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Da pandemia à empatia.

2020 já terminou! Um alívio… Um ano tão rápido que demorou tanto a passar. Parecia que não acabava mais. A tradicional contagem regressiva dos 10 segundos finais foi antecedida pela contagem dos últimos dias, das últimas semanas, dos últimos meses. Todos desejávamos que passasse logo. E passou. Estamos em 2021. Um ano novo cheio de otimismo e sonhos.

Esperança de tempos novos que foi alentada pela chegada das vacinas que prometem a superação da pandemia. Alguns países já começaram a imunizar sua população. O Brasil ainda não. A cadeira presidencial está sendo ocupada por um ser que afirma “não estar nem aí” com os 200 mil brasileiros mortos em consequência da Covid19. Esse ser do qual declino pronunciar o nome e a equipe de tanatófilos que o rodeiam, não se sente nem um pouco afligido pela dor daqueles e daquelas que perderam seus familiares e dos milhões de brasileiros e brasileiras que vivem a angústia da proximidade da morte e das consequências da crise econômica que, há de se dizer, não tem na pandemia sua única causa. A pandemia apenas veio potencializar o projeto de morte da elite de sempre que, para mantê-lo, precisa dos tradicionais cães de guarda verde-oliva que arreganham suas garras e dentes a cada vez que a maioria pobre da população ousa alçar a cabeça e reivindicar o direito à vida e à dignidade mínima que nos faz humanos.

Projeto de morte que se expressa na maior desigualdade econômica do mundo, na fascistização da política, na violência grotesca contra tudo o que nos faz plurais (diferenças culturais, de raça, sexo, gênero, idade, lugar de moradia, religião…) e na destruição da Casa Comum. Estas expressões e outras tantas que poderíamos elencar, tem sua raiz no pecado original da sociedade brasileira: o elitismo individualista. É a ideia de “cada um por si” e “salve-se quem puder” que veio junto com as naus de Colombo e Cabral e se constituiu como eixo articulador das relações sociais. “Pecado original” expresso de forma grotesca e criminosa no ocupante da cadeira presidencial que diz não temer a Covid19 por ter “histórico de atleta”. E os milhões de brasileiros e brasileiras que não tiveram a oportunidade de serem aposentados aos 33 anos por insanidade e, durante 28 anos de mandato parlamentar improdutivo, ter o tempo e os recursos para desenvolver um “histórico de atleta”? “Esses podem morrer”, pensa o carregador da faixa presidencial.

Mas também é expressão do elitismo individualista o comportamento daqueles que, em plena pandemia, promovem e participam em festas e aglomerações de todo o tipo onde, além do risco de infectar-se a si mesmos, criam a ocasião para que outros o sejam. Eles pensam e dizem: “se eu me infectar, o problema é meu!” Só pensam em si mesmos. Não se preocupam com as consequências de seu comportamento para a sociedade. Pior: sequer são capazes de imaginar o que seja “viver em sociedade”. Foram ensinados que existe “o povão, a ralé, a chusma, a gentalha”, da qual eles não fazem parte. Eles são ou imaginam ser um outro Brasil. O Brasil que vive em Miami, em Nova Iorque, em Paris ou Londres. Uns residem fisicamente lá. Outros vivem aqui como se lá estivessem.

Para superar o caos sanitário a vacina certamente ajudará. É preciso que ela chegue a todos e o mais pronto possível. Mas só sairemos melhores desta se formos capazes de controlar o vírus do individualismo elitista que assola, há séculos, essa terra chamada Brasil. É preciso que apliquemos em cada um de nós e em cada relação social, da mais próxima até as mais complexas, o sentimento de empatia e de solidariedade. Sentir cada brasileiro e brasileira como um ser humano de plenos direitos – independente das diferenças e das “comorbidades” – e mover-nos e estender a mão para que todos vivam.

Então, sim, a passagem de ano não será apenas um marco no calendário. Será possível passar do ano da pandemia ao ano da empatia e preparar um 2022 de muitas aglomerações. E torcer para que 2021 passe rápido!

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Harakiri


 Em japonês, seu nome é Seppuku. No Ocidente, tornou-se conhecido como haraquiri. Em qualquer uma das versões, literalmente, significa “cortar o ventre”. As primeiras informações de sua existência remontam ao século XII. No século XIX, foi proibido. Reservado aos samurais, o ritual surgiu primeiramente como prova de lealdade, mesmo na morte, do samurai ao seu senhor. Com o tempo, passou a ser executado como forma de resgatar a nobreza de um samurai que traíra ao seu senhor ou infringira o código de honra dos guerreiros.
O harikiri era uma cerimônia pública. Após ter obtido autorização de seu senhor, o samurai, devidamente trajado, ajoelhava e, tomando sua espada ou punhal, realiza primeiro o kiru, um corte horizonte, abaixo do umbigo (em japonês, hara), da esquerda para a direita. Em seguida, se lhe restavam foças, fazia outro corte no sentido vertical, de baixo para cima. As vísceras deviam ser versadas para fora para provar a honradez. Feito isso, entrava em ação o kaishakinin que, num golpe de misericórdia, realizava a decapitação final.
Mesmo identificada com a cultura oriental, a prática de tirar a própria vida como um modo de ter morte digna, foi comum também na Roma antiga. Chefes militares e soldados, na iminência de serem aprisionados pelos inimigos, optavam por cravar a espada em si mesmos. Como nos atesta a Bíblia no livro dos Atos dos Apóstolos, qualquer funcionário público que falhasse no cumprimento do seu dever, salvava sua honra tirando a própria vida (At 16, 25-28). Mas o ato era mais habitual entre os funcionários mais graduados. Foi o caso do general Quintílio Varo ao ser derrotado pelos germanos. Sentindo-se culpado por não ter sabido conduzir seus soldados, cravou a espada no peito. O mesmo foi feito por Marco Antônio, aquele que se tornou famoso por ser amante de Cleópatra. Nero, sem coragem para tal ato, pediu a um soldado que lhe cravasse a espada no coração.
Mas o método mais utilizado em Roma para morrer com dignidade era o corte nos pulsos. A história nos atesta que foi grande o número de políticos romanos que, metidos em intrigas e falcatruas, recorriam a esta prática. No fim do período de Tibério, parte significativa do Senado romano fez correr o sangue das próprias veias. Estavam todos com a honra comprometida e, para fugir à prisão e castigo, preferiram sair desta vida por própria iniciativa e assim resgatar a dignidade, mesmo que fosse depois da morte. Segundo o historiador Tácito, “por medo do carrasco preferiam morrer assim, e também porque, aos condenados, recusava-se sepultura e os bens eram confiscados, enquanto que aos que tiravam a própria vida respeitava-se o testamento e dava-se sepultura ao corpo, como recompensa”. Entre os que optaram por essa saída encontram-se os famosos Sêneca, professor de Nero, e o escritor Petrônio.

Tripas saltando para fora do ventre, espada cravada no coração, sangue jorrando dos pulsos… Cenas que, certamente, não são mais necessárias e nem desejáveis na nossa sociedade moderna e civilizada que rejeita a violência. No lugar delas, sugerimos o simples, singelo e incruento sincericídio. Se alguma noção de honra resta aos homens públicos neste momento de crise nacional, poder-se-ia apenas exigir-lhes que admitam seus crimes, deixem a vida pública, devolvam o dinheiro roubado e, num gesto de grandeza, nunca mais a ela voltem. E isso, de livre e espontânea vontade para que as mãos das vítimas não se sintam tentadas a sujar-se para fazer justiça.

Grupo ‘sem religião’ cresce especialmente entre jovens e se torna desafio a igreja

REINALDO JOSÉ LOPES, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Quando desembarcar no Rio de Janeiro em julho deste ano para participar da Jornada Mundial da Juventude, principal evento internacional da Igreja Católica voltado para o público jovem, o papa Francisco talvez se sinta um tanto deslocado. E não apenas pela forte presença de evangélicos no Rio (uns 25% da população do Estado), mas também porque a periferia carioca é um dos lugares do país onde há mais gente que diz não ter religião.

As periferias de cidades como Recife, Salvador e São Paulo também abrigam um contingente de não religiosos superior à média nacional, de acordo com estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas).

A orientação não religiosa está se tornando cada vez mais comum entre os jovens, o que leva especialistas a apontar o fato como um desafio tão ou mais importante que o avanço evangélico para o catolicismo.

“O movimento mais preocupante para a igreja não é o de quem muda de religião, mas o de quem simplesmente não se interessa por ela”, diz Dario Rivera, professor da Universidade Metodista de São Paulo que coordena o grupo de pesquisa Religião e Periferia na América Latina.

“O que nós estamos vendo é que, nos mesmos bairros de baixa renda onde há uma proliferação de igrejas pentecostais [evangélicas], uma quase colada na outra, há muita gente que diz não ter religião”, conta.

São lugares aparentemente improváveis, como bairros rurais de Juiz de Fora (MG), a favela do Areião, em São Bernardo do Campo, e os pontos mais pobres do bairro de Perus, na capital paulista.

Improváveis, isto é, quando se assume a equação entre baixa renda e alta religiosidade.

“A verdade é que essa é uma hipótese consensual que nunca foi testada”, declara Rivera. Para o pesquisador, essas comunidades de baixa renda têm uma relação muito pragmática com a religião, escolhendo a igreja que lhes oferece assistência ou, no caso das mulheres, o culto onde podem achar um marido “direito”, por exemplo. Resolvidos esses problemas, a frequência religiosa não é mais necessária.

“TOTALFLEX”

Desse ponto de vista, a flexibilidade das igrejas evangélicas acaba fazendo com que elas abocanhem mais ovelhas desgarradas do rebanho católico, diz André Ricardo de Souza, professor do Departamento de Sociologia da UFScar (Universidade Federal de São Carlos).

“Além do discurso mais objetivo, como o uso de slogans do tipo ‘aqui o milagre acontece’, essas igrejas estão abertas todos os dias da semana, praticamente o dia todo. Você entra e resolve seu problema, enquanto a igreja católica da paróquia passa a maior parte do tempo fechada”, afirma o pesquisador.

Segundo Rivera, os sem religião nas comunidades pobres também se explicam pela revolução nos costumes: grande liberdade sexual, uniões provisórias e outros elementos que não batem com a moralidade religiosa tradicional.

A situação do Brasil é única por combinar um grande avanço dos evangélicos com o dos sem religião. No caso dos evangélicos, o fenômeno também é importante no Chile e na Guatemala, mas em menor grau, diz Rivera. Já os não religiosos têm representação expressiva na Argentina (11%) e no Chile (8,3%).

A questão levantada por quase todo mundo, claro, é que diferença um papa latino-americano pode fazer nesse cenário. “É claro que um papa latino-americano tem um impacto. Não digo que reverta o aumento dos evangélicos, mas talvez faça o ritmo diminuir”, afirma Souza.

Rivera é mais pessimista. “Podem até acontecer mudanças na liturgia [nos rituais]. Mas o problema é que nada no perfil do papa Francisco indica que ele mudará a relação da igreja com a modernidade, e esse que é o grande problema.”

Brasil melhora IDH, mas cai uma posição

Da BBC

O Brasil melhorou o seu desempenho no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) de 2012, mas perdeu uma posição no ranking. Segundo o relatório A Ascensão do Sul: Progresso Humano em um Mundo Diverso (em tradução do inglês), divulgado nesta quinta-feira 13, o Brasil foi da 84ª colocação em 2011, para a 85ª no ano passado. Mesmo assim, registrou um índice de 0,730, ante os 0,728 do período anterior. Quanto mais próxima do 1, melhor a nota.

Foto: Christophe Simon/AFP

Mesmo melhorando o IDH, Brasil perde uma posição no ranking de desenvolvimento humano da ONU. Foto: Christophe Simon/AFP

A Noruega se manteve no topo da lista com 0,955, seguida por Austrália (0,938), Estados Unidos (0,937), Holanda (0,921) e Alemanha (0,920). Entre os 186 países analisados, o Brasil aparece no grupo daqueles com IDH elevado, abaixo dos com índice muito elevado. Há ainda dois outros níveis, com os países classificados como de IDH médio e baixo.

O estudo do Pnud, que mede os avanços nacionais em saúde, educação e renda, indica que o mundo está menos desigual devido aos avanços significativos na maioria dos países do Hemisfério Sul nos últimos 20 anos, principalmente em locais de nível médio e baixo de IDH.

Neste quadro, o relatório procura analisar mais de 40 países em desenvolvimento que alcançaram rápidos ganhos em IDH nos últimos anos ao investirem em educação, saúde, serviços sociais e comprometimento estratégico com a economia global. Segundo o estudo, 14 países registraram ganhos de mais de 2% anualmente no IDH desde 2000, entre eles o Afeganistão, Serra Leoa, Angola, Níger e República Democrática do Congo.

Na lanterna do ranking, está o Níger (0,304), afetado por uma intensa seca. Em penúltimo lugar aparece a República Democrática do Congo (0,304), em conflito interno. Ainda assim, esses países tiveram melhoras em seus resultados na comparação com 2011.

O país com a melhor classificação na América do Sul é o Chile (0,819) na 40ª posição, o único do continente no grupo das nações com nível de desenvolvimento humano muito elevado. O Brasil também está bem atrás da Argentina (0,811), em 45º lugar, do Uruguai (0,792), em 51º, da Venezuela (0,748), em 71º, e do Peru (0,741), em 77º.

Desigualdades internas fazem vários países perderem pontos

O Pnud também calculou um ranking com o IDH ajustado pelas desigualdades internas em saúde, educação e renda. Os números mostram que a desigualdade entre os países pode estar caindo, mas dentro deles cresce em diversos lugares.

Levando em contas estes fatores, alguns dos países mais ricos do mundo caem diversas posições. Noruega e Austrália perdem pontos, mas se mantém em 1º e 2º lugares, respectivamente. Já os Estados Unidos despenca do 3º lugar para o 16º, porque, embora tenha um IDH geral de 0,937, a comunidade latina tem um nível de 0,750 e os negros, 0,700. Outros que caem na lista são o Canadá (de 11º para 15º), Coreia do Sul (de 12º para 28º) e Israel (de 16º para 24º).

O Brasil perde 12 posições com os critérios do IDH ajustado, deixando a 85º para 97º. Com isso, o país perde o status de desenvolvimento humano elevado e passa para médio. Entre os países que sobem neste ranking estão a Suécia, que vai do 7º para o 4º lugar, a Islândia (de 13º para 10º) e a Dinamarca (de 15º para 12º).

Com o IDH ajustado pela desigualdade em 132 países em 2012, 23% do IDH é perdido pela desigualdade. Entre 1990 e 2005, esse mesmo índice para 66 países mostra que a desigualdade geral caiu apenas de forma marginal, porque a diminuição da desigualdade em saúde e educação foi superada pelo aumento da desigualdade de renda. A América Latina, em contraste com o restante do mundo, tem visto a desigualdade de renda cair desde 2000. Mas ainda tem a mais desigual distribuição do mundo.

Desigualdade de gênero

Segundo o Pnud, a Holanda tomou a ponta da Suécia como o país com a menor desigualdade de gênero, com um índice de 0,045. O estudo considera dados oficiais sobre saúde reprodutiva, poder das mulheres e participação no mercado de trabalho. Quanto mais próximo de zero, melhor. Logo atrás da Holanda vêm a Suécia (0,055) e a Suíça (0,057).

O Brasil aparece na 85ª posição, com 0,447. Um nível quase dez vezes maior que o do primeiro colocado na lista. A situação brasileira, porém, é intermediária entre os 148 países com dados disponíveis sobre o tema. As regiões com maior desigualdade são a África Subsaariana, Sul da Ásia e os Estados árabes. Nas últimas posições estão Iêmen (0,747), em 148º, o Afeganistão (0,712), em 147º, a Índia (0,610), em 132º, e o Egito (0,590), em 126º.

Extrema pobreza

O estudo também apontou que a primeira meta do Milênio da ONU, a redução pela metade da proporção de pessoas vivendo com menos de 1,25 dólares por dia relativa, foi atingida três anos antes do esperado. Algo que ocorreu em função, principalmente, do sucesso de países populosos em erradicar a pobreza extrema. “Brasil, China e Índia diminuíram dramaticamente a proporção de seus cidadãos pobres. O Brasil foi de 17,2% da população em 1990 para 6,1% em 2009; a China de 60,2% para 13,1% em 2008; a Índia de 49,4% para 32,7% em 2010”, destaca o texto.

O resultado, no entanto, é ofuscado pelo número de pessoas vivendo em pobreza multidimensional: cerca de 1,56 bilhão de pessoas, mais de 30% da população dos 104 países analisados para este índice. Um valor maior que as cerca de 1,14 bilhão de pessoas vivendo com menos de 1,25 dólares por dia, embora abaixo da proporção daqueles que têm menos de 2 dólares por dia.

A pobreza multidimensional é calculada por meio de fatores a nível familiar, como alfabetização adulta, matriculas escolares infantis, mortalidade infantil, acesso à agua limpa, eletricidade e saneamento básico, assim como bens familiares básicos e construção de casa, que juntos fornecem um retrato mais amplo da pobreza que as medidas por renda.

Os países com maior índice estão todos na África: Etiópia (87%), Libéria (84%) e Moçambique (79%) são os que mais têm pobres multidimensionais. Ainda assim, o maior número absoluto de pobres multidimensionais está no sul da Ásia, sendo 612 milhões deles indianos.

Ditadura violou direitos de 50 mil pessoas, diz Comissão da Verdade

Ilda Martins da Silva, viúva de Virgílio Gomes da Silva, participa de audiência da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo sobre o caso do operário militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN) preso em 29 de setembro de 1969, em São Paulo, por agentes da Operação Bandeirantes (Oban) e que desapareceu dentro das dependências do DOI-Codi. Foto: Marcelo Camargo/ABr

Ilda Martins da Silva, viúva de Virgílio Gomes da Silva, participa de audiência da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo sobre o caso do operário militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN) preso em 29 de setembro de 1969, em São Paulo, por agentes da Operação Bandeirantes (Oban) e que desapareceu dentro das dependências do DOI-Codi. Foto: Marcelo Camargo/ABr

Os levantamentos feitos pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) estimam que 50 mil pessoas foram, de alguma forma, afetadas e tiveram direitos violados pela repressão durante a ditadura militar. O número inclui presos, exilados, torturados, mas também familiares que perderam algum parente nas ações durante o período de 1964 a 1985, além de pessoas que sofreram algum tipo de perseguição.

A CNV reuniu na segunda-feira 25 representantes de comissões estaduais e de várias instituições para apresentar um balanço dos trabalhos feitos e assinar termos de cooperação com quatro organizações.

A CNV assinou termos de cooperação com a Associação Nacional de História (Anpuh), com o Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito (Conpedi), com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e com o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro. “Estamos compartilhando nossa metodologia, nossa estratégia com uma ampla gama de comissões da verdade já criadas, algumas em criação e outros grupos que estão em processo de criação de suas comissões”, disse o coordenador da CNV, Paulo Sérgio Pinheiro.

Pinheiro disse que os convênios assinados firmam parcerias de colaboração e troca de informações. “São acordos de cooperação e basicamente põem à serviço dessas instituições nossas competências, como por exemplo, o acesso aos arquivos e eventuais convocações para depoimentos,” disse.

Recentemente, a Comissão Nacional da Verdade recebeu da Petrobras mais de 400 rolos de microfilmes, além de microfichas e documentos textuais. O material, de acordo com a CNV, ajudará a entender como o regime militar monitorava os trabalhadores da empresa.

O coordenador da CNV estima que até o momento a comissão examinou “por baixo” cerca de 30 milhões de páginas de documentos e que fez centenas de entrevistas. Pinheiro disse que, em função do volume de informações, a CNV deve continuar pesquisando até o final de 2013, quando a comissão deverá ter o esqueleto do relatório final em mãos. “O relatório tem que estar nas mãos da presidenta da República até dia 16 de maio. Em princípio, acordamos entre nós que até dezembro a grande minuta do relatório tem que estar pronta”, disse.

50 anos de Teologia da Libertação

Nesta próxima terça-feira, 26 de fevereiro, o Curso de Teologia estará realizando sua Aula Inaugual com o tema “50 anos de Teologia da Libertação – reflexões a partir do Congresso Continental de Teologia”.Juntamente com a Profa. Ana Formoso, estarei ajudando a dinamizar o encontro. Para guiar a reflexão, preparei algumas apresentações que compartilho com vocês.
Para acessá-las, basta clicar no ling  50 anos da Teologia da Libertação

História da Igreja: o desafio do método e da periodização

Apesentamos abaixo dois textos de dois eminentes historiadores da Igreja, o argentino Enrique Dussel e o brasileiro José Oscar Beozzo, que discutem a questão do método e da periodização da História da Igreja na América Latina. A discussão é fundamental pois, como em toda ciência, o método é determinante para o resultado da pesquisa. Encontramos sempre o que procuramos e com as ferramentas que procuramos.

Texto de J. O. Beozzo: historiadaigrejametodobeozzo

Texto de E. Dussel: historiadaigrejametododussel

Sobre a periodização também podem ser encontrados interessantes textos na Revista Eclesiástica Brasileira (REB) de 1973 nos números 129 e 132.

Apesar de ação afirmativa, só 2,6% dos novos diplomatas são negros

Da BBC Brasil em Brasília

Estátua em homenagem a Zumbi dos Palmares: só 2,6% dos diplomatas brasileiros são negros

Adotado há dez anos para tentar aumentar a diversidade étnica dos diplomatas brasileiros, o programa de ação afirmativa do Ministério de Relações Exteriores não conseguiu pôr fim ao desequilíbrio entre negros e brancos no órgão.

Dentre todos os 741 diplomatas que ingressaram na carreira desde 2002, quando a política começou a ser implantada, somente 19 (ou 2,6%) são negros que se beneficiaram das bolsas concedidas pelo programa.

O Itamaraty diz não saber qual a composição racial de seus 1.405 diplomatas. Até 2010, o órgão nunca havia tido um diplomata de carreira negro no cargo de embaixador, o mais alto posto na hierarquia do ministério.O programa concede bolsas anuais para que candidatos “afrodescendentes (negros)”, conforme a definição do ministério, se preparem para o concurso público para o Instituto Rio Branco, que forma os diplomatas brasileiros.

Nos últimos dez anos, foram distribuídas 451 bolsas a 268 candidatos, dos quais a maioria recebeu o benefício mais de uma vez.

Bolsas anuais

Única política de ação afirmativa racial na administração pública federal, o programa do Itamaraty foi idealizado durante o governo FHC (1995-2002). Ao defender a medida, o então presidente afirmou que “precisamos ter um conjunto de diplomatas – temos poucos – que seja o reflexo da nossa sociedade, que é multicolorida e não tem cabimento que ela seja representada pelo mundo afora como se fosse uma sociedade branca, porque não é”.

Os beneficiados são escolhidos após uma série de provas e uma entrevista. Nela, apresentam-se a uma banca que inclui representantes da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e da Fundação Palmares – a etapa visa evitar que não negros obtenham a bolsa.

Cada bolsista ganha anualmente R$ 25 mil. Ao menos 70% do valor deve ser empregado na compra de livros, pagamento de cursos preparatórios e professores particulares.

O ingresso na carreira diplomática é um dos concursos mais concorridos do país e oferece uma das carreiras públicas com salário inicial mais elevado, de R$ 12.962,12.

‘Fracasso absoluto’

Para José Jorge de Carvalho, professor de antropologia da Universidade de Brasília e especialista em políticas afirmativas, os resultados do programa do Itamaraty revelam “um fracasso absoluto”.

“O número de aprovados talvez pudesse ser alcançado mesmo sem a medida”, diz ele à BBC Brasil. “Nesse ritmo, em 100 anos não mudaremos a composição racial do Itamaraty”.

Para reverter o quadro, Carvalho defende que o órgão imponha uma cota de, no mínimo, 20% de vagas para candidatos negros.

Atualmente, conforme determina a legislação para concursos públicos, o órgão já aplica cotas para deficientes físicos (5% das vagas).

Segundo o professor, a adoção de cotas raciais no Itamaraty estimularia uma maior procura do concurso por negros. “Hoje muitos estão convencidos de que o Itamaraty não é para eles.”

Já para o diplomata Márcio Rebouças, coordenador do Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco, a iniciativa mudou a percepção de que o Itamaraty é um órgão elitista.

“Se num passado longínquo isso foi verdade, não é mais”, afirma. “Hoje o ministério valoriza a diversidade étnica, regional e acadêmica dos seus quadros”, acrescenta.

Para ele, o número de aprovados pelo programa “poderia ser maior, mas isso não é uma de suas funções imediatas”.

Rebouças faz uma avaliação “muito positiva” da medida. Ele diz que todos os bolsistas aprovados se integraram bem na carreira e que alguns já se encontram em posição de destaque no ministério.

Antonio Patriota / ReutersÓrgão comandado por Antonio Patriota (acima) ainda carece de diversidade étnica

Além disso, ele diz crer que os candidatos negros que ingressaram no ministério desde a implantação da política afirmativa não se restringem aos bolsistas. “Nem todos os aprovados usaram a bolsa”, afirma. “As turmas são muito misturadas, são um espelho do Brasil”, acrescenta.

O diplomata cita ainda um “efeito colateral” da política que considera positivo: “Uma grande quantidade de pessoas que participam do programa não consegue passar, mas termina conseguindo outros cargos públicos, em parte em razão da bolsa”.

Reserva de vagas

Desde 2011, o Itamaraty incorporou outra ação afirmativa à seleção de diplomatas. O órgão passou a aprovar, para a segunda fase da prova, 10% a mais de candidatos em grupo integrado exclusivamente por bolsistas negros.

O contingente não inclui candidatos negros (bolsistas ou não) que obtenham pontuação suficiente para passar à segunda fase dentro da lista geral.

A reserva de vagas na seleção não garante a classificação dos candidatos. Depois da primeira fase, as notas são zeradas, e a seleção segue com provas de português, geografia, história, política internacional, direito, economia, inglês e uma segunda língua (espanhol ou francês).

O novo procedimento não elevou o número de candidatos negros aprovados. Em 2011, apenas um bolsista foi selecionado; em 2012, dois. Os três, porém, teriam se classificado independentemente da reserva de vagas, já que passaram à segunda fase na lista geral.

Desde que a ação afirmativa foi adotada na seleção do Itamaraty, 2009 foi o ano em que mais bolsistas se classificaram, com quatro selecionados. Em 2005, nenhum ingressou.

O número de vagas em cada concurso variou bastante no período. O ano de 2002 teve a menor oferta de postos, com 30. Entre 2006 e 2010, foram criadas 105 vagas, número que saltou para 108 em 2011. Desde então, foram 26 vagas em 2011 e 30 neste ano.

Nos próximos anos, espera-se que a quantidade de vagas volte a crescer, já que o Senado aprovou a criação de 400 novos cargos de diplomata no Itamaraty. A decisão visa responder à crescente presença diplomática do Brasil no exterior, acompanhada pela abertura de dezenas de embaixadas brasileiras nos últimos anos.

Segundo o Censo de 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 7,6% dos brasileiros se consideram pretos, e 43,1%, pardos.

Negros são maioria da classe média ascendente

A classe média já corresponde a 52% da população brasileira. São 104 milhões de pessoas – o equivalente ao total de indivíduos que vivem Alemanha – que, juntas, terão movimentado, até o fim de 2012, cerca de 665 bilhões de reais, uma renda superior ao PIB de países como a Suíça ou Portugal.

De acordo com pesquisa divulgada pelo instituto, a nova geração vai movimentar a maior parte da renda dessa classe em 2022 Foto: Agência Brasil

E dentro deste cenário, são os negros os principais protagonistas. De acordo com uma pesquisa divulgada na segunda-feira 12 pelo Instituto Data Popular, na última década, 75% dos que ascenderam socialmente a esta classe são negras. As mulheres também tiveram uma importância significativa nesse novo paradigma social. Nos últimos dez anos, a massa de renda delas cresceu 60% a mais do que a dos homens. Dos 737 bilhões de reais arrecadados pelo sexo feminino, 262 bilhões vieram das brasileiras que fazem parte da classe média.

Mas é a juventude que deve consolidar todas essas mudanças. Segundo o estudo, existem hoje no Brasil 42 milhões de jovens entre 18 e 30 anos, sendo que 55% deles se encontram na classe média. São pessoas que ajudam mais com as despesas da casa do que indivíduos da mesma faixa etária e que são da elite, por exemplo.

A pesquisa também mostra que é justamente essa nova geração que vai movimentar a maior parte da renda dessa classe em 2022. De acordo com o instituto, esse grupo também será mais escolarizado e com mais empregos que oferecem maior perspectiva de carreira do que a geração anterior.

Mais escolarizado, eles têm acesso a ocupações que exigem maior qualificação e, consequentemente, oferecem melhores salários. 82% dos jovens da classe média acreditam que a principal função da faculdade é melhorar o currículo. E eles também estão mais conectados (46% não conseguem imaginar a vida sem internet) e bem-informados (78% declaram que têm pleno conhecimento das notícias atuais).

Valores

A classe média acredita no voto como ferramenta de poder em relação ao Estado. 67% concordam que o voto pode melhorar a política brasileira. Apesar disso, mais da metade da classe média afirma que preferiria uma ditadura competente a uma democracia incompetente.

A percepção sobre “felicidade” de todas as gerações da classe média tem como fator condicionante a constituição de uma família. Também para os dois grupos, autonomia e realização pessoal são valores envolvidos no desejo de abrir um negócio: 56% da nova geração afirma que é “sempre melhor ter o próprio negócio do que trabalhar para os outros”.

As opiniões sobre aborto e pena de morte também não tendem a mudar se não houver mudança na legislação ou pauta na agenda pública. 83% dos jovens acreditam que “ninguém além de Deus tem o direito de tirar a vida de uma pessoa”. Contudo, mais da metade daqueles que participaram é a favor da pena de morte.

Mas a nova geração tende a ser mais tolerante para assuntos que já são pauta de legislação ou de políticas públicas. Metade dos jovens acredita que casais do mesmo sexo devem ter mesmos direitos de casais heterossexuais, enquanto apenas 26% da geração anterior compartilha dessa opinião. A homossexualidade tende a diminuir seu status de tabu dentro da família. 52% afirma que aceitaria tranquilamente ter um filho gay. Apenas 33% do grupo anterior concorda com isso.

Tendências para a próxima década

A pesquisa do Data Popular concluiu que, para 2022, a internet e o celular tendem a ser cada vez mais utilizados para a realização de compras, denúncia das relações de consumo e dos serviços do Estado. Outra tendência é a de que esses jovens saibam poupar mais, influenciados pelo passado de dificuldades financeiras vivido pelos pais.

Os protagonistas de 2022 também tendem a consolidar mudanças no papel do casal dentro do lar. Cada vez mais será esperado que o homem seja mais participativo nas tarefas domésticas e presente nas relações familiares do que no passado. Ainda, será uma geração que valorizará ainda mais a conquista pelo esforço próprio, a meritocracia e o empreendedorismo. O Estado, por sua vez, será cada vez mais visto como regulador do setor privado e o novo cidadão consumidor exigirá cada vez mais e com menos impostos.

Seis em cada dez brasileiros da classe média acreditam que a vida melhorou nos últimos anos. E 81% apostam que em 2013 essa tendência deve continuar.

Religiões de matriz africana exigem respeito aos seus credos – Notícias DomTotal

Religiões de matriz africana exigem respeito aos seus credos

 

Recife, 06 nov (SIR/G1) – Nesta segunda-feira (5), seguidores de religiões de matriz africana saíram em caminhada no Recife para pedir respeito à escolha religiosa de cada um.

Membros do candomblé, da umbanda e da jurema de vários terreiros de Pernambuco participaram do evento, que saiu da praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, e seguiu em direção ao Pátio do Carmo, no bairro de Santo de Antônio. A 6º Caminhada de Terreiros de Pernambuco faz a mobilização para lutar contra o preconceito religioso. “Essa luta vem desde o passado, quando aqui chegamos de África. A luta do povo negro é cotidiano. Estamos pedindo liberdade de expressão, de cultuar nossa religião. Esse momento é de mostrar à sociedade que as religiões do orixás vêm às ruas para mostrar sua beleza e o encanto das divindades”, comentou Marcos Pereira, organizador da caminhada.

De acordo com estimativas, só na Grande Recife existem mais de 2 mil terreiros de religiões de matriz africana.

Apesar dessa grande quantidade, os seguidores sofrem constantemente com a falta de respeito ao livre culto, sendo ameaçados e impedidos de cultuar seus deuses. “Na prática, principalmente em Pernambuco, a lei do silêncio vem calando nossos tambores”, lamentou Pereira. A caminhada desta segunda faz parte das comemorações pelo mês da consciência negra.