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Sobre Vanildo Luiz Zugno

Espaço para publicação de textos teológicos e áreas afins. Aberto a todos aqueles e aquelas que desejam compartilhar suas reflexões e experiências teológicas e religiosas.

Venezuela utilizará assessoria do MST em produção de fazenda expropriada

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dirige um trator ao anunciar a expropriação de terras

A Venezuela utilizará a assessoria do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para a produção agrícola em uma fazenda expropriada pelo governo em uma nova etapa da chamada “guerra ao latifúndio”, que estabelece o resgate de terras consideradas improdutivas.

Expropriada há um mês, a fazenda El Frío, de 63 mil hectares, será um dos polos de produção arrozeira no Estado de Apure (norte da Venezuela), de acordo com o governo.

Ali, o MST será responsável pelo desenvolvimento de dois projetos experimentais. Um será destinado à produção de arroz e peixe orgânicos e o outro, à criação de gado de leite.

O dirigente do MST na Venezuela, Alexandre Conceição, disse que o trabalho do grupo na fazenda El Frío será o de organizar a produção e o trabalho dos agricultores com base no modelo de cooperativas utilizado nos assentamentos do Brasil.

“Depois eles devem assumir sozinhos o projeto, porque o objetivo final é facilitar a transferência tecnológica em agroecologia para que a Venezuela possa alcançar sua soberania alimentar”, acrescentou.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ordenou seus funcionários a acelerarem o “resgate de terras”, defendeu a técnica utilizada pelo MST em suas cooperativas como uma alternativa para incrementar a produtividade do campo venezuelano.

“É possível incrementar em 30% a produção com essas técnicas alternativas”, disse Chávez. “No Brasil os sem-terra fazem isso. Aqui, temos uma brigada dos sem-terra há algum tempo trabalhando conosco”, afirmou o presidente durante uma reunião do Conselho de Ministros transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão, nesta quarta-feira.

Vietnã

A maior parte da produção de arroz na fazenda El Frío, no entanto, estará a cargo de um grupo de técnicos do Vietnã. O governo pretende produzir 250 t de arroz, em uma tentativa de reduzir os custos de importações do cereal.

Cerca de 70% dos alimentos consumidos na Venezuela são importados. Em 2008, saíram dos cofres da estatal petroleira PDVSA US$ 2,2 bilhões para a compra de alimentos, dos quais quase a metade foram destinados à importação de produtos do Brasil.

O convênio entre o governo venezuelano e os sem-terra começou em 2005, quando Chávez visitou um assentamento da reforma agrária no município de Tapes (Rio Grande do Sul). Neste assentamento, que funcionaria de acordo com o modelo de produção proposto pelo MST, uma das áreas de produção é destinada a arroz e piscicultura.

Na ocasião, foi firmado um acordo entre a Venezuela, o MST e a organização Via Campesina que estabelece a cooperação para a produção de sementes agroecológicas e a colaboração do MST na organização no setor produtivo e dos camponeses em cooperativas.

Em contrapartida, o governo venezuelano “custeia o trabalho” dos 15 integrantes do MST que atuam no país, além da infraestrutura para a realização do trabalho no campo, segundo Conceição.

“A relação do MST com o governo venezuelano é uma aliança política, não comercial. Corresponde ao nosso princípio de solidariedade”, afirmou o dirigente do MST.

Desapropriações

Questionado sobre se o MST está organizando os camponeses venezuelanos para a ocupação de propriedades rurais, Conceição disse que “não é necessário”. “Aqui o Estado se encarrega de cumprir a Constituição, ao desapropriar as terras improdutivas”, afirmou.

O primeiro trabalho realizado pelos sem-terra na Venezuela foi a criação de um Instituto Internacional de agroecologia para a formação de técnicos agrícolas, uma das cláusulas do convênio assinado em Tapes.

Inaugurado em 2006, em Barinas, Estado natal do presidente venezuelano, o instituto agroecológico leva o nome do educador brasileiro Paulo Freire e tem cerca de 70 estudantes provenientes de sete países da América Latina.

A questão agrária venezuelana é um ponto de permanente conflito entre o governo e o setor privado no país. A expropriação de terras e a regulação de preços dos alimentos tem aprofundado a disputa entre ambos e provocado desabastecimento dos principais produtos da cesta básica no país, entre eles, o arroz.

O governo diz que suas intervenções no campo são direcionadas a terras “improdutivas”. “Os produtores que têm suas fazendas e estão produzindo, não se preocupem, porque nós não vamos tomar nada”, afirmou Chávez.

Para o setor empresarial e os partidos opositores, no entanto, as medidas do governo são um “ataque” à propriedade privada e à Constituição do país.

Igreja abençoa união de pessoas do mesmo sexo

O casamento gay ainda é um tabu na maioria das sociedades. Tanto que boa parte delas ainda não reconheceu legalmente a possibilidade do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.

As dificuldades que a questão enfrenta no campo civil, entretanto, não chegam nem perto do que acontece no religioso. Se o uso de preservativos ainda é condenado por muitas instituições religiosas, imaginem o casamento gay.

Na contramão – ou na vanguarda? – dessa posição está a Igreja da Comunidade Metropolitana, que há quatro anos celebra a união de casais homossexuais no Brasil.

Tecnicamente, a Igreja não realiza casamentos. Ainda que a cerimônia seja praticamente idêntica e que o menu do site da instituição aponte para “casamento”, ela é chamada de “Benção de União de Casais Homoafetivos”.

“Existe uma diferença de conceito”, argumenta o pastor Cristiano Valério, da ICM. De acordo com o pastor, “o casal não está sendo unido no altar; eles estão vivendo juntos”.

– A Igreja dá uma benção a uma união que já é legítima, que já venceu muitos obstáculos e está consolidada. Na ICM, entendemos que os casais devem celebrar sua união depois de se conhecerem, inclusive sexualmente – afirma.

Casais celebram a união com muita fé

Casais celebram a união com muita fé

O pastor Valério faz questão de esclarecer porque a cerimônia é considerada uma benção. “Abençoamos a união porque não a consideramos um sacramento. Na ICM, apenas o batismo e a eucaristia são sacramentos”.

Cristiano Valério explica, ainda, o uso do termo “homoafetivo”:

– Homossexual dá a ideia de apenas sexo. Homoafetivo realça o carinho que envolve a relação. O desejo é apenas consequência. Mas a Igreja não tem nenhum problema em usar os termos “gays” ou “homossexuais” – diz.

União coletiva

Com a proximidade da Parada Gay de São Paulo, marcada para o dia 14 de junho, a ICM prepara-se para a 2ª edição da celebração de benção de união coletiva de casais homoafetivos.

O evento acontece na véspera da Parada Gay. Como toda primeira vez, a edição de 2008 foi um pouco tímida, reunindo apenas cinco casais. “A visibilidade é muito grande, alguns casais optam por celebrar em particular, ao longo do dia”, explica o pastor. Um número maior de casais é esperado para a união coletiva deste ano.

“Aproveitamos sempre oportunidades para nos posicionarmos politicamente”, explica Cristiano Valério. De fato, a militância é uma marca da ICM. “E não apenas pelo movimento LGBT, mas pelos direitos das mulheres, dos negros e dos índios…”, afirma Valério.

Por essa atuação a ICM esteve na I Conferência Nacional LGBT, em 2008, e na II Conferência de Igualdade Racial, no final de semana passado. Em 2003, o fundador da Igreja, reverendo Troy Perry foi convidado pelo Govenrno Lula para discutir o Programa Nacional por um Brasil Sem Homofobia.

Essa relação entre fé e militância foi fundamental para o surgimento da Igreja. Impedido de pregar pela sua opção sexual, o Rev. Troy Perry foi compelido a fundar sua própria congregação ao ver um amigo gay ser agredido e preso pela polícia. Em seu desespero, o rapaz gritou para Perry: “Deus não se importa! Deus não se importa com os gays!”.

A Igreja da Comunidade Metropolitana é o ramo brasileiro da Metropolitan Community Churches, fundada pelo reverendo Troy Perry em 1968, em Los Angeles (EUA).

Atualmente com 60 mil membros e mais de 300 igrejas em 22 países ao redor do mundo, a MCC realizou o primeiro casamento público entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos, no ano de 1969.

Na mesma ocasião, ingressou com uma petição para o reconhecimento legal para casamentos entre homossexuais naquele país.

Desde a sua fundação, a MCC e seus membros têm sido vítimas da violência e da intolerância religiosa. O Ver. Troy – hoje aposentado – já recebeu diversas ameaças de morte e cerca de 22 templos em todo o mundo já foram incendiados.

A ICM chegou ao Brasil há cinco anos. Consequentemente, sua presença no país ainda é pequena: chega a apenas nove cidades: São Paulo e Campinas (SP); Belo Horizonte e Divinópolis (MG); Fortaleza (CE); Teresina (PI); Curitiba e Umuarama (PR); e Vitória (ES).

Somente em três delas (São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza), tem os serviços completos, que incluem ação social e militância pelo movimento LGBT.

"queremos adorar Deus sem máscaras"

Pastor Cristiano: “queremos adorar Deus sem máscaras”

Embora a entrevista enfoque principalmente a união de pessoas do mesmo sexo, o pastor faz questão de enfatizar que “a ICM celebra a união de qualquer casal, homoafetivos ou heterosexuais”.

– Na ICM fazemos o que chamamos de inclusão radical. Aceitamos e pronto. Não existe um ser humano no planeta que não seria bem vindo na ICM. Nosso objetivo é adorar Deus sem usar máscaras – afirma o pastor Cristiano Valério.

Alas políticas opostas promovem boicote à visita do papa a Israel

papa Bento 16 na chegada a Israel

A visita do papa Bento 16 a Israel, iniciada nesta segunda-feira, está causando polêmica dentro de alas políticas opostas no país.

Tanto os políticos israelenses de direita quanto os de esquerda anunciaram que vão boicotar a visita do pontífice ao país, mas os motivos que alegam para justificar o protesto divergem profundamente.

Enquanto os políticos de direita chamam o papa de “antissemita e inimigo do povo judeu”, os de esquerda o acusam de ser “ultraconservador e retrógrado, responsável por milhões de vítimas da Aids na África”.

O deputado Nitzan Horowitz, do partido social-democrata Meretz, afirmou que pretende boicotar a visita “pois o papa traz uma mensagem de intolerância”.

“O papa é responsável pelo sofrimento de milhões de pessoas, é um dos conservadores mais rígidos da igreja”, afirmou.

“De todas as injustiças que cometeu, a pior consiste em se opor à distribuição de preservativos no terceiro mundo, levando ao sofrimento de um enorme número de pessoas na África, Ásia e América do Sul, que sofrem de Aids e outras doenças como resultado direto dessa atitude ignorante.”

Candelabro

Shalom Wolfa, rabino e líder do grupo de direita Centro para a Salvação do Povo e da Terra

Já o deputado de extrema-direita Michael Ben Ari, do partido Ihud Leumi (União Nacional), chamou o papa de “antissemita, criminoso e inimigo do povo judeu”.

O assessor parlamentar de Ben Ari, Itamar Ben Gvir, anunciou que vai entrar com um recurso na Suprema Corte de Justiça pedindo um mandato judicial que não permita a saída do papa Bento 16 do país a menos que o Vaticano devolva uma peça de um antigo templo sagrado para os judeus, o chamado Segundo Templo.

Segundo Ben Gvir, “o candelabro de ouro do Segundo Templo se encontra nos porões do Vaticano, depois que foi levado pelos Romanos quando destruíram o Templo” (no ano 70 d.C.)”.

Ben Gvir exige que o papa “devolva o candelabro antes de sair do país”.

O Rabino Shalom Wolfa, líder do grupo de direita Centro para a Salvação do Povo e da Terra, protestou contra o encontro programado dos Rabinos Chefes de Israel com o papa.

“Rabinos não devem se encontrar com o papa, isso contradiz o judaísmo”, disse Wolfa. “O papa que, quando era jovem, fazia parte da Juventude de Hitler, não deve ser recebido com honras de representante da religião cristã.”

O Movimento Islâmico em Israel, um dos maiores grupos políticos que representam a população árabe no país, convocou os árabes a não apoiarem a visita do pontífice, que “ofendeu o profeta Maomé”.

Benefícios

O governo e alguns setores da sociedade, no entanto, apoiam a passagem de Bento 16 pela Terra Santa.

O ex-embaixador de Israel no Vaticano, Oden Ben Hur, afirmou que “Israel só tem a ganhar com a aproximação com o Vaticano”.

Em entrevista à rádio estatal de Israel, Ben Hur disse que “é bom e importante que o papa venha ao país” porque, entre outros motivos, a visita pode incentivar a economia, aumentando o número de peregrinos na região.

Ainda segundo ele, uma elevação do nível das relações com o Vaticano pode ser benéfica para os interesses políticos de Israel.

O jornalista árabe cristão e cidadão israelense Faiz Abbas também considera a visita do papa positiva e acha que os muçulmanos devem dar-lhe as boas vindas.

“Discordo da posição de muçulmanos que se opõem à visita de Bento 16”, afirmou Abbas.

“Ele é o líder do mundo cristão e é capaz de ajudar aos palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém, e também aos cristãos, cuja população diminui na região de maneira que preocupa os chefes da Igreja”, disse.

Bento XVI na Jordânia

Papa Bento 16 (arquivo)

O Papa Bento 16 chegou nesta sexta-feira à Jordânia, dando início a um giro de uma semana pelo Oriente Médio, que tem como objetivo melhorar as relações do Vaticano com líderes islâmicos e judeus e encorajar a minoria cristã na região.

Essa é a primeira viagem de Bento 16 aos locais mais sagrados para o cristianismo desde sua eleição como Pontífice, há quatro anos. Ele descreveu a viagem como uma “peregrinação de paz”.

Nesta sexta-feira, Bento 16 encontrará o rei Abdullah da Jordânia, em Amã. A viagem prevê também visitas a Jerusalém e à cidade palestina de Belém, na Cisjordânia, local onde segundo a tradição cristã nasceu Jesus. O Papa fará um apelo pela paz entre israelenses e palestinos e pela criação de uma “terra palestina”.

A visita do Papa ao Oriente Médio também é vista por muitos como uma tentativa de interceder em favor dos árabes cristãos. O número de cristãos árabes vem diminuindo nos últimos anos em países muçulmanos, o que preocupa o Vaticano – o Oriente Médio é considerado o berço do Cristianismo e abriga algumas das mais antigas comunidades cristãs do mundo.

Visão

Bento 16 deve visitar Belém durante o giro pelo Oriente Médio

Há mais de 20 anos no Líbano, o historiador e pesquisador brasileiro Roberto Khatlab explicou que há uma visão errônea no mundo islâmico de que o Cristianismo é uma religião ocidental.

“Muitos árabes muçulmanos mais fundamentalistas não vêem os seus irmãos cristãos como árabes, mas como ocidentais, fazendo com que eles sejam perseguidos em algumas regiões”, disse Khatlab, que lançou recentemente no Brasil o livro Árabes Cristãos? (Editora Ave Maria, São Paulo, 2009).

O historiador afirmou que a visita do Papa tenta colocar mais pressão sobre os líderes da região para que protejam as comunidades cristãs em seus respectivos países.

“Está escrito no livro sagrado dos muçulmanos, o Corão, que deve haver um respeito mútuo entre Islamismo e Cristianismo. Mas, infelizmente, fundamentalistas distorceram a ideia entre as duas religiões para o ódio.”

As discriminações que ocorreram entre as duas religiões em vários momentos da História estão se repetindo agora, segundo Khatlab, com os árabes cristãos.

“Sem alternativa e sem proteção de seus governos, os cristãos são obrigados a fugir para outros países ocidentais.”

Declínio

Os grupos cristãos no Oriente Médio vem diminuindo na região por causa de uma combinação de fatores como baixa taxa de natalidade, emigração e, em alguns países, perseguição.

Segundo dados do Vaticano, países como Jordânia, Iraque e Irã possuem menos de 4% de suas populações compostas por cristões.

No Iraque, há registro de diversos casos de perseguições à população cristã, cuja presença no país data do século 2. A violência só aumentou, segundo as organizações, após o início da guerra no Iraque, em 2003, obrigando muitas famílias a buscar refúgio em outros países.

Segundo Khatlab, o Iraque se transformou no pior lugar da região para os cristãos.

“O país vem testemunhando perseguição a padres e bispos, inclusive o sequestro e assassinato de líderes religiosos cristãos”, enfatizou ele.

Na Síria, 9% da população é cristã. No Egito, essa porcentagem é de 16%. O Líbano é o maior reduto de cristãos no Oriente Médio, em torno de 40%, e lá eles ainda possuem algum poder político.

Antes da criação do Estado de Israel, em 1948, havia uma população cristã de até 20%, mas hoje a porcentagem é de apenas 2% nos territórios palestinos e Israel.

A própria cidade de Belém, antes uma cidade majoritariamente cristã, hoje é de maioria muçulmana.

A crise universal

A Igreja Universal do Reino de Deus está dividida. No momento, atravessa uma crise de comando. Há cerca de três meses, seu chefe máximo, Edir Macedo, nomeou o bispo Romualdo Panceiro, o então líder no Brasil, como o seu sucessor mundial.

Panceiro mudou-se para a Califórnia, onde vive Macedo, de onde passaria a comandar a igreja, mas mantendo-se próximo ao fundador da instituição. Surpreendentemente, o novo comandante retornou ao Brasil. Com uma procuração nas mãos passada por Macedo, Panceiro obteve o controle de vários dos mais importantes e valiosos bens da igreja, tornou-se o homem forte e deixou de ouvir o antigo guru, revelam fontes próximas à cúpula da Universal.

O bispo Macedo sentiu-se traído pelo ex-líder no Brasil. No entanto, não teria agora como reverter o poder outorgado a Panceiro. Uma importante funcionária da área administrativa da igreja confirmou que o novo dirigente está fortalecido e “com amplos poderes”. Procurada para falar sobre a crise, a direção da igreja disse que a informação “não procede” e “é infundada”. “A Universal do Reino de Deus tem em seu corpo a liderança do bispo Edir Macedo”, informou em nota.

Criada em 1977 no Rio de Janeiro, na sede de uma antiga funerária, a Igreja Universal cresceu e passou a controlar a Rede Record de Televisão, além de emissoras de rádio, gráficas, jornais, gravadora e instituições financeiras.

Macedo decidiu nomear Panceiro como sucessor depois de ser submetido a uma cirurgia no pâncreas, nos Estados Unidos, há cerca de nove meses. Seu estado de saúde não é bom, garantem religiosos próximos. Ele também sofre de diabetes. Fotografias recentes ao lado de familiares mostradas em seu site pessoal na internet exibem sua fragilidade física. O bispo está muito magro, em comparação com fotografias de um ou dois anos atrás. Depois do “entrevero” com Panceiro, Macedo passou a ter bem mais próximo de si o ex-líder da Igreja Universal no México, Paulo Roberto Guimarães.

O bispo Panceiro comandava a igreja no Brasil há doze anos. Já há algum tempo era o nome preferido de Macedo para a sucessão. Antes imaginava-se que o eleito seria o seu sobrinho, o bispo Marcelo Crivella (PRB-RJ), senador e candidato derrotado a prefeito no Rio de Janeiro.
Na biografia autorizada, O Bispo – A história revelada de Edir Macedo, de Douglas Tavolaro e Christina Lemos (Editora Larousse), lançada em 2007, foi revelada essa preferência. “Se eu morrer hoje, o Romualdo assume tudo. E tenho certeza de que os demais bispos irão respeitá-lo como me respeitam hoje. A Igreja Universal não é um trabalho pessoal, mas uma obra espiritual”, disse Macedo, no livro.

Ao saber dessas palavras, Panceiro respondeu que não tinha condições de assumir o cargo. Na própria biografia de Macedo, afirma-se que ele é temido por outros pastores da igreja, apesar de demonstrar “gentileza e bom humor”, depois de horas de convívio.

Ex-cortador de cana, 49 anos, Panceiro é também um ex-viciado em drogas, como vários bispos e pastores da igreja. “Eu passava os finais de semana me drogando. Meu pai era louco. Eu não tinha o que comer. Não havia futuro para mim”, contou, no mesmo livro. “Ele é o maior milagre da Igreja Universal”, acrescentou Macedo na biografia, ao analisar sua reintegração e capacidade de comando.

Com a ajuda de outros bispos – como Guimarães –, Macedo pode retomar o poder. Mas há um problema político criado na sucessão, além do seu delicado estado de saúde.

Poderosa, a Universal está espalhada hoje pelos cinco continentes. A igreja diz ter se instalado em 172 países. Seu site oficial fornece o endereço de 72. Segundo números oficiais do IBGE, conta com 2 milhões de fiéis no Brasil. Na biografia de Macedo, fala-se em 4.748 templos e 9.660 pastores somente no País. A briga promete não ser fácil. Há muita coisa em disputa.

Número de conflitos no campo caiu em 2008, revela CPT

INDAIATUBA – O número de conflitos no campo caiu de 1.538 em 2007 para 1.170 no ano passado, mas a Comissão Pastoral da Terra (CPT) não comemorou essa queda, ao apresentar um relatório sobre a violência rural hoje na Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no convento de Itaici, município de Indaiatuba (SP). “Apesar dessa redução de ocorrências, o total de assassinatos de pessoas envolvidas se manteve inalterado – 28 em cada um dos dois anos”, disse o presidente da CPT, d. Ladislau Biernaski, bispo de São José dos Pinhais (PR). O Pará foi o campeão em assassinatos – o número de mortes subiu de cinco para 13, embora o número de conflitos tenha baixado de 300 em 2007 para 245 no ano passado.

O relatório da CPT responsabiliza o agronegócio e a falta de reforma agrária pela violência. “O avanço do desenvolvimento da agricultura capitalista no campo brasileiro em sua versão moderna continua trazendo consigo, igualmente, suas principais características sociais: a violência e a barbárie. A ausência da reforma agrária tem mantido a conflitividade e a violência no campo – mazelas que o governo Lula ainda não conseguiu resolver”, afirma o texto.

Lugo se diz à disposição da Justiça para esclarecer acusação de paternidade

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (AFP)

Fernando Lugo deverá se submeter a exame de DNA

O presidente do Paraguai, o ex-bispo católico Fernando Lugo, de 57 anos, afirmou nesta segunda-feira que está “à disposição da Justiça” para esclarecer a acusação de que teria sido pai de um menino que agora tem seis anos de idade.

“Que fique absolutamente claro que estamos dispostos a atuar sempre com o argumento da verdade e nos colocamos à disposição para todos os requerimentos da Justiça”, disse Lugo em um discurso transmitido pela TV paraguaia.

O presidente paraguaio afirmou ainda que manterá o assunto “no âmbito estritamente privado”.

Lugo pediu a seus advogados que entrem em contato com Benigna Leguizamón, de 27 anos, que o acusou de ser pai de um de seus quatro filhos.

Segundo ela, os dois se conheceram em 2001, quando ele era bispo da localidade de São Pedro. Leguizamón disse que a criança nasceu em setembro de 2002 e que Lugo a ajudou financeiramente no início, mas depois deixou de atender aos seus telefonemas.

Ela deu prazo de 24 horas para que o presidente reconheça a paternidade da criança ou recorreria à Justiça.

Na semana passada, Lugo reconheceu a paternidade de outra criança, um menino de dois anos.

DNA

De acordo com o site do jornal Ultima Hora, de Assunção, Lugo teria pedido a seus advogados que entrassem em contato com a mulher para que sejam tomadas as providências para que ele faça o exame de DNA – pedido por ela.

O novo escândalo surgiu uma semana depois de Lugo ter reconhecido – sem exames de DNA – a paternidade de um menino de dois anos, filho da paraguaia Viviana Carrillo, de 26 anos e que teria 16 anos quando iniciou relacionamento com Lugo, então bispo de São Pedro.

A informação de que Lugo se submeterá ao exame de DNA foi dada pelo advogado da Presidência, Marcos Fariña, à imprensa local.

Benigna Leguizamón tem recebido assessoria jurídica da Secretaria da Criança e do Adolescente do governo Lugo.

Críticas

O episódio gerou novas críticas ao presidente – desta vez, não só da oposição, mas também de alguns de seus assessores.

“Como ministras do Poder Executivo, esperamos que o presidente assuma, como fez na primeira vez, uma postura clara e que facilite o esclarecimento do caso, com firmeza e transparência. Que mostre que as mudanças (prometidas na campanha eleitoral) começam pelo presidente”, disseram, em um comunicado, as ministras da Criança e do Adolescente, Liz Torres, e da Mulher, Gloria Rubín.

Ao mesmo tempo, a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Ana María Mendoza de Acha, disse que o presidente “já não tem autoridade moral” e que “muitos não teriam votado nele”, se estes casos tivessem sido divulgados durante a campanha eleitoral.