Meus medos.

Sou uma pessoa medrosa, sim, e não tenho escrúpulos em confessá-lo. E não tenho um medo só. Tenho muitos medos. Inumeráveis medos. Um deles é o medo das alturas. Não gosto de chegar perto de precipícios. O Cânion do Itaimbezinho é um dos meus lugares preferidos para passear. Mas nada de me aproximar da borda do precipício. Fico bem longe! Só olhando…

Também tenho medo de velocidade. Quando dirijo, nunca ultrapasso os cem quilômetros por hora. Mesmo na autoestrada onde isso é possível. É o meu limite! Por mais que zombem de mim e da lentidão com que ando… E se estou de carona e o motorista passa dos cem, já fico incômodo e peço para andar mais devagar.

Também tenho medo de instalações elétricas. Nunca levei um choque nem presenciei algum acidente elétrico mais grave. Mas quando vejo um emaranhado de fios, ainda mais se houver algum velho, solto ou desencapado, eu é que fico pilhado!

Teria muitos outros medos a confessar. Mas fico por aqui. São suficientes para dizer que não tenho medo dos meus medos. Aprendi a conviver e até gostar deles quando me dei conta que são uma proteção. Cair do alto de um prédio ou de um penhasco, fazer um acidente em alta velocidade, levar um choque de 220 volts, é um risco de morte. Ter medo é uma forma instintiva ou aprendida de preservar a vida.

Os medos são bons. Todos precisamos deles para sobreviver. O contrário do medo não é a coragem e a valentia. Muitos dicionários dizem isso. E o senso comum também. Mas é preciso pensar. E se formos a fundo, veremos que o contrário do medo é a imprudência e a inconsequência. Quem não tem medo de nada, muito facilmente acaba tomando atitudes e assumindo comportamentos que provocam dano a si mesmo ou fazem mal aos outros. Não ter medo de dirigir em alta velocidade pode levar à morte do motorista, de quem está com ele no carro e de outras pessoas que se tornam vítimas inocentes da suposta coragem do dito motorista. Não ter medo de ficar doente, nestes tempos de pandemia, está levando à morte de muitos valentões e, o que é pior, de seus familiares e amigos que sofrem as consequências de seus comportamentos desatinados.

Não sei se existe uma palavra que possa ser tida como expressão exata daquilo que é contrário ao medo. Mas, naquilo que a vida me ensinou, considero que, para viver com os medos do dia a dia, duas atitudes são necessárias. A primeira, é a prudência. Uma virtude que anda bastante esquecida nestes tempos de muita pressa. Ser prudente, no entanto, não é ir devagar. Muito menos desistir do que se quer. Ser prudente é analisar as diversas possibilidades e discernir o melhor caminho para atingir o fim almejado.

Pode não ser o caminho mais fácil. E nem o mais rápido. Mas aquele que, ao fim e ao cabo, resulta no objetivo almejado. Ao lado da prudência, para conviver com os medos, é preciso a serenidade. Todos sabemos o que é um céu sereno. E todos deveríamos saber que, quem tem um espaço interior despejado, limpo, sem nuvens escuras e tempestuosas, consegue aceitar e superar seus medos e não se deixar intimidar pelos perigos que vem de fora.

Hoje, assim como em todos os tempos, não ter medo, é um perigo. Para si e para os outros. E uma confissão de fraqueza disfarçada em aparente valentia. Com meus medos, procuro cultivá-los e conviver com eles. Dos que não sabem conviver com os próprios medos, guardo distância e um indisfarçável desprezo: coitados, são covardes a ponto de ter medo de seus medos!

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