
Sem querer ser bairrista, gostaria de lembrar que há duas coisas que nenhum outro Estado do Brasil tem: o Bioma Pampa e a Lagoa dos Patos.
A Lagoa dos Patos é só nossa. Não a dividimos com nenhum outro Estado e com nenhum outro país. Já o Bioma Pampa, ele faz parte da cultura gaúcha e o compartilhamos com uruguaios, argentinos e paraguaios. Tudo isso até o presente momento. Pode ser que daqui a alguns anos não tenhamos mais nem Lagoa dos Patos e nem Bioma Pampa.
E não será por uma catástrofe cósmica. Será por uma irresponsabilidade ecológica mesclada com interesses políticos e pessoais. Essa conjunção catastrófica tem nome: duplicação da CMPC com a planejada unidade de Barra do Ribeiro. O Governo do Estado – Eduardo Leite e Gabriel Souza – diz que não se pode perder um investimento de vinte e poucos bilhões. Mas não falam das desonerações fiscais pactuadas que farão que o retorno para o Estado em termos de impostos seja quase nulo.
A imprensa empresarial só publica as notas de apoio de parte dos sócios – ocultos e não tão ocultos – da empresa chilena e dos interessados políticos coadjuvantes. Dos impactos ambientais e dos estudos que mostram o grave perigo do projeto, silêncio total! A CMPC é o maior patrocinador de quase todos os meios de comunicação empresarial do Estado.
A implantação do negócio é um risco para a Lagoa dos Patos. Nela serão despejados os rejeitos industriais com componentes tóxicos que poderão afetar a flora e a fauna nativas gerando desequilíbrios com consequências imprevisíveis. A plantação de eucaliptos, necessária para o suprimento de matéria prima, acabará com o pouco do Bioma Pampa que ainda resiste.
Até agora não ouvi nenhum tradicionalista, seja como pessoa física ou representante do Movimento Tradicionalista Gaúcho, pronunciar-se sobre a questão. Talvez também eles tenham medo de perder os patrocínios diretos e indiretos. Para o MTG, a Lagoa dos Patos e o Pampa são apenas símbolos atávicos de um passado que nunca existiu e não realidades vivas que precisam de cuidado. Se pelos menos, como diz a canção, houvesse algum caudilho prá lutar prá essa pampa pobre que ficou prá traz… Mas parece que a maioria se conformou a sequer ter a pampa pobre que herdou de seu pai. Triste gauchismo castrado em suas memórias ancestrais!
