Paraguai: um golpe nos golpistas

Como diz o dito popular, “às vezes quando se ganha, então é que se perde e, quando se perde, então é que se ganha”. Não sei, mas algo está a me dizer que os golpistas do Paraguai preparam um golpe para si mesmos: A Constituição Paraguaia não prevê a inelegibilidade de governantes afastados por incapacidade administrativa, o que foi o caso de Lugo. Ou seja, daqui a dez meses, em abril de 2012, o Presidente deposto poderá ser eleito pelo povo para mais um mandato de quatro anos. Tudo depende da capacidade de mobilização popular e da pressão dos países vizinhos para que a vida do ex-bispo seja respeitada.

Abaixo a reportagem de “Dom Total” que também segue o mesmo racioncínio:

A dez meses das eleições presidenciais, quadro é de incertezas no Paraguai

Por Renata Giraldi

Assunção – A história política do Paraguai é marcada por avanços e recuos, além de uma das ditaduras mais longas das Américas, a comandada pelo general Alfredo Stroessner – que durou 34 anos, acabando em 1988. Em 2008, o país elegeu o ex-bispo Fernando Lugo, que prometeu reforma agrária e melhorias sociais. Com o impeachment de Lugo na última sexta-feira (22), o quadro de incertezas predomina no país a dez meses das eleições gerais.

O impeachment de Lugo não o impede de concorrer às eleições. Pela Constituição, ele preserva todos os direitos políticos, portanto, não há limitações legais à sua candidatura. No entanto, a legislação paraguaia proíbe a reeleição, o que não permitirá, por exemplo, que o novo presidente, Federico Franco, tente se manter no poder. Lugo não confirma nem descarta a possibilidade de se candidatar a um cargo eletivo em abril. Ao ser perguntado ontem (25) sobre o que pretende fazer, ele foi evasivo: ´Ainda não se pode definir´. Para analistas políticos, o ex-presidente não se manifesta sobre o futuro porque trabalha com a hipótese de poder retornar ao poder para concluir o mandato.

Em 21 de abril de 2013, todos os cidadãos paraguais de 18 a 75 anos são obrigados a votar. Serão escolhidos o presidente, o vice, 17 governadores e parte dos 45 senadores e 80 deputados federais. Porém, o impeachment de Lugo e o novo governo do presidente Federico Franco geraram uma série de especulações ainda sem respostas.

Pelo cenário atual da política paraguaia, as eleições deverão polarizar as disputas entre os candidatos do tradicional Partido Colorado, que fez oposição a Lugo e ao qual pertencia Stroessner, e o Partido Liberal. Alguns nomes se apresentam como eventuais candidatos para a Presidência da República, mas não há confirmações oficiais.

Os candidatos pelo Partido Liberal são Horicio Cartes, Zacarias Irún e Lilian Samaniego – que é a presidenta da legenda. Pelo Partido Liberal, devem estar na disputa Blás Llano, empresário e ligado ao governo Franco, e Efraim Alegre.

Agência Brasil

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