percorre o mundo para incentivar a entrega do Prêmio Nobel da Paz de 2011 para as mulheres africanas.

A proposta é da CIPSI, coordenação de 48 associações de solidariedade internacional, e da ChiAma África, surgida no Senegal, em Dakar, durante o seminário internacional por um Novo Pacto de Solidariedade entre Europa e África, que aconteceu de 28 a 30 de dezembro de 2008.

Chama a atenção a luta e o crescente papel que as mulheres africanas desenvolvem, tanto nas aldeias, quanto nas grandes cidades, em busca de melhor condição de vida. São elas que sustentam a economia familiar realizando qualquer atividade, principalmente na economia informal, que permite cada dia reproduzir o milagre da sobrevivência.

Existem na África milhares de cooperativas que reúnem mulheres envolvidas na agricultura, no comércio, na formação, no processamento de produtos agrícolas. Há décadas, elas são protagonistas também na área de microfinanças, e foi graças ao microcrédito que surgiram milhares de pequenas empresas, beneficiando o desenvolvimento econômico e social, nas áreas mais remotas até as mais desenvolvidas do continente.
Além de terem destaque cada vez mais crescente na área de geração de emprego e renda, as mulheres, com seu natural instinto materno e protetor, lutam pela defesa da saúde, principalmente, contra o HIV e a malária. São elas, as mulheres africanas, que promovem a educação sanitária nas aldeias. E, além de tudo, lutam para combater uma prática tão tradicional e cruel na região: a mutilação genital.

São milhares as organizações de mulheres comprometidas na política, nas problemáticas sociais, na construção da paz.
Na África varrida pelas guerras, as mulheres sofrem as penas dos pais, dos irmãos, dos maridos, dos filhos destinados ao massacre e sabem, ainda, acolher os pequenos que ficam órfãos. “As mulheres africanas tecem a vida”, escreve a poetisa Elisa Kidané da Eritréia. Sem o hoje das mulheres, não haveria nenhum amanhã para a África.

Em virtude de toda essa luta e para reconhecer o papel de todas elas é que surgiu a proposta de lançar uma Campanha Internacional para dar o Prêmio Nobel da Paz de 2011, a todas as mulheres africanas. Trata-se de uma proposta diferente, já que esta não é uma campanha para atribuir o Nobel a uma pessoa singular ou a uma associação, mas sim, um Prêmio Coletivo, a todas essas guerreiras.

A ideia é lançar um manifesto assinado por milhões de pessoas, por personalidades reconhecidas internacionalmente e criar comitês nacionais e internacionais na África e em outros continentes. Além de recolher assinaturas, a campanha deve estimular também encontros organizados com mulheres africanas, convenções e iniciativas de movimento.

Nós, latino-americanos e latino-americanas, temos muito sangue africano em nossas veias e em nossas culturas. Vamos gritar nossa solidariedade com a África assinando a petição.

A criatividade dos Movimentos Sociais e Populares, das ONGs, grupos religiosos, universidades, sindicatos, etc., pode inventar mil atividades para difundir essa iniciativa e colocar a mulher africana no centro da opinião pública do mundo.

Pode-se criar comitês, eventos com debates sobre a África, show de artistas locais, palestras nas universidades, nos bairros, nas praças, lançamentos da coleta de assinaturas, etc. Nossa criatividade vai fortalecer os caminhos da África.

Os membros da campanha são todos aqueles que assinarem a petição online. E para fazê-lo é simples.
Para mais informações, contate a Campanha pelo endereço: info@noppaw.org ou segretaria@noppaw.org ou no site http://www.noppaw.org/

*Matéria originalmente publicada no site Adital

Luigi Padovese, bispo capuchinho na Turquia, é assassinado

Mgr Luigi Padovese, bishop of Iskenderun, in Anatolia, was killed today around 1 pm.

A priest friend had just met and spoken to him right after 12 o’clock.

The prelate’s driver and aide, a Muslim who had worked for the prelate for some time, is thought to have attacked the bishop with a knife.

Eyewitnesses said that the driver appeared “depressed, violent and threatening” in recent days.

Mgr Padovese, 63, was appointed Apostolic Vicar to Anatolia in 2004.

Currently, he was the president of the Catholic Bishops’ Conference of Turkey.

He was closely involved in ecumenical work and in the dialogue with Islam as well working to revive Turkey’s Christian communities.

He had met Turkish authorities yesterday to discuss problems affecting Christian minorities.

He was supposed to visit Cyprus tomorrow to meet Benedict XVI who is visiting the island where he will issue the Instrumentum Laboris for the Synod for the Churches of the Middle East.

This is not the first time that the Catholic Church in Turkey is the subject of threats, violence and death.

In 2006, a Fidei Donum priest, Fr Andrea Santoro, was assassinated in Trabzon.

In 2006, during the memorial Mass for the murdered priest, Mgr Padovese said, “we forgive whoever carried out this act. It is not by destroying someone who holds opposing views that conflicts can be resolved. The only path that must be taken is that of dialogue, of reciprocal recognition, of closeness and friendliness. But as long as television programs and newspaper articles produce material that shine a bad light on Christians and show them as enemies of Islam (and vice versa), how can we imagine a climate of peace?” Always talking about Fr Santoro, he added, “Whoever wanted to erase his physical presence does not know that his witness is now even stronger.”

Fr Federico Lombardi, director of the Holy See Press Office, said, “What has happened is terrible if we think about other examples of bloodshed in Turkey, like the murder of Fr Santoro a few years ago. [. . .] Let us pray that the Lord may reward him for his great service to the Church and that Christians not be discouraged,” but instead “follow his strong witness and continue to profess their faith in the region.”

Uma preparação um tanto esquizofrênica

Problemas com a imprensa e amistoso milionário contra país de ditador fazem parte da estranha preparação da seleção de Dunga para a Copa do Mundo

Tudo começou no dia 11 de maio quando o ex-capitão Dunga convocou os seus 23 preferidos para vestir o fardamento canarinho na primeira Copa do Mundo Fifa a ser realizada em território africano. Enquanto todos pediam os meninos Ganso e Neymar que brilhavam no Santos, as surpresas foram Kléberson, reserva do Flamengo, e Grafite, que jogou apenas 15 minutos num amistoso contra a Irlanda e deu um passe de calcanhar para Robinho marcar.

Dunga exaltou o patriotismo e disse não saber afirmar se os períodos da ditadura e da escravidão foram ruins porque não os viveu. Invocou a dedicação para justificar a presença de jogadores de futebol duvidável como Doni, Gilberto, Josué, Gilberto Silva, Felipe Mello, Julio Batista, Elano… dai já vai praticamente metade da patota.

No dia 21 de maio, a seleção da CBF começou a sua preparação para a Copa no Centro de Treinamento do Caju, do Clube Atlético Paranaense. Dizem a más línguas, que o fato de a seleção ter o Caju como base de treinamento fez parte do acordo para o Atlético-PR votar no candidato da CBF Kléber Leite, na eleição dos Clube dos 13, em abril.

Contudo o que se viu nesse período em que o time de Dunga esteve treinando no Brasil foi tudo menos os jogadores e futebol. Portões fechados para a imprensa e a torcida. Protestos e revolta por parte dos fãs curitibanos que queriam ver os seus ídolos de perto. Permissão concedida pela cúpula da comissão técnica apenas no último dia em Curitiba. Problema resolvido com o povo, deve ter pensado Dunga. Porém a outra parte dos que estavam presentes, para informar o resto da população brasileira, a imprensa, não ficam tão feliz e assim começou um atrito com o “carismático” técnico da seleção que viria se agravar com o tempo.

Em seguida, os jogadores, comissão técnica e o alto escalão da CBF, entre eles o presidente Ricardo Teixeira e o chefe da delegação brasileira na África do Sul, o presidente do Corinthians e amigo pessoal de Teixeira, Andres Sanches – que também votou a favor de Kleber Leite na eleição do Clube dos 13 – viajaram para Brasília. No Palácio do Planalto foram recebidos pelo presidente Lula. Neste encontro duas cenas no mínimo engraçadas: na primeira, na foto geral com todos os jogadores, o presidente Teixeira se viu espremido entre a barriga do presidente Sanches e o ombro do presidente Lula. Na outra, o patriótico e carrancudo Dunga cumprimenta de cara fechada e com a mão no bolso o sorridente presidente da República.

Rumo à África do Sul surgiu um boato de ordem política e organizacional, mas em relação a Copa de 2014 no Brasil. Os amigos Teixeira e Sanches parecem ter trocados figurinhas durante o vôo sobre uma certa construção que abalaria moralmente e politicamente um inimigo em comum: o presidente do São Paulo Futebol Clube, Juvenal Juvêncio. Juvenal, por sinal, estava na chapa vencedora de Fabio Koff na eleição do Clube dos 13. Mas voltando a construção: trata-se da arena multi-uso que seria erguida em São Paulo para servir de abertura para o torneio mundial de 2014. Com essa decisão o Corinthians ganharia de presente o seu tão sonhado estádio e Teixeira acabaria com as esperanças de Juvêncio de ver o Morumbi como abertura para a Copa de 2014. No olho deste furacão, o prefeito Gilberto Kassab por enquanto se esquivou: “nada a declarar”.

Voltando a Dunga e a preparação para a Copa deste ano. A seleção da CBF está hospedada num hotel construído especificamente para o mundial e de acordo com o padrão Dunga de segurança e reclusão. Faz corridas no campo de golfe anexo ao hotel e treina numa escola particular próxima. Todas as instalações utilizadas pelos jogadores e comissão técnica ficam numa área de altíssimo nível na periferia da gélida Joanesburgo, frequentada praticamente apenas por brancos, segregação social herdada do apartheid – período em que essa separação era explicitamente racial.

Como de praxe, a seleção realizará amistosos para servir de preparação técnica antes do início do torneio. Só que neste ano, como também tem sido de praxe por parte da CBF de Teixeira, os amistosos terão interesses econômicos. Juntos, os amistosos contra Zimbábue e Tanzânia arrecadarão aos cofres da entidade 5 milhões de euros. Mesmo tecnicamente, esses jogos são questionáveis porque ambas seleções ficaram longe de se classificar para o Mundial e estão aquém de outros conjuntos nacionais africanos que o Brasil poderia enfrentar como a anfitriã África do Sul e a irmã Angola, que enviaram convites a CBF logo recusados.

O amistoso contra o Zimbábue no dia 2 de junho envolve questões políticas muito delicadas que a seleção brasileira, em fase de preparação para a Copa, não deveria se envolver. O Zimbábue é um dos países mais pobres do mundo, não tem uma moeda corrente própria por causa da incalculável inflação e está sob um sangrento regime de repressão há trinta anos comandado pelo ditador Robert Mugabe, que foi o mais beneficiado pelo amistoso. Mugabe desembolsou milhões de euros para dar um dia de paz e alegria para o seu povo poder ir assistir os “samba boys” brasileiros no estádio Nacional de Harare, capital do país, reformado recentemente com dinheiro e trabalhadores chineses. Na capa de hoje do jornal do governo zimbabuano, o de maior circulação no país, o ditador Mugabe aparece cumprimentando o sorridente Kaká. Vitória de Mugabe.

De volta a Joannesburgo, os jogadores brasileiros realizaram um treinamento no estádio de Glastonbury, em Soweto, bairro pobre da periferia da capital que ficou famoso pela resistência ao apartheid e que tem como morador ilustre o ex-presidente Nelson Mandela. O evento foi organizado pela Fifa e tinha como objetivo aproximar a população mais pobre sul-africana do rico evento que a federação está organizando no país.

Nesta mesma quinta-feira 3, a rixa entre imprensa e comissão técnica teve mais um episódio. O auxiliar Jorginho reclamou que os jornalistas andam apenas criticando e parece que estão torcendo contra a seleção. Revoltado, ressaltou que essa disputa apenas fortalece e não atrapalha. Aparentemente Jorginho e Dunga estão acostumados com a parte da imprensa que tem como slogan “o nosso compromisso é torcer pelo Brasil” e se esqueceu que o papel dos jornalistas não é torcer nem a favor e nem contra, mas de apenas analisar e informar a situação apresentada.

A seleção segue treinando entre a elite até domingo quando parte para a Tanzânia para um novo amistoso contra a seleção local na segunda-feira. Pelo menos na Tanzânia há uma democracia.

Amantes de padres católicos pedem fim de celibato em carta

Representantes de um grupo de mulheres que dizem ter relações sentimentais com sacerdotes católicos divulgaram uma carta aberta que enviaram ao Vaticano para pedir o fim do celibato para os padres.

O grupo é formado por cerca de 40 mulheres de várias cidades da Itália, que tiveram ou ainda têm um relacionamento com padres católicos. Elas se conheceram e se comunicam através da internet.

Elas dividem experiências e pedem orientações. A maioria prefere manter a própria identidade sob sigilo.

Recentemente, 10 mulheres deste grupo escreveram uma carta aberta ao Papa, pedindo que o celibato seja eliminado ou se torne opcional.

“Estamos acostumadas a viver de forma anônima os poucos momentos que os padres nos concedem e vivemos diariamente o medo e as inseguranças dos nossos homens, suprindo suas carências afetivas e sofrendo as consequências da obrigação do celibato”, diz o texto da carta, que foi enviada a 150 órgãos de imprensa italianos.

A carta foi assinada apenas por três mulheres: Antonella Carisio, Maria Grazia Filipucci e Stefania Salomone. As outras preferiram permanecer no anonimato.

“Todos têm medo porque estamos perto do Vaticano. As mulheres, os padres e as pessoas que sabem dos casos preferem não falar. Por causa disso é difícil que na Itália exista uma verdadeira associação, como existe na França, na Suíça ou na Espanha”, disse Stefania Salomone à BBC Brasil.

Embora exista desde 2007, o grupo só ficou conhecido recentemente, devido ao escândalo dos abusos sexuais cometidos por padres católicos.

O celibato foi apontado como uma das possíveis causas dos abusos e a ala progressista da Igreja Católica defende sua abolição. O papa Bento 16, no entanto, reafirmou que o celibato é obrigatório e que seu valor é “sagrado”.

“Quando ouvimos mais uma vez o papa declarar que o celibato é sagrado, decidimos escrever pedindo que ele seja eliminado ou que se torne opcional”, disse Stefania, 42 anos, de Roma.

Ela disse que teve um relacionamento de 5 anos com um sacerdote. Casos como o seu são comuns, segundo ela, embora não sejam divulgados.

“A coisa fundamental é que não se saiba. O superior do religioso não tem interesse de impedir que o padre se encontre com uma mulher ou mesmo com um homem. O problema surge quando isto se torna público, ou quando desta relação nasce um filho. No grupo temos mulheres com filhos de padres.”

Transferência
Quando os casos são descobertos, segundo ela, os clérigos são transferidos para outras dioceses, como ocorreu com um padre brasileiro que teria se envolvido com outra mulher do grupo.

Antonella Carisio, de 42 anos, divorciada, com um filho de 15 anos, diz que teve uma relação de quase dois anos com o sacerdote brasileiro.

O religioso foi transferido para o Brasil, depois que o caso foi descoberto.

“Tenho certeza que ele quis voltar ao Brasil para colocar um fim no nosso relacionamento, que foi muito intenso.”, declarou Antonella à BBC Brasil.

“Todos na minha família o conheciam, até minha avó, e eram cordiais com ele. Chegamos a sair diversas vezes com meu filho, que eu não teria envolvido se não fosse um relacionamento sério”, afirmou Antonella.

A família do sacerdote no Brasil contudo, não sabia de nada. “Seria um choque para sua mãe, familiares e amigos” , diz a italiana.

“Eu estava disposta a ficar a seu lado do mesmo jeito, nunca impus que deixasse o sacerdócio. Seria difícil para ele, que entrou no seminário aos 12 anos de idade e viveu 30 anos nesta condição. Eu teria aceito ficar na sombra”.

Na avaliação de Antonella, os sacerdotes não têm o apoio necessário para enfrentar os problemas ligados à sexualidade e aos sentimentos.

“Nos seminários ensinam apenas a excluir os sentimentos da própria vida e a criar uma parede entre si e os outros. Como podem entender certas situações que nunca viveram?”

De acordo com Stefania Salomone, dificilmente um padre envolvido com uma mulher deixa o sacerdócio.

“A maior parte não abandona o sacerdócio por uma mulher. Preferem ter as duas coisas pois não suportam deixar de ser ministros sagrados para entrar na rotina de um casamento”.

O grupo tem o apoio de outros movimentos católicos que defendem o fim do celibato, como a associação de padres casados e o movimento internacional “Nós somos Igreja” .

Um estudo publicado pela revista Civiltà Cattolica, da Ordem dos Jesuitas, aponta que em 40 anos, de 1964 a 2004, 69 mil padres deixaram o sacerdócio no mundo. A maior parte dos pedidos de dispensa, segundo o estudo, deve-se a situações de instabilidade afetiva.

Bolsa Família aumenta renda de beneficiário em 48%, diz governo

As famílias que recebem os benefícios do Bolsa Família conseguem aumentar seus ganhos mensais em 48% com o programa de distribuição de renda, indica um levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome.

De acordo com o estudo, sem o benefício essas famílias teriam uma renda mensal per capita de R$ 48,69. O ganho, no entanto, sobe para R$ 72,42 quando a ajuda do governo federal é contabilizada.

A pesquisa também traz uma atualização sobre o perfil dos beneficiários. A maior parte das pessoas que compõem essas famílias mora em áreas urbanas (70%), tem casa própria (61,6%), é mulher (54%) e de cor parda (64%).

A família típica do Programa, segundo o estudo, é formada por quatro pessoas, além de ter como responsável legal uma mulher de 37 anos de idade, parda e com a 4ª série do ensino fundamental completa.

Criado em 2003, o Bolsa Família tem cerca de 12 milhões de famílias cadastradas, com um orçamento aproximado de R$ 13 bilhões.

Feminista diz em livro que movimento ecológico oprime as mães

Bebê sendo amamentado

Um livro escrito pela filósofa e feminista francesa Elisabeth Badinter, que será lançado este ano no Brasil, está causando grande polêmica na França por acusar os movimentos ecológicos de contribuir para a regressão do papel da mulher na sociedade ao “impor” a amamentação, o uso de fraldas de pano e a necessidade de alimentar os bebês somente com produtos naturais, preparados em casa.

O livro Le Conflit – La Femme et la mère (O Conflito – A Mulher e a mãe, em tradução literal – o título da edição brasileira, que deve ser lançada pela Editora Record até o final do ano, ainda não foi definido) já vendeu mais de 150 mil exemplares e está na lista de best-sellers na França desde seu lançamento, em fevereiro.

Atualmente na 11ª posição global, segundo o ranking da revista Livres Hebdo, o livro chegou a ser número um de vendas e ocupou durante várias semanas consecutivas o segundo ou terceiro lugares.

Segundo a autora, o discurso ecológico está limitando as mulheres ao papel único de mãe ao exigir uma série de comportamentos e deveres que tornam a maternidade um “trabalho em tempo integral”.

‘Tirania da mãe perfeita

Na prática, para Badinter, o movimento naturalista incitaria as mulheres a ficar em casa para cuidar dos filhos.

“Estamos assistindo a uma verdadeira mudança radical, que está ocorrendo de forma subterrânea. Há um aumento incrível dos deveres maternos. A natureza se tornou um novo Deus, com critérios morais que culpam quem não seguir o discurso”, disse Badinter em entrevista à BBC Brasil.

A filósofa afirma que “há uma tirania da mãe perfeita” e que “uma boa mãe”, nos dias de hoje, segundo as teorias ecológicas, é “aquela que amamenta durante pelo menos seis meses, não coloca o filho em creches tão cedo porque deve existir uma relação de fusão com a criança, não usa fraldas descartáveis nem alimentos industrializados”.

“Os potinhos para bebê se tornaram um sinal de egoísmo da mãe, então voltamos para os purês preparados em casa”, afirma.

“Em nome desta ideologia naturalista, nos países escandinavos quase não há mais anestesia peridural nos partos, ela até mesmo é fortemente desaconselhada”, diz Badinter.

Revolta

Na França, o livro suscitou inúmeras críticas de pediatras, políticos e até mesmo feministas, além de pessoas ligadas a movimentos ecologistas, que se autodenominaram “verdes de raiva” em relação ao livro em discussões na internet.

Não critico a amamentação. Só não quero que seja um modelo imposto. Nos hospitais, há pressão para que as mulheres façam isso. Mas a mamadeira também é boa para a criança. Não somos todas iguais, como chimpanzés. Há mulheres que não gostam de amamentar.

Elisabeth Badinter

“Tornar a ecologia responsável pelas carências herdadas do mundo patriarcal europeu é algo errado e estéril”, diz Cécile Duflot, secretária-geral do Partido Verde francês.

“Elisabeth Badinter deveria questionar as diferenças salariais entre homens e mulheres e o problema da divisão das tarefas domésticas.”

Duflot acrescenta, em resposta ao livro, que apesar de ela ser ecologista, em sua casa é seu marido quem toma conta dos filhos.

Crise econômica

Badinter também afirma que a primeira causa da regressão da condição feminina são as crises econômicas, “que mudaram profundamente as mentalidades”.

Ela diz que desde os anos 80 a situação no emprego vem se tornando mais difícil, principalmente para as mulheres, mal pagas e “demitidas como um lenço de papel usado”.

“As mulheres passaram a questionar se valeria a pena trabalhar duro, sem satisfação pessoal, para ganhar um salário baixo ou se seria melhor cuidar dos filhos em casa e se realizar plenamente como mãe”, afirma a feminista.

Na França e em outros países europeus isso é possível porque existem auxílios financeiros concedidos às famílias de baixa renda que praticamente podem compensar o fato de um membro do casal não trabalhar.

Segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos Demográficos da França, o número de francesas que cessaram ou diminuíram sua atividade profissional após o nascimento do primeiro filho passou de 10% para 25% entre 2005 e 2008.

O número aumenta para 32% no caso do nascimento de outros filhos depois. Além disso, o estudo revela que as francesas realizam quase 80% das tarefas domésticas e que esse desequilíbrio no casal é ainda maior quando eles têm filhos.

“Sem as crises econômicas, esse discurso naturalista, de uma vida com menos ambições inúteis, mais voltada para a natureza e com menos consumismo, não teria ganhado força”, diz.

Amamentação

Para Badinter, esse modelo de maternidade, com teorias “ecológicas moralizadoras, que fazem a natureza passar na frente das mulheres, torna impossível a igualdade entre os sexos”.

A escritora diz que a necessidade da amamentação se tornou o centro dos deveres maternos e também demonstra o fortalecimento do discurso naturalista que começou nos Estados Unidos, com a Liga do Leite, e no norte da Europa.

Badinter afirma no livro que o “direito de amamentar” está se tornando uma obrigação, reforçada pela Organização Mundial da Saúde, para todas as mulheres, o que também provocou críticas na França de pessoas que apontam os benefícios do leito materno.

“Não critico a amamentação. Só não quero que seja um modelo imposto. Nos hospitais, há pressão para que as mulheres façam isso. Mas a mamadeira também é boa para a criança. Não somos todas iguais, como chimpanzés. Há mulheres que não gostam de amamentar”, afirma.

A França registra a segunda maior taxa de natalidade da União Europeia, após a Irlanda, segundo a Eurostat (agência europeia de estatísticas).

Badinter também já havia criado grande polêmica na França com outro livro, lançado há 30 anos, no qual afirma, baseada em fatos históricos, que o instinto materno não existe.