Arquivo mensal: novembro 2012

Número de novos casos de HIV caiu mais de 50% em 25 países, diz ONU

Um relatório do programa da ONU contra a Aids (Unaids) divulgado nesta terça-feira afirma que houve uma queda de mais de 50% no número de novos casos de infecção pelo HIV em 25 países.

As maiores mudanças ocorreram em países da África, os mais afetados pela doença.

No Malauí, por exemplo, a queda foi 73%, em Botsuana, de 68%.O documento também afirma que o tratamento da doença está melhorando e o número de pessoas tratadas com os anti-retrovirais aumentou em 63% nos últimos 24 meses.

As mortes relacionadas à Aids também tiveram uma queda de mais de 25% entre 2005 e 2011 no mundo todo, de acordo com a ONU.

A organização estima que 34 milhões de pessoas vivem com o HIV no mundo todo e apenas metade delas foram diagnosticadas.

Além disso, as taxas de infecção ainda estão aumentando no leste europeu, norte da África e Oriente Médio, segundo o relatório.

Comunhão Anglicana debate ordenação de mulheres a bispo

Londres, 20 nov (SIR) – Começou ontem na capital britânica o Sínodo Geral da Comunhão Anglicana.

O centro dos debates será a questão da ordenação de mulheres como bispo; o encontro marcará também o final do mandato do Arcebispo Rowan Williams, que deixa a direção da “Igreja da Inglaterra” e da Comunhão Anglicana em fins de dezembro. No dia 21, Williams dará o seu adeus definitivo para assumir o reitorado do Magdalene College, em Cambridge.

O bispo Justin Welby, 56 anos, será o próximo Arcebispo de Cantuária, líder espiritual de quase 80 milhões de anglicanos no mundo. A posse está prevista para 21 de março. Para que a legislação da ordenação de mulheres como bispo seja aprovada, será necessária uma maioria de dois terços dos votos. Justin Welby já declarou que votará a favor, “unindo a sua voz a de muitos outros que a pediram” – disse.

A discussão sobre este ponto, qualificado pelo próprio líder como ‘difícil’, gerou certa divisão, ao ponto que muitos anglicanos passaram para a Igreja Católica. Neste sentido, em 2011, a Santa Sé criou o Ordinariato Pessoal na Inglaterra e Gales, que acolhe os fiéis anglicanos que se opõem a esta medida.

Tawadros II é entronizado patriarca dos coptas ortodoxos do Egito

CAIRO, 18 Nov 2012 (AFP) -Tawadros II, o novo patriarca dos coptas ortodoxos do Egito, a maior comunidade cristã do Oriente Médio, foi entronizado neste domingo na catedral de São Marcos do Cairo. Tawadros II, de 60 anos, foi nomeado “papa de Alexandria, patriarca de toda a África e da sede de São Marcos” em uma cerimônia religiosa que contou com a presença do primeiro-ministro egípcio, Hisham Qandil. O 118º patriarca dos coptas do Egito sucede Shenuda III, falecido no mês de março depois de se manter durante quatro décadas à frente desta comunidade, que representa entre 6% e 10% dos 83 milhões de egípcios. Tawadros foi eleito no dia 4 de novembro entre os três candidatos em disputa, em um sorteio realizado por um menino durante uma cerimônia religiosa. A eleição do novo patriarca ocorre em um momento de inquietação para os cristãos do Egito, diante do fortalecimento do islã político no país, atualmente governado por um presidente proveniente do movimento da Irmandade Muçulmana

Estudo analisa cérebro de médiuns brasileiros em transe

Os cérebros de médiuns brasileiros mostraram transtornos de funcionamento durante sessões nas quais, em transe, escreviam mensagens supostamente ditadas por “espíritos”, segundo um artigo divulgado nesta sexta-feira pela revista Public Library of Sciences.

A pesquisa foi feita por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Thomas Jefferson, da Filadélfia, para determinar os fluxos de sangue em diferentes regiões do cérebro durante os transes.

Os pesquisadores estudaram o comportamento de dez médiuns que, segundo o artigo, tinham entre 15 e 47 anos de psicografia, realizando-a até 18 vezes por mês.

Todos eles, indicou o estudo, eram destros, gozavam de boa saúde mental, não usavam psicotrópicos e indicaram que eram capazes de alcançar seu estado de transe durante a tarefa psicográfica.

Os pesquisadores usaram tomografia computadorizada por emissão de fótons únicos para a observação das áreas ativas e inativas durante a prática.

“Se sabe que as experiências espirituais afetam a atividade cerebral. Mas a resposta cerebral à mediunidade recebe pouca atenção científica e, a partir de agora, devem ser feitos novos estudos”, sustentou Andrew Newberg, diretor de pesquisa do Myrna Brind Center of Integrative Medicine, que colaborou neste trabalho com o psicólogo clínico Júlio Peres, do Instituto de Psicologia da USP.

Os cientistas observaram que os médiuns mais experientes mostravam durante a psicografia níveis mais baixos de atividade no hipocampo esquerdo (sistema límbico), no giro temporal superior e no giro pré-central direito no lóbulo frontal.

As áreas do lóbulo frontal estão ligadas ao raciocínio, ao planejamento, à geração de linguagem, aos movimentos e à solução de problemas, pelo que os pesquisadores acreditam que durante a psicografia ocorre uma ausência de percepção de si mesmo e de consciência.

Por outro lado, os médiuns com menos experiência mostraram o oposto: níveis maiores de atividade nas mesmas áreas durante a psicografia, o que parece indicar um maior esforço para realizá-la.

Jovens estudantes tentam refundar partido símbolo da ditadura militar

Cibele Bumbel Baginski tenta refundar Arena (Foto: Arquivo Pessoal)Presidente da Arena em visita ao museu do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre (Foto: Arquivo Pessoal)

Extinta há mais de 30 anos com o fim do bipartidarismo no Brasil, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) pode voltar à ativa nas mãos de jovens e com uma cara “nova”. O estatuto e o programa do novo partido foram publicados no Diário Oficial da União na última terça-feira (13), cumprindo um dos passos burocráticos para o registro da legenda.

A Arena foi fundada originalmente em abril de 1966 dentro do sistema de bipartidarismo imposto pelo regime, que extinguiu outros 13 partidos que existiam antes. Enquanto a Arena sustentava o governo militar, fazia oposição no Congresso o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

O partido elegeu todos os presidentes que se candidataram pela legenda, de Costa e Silva (1967-1969) a João Figueiredo (1979-1985). Foi extinto junto com o MDB em novembro de 1979, no processo de redemocratização que permitiu a abertura de novos partidos. Do MDB surgiu o PMDB; os remanescentes da Arena foram o antigo PDS (atual PP) e a Frente Liberal (atualmente DEM).

Nos anos 70, enquanto os militares estiveram no poder, o país viveu o chamado “milagre econômico”, com altas taxas de crescimento econômico. No âmbito político, o período foi marcado por perseguição aos opositores do regime, com a violação de direitos humanos e políticos e a adoção de práticas como censura prévia da imprensa, tortura e assassinatos.

Politicamente, a direita brasileira
é um horror. Não existe. Tem vergonha de se assumir”
Cibele Baginski, presidente da nova Arena

Para fugir da repressão do Estado, políticos, militantes, artistas e pessoas de vários outros setores da sociedade buscaram exílio em outros países. Estima-se que mais de 420 pessoas foram assassinadas ou dadas como desaparecidas durante o período de exceção. Em maio deste ano, foi instalada a Comissão da Verdade, com o objetivo de apurar os crimes cometidos no período.

Valores e ideologia
Segundo sua idealizadora, a estudante de Direito Cibele Bumbel Baginski, 23 anos, a nova Arena rechaça a possibilidade de atrair grupos extremistas, com tendências fascistas ou neonazistas, por exemplo. Ela conta que o grupo já teve de aturar alguns tipos com “propostas absurdas”, mas que, aos poucos, acabaram se afastando.

“Não viemos flertar com o totalitarismo. Nosso partido não é uma seita. Quem não tem capacidade de dialogar, pode pegar a mala e ir embora. Somos a direita democrática”, garante.

O grupo de 144 pessoas, espalhados por 15 estados do país, diz querer promover o retorno da “verdadeira direita” ao cenário político brasileiro. A nova Arena defende o resgate de valores que consideram esquecidos, como o conservadorismo e o nacionalismo, um partido que defenda o Estado “necessário” e o direto à propriedade, por exemplo.

No programa da nova Arena, constam propostas como a privatização do sistema penitenciário; a abolição de qualquer sistema de cotas raciais, de gênero, ou condições “especiais”; a aprovação da maioridade penal aos 16 anos; o retorno ao currículo escolar de disciplinas como moral e cívica e latim; a retomada do controle de estatais fundamentais à proteção da nação; e o reaparelhamento das Forças Armadas.

Estudante na Universidade de Caxias do Sul (UCS), sediada no município de mesmo nome, é Cibele Bumbel Baginski quem assina como presidente provisória do partido o estatuto e o programa da nova Arena.

“Queremos implementar mudanças na sociedade de forma gradual, ordeira e com estabilidade. Propomos um jeito de fazer política com convicção, com propostas e focado na resolução dos problemas dos país. As pessoas querem solução e não discussão”, argumenta.

O objetivo é erguer um partido assumidamente de direita. Para os neo-arenistas, há um espaço que precisa ser preenchido entre as 30 legendas atualmente existentes. “Politicamente, a direita brasileira é um horror. Não existe. Tem vergonha de se assumir. É a única direita que se vende para a esquerda”, opina Cibele.

De acordo com o estatuto, a nova Arena “não coligará com partidos que declaram em seu programa e estatuto a defesa do comunismo, bem como vertentes marxistas”. Caberá a um órgão chamado de Conselho Ideológico, entre outras tarefas, aprovar as correntes e tendências que venham a se formar internamente, além de “fiscalizar, e se necessário intervir, em todos os órgãos do partido”. Esse conselho, a instância máxima, será formado formado por nove pessoas, das quais cinco serão membros permanentes e vitalícios.

Não vamos flertar com o totalitarismo. Nosso partido não é uma seita. É direita democrática”
Cibele Baginski

Mobilização
A publicação no Diário Oficial é uma das etapas para a criação do partido. Após a sigla adquirir personalidade jurídica, os fundadores irão pleitear o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para isso, devem reunir 491 mil assinaturas de eleitores (0,5% dos votos válidos na última eleição para a Câmara dos Deputados) de pelo menos nove estados (um terço do total) – o grupo já tem de 40 a 50 mil, diz Cibele.

“A partir de agora é que vamos mobilizar nossos núcleos regionais para essa tarefa. Acredito que até meados de 2013 isso esteja pronto, e o partido apto a concorrer nas eleições de 2014”, planeja Cibele.

Natural de Porto Alegre, a estudante reside em Caxias do Sul há cerca de quatro anos. O gosto pela política, diz ela, vem dos pais, um casal de comerciantes. A ideia de fundar uma legenda nova surgiu a partir de discussões entre colegas universitários e amigos sobre o modelo de partido ideal. Os debates se espalharam pela internet e encontraram adeptos em outros estados. Em junho, o grupo decidiu levar a proposta adiante e deu início aos trâmites burocráticos.

A proposta inicial não era ressuscitar a extinta Arena – o nome só foi escolhido depois, em votação, por sugestão de outra fundadora. A presidente da nova Arena não teme críticas pelo fato de o nome do partido estar associado à ditadura militar. Ela argumenta que o partido atuava dentro das leis da época e que os crimes cometidos durante o regime de exceção partiram das pessoas que controlavam o Estado e as instituições, não do partido.

“Não acho que seja algo ruim. É algo que ou você gosta ou você não gosta”, diz Cibele, que cita o desenvolvimento econômico durante o período do regime militar como saldo positivo. “O país estava precisando de uma sacudida. Sem isso [o regime militar], o Brasil não seria o que é hoje”, defende.

Autora de um livro de contos de publicação independente, que assina como Lady Baginski, a jovem que exibe um piercing nos lábios foge do estereótipo de conservadora. Ela conta que, por suas convicções políticas, já sofreu agressões verbais públicas no meio universitário, que considera “doutrinado” pelo pensamento marxista. Diz que cultiva amizades e consegue dialogar com pessoas de ideologias opostas.

O que era

Segundo o verbete do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, organizado pelo CPDOC/FGV, a Arena foi um “partido político de âmbito nacional, de apoio ao governo, fundado em 4 de abril de 1966 dentro do sistema de bipartidarismo instaurado no país após a edição do Ato Institucional nº 2 (27/10/1965), que extinguiu os partidos existentes, e do Ato Complementar nº 4, que estabeleceu as condições para a formação de novos partidos. Desapareceu em 29 de novembro de 1979, quando o Congresso decretou o fim do bipartidarismo e abriu espaço para a reorganização de um novo sistema multipartidário”.

O que será
De acordo com o estatuto publicado no Diário Oficial da União, a nova Arena é um partido que “possui como ideologia o conservadorismo, nacionalismo e tecno-progressismo, tendo para todos os efeitos a posição de direita no espectro político; devendo as correntes e tendências ideológicas ser aprovadas pelo Conselho Ideológico (CI), visando a coerência com as diretrizes partidárias. A Arena, em respeito à convicções ideológicas de Direita, não coligará com partidos que declaram em seu programa eestatuto a defesa do comunismo, bem como vertentes marxistas”.

O que defendem os novos arenistas
– Privatização do Sistema Penitenciário.
– Abolição de quaisquer sistemas de cotas raciais, de gênero, ou condições “especiais”.
– Aprovação da maioridade penal aos 16 anos.
– Retorno ao currículo escolar das disciplinas de Educação Moral e Cívica e Latim.
– Ensino da História do Brasil e História Geral sem ênfases tendenciosas doutrinariamente e com abrangência de todos os continentes, e não somente alguns.
– Defender o Estado Necessário
– Retomar o controle de todas as empresas estatais que são fundamentais à proteção da Nação.
– Reaparelhar as Forças Armadas, tirando-a de seu sucateamento e parco efetivo.

Encontro relembra a ordenação da primeira mulher na IECLB

14/11/2012 – Mais de 100 ministras participam do evento, realizado em Curitiba

O ano de 2012 é histórico para a IECLB como um todo e, de modo específico, para as mulheres. Neste ano somos lembradas e lembrados de que há 30 anos, no dia 13 de novembro de 1982, era ordenada a primeira pastora para atuar na IECLB: Edna Ramminger. No entanto, é importante destacar que a primeira pastora enviada e instalada em um Campo de Atividade Ministerial foi Rita Panke, em 1976.
Desde a formação das primeiras comunidades da IECLB as mulheres sempre contribuíram para o fortalecimento da vida comunitária, principalmente nas áreas da diaconia, catequese e trabalho voluntário. A atuação das pastoras na IECLB iniciou logo após a Organização das Nações Unidas ter declarado 1975 como o Ano Internacional da Mulher e como o ano de início da Década da Mulher. A atuação e a inserção das pastoras acontecem em um mundo masculino e se deram num período de grande efervescência histórica, cultura, social e política no Brasil e América Latina.
Percebe-se, na atualidade, um crescente interesse de mulheres pelo estudo da teologia, visando aos diversos ministérios ordenados da IECLB. Para essa nova geração, torna-se muito importante resgatar a história das precursoras e buscar por novos paradigmas de identidade das mulheres enquanto Ministras Ordenadas da IECLB. Além disso, dentro das comemorações dos 500 anos da Reforma, pontuar, como IECLB, o caráter inclusivo do Ministério com Ordenação é necessário e salutar. Cremos que esse evento virá somar visibilidade à IECLB na questão do Ministério inclusivo, e demonstrará, de forma digna e honrosa, nossa gratidão às primeiras mulheres ordenadas ao Ministério Pastoral da nossa Igreja. Reconhecer seus passos, tomar conhecimento de sua história, ressignificar esse conteúdo para nosso próprio agir no Ministério no presente, são desafios e expectativas colocados para esse Seminário.
O encontro tem como objetivo geral reunir ministras ordenadas da IECLB em um evento de celebração, formação e fortalecimento mútuo.
O Culto do de Ação de Graças pelos 30 anos de Ordenação de Mulheres ao Ministério terá transmissão ao vivo.

Dom Odilo desrespeita escolha da PUC e alunos entram em greve

Candidata a reitora da PUC-SP, a professora de letras Anna Cintra assinou no dia 13 de agosto um papel em que dizia: “me comprometo a recusar qualquer indicação ao cargo de reitor caso não seja a primeira colocada na eleição deste ano”. Anna Cintra não cumpriu a sua palavra. A professora ficou em terceiro lugar na votação feita por alunos, professores e funcionários na universidade. Mesmo assim, aceitou a indicação do cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, para ser a nova reitora, anunciada na última terça 13.

Foi o estopim para que os estudantes se mobilizassem para ocupar a reitoria sob o argumento de que a decisão desrespeitava a democracia da universidade. “Que (essa manifestação) seja um exemplo de luta de uma comunidade que não se cala frente aos abusos cometidos pela Igreja, na pessoa do arcebispo”, diz o manifesto assinado por eles.

Na manhã desta quarta 14, eles decidiram se retirar da reitoria e prometeram manter a greve até ela desistir do cargo. Eles andaram até a sede da Fundação São Paulo, mantenedora da faculdade, cantando “Anna Cintra, a culpa é sua, hoje a aula é na rua”.  Os estudantes ainda marcaram uma audiência pública para a próxima quarta-feira 21, convidando funcionários, professores, todos os candidatos à reitoria e o cardeal.

Professores e funcionários ainda não declararam greve. A decisão dos docentes deve ser tomada na quarta 21, já que a universidade não terá aula durante os próximos dias devido aos feriados desta quinta 15 e da próxima terça 20. Segundo o professor Marcelo Figueiredo, diretor da Faculdade de Direito, a coincidência de fazer o anúncio antes das datas foi proposital para enfraquecer a mobilização da comunidade acadêmica.

A decisão de Dom Odilo é semelhante à tomada por José Serra, então governador de São Paulo, em 2009. Serra impôs João Grandino Rodas como reitor da USP . Desde então, sua gestão tem sido marcada por um intenso confronto com o movimento estudantil, inclusive com a entrada da Polícia Militar na cidade universitária.

Reitor diz que não irá resistir

Primeiro lugar na votação da universidade, o atual reitor Dirceu de Mello se diz feliz com as manifestações, mas fala que não deve resistir no cargo. “Eu simplesmente acato a decisão do cardeal, mas me surpreendeu a forma como a regra foi executada”.

Ele havia sido indicado pelo próprio Dom Odilo ao cargo no ano de 2008. Perguntado sobre o mudou na relação com o cardeal nos últimos quarto anos, o atual reitor disse não saber os motivos para não ser escolhido desta vez.

Procuradas pela reportagem, a Fundação São Paulo e Anna Cintra ainda não se pronunciaram. A Arquidiocese de São Paulo disse que o cardeal não vai se manifestar sobre o assunto.

Negros são maioria da classe média ascendente

A classe média já corresponde a 52% da população brasileira. São 104 milhões de pessoas – o equivalente ao total de indivíduos que vivem Alemanha – que, juntas, terão movimentado, até o fim de 2012, cerca de 665 bilhões de reais, uma renda superior ao PIB de países como a Suíça ou Portugal.

De acordo com pesquisa divulgada pelo instituto, a nova geração vai movimentar a maior parte da renda dessa classe em 2022 Foto: Agência Brasil

E dentro deste cenário, são os negros os principais protagonistas. De acordo com uma pesquisa divulgada na segunda-feira 12 pelo Instituto Data Popular, na última década, 75% dos que ascenderam socialmente a esta classe são negras. As mulheres também tiveram uma importância significativa nesse novo paradigma social. Nos últimos dez anos, a massa de renda delas cresceu 60% a mais do que a dos homens. Dos 737 bilhões de reais arrecadados pelo sexo feminino, 262 bilhões vieram das brasileiras que fazem parte da classe média.

Mas é a juventude que deve consolidar todas essas mudanças. Segundo o estudo, existem hoje no Brasil 42 milhões de jovens entre 18 e 30 anos, sendo que 55% deles se encontram na classe média. São pessoas que ajudam mais com as despesas da casa do que indivíduos da mesma faixa etária e que são da elite, por exemplo.

A pesquisa também mostra que é justamente essa nova geração que vai movimentar a maior parte da renda dessa classe em 2022. De acordo com o instituto, esse grupo também será mais escolarizado e com mais empregos que oferecem maior perspectiva de carreira do que a geração anterior.

Mais escolarizado, eles têm acesso a ocupações que exigem maior qualificação e, consequentemente, oferecem melhores salários. 82% dos jovens da classe média acreditam que a principal função da faculdade é melhorar o currículo. E eles também estão mais conectados (46% não conseguem imaginar a vida sem internet) e bem-informados (78% declaram que têm pleno conhecimento das notícias atuais).

Valores

A classe média acredita no voto como ferramenta de poder em relação ao Estado. 67% concordam que o voto pode melhorar a política brasileira. Apesar disso, mais da metade da classe média afirma que preferiria uma ditadura competente a uma democracia incompetente.

A percepção sobre “felicidade” de todas as gerações da classe média tem como fator condicionante a constituição de uma família. Também para os dois grupos, autonomia e realização pessoal são valores envolvidos no desejo de abrir um negócio: 56% da nova geração afirma que é “sempre melhor ter o próprio negócio do que trabalhar para os outros”.

As opiniões sobre aborto e pena de morte também não tendem a mudar se não houver mudança na legislação ou pauta na agenda pública. 83% dos jovens acreditam que “ninguém além de Deus tem o direito de tirar a vida de uma pessoa”. Contudo, mais da metade daqueles que participaram é a favor da pena de morte.

Mas a nova geração tende a ser mais tolerante para assuntos que já são pauta de legislação ou de políticas públicas. Metade dos jovens acredita que casais do mesmo sexo devem ter mesmos direitos de casais heterossexuais, enquanto apenas 26% da geração anterior compartilha dessa opinião. A homossexualidade tende a diminuir seu status de tabu dentro da família. 52% afirma que aceitaria tranquilamente ter um filho gay. Apenas 33% do grupo anterior concorda com isso.

Tendências para a próxima década

A pesquisa do Data Popular concluiu que, para 2022, a internet e o celular tendem a ser cada vez mais utilizados para a realização de compras, denúncia das relações de consumo e dos serviços do Estado. Outra tendência é a de que esses jovens saibam poupar mais, influenciados pelo passado de dificuldades financeiras vivido pelos pais.

Os protagonistas de 2022 também tendem a consolidar mudanças no papel do casal dentro do lar. Cada vez mais será esperado que o homem seja mais participativo nas tarefas domésticas e presente nas relações familiares do que no passado. Ainda, será uma geração que valorizará ainda mais a conquista pelo esforço próprio, a meritocracia e o empreendedorismo. O Estado, por sua vez, será cada vez mais visto como regulador do setor privado e o novo cidadão consumidor exigirá cada vez mais e com menos impostos.

Seis em cada dez brasileiros da classe média acreditam que a vida melhorou nos últimos anos. E 81% apostam que em 2013 essa tendência deve continuar.

O “mensalão” tucano

Mino Carta

A mídia nativa entende que o processo do “mensalão” petista provou finalmente que a Justiça brasileira tarda, mas não falha. Tarda, sim, e a tal ponto que conseguiu antecipar o julgamento de José Dirceu e companhia a um escândalo bem anterior e de complexidade e gravidade bastante maiores. Falemos então daquilo que poderíamos definir genericamente como “mensalão” tucano. Trata-se de um compromisso de CartaCapital insistir para que, se for verdadeira a inauguração de um tempo novo e justo, também o pássaro incapaz de voar compareça ao banco dos réus.

A privataria. Não adianta denunciar os graúdos: a mídia nativa cuida de acobertá-los

Réu mais esperto, matreiro, duradouro. A tigrada atuou impune por uma temporada apinhada de oportunidades excelentes. Quem quiser puxar pela memória em uma sociedade deliberadamente desmemoriada, pode desatar o entrecho a partir do propósito exposto por Serjão Motta de assegurar o poder ao tucanato por 20 anos. Pelo menos. Cabem com folga no enredo desde a compra dos votos para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, até a fase das grandes privatizações na segunda metade da década de 90, bem como a fraude do Banestado, desenrolada entre 1996 e 2002.

Um best seller intitulado A Privataria Tucana expõe em detalhes, e com provas irrefutáveis, o processo criminoso da desestatização da telefonia e da energia elétrica. Letra morta o livro, publicado em 2011, e sem resultado a denúncia, feita muito antes, por CartaCapital, edição de 25 de novembro de 1998. Tivemos acesso então a grampos executados no BNDES, e logo nas capas estampávamos as frases de alguns envolvidos no episódio. Um exemplo apenas. Dizia Luiz Carlos Mendonça de Barros, presidente do banco, para André Lara Rezende: “Temos de fazer os italianos na marra, que estão com o Opportunity. Fala pro Pio (Borges) que vamos fechar daquele jeito que só nós sabemos fazer”.

Afirmavam os protagonistas do episódio que, caso fosse preciso para alcançar o resultado desejado, valeria usar “a bomba atômica”, ou seja, FHC, transformado em arma letal. Veja e Época foram o antídoto à nossa capa, divulgaram uma versão, editada no Planalto e bondosamente fornecida pelo ministro José Serra e pelo secretário da Presidência Eduardo Jorge. O arco-da-velha ficou rubro de vergonha, aposentadas as demais cores das quais costuma se servir.

Ah, o Opportunity de Daniel Dantas, sempre ele, onipresente, generoso na disposição de financiar a todos, sem contar a de enganar os tais italianos. Como não observar o perene envolvimento desse monumental vilão tão premiado por inúmeros privilégios? Várias perguntas temperam o guisado. Por que nunca foi aberto pelo mesmo Supremo que agora louvamos o disco rígido do Opportunity sequestrado pela PF por ocasião da Operação Chacal? Por que adernou miseravelmente a Operação Satiagraha? E por que Romeu Tuma Jr. saiu da Secretaria do Ministério da Justiça na gestão de  Tarso Genro? Tuma saberia demais? Nunca esquecerei uma frase que ouvi de Paulo Lacerda, quando diretor da PF, fim de 2005: “Se abrirem o disco rígido do Opportunity, a República acaba”. Qual República? A do Brasil, da nação brasileira? Ou de uma minoria dita impropriamente elite?

Daniel Dantas é poliédrico, polivalente, universal. E eis que está por trás de Marcos Valério, personagem central de dois “mensalões”. Nesta edição, Leandro Fortes tece a reportagem de capa em torno de Valério, figura que nem Hollywood conseguiria excogitar para um policial noir. Sua característica principal é a de se prestar a qualquer jogo desde que garanta retorno condizente. Vocação de sicário qualificado, servo de amos eventualmente díspares, Arlequim feroz pronto à pirueta mais sinistra. Não se surpreendam os leitores se a mídia nativa ainda lhe proporcionar um papel a favor da intriga falaciosa, da armação funesta, para o mal do País.

Pois é, hora do dilema. Ou há uma mudança positiva em andamento ou tudo não passa de palavras, palavras, palavras. Ao vento. É hora da Justiça? Prove-se, de direito e de fato. E me permito perguntar, in extremis: como vai acabar a CPI do Cachoeira? E qual será o destino de quem se mancomunou com o contraventor a fim de executar tarefas pretensamente jornalísticas, como a Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Jr., uma revista e um profissional que desonram o jornalismo.

Bispos ajudaram Romney a… perder

A opinião é de Massimo Faggioli, doutor em história da religião e professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minneapolis-St. Paul, nos EUA.

 


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Onde os católicos norte-americanos podiam fazer a diferença – Flórida, Pensilvânia, Wisconsin, Ohio –, eles escolheram Obama, embora a maioria dos católicos brancos tenha se inclinado por Romney e os não brancos por Obama.

A nomeação de um candidato à vice-presidência visivelmente católico da nova leva dos “valores inegociáveis” como Paul Ryan ajudou Romney exatamente como os bispos o ajudaram: ajudaram Romney a perder. A Conferência Episcopal norte-americana lançara justamente nessa terça-feira, no dia do election day, um novo site dedicado à proteção da liberdade religiosa nos Estados Unidos…

Tanto o Partido Republicano quanto os bispos norte-americanos visaram a uma ideologia social que ignora a realidade social e a demografia dos Estados Unidos do século XXI. A contaminação entre republicanos e a ideologia anarcoindividualista do Tea Party produziu uma reação que levou a um repentino revival do Catholic social thought, que falou aos indecisos e aos centristas muito mais do que o extremismo da retórica anti-Obama (muitas vezes beirando o racismo).

Dos resultados eleitorais da noite do dai 6 de novembro, poderia parecer que os Estados Unidos reelegeram um candidato apontado pela hierarquia católica norte-americana como a maior ameaça à liberdade religiosa dos católicos. A partir de amanhã, os bispos norte-americanos recomeçarão do zero: para reconquistar a política norte-americana e para recomeçar a falar com a sua Igreja.

Massimo Faggioli, artigo foi publicado no jornal Europa, 07-11-2012.