Arquivo do autor:Vanildo Luiz Zugno

Avatar de Desconhecido

Sobre Vanildo Luiz Zugno

Espaço para publicação de textos teológicos e áreas afins. Aberto a todos aqueles e aquelas que desejam compartilhar suas reflexões e experiências teológicas e religiosas.

Vaticano irá realizar cúpula para discutir casos de abusos sexuais

O papa Bento 16 irá reunir cardeais do mundo todo em Roma na próxima semana para discutir escândalos sexuais envolvendo membros da Igreja Católica, além de outras questões envolvendo a instituição, informou o Vaticano nesta segunda-feira. A cúpula — que ocorrerá no próximo dia 19– será presidida pelo cardeal americano William Levada.

A reunião será um dia antes da cerimônia em que Bento 16 irá nomear 24 novos cardeais, e da qual costumam participar membros do alto clero do mundo todo. De acordo com o Vaticano, a cúpula será um dia de “reflexão e orações”, que também incluirá discussões sobre a ameaça à liberdade religiosa, a relação com outras religiões e os procedimentos que devem ser seguidos para que anglicanos insatisfeitos possam se integrar à Igreja Católica.

Nesta segunda-feira, cinco bispos ingleses anunciaram que iriam se converter ao catolicismo, depois do convite de Bento 16 para a integração dos anglicanos.

Alegações de abusos contra clérigos tomaram dimensão internacional, com a revelação de milhares de supostas vítimas e de indícios de que inúmeros casos foram acobertados pelo Vaticano durante décadas. As revelações abalaram a igreja neste ano, particularmente na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália.

Desde a eclosão de uma série de escândalos em vários países neste ano, e sob fortes críticas de que o Vaticano teria feito vistas grossas, o papa tem feito reiteradas declarações públicas condenando os casos. Ele já admitiu que a Igreja não tomou medidas suficientes para deter os abusos e se reuniu com vítimas do mundo todo, prometendo combater a ocorrência de novos abusos.

No mês passado, ele disse que os abusos são “absolutamente reprováveis”, mas não podem desacreditar a missão sacerdotal, e que na vida celibatária se pode viver “uma humanidade autêntica, pura e madura”.

Em visita ao Reino Unido em setembro, Bento 16 já havia condenado a “perversão” de sacerdotes e lamentado a falta de vigilância da igreja para os casos de pedofilia. Em junho deste ano, ele chegou a “implorar perdão” a Deus e às vítimas de abusos sexuais por sacerdotes.

Bernie McDaid e Gary Bergeron, fundadores do site de vítimas de abusos (www.survivorsvoice.org), disseram na última sexta-feira (5), em coletiva de imprensa, que iniciariam uma petição para que a Organização das Nações Unidas considere a pedofilia sistêmica um crime contra a humanidade.

“Não somos aleijados. Somos pessoas feridas e que agora estão dispostas a falar sobre isso. A culpa e a vergonha estão encobertas”, afirmou McDaid, que se tornou uma das primeiras vítimas de abuso a se encontrar com o papa, em Washington, há dois anos.

O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres

O Estadão de hoje dedica a capa e duas páginas – A15 e A16 a desmoralizar o ENEM.

Uma desmoralização arrasadora.

É porque 0,04% dos alunos VOLUNTARIAMENTE inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta.

0,04% !

Que horror!

Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.

Ontem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a “inépcia” do ENEM.

A Folha (**), se entende.

Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha, que foi devidamente afastada da concorrência deste ano.

O Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM.

Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.

Por que o Estadão, a Folha (**) e o Serra são contra o ENEM ?

Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o “fracasso” do Governo Lula.

Qual é o problema deles com o ENEM ?

O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora.

O que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.

Antes – como em São Paulo, hoje – cada “coronel” faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos o Di Gênio.

De Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes !

30 vezes, amigo navegante.

Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje.

É sempre assim.

O Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias.

O do Lula, que virou “Bolsa Esmola”, segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.

O que é o ENEM ?

É o passaporte do pobre à universidade pública.

É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENNEM.

Porque esse negócio de pobre estudar é um problema.

Fica com mania de grandeza, de autonomia.

Pensa que pode mandar no seu destino.

E não acredita mais na fita adesiva do “perito” Molina.

Isso é um perigo.

Pobre é para ficar na senzala.

50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM.

Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM.

Em 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM.

Aí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a “faculdade de pobre burro”).

Sabe o que aconteceu, amigo navegante ?

O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos.

Quanto pobre !

Para o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES.

Vai ser outro horror !

Mais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público.

Um horror !

Tudo público.

ENEM, faculdade, financiamento …

“Público” quer dizer “de todos”.

Amigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM ?

Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar.

Foi o Nordeste !

Que horror !

Já imaginou, amigo navegante ?

Nordestino pobre com diploma de engenheiro ?

Nordestina pobre com diploma de médica ?

Vai faltar pedreiro.

Empregada doméstica.

Aí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo.

Visita do papa gera protestos e polêmicas na Espanha

Papa Bento 16

O papa Bento 16 chega neste sábado à Espanha para uma visita de 32 horas que já vem sendo marcada por protestos e polêmicas.

O pontífice – que já esteve em 2006 na Espanha – irá no sábado visitar a cidade de Santiago de Compostela, no noroeste do país, e no domingo vai a Barcelona, onde consagrará o templo da Sagrada Família, que passará a ser uma basílica após 128 anos de construção.

Segundo artigo publicado no jornal El Mundo, na região de Castela e Leão (norte do país), os bispos e arcebispos locais manifestaram sua “alegria” com a visita do pontífice, afirmando que ela reforçará a fé cristã no país.

O grupo católico conservador Ecclesia reuniu mais de mil assinaturas de personalidades que “agradecem a visita num momento de grave crise econômica e social que afunda o país em uma profunda crise moral”, disse à BBC Brasil Maria Pelayo, uma das promotoras do abaixo-assinado de boas-vindas.

Na Catalunha (região do nordeste da Espanha onde fica Barcelona), um grupo de 36 personalidades civis e eclesiásticas também veio a público com um manifesto de apoio e boas-vindas ao papa.

Mas pelo menos 147 instituições católicas condenam a visita e desde quinta-feira, mais de 70 organizações civis já vem realizando protestos.

A posição da igreja em relação a assuntos como o aborto, os gastos com a viagem do papa (que custará ao governo espanhol R$ 7 milhões) e a forma como vem sendo apuradas as suspeitas de abusos sexuais atribuídos a sacerdotes católicos são alguns dos motivos que mobilizam os manifestantes.

Abusos

O teólogo e presidente da organização Redes Cristãs, Evaristo Villar, representante de 147 instituições católicas contrárias à visita, considera a viagem “uma tentativa do Vaticano de mostrar poder e desafiar o Estado perante leis como a do aborto, casamento gay e a futura lei de liberdade religiosa”.

Pelo menos cem das pessoas que se opõem à vinda do papa se declaram vítimas de pedofilia dentro da Igreja e pedem o afastamento de Bento 16, considerando-o último responsável pelos crimes.

“Não o único, mas sim o último. É preciso que os maiores dirigentes de uma organização claramente piramidal assumam suas responsabilidades”, disse à BBC Brasil o presidente da associação Igreja Sem Abusos, Carlos Sánchez Mato.

O país tem menos casos divulgados de pedofilia do que outros países, como os Estados Unidos, onde há mais de 4,5 mil sentenças a favor de vítimas.

O ex-professor de catecismo Sánchez Mato disse que as vítimas de abuso cometidos por religiosos na Espanha “não se atrevem (a reclamar na Espanha) por medo de pressões, por acreditar que não conseguirão nada e porque aqui a Igreja ainda manda muito”.

“O que pedimos é que haja investigação. Na Bélgica houve e apareceram 1,5 mil casos”, diz Mato.

Para a Igreja Católica espanhola nem há tantos casos nem tanta razão para reclamar. Essa foi a razão alegada para o papa não se encontrar com vítimas de abusos sexuais durante a viagem à Espanha.

“Não nos consta que existam tanto pedidos de encontros ou denúncias”, disse à BBC Brasil a assessoria de imprensa da Conferência Episcopal da Espanha.

‘Habemus party’

As 70 organizações civis que já vem protestando contra a visita reúnem ativistas laicos, sindicatos e associações de defesa dos direitos dos homossexuais.

Na quinta-feira, eles iniciaram as manifestações do “Habemus Party” – um trocadilho misturando a frase usada no anúncio de um novo papa no Vaticano (Habemus Papa) com a palavra inglesa party, que significa festa.

Os organizadores convocaram a população para atos simbólicos polêmicos como um encontro de mulheres vestidas de prostitutas e um “beijaço” de homossexuais nas ruas próximas à catedral de Barcelona no momento em que o Papa estiver na Sagrada Família.

Visita do papa gera protestos e polêmicas na Espanha

Papa Bento 16

Associações iniciaram protestos antes da chegada do papa

O papa Bento 16 chega neste sábado à Espanha para uma visita de 32 horas que já vem sendo marcada por protestos e polêmicas.

O pontífice – que já esteve em 2006 na Espanha – irá no sábado visitar a cidade de Santiago de Compostela, no noroeste do país, e no domingo vai a Barcelona, onde consagrará o templo da Sagrada Família, que passará a ser uma basílica após 128 anos de construção.

Segundo artigo publicado no jornal El Mundo, na região de Castela e Leão (norte do país), os bispos e arcebispos locais manifestaram sua “alegria” com a visita do pontífice, afirmando que ela reforçará a fé cristã no país.

O grupo católico conservador Ecclesia reuniu mais de mil assinaturas de personalidades que “agradecem a visita num momento de grave crise econômica e social que afunda o país em uma profunda crise moral”, disse à BBC Brasil Maria Pelayo, uma das promotoras do abaixo-assinado de boas-vindas.

Na Catalunha (região do nordeste da Espanha onde fica Barcelona), um grupo de 36 personalidades civis e eclesiásticas também veio a público com um manifesto de apoio e boas-vindas ao papa.

Mas pelo menos 147 instituições católicas condenam a visita e desde quinta-feira, mais de 70 organizações civis já vem realizando protestos.

A posição da igreja em relação a assuntos como o aborto, os gastos com a viagem do papa (que custará ao governo espanhol R$ 7 milhões) e a forma como vem sendo apuradas as suspeitas de abusos sexuais atribuídos a sacerdotes católicos são alguns dos motivos que mobilizam os manifestantes.

Abusos

Carlos Sánchez Matto, presidente da associaçao Igreja Sem Abusos

Mato diz que foi pressionado para não seguir com denúncias de abusos

O teólogo e presidente da organização Redes Cristãs, Evaristo Villar, representante de 147 instituições católicas contrárias à visita, considera a viagem “uma tentativa do Vaticano de mostrar poder e desafiar o Estado perante leis como a do aborto, casamento gay e a futura lei de liberdade religiosa”.

Pelo menos cem das pessoas que se opõem à vinda do papa se declaram vítimas de pedofilia dentro da Igreja e pedem o afastamento de Bento 16, considerando-o último responsável pelos crimes.

“Não o único, mas sim o último. É preciso que os maiores dirigentes de uma organização claramente piramidal assumam suas responsabilidades”, disse à BBC Brasil o presidente da associação Igreja Sem Abusos, Carlos Sánchez Mato.

O país tem menos casos divulgados de pedofilia do que outros países, como os Estados Unidos, onde há mais de 4,5 mil sentenças a favor de vítimas.

O ex-professor de catecismo Sánchez Mato disse que as vítimas de abuso cometidos por religiosos na Espanha “não se atrevem (a reclamar na Espanha) por medo de pressões, por acreditar que não conseguirão nada e porque aqui a Igreja ainda manda muito”.

“O que pedimos é que haja investigação. Na Bélgica houve e apareceram 1,5 mil casos”, diz Mato.

Para a Igreja Católica espanhola nem há tantos casos nem tanta razão para reclamar. Essa foi a razão alegada para o papa não se encontrar com vítimas de abusos sexuais durante a viagem à Espanha.

“Não nos consta que existam tanto pedidos de encontros ou denúncias”, disse à BBC Brasil a assessoria de imprensa da Conferência Episcopal da Espanha.

‘Habemus party’

As 70 organizações civis que já vem protestando contra a visita reúnem ativistas laicos, sindicatos e associações de defesa dos direitos dos homossexuais.

Na quinta-feira, eles iniciaram as manifestações do “Habemus Party” – um trocadilho misturando a frase usada no anúncio de um novo papa no Vaticano (Habemus Papa) com a palavra inglesa party, que significa festa.

Os organizadores convocaram a população para atos simbólicos polêmicos como um encontro de mulheres vestidas de prostitutas e um “beijaço” de homossexuais nas ruas próximas à catedral de Barcelona no momento em que o Papa estiver na Sagrada Família.

A "igreja moderada" e o sertão moderno

O presidente da CNBB e arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha

O presidente da CNBB e arcebispo de Mariana, dom Geraldo Lyrio Rocha

Edmilson Lopes Júnior
De Natal (RN)

Não é raro, nas coberturas jornalísticas sobre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), referências a uma ala “moderada” da Igreja. Esta se caracterizaria por um prudente distanciamento tanto do cada vez mais minoritário setor identificado com a esquerda e também com os setores mais abertamente identificados como conservadores. Esse esquema simplista, embora não traduza bem a pluralidade da CNBB, fornece ao menos um indicativo do que ocorre no mundo mais rico, complexo e contraditório da igreja hegemônica no país. E, em verdade, não há porque se esperar algo muito mais sofisticado em se tratando de coberturas destinadas ao grande público. O problema, aí sim, é quando essa enviesada radiografia da Igreja Católica alicerça análises políticas. E, muito particularmente, avaliações sobre os seus supostos impactos no processo eleitoral.

Gostem ou não os “bem pensantes”, reprodutores de lugares-comuns a respeito do comportamento eleitoral dos brasileiros, os eleitores têm, ao contrário do que acreditam muitos, produzido escolhas racionais e reflexivas nas últimas eleições. Nessas escolhas, a contribuição da Igreja Católica, especialmente no vasto território do semi-árido nordestino, não tem sido devidamente avaliada. O seu distanciamento do proselitismo político cria a falsa impressão de que o trabalho desenvolvido pela Igreja Católica no interior do Nordeste não tenha tido um peso significativo no apoio ao Governo Lula e na grande votação obtida por Dilma Rousseff nos municípios sertanejos.

Nas dioceses do semi-árido, durante décadas, bispos, padres e freiras têm buscado afirmar o seu compromisso cristão através do “exemplo”, não da retórica. Daí o distanciamento cuidadoso que têm tido em relação à produção discursiva da esquerda tradicional. Embora dialoguem com sindicalistas e militantes da esquerda, esses religiosos procuraram, ao longo dos anos, afirmar outros valores. Dentre estes, “alívios” concretos para “o sofrimento do povo de Deus”. A ausência de proselitismo político, e a desautorização da militância pastoral esquerdista, alimentam, em analistas superficiais, a visão de uma prática religiosa “apolítica” e sem impactos eleitorais vistosos. Nada mais equivocado!

As idéias e valores expressos nas práticas desses religiosos foram incorporados reflexivamente pela vasta população católica do interior do Nordeste. Durante um longo tempo, nas emissoras de rádio da Igreja, ainda detentoras de grande audiências sertão afora, e nas missas e encontros religiosos, as pessoas foram estimuladas a prática do “ver, julgar e agir”. A não se deixar encantar pelos belos discursos. A noção de que o “exemplo” vale mais do que mil palavras, por exemplo, orienta as avaliações desses eleitores. Em um universo social no qual a “fala bonita dos doutores” sempre mereceu desconfiança, essa pregação encontrou terreno fértil.

Para esses religiosos, grande parte deles catalogados como “moderados”, a própria relação com o sagrado tem sido objeto de uma reflexão socializada com os fieis. Cultiva-se, nesse meio, uma condenação à utilização da fé para outros meios. O que, à primeira vista, pareceria alimentar o apoliticismo, serve, na verdade, como uma vacina contra a introdução de temas religiosos na disputa eleitoral.

Para falar na língua da sociologia, a atuação da “igreja moderada” no interior do Nordeste, tem contribuído, como conseqüência não-intencional, para a emergência de um eleitorado mais reflexivo, mais atento aos interesses em jogo e muito ciente de quais as apostas que valem a pena. Em uma obra seminal para a sociologia, publicada no início do século XX, Max Weber apontou como a “ética protestante”, como um efeito não intencional, alimentou o racionalismo característico do “moderno capitalismo”. No início do século XXI, a senda analítica aberta pelo cientista social alemão talvez possa iluminar como uma prática religiosa tida como “moderada” e tradicional está alimentando uma prática política marcadamente moderna em um vasto território comumente descrito nos discursos carregados de etnocentrismo de classe média, como “grotões”.

Edmilson Lopes Júnior é professor de sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Nota da Comissão Brasileira Justiça e Paz

O MOMENTO POLÍTICO E A RELIGIÃO

Amor e Verdade se encontrarão. Justiça e Paz se abraçarão(Salmo 85)

A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) está preocupada com o momento político na sua relação com a religião. Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente. Desconsideram a manifestação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de 16 de setembro, “Na proximidade das eleições”, quando reiterou a posição da 48ª Assembléia Geral da entidade, realizada neste ano em Brasília. Esses grupos continuaram, inclusive, usando o nome da CNBB, induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem que ela tivesse imposto veto a candidatos nestas eleições.

Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias.

Constrangem nossa conciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial.

Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos.

Nesse sentido, a CBJP, em parceria com outras entidades, realizou debate, transmitido por emissoras de inspiração cristã, entre as candidaturas à Presidência da Republica no intento de refletir os desafios postos ao Brasil na perspectiva de favorecer o voto consciente e livre. Igualmente, co-patrocinou um subsídio para formação da cidadania, sob o título: “Eleições 2010: chão e horizonte”.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, nesse tempo de inquietudes, reafirma os valores e princípios que norteiam seus passos e a herança de pessoas como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes, Margarida Alves, Madre Cristina, Tristão de Athayde, Ir. Dorothy, entre tantos outros. Estes, motivados pela fé, defenderam a liberdade, quando vigorava o arbítrio; a defesa e o anúncio da liberdade de expressão, em tempos de censura; a anistia, ampla, geral e irrestrita, quando havia exílios; a defesa da dignidade da pessoa humana, quando se trucidavam e aviltavam pessoas.

Compartilhamos a alegria da luz, em meio a sombras, com os frutos da Lei da Ficha Limpa como aprimoraramento da democracia. Esta Lei de Iniciativa Popular uniu a sociedade e sintonizou toda a igreja com os reclamos de uma política a serviço do bem comum e o zelo pela justiça e paz.

Brasília, 06 de Outubro de 2010.

Comissão Brasileira Justiça e Paz,
Organismo da CNBB

CNBB: grupos religiosos criam obstáculos para voto livre

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), manifestou-se, por meio de nota, “preocupada com o momento político na sua relação com a religião”. “Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente”, afirmou a entidade, no comunicado.

A manifestação deve endereço certo: o bispo de Guarulhos (SP), d. Luiz Gonzaga Bergonzini, que tem pregado o voto contrário à candidata petista Dilma Rousseff e um debate sobre o aborto que tomou conta das campanhas dos dois candidatos à Presidência.

“Dos males, o menor”, tem dito d. Luiz Gonzaga, ao defender o voto contrário a Dilma que, segundo ele, apoia o aborto. O bispo tem usado suas missas para acusar Dilma e o PT de terem incluído em seu programa de governo a defesa do aborto. Guarulhos, na Grande São Paulo, tem 1,3 milhão de habitantes.

Para o secretário-executivo da Comissão Justiça e Paz, Daniel Veitel, Dilma foi a única candidata que se declarou claramente a favor da vida. “O José Serra (presidenciável do PSDB) não tem uma posição clara”, criticou. Veitel lembrou que a CNBB não impôs veto a ninguém nas eleições. Afirmou ainda que alguns grupos continuam induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem nisso.

“Constrangem nossa consciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial”, afirma a nota da comissão.

Guatemala reage com indignação à notícia de cobaias humanas

Setores políticos e sociais da Guatemala reagiram com indignação neste sábado depois de ser revelado que cientistas americanos inocularam doenças venéreas em 1,5 mil guatemaltecos sem seu consentimento na década de 1940 para a realização de experimentos médicos.

“Por mais que os Estados Unidos sejam uma superpotência, não podem fazer esse tipo de experimento. Usaram os guatemaltecos como ratos de laboratório, é importante que os familiares das vítimas recebam algum tipo de ressarcimento”, disse à imprensa o diretor do Escritório de Direitos Humanos do Arcebispado da Guatemala, Nery Rodenas.

Na mesma linha, a deputada da Frente Republicana Guatemalteca (FRG), Zury Ríos, advertiu que “não é suficiente dizer perdão”. “Necessitamos de uma compensação como Estado, por exemplo, um programa sólido de saúde sexual e reprodutiva.

Os experimentos em humanos feitos por americanos na Guatemala vieram à tona após uma investigação da doutora Susan Reverby, do Wellesley College, que descobriu os documentos em arquivos do doutor John Cutler (morto em 2003), que liderou esse programa de ensaios.

Cutler dirigiu em 1946 uma série de investigações sobre reações de medicamentos contra a sífilis, gonorreia e outras doenças sexualmente transmissíveis, inoculando essas doenças em cerca de 1.500 guatemaltecos para observar suas reações aos tratamentos.

Os “porquinhos-da-índia” foram recrutados entre soldados, prostitutas, pessoas com doenças mentais e reclusos guatemaltecos, segundo informação dada por autoridades americanas, que na quinta-feira passada informaram ao presidente Alvaro Colom sobre esses fatos e pediram desculpas.

“Dá raiva saber dessa notícia. Isso só confirma que os Estados Unidos e o capitalismo deixam de lado os valores humanos”, disse Cindy Aceituno, uma cidadã consultada pelo jornal Prensa Libre.

“Desculpas não bastam. Isso demonstra o despreço que esta nação (EUA) têm com os países do terceiro mundo”, afirmou Bernal Ehlert, outro guatemalteco ouvido pela imprensa local.

Na sexta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e a secretária de Saúde americana, Kathleen Sebelius, condenaram os experimentos médicos realizados sobre guatemaltecos entre 1946 e 1948 e qualificaram o fato de “claramente antiético” e “condenável”.

Bispo do Xingu ganha Nobel alternativo por trabalho com índios

O bispo da prelazia de Xingu (PA), dom Erwin Kräutler, 71, foi anunciado nesta quinta-feira (30) como um dos vencedores deste ano do prêmio Right Livelihood, uma espécie de Nobel alternativo, dado desde 1980 por uma fundação sueca a “quem dá respostas concretas e exemplares para os desafios mais urgentes que enfrentamos hoje”.

De acordo com o site do prêmio, dom Kräutler o recebeu “por uma vida dedicada ao trabalho com direitos humanos e ambientais dos povos indígenas, além de seu incansável esforço para salvar a Amazônia da destruição”.

Presidente há quatro anos do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), dom Kräutler nasceu na Áustria e veio para o Brasil na década de 60. Em 1978, recebeu a cidadania brasileira. Ele é opositor da construção da barragem de Belo Monte.

Por sua luta pelos direitos indígenas, já recebeu ameaça de morte e hoje anda sob proteção policial.

A cerimônia de premiação será no Parlamento da Suécia, em 6 de dezembro. Além do religioso, serão laureados a organização israelense “Médicos para os Direitos Humanos-Israel”, que atua em seu próprio país e na Palestina, o nigeriano Nnimmo Bassey, 52, e o nepalês Shrikrishna Upadhyay, 65, com a organização Sappros.

Brasil lidera ranking que mede progresso no combate à pobreza

Brasília – Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil lidera o ranking que mede o progresso de países em desenvolvimento na luta contra a pobreza. O ranking é da organização não governamental (ONG) ActionAid.

Os novos dados foram divulgados hoje (14) no relatório Who’s Really Fighting Hunger? (Quem Realmente Está Combatendo a Pobreza?), em que a ONG analisa os esforços em 28 países para combater o problema. As informações são da BBC Brasil.
A ONG considerou o desempenho dos países em categorias como presença de fome, apoio à agricultura em pequenas propriedades e proteção social. O Brasil é seguido por China e Vietnã. Em último lugar na lista está a República Democrática do Congo.
Como em 2009, a ActionAid elogia as políticas sociais adotadas pelo governo federal para reduzir a fome no país, destacando os efeitos benéficos de programas como o Bolsa Família e o Fome Zero. Porém, o relatório destaca o pequeno avanço do Brasil em relação aos demais países emergentes estudados, na adoção de políticas de incentivo à agricultura em pequenas propriedades.