Edir Macedo contra-ataca PT com mensalão, kit gay, Enem


Com o apoio de Lula, Edir Macedo construiu um império da comunicação. (Foto: )

Principal apoiador de Celso Russomanno (PRB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, bispo Edir Macedo, centrou fogo contra Fernando Haddad (PT).

Em ataque ao petista, Macedo publicou um texto com cinco motivos para não votar em Haddad. O principal, segundo o bispo, é que o petista “infestará as escolas municipais com seu kit gay”, se eleito. O documento associa o candidato do PT ao mensalão e diz que os “comparsas” de Haddad “roubaram o Brasil e agora assaltarão São Paulo”. Fala ainda dos problemas do Enem que marcaram a gestão do petista quando ministro da Educação.

Em seu blog, Macedo publicou ontem o texto “Desabafo da revolta”, como se fosse uma carta recebida por ele de alguém que assina como “amigo”. No texto, o autor diz que Haddad “tentou obrigar” a distribuição “uma publicação que defende a homossexualidade, que estimula nossas crianças a viverem em pecado” e afirma que Haddad distribuirá o kit gay nas escolas.

O texto é permeado do início ao fim por ataques ao petista. “Haddad mente. Ataca sem argumentos os demais candidatos, principalmente o líder nas pesquisas, Celso Russomanno”, diz. O documento diz que Haddad não é “sério” e que não “assumiu seus erros” quando houve problemas no Enem.

O “desabafo” publicado pelo bispo diz que “José Dirceu, Genoino, Delúbio [Soares] e Marcos Valério”, réus no julgamento do mensalão, “são todos companheiros” de Haddad. “Mesmo que sejam condenados, quem nos garante que irão para a cadeia? Quem nos garante que, no dia seguinte à posse, não estarão devidamente instalados nos gabinetes do secretariado da prefeitura? E mesmo que não sejam eles pessoalmente, seus indicados estarão lá”.

Por fim, defende Russomanno

Os ataques ao PT fazem parte da estratégia adotada às vésperas do primeiro turno. Além de o candidato subir o tom contra Haddad, a campanha reforçou a ofensiva por meio da igreja neopentecostal e de folhetos contra o petista.

A candidatura distribuiu panfletos com críticas à principal proposta do PT, o Bilhete Único Mensal. “Na proposta do Haddad, uma família com quatro pessoas vai pagar R$ 560 por mês só com o Bilhete Único Mensal do PT”, diz o folheto. “Você quer pagar menos? A proposta de Russomanno tornará a passagem mais barata”.

A campanha prepara novos ataques. “Estamos em stand by, mas podemos lançar novos materiais gráficos até sábado”, disse o marqueteiro da campanha, Ricardo Bérgamo.

Em sua fala, Russomanno assumiu de vez o discurso agressivo contra o PT e repetiu por 14 vezes, em 14 minutos, que Haddad “mente”. O candidato rebateu críticas à sua proposta de cobrar a passagem de ônibus de acordo com o trajeto percorrido. Para Haddad, isso prejudicará os pobres, que vivem na periferia.

“Haddad está mentindo literalmente, deslavadamente a respeito da minha proposta. Ele é mentiroso”, declarou, antes de fazer uma carreata na zona leste. “Ele [Haddad] vai para o segundo turno comigo e vai fazer todos os debates comigo. Agora chegue ao segundo turno (sic). Seja competente para chegar, porque até agora não foi”.

O candidato evitou falar do vínculo com o bispo Macedo. “Não falo mais sobre isso. Sou católico. Vocês querem acompanhar o batismo do meu filho para saber quem eu sou?”

Ao ser questionado sobre as críticas de Macedo, Haddad buscou não relacionar o episódio à opinião pessoal do bispo Edir Macedo. Segundo o petista, a campanha enviará carta para rebater, ponto a ponto, as críticas do texto. “Vamos informar o remetente das injustiças, das injúrias que está cometendo. Muito provavelmente não o faz por má fé, mas por desinformação”, afirmou. O petista evitou polemizar.

Russomanno, ao mesmo tempo em que ataca o PT, poupa o candidato do PSDB, José Serra. Ontem a campanha tucana começou a distribuir panfletos dizendo que o candidato do PRB é vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus e mostrando denúncias contra o candidato. Russomanno evitou comentar. “Estamos acompanhando. Se houver irregularidade nós vamos tomar as providências jurídicas”, afirmou.

Ao comentar sua queda nas pesquisas, Russomanno mostrou-se como “vítima do ataque de sete partidos”. “Tenho dois minutos de televisão e os outros têm sete minutos cada. Todos estão me bombardeando”, disse. Segundo o Datafolha divulgado ontem, Russomanno caiu cinco pontos percentuais em uma semana e está com 25% das intenções de voto, em empate técnico com Serra, que tem 23%. Haddad tem 19%.

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