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Reflexões de um Bispo – Dom Clemente Isnard


Carta de Dom Clemente Isnard sobre as peripécias da publicação do seu livro

Quem tem medo da verdade?
Quem quer calar os Profetas?
Quem quer zerar o Concílio Vaticano II
e voltar para a Igreja-Poder e para a centralização vaticana?
(João Tavares)

No dia oito de julho do ano passado, completei noventa anos e, a convite de um grande amigo, pe. José Romero Rodrigues de Freitas, vim a Recife para festejar a data com os amigos daqui.

Celebrei a Missa na Igreja das Fronteiras, onde está bem viva a lembrança de nosso inesquecível Dom Helder Camara, com muitos concelebrantes e mais duas centenas de amigos. No meu sermão terminei, depois de narrar os quatro períodos de minha longa vida, aludindo a um projeto de futuro. Que ousadia era fazer projetos aos noventa anos! E dizia: reatando com a mocidade, lutar pelo Movimento Litúrgico, pelo Concílio Vaticano II, por uma Igreja sem Núncio Apostólico e sem Cúria Romana (entenda-se sem a Cúria Hiperatrofiada de hoje).

Ouviu esse sermão o grande teólogo José Comblin, que me animou a escrever. No segundo semestre de 2007 escrevi um livrinho com o título de “O que o Concílio não fez” e pedi ao padre Comblin para ler antes da publicação e escrever o Prefácio. O que ele fez, sugerindo uma mudança de título para “Reflexões de Um Bispo sobre as Instituições Eclesiásticas”.

Em dezembro de 2007 procurei a Editora Paulus para publicar o livro. Aceitou a incumbência e conversei com muitas pessoas sobre o conteúdo do livro. Em fevereiro fui surpreendido por um telefonema da Paulus dizendo que o livro estava pronto para publicação, mas que não poderiam editar por terem recebido uma proibição do Núncio Apostólico, Dom Lourenzo Baldisseri. Não procurei diálogo com essa autoridade eclesiástica que não me procurou diretamente, mas se dirigiu por cima de minha cabeça à Editora.

No mês de março, estando em Recife, recebi uma atenciosa carta do Regional Leste 1, assinada por todos os bispos do mesmo Regional. Nessa carta pediam que eu não publicasse o livro.

Evidentemente, a opinião unânime dos bispos da região me confundiu, mas não me convenceu. Respondi a cada um dos companheiros uma carta do mesmo teor, em que estranhava que tivessem condenado o livro sem o ter lido (não sei qual dos bispos o teria lido) desprezando a opinião de um teólogo que já publicou mais de 50 obras e que tinha corrigido o livro e redigido o Prefácio, Padre José Comblin. Como sou teimoso, consegui uma editora que se interessou pelo assunto do livro e se ofereceu para publicá-lo.

A Igreja tem um organismo em Roma encarregado de examinar a doutrina dos livros que se publicam no mundo inteiro. Mas o meu livro nada tem contra a doutrina da Igreja. É um livro não de doutrina, mas de disciplina da Igreja que tem variado incessantemente nesses dois mil anos de vida, e ainda recentemente teve um Concílio Ecumênico de Reforma, o Vaticano II.

O Concílio Vaticano II foi elogiado pelo Papa Paulo VI, que o presidiu depois de João XXIII, como um dos maiores e melhores Concílios da História da Igreja pelo número de participantes, pelo número de documentos promulgados, e pela extensão de sua preocupação também com a vida da humanidade. No Concílio eu me habituei com as lutas internas da Igreja, que não terminaram. Há muitas coisas nas Instituições Eclesiásticas que deveriam ter sido corrigidas. Coisas grandes e pequenas. O Concílio fez muito mas não pode fazer tudo. Será que João XXIII teria presidido melhor que Paulo VI ? Agora é preciso abordar os temas que foram tocados pelo Concílio mas não concluídos, para que sejam resolvidos por quem de direito.

São grandes os problemas da Igreja hoje: A nomeação dos Bispos, os Bispos Auxiliares e os Eméritos, o Celibato Sacerdotal e a Exclusão das mulheres do Sacramento da Ordem. Desses cinco assuntos é que trata o livro que será lançado no dia 13, às 19:00hs, na Igreja das Fronteiras em Recife.

Os que se interessarem por esses problemas da Igreja devem procurar companheiros e organizar grupos de estudo, para aprofundamento dos assuntos e procura de soluções.

Dom Clemente Isnard
Bispo Emérito de Nova Friburgo, Rio de Janeiro

Reflexões de um Bispo – Dom Clemente Isnard


Carta de Dom Clemente Isnard sobre as peripécias da publicação do seu livro

Quem tem medo da verdade?
Quem quer calar os Profetas?
Quem quer zerar o Concílio Vaticano II
e voltar para a Igreja-Poder e para a centralização vaticana?
(João Tavares)

No dia oito de julho do ano passado, completei noventa anos e, a convite de um grande amigo, pe. José Romero Rodrigues de Freitas, vim a Recife para festejar a data com os amigos daqui.

Celebrei a Missa na Igreja das Fronteiras, onde está bem viva a lembrança de nosso inesquecível Dom Helder Camara, com muitos concelebrantes e mais duas centenas de amigos. No meu sermão terminei, depois de narrar os quatro períodos de minha longa vida, aludindo a um projeto de futuro. Que ousadia era fazer projetos aos noventa anos! E dizia: reatando com a mocidade, lutar pelo Movimento Litúrgico, pelo Concílio Vaticano II, por uma Igreja sem Núncio Apostólico e sem Cúria Romana (entenda-se sem a Cúria Hiperatrofiada de hoje).

Ouviu esse sermão o grande teólogo José Comblin, que me animou a escrever. No segundo semestre de 2007 escrevi um livrinho com o título de “O que o Concílio não fez” e pedi ao padre Comblin para ler antes da publicação e escrever o Prefácio. O que ele fez, sugerindo uma mudança de título para “Reflexões de Um Bispo sobre as Instituições Eclesiásticas”.

Em dezembro de 2007 procurei a Editora Paulus para publicar o livro. Aceitou a incumbência e conversei com muitas pessoas sobre o conteúdo do livro. Em fevereiro fui surpreendido por um telefonema da Paulus dizendo que o livro estava pronto para publicação, mas que não poderiam editar por terem recebido uma proibição do Núncio Apostólico, Dom Lourenzo Baldisseri. Não procurei diálogo com essa autoridade eclesiástica que não me procurou diretamente, mas se dirigiu por cima de minha cabeça à Editora.

No mês de março, estando em Recife, recebi uma atenciosa carta do Regional Leste 1, assinada por todos os bispos do mesmo Regional. Nessa carta pediam que eu não publicasse o livro.

Evidentemente, a opinião unânime dos bispos da região me confundiu, mas não me convenceu. Respondi a cada um dos companheiros uma carta do mesmo teor, em que estranhava que tivessem condenado o livro sem o ter lido (não sei qual dos bispos o teria lido) desprezando a opinião de um teólogo que já publicou mais de 50 obras e que tinha corrigido o livro e redigido o Prefácio, Padre José Comblin. Como sou teimoso, consegui uma editora que se interessou pelo assunto do livro e se ofereceu para publicá-lo.

A Igreja tem um organismo em Roma encarregado de examinar a doutrina dos livros que se publicam no mundo inteiro. Mas o meu livro nada tem contra a doutrina da Igreja. É um livro não de doutrina, mas de disciplina da Igreja que tem variado incessantemente nesses dois mil anos de vida, e ainda recentemente teve um Concílio Ecumênico de Reforma, o Vaticano II.

O Concílio Vaticano II foi elogiado pelo Papa Paulo VI, que o presidiu depois de João XXIII, como um dos maiores e melhores Concílios da História da Igreja pelo número de participantes, pelo número de documentos promulgados, e pela extensão de sua preocupação também com a vida da humanidade. No Concílio eu me habituei com as lutas internas da Igreja, que não terminaram. Há muitas coisas nas Instituições Eclesiásticas que deveriam ter sido corrigidas. Coisas grandes e pequenas. O Concílio fez muito mas não pode fazer tudo. Será que João XXIII teria presidido melhor que Paulo VI ? Agora é preciso abordar os temas que foram tocados pelo Concílio mas não concluídos, para que sejam resolvidos por quem de direito.

São grandes os problemas da Igreja hoje: A nomeação dos Bispos, os Bispos Auxiliares e os Eméritos, o Celibato Sacerdotal e a Exclusão das mulheres do Sacramento da Ordem. Desses cinco assuntos é que trata o livro que será lançado no dia 13, às 19:00hs, na Igreja das Fronteiras em Recife.

Os que se interessarem por esses problemas da Igreja devem procurar companheiros e organizar grupos de estudo, para aprofundamento dos assuntos e procura de soluções.

Dom Clemente Isnard
Bispo Emérito de Nova Friburgo, Rio de Janeiro

Biomas e Biotecnologia: Seminário na Assembléia Legislativa

No próximo dia 28 de junho, das 9:30 às 12, a Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul estará realizando um Seminário sobre Biomas e Biotecnologia.
Serão palestrantes os Profs. Ivo Poletto, Ruben Nodari e Frei Sérgio Goergen.
Maiores informações com David Stival pelo 32101181 ou 96621671
A participação é livre.
Bom aproveitar e dar-se conta que nem só de escândalos vive a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul…

Biomas e Biotecnologia: Seminário na Assembléia Legislativa

No próximo dia 28 de junho, das 9:30 às 12, a Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul estará realizando um Seminário sobre Biomas e Biotecnologia.
Serão palestrantes os Profs. Ivo Poletto, Ruben Nodari e Frei Sérgio Goergen.
Maiores informações com David Stival pelo 32101181 ou 96621671
A participação é livre.
Bom aproveitar e dar-se conta que nem só de escândalos vive a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul…

A Brigada é bem treinada…


“Primeiro, os nazis vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, calei-me. Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, não protestei. Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, calei-me. Então, vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu calei-me. Então, quando me vieram buscar… Já não restava ninguém para protestar” (Bertold Brecht).
Há poucos dias, a Brigada Militar voltou a sua sanha agressiva contra manifestantes da Via Campesina e de Movimentos Sociais urbanos. No dizer do governo e da imprensa era para mostrar a “nova cara” do novo comandante da Brigada, Coronel Mendes. Ou – mas isso não pode ser dito – para criar outro assunto que desviasse as atenções do escândalo na Administração Yeda. As duas coisas talvez sejam verdadeiras.
Boa parte da imprensa – a oficialista RBS na ponta – fez a apologia da violência policial. E muitos, na sociedade, também se alegraram com a demonstração de autoridade policial. “Já era hora de a polícia manter estes arruaceiros longe do centro da capital”, pensaram alguns.
Neste momento é bom lembrar que a Brigada é uma corporação que age por treinamento e disciplina. Voltaram a aprender a bater. O perigo é que, de aqui a alguns dias, igual aos Pit Bulls que foram treinados para agredir estranhos, num momento de confusão e esquecimento, passem a agredir também seus treinadores…
Tenho certeza que, quando a Brigada bater em “filhinhos de papai” e outras espécies da classe média que causam tantas ou mais arruaças nas ruas de Porto Alegre, os brigadianos serão chamados, pela mesma imprensa, de truculentos.
E, quando passarem a bater na elite, serão vistos como fascistas e representantes de um estado autoritário!
Não esqueçam: a Brigada é bem treinada…

A Brigada é bem treinada…


“Primeiro, os nazis vieram buscar os comunistas, mas, como eu não era comunista, calei-me. Depois, vieram buscar os judeus, mas, como eu não era judeu, não protestei. Então, vieram buscar os sindicalistas, mas, como eu não era sindicalista, calei-me. Então, vieram buscar os católicos e, como eu era protestante, eu calei-me. Então, quando me vieram buscar… Já não restava ninguém para protestar” (Bertold Brecht).
Há poucos dias, a Brigada Militar voltou a sua sanha agressiva contra manifestantes da Via Campesina e de Movimentos Sociais urbanos. No dizer do governo e da imprensa era para mostrar a “nova cara” do novo comandante da Brigada, Coronel Mendes. Ou – mas isso não pode ser dito – para criar outro assunto que desviasse as atenções do escândalo na Administração Yeda. As duas coisas talvez sejam verdadeiras.
Boa parte da imprensa – a oficialista RBS na ponta – fez a apologia da violência policial. E muitos, na sociedade, também se alegraram com a demonstração de autoridade policial. “Já era hora de a polícia manter estes arruaceiros longe do centro da capital”, pensaram alguns.
Neste momento é bom lembrar que a Brigada é uma corporação que age por treinamento e disciplina. Voltaram a aprender a bater. O perigo é que, de aqui a alguns dias, igual aos Pit Bulls que foram treinados para agredir estranhos, num momento de confusão e esquecimento, passem a agredir também seus treinadores…
Tenho certeza que, quando a Brigada bater em “filhinhos de papai” e outras espécies da classe média que causam tantas ou mais arruaças nas ruas de Porto Alegre, os brigadianos serão chamados, pela mesma imprensa, de truculentos.
E, quando passarem a bater na elite, serão vistos como fascistas e representantes de um estado autoritário!
Não esqueçam: a Brigada é bem treinada…

Igreja mais antiga do mundo…

Religião sempre é um bom assunto quando os meios de comunicação não tem assunto… Parece ser mais uma vez o caso quando se noticia a descoberta do que seria a Igreja mais antiga do mundo (ver reportagem em www.bbc.com.br). Muita tinta (real e virtual) vai ser gasto sobre o assunto. O resultado mais visível parece ser o do aumento de acessos de determinados sítios. Ou alguma agência de viagem começar a oferecer pacotes para tal destino!…
A verdade é que, tentar identificar o lugar em que haveria sido a primeira Igreja cristã é tão difícil quanto saber onde foi enterrado o primeiro ser humano. Mesmo que, segundo os Atos dos Apóstolos, os cristãos tenham sido chamados de tal na cidade de Antioquia, já no primeiro século, demoraria muito para que se pudesse realmente falar em cristianismo tal como o entendemos hoje. A verdade está mais para Dan Brown em sua afirmação de que só com o Concílio de Nicéia e a sua afirmação dogmática de que Jesus é Deus com o Pai que podemos falar realmente em religião cristã. Até aí tudo era muito confuso… Muita gente achava que continuava sendo judeu e que para ser cristão não havia necessidade de deixar de sê-lo. E muitos que vinham de outras religiões que não o judaísmo achavam que para ser cristão havia que, primeiro, fazer-se judeu. E, claro, os israelitas que achavam que para ser cristão era necessário e indispensável ser circuncidado e não comer carne de porco. A clareza paulina era algo raro mesmo entre os cristãos mais ortodoxos. Naquelas circunstâncias, distinguir entre sigagoga judaica e templo cristão era muito, mas muuuito difícil! Pretensão é a dos que hoje, olhando para traz, acham que podem dizer “aqui foi a primeira igreja cristã”. Ou ilusão e desejo de encontrar algo de mágico que liga a um Jesus mítico. Melhor seguir o conselho de Jesus: para encontrar-se com ele o único caminho é fazer as obras do Pai (cf. Jo 5,36)!

Igreja mais antiga do mundo…

Religião sempre é um bom assunto quando os meios de comunicação não tem assunto… Parece ser mais uma vez o caso quando se noticia a descoberta do que seria a Igreja mais antiga do mundo (ver reportagem em www.bbc.com.br). Muita tinta (real e virtual) vai ser gasto sobre o assunto. O resultado mais visível parece ser o do aumento de acessos de determinados sítios. Ou alguma agência de viagem começar a oferecer pacotes para tal destino!…
A verdade é que, tentar identificar o lugar em que haveria sido a primeira Igreja cristã é tão difícil quanto saber onde foi enterrado o primeiro ser humano. Mesmo que, segundo os Atos dos Apóstolos, os cristãos tenham sido chamados de tal na cidade de Antioquia, já no primeiro século, demoraria muito para que se pudesse realmente falar em cristianismo tal como o entendemos hoje. A verdade está mais para Dan Brown em sua afirmação de que só com o Concílio de Nicéia e a sua afirmação dogmática de que Jesus é Deus com o Pai que podemos falar realmente em religião cristã. Até aí tudo era muito confuso… Muita gente achava que continuava sendo judeu e que para ser cristão não havia necessidade de deixar de sê-lo. E muitos que vinham de outras religiões que não o judaísmo achavam que para ser cristão havia que, primeiro, fazer-se judeu. E, claro, os israelitas que achavam que para ser cristão era necessário e indispensável ser circuncidado e não comer carne de porco. A clareza paulina era algo raro mesmo entre os cristãos mais ortodoxos. Naquelas circunstâncias, distinguir entre sigagoga judaica e templo cristão era muito, mas muuuito difícil! Pretensão é a dos que hoje, olhando para traz, acham que podem dizer “aqui foi a primeira igreja cristã”. Ou ilusão e desejo de encontrar algo de mágico que liga a um Jesus mítico. Melhor seguir o conselho de Jesus: para encontrar-se com ele o único caminho é fazer as obras do Pai (cf. Jo 5,36)!