Sobre oligarcas e grandes marcas.

Para tentar conter o ímpeto bélico da Rússia, os países ocidentais – Estados Unidos à frente – estão tomando algumas medidas extraordinárias para os padrões capitalistas que regem a economia deste lado do globo terrestre. O mais surpreendente é o sequestro dos bens dos ditos oligarcas russos. Uma medida surpreendente, já que os liberais ocidentais defendem o direito absoluto à propriedade e à livre iniciativa. É uma medida extrema, só aceitável em tempo de guerra e contra estrangeiros, dizem eles.
Outra medida extrema, foi a retirada de marcas mundialmente famosas – American Expresses, Visa, Master Card, Zara, Coca Cola, Starbucks e Mac Donalds – do mercado russo. Essas empresas vão perder bilhões de dólares que certamente não deixarão de circular na 10ª economia do mundo que é a russa. Mas é o “sacrifício” que estas empresas farão para restabelecer a democracia e salvar o mundo da volta do regime soviético capitaneado pelo novo Stalin em que Putin se transformou. São medidas extremas, só aceitáveis em tempo de guerra e em países estrangeiros, dizem eles.
Tais medidas extremas me fizeram pensar em algo insólito. No Brasil não vivemos uma situação de guerra declarada. Há as chacinas diárias onde morrem mais civis do que na guerra da Ucrânia e as pessoas andam de um lado para outro, não fugindo da guerra – graças a Deus! – mas buscando sim, um lugar para ganhar o pão de cada dia e sobreviver com suas famílias destroçadas pelo desemprego e pela miséria. Nessa situação extrema, não seria justificável desapropriar os bens dos oligarcas brasileiros para prover aos milhões de cidadãos que não tem o que colocar na mesa hoje? Proporcionalmente falando, os oligarcas brasileiros são muito mais oligárquicos que os russos. Enquanto por lá 300 pessoas detém a metade da riqueza russa, aqui, na “terra brasilis”, os seis homens mais ricos detém a mesma riqueza que a metade mais pobre da população. Em termos de oligarquias, damos de goleada nos russos. Quase um 7 X 1!
Quanto a banir as marcas americanas, isso seria uma graça. Poucos brasileiros sentiriam a falta da Zara, Starbucks e Mac Donalds. E a Coca Cola pode ser substituída por um Jesus Cola ou Fruki Cola e por um bom café nacional. Tudo, claro, pago através de um cartão de débito ou crédito chinês que substituiria os American Express, Visa e Master Card como aconteceu na Rússia.
Se alguém estranhou a minha matinal divagação, talvez ela se deva à dose excessiva de café que tomei essa manhã…

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