Sexta de noite: funk e vigília evangélica.


Morar na intercessão entre un setor residencial de classe média e uma das áreas mais pobres de Porto Alegre provoca experiências muito interessantes. E isso se mostra de forma especial nos finais de semana. Você vai passando pela rua e, de um lado, um cassino clandestino acolhe – sem nen
huma preocupação com ocultação ou sequer disfarce – o que há de mais fino na sociedade porto alegrense. Do outro lado, jovens, adolescentes e crianças do Campo da Tuca sobem e descem tendo numa das mãos uma caixinha de som conectada a MP3 ou celulare tocando os raps e funks mais raseiros que se possa imaginar e na outra uma trouxinha de maconha, pedra ou coca que vão entregar na esquina a um taxista que faz a telentrega. Tudo em ecumênica convivência sem que um grupo sequer esboce a possibilidade de reconhecer que o outro existe.
Mas ontem foi um dia muito especial. Numa rua, do lado da Volta da Cobra, havia uma festa de aniversário animada com foguetório e música funk. Do outro lado, baixando o Campo da Tuca, uma vigília evangélica. E os dois eventos com o som a toda! As músicas de um lado e de outro chegando com a mesma intgensidade e ao mesmo tempo construiam frases fantásticas tipo: “Vai, vai, vai cachorra… em nome de Jesus! Escorrega, escorrega, escorrega…prá que essa alma possa subir ao céu livre do demônio… vem quentinha, vem quentinha, sobe,sobe, sobe… que a salvação chegou hoje a essa casa!” Haja sono!
Mas, tudo bem Brasil!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s