E nesse contexto que, como nos lembra o Papa Francisco, “o triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal.”
E nesse contexto que, como nos lembra o Papa Francisco, “o triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simultaneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ternura batalhadora contra as investidas do mal.”
É nesse contexto que a pergunta de Jesus é dirigida a cada um de nós: quem não participa ou não é conivente com essa situação de injustiça e violência da sociedade brasileira, que dê o primeiro tiro.
Em meus pensamentos desejo outra vez uma boa viagem aos dois. E, mesmo que o ônibus corra mais e eles continuem andando na vagarosa tranquilidade do bem feito, certamente eles já chegaram ao seu destino.
“Cadê as marchas bonitas dos tempos de antigamente? Dos carnavais que passaram, que pena, hoje é tão diferente.” Com um início assim de saudosista, iniciava o agauchado e melancólico samba cantado por Teixeirinha sob o título de “A saudade que ficou”.
Segundo o autor do samba – não consegui informações exatas se era do próprio Teixeirinha ou de outra pessoa – duas razões há para que os carnavais de hoje não sejam mais como os de antigamente. A primeira é a da relação entre o fim do carnaval e a permanência, na memória das pessoas, das marchinhas nele cantadas. Segundo o autor, antigamente, o carnaval terminava na Quarta-feira de Cinzas, mas as marchinhas seguiam sendo cantadas o ano inteiro. Hoje, o carnaval continua terminando na Quarta-feira de Cinzas, mas as marchinhas “morrem ao baixar a poeira”. Isso se deve, sempre segundo o autor do samba, a que os compositores de hoje não são mais como os de antigamente: “O Noel Rosa morreu, Francisco Alves também. A velha guarda inteirinha partiu, subiu o céu e não vem. Oh! Velha guarda querida dos carnavais que passou, pra cantar e compor como eles, meu bem, nenhum herdeiro ficou.”
Não sei em que ano este samba foi composto. Na minha memória musical ele está presente deste a minha longínqua infância quando lá, no interior de Vila Flores, sintonizávamos, num rádio de pilha, as emissoras de Porto Alegre, e a Rádio Tupi de São Paulo e a Rádio Globo do Rio de Janeiro. É um samba antigo e que grudou no meu ouvido. Lembrando dele, perguntei-me: será que ele continua atual? Não! Definitivamente, não. Se a letra do samba fosse recomposta, hoje, ela teria que ser mudada. Em primeiro lugar, porque, hoje, o carnaval não termina na Quarta-feira de Cinzas. Movido pela lei do mercado que explora ao máximo um produto, até o limite da possibilidade de produzir lucro, o “produto carnaval” não respeita mais os princípios cristãos da Quaresma e, cruzando a Quarta-feira de Cinzas, se estende, no mínimo, até o fim de semana seguinte. E isso não só apenas um Salvador, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Mesmo em Porto Alegre e cidades do interior gaúcho, o carnaval vai se aproximando cada vez mais da Semana Santa. Não me admira se, daqui a alguns anos, não acabaremos tendo um Carnaval de Semana Santa. Se der lucro, o deus-mercado vai justificar…
Uma outra razão pela qual podemos discordar da letra do samba cantado por Teixeirinha, é de que as letras das marchinhas sejam esquecidas imediatamente após a Quarta-feira de Cinzas. Isso aconteceu até recentemente. Mas, nos últimos anos, há letras de sambas que vão ficar para sempre na memória das pessoas. Como esquecer, por exemplo, do Samba Enredo da Mangueira, campeã do Carnaval carioca de 2019 que teve a coragem de “contar histórias que a história não conta” e concluir com a desafiadora memória de tantos heróis do povo que não cabem nas molduras oficiais?
É uma “história para ninar gente grande” e que permanecerá, muito depois da Quarta-feira de Cinzas, lembrando ao Brasil que “teu nome é Dandara e a tua cara é de cariri. Não veio do céu, nem das mãos de Isabel, a liberdade é um dragão no mar de Aracati. Salve os caboclos de julho, quem foi de aço nos anos de chumbo. Brasil, chegou a vez, de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”. Sambas como este, ultrapassam não apenas a Quarta-feira de Cinzas, mas cruzam o ano todo e certamente continuarão na memória do povo brasileiro por muito tempo, passando pela cruz da Sexta-feira Santa até chegar no Domingo da Eterna Ressurreição.
A Tormenta no Deserto custou mais de um milhão de vidas e aproximadamente 150 bilhões de dólares. Um investimento humano e monetário fantástico que certamente deve ter dado um significativo retorno para os que o sustentaram. Quanto custará – em vidas humanas e em recursos materiais – uma invasão à Venezuela? A indústria petroleira e a de armamentos devem estar fazendo seus cálculos. Se a opção bélica for vantajosa, certamente acontecerá. A diferença é que não será mais transmitida pela CNN, via televisão a cabo. Ela será transmitida pela internet e um megaespectáculo de luzes, cores e sons que, mais uma vez, abafarão o sofrimento humano que ela comporta. É difícil ser humano num mundo dominado pela máquina do petróleo. É doloroso pensar…
Meu pai era um ótimo contador de histórias. Sabia por onde começar, dar os volteios, fazer o suspense, apresentar as diversas alternativas de sequência e aí arrematar com um bom final. E, mesmo tendo por língua materna e habitual o vêneto, as histórias eram sempre contadas em bom português. Até hoje eu me pergunto o por quê de seu Avelino escolher a segunda língua para contar as melhores histórias. Claro que, no meio de cada conto, sempre deslizava sorrateiramente palavras e expressões em vêneto que davam à história um colorido todo especial. passo-a-passo planejado. Agora, só faltava o ato final que envolvia os três componentes: a estricnina, a forca e revólver. Sorveu a garrafa de água envenenada em rápidos goles, deslizou do galho até a corda esticar e começar a apertar violentamente o pescoço e, antes que a falta de ar o impedisse de movimentos, sacou o revólver e desferiu um tiro contra a cabeça. E aí entrou em cena a fatalidade: A mão trêmula pelo sufocamento fez com que o tiro, ao invés de atingir a cabeça como o planejado, desviou para cima e acertou a corda soga que, esticada pelo peso do corpo, se rompesse fazendo com que o pobre infeliz tombasse rotundamente no chão e, com o golpe, vomitasse o veneno que ainda estava se acomodando no estômago. Resultado: o rapaz fracassou em seu intento de deixar esta vida de forma voluntária e, como a grande maioria dos suicidas, arrependeu-se e nunca mais tentou se matar.