Arquivo da tag: eleições

Fratelli Tutti – Em Defesa da Política

Há um fenômeno que, a cada período eleitoral, volta e ganha força em nosso país. Falo dos políticos que dizem odiar a política. São detentores de cargos públicos ou candidatos, de situação ou de oposição, que dizem que política é tudo sujeira, que os políticos não prestam para nada, que são todos corruptos, ladrões, falsos…e, no entanto, estas mesmas pessoas lutam com unhas e dentes para manter ou conquistar cargos ou para elegerem seus amigos e aliados!

Estranho fenômeno. Mas fenômeno que é real. Todos podemos constatá-lo, desde o nível municipal até o federal. Onde ele nasce e como ele se alimenta? Em primeiro lugar, há de se dizer que não é um fenômeno moral. Se fosse um julgamento moral sincero, estas pessoas não seriam candidatas e, as que não o são, deixariam de participar dos processos políticos. De fato, o desprezo e a satanização da política fazem parte de um projeto político que consiste em afastar os cidadãos da sua responsabilidade nas decisões que dizem respeito a toda a comunidade. Para os mal intencionados, quanto menos as pessoas participam da política, melhor. Esse é o sonho de todos os ditadores e de todos os corruptos.

Se vamos ao sentido último da política, constatamos que ela é a arte de organizar a vida em sociedade. Ninguém nasce, nem vive e nem morre sozinho. Todo o percurso de nossa existência é feito em sociedade. Dependemos dos outros para viver e com nosso trabalho contribuímos para que outras pessoas vivam. A regulação dessa troca entre os seres humanos e os vários grupos que compõem a sociedade e a humanidade se chama política. Política local, regional, estadual, nacional, internacional. Toda a convivência humana, próxima ou distante, é uma convivência política.

Conforme a análise do Papa Francisco, no capítulo V da Fratelli Tutti, há dois modos de destruir a convivência social e geral o caos e a opressão. O primeiro, é o populismo demagógico. Fenômeno bastante conhecido entre nós: falsos líderes que utilizam as expectativas populares para manipular o povo. Estabelecendo uma relação direta entre o líder, o condutor, o coronel, o “mito” e as massas necessitadas, destroem as instâncias institucionais para impossibilitar qualquer forma de controle e limitação a seus projetos e seus poderes.

O outro modo de destruir a convivência política, é o projeto liberal – também bastante conhecido entre nós – que alimenta o “dogma de fé” de que não há necessidade de organização social ou do Estado. Na utopia liberal, cada um busca por sua própria conta e risco a solução para seus problemas, contra tudo e contra todos. Na verdade, nesse modelo, o que vale é a lei do mais forte: “quem pode mais, chora menos”. E os fracos sempre perdem…

Para construir a fraternidade universal e a amizade social, não há caminho fora da política. Em outras palavras, é no esforço perseverante em construir e reforçar as instituições sociais – associações, movimentos populares, sindicatos, partidos políticos – e, através delas, cuidar dos mais fracos e velar pelo bem comum, que se dão os passos para uma convivência humana digna para todos.

Nesse sentido, a política é a prática coletiva do amor cristão. Ajudando uma pessoa necessitada que está ao nosso lado, estamos praticando a caridade que ajuda essa pessoa concreta a sair de sua situação de dor, sofrimento ou miséria. Isso é importante e necessário. Envolvendo-nos na política, temos a possibilidade de ajudar não apenas uma pessoa, mas toda a coletividade a fim de que outras pessoas não venham a cair nessa situação ou mais rapidamente posam dela sair. É urgente que os cristãos passemos da caridade individual à caridade política.

Essa é a via para a remoção dos muitos obstáculos que impedem a fraternidade universal e a amizade social. Não há outra. Na convivência entre os humanos, sem política, não há salvação!

_______________________________

Assista o vídeo desta reflexão e inscreva-se em nosso canal no YouTube:

Obama ganhará em quatro estados-chave se hispânicos votarem em massa

Cerca de 73% dos eleitores latinos se declaram favoráveis ao democrata

Pesquisa sugere que Obama obterá porcentagem recorde do voto hispânico<br /><b>Crédito: </b> Jewel Samad / AFP
Pesquisa sugere que Obama obterá porcentagem recorde do voto hispânico
Crédito: Jewel Samad / AFP

Se os eleitores hispânicos comparecerem em massa às urnas, o presidente americano e aspirante democrata à reeleição, Barack Obama, pode vencer em quatro estados-chave: Nevada, Colorado, Flórida e Virgínia, segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira. Estes quatro estados combinados representam 57 eleitores dos 270 necessários para obter a vitória nas eleições de terça-feira, que até agora mostram um empate entre Obama e Romney em nível nacional.

As eleições presidenciais americanas são realizadas de forma indireta, através de um Colégio Eleitoral, e historicamente alguns estados são os responsáveis por inclinar a balança. Nevada conta com 6 eleitores, Colorado 9, Flórida 29 e Virgínia 13.

Cerca de 73% dos eleitores hispânicos registrados se declaram favoráveis a Obama e 24% a Romney, segundo o relatório do grupo de meios de comunicação hispânicos ImpreMedia e da LatinoDecisions, uma empresa especializada que durante onze semanas rastreou o voto hispânico. A pesquisa “sugere que o presidente Obama obterá uma porcentagem recorde do voto hispânico, o que, por sua vez, lhe dará a vitória em estados-chave e votos suficientes do Colégio Eleitoral para alcançar a presidência”, explicou o comunicado.

A LatinoDecisions afirma que a motivação dos hispânicos foi crescendo com a disputada campanha eleitoral. “Se Obama conquistar 73% dos votos hispânicos ou mais, ofuscará os 72% obtidos por Bill Clinton em sua reeleição massiva de 1996 e marcará o resultado mais alto registrado até agora por um candidato presidencial democrata”, explicou o relatório.
A pesquisa foi realizada entre os dias 26 de outubro e 1 de novembro entre 300 eleitores hispânicos, em inglês ou espanhol.

Uma interessante análise das eleições

 

Fernando Haddad. ReutersHaddad venceu no principal ninho tucano, acendendo um alerta para o PSDB em 2014

A vitória em São Paulo do novato em eleições Fernando Haddad, do PT, sobre uma das principais lideranças do PSDB, José Serra, acende um alerta no chamado “ninho tucano”. A repercussão do resultado, no entanto, vai além dos limites municipais, com forte eco em Brasília, já prenunciando a disputa para a Presidência em 2014.

O PSDB mantem número maior de prefeituras ganhas, 702, se comparado ao PT, com 635 executivos. Os dois partidos também são menos capilarizados que o PMDB, que conquistou 1.024 prefeituras país afora.

Para especialistas ouvidos pela BBC Brasil, os resultados são mais positivos ao PT, sobretudo por causa da vitória paulistana. Berço de petistas e tucanos, a cidade e o Estado de São Paulo tornaram-se uma espécie de fortaleza do PSDB nos últimos anos, frente ao avanço do PT no plano federal.

“O PT sai bastante fortalecido. Já no primeiro turno avancou 14% em número de prefeituras e sobretudo porque venceu na principal cidade brasileira. O PSDB é talvez o maior perdedor. Diminui cerca de 14% e perde São Paulo”, diz o cientista político Francisco Fonseca, da Fundação Getúlio Vargas na capital paulista.

Para Marco Aurélio Garcia, cientista político da Unesp em Franca (SP), “o PSDB é o grande perdedor”, mesmo assegurando prefeituras importantes como as de Belém (PA), Manaus (AM), Maceió (AL) e Teresina (PI).

“O partido perdeu a joia da coroa (São Paulo). Apesar de manter prefeituras importantes, não mostrou um conteúdo programático, nem envergadura nacional. Parece que perdeu um pouco a capacidade de fazer política”, diz.

Para João Luiz Passador, do Centro de Estudos em Gestão e Políticas Públicas Contemporâneas da USP de Ribeirão Preto (SP), “a presidente Dilma (Rousseff) deve estar muito satisfeita, já que a base de sustentação do governo saiu vitoriosa”.

O PMDB manteve grande número de prefeituras, com destaque para a reeleição de Eduardo Paes em primeiro turno no Rio de Janeiro. O PSD de Gilberto Kassab (agora alinhado ao governo) conquistou 497 executivos, e o PP, 469. O PSB, que ensaia uma postura mais independente, ganhou 442 prefeituras.

Renovação do PSDB

José Serra. AFPEx-presidente FHC defendeu a renovação do PSDB, partido do candidato derrotado em SP, Serra (foto)

Apesar da “fragilização” do PSDB, os especialistas concordam que o partido se manterá no centro da política nacional nos próximos anos. Todos falam em necessidade de “renovação das lideranças tucanas”, ressoando a declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, minutos após votar.

“O partido vai precisar de renovação. (…) A gente tem que empurrar os novos para ir para a frente”, disse FHC, em declarações à imprensa.

Para Passador, da USP, “o resultado em São Paulo foi uma grande chacoalhada no PSDB. Apesar da provável substituição de Serra por Aécio (Neves) como líder nacional, o partido precisa ser repensado. Parece que os tucanos perderam o charme. Com o PT ocupando o centro, o partido acabou sendo deslocado à direita”, diz.

Para Fonseca, da FGV, “o PSDB perdeu o discurso” e terá de reformulá-lo se quiser ter sucesso no futuro.

“O PSDB substituiu temas de políticas públicas por temas sociais, de maneira oportunista. Primeiro foi a questão do aborto nas eleições presidenciais. Agora foi a questão da homofobia em São Paulo. Isso afastou o PSDB do discurso moderno com o qual o nasceu. O partido acabou conservador”, diz.

PSB

Para os três especialistas, o PSB foi o grande destaque das eleições. Apesar do crescimento vertiginoso de mais de 40% no número de prefeituras, todos se mostram cautelosos em relação ao papel do partido nos próximos anos.

“O PSB é um partido em ascensão, com a figura em ascensão do Eduardo Campos. E tem um projeto nacional, mas ainda não é capaz de se sobrepor ao PT. Hoje o PT é um partido sem adversários à altura”, segundo Fonseca.

Para Nogueira, da Unesp, o PSB é ainda “um partido que orbita em torno de uma pessoa, Eduardo Campos”.

“Ele se projetou como liderança, mas ainda não dá para saber se o PSB terá musculatura para postular um papel maior já em 2014. Talvez vá se cacifar para 2018”, diz.

Engajamento eleitoral da Igreja Católica é inédito, diz dom Fernando Figueiredo

Bispo responsável por uma das igrejas mais assediadas por políticos em São Paulo –o Santuário do Terço Bizantino, do padre Marcelo Rossi–, dom Fernando Figueiredo admite nunca ter visto a Igreja Católica se envolver tão fortemente numa eleição municipal quanto neste ano.

“Já vi uma manifestaçãozinha aqui e acolá, mas jamais um pronunciamento oficial”, afirma, ao comentar a ação do arcebispo dom Odilo Scherer, que no primeiro turno determinou que padres lessem comunicado com críticas à campanha de Celso Russomanno (PRB).

À Folha, o bispo de Santo Amaro diz que abre as portas de seu Santuário para que os fiéis possam “conhecer melhor” os candidatos.

Rechaça, no entanto, que líderes religiosos indiquem nomes aos eleitores. Apesar disso, direcionou os maiores elogios a José Serra (PSDB), que concorre com Fernando Haddad (PT).

Alessandro Shinoda/Folhapress
Dom Fernando Figueiredo concede entrevista na sede da Diocese de Santo Amaro, em São Paulo
Dom Fernando Figueiredo concede entrevista na sede da Diocese de Santo Amaro, em São Paulo

Folha – O Santuário acabou se tornando alvo do périplo de políticos. Como vê isso?
Vejo o santuário como local de congregação do nosso povo. Isso não só chama a atenção da imprensa, como também dos políticos, que têm ali acesso a um grupo bastante grande para se apresentar. Muitos deles vão movidos também pela fé. Gostaria que todos fossem assim.

O objetivo político incomoda?
Eu não pergunto a ninguém se foi lá por razão política ou religiosa. Cabe à pessoa.

É positiva essa aproximação dos políticos com as igrejas?
É um modo de eles se apresentarem e também de nós os conhecermos. Para votar, creio que uma das leis máximas é justamente conhecer e conhecer bem o candidato. É verdade que eles vão lá e as pessoas os veem naquele instante. Mas talvez essa primeira impressão já traga uma alegria de saber que conhece aquele candidato.

Não há risco de a igreja ser instrumentalizada?
Se eles [os políticos] instrumentalizam, o problema é deles. Nós fazemos com a consciência reta, desejando apresentá-los e levá-los a um encontro com o Senhor.

Na última semana, os materiais anti-homofobia que Haddad e Serra produziram viraram tema na campanha. Como vê isso?
Não vou entrar na questão do kit. A igreja sempre propugnou contra todo tipo de discriminação. Todos são chamados à salvação.

*Mas elaborar esse material pode ser considerado algo que desabone um candidato?
Creio que essa questão é muito delicada. Delicada demais para, numa pincelada, tratarmos sobre ela.*

Delicado para tratar em uma pincelada. E para tratar em ano eleitoral?
Muitas vezes os debates se tornam não muito elucidativos e, às vezes, distorcidos. Não colocaria essas questões num período eleitoral.

O pastor Silas Malafaia pediu voto para Serra dizendo que Haddad queria ensinar a homossexualidade. Ele está pregando o preconceito?
Eu não gostaria de julgar.

Mas o que acha de um líder religioso indicar candidato?
Ninguém deveria dizer quem é o candidato. É um abuso do contato e da credibilidade que os fiéis nos dão.

Então qual é o limite para a participação dos religiosos?
Eu diria que devemos apresentar, sim. Mas dar conhecimento não é indicar.

O sr. disse que é preciso conhecer bem os candidatos. Pode falar um pouco o que conhece de Haddad e Serra?
O Haddad me foi apresentado pela família Tatto [dez irmãos filiados ao PT-SP]. Eu já o vi em outra ocasião, mas não tenho contato. Vejo que é muito inteligente, tem capacidade intelectual e também flexibilidade quando discursa. O Serra eu conheço há tempos. Pediram-me para dar a unção dos enfermos a uma senhora. Na saída, vi um porta-retratos com foto dele e perguntei de onde o conheciam. Era a mãe dele. Difícil encontrar alguém que conheça mais a cidade do que ele.

O sr. foi a muitas inaugurações desta gestão. Se Haddad for eleito, continuará indo?
Eu não sou ligado a este ou aquele partido. Sabia que quando os cristãos eram martirizados, eles rezavam pelo imperador, que os estava levando à morte? É uma responsabilidade da autoridade estar sempre sintonizado com o Senhor.

No primeiro turno, dom Odilo Scherer pediu para que padres lessem nas missas texto contra a campanha de Celso Russomanno. Como viu isso?
Eu não tinha claro até aquele momento que o Russomanno estivesse ligado à Igreja Universal. Até hoje não tenho. Como o conhecia há muito tempo, o que eu via era ligação com a Igreja Católica.

O sr. declarou publicamente que ele era católico.
Você sempre deve fazer o que é melhor para a pessoa. Se nada me dizia que ele não era católico, como poderia não defendê-lo?

É inédito o engajamento eleitoral da igreja em São Paulo?
Essa pergunta é para ele [dom Odilo], não para mim. Cheguei aqui como bispo em 1989. Sempre houve uma manifestaçãozinha aqui e acolá, mas não um pronunciamento oficial. Isso jamais.

Qual é o limite desse engajamento religioso?
Você apresenta [candidatos], simplesmente. Mas a igreja deve iluminar a mente do eleitor para que ele possa considerar os candidatos não só no momento presente, mas também no passado. Senão, aparece alguém da Lua com um belo discurso, e as pessoas são levadas. O conhecimento que temos, por exemplo, do Serra. Ele é mais conhecido. É mais fácil termos julgamento.

Ele tem alta rejeição, em parte por ter saído da prefeitura.
Mas isso é tão secundário. Ele saiu por quê? Porque não queria servir o povo? Ou quis servir o povo ainda mais, como governador? Perdemos essa referência.

O sr. falou do Serra, poderia destacar méritos das gestões que viu desde 1989?
A Erundina teve muita preocupação social, pela realidade sofrida do povo. O Maluf é um homem de decisão. Quando tivemos problemas na região sul, agiu imediatamente. O Pitta bem menos…

E a Marta Suplicy?
Marta, Marta, Marta…. O que eu poderia falar da Marta? Aqui na região sul… Ela tinha uma preocupação pela saúde. Vemos postos de saúde que ela incentivou. Isso foi importante. A atuação do Kassab também tem sido marcante aqui na região.

A maioria da população reprova a gestão dele.
Eu fico sempre me perguntando: de onde que vem isso? Acho injusto. Acho não, creio. Vocês que estão na imprensa, o que me dizem? Não é um pouco pegar os aspectos que não são positivos e alardear, e isso faz com que a imagem da pessoa seja denegrida?

O senhor se refere ao Kassab?
Pode ser qualquer pessoa, até um santo. Pegue irmã Dulce. Pega um aspecto que não era muito positivo e começa a divulgar. Cria-se uma ideia contrária à pessoa.

O sr. recebe crítica por receber os políticos?
Às vezes recebo críticas: “Você recebeu Fulano, ele nem é católico e o senhor o deixou comungar”. Há uma lei na igreja que, se a pessoa se aproxima para a comunhão, você não pode negá-la.

Antes do primeiro turno, o candidato Gabriel Chalita veio a uma missa na qual estava o Serra. Ele reclamou que precisou “se convidar” para o evento. Na ocasião, o sr. não quis comentar.
Continuo sendo elegante com ele.

Ele se queixou com o senhor?
Continuo sendo elegante com ele. Estou começando a ser político! [risos]

Em meio a julgamento do ‘mensalão’, PT cresce em número de votos, prefeituras e vereadores

A expectativa de que o julgamento do chamado “mensalão” no Supremo Tribunal Federal (STF) provocasse uma grande perda de votos para o PT, que está no centro do processo judicial, não se confirmou. Os números do primeiro turno das eleições municipais de 2012 mostraram que o PT se tornou o partido mais votado no Brasil e teve crescimentos significativos no número de prefeituras e vereadores eleitos. O crescimento nesses dois quesitos fez o PT se aproximar de PMDB e PSDB, que continuam nos primeiros lugares, mas que perderam muitas prefeituras e vereadores. O partido sofreu queda, no entanto, levando em conta o balanço das cidades com mais de 150 mil habitantes, e pode ver reduzido o número de capitais que controla.

Em número total de votos, o PT se tornou o primeiro colocado no Brasil. O partido cresceu 4,3%, chegando a 17,26 milhões de votos, equivalente a 16,79% do total de votos válidos. O PMDB ficou em segundo lugar, com 16,716 milhões de votos, correspondente a 16,26% dos votos válidos. O PSDB ficou com a terceira maior votação, totalizando 13,95 milhões de votos (13,57% do total).

Em termos de prefeituras vencidas, o PT teve um crescimento de 14%, passando de 550 para 628 prefeituras. Esse número dá ao partido o terceiro lugar no geral, atrás do PMDB e do PSDB. O PMDB elegeu 1025 prefeitos no primeiro turno, contra 1193 em 2008, uma queda de 14%. O PSDB, por sua vez, teve uma queda de 12% no número de prefeitos, passando de 787 para 693. Entre os vereadores, o PT também teve um crescimento acentuado. O partido elegeu 5.067 integrantes de legislativos municipais, 22% a mais que os 4.168 de 2008. O PMDB segue em primeiro, com 7.825 vereadores, 8% a menos que os 8.475 de 2008. O PSDB é o segundo colocado neste quesito, com 5.146 vereadores, número 13% menor que os 5.897 de 2008.

PSDB cresce em cidades com mais de 150 mil eleitores

Nas cidades com mais de 150 mil eleitores, o PT deve sofrer um queda. O partido tem atualmente 34 prefeitos nessas cidades, mas só conseguiu eleger 13. No segundo turno, o partido está em 22 disputas e precisaria ganhar 21 para igualar o número.

O PSDB, em contrapartida, tinha 14 prefeituras nessas cidades com mais de 150 mil eleitores e já elegeu 17 em primeiro turno. No segundo turno, os tucanos podem conquistar mais 17 municípios deste universo.

Na opinião de Paulo Frateschi, secretário de organização do PT, o crescimento dos tucanos nessas cidades é reflexo do enfraquecimento de outros partidos da oposição, como o DEM.

O PMDB, por sua vez, tinha 19 prefeituras e conseguiu 13 em primeiro turno. Como o partido disputa mais 16 segundos turnos, pode chegar a 29 no total.

Leia também:
PT e PSDB disputam domínio nas capitais
Imprensa tem dois pesos e duas medidas sobre mensalões, diz Barbosa
Temer diz que 1º turno fortalece parceria entre PT e PMDB

Nas capitais, o PT pode sofrer uma queda. O partido atualmente tem sete prefeituras nas sedes dos estados e precisa ganhar os seis segundos turnos de que vai participar (Cuiabá, Fortaleza, João Pessoa, Rio Branco, Salvador e São Paulo) para igualar o número. No primeiro turno, o PT conquistou apenas a prefeitura de Goiânia.

O partido com mais participações no segundo turno é o PSDB. Os tucanos conquistaram no primeiro turno a prefeitura de Maceió e vão disputar ainda João Pessoa, Rio Branco e São Paulo, Belém, Manaus, São Luís, Teresina e Vitória. O PMDB conquistou as prefeituras do Rio de Janeiro e de Boa Vista e está no segundo turno em Campo Grande, Florianópolis e Natal.

Crescimento do PSB chama a atenção

A votação do PSB nas eleições municipais de 2012 também chamou a atenção. Com 8,6 milhões de votos (8,37%), o PSB foi o quarto mais votado no primeiro turno, atrás de PT, PMDB e PSDB. Em termos de prefeituras conquistadas, o PSB foi um dos que mais cresceu, passando de 308 por 436 prefeituras, um crescimento de 42%, que deixa o partido no sexto lugar geral, atrás de PMDB, PSDB, PT, PP e PSD. Entre os vereadores, o PSB é o sétimo partido mais representado, com 3.484 eleitos, 18% acima dos 2.956 obtidos em 2008.

Nas cidades com mais de 150 mil eleitores, o PSB tem oito prefeituras. Elegeu oito no primeiro turno e vai ao segundo turno em outras seis. Nas capitais, o PSB fez os prefeitos de Recife e Belo Horizonte e vai ao segundo turno em Cuiabá, Fortaleza e Porto Velho.

Até que ponto a religião influencia o voto do brasileiro?

Jefferson Puff da BBC Brasil, em São Paulo

Fiéis rezam em igreja evengélica (foto: Reuters)

Às vésperas do primeiro turno das eleições em 5.561 municípios de todo o país, a BBC Brasil ouviu especialistas para tentar dimensionar as relações entre a religião e o voto do brasileiro.

Embora a opção religiosa e os valores morais atrelados a diferentes grupos tenham sido temas recorrentes nas últimas campanhas eleitorais, ainda há divergências entre cientistas políticos sobre o peso da religião nas escolhas do eleitor.

Uma parte vê o cenário atual como indicador de padrões que devem se fortalecer cada vez mais, tanto do “voto do fiel” como da ascensão política dos evangélicos. Eles se baseiam em dados como os do último censo do IBGE, que apontou um crescimento de 15,4% para 22,2% da população evangélica no Brasil entre 2000 e 2010.

Trinta anos atrás, eles não eram mais do que 6,6% da população. E entre as diversas vertentes evangélicas, os pentecostais são de longe a maioria, com 60% dos fiéis.

“É uma tendência, é um crescimento exponencial. Veja a Marcha para Jesus [que reuniu mais de 300 mil fiéis em São Paulo neste ano]. Os evangélicos acumularam um capital político que não pode mais ser ignorado. É uma presença consolidada e irreversível”, analisa Eduardo Oyakawa, professor de sociologia da religião da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).

Moral e consumo

O analista diz que os valores morais e a exclusão da sociedade de consumo estão no cerne do “voto evangélico”.

“O voto em candidatos conservadores atrelados à religião se dá muito mais por conta da identificação com um sistema de valores morais do que a opção religiosa em si. Estamos falando de pessoas invisíveis no dia a dia. Elas moram nas periferias das grandes metrópoles e não se sentem protegidas pelo Estado. A dificuldade para ter acesso a bens de consumo também colabora para que encontrem refúgio na religião”.

Já Alberto Carlos Almeida, autor do livro A Cabeça do Eleitor, diz que o principal fator na decisão dos eleitores é a avaliação dos candidatos incumbentes, que estão deixando o cargo ou buscam reeleição. “Sem dúvida, o desempenho do governo atual é o que decide uma eleição”, diz.

Marcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência, usa o caso da eleição para prefeito de São Paulo para relativizar a relação entre religião e opção de voto.

Ela pondera o favoritismo do candidato Celso Russomano (PRB) entre os evangélicos, e diz que embora o percentual seja maior, os fiéis também apoiam os outros candidatos.

Uma pesquisa do Datafolha do início de setembro mostrou que o apoio dos pentecostais aos principais candidatos estava distribuído da seguinte forma: Russomano (PRB) tinha 45%, José Serra (PSDB) 17%, Fernando Haddad (PT) 16% e Gabriel Chalita (PMDB) 6%.

“Se a religião fosse um fator tão crucial, ele teria 70%, 80% dos votos entre os evangélicos”, afirma, avaliando que as cifras não permitem concluir que a religião foi determinante.

“Há muitas variáveis para você isolar somente a religião. É mais uma, sem dúvida, mas é difícil dizer que foi algo decisivo.”

Diversidade

Alberto Carlos Almeida diz ver a presença maior da agenda pentecostal no debate eleitoral como algo natural.

“Trata-se de um cenário normal de maior pluralismo e diversidade de forças políticas. É apenas mais um grupo, com sua bancada, seus representantes e interesses”, diz o pesquisador.

Ele diz que o panorama atual é esperado de uma sociedade em evolução. “Há mais forças entrando em jogo, é natural. Agora, precisamos diferenciar: uma coisa é o cenário político duradouro, outra coisa é o processo de eleição”.

“Ninguém provou até hoje, com dados concretos, que o eleitor está decidindo seus candidatos porque eles se associam a determinadas religiões.”

Mas ainda que pesquisas não tenham conseguido determinar uma relação clara entre religião e sucesso nas urnas, é cada mais vez recorrente a associação de candidatos a forças religiosas.

A distribuição de apoio aos candidatos em São Paulo aponta ainda discrepâncias entre os evangélicos pentecostais, que, em muitas situações, mostram posições divergentes e rivalizam por fiéis.

Apesar da busca por apoio em diferentes grupos religiosos, é justamente entre os pentecostais que a disputa política de maior destaque se concentra, já que eles formam o grupo mais numeroso e poderoso dentro do universo evangélico, com cinco igrejas dominando o cenário: Universal, Assembleia de Deus, Renascer e Mundial do Poder de Deus.

Não por acaso a grande maioria dos 70 deputados federais e três senadores que integram a bancada evangélica no Congresso pertencem a esses cinco grupos.

Neste panorama, Russomano (PRB) conta com apoio da Igreja Universal do Reino de Deus, Haddad (PT) tem a seu favor a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, Serra (PSDB) conquistou a chancela dos evangélicos pentecostais da Assembleia de Deus e da Igreja Mundial do Poder de Deus (dissidente da Universal) e Chalita (PMDB) tem simpatizantes entre os pentecostais da Sara Nossa Terra e da Renovação Carismática Católica.

Projeto de poder?

Apesar das diferenças sobre o impacto religioso de forma geral, analistas concordam que as igrejas evangélicas estão consolidadas como uma força política com a qual todos os partidos precisam negociar.

Além disso, a penetração de grupos religiosos na esfera pública nacional, por meio de canais de televisão, tem aumentado gradativamente.

“As igrejas evangélicas, além de grupo religioso, constituíram uma força política, vide a bancada no Congresso”, diz Maria Teresa Micelli Kerbauy, cientista política da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo). “Elas querem uma inserção política.”

“Só o discurso religioso não é suficiente para ganhar novos adeptos, e se essa tendência já vinha se manifestando desde a década de 1990, ela atinge seu boom agora com a eleição de São Paulo”, diz a pesquisadora.

Para a estudiosa, a tendência identificada é de uma expansão da base de fiéis evangélicos e maior penetração dessas igrejas e seus representantes na política brasileira.

Maria Teresa acrescenta que pode ser um exagero falar em um “projeto de poder”, mas identifica um claro “projeto de participação mais intensa no sistema político brasileiro, colocando suas demandas”.

Entre elas estão a agenda moral conservadora da bancada em Brasília, contrária ao aborto e à união civil entre homossexuais e a luta por facilidades na obtenção de licenças de funcionamento para igrejas.

“É cedo para medir a força da religião no processo eleitoral, mas que ela está mais presente do que no passado, é um fato inquestionável”, diz Marcia Cavallari, do Ibope Inteligência. “Como isso vai se dar, se vai ser um fator de influência decisivo, só poderemos observar com o tempo.”

Edir Macedo contra-ataca PT com mensalão, kit gay, Enem


Com o apoio de Lula, Edir Macedo construiu um império da comunicação. (Foto: )

Principal apoiador de Celso Russomanno (PRB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, bispo Edir Macedo, centrou fogo contra Fernando Haddad (PT).

Em ataque ao petista, Macedo publicou um texto com cinco motivos para não votar em Haddad. O principal, segundo o bispo, é que o petista “infestará as escolas municipais com seu kit gay”, se eleito. O documento associa o candidato do PT ao mensalão e diz que os “comparsas” de Haddad “roubaram o Brasil e agora assaltarão São Paulo”. Fala ainda dos problemas do Enem que marcaram a gestão do petista quando ministro da Educação.

Em seu blog, Macedo publicou ontem o texto “Desabafo da revolta”, como se fosse uma carta recebida por ele de alguém que assina como “amigo”. No texto, o autor diz que Haddad “tentou obrigar” a distribuição “uma publicação que defende a homossexualidade, que estimula nossas crianças a viverem em pecado” e afirma que Haddad distribuirá o kit gay nas escolas.

O texto é permeado do início ao fim por ataques ao petista. “Haddad mente. Ataca sem argumentos os demais candidatos, principalmente o líder nas pesquisas, Celso Russomanno”, diz. O documento diz que Haddad não é “sério” e que não “assumiu seus erros” quando houve problemas no Enem.

O “desabafo” publicado pelo bispo diz que “José Dirceu, Genoino, Delúbio [Soares] e Marcos Valério”, réus no julgamento do mensalão, “são todos companheiros” de Haddad. “Mesmo que sejam condenados, quem nos garante que irão para a cadeia? Quem nos garante que, no dia seguinte à posse, não estarão devidamente instalados nos gabinetes do secretariado da prefeitura? E mesmo que não sejam eles pessoalmente, seus indicados estarão lá”.

Por fim, defende Russomanno

Os ataques ao PT fazem parte da estratégia adotada às vésperas do primeiro turno. Além de o candidato subir o tom contra Haddad, a campanha reforçou a ofensiva por meio da igreja neopentecostal e de folhetos contra o petista.

A candidatura distribuiu panfletos com críticas à principal proposta do PT, o Bilhete Único Mensal. “Na proposta do Haddad, uma família com quatro pessoas vai pagar R$ 560 por mês só com o Bilhete Único Mensal do PT”, diz o folheto. “Você quer pagar menos? A proposta de Russomanno tornará a passagem mais barata”.

A campanha prepara novos ataques. “Estamos em stand by, mas podemos lançar novos materiais gráficos até sábado”, disse o marqueteiro da campanha, Ricardo Bérgamo.

Em sua fala, Russomanno assumiu de vez o discurso agressivo contra o PT e repetiu por 14 vezes, em 14 minutos, que Haddad “mente”. O candidato rebateu críticas à sua proposta de cobrar a passagem de ônibus de acordo com o trajeto percorrido. Para Haddad, isso prejudicará os pobres, que vivem na periferia.

“Haddad está mentindo literalmente, deslavadamente a respeito da minha proposta. Ele é mentiroso”, declarou, antes de fazer uma carreata na zona leste. “Ele [Haddad] vai para o segundo turno comigo e vai fazer todos os debates comigo. Agora chegue ao segundo turno (sic). Seja competente para chegar, porque até agora não foi”.

O candidato evitou falar do vínculo com o bispo Macedo. “Não falo mais sobre isso. Sou católico. Vocês querem acompanhar o batismo do meu filho para saber quem eu sou?”

Ao ser questionado sobre as críticas de Macedo, Haddad buscou não relacionar o episódio à opinião pessoal do bispo Edir Macedo. Segundo o petista, a campanha enviará carta para rebater, ponto a ponto, as críticas do texto. “Vamos informar o remetente das injustiças, das injúrias que está cometendo. Muito provavelmente não o faz por má fé, mas por desinformação”, afirmou. O petista evitou polemizar.

Russomanno, ao mesmo tempo em que ataca o PT, poupa o candidato do PSDB, José Serra. Ontem a campanha tucana começou a distribuir panfletos dizendo que o candidato do PRB é vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus e mostrando denúncias contra o candidato. Russomanno evitou comentar. “Estamos acompanhando. Se houver irregularidade nós vamos tomar as providências jurídicas”, afirmou.

Ao comentar sua queda nas pesquisas, Russomanno mostrou-se como “vítima do ataque de sete partidos”. “Tenho dois minutos de televisão e os outros têm sete minutos cada. Todos estão me bombardeando”, disse. Segundo o Datafolha divulgado ontem, Russomanno caiu cinco pontos percentuais em uma semana e está com 25% das intenções de voto, em empate técnico com Serra, que tem 23%. Haddad tem 19%.

Veja a intenção de voto em SP pelas principais religiões

O candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomano perdeu 17 pontos percentuais entre os evangélicos não pentecostais, segundo a última pesquisa Datafolha. O candidato do PRB caiu de 42% na pesquisa anterior para 25% das intenções de voto.

Ao mesmo tempo, o candidato do PSDB, José Serra, registrou um crescimento de 10 pontos percentuais entre essa parcela do eleitorado, elevando seu porcentual a 24%. A margem de erro, no entanto, é alta: 11 pontos.’

A corrente não pentecostal dos evangélicos abrange as igrejas mais antigas, como a Metodista, a Presbiteriana e a Batista. Até o momento, nenhuma delas declarou a abertamente apoio a qualquer dos candidatos. No quadro geral, Russomano lidera as intenções de voto com 32%. O tucano José Serra e o petista Fernando Haddad têm 20% e 17%, respectivamente, e estão tecnicamente empatados em segundo lugar. Entre os segmentos religiosos, devido a amostragem reduzida, a margem de erro é superior ao da pesquisa geral – cujo máximo atinge 3 pontos percentuais . Baixe aqui o relatório completo da pesquisa Datafolha.

Fonte: Censo 2010, IBGE

Entre os evangélicos pentecostais, Russomano tem o apoio da Universal do Reino de Deus, uma das maiores igrejas do país. Ele também disputa com Serra o aval da Renascer, que tem 20 mil fiéis apenas em São Paulo, segundo o Censo 2010. A Igreja Mundial, do pastor Valdomiro Santiago, já declarou apoio a Serra.

Neste segmento, Russomano também oscilou para baixo, assim como Serra. Os demais candidatos permaneceram estáveis. A margem de erro da última pesquisa foi de 7 pontos percentuais. Veja o gráfico abaixo:

O Datafolha também mensurou as intenções de voto entre os eleitores católicos. Somente Chalita apresentou aumento na categoria, com dois pontos percentuais. Nesta última pesquisa, Serra e Haddad permaneceram estáveis e Russomano perdeu 2 pontos percent