Menino Jesus era traquinas e até fazia malvadezas, mostra livro de padre

Livro de franciscano mostra um Jesus travesso na infância

Um menino Jesus traquinas, que subia nos telhados, quebrava os cântaros alheios, brincava com leõezinhos, apaziguava dragões, transformava crianças em carneiros e, vez ou outra, fazia também malvadezas. Zangado, podia amaldiçoar e punir com a morte quem lhe enfrentasse. Outras vezes, para tirar uma história a limpo e provar que não tinha culpa de uma morte casual, ressuscitava mortos para que contassem o que aconteceu, depois os mandava dormir o sono eterno outra vez.

Em “Infância Apócrifa do Menino Jesus: histórias de ternura e de travessuras” (Vozes), o padre franciscano Jacir de Freitas Faria pesquisou em textos antigos, chamados de evangelhos apócrifos, ou seja, que não entraram na lista oficial para a Bíblia, e descobriu que Cristo foi uma criança sábia, inteligente, obediente aos pais, mas também muito peralta. Segundo ele, todos os textos pesquisados convergem para um mesmo ponto: “demonstrar o poder do Menino Jesus, sua divindade e sua humanidade”.

Segundo os evangelhos apócrifos, Jesus foi concebido, através do Espírito Santo, no dia 6 de abril, numa terça-feira, às 15h. Ainda bebê, já era capaz de fazer milagres. Tocar nele ou nas suas fraldas era cura certa para todos os males e um expulsa demônios. A água de seu banho livrava leprosos da enfermidade. No colo de uma muda, ela voltou a falar. Onde ele chegou, ladrões e demônios fugiram e animais ferozes se converteram em mansos. O povo, ao ver tais eventos, dizia: “eles não podem ser simples mortais”.

Já maior, costumava brincar com amiguinhos. Certa feita, nas terras de Moab, um deles subiu no muro do terraço e caiu de lá, bateu a cabeça numa pedra e morreu. Por medo do castigo dos pais, as outras crianças culparam o pequeno estrangeiro, Jesus, dizendo que ele tinha empurrado o menino de cima do muro. Interrogado, Jesus tentou explicar o acontecido, mas as testemunhas o incriminavam. Aborrecido, ele, então, ressuscitou o morto e lhe ordenou que contasse a verdade. Depois, mandou que voltasse ao mundo dos mortos outra vez.

Outra vez, de novo com amiguinhos, brincava de fazer laguinhos interligados à beira do rio Jordão quando um dos meninos fechou a entrada da água para os canais. “Ai de ti, filho de morte, filho de Satanás. Ousas destruir o que eu fiz?”, disse Jesus. Naquele instante, o menino caiu morto. Aflitos com a repercussão do caso, José e Maria pediram ao filho que não usasse sua força divina dessa forma. Então, para não entristecer a mãe, ele ordenou que o menino ressuscitasse. E assim foi.

A lista de histórias é de assombrar. Segundo padre Jacir, apesar dos textos apócrifos, jamais poderemos afirmar com certeza como foi a infância de Jesus. Afinal, esses relatos foram escritos no auge de disputas teológicas sobre a divindade e a humanidade de Jesus. E, para muita gente, “são pura fantasia”. Mas, para o padre, eles têm o grande mérito de dar uma infância a Jesus e de mostrar que ele foi um menino igual aos outros. Ou seja, apesar sua divindade, fazia traquinagens e precisava, vez ou outra, do velho puxão de orelha dos pais.

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