É verão!

Para os que vivemos em regiões subtropicais nas quais as quatro estações são marcadamente identificadas, o verão é assustadoramente revelador. Depois do friorento inverno em que nos ocultamos sob espessas camadas de roupas e da indecisa primavera onde, por salutar precaução, hesitamos em manter ou não manter a proteção, finalmente, com o subir dos números do mostrador termométrico, paulatinamente e sem retorno, vamos libertando nosso corpo do peso de meias, sapatos, botas, camisas de manga longa, blusas, casacos, mantas, cachecóis, sobretudos, toucas, chapéus e outros adereços que protegem e, ao mesmo tempo, ocultam nosso corpo.
E é nesse momento que aparecem as assustadoras revelações. O que estava escondido é inexoravelmente mostrado. Dobras, saliências, reentrâncias e protuberâncias corporais que, quando em sua dimensão natural são esteticamente aprazíveis, com o acúmulo hibernal de calorias, carboidratos e lipídios, ganham ares de deformação e teimam em fazer sua aparição nas zonas do corpo que os chinelos, camisetas e bermudas, por mais amplas, folgadas e esticadas que sejam, não conseguem esconder.
Tempo terrível e revelador o do verão! Ainda mais numa época como a nossa em que a obesidade tornou-se uma verdadeira epidemia que preocupa não só aos que vivemos no sobrepeso beirando a obesidade. A Organização Mundial da Saúde, entre outros organismos internacionais, bem como autoridades responsáveis pelo bem estar da população dos principais países do mundo, estão preocupadas com esse grave problema de saúde pública que tem como fatores principais o sedentarismo e o consumo de alimentos ultra processados.
Para nosso consolo e salvação, as autoridades brasileiras não estão se omitem e tomam as medidas necessárias para que a obesidade seja vencida e assim possamos retomar a felicidade de ter um corpo que, mesmo que não chegue às dimensões de uma “Garota de Ipanema”, pelo menos possa ser exibido sem temor tanto na praia como na cidade.
Mesmo que muitos, por cegueira ou preconceito ideológico, não o queiram reconhecer, o aumento semanal do preço dos combustíveis praticado pela Petrobrás a partir da nova política de mercado, fará com que os brasileiros e brasileiras abandonem o mau hábito de andar de carro, de ônibus e de trem e passem a se deslocar a pé pelas ruas das cidades e pelas estradas do campo. Outra medida ainda não tomada, mas já em estudos avançados, é a de suspender o transporte escolar para estudantes do interior dos municípios e a meia passagem para as crianças, adolescentes e jovens das cidades. Com isso se atacaria o problema em seus primeiros anos de desenvolvimento que é a obesidade infanto-juvenil e suas terríveis consequências como o diabetes infantil. Autoridades com uma visão mais radical propõe também que se suprima o passe livre no transporte coletivo urbano para a terceira idade. Assim se evitaria a obesidade senil e suas terríveis consequências para as pessoas que já passaram dos 65 anos.
Mas a medida mais radical e necessária já foi tomada e começa a surtir efeito para a felicidade geral de todos os que tememos o verão. O aumento do preço do gás de cozinha em quase 100% está fazendo com que as famílias brasileiras tenham que optar entre comprar gás ou comprar comida. Segundo os estudiosos da saúde pública que subsidiam as autoridades econômicas do Brasil, qualquer uma das opções terá efeitos positivos. Se o pai ou mãe de família optar por comprar gás, não poderá comprar comida e assim não haverá risco de que os filhos comam em demasia e engordem. Se optar por comprar comida, não terá gás para cozinhar e assim os alimentos serão consumidos em sua forma natural, o que é muito mais saudável.
Por isso, brasileiros e brasileiras, nada de temer o verão e nem de temer o Temer. Mais alguns anos de saudáveis políticas econômicas neoliberais e todos estaremos livres e tranquilos quando o verão chegar para exibirmos nossos corpos sem qualquer acumulação indevida. Bom verão a todos e todas!

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