Inverno em Vila Flores!

Desde domingo estou em Vila Flores (Serra Gaúcha) participando de uma Semana de Retiro. Tempo para descansar e repor as energias físicas, psíquicas e espirituais.
Tempo também para curtir o frio da Serra que há anos não tinha oportunidade de fazer. Por coincidência, parece que o Sr. Inverno tinha reservado um bocado de energias para estes dias. Desde domingo a neblina tomava conta do panorama e a temperatura não chegava aos dez graus. Hoje, no fim da tarde, o sol conseguiu romper o bloqueio e tivemos um por-de-sol fantástico! E, para amanhã, o que se anuncia é uma grande geada!

Abaixo algumas fotos do inverno em Vila Flores.

Vida Religiosa e política: o exemplo que vem dos Estados Unidos.

O texto abaixo é de Raul Juste Lores e foi publicado na versão digital da Folha de São Paulo no dia 17 de julho. Mantemos o texto original, mesmo que, explicitamente no título e também na matéria, deixe transparecer seu preconceito contra os democratas e as religiosas. No todo, vale a pena ler!

 

Freiras viajam os EUA contra cortes e se tornam queridinhas da esquerda

O Vaticano já reclamou da agenda política delas e as acusou de “feminismo radical”. As freiras da associação Network – Lobby Nacional Católico para Justiça Social, com sede em Washington, não parecem muito dispostas a abandonar o ativismo que as transformou nas queridinhas da esquerda americana.
Sua maior bandeira é atacar a proposta orçamentária do deputado republicano (e católico praticante) Paul Ryan, que sugere vários cortes na verba federal para educação, saúde e habitação.
No início do mês, elas concluíram uma caravana de 15 dias num ônibus que percorreu 3.800 km por nove Estados dos EUA (equivalentes a ir de São Paulo a Santiago do Chile). Fizeram 31 paradas e protestos diante das casas de deputados republicanos ou em entidades de sem-teto.

Brigitte Dusseau/France Presse
Simone Campbell, 67, discursa diante do Legislativo em Harrisburg (Pensilvânia), uma das paradas da caravana
Simone Campbell, 67, discursa diante do Legislativo em Harrisburg (Pensilvânia), uma das paradas da caravana

“Até a alimentação de quem nada tem está ameaçada. Infelizmente, muitos que se dizem religiosos neste país culpam os pobres por sua pobreza, ainda que sejam ricos por um sistema que os beneficia”, disse à Folha a diretora-executiva da Network, irmã Simone Campbell.
“Do sistema tributário ao orçamento, as vantagens são justamente para quem diz que conseguiu tudo sozinho.”
Agora, as freiras preparam vigílias em Washington nos meses que antecedem o pleito presidencial de novembro.
“Obama é tão melhor que Bush! Ele aprovou a universalização da saúde. Muita gente não entende como o país mais rico do mundo não tinha isso. Mas a oposição republicana não deixa aprovar muitos projetos”, reclama.
Agora que o movimento “Ocupe Wall Street” de Nova York se resume a alguns poucos sem-teto e anarcopunks, as freiras são festejadas pela esquerda. A irmã Campbell foi entrevistada na CNN, na MSNBC e até no programa do comediante Stephen Colbert.
Sempre vestida com blazers, brincos e camisas coloridas, frequentemente com a gola para fora, a freira foi provocada pelo humorista, que encarna um conservador radical em seu programa.
“Por que a senhora não usa hábito, algo mais formal?” Rindo, ela respondeu que estava “retornando às raízes”. “Ao longo da história, freiras usavam roupas do dia a dia.”
O Vaticano já pediu para o equivalente da CNBB americana monitorar o ativismo das freiras. Campbell desconversa. “Está nos Evangelhos a defesa dos mais pobres. No atual papado, há documentos muito interessantes a favor de comércio mais justo e regulamentação financeira.”
Ela alega que a Network luta há 40 anos por justiça social e econômica. “Mas parece que tem gente no Vaticano que não entende e quer que só fiquemos atacando o casamento gay ou o aborto. Trabalhamos para os pobres, é nossa missão, e muitos no Vaticano estão do nosso lado.”
Segundo o instituto Pew, os católicos nos EUA não diferem muito da média americana “”pouco mais da metade apoia o casamento gay. Mas, até hoje, os três candidatos católicos a disputar eleição por um partido dominante (Al Smith, John Kennedy e John Kerry) eram democratas.
Nas últimas eleições, Al Gore (2000), George W. Bush (2004) e Barack Obama (2008) obtiveram a maioria dos votos dos católicos.

Rosane Collor: por que na Globo?

Patética a entrevista de Rosane Collor no Fantástico do último domingo. As redes sociais já fizeram parte do serviço através do humor – bom e sarcástica – explorando o prato cheio do ridículo a que a ex-Primeira Dama do Brasil se expôs. Desnecessário, pois em cachorro morto não se bate…
De minha parte, confesso que também assisti à entrevista. Foi difícil, primeiro, por ter que aguenta o amontoado de abobrinhas que é o programa dominical noturno da Globo que, de fantástico, só tem o nome. Segundo lugar, por estar em Vila Flores, na Serra Gaúcha, onde fazia um frio de zero graus! Mesmo embaixo das cobertas, não é fácil aguentar…
Mas o que me moveu, mais do que as manchetes anunciando revelações bombásticas sobre corrupção, magia negra, cocaína, PC Farias e outras tantas coisas prometidas e não cumpridas, foi algo que até agora, nas redes sociais e na “grande imprensa” (que de grande só tem o tamanho e, às vezes, nem esse), ainda não apareceu: quais seriam as razões que levaram à Decadente Platinada a retomar o tema Collor?
Há algo mais por trás de toda essa história que ainda não veio à tona. Não consegui ver nenhuma pista na longa e modorrenta entrevista. Se alguém conseguiu ver, avisa! Mas acho que é bicho do grande… O investimento foi grande e não deve se resumir aos 18 mil de pensão da Rosane. Não tô pagando, mas quero ver!

"O Banheiro do Papa" e a Copa do Mundo

Quem assistiu ao Filme Uruguaio “O Banheiro do Papa” não pode deixar de se emocionar com a história de Beto e sua família. Beto é um daqueles pequenos contrabandistas de fronteira que, com sua bicicleta, sobrevive levando o que é mais barato no Brasil para o Uruguai e vice-versa. Vive fugindo da polícia que o explora, a ele e a seus companheiros de faina e das recriminações da mulher e da filha que, num país em crise, não vêem nem perspectiva e nem outra possibilidade. A “grande chance” surge quando, em 1988, o Papa João Paulo II visita a cidade de Mello. O fervor não é tanto religiosos, mas econômico, pois todos passam a ver na visita do Papa a possibilidade de ganhar um dinheiro extra em tempos tão duros. Rapidamente se espalha o boato de que caravanas estão se organizando no Brasil e que serão milhares – quizás um milhão – os brasileiros que irão a Mello ver o Papa. Todos começam a vender seus poucos bens para comprar ingredientes para fazer comida para vender aos visitantes. Beto tem uma idéia inovadora: construir um banheiro e alugá-lo para os visitantes. Afinal, se todos vão comer, todos também terão que fazer outras necessidades fisiológicas. Decidido a não perder a oportunidade, Beto vai ao Aceguá e contrabandeia o material para o banheiro, deixa tudo pronto, mesmo que em cima da hora e, no dia, não chega ninguém! Apenas algo em torno a 8.000 pessoas chegam para ver o Papa. Dos brasileiros, nem notícia… Toda a comida preparada se perde e o banheiro de Beto só recebe uma cliente!
Hoje de tarde, ao passear pela orla do Guaíba e ver tantas obras em andamento na expectativa da Copa do Mundo, minha amiga Lúcia lembrou: oxalá não passe com as obras de Porto Alegre o que passou com o Banheiro do Papa…
Eu não quero nem pagar e nem ver!

"Repensemos a posição sobre divorciados e gays"

Com os seus 55 anos, ele é o mais jovem do Colégio Cardinalício e, depois das últimas declarações, também é um dos mais abertos. Em entrevista à revista alemã Die Zeit, Dom Rainer Maria Woelki, arcebispo de Berlim, exortou a Igreja a repensar a doutrina sobre os divorciados em segunda união e os homossexuais.
Falando daqueles que contraem um segundo casamento – para os católicos, essas pessoas não podem ter acesso à Eucaristia, a menos que vivam com o novo cônjuge como irmão e irmã –, o cardeal recordou que o papa deu a Comunhão ao governador da Saxônia, divorciado e que convive com uma outra mulher.
Como padre – disse o arcebispo – devo supor que quem me pede a Eucaristia o faz com o coração puro. Mas não devemos perder de vista aqueles que, reconhecendo a ruptura do seu casamento, se esforçam por conduzir uma vida segundo os ensinamentos da Igreja e não recebem a Comunhão. Desse modo, dão um forte testemunho de fé”.

Woelki também balanceou com relação à homossexualidade. Lembrando que o Catecismo da Igreja Católica estabelece a necessidade de evitar toda marca de discriminação injusta contra gays e lésbicas, o purpurado acrescentou: “Se eu levo a sério o Catecismo, não posso ver as relações homossexuais exclusivamente como negação da lei natural. Eu também busco entender que há pessoas que assumem uma duradoura responsabilidade recíproca, prometem-se fidelidade e querem cuidar uma da outra”. Assim, o apelo final: “Devemos encontrar uma forma de permitir que as pessoas vivam sem ir contra os ensinamentos da Igreja”.
Sucedendo em julho de 2010 ao falecido cardeal Georg Sterzinski, Woelki logo se afastou das simpatias da comunidade LGBT berlinense, definindo a homossexualidade como “uma violação da ordem da criação”. Muitos pensaram que o diálogo entre o mundo gay e a Igreja alemã havia chegado a um beco sem saída. Ao contrário, poucos dias depois da sua primeira exposição sobre o assunto, o arcebispo convocou uma conferência de imprensa muito concorrida, durante a qual voltou atrás, dizendo-se pronto também para debater com os ativistas homossexuais.
E o diálogo aconteceu. No Katholikentag (16 a 20 de maio de 2012), a grande manifestação dos católicos alemães, com mais de 80 mil presenças, Woelki, desde fevereiro elevado à dignidade cardinalícia, disse: “Quando duas pessoas homossexuais assumem a responsabilidade recíproca, se tiverem uma relação fiel e de longo prazo, é preciso considerar essa relação do mesmo modo que um vínculo heterossexual”. Muitos dos presentes não acreditaram em seus próprios ouvidos. Há alguns dias, o arcebispo voltou sobre a questão na entrevista à Die Zeit.
Basicamente, essa é a primeira vez que um cardeal eleitor no próximo conclave se expressa em termos tão claros sobre um assunto tão delicado como a homossexualidade. Mudanças de percurso já haviam sido invocadas pelo cardeal Carlo Maria Martini – que tem mais de 80 anos e, portanto, não envolvido no pós-Ratzinger –, pelo arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, pelo bispo de Ragusa, Paolo Urso, mas nunca pelas primeiras fileiras do Colégio Cardinalício.
Outra coisa é o discurso sobre os divorciados em segunda união. A questão é muito sentida por Bento XVI, e há muito tempo surgem rumores sobre o estudo de uma solução para o problema.

A nota é de Giovanni Panettiere, publicada no blog Pacem in Terris, 09-07-2012 e reproduzido pelo IHU-Unisnos

Watterfall still running!

no preview

Para quem pensava que a cassação de Demóstenes seria um baque para Carlinhos Cachoeira e sua troupe, uma má notícia: Wilder Morais (DEM-GO) é o primeiro suplente de Demóstenes e foi colocado nesse posto pelo empresário Carlinhos Cachoeira, a quem chamava de “Vossa Excelência”. Mais: é ex-marido da atual mulher de Cachoeira! Ou seja, Charles Watterfalls still running!…

Bóson de Higgs

Para os poucos visitantes que me dão a honra de, de vez em quando, passar por aqui e, nos últimos dias, constataram a minha ausência temporária, meu pedido de desculpas com a informação da razão de minha ausência. O que aconteceu é que, há mais ou menos uma semana, passeando pela beira do Guaíba, perto da Usina do Gasômetro, me encontrei com o Sr. Bóson de Higgs. Todos já devem ter ouvido falar dele, com certeza. Também é conhecido por Partícula de Deus. É o cara mais procurado do mundo. Construíram dois grandes laboratórios chamados de “Colisor de Adrons” para tentar achá-lo. Um construído por um consórcio europeu, entre a Suíça e a França. O outro, nos Estados Unidos, com mão de obra mexicana, técnicos indianos e paquistaneses e dinheiro chinês. Enfim, todo mundo tá atras d’Ele.
Pois o Sr. Bóson de Higgs me disse, num português fluente (afinal, se ele é Partícula de Deus e Deus é brasileiro, nada mais normal que fale português) que estava cansado do Big Brother High Tech que montaram para observá-lo e se mandou pro lado debaixo do Equador onde, apesar do país tropical, faz muito frio e a elegância manda que, mesmo num julho de 30 graus, vista-se sobretudo, manta, boné, luva e bota e assim, disfarçado de “portoalegrense mediano”, pudesse ter uma vida normal.
Minha tentação foi perguntar ao Sr. Bóson porque o procuravam tanto se a Partícula de Deus que dizem que ele é pode ser encontrada todos os domingos na Missa que o Padre reza na Igreja das Dores, logo ali na Rua da Praia… Num insante me dei conta de que a herética pergunta poderia ser tomada por ofensiva e me calei. Afinal, um bom portoalegrense deve receber bem os ilustres turistas – estamos treinando para a Copa! – e não fazer perguntas indiscretas.
Enquanto olhava para o lado da Ilha Grande , a dos Marinheiros, para ver como estava o céu e a possibilidade de oferecer ao Sr. Bóson o mais lindo Por de Sol do mundo, nesse meu instante de distração, o ilustre visitando, sem que eu percebesse, tomou emprestado um skate de uma criança e, rapidamente, afastou-se em direção ao Anfiteatro Por-do-sol. Perdi-o de vista e, a partir daquele dia, todas as tardes voltei ao Gasômetro para ver se encontrava o Sr. Bóson. Daí meu pouco tempo para alimentar esta página.
Mas, hoje de manhã, ao lêr a Zero Hora, minha busca foi recompensada. Numa reportagem sobre o México que, com a vitória eleitoral do PRI à Presidência voltou a ter a Democracia Perfeita onde não há necessidade de eleições mas já se sabe de antecedência quem vai ganhar, um grupo de atores amadores leva alegria e diversão aos bairros periféricos da capital com encenações gratuitas de luta livre. Entre os atores, uma figura que reconheci imediatamente: o Sr. Bóson de Higgs. Mesmo que a máscara de lutador não deixasse ver seu rosto, não tive dúvias: lá estava ele, anônimo em meio à multidão que o aplaudia! Deve estar muito feliz…
P.S.: Escrevo este post às 8h30min da manhã. Não tomei nem fumei nada. Ontem foi meu último dia de aula do semestre!…

Um Prefeito amigo da Teologia da Libertação


Dom Gerhard Ludwig Müller, bispo de Regensburg, na Alemanha (Foto: )

Em uma medida amplamente esperada assim como criticamente importante, o Papa Bento XVI nomeou Dom Gerhard Ludwig Müller, bispo de Regensburg, na Alemanha, a suceder o cardeal norte-americano William Levada como prefeito da poderosa Congregação para a Doutrina da Fé.
Dentre outras coisas, a nomeação significa que Müller, 64 anos, será o ator-chave do Vaticano na revisão da Leadership Conference of Women Religious (LCWR) demandada pela Congregação doutrinal em abril.
Alguns observadores acreditam que o fato de o intercâmbio com a LCWR ser agora liderado por um não americano poderá afetar a intensidade do interesse da Congregação, senão até a substância das suas posições.
Levada, que completou 76 anos em junho, liderava a Congregação desde maio de 2005.
O novo czar doutrinal do papa tem um perfil na Alemanha como um acérrimo defensor da ortodoxia católica, embora não um ideólogo. Dentre outras coisas, Müller tem uma forte amizade com o teólogo da libertação peruano Gustavo Gutiérrez.
Müller goza claramente da confiança do papa.
Além do fato de Müller ser o bispo da diocese natal do papa, onde o irmão de Bento XVI, Geörg, ainda reside, ele também é o editor da opera omnia do pontífice, uma coleção abrangente de todos os escritos teológicos do papa. O próprio Müller é um prolífico autor, tendo escrito mais de 400 obras em uma ampla variedade de temas teológicos.
Apesar da sua reputação amplamente conservadora, Müller, de fato, obteve seu doutorado em 1977 orientado pelo então padre Karl Lehmann, que se tornaria o cardeal de Mainz e o líder da ala moderada da Conferência dos Bispos da Alemanha. A tese de Müller foi sobre o famoso teólogo protestante alemão Dietrich Bonhoeffer.
Além disso, Müller também é amigo íntimo de Gutiérrez, amplamente visto como o pai do movimento da teologia da libertação na América Latina. Todos os anos desde 1998, Müller viaja ao Peru para fazer um curso com Gutiérrez e passa algum tempo vivendo com os agricultores em uma paróquia rural, perto da fronteira com a Bolívia.
Em 2008, ele aceitou um doutorado honorário da Pontifícia Universidade Católica do Peru, que é amplamente vista como um bastião da ala progressista da Igreja peruana. Na ocasião, ele elogiou Gutiérrez e defendeu a sua teologia.
“A teologia de Gustavo Gutiérrez, independentemente de como você olha para ela, é ortodoxa porque é ortoprática”, disse ele. “Ela nos ensina a forma correta de agir de uma forma cristã, já que provém da verdadeira fé”.
Houve rumores de que Müller estaria na pole position para assumir a Congregação doutrinal há algum tempo, e no fim do ano passado houve um impulso nos círculos tradicionalistas para tentar bloquear a nomeação. Circularam e-mails sugerindo que Müller, ex-membro da Congregação para a Doutrina da Fé, não era um homem de “doutrina segura”.
Especificamente, os e-mails citavam Müller por ter se somado a posições suspeitas sobre a virgindade de Maria (ele disse em um livro de 2003 que ela não deveria ser entendida em um sentido “fisiológico”), a Eucaristia (Müller, aparentemente, aconselhou contra o uso do termo “corpo e sangue de Cristo” para descrever o pão e o vinho consagrados na missa) e o ecumenismo (em outubro passado, Müller declarou que os protestantes “já fazem parte da Igreja” fundada por Cristo).
Os defensores de Müller argumentaram que, em cada caso, suas palavras foram ou tiradas do contexto ou eram consistentes com o ensino oficial.
Nesse domingo, um líder da fraternidade católica tradicionalista de São Pio X se opôs à nomeação de Müller, citando seus pontos de vista supostamente heterodoxos sobre a virgindade perpétua de Maria.
“Não é aceitável que o líder da Congregação sustente uma heresia”, disse o bispo auxiliar Alfonso de Galarreta, um dos quatro prelados da Fraternidade separatista.
Os comentários foram feitos em uma cerimônia em que Galarreta ordenou dois novos padres para a Fraternidade.
Uma das novas responsabilidades de Müller será administrar as negociações com a Fraternidade São Pio X. Recentemente, o Vaticano anunciou planos para uma prelazia pessoal, ou seja, uma diocese não territorial, para reincorporar os tradicionalistas que desejam voltar à comunhão com Roma.
A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada no sítio do jornal National Catholic Reporter, 02-07-2012.

Dados que falam por si mesmos.

Dilma Rousseff teve aprovação recorde na segunda pesquisa Ibope de 2012 . Foto: Forbes/Reprodução

Hoje, no final da manhã, sobrei cinco minutinhos para dar uma rápida olhadinha na internet. Um rápido giro por alguns sites de notícias e duas informações que saltavam aos olhos. A primeira, a divulgação pelo IBGE dos dados do Censo 2010 relativo à pertença religiosa dos brasileiros. Segundo o Censo, o número de católicos caiu quase 7% no Rio Grande do Sul na última década. O dos evangélicos – Assembléia de Deus à frente – subiu quase 4 %. No Brasil, os número foram ainda mais significativos: em todo o país, os católicos passaram de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010 – queda de 9%. Os evangélicos, por sua vez, foram o segmento religioso que mais cresceu no Brasil. Em 2000, eles representavam 15,4% da população. Em 2010, chegaram a 22,2%, um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões). Em 1991, este percentual era de 9,0% e em 1980, 6,6%.
Em quase todos os sites, a outra notícia de capa era sobre a pesquisa de aprovação popular de Dilma e seu governo. Aí os números também era impactantes. O governo de Dilma tem 59% de aprovação, nível maior do que se comparado a segunda pesquisa CNI/Ibope feita no segundo ano de governo do primeiro mandato de Lula e FHC. Nessa base de comparação, Lula teve, em junho de 2004, 29% de aprovação, enquanto FHC conseguiu 35% em maio de 1996.
A confiança também é maior em Dilma do que foi em Lula e FHC. Na pesquisa divulgada hoje, 72% dos entrevistados afirmaram confiar na presidente. Em junho de 2004, Lula registrou 54%, enquanto FHC teve 53% em maio de 1996.
A aprovação da maneira de governar da presidente atingiu o maior patamar da história, superando seu antecessor mais popular. Em junho deste ano, Dilma manteve a alta histórica de 77%, enquanto o maior nível atingido por Lula foi de 75%. No entanto, a aprovação de Lula na mesma base de comparação (2ª pesquisa do segundo ano do primeiro mandato) ficou em 51% em junho de 2004. FHC conseguiu, em maio de 1996, 54%.
Qual a diferença entre Dilma e a Igreja;; Uma só: a opção pelos pobres. Não por acaso o Rio de Janeiro, lugar onde a opção pelos pobres foi renegada e excluída do vocabulário eclesial oficial, é o lugar onde o índice de católicos continua a cair vertiginosamente.
Interessante seria fazer um estudo por região e averiguar a relação concreta entre a postura da Igreja frente aos problemas dos pobres e a permanência na Igreja. Esperamos que algum sociólogo com tempo e condições possa fazer isso.
Enquanto isso, o governo Dilma com suas ações concretas em favor dos preferidos de Jesus, continua surfando em popularidade.

Carta das Religiões e o Cuidado da Terra

No Espaço da Coalizão Ecumênica e Inter-religiosa “Religiões por Direitos”, no âmbito da Cúpula dos Povos na Rio+20 para a Justiça Social e Ambiental, contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns, os líderes religiosos do Brasil signatários, aderindo à iniciativa da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Interreligioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e de Religiões pela Paz, reuniram-se para debater a relação entre as religiões e as questões ambientais.
Como resultado do diálogo, concordou-se que a agenda das religiões na atualidade não deve desconsiderar a agenda do cotidiano da vida das pessoas na sociedade e das exigências da justiça ambiental. A agenda das religiões deve incluir os elementos que traçam os projetos do ser humano na busca de realização da sua existência e afirmar compromissos efetivos com a defesa da vida no planeta. Religiões, sociedade, desenvolvimento sustentável e meio ambiente não são realidades distanciadas, mas estreitamente correlatas. As tradições religiosas contribuem para a afirmação dos valores fundamentais da vida pessoal, socioeconômica e ambiental, orientando para a convivência pacífica e respeitosa entre os povos, culturas e credos, e destes com toda a criação.
Assim, é fundamental na agenda das tradições religiosas hoje:
a) Apresentar ao mundo o sentido da existência humana. A humanidade vive momentos de pessimismo, com sensação de fracasso e desânimo, sobretudo nas situações e ambientes de crises econômicas, de injustiças, de violência e de guerras. Comprometemo-nos em fazer com que as nossas tradições religiosas afirmem de modo concreto o valor da vida de cada pessoa, independente da sua condição social, religiosa, cultural, étnica e de gênero, ajudando-as na superação dos problemas que lhes afligem no cotidiano, sejam eles de caráter sócio-econômico-político e cultural, sejam eles de caráter pisíquico-espiritual.
b) Promover a educação e a prática do respeito mútuo, do diálogo, da convivência pacífica e da cooperação entre os diferentes povos, culturas e religiões, fundamental no mundo plural em que vivemos. Assumimos o compromisso de trabalhar para a convergência dos diferentes paradigmas culturais e religiosos dos povos, como uma possibilidade para melhor entendermos o mundo dentro de suas inter-relações e a convivência entre todos os seres humanos.
c) Explicitar mais e melhor o que já possuímos em comum. Nossas tradições já partilham valores religiosos, como a fé em um Ser Criador, o cultivo da relação com Ele, a compreensão da origem e do fim de cada pessoa. Comprometemo-nos a partilhar as riquezas que possuímos para fortalecer as relações entre nossas tradições, o enriquecimento e o reconhecimento mútuos, bases para a cooperação inter-religiosa em projetos que promovem o bem comum.
d) Discernir juntos os valores que constroem a paz no mundo. Sabemos que a paz não é simples ausência da guerra, mas é fruto da justiça e da prática do amor.
Comprometemo-nos na promoção da convivência pacífica entre os povos e o desenvolvimento da fraternidade e da solidariedade universal, superando todo fundamentalismo e exclusivismo, bem como o consumismo irresponsável que causam conflitos entre as pessoas e os povos.
e) Viver a compaixão para com os mais necessitados, empobrecidos e excluídos da sociedade. Assumimos o compromisso de realizar juntos projetos sociais que fortalecem a solidariedade nas comunidades religiosas e na família humana.
f) Promover o valor e o cuidado da criação. Tomamos conhecimento das ameaças à vida do planeta, consequências dos interesses econômicos que constroem uma cultura utilitarista e consumista na sociedade em que vivemos. Comprometemo-nos com o desenvolvimento de uma nova ética na relação com o meio ambiente, capaz de orientar novas atitudes defensoras de todas as formas de vida, sustentadas em políticas públicas de justiça ambiental e numa mística/espiritualidade que explicite a gratuidade e o dom da vida da criação.
g) Afirmar elementos de uma ética comum que, sustentada nas convicções religiosas que possuímos, seja capaz de orientar atitudes e comportamentos de paz e de justiça, tanto dos membros das nossas tradições como de todos os povos. Comprometemo-nos a desenvolver novos comportamentos, com prevalência da ética da tolerância e da liberdade cultural e religiosa, do respeito às diferenças, da dignidade de toda pessoa, da convivência entre credos e culturas, dos direitos humanos.
Finalmente, solicitamos à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, acolher a contribuição das religiões para o cuidado da vida na terra, reconhecendo que os imperativos morais DAS nossas tradições, convicções e crenças, bem como os nossos esforços de diálogo e cooperação inter-religiosa são imprescindíveis para alcançarmos o desenvolvimento sustentável de toda a humanidade.

Exmo. e Revmo. Dom Francisco Biasin – Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
Rev. Pe. Peter Hughes – Secretário Executivo do Departamento de Justiça e Solidariedade do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM)
Revmo. Dom Francisco de Assis da Silva – Primeiro Vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)
Rev. Dr. Walter Altmann – Moderador do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI)
Rev. Nilton Giese – Secretário Geral do Conselho Latino-americano de Igrejas (CLAI)
Rabino Sergio Margulies -Representante da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ)
Sami Armed Isbelle – Diretor do Departamento Educacional e de Divulgação da Sociedade Beneficente Mulçumana do Rio de Janeiro (SBMRJ)
Ialorixá Laura Teixeira – Coordenadora Estadual do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileiras – Rio de Janeiro (INTECAB)
Irmã Jayam Kirpalani – Diretora Europeia da Universidade Espiritual Mundial Brahma Kumaris
Elias Szczytnicki – Secretário Geral e Diretor Regional de Religiões pela Paz América Latina e o Caribe