Rússia X Ucrânia: o falso dilema.

Fui interpelado ontem por uma pessoa de minhas relações sobre o meu posicionamento ante a guerra entre a Rússia e Ucrânia. Vendo minhas postagens nas redes sociais, essa pessoa não conseguia saber se eu apoiava Putin ou Zelinsky.

Tentei logo esclarecer: não torço nem prá um e nem prá outro. Numa guerra, quem torce para que um ou outro seja vencedor, dá uma demonstração de desconhecimento do que está em jogo. E, no caso, o que se disputa não é o domínio da Ucrânia simplesmente. O problema é muito mais profundo. Trata-se do fim da hegemonia global norte-americana e da emergência de uma nova configuração nas relações internacionais.

Com a expansão da OTAN para o Leste, os Estados Unidos tentam manter militarmente a hegemonia que a força econômica e política já nãos lhes proporciona. China, Rússia e Índia – sem contar outros países – estão hoje dispostos a assumir um papel protagônico nas relações internacionais.

Putin não é um louco ou um novo hitler. Ele sabe muito bem o que está fazendo e vem planejando isso desde que assumiu o poder. E não vai voltar atrás. E Biden também sabe disso. E não vai voltar atrás… Por isso o desenlace da crise não será para logo. E quem mais sofrerá será o povo ucraniano que, instigado por um fantoche dos Estados Unidos, foi jogado para uma guerra sem qualquer perspectiva de vender. Até porque numa guerra nunca há vencedores, a não ser os que vendem armas e os que depois ganharão dinheiro com a reconstrução da infra estrutura destruída.

Os países da Europa tampouco serão vencedores. As sanções impostas à Rússia logo se voltarão contra os próprios europeus que terão que pagar cada vez mais caro pelo petróleo, gás, trigo… Sem contar, é claro, com o custo absurdo de uma guerra que os Estados Unidos lhes repassarão. E o custo dos milhões de refugiados que continuarão a afluir para o Oeste.

A perspectiva é muito triste… O único caminho seria a total desnuclearização e desmilitarização da Europa com os Estados Unidos retirando suas forças de ocupação do solo europeu e a Rússia fazendo o mesmo movimento em seu território. Mas, a essas alturas, sonhar com isso é uma absurda divagação pacifista que só seria alcançada com uma ampla mobilização da população europeia. Algo que, claro, não está à vista na esquina das ruas de Berlim, Paris, Londres, Madrid ou Roma.

O que nos resta a fazer, além de rezar e ser solidários com as vítimas, é fortalecer e espalhar a convicção de que todo recursos à violência e às armas nunca é caminho para a solução dos problemas que vivemos, tanto nos relacionamentos próximos como nas relações internacionais.

Ah! Prá não esquecer… Se sobrevivermos, nem Rússia nem Estados Unidos serão os vencedores. Quem ganhará com a presente guerra é a China e os países que com ela se alinharão. Basta acompanhar nos portais oficiais do governo chinês os movimentos da diplomacia daquele país e logo perceberemos como eles estão conduzindo seus negócios em meio à crise.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s