Milton Schwantes

Todos os que, nas últimas décadas, vivemos no Brasil e em toda a América Latina, a experiência do ensaio de construção de uma Igreja a serviço do Reino, tivemos como referência bíblia e cristã a reflexão e o testemunho do Pastor e Professor Milton Schwantes. Ele acaba de falecer e deixa em todos nós saudades e desafios. Solidários com ele, sua família, a comunidade luterana e todos e todas que se sentem irmanados no caminho de Jesus, rezamos na certeza da ressurreição.
Abaixo um vídeo onde ele nos fala de sua experiência de Deus.

Itália vai cancelar isenção tributária da Igreja Católica

DA REUTERS, EM ROMA
O governo italiano anunciou nesta sexta-feira medidas destinadas a acabar com as isenções tributárias para propriedades comerciais pertencentes à Igreja Católica, o que deve resultar numa arrecadação adicional de até 600 milhões.
O primeiro-ministro italiano, Mario Monti, incluiu essa medida, que afeta também outras organizações não-lucrativas, em um pacote mais amplo de desregulamentação que atualmente tramita no Parlamento da Itália.
A Igreja é dona de muitos hospitais, hotéis e pensões, que gozam de isenção tributária por serem parcialmente ocupados por freiras e padres, ou por terem uma capela. A nova lei elimina essa brecha, que isentava de impostos muitos estabelecimentos predominantemente comerciais.
Em dezembro, Monti pediu aos italianos que fizessem sacrifícios para salvar o país da crise da dívida na zona do euro. Em 48 horas depois da aprovação do pacote, mais de 130 mil pessoas aderiram a uma petição pela Internet exigindo o fim dos privilégios tributários para a Igreja.
O pacote deve ser votado na semana que vem pelo Senado e deverá, depois, seguir para a Câmara.

Mais um pergunta…

Proteger a mala com plástico custa trinta reais no Aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre. Algo em torno a doze dólares. O mesmo serviço no Aeroporto de Santo Domingos custa a metade disso: trezentos pesos, algo em torno a sete dólares! Por que tanta diferença de preço num mundo globalizado? A culpa de tamanha diferença não pode ser dos impostos ou do custa da mão de obra. Não daria prá tanto… Certamente há gente ganhando com isso. E muito!
Uma outra pergunta: por que será que o “Sanduiche do Chef” (um cacetinho com queijo, apresuntado e margarina) que a Gol vende nos vôos nacionais custa doze reais? Talvez seja pela altura em que é vendido… E, pasmen!, um refrigerante custa cinco reais!… Aliás, só falta a Gol começar a cobrar pelos suspiros mais profundos dos passageiros que consomem mais ar a bordo. O negócio é buscar vôos em outras empresas aéreais. Não tem outra saída…

Carnaval não é coisa de brasileiro…

 Em enquete sobre a relação com o carnaval feita pelo site Correio do Povo (www.cpovo.net) mostrava no dia 18 deste mês o resultado abaixo. Como se vê, carnaval não é coisa de brasileiro…

 Opinião > Resultado da enquete

Qual a sua programação para o Carnaval?
Virar folião até a Quarta-feira de Cinzas

3,47 %

70 Votos
Assistir aos desfiles pela TV

4,16 %

84 Votos
Descansar com a família

20,51 %

414 Votos
Detesto Carnaval.Fujo de tudo

71,87 %

1451 Votos    

Poodle abandonado

Desde a metade do primeiro semestre do ano passado (bom lembrar que 2011 é “ano passado”!) estou morando Vila João Pessoa em Porto Alegre. É um lugar muito especial do ponto de vista geográfico e sociológico. A “Vila João Pessoa” é um conjunto de umas dez quadras de urbanização formal onde mora uma classe média um pouco acima da média. As casas são boas, todas com garagens para dois ou mais carros, algumas com piscinas e, como não podia deixar de ser, com altos muros, grades, cercas elétricas e muitos cachorros. Em quase todas as casas há cachorros. E, como são para segurança, quase todos de raças e tamanhos avantajados. Até em nossa franciscana casa há duas cachorras enormes!
A razão dessa preocupação com segurança é que a Vila João Pessoa é um pequeno gueto cercado por ocupações irregulares por todos os lados. De um lado está o Campo da Tuca, de outro a Volta da Cobra e do outro o Presídio Central e o complexo de vilas que o cercam. Apenas por um lado, o que leva à Terceira Perimetral, não há vilas…
E é por esse lado, exatamente, que fica o caminho que tomo todos os dias pra ir de casa ao trabalho. Pois hoje, no caminho de casa ao trabalho, reparei em algo que nunca havia reparado antes: cachorros abandonados… Mesmo havendo cachorros em todas as casas, é muito difícil ver um deles vagando pelas ruas da Vila João Pessoa. Pois hoje demanhã, em menos de quatro quadras, h
avia três cachorros abandonados. E, por coincidência, eram três poodles. Pelo desgrenhado dos pelos, a sujeira e magreza, via-se que já estavam há dias na rua. E ninguém os recolheu!…
Perguntei-me: de onde teriam vindo os poodles? Acho que não vieram das casas pobres do entorno da Vila João Pessoa. Afinal, pobre não tem cachorro por questão de beleza. Pobre tem cachorro por questão de segurança. Teriam sido eles enxotados das casas da classe média da Vila João Pessoa? É o mais provável, pois quem tem cachorro por questão de beleza é a classe média que, na sua estética volúvel, já deve ter chegado à conclusão que ter um poodle já é “demodé”.
Todos casos, aí estão os três poodles abandonados vagando pela Vila João Pessoa. Talvez amanhã já sejam quatro…

Marcelo Neri: saímos do Século XIX

 NeriA entrevista  do pesquisador Marcelo Neri (FGV-RJ) publicada na edição de 18 de janeiro de Carta Capital é uma daquelas que falam por si só. Com números e interpretações o entrevistado mostra o que mudou e o que pode mudar na economia e na sociedade brasileira nos próximos (passados e futuros) anos. Vale a pena conferir!

CartaCapital: Quais os principais números da recente onda de inclusão social no País?
Marcelo Neri: Desde o lançamento do Plano Real até dezembro de 2010, no fim da década passada, a pobreza caiu 67%. Desde o governo Lula, caiu 50,6% nos dois mandatos. Lula fez 25 anos, ou seja, a meta do milênio de reduzir 
a pobreza à metade, em oito anos. E desde quando Fernando Henrique era ministro da Fazenda reduziu 31%. Então, caiu 31% e, depois, 50%, o que dá 67% de queda, dois terços da pobreza no Brasil. O primeiro passo foi o controle da inflação, e o investimento pesado em educação lá atrás. Em 1990, o Brasil tinha 16% das crianças de 7 a 14 anos fora da escola.

Em 2000, tinha 4%. Agora tem menos de 2%. Na década passada, houve redução da desigualdade e mais emprego formal, com carteira assinada. Na minha visão, são os dois maiores méritos de cada década (de 1990 e 2000). A 
desigualdade e o emprego com carteira são bastante influenciados tanto pela estabilização quanto pela educação. E, obviamente, também devido a uma política social ativa. O Bolsa Família talvez seja o maior exemplo e descende também lá do Bolsa Escola. Então teve uma continuidade interessante, macroeconomicamente, em política social, em educação… Até o primeiro mandato de Lula a gente não andou para frente em educação, mas no segundo mandato retomamos a agenda de educação, que foi além com Fernando Haddad.
CC: Quais os avanços mais recentes?
MN: Em 2010, para se ter ideia, a pobreza caiu 16%, foi algo espetacular. Também porque foi ano eleitoral e de saída da crise. Aqui, a crise, por sinal, não foi tão forte, mas ela aconteceu. O Censo acabou de confirmar: a renda dos 50%
mais pobres cresceu 68%, entre 2000 e 2010. A dos 10% mais ricos cresceu 10%. Desde 2003, no primeiro ano do governo Lula, a gente mudou de patamar em geração de emprego. Já em 2004, inclusive, e veio acelerando. A 
gente, que vivia no voo da galinha, ano bom, ano ruim, conseguiu ter vários anos bons de crescimento – não excepcionais. Mas anos excepcionais em redução de desigualdade. Outro dado importante é que 39 milhões de pessoas subiram à classe C. O Brasil tem um pouco um espírito de Ayrton Senna, anda bem debaixo das 
chuvas e trovoadas internacionais.

CC: Como andou a desigualdade nos países centrais nas últimas 
décadas?
MN: Aí há algum paradoxo. Dentro dos países a desigualdade aumentou. Em todos os países europeus ela também aumentou, desde 1985, com exceção de França e Bélgica. Nos Estados Unidos, ela vai aumentando desde a era Reagan.

CC: E não parou mais de crescer?
MN: Não para de aumentar. O protesto em Wall Street, por sinal, é baseado nessa situação. Na Índia e na China, está crescendo muito a desigualdade. E em outros países emergentes também, menos nos latino-americanos, o que é realmente um dado novo. E o Brasil está dentro desse contexto latino-americano. Então existe certa convergência da 
desigualdade no mundo: quem tinha muita passou a ter menos, como nós da América Latina. E quem tinha meno , como a Europa e mesmo os Estados Unidos, embora não tão menos, bem mais do que a Europa, aumentou.

CC: Voltando ao Brasil, qual segmento social ficou para trás?
MN: A renda em São Paulo, de 2000 a 2009, cresceu 7,2% (em termos reais per capita). A renda no Nordeste cresce 42%. Em Sergipe, estado em que mais cresceu, o aumento foi de 58%. No campo a renda cresceu 49% e nas 
metrópoles, 21%. Entre as mulheres aumentou 38% e entre os homens, 16%. Para os negros 43%, ante 21% para os brancos. Entre analfabetos cresceu 47%. Para as pessoas com pelo menos o superior incompleto caiu 17%. Ou seja, para todo mundo que é pobre cresceu a renda. O que é difícil para nós que não estamos na base percebermos. A gente olha e fala: a renda desse cara era de 300 reais, agora é de 500, mas o que mudou? Para o cara é uma revolução, e é realmente. Essa redução da desigualdade é a grande marca brasileira dos últimos dez anos. E ela 
continua, não tem nenhum sinal de que desacelerou. Pode até parar (de cair) com a crise, como parou em 2009, mas voltou, não andou para trás. Obviamente ainda será preciso ver os dados da crise atual.
CC: Os que ficaram para trás são da chamada classe média tradicional?

MN: Acho que sim, essa é uma boa classificação. Quem era classe média tradicional, perdeu. Acho que o Brasil dos últimos anos é o seguinte: boas e más notícias. A boa é que a desigualdade caiu. A má notícia é que a classe média tradicional não entrou na festa. O espetáculo do crescimento é só a preços populares, é um pouco isso. Não tenho essa visão de muita gente que diz que o Brasil entrou no século XXI. A gente está saindo do século XIX, é uma abolição da escravatura retardada. Está saindo de um país muito desigual muito rápido, mas recuperando um atraso grande.

CC: O que explica isso?
MN: Foi uma queda do retorno da educação. Por que a renda cresce na base da pirâmide? Pense no filho do peão. O pai dele era analfabeto ou analfabeto funcional. Ele foi lá, estudou, chegou ao ensino médio e não quer ser peão como o pai. Aí a demanda por pessoas pouco educadas aumentou muito. Tem mais gente com ensino médio, chegando ao ensino superior, com qualidade questionável da educação, é verdade, mas tem mais concorrência. Quem tem um diploma deixou de ser tão valorizado. E quem não tem diploma passou a ser valorizado porque são poucos, e tem muito trabalho braçal. Então tem o fator educação e o fator programas sociais. É o dinheiro para as pessoas lá na base, o Bolsa Família.
CC: Qual a sua expectativa em relação ao reajuste do salário mínimo, válido a partir de 1° de janeiro?
MN: O efeito do mínimo é pequeno no combate à desigualdade. Sou muito mais fã do Bolsa Família. E crítico do salário mínimo. Até mostrei, 16 anos atrás, o importante papel que o salário mínimo teve para reduzir a pobreza 
depois do Real. Mostramos que a queda de 40% da pobreza foi no mês que o salário mínimo teve um forte reajuste, maio de 1995. Só que esse efeito foi embora. E agora claramente o Brasil vai entrar em um ano em que deveria fazer algum”dever de casa” nas contas públicas, mas pegará o efeito do Pibão (crescimento de 7,5% do PIB) de 2010 e automaticamente jogar para o salário mínimo de 2012. Não é uma fórmula razoável, acho inclusive que os analistas econômicos aceitaram alguma coisa muito ruim para o País. Tem um efeito desastroso nas contas e não tem um 
efeito tão positivo sobre a desigualdade.
CC: O Bolsa Família continuará relevante?
MN: Quem tem preocupações fiscais deveria gostar do Bolsa Família. Acho que a gente está com uma nova geração, até tenho participado aqui no Rio e em Curitiba d
o desenho de programas complementares ao Bolsa Família, que usam o cadastro único do Bolsa Família. Aqui no Rio existe o Família Carioca, um programa municipal que atende 500 mil famílias, criado pela Claudia Costin, que é excepcional, com avaliações bimestrais. Criamos um prêmio para os alunos pobres que melhorarem a nota. E estamos começando a ver os resultados. E são resultados interessantes. O governo do estado está fazendo a mesma coisa. Isso é o que eu gosto de chamar de um novo federalismo social, com vários níveis de governo começando a atuar na área de educação, com metas de educação. O Brasil tem efervescência, somos uma democracia vibrante… Veja lá nos países árabes, eles estão numa transformação, mas é uma transformação bélica, traumática. Veja a Europa, mesmo antes da crise… Aqui no Brasil a gente está com esperança, é uma sociedade em movimento. Morei há 30 anos na Africa do Sul e tive oportunidade de voltar lá recentemente. E tive exatamente a mesma sensação lá, embora haja problemas bem complicados. Talvez esse seja o aspecto mais fascinante de morar no Brasil atualmente.

CC: Quais os maiores riscos em termos objetivos para a luta contra a desigualdade?
MN: Não fazer as reformas. O Brasil gerou muito emprego formal. Mas imagine se a gente tivesse uma legislação trabalhista mais ajeitada. Porque o Brasil tem um Estado grande e há uma preferência da população por isso. Acho 
que o Brasil está optando por um caminho do meio, mesclando Estado com iniciativa privada, respeito a contratos, fazendo uma política ativa. Agora se a gente usar essa rede do Estado para prover serviços bons, de forma transparente, além de todo esse problema da corrupção que a gente tem de resolver. De alguma forma estamos encaminhando isso, a sociedade está. Vai depender da nossa capacidade de superar obstáculos.