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Sobre Vanildo Luiz Zugno

Espaço para publicação de textos teológicos e áreas afins. Aberto a todos aqueles e aquelas que desejam compartilhar suas reflexões e experiências teológicas e religiosas.

São Jorge: da “purificação” ao diálogo inter-religioso.

Escrevo esta pequena e despretensiosa reflexão ainda com os pensamentos no acontecido em Porto Alegre, na Igreja São Jorge no Bairro Partenon, no último 23 de abril, data em que se celebra, no catolicismo, a Festa de São Jorge e, nas religiões de matriz africana, dia dedicado a Ogum.

Pela primeira vez, na Igreja São Jorge de Porto Alegre, após a última Missa da tarde, com a presença de dois bispos auxiliares da Arquidiocese e do Pároco Padre Sérgio Belmonte, a comunidade de batuque, liderada por Pai Ricardo de Oxum, fez a lavagem da escadaria do santuário. O ato teve ampla repercussão na mídia local e nacional com diferentes e até extremadas reações nas redes sociais. No momento da lavagem, quatro jovens ligados a movimentos neoconservadores católicos, tentaram, em vão, impedir o ato.

A prática de lavagem das escadarias das Igrejas por parte de praticantes de religiões de matriz africana é realizado em muitos outros lugares do Brasil. Em Salvador, em um determinado período, a autoridade eclesiástica vigente tentou impedir tal prática. Mas, com a mudança de autoridade, o bom senso voltou e a prática foi retomada.

Mas por que isso é tão significativo? Em primeiro lugar, por ser uma reparação histórica. A prática sincrética em que se mesclam as identidades de santos católicos e orixás, não foi uma opção para os homens e mulheres que foram trazidos à força de África para aqui serem escravizados. Além de negados em sua humanidade, eles foram negados em suas identidades culturais e religiosas. Proibidos de cultuar suas divindades – concebidas de modo diferente do que nós ocidentais e cristãos imaginamos o divino – na forma como o faziam em seu espaço original, tiveram que adaptar para poder sobreviver. O sincretismo que aqui se forjou foi forçado. E os que os obrigamos a ocultar seus orixás nas figuras de santos, não temos o direito hoje de impedir que continuem com essa prática.

Hoje, quando a liberdade religiosa, mesmo se ainda não plena, é, pelo menos, uma garantia legal, cabe a eles e elas optarem pela forma de realizar seu culto, mesmo sendo num espaço que nós, católicos, consideramos como nosso. Afinal, muitas das nossas igrejas foram construídas com o trabalho, suor, sangue e, em muitos casos, o dinheiro de escravizados e seus descendentes. É só estudar um pouco de História para saber disso!

Em segundo lugar, e para olhar desde o ângulo católico, porque esse ato demonstra uma profunda mudança no modo como a Igreja Católica Romana encara a realidade religiosa brasileira. Se olharmos a grande maioria dos documentos eclesiais, mesmo os mais progressistas como os Documentos das Conferencias de Medellín, de Puebla, de Santo Domingo e de Aparecida, quase sempre quando se fala do catolicismo popular se chama para a necessidade de “purificação”. Todos sabemos que, quando nos documentos eclesiais se fala em “catolicismo popular”, entende-se principalmente as formas sincréticas de expressão da fé. Aqui no Brasil, do cristianismo com as tradições de origem Africana. Nos outros países da América Latina, com as tradições dos povos originários do continente.

Nesse contexto, o que seria a “purificação”? Em curtas palavras, significa eliminar tudo o que é africano e indígena para que o catolicismo se torne “puro”, ou seja, “romano”. É o pressuposto não dito! Como se o catolicismo romano também não fosse fruto de sincretismo entre o cristianismo judaico e a cultura e as religiões romanas. Um pouco de história nos ajuda a perceber que, muitos dos símbolos, ritos e usos da Igreja Católica Romana (e de outras Igrejas cristãs também), devem muito mais do que pensamos à cultura e às religiões mediterrâneas dos primeiros séculos da nossa era.

Por terceiro, último e mais importante, o ato na Igreja São Jorge foi apresentado e feito como um ato inter-religioso. Padre Sérgio me contou oralmente o longo processo que foi chegar até essa composição. Pena não poder aqui transcrever tudo. A quem interessar possa, sugiro conversar pessoalmente com ele. Vale a pena ouvir o roteiro seguido que produziu essa linda e grande novidade em nossa Porto Alegre que reúne, ao lado de Salvador, o maior número de centros de religião africana do Brasil. Foi um longo e penoso processo de diálogo. Mas não podia ser diferente! Depois de quinhentos anos de negação, não seria fácil para muitos da comunidade católica reconhecer a legitimidade das religiões afro e tratar o culto a Ogum como tão autêntico ao de São Jorge.

Para alguns poucos católicos, como os quatro que se ajoelharam nas escadarias para tentar impedir o ato, foi algo demasiado e inconcebível. Para outros, talvez tenha sido pouco. Mas foi grande! O mútuo reconhecimento que vai além da pretensão de “purificar” ou, passo já maior, mas não ainda completo, de reconhecer a legitimidade da prática sincrética e chega ao reconhecimento da autenticidade da fé do outro e da disposição e da prática do diálogo, isso é grandeza teológica e maturidade na fé.

Nada de novo para os católicos que leram e assimilaram o Vaticano II e seu apelo à liberdade religiosa e ao reconhecimento da autenticidade das diversas religiões. Mas um passo grande dentro da história religiosa de Porto Alegre. Esperamos que, em outros momentos e em outros espaços religiosos onde convivem católicos romanos e praticantes de religiões de matriz africana, em cada lugar com suas peculiaridades, continuemos nesse belo caminho.

Que São Jorge, Santo Antônio, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora Aparecida, Ogum, Bará, Iemanjá e Oxum nos acompanhem a cada um no seu caminho próprio de fé!

Santa Catarina de Siena, rogai por nós!

Ela é doutora da Igreja e, ao lado de São Francisco de Assis, padroeira da Europa e, juntamente com São Bento, Cirilo e Metódio, Brígida da Suécia e Edith Stein, padroeira da Europa. Mesmo com todos estes títulos, não é das santas mais populares. Mas deveria ser, especialmente nestes tempos. Mas por quê, alguém já deve estar se perguntando.

Primeiro, porque foi uma figura fora do comum para seu tempo. E não pelo fato de ter vivido apenas 33 anos. No séc. XIV, na Europa, uma mulher que chegasse a essa idade era considerada velha! Se deixarmos de lado as edulcoradas narrativas de seus hagiógrafos sobre o seu desejo infantil de entregar-se total e plenamente apenas a Cristo e nos ativermos aos dados biográficos, encontraremos uma jovem mulher que se nega veementemente a aceitar um casamento imposto por seu pai. E o faz de uma forma inusitada para a época: ela se nega a comer até que seu pai desista de casá-la com o viúvo de sua irmã mais velha. Em outras palavras, ela evitou um casamento imposto utilizando como instrumento de protesto a greve de fome.

Para evitar definitivamente ter sua vida comandada por homens, conseguiu ser aceitar numa comunidade da Ordem Terceira Dominicana. Tais comunidades de “terceiras”, eram dos poucos espaços em que mulheres viúvas podiam ter uma vida autônoma sem serem subordinadas à família do falecido marido ou aos filhos. Mas Catarina não era viúva… Infringindo as regras, ela foi aceita. E aprendeu a ler e a escrever, o que era proibido para as mulheres de seu tempo. E foi além: não ficou reclusa no convento. Seguindo a tradição dominicana, saiu a pregar e a intervir, pessoal ou por cartas, nos grandes problemas de sua época: os conflitos entre as dezenas de repúblicas que disputavam o domínio da península – as duas mais importantes e em conflito mais exposto, Roma e Florença – e na grande crise que dividia a Europa: a mudança da sede da Igreja Católica de Roma para Avinhão, sob a tutela dos reis da França.

Não há consenso entre os historiadores sobre a real influência de Catarina para o fim do cisma que dividia a Igreja no Ocidente e no estabelecimento e reconhecimento de Urbano VI como único Patriarca do Ocidente com sede em Roma. Mas isso é de somenos importância. Afinal, a história não é feita por heróis ou heroínas como muitas vezes querem nos ensinar. O que muda a direção dos fatos é a ação de grupos organizados e Catarina de Sena fez parte daquele grupo de homens e mulheres que deram sua vida para restabelecer a unidade da Igreja.

Nestes tempos em que vemos tantos e tantas, em nome de uma suposta autêntica manutenção da tradição, levantar-se contra a autoridade do Papa Francisco, renegar ao Concílio Ecumênico e às Assembleias Sinodais, desprezar e renegar a autoridade das Conferências Episcopais e outras instâncias de Comunhão e Participação na Igreja, é bom lembrar o exemplo de Catarina de Sena e invocá-la em nossas orações para que ela nos inspire a continuar firmes no caminho da sinodalidade e de uma Igreja em saída. Ela não se conformou em ficar reclusa dentro das altas paredes muradas do convento. Saiu pelo mundo a anunciar e construir a Paz na qual tanto acreditava.

E, se isso não bastasse, ela é um exemplo das potencialidades femininas no seio da Igreja. Ela rompeu com os paradigmas sociais e eclesiais que relegavam a mulher à função de mãe. Utilizou a ferramenta cultural mais poderosa de sua época – a leitura e a escrita – para agir no espaço público da Igreja e da sociedade. Quando as mulheres – e os que nos sentimos solidários com elas – reivindicam participação plena no âmbito eclesial e político, precisamos lembrar e invocar Catarina de Sena que, em plena Idade Média, já apontava para toda a Igreja e para a sociedade este caminho possível para todos e todas.

Por isso, nada mais justo que, neste dia 29 de abril em que lembramos sua morte, peçamos que ela, desde a convivência divina, interceda por nós: Santa Catarina de Sena, rogai por nós!

OS NOVOS FLIBUSTEIROS

A palavra é pouco usada. Mas existe na Língua Portuguesa. Ela é usada para designar um tipo específico de pirata. Quando ouvimos a palavra pirata, logo vem à mente aquele aventureiro que arregimenta pessoas sem medo da morte e parte pelos mares para saquear navios espanhóis carregados de ouro e prata provenientes das colônias do Novo Mundo. É a imagem cinematográfica e literária. Eles, de fato, existiram. Não só no Atlântico do período colonial. Em todos os tempos, em todos os mares e em todos os lugares. Esse é o pirata genérico.

Existe um tipo específico de pirata. Trata-se do corsário. Eram os que agiam a mando de uma potência para roubar as riquezas de outra potência. Os mais conhecidos para nós brasileiros são os corsários franceses e ingleses que, periodicamente, tentavam se apropriar das riquezas da colônia portuguesa que um dia viria a se tornar Brasil. Suas incursões marítimas e terrestres no Maranhão e Rio de Janeiro ilustram esse modo de proceder.

Um segundo tipo específico de pirata é menos conhecido por nós. São os flibusteiros. A origem da palavra é incerta. Provavelmente provém de um tipo de navio rápido (fly boat em inglês ou vlieboot em neerlandês) utilizado por ingleses e holandeses. Mas os flibusteiros mais conhecidos não são nem ingleses nem holandeses. São norte-americanos. São verdadeiros exércitos armados informalmente pelo governo norte-americano ou por grandes empresas norte-americanas enviados à América Central e do Sul para desestabilizar os governos locais e colocar no poder governantes favoráveis a seus interesses.

A lista dos flibusteiros é longa. Cito aqui, por razões de brevidade, a penas o mais conhecido: William Walker. Assim como Elvis Presley, ele nasceu em Nashville, no Tenessee, no ano de 1824. Depois de uma fracassada tentativa de conquistar os territórios de Sonora e Baixa Califórnia no México, em 1855, dirigiu-se para a Nicarágua e tentou controlar a passagem então existente, através do Rio San Juan e do Lago de Cocibolca, entre o Atlântico e o Pacífico. Para tal, com ajuda de empresas norte-americanas e dos estados sulistas, derrubou o governo nicaraguense e instalou em seu lugar um novo Presidente e, em seguida, assumiu pessoalmente a presidência reinstalando a escravidão que havia sido abolida naquele país em 1824.

Os países vizinhos, Costa Rica e Honduras, sentindo a ameaça da presença de William Walker na Nicarágua, reagiram e, depois de várias batalhas que são consideradas a segunda independência daqueles países, conseguiram expulsar os flibusteiros e seu chefe foi finalmente fuzilado em Tegucigalpa no ano de 1860, aos 34 anos.

Por que trago essa história que a muitos parece irrelevante? É pela razão X. X de Ellon Musk, o flibusteiro do século XXI, o garoto mimado que assumiu publicamente ter financiado um golpe de estado na Bolívia em 2020 e que agora tenta desestabilizar o governo brasileiro não mais usando a força de barcos, cavalos e canhões, mas utilizando o poderia tecnológico de suas empresas de comunicação.

Os tempos passam. Os impérios mudam. As armas para manter a dominação são atualizadas. Mas o desejo de domínio sobre as colônias (antigas e novas), continua. Nenhum império admite que seus colonizados busquem a autonomia. É preciso estar atento a suas forças destruidoras e sedutoras para não cair em nova servidão. Esse é o X da questão.

Comer ou não comer?

Essa não é a questão! Com certeza, não. Se comer ou não comer, isso não faz diferença para a salvação. Estou falando da Quaresma, este tempo em que os cristãos se dedicam à penitência, à oração ao jejum e à caridade.

Vamos falar aqui apenas do jejum. E aí tem uma frase fantástica que é atribuída ao Papa Francisco. Talvez não seja dele. Não tenho como provar nem sim e nem não. Talvez seja apenas mais um dos tanto apócrifos a ele atribuídos que circulam por aí. Mas, se não for, bem que poderia ser dele, sim, essa frase: Comam o que quiserem na Páscoa, o sacrifício não está no estômago, mas no coração. Eles abstêm-se de comer carne, mas não falam com os irmãos ou familiares, não vão visitar os pais ou pesa-lhes atendê-los, não partilham a comida com os necessitados, proíbem os filhos de verem o pai, proíbem os avós de verem os netos, criticam a vida dos outros, espancam a mulher etc.. Um bom churrasco ou um guisado de carne não vai fazer de você uma pessoa ruim, assim como um filé de peixe vai fazer de você santo. Melhor procurarmos ter um relacionamento mais profundo com Deus através de um tratamento melhor ao próximo. Sejamos menos soberbos e mais humildes de coração.

Uma fala antológica, uma fala soteriológica, uma fala teológica que se fundamenta num grande profeta do Primeiro Testamento que nos provoca em nossa fé neste tempo quaresmal. Falo de Isaías quando, ao falar do jejum, assim diz o profeta diante daqueles que o questionavam por não jejuar: É porque no dia do vosso jejum tratais de negócios e oprimis os vossos empregados. É porque, ao mesmo tempo que jejuais, fazeis litígios e brigas e agressões impiedosas. Não façais jejum com esse espírito, se quereis que vosso pedido seja ouvido no céu. Acaso é esse jejum que aprecio, o dia em que uma pessoa se mortifica? Trata-se talvez de curvar a cabeça como junco, e de deitar-se em saco e sobre cinza? Acaso chamas a isso jejum, dia grato ao Senhor? Acaso o jejum que prefiro não é outro: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição? Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. (Is 58, 3b-8).

Parafraseando um profeta de nosso tempo, o saudoso e sempre lembrado Dom Hélder Câmara, eu apenas diria que, neste tempo de Quaresma, o dilema não é entre fazer jejum ou não fazer jejum ou abster-se de comer carne nas sextas-feiras. O problema são aqueles que não têm essa opção porque, durante o ano inteiro, não têm o que comer e sequer ousam sonhar com carne em seus pratos. Esses, sim, são o grande dilema para os cristãos nesse tempo de preparação para a experiência pascal de uma Vida Nova.

Um time para torcer

Não sei quanto vai durar… Mas me disponho a esperançar. Sim! Que seja pelo menos para uma temporada. A temporada 2024. Campeonato Gaúcho, Copa do Brasil e Série A do Brasileirão. Três grandes desafios!

Sei que as coisas são muito instáveis no futebol. Instáveis porque negociáveis. Melhor dizendo, comercializáveis. Jogadores assinam contratos por três meses. Treinadores, por seis, oito ou doze talvez. Muitos nem isso duram. Uma proposta melhor ou um fracasso são razão para romper qualquer contrato. Sem falar dos empresários e investidores e seus interesses sem pudores.

Contando com tudo isso, espero que Roger Machado, pelo Juventude recém contratado, tenha a oportunidade de mostrar o que sabe fazer com uma equipe de futebol. Já o mostrou no Grêmio quando passou pela equipe da capital e, se ali se deu mal, não foi por falta de potencial. Seu pecado venial no time da capital foi o de não resignar-se a ser um simples profissional.

Treinando o Grêmio, Roger Machado montou uma equipe competitiva e moderna com perspectivas de se tornar vitoriosa. Mas ele queria mais. Queria que seus jogadores fossem respeitados como homens e como profissionais e não como meras peças comerciais. E ousou colocar em discussão temas sociais e raciais. Fazia questão de se pronunciar contra o “mercado” do futebol e o racismo que cerca as quatro linhas do campo, os vestiários e os meios de comunicação que sobrevivem do futebol.

Por suas posições e não por suas atuações, Roger foi punido e de Porto Alegre banido. Um time de brancos e ricos não suporte um treinador que se diz trabalhador e negro.

Lembrando disso, me pergunto sobre o futuro dele em Caxias do Sul. Ainda mais agora que a ele se juntou um outro ícone do futebol brasileiro, o preparador físico Paulo Paixão. Aos 72 anos, Paulo Paixão talvez não traga consigo os mais modernos métodos de preparo físico. Mas é uma das pessoas que mais entende de jogador de futebol no Brasil.

Fico torcendo para que o racismo não vença antes de os dois convencerem de que há, sim, possibilidade de juntar a alegria do futebol com o sonho de justiça social e racial neste Brasil da disparidade.

Boa sorte Roger Machado! Boa sorte Paulo Paixão! Que o Juventude e caxias do Sul os suportem para o bem dos atletas, do time, do clube e do esporte.

O banqueiro, o padre, a missa e o dinheiro.

Há duas coisas que movem o mundo: a fé e o dinheiro. A fé é a que nos permite transcender o presente e sonhar com um futuro melhor, neste mundo ou noutro. O dinheiro é o que permite tornar este sonho possível.

Quando falo em “fé”, não penso apenas nas diferentes expressões religiosas. Me refiro também à fé antropológica, ou seja, à capacidade humana de construir um futuro para si e para a humanidade. Laica ou religiosa, individual ou coletiva, intra-histórica ou transcendente, na história ela tem encontrado muitas expressões.

Por “dinheiro” não entendo apenas as moedas que carregamos no bolso ou os números na conta bancária. São os recursos de que dispomos para viabilizar um projeto. Dinheiro, sim, mas também pessoas, capital, conhecimento, conexões.

Que seria do apóstolo Paulo sem as pessoas – homens e mulheres – que financiavam suas viagens e faziam coletas para sustentá-lo e torná-lo simpático às novas comunidades? Em suas cartas várias vezes ele agradece a seus colaboradores e financiadores. Ou então, que seria de Marx se não houvesse um Engels que lhe permitisse estudar e escrever sem ter que submeter-se à labuta diária para ganhar o pão de cada dia?

A união destes dois elementos pode mover montanhas tanto para transformar o mundo para melhor como para torná-lo menos habitável. Por um lado, pensemos num Martin Luther King e sua mobilização pelos direitos civis nos estados unidos, em Mahatma Ghandi e na luta do povo indiano pela independência ou em Desmond Tutu e Nelson Mandela na África do Sul lutando pelo fim do apartheid. São só alguns exemplos de pessoas que, movidas pela fé em uma humanidade melhor, a partir de um princípio religioso ou não, mobilizaram multidões.

Mas a união dos dois elementos também pode levar à exploração da fé dos pobres e desvalidos que, em nome do sonho de sair da miséria, entregam os poucos recursos que ainda dispõem a líderes que vendem sonhos a preço de ouro e acumulam fortunas que contrastam com a vida miserável dos fiéis de suas igrejas. Há vários exemplos em muitas igrejas e não há aqui necessidade de expor seus nomes. Sua fama é pública e notória.

Digo tudo isso porque hoje, dia 14 de janeiro de 2024, aconteceu no Brasil um evento surpreendente. O Canal “Instituto Conhecimento Liberta” (ICL), patrocinado pelo ex-banqueiro de investimentos, empresário, engenheiro, escritor, dramaturgo e apresentador Eduardo Moreira, transmitiu a missa do Pe. Júlio Lancelotti, um ícone do cristianismo defensor dos empobrecidos e marginalizados de São Paulo, a cidade mais rica da América Latina.

A aproximação dos dois vinha de há tempo. Mas transmitir a missa no canal oficial do ICL, não era algo que se esperasse. Mas aconteceu! E as reações nos comentários são surpreendentes e interessantes. Junto com muitos elogios, há também significativas críticas, tanto de setores da direita com da esquerda do espectro político e religioso. Críticas que revelam o surpreendente desta união e que revelam a base comum que une os dois campos no trato com a religião: ambos consideram que a religião tem como finalidade única manter o status quo.

A história tem mostrado que as religiões, quando mantém vivo o fundamento de sua fé, podem ser, sim, ser fator de transformação para melhor das sociedades. Para que isso se torne realidade, é preciso dar-se os meios necessários. E isto é tarefa nossa. É missão dos humanos que não se resignam ao mundo presente tal como ele está.

Não há como prever se a missa do Pe. Júlio transmitida pelo canal do ICL terá o mesmo “sucesso” das missas dos padres sertanejos, carismáticos ou fundamentalistas. No meu ponto de vista, seu “sucesso” está no fato de ter acontecido e mostrar um caminho de diálogo entre vários segmentos da sociedade em busca de um país e de um mundo onde todos e todas tenham o direito de viver na dignidade de filhos e filhas de Deus.

Qual o limite do ódio?

Até onde pode ir o ódio? Até o infinito? Ou terá o ódio algum limite?

Esta triste pergunta nasceu em mim ao refletir sobre o triste fato de um insignificante vereador da cidade de São Paulo, com a anuência de outros 22 colegas, tentar instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para criminalizar o Pe. Júlio Lancelotti. Qual o crime do Pe. Júlio? Estender um cobertor para aqueles e aquelas que só têm o chão duro do viaduto como colchão para dormir, alcançar um prato de sopa para aqueles e aquelas que vagam com fome pelas ruas da cidade mais rica da América Latina, acolher e consolar as vítimas do lucrativo comércio de drogas ilegais, dos discriminados por sua condição sexual ou por seu estado mental… Esse é o crime do Pe. Júlio Lancelotti e daqueles e daquelas que com e como ele buscam ser um sinal de amor em meio a tanto sofrimento e tanta dor.

Numa sociedade normal em que os humanos agissem como humanos, o Pe. Júlio não seria criminalizado. Ele seria condecorado, homenageado, exaltado, imitado. Mas não: ele é processado por um edil cujo nome raramente é lembrado e que a esse cargo foi alçado pelo ódio transformado em instrumento de ascensão política. Percurso do qual é apenas um exemplar. Outros, cavalgando na marcha do ódio, da violência e da ofensa, chegaram a cargos de maior destaque: Prefeito, Governador, Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador e até Presidente. E todos vimos as consequências: violência e morte alçadas a norma das relações sociais numa paródia macabra do fascismo europeu do século XX com trajes verde-amarelos e rituais religiosos que pregavam o extermínio de todos os que contestavam tais práticas.

Infelizmente, assim como o medo e o prazer, o ódio, em si mesmo, não tem limite. Quanto mais cresce, mais tende a expandir-se destruindo tudo o que vem pela frente. A tentativa de Comissão Parlamentar de Inquérito é apenas uma expressão minúscula daquilo que é um projeto anticivilizacional. Sim, porque “civilização” é a arte de viver juntos. E o que o fascismo prega é a impossibilidade da sociabilidade realizada no extermínio do diferente. Se não for detido, o ódio não tem fim e se expandirá até não haver nada mais para consumir até que, qual cão raivoso, terminará por morder o próprio rabo e, avançando em sua sanha devoradora, consumir o próprio corpo inteiro depois de ter arrastado o universo consigo.

Mas então, o que pode deter o ódio? Só há um antídoto para o ódio: o amor! Não é odiando aqueles que odeiam os pobres que acabaremos com o ódio. Odiando aqueles que odeiam as mulheres, os negros, os pobres, os povos nativos, a comunidade LGBTQIA+, os estrangeiros… só estaremos engrossando o círculo do ódio. É amando que se vence o ódio. É o que ensina o Pe. Júlio. E ele o ensina porque o aprendeu com Jesus quando afirma que não devemos resistir ao perverso e que, se alguém te ofender com um tapa na face direita, volta-lhe também a outra.  E se alguém quiser processar-te e tirar-te a túnica, deixa que leve também a capa.  Assim, se alguém te forçar a andar uma milha, vai com ele duas.

É insano o que Jesus diz, pode pensar alguém. Quando mal entendido, sim, é insano. Completamente insano! Mas a verdade é que Jesus não quer que nos resignemos e submetamos às práticas destruidoras dos que têm o coração habitado pelo demônio do ódio. Ele nunca ficou se omitiu diante da injustiça como alguns que, ante a perseguição ao Pe. Júlio, recomendam o silêncio. Estes – alguns, diga-se de passagem, colegas de batina e estola do padre perseguido – recomendam o silêncio porque talvez não queiram incomodar seus patrocinadores que estimulam e lucram com a política de ódio. Calar-se, em situações como estas, é ser cúmplice, é pecar por omissão.

Jesus nunca silenciou diante das injustiças. Pelo contrário. Alçou sua voz denunciando-as e pondo sua vida em risca para proteger os agredidos e ameaçados em sua vida. Lembremos apenas o episódio em que ele interpõe seu próprio corpo entre a mulher julgada por suposto adultério e as pedras que os donos da religião queriam sobre ela jogar. Foram posturas como estas que o levaram à cruz.

Mas ele nunca respondeu ao ódio com ódio. Ele não entrou na política do dente por dente, olho por olho. Diante do ódio escancarado, ele praticou o amor ilimitado, até mesmo aos seus inimigos declarados.

Ser cristão não é ir para a Igreja todo domingo. Ser cristão não é pagar o dízimo. Ser cristão não é receber os sacramentos. Ser cristão é passar da convivência baseada no ódio, à convivência construída no amor. Só isso. Não deixemos que o fermento dos fariseus contamine o pão da comunhão e da libertação que Jesus nos ensinou a partilhar e deixou como memória viva da sua presença.

Juntos podemos atuar por um cristianismo com mais padres julio lancelotti e menos fariseus e menos judas iscariotis.

ADVENTO, RELIGIÃO E ARTE

Há muitas formas de se tentar dizer o que e a experiência religiosa. Tarefa nada fácil. Às vezes até conflitiva. Isso porque sempre falamos dela a partir da experiência que vivemos ou daquelas que vemos ao nosso redor. E, confessemos, hoje, no país e no mundo em que vivemos, não é nada fácil falar de religião de forma positiva. As diferentes expressões religiosas são usadas e abusadas para fazer o que de mais cruel o ser humano pode fazer. O nome “deus” justifica tudo, desde o assassinato de pessoas que tem um modo diferente de viver sua sexualidade até ataques terroristas, guerras e genocídios.

Isso tudo me fez lembrar uma tentativa de dizer o que é religião que me marcou. Ela foi escrita por Rubem Alves, teólogo, artista, poeta, um estilista da palavra. Dizia ele que religião é “uma teia de símbolos, redes de desejos, confissão da espera, horizonte dos horizontes, a mais fantástica e pretensiosa tentativa de transubstanciar a natureza”. Tomo aqui o transubstanciar não no sentido materialista em que algumas vezes é usado. Se substância, no sentido aristotélico, é o que faz uma coisa ser o que é, transubstanciar é fazer com que uma coisa seja outra diferente daquilo que originalmente era. É isso que toda religião faz! Tomamos algo do mundo criatural e lhe damos um sentido divino, eterno, transcendental. E o fazemos de modo absoluto a ponto de ver nessa nova realidade a presença de Deus e não mais a realidade que antes era. “Aquilo” deixou de ser o que era e passou a ser outra coisa. E isso é tão forte que, se alguém questiona tal modo de proceder, é considerado sacrílego. E, de fato, do ponto de vista de quem vive tal dinâmica, questionar a presença do sagrado numa realidade criatural transubstanciada, é sacrilégio.

Por isso, a religião é uma experiência muito próxima à arte. O artista é aquele que toma algo que é comum, corriqueiro, aparentemente quotidiano e o transforma em algo sublime que expressa aquilo que todos gostaríamos de dizer e não conseguimos. Aquilo que era um simples bloco de mármore se transformou, por obra de Michelângelo, em Davi; aqueles sons que todo mundo consegue emitir, agora são a Oitava Sinfonia de Bethoven; aquelas tintas que qualquer pinto usa, viram os Girassóis de Van Gogh. A arte, assim como a religião, é uma “fantástica e pretensiosa tentativa de transubstanciar a natureza” estabelecendo uma teia de “símbolos, redes de desejos, confissão da espera”.

Me peguei pensando nisso tudo nesses dias de Advento quando, ao preparar uma reflexão sobre o tempo litúrgico que estamos vivendo, lembrei-me de uma música de um artista brasileiro que, pelo que eu saiba, não tem vínculo religioso. Nela, ele expressa o que há de mais profundo no humano: o sonho de que a “ponta de esperança” que hoje vislumbramos se transforme em um farol que faça brilhar “a bandeira da vida” vencendo toda dor, todo sofrimento, toda morte.

Isso segundo o artista, pode acontecer “quando menos se esperar” e pode vir “da onde ninguém imagina”. E, na sua fraqueza, “demolirá toda certeza vã, não sobrará pedra sobre pedra”. “Enquanto isso” ainda não for realidade, nos convida o artista a não abandonar o sonho de transformação “desafiando de vez a noção na qual se crê que o inferno é aqui”. E termina ele numa “profissão de fé” afirmando que esta nova realidade “existirá, e toda raça então experimentará, para todo mal, a cura”.

Existe melhor poema “não-cristão” para este tempo de advento? Talvez só os do profeta Isaías que lemos na liturgia neste tempo de espera-ativa-da-salvação-que-vêm.

Bom Advento a todos nós!

P.S.: Imagino que muitos já identificaram o artista e a música citada. Para quem não identificou, uma simples busca lhe fará chegar à música “A Cura” de Lulu Santos. Leiam a letra e depois, saboreiam a música.

Bem vindos ao quinto dos infernos!

Com certeza muitos dos que agora tomaram um pouco de seu tempo para ler estas linhas – eram tempo que eu não escrevia um novo post! – em algum momento da vida, em uma situação de raiva, mandaram alguém pro quinto dos infernos. Ou, se não mandou, pode mandar, pois sempre há tempo!

Hoje, num momento de tranquilidade e calma, me pus a pensar a origem desta expressão. Meu primeiro impulso foi pesquisar na internet. E foi o que fiz, E logo encontrei uma explicação, Melhor dizendo, uma mesma explicação em muitas páginas que repetiam uma a outra, A explicação era a de que no tempo do Brasil colônia o governo português, para pagar suas dívidas com a Inglaterra, instituiu o imposto do quinto sobre o ouro. Ou seja, 20% de todo o ouro levado da colônia para o Reino, acabava nas mãos da Coroa que o repassava para os ingleses. A medida era vista como infernal pelos mineradores e pelos comerciantes de ouro. Daí o “quinto dos infernos”.

Até aí tudo bem. Tem fundamento histórico. Mas porque “mandar” alguém para o quinto dos infernos? Isso faz parte da expressão e não encontra explicação na historieta dos 20%. Algumas páginas tentam encontrar um nexo dizendo que o navio que vinha buscar o quinto no Brasil era o mesmo que para cá trazia os condenados em Portugal ao degredo perpétuo nestas terras tropicais. A explicação é interessante. Mas não se sustenta. Pois o quinto era descontado em Portugal no hora da fundição do ouro que não era permitida no Brasil.

A inconsistência das explicações me fez voltar à minha primeira hipótese. A de que mandar alguém pro quinto dos infernos não tem nada a ver com o quinto do ouro. Sua origem estaria na Divina Comédia de Dante Alighieri. O escritor florentino descreve o inferno em nove círculos concêntricos. Em cada um deles há um tipo de castigo que corresponde ao pecado cometido durante a vida.

No quinto dos infernos de Dante, estão os que cometeram o pecado da ira e do rancor. Eles jazem eternamente num lago formado pelas torrentes do Rio Estige compostas por uma mescla de água e sangue fervente. Os que cometeram o pecado da ira permanecem na superfície digladiando-se mutuamente numa luta à morte sem que um consiga derrotar o outro. É uma guerra sem fim onde o castigo consiste em não morrer e ser obrigado a continuar lutando com a certeza de nunca poder derrotar o outro.

No fundo do lago, sem poder vir à superfície, jazem os rancorosos que, removendo o lodo do fundo do lago, fazem subir bolhas que são vistas na superfície e alimentam a ira dos que aí se digladiam no temor de ter que afrontar novos inimigos. O rancor alimenta a ira que leva à autodestruição que inferniza – literalmente! – a vida dos demais.

Uma cena que hoje chamamos apropriadamente de “dantesca” e que descrevia o modo como o escritor florentina considerava as disputas políticas de sua cidade, de Roma e do poder papal e da Europa como um todo.

A Divina Comédia, onde está inserido o quinto dos infernos, tornou-se um clássico não só por ter utilizado o vernáculo como forma de expressão literária. É um clássico porque, Dante, a partir de uma situação concreta do início do séc. XIV, conseguiu descrever uma condição humana universal e suas consequências para aqueles que não a reconhecem e não buscam um caminho de humanidade melhor.

Infelizmente, se Dante vivesse hoje, talvez sua descrição da condição dos irados e rancorosos depois da morte não mudaria muito. Pior! Talvez ele situasse o inferno para antes da travessia do Aqueronte. As torrentes ferventes de água e sangue já estão a invadir nosso planeta. E os primeiros a se afogarem nelas são os que semearam a ira e fizeram do rancor um instrumento de poder político.

O triste é que, muitos que não tem nada a ver com isso, estão fornecendo a água e o sangue para que o Estige continue a correr. Nessas horas, gostaríamos que, no quinto dos infernos, os que se digladiam na superfície alcançassem o objetivo da própria morte e os que chafurdam na lama do fundo perecessem definitivamente. Dantesco, sim, mas seria um modo trágico de acabar com a dor e sofrimento de muitos inocentes.

Uma Igreja para além da Modernidade

Amanhã inicia a primeira sessão do Sínodo sobre a Sinodalidade. Talvez o evento eclesial católico romano mais importante depois do Vaticano II. Ou, visto de outro ângulo, a consequência maior e mais radical daquele Concílio que colocou a Igreja Católica Romana em diálogo com a Modernidade.

Um diálogo com um atraso de quinhentos anos. Desde o Concílio de Trento no séc. XVI o catolicismo andava em caminho contrário à Modernidade. Ser “do contra” tornou-se a identidade católico-romana. Pio IX, o Papa do longo séc. XIX, tornou-se o expoente maior deste modo de ser no mundo.

O Dogma da Imaculada Conceição, o “Syllabus Errorum” e o Vaticano I com o dogma da infalibilidade papa, foram a expressão doutrinário deste modo de “ser do contra”. O Vaticano II foi a passagem do contra para o diálogo. “Alegria e Esperança” foram a nova postura que, por contraditório que possa parecer, tornou-se o germe da crise que não é a da decadência, mas a da purificação.

A “volta à grande disciplina” ensaiada nos tempos woytilianos e ratzingerianos mostrou-se falido e quase fez a Igreja soçobrar. Graças à resistência de muitos e à força do Espírito, com Francisco de Roma retomamos o rumo e seguimos navegando para diante, para além da modernidade.

Com o Papa Francisco, somos convidados a superar as fronteiras da modernidade e seu produtivismo consumista e aventurar-nos em uma economia da frugalidade na convivência com as outras criaturas com as quais dividimos a Casa Comum. Com Francisco de Roma, ultrapassamos as barreiras dos nacionalismos para convivermos numa humanidade onde sejamos, de fato, “fratelli tutti”. Com Francisco de Roma e sua proposta de sinodalidade, as maiorias deixarão de impor sua vontade sobre as minorias e as relações entre humanos e na própria Igreja passarão a ter em conta a “todos, todos, todos”, para que ninguém fique para trás ou de fora.

Não será fácil! Mas a Esperança nunca é fácil. A Esperança é viver o hoje como se já estivéssemos no amanhã testemunhando que esse amanhã é possível. A Esperança não é ignorar ou esquecer o presente, mas Transfigurá-lo para que o presente se mostre e desabroche em todas as suas potencialidades para que o futuro não seja mais como e antigamente.

É hora de respirar fundo. Hora de mirar o horizonte. Hora de caminhar sem medo e com a alegria mesmo em meio aos sofrimentos. Caminhemos de mãos dadas, conciliarmente, sinodalmente, pois o caminhar já é objetivo alcançado.