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Sobre Vanildo Luiz Zugno

Espaço para publicação de textos teológicos e áreas afins. Aberto a todos aqueles e aquelas que desejam compartilhar suas reflexões e experiências teológicas e religiosas.

Correspondência com amiga de juventude pode atrasar beatificação de papa João Paulo 2º

O papa João Paulo 2º em foto de 2002 (AP)

Papa João Paulo 2º trocou cartas por 55 anos com amiga polonesa

A troca de correspondências entre o papa João Paulo 2º e a amiga psiquiatra polonesa Wanda Poltawska, durante mais de 50 anos de amizade, pode atrasar o processo de beatificação do papa, de acordo com informações divulgadas pelo jornal italiano La Stampa neste final de semana.

O atraso, segundo o La Stampa, pode acontecer porque a correspondência entre Karol Wojtyla e Wanda Poltawska não foi totalmente disponibilizada para a comissão que cuida do processo de beatificação do papa, que foi iniciado poucas semanas após a sua morte, em abril de 2005.

De acordo com a publicação, Wanda Poltawska agora deverá entregar todas as cartas, para que elas sejam analisadas pelos peritos do Vaticano.

“Os teólogos examinadores devem pedir todo o material conservado pela senhora Poltawska, para eliminar dúvidas e ambiguidades que possam motivar contestações futuras, ligadas à inédita correspondência com uma mulher leiga, cujo conteúdo é desconhecido em todo o Vaticano”, disse ao jornal La Stampa o cardeal José Saraiva Martins, prefeito emérito da congregação para a causa dos santos, que deu inicio ao processo de beatificação.

De acordo com o cardeal Saraiva Martins, toda a correspondência pessoal deveria ter sido entregue durante a fase diocesana do processo, em Cracóvia, na Polônia. Agora, que o processo chegou a Roma, será preciso mais tempo de trabalho por parte da comissão vaticana, composta por oito teólogos.

“São 55 anos de correspondência, uma vida, portanto será preciso pesquisar mais para evitar problemas futuros, inclusive, porque não é comum uma correspondência tão ampla entre o papa e uma amiga de juventude”, afirmou o cardeal, segundo a publicação.

Campo de concentração

A amizade entre Karol Wojtyla e Wanda nasceu quando os dois eram jovens, logo após a Segunda Guerra Mundial, durante a qual ela ficou presa em um campo de concentração, onde foi cobaia de experiências de médicos nazistas.

Poltawska visitou diversas vezes o papa no Vaticano, em sua residência de verão, em Castelgandolfo, e até no hospital onde João Paulo 2° ficou internado após o atentado de 1981. No hospital, ela disse que lia romances em polonês para ele.

“Passei a metade de seu último ano de vida em Roma. Estava também a seu lado no dia 2 de abril de 2005, no quarto onde morreu, no Vaticano”, disse Wanda Poltawska ao jornal.

Ela, o marido e os filhos, teriam se tornado muito próximos de João Paulo 2°.

Amizade

O padre Adam Boniecki, colaborador de Karol Wojtyla quando era bispo de Cracóvia e depois no Vaticano, disse ao La Stampa que João Paulo 2° sempre se relacionou de forma espontânea com leigos e religiosos. A presença de Wanda Poltawska e sua familiaridade com o papa, no entanto, provocava desconforto e mau humor na Cúria, segundo ele.

Na opinião do vaticanista Andréa Tornielli, não há nada de suspeito na amizade entre Wojtyla e Wanda Poltawska.

“Pensar que destas cartas possa aparecer uma relação não limpa entre os dois quer dizer que não se entendeu nada sobre papa Wojtyla. Ele acompanhou e ajudou Wanda a esquecer o drama que viveu no campo de concentração, abençoou o casamento dela, batizou seus filhos, sempre houve uma grande amizade com toda a família”, disse Tornielli à BBC Brasil.

A senhora Poltawska, atualmente com 88 anos de idade, declarou ao jornal La Stampa, que tem uma “mala cheia” de cartas, e que não destruiu nenhuma.

Parte das cartas foi entregue aos examinadores da causa de beatificação em Cracóvia, e outra parte foi publicada em forma de livro. A maioria delas, no entanto, continua guardada em sua casa.

Em algumas das cartas, publicadas pelo jornal no domingo passado, eles escrevem sobre a doença de Wanda (um tumor do qual ficou curada) e sobre as próximas férias que passariam juntos.

Contradições

De acordo com o vaticanista Andréa Tornielli, nas cartas não há nada de negativo contra João Paulo 2°, que costumava manter uma relação epistolar e de amizade com muitos jovens e casais que havia acompanhado espiritualmente.

O problema, segundo ele, é que nas cartas há informações que não coincidem com as que o secretário do papa, cardeal Stanislaw Dziwisz, forneceu ao Vaticano.

“Creio que haja contradições entre algumas coisas escritas e testemunhadas por Wanda Poltawska e o que foi escrito e testemunhado pelo secretário, sobretudo no que se refere à nomeação de alguns bispos”.

Processo

Na avaliação do vaticanista Andréa Tornielli, se fosse necessário analisar toda a documentação relativa a João Paulo 2°, o processo de beatificação ficaria parado, pois, durante 27 anos de pontificado, foram acumuladas toneladas de material.

“O arquivo secreto do Vaticano nem chegou a ser consultado. Há muito material que não foi entregue ou consultado e pessoas que não testemunharam. Se fosse preciso esperar todos, levaria 10 anos só para começar a escrever”, afirma.

Os peritos do Vaticano examinaram a “Positio”, documentos e depoimentos relativos ao processo de beatificação de João Paulo 2°, no último dia 13 de maio. Nesta avaliação, eles teriam levantado dúvidas a respeito de alguns pontos.

Entre os itens que precisam de um exame mais detalhado estariam as nomeações de alguns bispos criticados por sua conduta moral e o beijo que João Paulo 2° teria dado no Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, em maio de 1999, durante visita ao Vaticano de uma delegação iraquiana.

“Nas fotografias é evidente o que o papa está fazendo (beijando o Alcorão), mas o secretário Dziwisz, no entanto, afirma que aquele beijo jamais existiu”, diz Tornielli.

Segundo o vaticanista, os depoimentos do cardeal Stanislaw Dziwisz são a base mais importante da causa de beatificação.

Outro ponto que deve ser analisado seria um possível financiamento ao “Solidariedade” – sindicato polonês que teve influência na queda do regime comunista – e o caso do arcebispo Paul Marcinkus, ex-presidente do IOR, banco vaticano, envolvido em operações ilícitas.

Análises mais detalhadas destes itens poderiam provocar uma lentidão no andamento do processo de beatificação, que, graças à decisão do atual pontífice, Bento 16, foi iniciado poucos dias após a morte de Karol Wojtyla.

Tradicionalmente, seria necessário esperar cinco anos para se iniciar o processo.

Ordenação de Mulheres

Gary Macy, jesuíta, professor de teologia na universidade Santa Clara, confiada à Companhia de Jesus, nos Estados Unidos, disse aos participantes de uma conferência na Vanderbilt University Divinity School, em Nashville, Tennessee, que existe um espaço de dúvidas históricas sobre o fato de mulheres terem sido ordenadas na Igreja católica até o fim do século XII.
A conferência de Macy, intitulada “Um chamado superior para as mulheres? Perspectivas históricas na Igreja católica”, foi apresentada na Benton Chapel, no campus da universidade.
A nota publicada pela universidade descreveu a conferência desta forma: “A própria ideia da ordenação de mulheres na Igreja Católica Romana é descartada por muitos como contrária à doutrina básica da Igreja. Gary Macy, detentor da cátedra John Nobili SJ de teologia na Universidade Santa Clara, afirma que as evidências históricas são impressionantes, no sentido de que, durante grande parte da história da Igreja, a ordenação de mulheres foi um fato”.
Macy assumiu seu cargo na Universidade Santa Clara em setembro de 2007. Antes disso, lecionou na Universidade de San Diego por 29 anos. “Em San Diego, Dr. Macy publicou diversos livros e mais de 20 artigos sobre a teologia e a história da Eucaristia e sobre a ordenação de mulheres”, afirma a Universidade Santa Clara. Entre seus livros está “The Hidden History of Women’s Ordination” [A história oculta da ordenação de mulheres, em tradução livre], de 2007.
De acordo com Macy, até a metade do século XII, as mulheres eram ordenadas diaconisas, serviam como bispas, distribuíam comunhão e até ouviam confissões. “As mulheres eram cogitadas para a ordenação como qualquer homem. Elas eram consideradas parte do clero”, disse.
Na metade do século XII, disse Macy, uma mudança profunda ocorreu na compreensão da Igreja com relação ao conceito da ordenação, como uma consequência de considerações políticas, já que a Igreja buscava proteger sua propriedade dos senhores feudais ao inventar “uma classe clerical separada”.
Teólogos chegaram a considerar as mulheres como “metafisicamente diferentes de outras pessoas”. Por isso, pelo simples fato de serem femininas, as mulheres eram consideradas incapazes de ser ordenadas. “As mulheres nunca foram ordenadas, não são ordenadas agora e nunca poderão ser ordenadas”, disse Macy, referindo-se à posição que os canonistas assumiram.
Desse ponto de vista da história, disse Macy, a ordenação feminina é uma questão histórica factual, mesmo admitindo que o problema teológico é uma questão em separado. No entanto, afirmou, “no final do século XII, o debate acabou”.
A mudança no pensamento da Igreja sobre a ordenação de mulheres apresenta um dilema para os teólogos, disse Macy, porque, se as ordenações de mulheres durante os primeiros 1.200 anos da Igreja não foram “reais”, então “os homens também não foram ordenados”. Ele disse que a mudança de pensamento sobre a questão ocorreu como consequência de uma “virulenta misoginia” influenciada por Aristóteles.
Para ilustrar seu problema com a ideia de que as mulheres são metafisicamente diferentes dos homens, Macy apresentou a questão: “É possível ordenar um hermafrodita?”. Ele respondeu sugerindo que, se um hermafrodita for biologicamente mais masculino do que feminino, sim, pode ocorrer uma ordenação válida. Mas, se a pessoa for mais feminina do que masculina, as ordenações “não ocorrem”, disse.
Durante o debate após a sua conferência, perguntaram a Macy se ele tinha “esperança” com relação ao papel futuro das mulheres na Igreja. “Eu estou muito esperançoso”, disse. “Eu sou muito otimista” porque há “uma nova estrutura emergindo” dentro da Igreja. “Eu não espero mais que alguma mudança venha dos bispos ou do papado”, disse Macy. “Mas está bem. No passado, a mudança não veio deles, e não tem que vir deles agora. E, quando a mudança ocorrer, já se sabe o que eles vão dizer: ‘Essa é a maneira que nós sempre fizemos'”.
Macy indicou que 80% dos trabalhos nas paróquias são realizados por leigos e que 80% deles são mulheres. Com relação aos padres ordenados, “eles estão desaparecendo”, disse.
“O Espírito Santo está vivo e bem”, disse Macy. “E o que Ela quer, Ela consegue”.

Padre de Miami fotografado com mulher anuncia casamento

O padre Alberto Cutié, que recentemente foi flagrado aos beijos com uma mulher na praia, anunciou nesta quinta-feira que vai se casar. Famoso na Igreja Católica de Miami, Padre Alberto apresentou oficialmente sua namorada, a guatemalteca Ruhama Buni Canellis, com quem se casará. Além disso, anunciou que ingressará na Igreja Episcopal, na qual tentará se tornar sacerdote.

Após esconder seu relacionamento com o padre, Ruhama – divorciada e mãe de um menino de 14 anos – apareceu sorridente junto com Cutié na cerimônia de boas-vindas da nova igreja. “Peço a todos que respeitem minha privacidade e acabem com tantas mentiras e sugestões malignas que se propagaram nos últimos dias”, disse Cutié, referindo-se ao escândalo provocado pela publicação de fotos nas quais o casal aparecia namorando na praia.

Considerado um dos sacerdotes hispânicos católicos mais populares dos Estados Unidos, Alberto aproveitou a presença da imprensa para dizer que considera compatível amar uma mulher e servir a Deus. A relação com a mulher obrigou a Arquidiocese de Miami a afastar o padre, que escolheu a Igreja Episcopal por esta não obrigar o celibato.

Cardeal Hummes defende que padres pedófilos sejam punidos

VATICANO – O cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e Prefeito da Congregação para o Clero, afirmou em uma carta ao papa Bento XVI que é necessário julgar “devidamente” e punir os padres pedófilos e os que cometeram abusos sexuais.

No documento, enviado em ocasião do Ano Sacerdotal que terá início no dia 19 de junho, Hummes ressalta, no entanto, que “estes casos dizem respeito somente a uma porcentagem muito pequena do clero”.

“Os sacerdotes são importantes não só pelo que fazem, mas também pelo que são. É verdade, contudo, que alguns sacerdotes apareceram certas vezes envolvidos em problemas graves e situações delituosas”, comentou o prefeito da Congregação para o Clero, apontando que “obviamente, é preciso continuar a investigá-los, julgá-los devidamente e puni-los”.

Segundo Hummes, “na sua maioria, os sacerdotes são pessoas muito dignas, dedicadas ao ministério, homens de oração e de caridade pastoral, que investem toda sua vida na realização de sua vocação e missão, às vezes com grandes sacrifícios pessoais, mas sempre com amor autêntico a Jesus Cristo, à Igreja e ao povo”.

O Prefeito da Congregação para o Clero ainda desejou que o Ano Sacerdotal seja “positivo e propositivo para a Igreja dizer aos sacerdotes, aos cristãos e à sociedade mundial, através dos meios de comunicação global, que ela se orgulha de seus sacerdotes, os ama, os venera, os admira e reconhece com gratidão seu trabalho pastoral e seu testemunho de vida”.

Rádio Vaticano terá comerciais pela 1ª vez a partir de julho

Papa Bento 16 (arquivo)

Bento 16 aprovou a transmissão de comerciais na rádio

A Rádio Vaticano deve se transformar em rádio comercial a partir do dia 6 de julho pela primeira vez em seus 78 anos para ajudar no financiamento de suas próprias operações.

A emissora, que começou a transmitir em 1931, é uma das mais antigas do mundo. No início, a rádio usava um transmissor projetado pelo italiano Guglielmo Marconi, que fez a primeira transmissão de voz em longa distância.

Atualmente as operações da rádio – que transmite em 47 línguas, inclusive o português – custam 21,4 milhões de euros por ano (cerca de R$ 60,7 milhões) e o Vaticano tenta conseguir novas fontes de verbas para as transmissões.

Uma agência de propaganda vai examinar os comerciais para garantir que eles mantenham os padrões morais da Igreja Católica, segundo um porta-voz do Vaticano.

Rádio e internet

A estação, conhecida como a Voz do Papa, transmite para o mundo todo em ondas curtas, médias e longas, em FM na cidade de Roma e também pela internet.

O primeiro comercial escolhido para ser transmitido pela rádio foi da multinacional italiana do setor elétrico ENEL.

A Rádio Vaticano espera atrair outros anunciantes de todo o mundo.

O papa Bento 16 aprovou pessoalmente a entrada da Rádio Vaticano no setor comercial.

Além da comercialização de propagandas, o Vaticano também está analisando a instalação de painéis de energia solar em seu local de transmissão perto de Roma, como forma de mostrar o apoio da Santa Sé ao uso de fontes de energia renováveis.

Com traços de cocaína, refrigerante da Red Bull é proibido na Alemanha

Marcio Damasceno, de Berlim para a BBC Brasil

folhas de coca

Red Bulll Cola contém extratos de folha de coca

Cinco estados alemães proibiram a venda do refrigerante Red Bull Cola, depois que especialistas encontraram vestígios de cocaína na bebida.

As autoridades afirmaram que a dose encontrada é considerada mínima e não apresenta risco à saúde.

Entretanto, ressalvam que os vestígios da substância fazem com que a bebida deixe de ser um produto alimentício para, legalmente, se tornar um entorpecente, sujeito a uma autorização especial para ser comercializado.

Análises do Instituto Estadual para Saúde e Trabalho do Estado de Renânia do Norte-Palatinado constataram no refrigerante uma concentração considerada pequena, de 0,4 microgramas de cocaína por litro.

“O instituto examinou Red Bull Cola em um processo químico minucioso e realmente encontrou traços de cocaína”, confirmou o diretor do departamento de segurança alimentar do ministério alemão para Defesa do Consumidor, Bernhard Kühnle.

Revista científica elege insultos mais ofensivos na Itália

A revista científica Focus realizou uma pesquisa sobre os insultos considerados mais ofensivos pelos italianos. Segundo a publicação, as expressões que ofendem com maior intensidade são “porco Dio” e “porca Madonna”, que identificariam Deus e a Virgem Maria, respectivamente, como porcos.

A maioria dos termos mais ofensivos está relacionada a sexo, tendências sexuais e atitudes fora da lei. A revista elaborou uma tabela com índices de 0 a 3 para medir o grau de vulgaridade das expressões propostas. As palavras “zoccola” e “troia”, que taxam as mulheres de prostitutas, estão um grau abaixo de “figlio di puttana” (filho da p…).

Outras expressões com um índice alto são “stronzo” (imbecil) e “mafioso”, com 2,3, que estão dois décimos acima de “frocio” e “culo rotto”, que dão uma conotação negativa ao homossexualismo masculino. Já o insulto que menos ofende os italianos é “ateo” (ateu). A pesquisa concluiu que os termos mais graves estão relacionados a violações da lei e condutas sexuais, o que mostra uma “visão machista e homofóbica”, apesar de uma “aparente liberdade de costumes”.

A revista também fez um perfil do italiano mais sensível às palavras vulgares. Segundo o estudo, trata-se da mulher com mais de 50 anos, religiosa e habitante do sul do país. Ela se sentiria mais ofendida por expressões relativas a sexo, moral, religião e descumprimento de normas.

Pouco mais da metade das expressões propostas na enquete foi considerada “pouco vulgar ou inofensiva” pelas pessoas ouvidas. A publicação atribui este fato à mudança dos valores sociais e à descriminalização dos palavrões em 1999. Segundo a publicação, os italianos não consideram graves os termos relacionados a fatores sócio-econômicos e étnicos. Por isso, palavras como “giudeo” (judeu) ou “arabo” (árabe) têm um potencial de ofensa baixo.

Estes termos não tocam “diretamente os italianos”, já que as pessoas que responderam à pesquisa expressaram “pouca identificação com o drama dos estrangeiros”.

Inquérito denuncia abuso sexual ‘endêmico’ de meninos na Irlanda

Um inquérito realizado na Irlanda revelou que 1090 crianças alegam ter sofrido agressões em abrigos infantis, reformatórios e orfanatos católicos do país ao longo de 60 anos e que, em instituições para meninos, o abuso sexual foi “endêmico” no período.

Segundo a Comissão de Inquérito sobre Abuso Infantil, os menores sofreram violência física e abuso sexual em locais que chegaram a abrigar cerca de 35 mil crianças até os anos 80.

O relatório, que aborda a situação de mais de cem instituições religiosas investigadas ao longo dos últimos nove anos, concluiu que os líderes da Igreja sabiam sobre os abusos sexuais de meninos.

Além disso, segundo os depoimentos citados no documento, meninos e meninas das instituições apanhavam com tiras de couro por conversar durante as refeições ou por escreverem com a mão esquerda.

“As escolas eram administradas de forma severa, impondo uma disciplina opressiva e não razoável às crianças e funcionários”, diz o relatório.

A comissão foi criada em 2000 pelo então primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern, que pediu desculpas em nome do Estado às vítimas de abuso infantil.

Um esquema de compensações do governo também foi estabelecido na época e, desde então, já pagou quase 1 bilhão de euros às vítimas

Abusos “chocantes”

Milhares de vítimas prestaram depoimento à comissão, que surgiu depois que uma série televisiva revelou a escala dos abusos.

A jornalista Mary Raftery, que realizou os programas, disse que a extensão dos abusos era “profundamente chocante”.

Segundo a jornalista, as crianças eram levadas para “casas de terror” e ficavam confinadas até completarem 16 anos.

“Elas saíam de lá completamente perturbadas e muitas deixaram o país em seguida”, conta. “Elas sentiam que seu país as havia abandonado, assim como todo o resto, inclusive a religião.”

O relatório propõe 21 formas de o governo se redimir dos erros cometidos no passado, incluindo a construção de um memorial, um serviço de acompanhamento psicológico para as vítimas, muitas já aos 50 anos, e a melhoria dos serviços de proteção à criança na Irlanda.

No mês que vem será divulgado um outro relatório sobre supostos abusos de padres católicos em paróquias perto de Dublin, capital da Irlanda.

Software libre

Novo OpenOffice 3.1 tem performance 20 vezes melhor

A equipe OpenOffice.org liberou nos últimos dias a nova versão 3.1 da suíte de aplicativos para escritório mantida pela Sun. De acordo com o anúncio publicado no PRWeb, além de ser a maior atualização feita no software (mais de milhão de linhas de código), o usuário vai encontrar uma notável diferença no visual e no desempenho dos programas que compõem o conjunto.

Para esta versão, a comunidade OpenOffice.org resolveu atender aos pedidos dos usuários, que escolheram, através de votação, o que queriam ver na próxima versão. Com isso, os desenvolvedores se concentraram em trazer uma interface gráfica renovada, incluindo um novo método de anti-aliasing, técnica para minimizar a aparência de serrilhamento no desenho de diagonais, curvas e letras, suavizando-as. Graças a este recurso, os programas poderão mostrar imagens e textos de forma mais nítida.

Aparentemente, o software Calc foi o mais beneficiado pela atualização. Além das tabelas mais bonitas e o zoom comandado por uma barra deslizante, a performance foi melhorada em até 20 vezes em relação à edição anterior.

Para os demais programas, dentre os recursos da nova versão, ainda estão melhorias no sistema de gerenciamento de arquivos e no sistema de comentários, visando o trabalho em grupo, e ferramentas de correção gramatical mais acessíveis.

A versão 3.1 em Português Brasileiro não está disponível no site oficial, apenas na comunidade brasileira broffice.org. O software, no Brasil, foi rebatizado como BrOffice por questões legais.

O perigo do groupthink

Thomaz Wood Jr.

Wall Street, o centro financeiro norte-americano, foi eleito sem concorrência o vilão da crise atual. Em uma recente entrevista concedida ao jornal The Washington Post, Warren Bennis, decano professor de liderança da Universidade do Sul da Califórnia, examina as raízes comportamentais do drama econômico. Para Bennis, os líderes das instituições financeiras perderam o contato com a realidade. O problema não está nas “maçãs podres”, mas na seleção contínua dos gananciosos mais espertos das melhores escolas de negócios, a criar um sistema fechado, uma cultura corporativa autocentrada, que perdeu a capacidade de perceber a realidade fora de seus limites.

Toda organização socializa seus funcionários, provendo-lhes definições, explícitas ou implícitas, do que é considerado certo e errado. Empresas industriais valorizam o perfeccionismo dos engenheiros. Agências de propaganda estimulam a agressividade dos vendedores. Instituições financeiras promovem a ambição pelo dinheiro e o desejo de riqueza. Sem a contraposição de controles e princípios éticos, essas características podem gerar comportamentos patológicos, isolando os gestores do ambiente externo e tornando-os autorreferenciados. É a armadilha do groupthink, ou pensamento grupal.

O termo groupthink foi cunhado na década de 1950 pelo sociólogo William H. Whyte, para explicar como grupos se tornavam reféns de sua própria coesão, tomando decisões temerárias e causando grandes fracassos. Na literatura de gestão, o caso da tentativa de invasão da Baía dos Porcos é tido como exemplo clássico. Em abril de 1961, um grupo de exilados cubanos, treinados e equipados nos Estados Unidos, tentou invadir a ilha e derrubar o jovem governo de Fidel Castro. A CIA e o governo norte-americano apostavam no sucesso rápido de mais uma aventura caribenha. O ataque durou menos de uma semana, resultou em centenas de mortes de lado a lado e azedou de forma irremediável a relação entre Cuba e os EUA.

Análises posteriores atribuíram o fracasso da operação à incompetência da CIA. A agência teria superestimado o apoio dos cubanos à causa dos rebeldes e baseado suas decisões em premissas otimistas, que não se concretizariam. Após o episódio, diretores importantes foram forçados a renunciar. Consta que Che Guevara, irônico, chegou a enviar uma mensagem ao presidente John F. Kennedy agradecendo pela invasão, que teria fortalecido substancialmente a causa revolucionária.

Os manuais de gestão definem groupthink como um processo mental coletivo que ocorre quando os grupos são uniformes, seus indivíduos pensam da mesma forma e o desejo de coesão supera a motivação para avaliar alternativas diferentes das usuais. Os sintomas são conhecidos: uma ilusão de invulnerabilidade, que gera otimismo e pode levar a correr riscos; um esforço coletivo para neutralizar visões contrárias às teses dominantes; uma crença absoluta na moralidade das ações dos membros do grupo; e uma visão distorcida dos inimigos, comumente vistos como iludidos, fracos ou simplesmente estúpidos.

Organizações marcadas pelo groupthinking exercem enorme pressão sobre seus membros. Diante de ameaças à conformidade, elas neutralizam ou expulsam os mais rebeldes. Com o tempo, desenvolvem sofisticados sistemas de autocensura, inibindo visões críticas. Essas organizações podem se tornar ambientes silenciosos, caracterizados pelo cinismo ou pelo medo de expor posições que contradigam a visão oficial.

Tão antigo quanto o conceito são as receitas para contrapor a patologia: primeiro, é preciso estimular o pensamento crítico e as visões alternativas à visão dominante; segundo, é necessário adotar sistemas transparentes de governança e procedimentos de auditoria; e, terceiro, é desejável renovar constantemente o grupo, de forma a oxigenar as discussões e o processo de tomada de decisão.

Os estudos clássicos sobre groupthink foram feitos sobre grandes fiascos militares norte-americanos: a citada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em 1961, a escalada da Guerra do Vietnã, de 1964 a 1967, e a recente Guerra do Iraque, iniciada em 2003. Para cada uma dessas grandes catástrofes há centenas de pequenas tragédias, que ocorreram, e continuam a ocorrer, no mundo dos negócios.

Este escriba desconhece estudos realizados em Pindorama sobre o tema. Perdem os pesquisadores locais a chance de explorar riquíssimo material nas hostes corporativas e, especialmente, nos chamados poderes do descampado central. Quiçá a capital federal possa entrar inteira para o Livro dos Recordes, como o maior caso de groupthink do mundo.