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Dançarina de boate vira freira e ensina 'dança sacra' na Itália

Alunos de Anna Nobili (foto: Giuseppe De Carli)

Irmã Anna ensina ‘dança sacra’ a um grupo de jovens de sua diocese

Uma ex-bailarina e ex-acompanhante de homens em boates de Milão se tornou freira há um ano e agora dá aulas de dança contemporânea nos arredores de Roma.

“Antes, eu dançava sobre cubos e fazia ‘lap dance’ para homens que queriam apenas meu corpo, estava jogando a vida fora em boates transgressivas, fazendo sexo sem amor, que procurava como uma droga”, disse Anna Nobili, de 38 anos, em entrevista ao jornal La Repubblica nesta sexta-feira.

Anna Nobili entrou para a Congregação das Irmãs Operárias da Santa Casa de Nazaré e fez os votos no final do ano passado.

A dança voltou a fazer parte da vida da religiosa depois que o bispo da cidade de Palestrina, a cerca de 35 quilômetros da capital italiana, ofereceu à freira um espaço no convento para que ela pudesse ensinar passos de dança aos jovens da diocese.

Irmã Anna define o tipo de dança que faz e ensina agora como “holy dance” (ou dança sacra). “Agora, danço para Deus, e meus passos e minhas coreografias são dedicadas a ele”, afirma.

Coreografia ‘mística’

Com seu grupo de alunos, que se chama “grupo de dança litúrgica Holy Dance”, irmã Anna vai se apresentar na próxima terça-feira em uma das principais basílicas de Roma, a Santa Cruz em Jerusalém, durante a apresentação do livro Bíblia dia e noite, de Giuseppe Carli e Elena Balestri.

Anna Nobili (foto: Giuseppe De Carli)

Anna Nobili diz que se tornou freira após passar por uma ‘crise mística’

Segundo a tradição, nesta igreja, uma das mais antigas de Roma, estão guardadas relíquias da cruz onde Jesus Cristo morreu.

O grupo vai dançar diante de bispos e cardeais uma “coreografia mística”, cujo titulo é “Jesus, luz do mundo”, inspirada no evangelho segundo São João.

Além de se apresentar em boates, Anna também participava de programas de televisão como bailarina. Em 1995, ela teve o que definiu como uma “crise mística” e resolveu mudar de vida.

O caminho da conversão ao catolicismo e a decisão de se tornar freira não foram fáceis, segundo a religiosa. “Foi um caminho longo e sofrido”, disse irmã Anna.

Iluminação

Na entrevista ao La Repubblica, a religiosa compara sua história a de muitas outras moças. Diz que teve uma infância violenta e sem amor. Seus pais se divorciaram quando ela era pequena e, aos 13 anos, foi viver sozinha em Milão.

Anna Nobili (foto: Giuseppe De Carli)

Anna diz que procurava ‘a felicidade nas luzes do palco e da noite’

“Procurei a felicidade nas luzes do palco e da noite. Os homens gostavam de mim. Descobri a dança, e isso foi um meio para fazer conquistas. Estava no centro das atenções e jogava fora meu corpo”, afirmou.

Irmã Anna conta que teve uma espécie de iluminação, depois de tentar mudar de vida várias vezes, inclusive por meio do budismo.

“Fiz uma intimação a Deus: ‘se você está aqui, deve dizer pessoalmente, sem intermediários'”, disse.

A freira afirma que sua conversão ocorreu ao visitar a Basílica de São Francisco e Santa Clara, em Assis. Diante da basílica, irmã Anna disse que se surpreendeu com as cores do céu, sentiu a presença de Deus e começou a dançar diante das pessoas.

“No trem, de volta a Milão, percebi que Deus havia entrado dentro de mim. No espelho do banheiro, não me reconheci, houve uma transfiguração”, diz a freira.

Irmã Anna conta que ainda dançou como profissional de boate mais uma noite e, depois, desistiu.

“Eu poderia ter escolhido uma vida normal, ter uma família, filhos, mas minha busca me levou a uma escolha radical, evangélica. Aos poucos, cortei tudo. Fiz as pazes com meu pai e comecei um processo de purificação”, disse.

Mãe admite culpa em morte de filho que parou de dizer 'amém'

Uma americana que interrompeu a alimentação do filho de um ano e quatro meses porque ele deixou de falar “amém” antes das refeições, admitiu a culpa na morte da criança, em Baltimore, no Estado de Maryland.

Ria Ramkissoon, de 22 anos, faz parte de um culto chamado 1 Mind Ministries (Ministérios de uma mente, em tradução livre), cuja líder, Queen Antoinnette, havia ordenado em janeiro de 2007, que o bebê não fosse alimentado enquanto não dissesse “amém” antes das refeições. A criança morreu de inanição.

Segundo os promotores do caso, os membros da seita diziam que o bebê estava possuído pelo demônio.

Ria foi condenada a 20 anos de prisão e a cinco de condicional, mas o juiz disse que ela terá a pena reduzida se aceitar testemunhar contra os membros da seita.

O acordo para a redução da pena inclui que ela passará por um programa para se desligar do culto. Segundo os promotores, Ria ainda teria insistido que a Justiça concorde em reduzir sua pena se ela conseguir “ressuscitar o bebê”.

“Isto foi algo que ela insistiu e é um claro indicativo de que ainda é vitima deste culto. E até que se desligue de sua influência, não pensará diferente”, disse o advogado de Ramkissoon, Steven Silverman, em entrevista à uma rede de TV local.

Segundo o jornal local Baltimore Sun, a promotora Julie Drake relatou que depois da morte do bebê, a líder da seita ordenou que ele fosse colocado em um sofá enquanto membros do culto rezavam ajoelhados e a mãe dançava em volta do corpo.

Uma semana após a morte, o corpo da criança foi embalado em um cobertor e transportado com o grupo dentro de uma mala para a Filadélfia.

Segundo os relatos, a mãe teria rezado por mais de um ano ao lado do corpo da criança para que ela ressuscitasse. O corpo foi encontrado em abril de 2008.

O julgamento de Antoinette, de 40 anos, e de outros três membros do culto estava marcado para a segunda-feira, mas foi adiado porque eles não têm representantes legais.

“Deus é meu defensor”, teria dito a líder da seita.

Um papa no bunker

Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, visitou a África de 17 a 23 de março como quem faz questão de ressaltar sua indiferença para com a realidade social e seu descompasso com o mundo laico. Isso depois de forçado ao mea-culpa duas vezes, em rápida sucessão – uma ao admitir estar mal informado ao reabilitar bispos lefebvrianos afins ao negacionismo neonazista no próprio dia internacional em memória das vítimas do Holocausto, outra ao anular a nomeação de um bispo austríaco rejeitado por pares e vigários.

No único continente onde o catolicismo cresce de maneira significativa, Camarões e Angola são países com grande proporção de católicos. Perdido o contato com os costumes e relações sociais nas quais se baseavam seus cultos tradicionais, as populações que o êxodo rural arrancou de suas raízes tribais e jogou nas favelas procuram comunidades religiosas mais adaptadas a uma cultura urbana parcialmente ocidentalizada. A Igreja Católica continua a se beneficiar dessa desestruturação, embora seja crescente a concorrência do Islã, das igrejas evangélicas e de novos cultos sincréticos africanos.

O papa pareceu, porém, decidido a mostrar aos convertidos reais ou potenciais que o catolicismo não atenderá às necessidades sociais e espirituais da África moderna. Ainda no avião, condenou os preservativos em uma região que registra mais de 70% dos óbitos por Aids no mundo, onde 20 milhões já morreram e outra vida é perdida para a doença a cada 15 segundos.

Caso se limitasse a objeções teológicas, pouco haveria a dizer. Mas Ratzinger contrariou a ciência e o bom senso, insistindo em que a distribuição de preservativos agrava a epidemia. Ministros europeus, inclusive de países católicos, tomaram a iniciativa incomum de censurar o papa. O chanceler francês o acusou de “pôr em perigo a política de saúde pública em relação à proteção da vida humana”. A ministra da Saúde belga chamou sua posição de “perigosamente doutrinária”. Os ministros do Desenvolvimento e da Saúde alemães condenaram a afirmação do compatriota como “irresponsável”.

Não foi a única mostra de insensibilidade, desinformação ou ambas as coisas por parte do papa. Enquanto ele se preparava para falar de solidariedade e condenar a ganância, a violência e a corrupção, a Igreja fechava os olhos aos preparativos do corrupto e violento governo camaronês para a visita. Incluíram demolir com escavadeiras todas as casas e lojinhas que prejudicassem esteticamente o caminho entre o aeroporto e o centro da capital, Yaundé, sem perguntar como seus donos iriam trabalhar, dormir e comer nos dias seguintes.

Ali, o papa proclamou que “a África está em perigo devido a imorais sem escrúpulos que tentam impor o reino do dinheiro desprezando os mais miseráveis”, antes de viajar para Angola. O governo desse país empobrecido e devastado por décadas de guerra civil também fez gastos milionários para receber o pontífice. Além disso, em Luanda, a Igreja organizou dois jantares de gala a 500 dólares por cabeça, arrecadando cerca de 270 mil dólares para receber “mais dignamente” a passagem do pontífice.

Os responsáveis pelos caros e cuidadosos preparativos, que incluíram a mobilização de 12 mil policiais para cuidar da segurança do papa e de sua comitiva, não deram igual peso à segurança dos humildes. Na confusa abertura dos portões do Estádio Municipal dos Coqueiros, em Luanda, onde o papa encontraria a juventude angolana, um tumulto matou duas moças por esmagamento e mandou 89 jovens a hospitais.

Alheio ao drama, o papa assistiu à coreografia dos jovens que conseguiram entrar e os convidou a não ter medo de ousar “decisões irreversíveis” do casamento da ordenação sacerdotal. Só no dia seguinte, quando o desastre – ignorado pela cobertura oficial – foi divulgado na imprensa internacional, a Igreja e o governo angolano enviaram representantes ao hospital para visitar os feridos e levar seus pêsames à família de uma das mortas, uma catequista de 22 anos. A outra, não identificada, foi levada ao necrotério como indigente.

Trata-se de um papa muito mal informado? Em 12 de março, o papa queixou-se por carta ao episcopado da “hostilidade” com que foi recebida sua anulação da excomunhão do bispo Richard Williamson, após este negar o Holocausto, mas admitiu a má condução do caso. “Foi-me dito que consultar a informação disponível na internet teria possibilitado perceber o problema no início. Aprendi que a Santa Sé terá de prestar mais atenção a essa fonte de notícias.”

Para um não-católico, acreditar que nenhum dos secretários e assessores de Ratzinger tinha acesso a essas informações ao preparar uma decisão tão importante em relação a quatro bispos bem conhecidos é quase tão difícil quanto crer na infalibilidade papal ou na Assunção da Virgem. Principalmente tratando-se de um pontífice que liderou a Congregação para a Doutrina da Fé (sucessora da Inquisição e do Santo Ofício) e perseguiu as mais obscuras manifestações de inconformismo teológico nos cinco continentes.

Leonardo Boff, por exemplo, foi castigado com o confinamento definitivo em um convento – ao qual não se submeteu, preferindo romper com o Vaticano –, após uma palestra na Eco 92 (anterior ao Google, vale lembrar), na qual responsabilizou a Igreja pela morte de milhares de índios na América Latina.

Um papa no bunker

Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, visitou a África de 17 a 23 de março como quem faz questão de ressaltar sua indiferença para com a realidade social e seu descompasso com o mundo laico. Isso depois de forçado ao mea-culpa duas vezes, em rápida sucessão – uma ao admitir estar mal informado ao reabilitar bispos lefebvrianos afins ao negacionismo neonazista no próprio dia internacional em memória das vítimas do Holocausto, outra ao anular a nomeação de um bispo austríaco rejeitado por pares e vigários.

No único continente onde o catolicismo cresce de maneira significativa, Camarões e Angola são países com grande proporção de católicos. Perdido o contato com os costumes e relações sociais nas quais se baseavam seus cultos tradicionais, as populações que o êxodo rural arrancou de suas raízes tribais e jogou nas favelas procuram comunidades religiosas mais adaptadas a uma cultura urbana parcialmente ocidentalizada. A Igreja Católica continua a se beneficiar dessa desestruturação, embora seja crescente a concorrência do Islã, das igrejas evangélicas e de novos cultos sincréticos africanos.

O papa pareceu, porém, decidido a mostrar aos convertidos reais ou potenciais que o catolicismo não atenderá às necessidades sociais e espirituais da África moderna. Ainda no avião, condenou os preservativos em uma região que registra mais de 70% dos óbitos por Aids no mundo, onde 20 milhões já morreram e outra vida é perdida para a doença a cada 15 segundos.

Caso se limitasse a objeções teológicas, pouco haveria a dizer. Mas Ratzinger contrariou a ciência e o bom senso, insistindo em que a distribuição de preservativos agrava a epidemia. Ministros europeus, inclusive de países católicos, tomaram a iniciativa incomum de censurar o papa. O chanceler francês o acusou de “pôr em perigo a política de saúde pública em relação à proteção da vida humana”. A ministra da Saúde belga chamou sua posição de “perigosamente doutrinária”. Os ministros do Desenvolvimento e da Saúde alemães condenaram a afirmação do compatriota como “irresponsável”.

Não foi a única mostra de insensibilidade, desinformação ou ambas as coisas por parte do papa. Enquanto ele se preparava para falar de solidariedade e condenar a ganância, a violência e a corrupção, a Igreja fechava os olhos aos preparativos do corrupto e violento governo camaronês para a visita. Incluíram demolir com escavadeiras todas as casas e lojinhas que prejudicassem esteticamente o caminho entre o aeroporto e o centro da capital, Yaundé, sem perguntar como seus donos iriam trabalhar, dormir e comer nos dias seguintes.

Ali, o papa proclamou que “a África está em perigo devido a imorais sem escrúpulos que tentam impor o reino do dinheiro desprezando os mais miseráveis”, antes de viajar para Angola. O governo desse país empobrecido e devastado por décadas de guerra civil também fez gastos milionários para receber o pontífice. Além disso, em Luanda, a Igreja organizou dois jantares de gala a 500 dólares por cabeça, arrecadando cerca de 270 mil dólares para receber “mais dignamente” a passagem do pontífice.

Os responsáveis pelos caros e cuidadosos preparativos, que incluíram a mobilização de 12 mil policiais para cuidar da segurança do papa e de sua comitiva, não deram igual peso à segurança dos humildes. Na confusa abertura dos portões do Estádio Municipal dos Coqueiros, em Luanda, onde o papa encontraria a juventude angolana, um tumulto matou duas moças por esmagamento e mandou 89 jovens a hospitais.

Alheio ao drama, o papa assistiu à coreografia dos jovens que conseguiram entrar e os convidou a não ter medo de ousar “decisões irreversíveis” do casamento da ordenação sacerdotal. Só no dia seguinte, quando o desastre – ignorado pela cobertura oficial – foi divulgado na imprensa internacional, a Igreja e o governo angolano enviaram representantes ao hospital para visitar os feridos e levar seus pêsames à família de uma das mortas, uma catequista de 22 anos. A outra, não identificada, foi levada ao necrotério como indigente.

Trata-se de um papa muito mal informado? Em 12 de março, o papa queixou-se por carta ao episcopado da “hostilidade” com que foi recebida sua anulação da excomunhão do bispo Richard Williamson, após este negar o Holocausto, mas admitiu a má condução do caso. “Foi-me dito que consultar a informação disponível na internet teria possibilitado perceber o problema no início. Aprendi que a Santa Sé terá de prestar mais atenção a essa fonte de notícias.”

Para um não-católico, acreditar que nenhum dos secretários e assessores de Ratzinger tinha acesso a essas informações ao preparar uma decisão tão importante em relação a quatro bispos bem conhecidos é quase tão difícil quanto crer na infalibilidade papal ou na Assunção da Virgem. Principalmente tratando-se de um pontífice que liderou a Congregação para a Doutrina da Fé (sucessora da Inquisição e do Santo Ofício) e perseguiu as mais obscuras manifestações de inconformismo teológico nos cinco continentes.

Leonardo Boff, por exemplo, foi castigado com o confinamento definitivo em um convento – ao qual não se submeteu, preferindo romper com o Vaticano –, após uma palestra na Eco 92 (anterior ao Google, vale lembrar), na qual responsabilizou a Igreja pela morte de milhares de índios na América Latina.

Obra desvenda a construção e o funcionamento do racismo no Brasil; leia capítulo

O Brasil não é um país racista, mas é um país onde existe racismo. Em uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito, mas 98% disseram conhecer pessoas que manifestavam algum tipo de discriminação racial.

Reprodução
Livro esclarece as origens e o funcionamento do racismo no Brasil
Livro esclarece as origens e o funcionamento do racismo no Brasil

A questão é um tema ainda difícil para o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888. Aqui, o debate sobre racismo é sempre atual, com todos os seus paradoxos e mitos, como o da democracia racial.

O estudo é citado no livro “Racismo no Brasil”, da coleção “Folha Explica” da “Publifolha”, que revela a maneira como se construiu, historicamente, o racismo à brasileira. Leia a introdução do livro, reproduzida abaixo, que leva o título de “Da Cor do Bronze Novo”.

A autora é a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, da USP. Ela explica quais os principais debates das teorias raciais no século 19, como teorias justificaram a miscigenação, os efeitos da escravidão no imaginário racial brasileiro, o “apartheid” social”, a questão da identidade e confusão e a raça projetada no outro. Ela também explica a formação do conceito de raça no país.

O livro também traz explicações, em comparação ao Brasil, de alguns aspectos do sistema de classificação racial dos Estados Unidos. A autora discute o mito da democracia racial e toca em uma questão vizinha ao racismo, a discriminação racial.

Obra desvenda a construção e o funcionamento do racismo no Brasil; leia capítulo

O Brasil não é um país racista, mas é um país onde existe racismo. Em uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), 97% dos entrevistados afirmaram não ter preconceito, mas 98% disseram conhecer pessoas que manifestavam algum tipo de discriminação racial.

Reprodução
Livro esclarece as origens e o funcionamento do racismo no Brasil
Livro esclarece as origens e o funcionamento do racismo no Brasil

A questão é um tema ainda difícil para o último país das Américas a abolir a escravidão, em 1888. Aqui, o debate sobre racismo é sempre atual, com todos os seus paradoxos e mitos, como o da democracia racial.

O estudo é citado no livro “Racismo no Brasil”, da coleção “Folha Explica” da “Publifolha”, que revela a maneira como se construiu, historicamente, o racismo à brasileira. Leia a introdução do livro, reproduzida abaixo, que leva o título de “Da Cor do Bronze Novo”.

A autora é a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, da USP. Ela explica quais os principais debates das teorias raciais no século 19, como teorias justificaram a miscigenação, os efeitos da escravidão no imaginário racial brasileiro, o “apartheid” social”, a questão da identidade e confusão e a raça projetada no outro. Ela também explica a formação do conceito de raça no país.

O livro também traz explicações, em comparação ao Brasil, de alguns aspectos do sistema de classificação racial dos Estados Unidos. A autora discute o mito da democracia racial e toca em uma questão vizinha ao racismo, a discriminação racial.

Che: a coragem de correr riscos

Muitos críticos, mundo afora, apontaram falhas em Che. A dupla de filmes, que soma 4 horas e 20 minutos, tem sido analisada a ferro e fogo.

Pela própria ambição do projeto, é compreensível que assim seja. Mas há, também, certa injustiça nas análises.

O diretor Steven Soderbergh, conhecido pela “esperteza” cinematográfica, parece ter sido, neste caso, mais corajoso que esperto.

Seja pelas dificuldades de financiamento, seja pelo controverso peso do personagem, os dois longas-metragens nascem de uma disposição de correr riscos. E essa disposição deixa-se antever na tela – o que, no cinema atual, não é pouco.

O primeiro filme, O Argentino, que entrou em cartaz ontem no Brasil, segue os passos de um herói da contracultura dos anos 1960.

No plano de abertura, veremos as botas do comandante. Soderbergh anuncia, nessa tomada, sua intenção de recriar um mito, sem necessariamente desmistificá-lo.

Surgirá então a face de Ernesto “Che” Guevara e o principal trunfo do projeto: o ator Benicio Del Toro.

Essa primeira parte começa em 1955, na Cidade do México, quando o médico tornado guerrilheiro encontra Fidel Castro, e termina em 1959, quando os vitoriosos partem rumo a Havana.

Soderbergh mostrará a luta com um misto de fascínio e delicadeza. A ele interessam menos os ideais e mais as maneiras de colocá-los em prática. Tanto é assim que, quando a Revolução começa, o filme acaba.

Na segunda parte, A Guerrilha, totalmente independente da primeira e cuja estréia no Brasil não está marcada, Cuba sai de cena e Che ruma para a selva boliviana. Da fotografia ao ritmo narrativo, tudo será diferente de O Argentino.

Mas a algo a unir os dois filmes em certa medida antagônicos: a coragem de mostrar, sem temer parecer ingênuo, o valor dos ideais num mundo em que os ideais saíram de moda.

Che: a coragem de correr riscos

Muitos críticos, mundo afora, apontaram falhas em Che. A dupla de filmes, que soma 4 horas e 20 minutos, tem sido analisada a ferro e fogo.

Pela própria ambição do projeto, é compreensível que assim seja. Mas há, também, certa injustiça nas análises.

O diretor Steven Soderbergh, conhecido pela “esperteza” cinematográfica, parece ter sido, neste caso, mais corajoso que esperto.

Seja pelas dificuldades de financiamento, seja pelo controverso peso do personagem, os dois longas-metragens nascem de uma disposição de correr riscos. E essa disposição deixa-se antever na tela – o que, no cinema atual, não é pouco.

O primeiro filme, O Argentino, que entrou em cartaz ontem no Brasil, segue os passos de um herói da contracultura dos anos 1960.

No plano de abertura, veremos as botas do comandante. Soderbergh anuncia, nessa tomada, sua intenção de recriar um mito, sem necessariamente desmistificá-lo.

Surgirá então a face de Ernesto “Che” Guevara e o principal trunfo do projeto: o ator Benicio Del Toro.

Essa primeira parte começa em 1955, na Cidade do México, quando o médico tornado guerrilheiro encontra Fidel Castro, e termina em 1959, quando os vitoriosos partem rumo a Havana.

Soderbergh mostrará a luta com um misto de fascínio e delicadeza. A ele interessam menos os ideais e mais as maneiras de colocá-los em prática. Tanto é assim que, quando a Revolução começa, o filme acaba.

Na segunda parte, A Guerrilha, totalmente independente da primeira e cuja estréia no Brasil não está marcada, Cuba sai de cena e Che ruma para a selva boliviana. Da fotografia ao ritmo narrativo, tudo será diferente de O Argentino.

Mas a algo a unir os dois filmes em certa medida antagônicos: a coragem de mostrar, sem temer parecer ingênuo, o valor dos ideais num mundo em que os ideais saíram de moda.

Publicação médica acusa papa de 'distorcer ciência'

O papa Bento 16

Papa disse que preservativos não são resposta para a Aids

Uma das publicações médicas com maior prestígio internacional, a The Lancet, acusou o papa Bento 16 de “distorcer a ciência” em seus comentários sobre a eficiência do uso de preservativo no combate à Aids.

Em editorial divulgado nesta sexta-feira, a The Lancet afirma que um recente comentário de Bento 16 – de que as camisinhas exacerbam o problema da Aids – é errado, escandaloso e pode ter consequências devastadoras.

Em recente viagem para a África, o papa disse que a “cruel epidemia” deveria ser combatida com a abstinência e a fidelidade e não com o uso de preservativos.

Bento 16 afirmou que a Aids é “uma tragédia que não pode ser superada apenas com dinheiro e que não pode ser superada com a distribuição de preservativos, que podem até aumentar o problema”.

Leia mais na BBC Brasil sobre a declaração do papa

“Devastador”

Segundo a The Lancet, o papa “distorceu publicamente provas científicas para promover a doutrina católica nesta questão”.

De acordo com a revista, o preservativo masculino é a maneira mais eficiente de reduzir a transmissão sexual do vírus HIV.

“Não está claro se o erro do papa se deve à ignorância ou uma deliberada tentativa de manipular a ciência para apoiar a ideologia católica”, diz o editorial.

“Quando qualquer pessoa influente, seja uma figura política ou religiosa, faz uma declaração científica falsa que pode ser devastadora para a saúde de milhões de pessoas, elas devem se retratar ou corrigir o registro público.”

A revista afirma que qualquer coisa menor que uma retratação “seria um imenso desserviço ao público e defensores da saúde, inclusive milhares de católicos, que trabalham incansavelmente em vários países para tentar evitar que o HIV se espalhe”.

Publicação médica acusa papa de ‘distorcer ciência’

O papa Bento 16

Papa disse que preservativos não são resposta para a Aids

Uma das publicações médicas com maior prestígio internacional, a The Lancet, acusou o papa Bento 16 de “distorcer a ciência” em seus comentários sobre a eficiência do uso de preservativo no combate à Aids.

Em editorial divulgado nesta sexta-feira, a The Lancet afirma que um recente comentário de Bento 16 – de que as camisinhas exacerbam o problema da Aids – é errado, escandaloso e pode ter consequências devastadoras.

Em recente viagem para a África, o papa disse que a “cruel epidemia” deveria ser combatida com a abstinência e a fidelidade e não com o uso de preservativos.

Bento 16 afirmou que a Aids é “uma tragédia que não pode ser superada apenas com dinheiro e que não pode ser superada com a distribuição de preservativos, que podem até aumentar o problema”.

Leia mais na BBC Brasil sobre a declaração do papa

“Devastador”

Segundo a The Lancet, o papa “distorceu publicamente provas científicas para promover a doutrina católica nesta questão”.

De acordo com a revista, o preservativo masculino é a maneira mais eficiente de reduzir a transmissão sexual do vírus HIV.

“Não está claro se o erro do papa se deve à ignorância ou uma deliberada tentativa de manipular a ciência para apoiar a ideologia católica”, diz o editorial.

“Quando qualquer pessoa influente, seja uma figura política ou religiosa, faz uma declaração científica falsa que pode ser devastadora para a saúde de milhões de pessoas, elas devem se retratar ou corrigir o registro público.”

A revista afirma que qualquer coisa menor que uma retratação “seria um imenso desserviço ao público e defensores da saúde, inclusive milhares de católicos, que trabalham incansavelmente em vários países para tentar evitar que o HIV se espalhe”.