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Sobre Vanildo Luiz Zugno

Espaço para publicação de textos teológicos e áreas afins. Aberto a todos aqueles e aquelas que desejam compartilhar suas reflexões e experiências teológicas e religiosas.

Luigi Padovese, bispo capuchinho na Turquia, é assassinado

Mgr Luigi Padovese, bishop of Iskenderun, in Anatolia, was killed today around 1 pm.

A priest friend had just met and spoken to him right after 12 o’clock.

The prelate’s driver and aide, a Muslim who had worked for the prelate for some time, is thought to have attacked the bishop with a knife.

Eyewitnesses said that the driver appeared “depressed, violent and threatening” in recent days.

Mgr Padovese, 63, was appointed Apostolic Vicar to Anatolia in 2004.

Currently, he was the president of the Catholic Bishops’ Conference of Turkey.

He was closely involved in ecumenical work and in the dialogue with Islam as well working to revive Turkey’s Christian communities.

He had met Turkish authorities yesterday to discuss problems affecting Christian minorities.

He was supposed to visit Cyprus tomorrow to meet Benedict XVI who is visiting the island where he will issue the Instrumentum Laboris for the Synod for the Churches of the Middle East.

This is not the first time that the Catholic Church in Turkey is the subject of threats, violence and death.

In 2006, a Fidei Donum priest, Fr Andrea Santoro, was assassinated in Trabzon.

In 2006, during the memorial Mass for the murdered priest, Mgr Padovese said, “we forgive whoever carried out this act. It is not by destroying someone who holds opposing views that conflicts can be resolved. The only path that must be taken is that of dialogue, of reciprocal recognition, of closeness and friendliness. But as long as television programs and newspaper articles produce material that shine a bad light on Christians and show them as enemies of Islam (and vice versa), how can we imagine a climate of peace?” Always talking about Fr Santoro, he added, “Whoever wanted to erase his physical presence does not know that his witness is now even stronger.”

Fr Federico Lombardi, director of the Holy See Press Office, said, “What has happened is terrible if we think about other examples of bloodshed in Turkey, like the murder of Fr Santoro a few years ago. [. . .] Let us pray that the Lord may reward him for his great service to the Church and that Christians not be discouraged,” but instead “follow his strong witness and continue to profess their faith in the region.”

Uma preparação um tanto esquizofrênica

Problemas com a imprensa e amistoso milionário contra país de ditador fazem parte da estranha preparação da seleção de Dunga para a Copa do Mundo

Tudo começou no dia 11 de maio quando o ex-capitão Dunga convocou os seus 23 preferidos para vestir o fardamento canarinho na primeira Copa do Mundo Fifa a ser realizada em território africano. Enquanto todos pediam os meninos Ganso e Neymar que brilhavam no Santos, as surpresas foram Kléberson, reserva do Flamengo, e Grafite, que jogou apenas 15 minutos num amistoso contra a Irlanda e deu um passe de calcanhar para Robinho marcar.

Dunga exaltou o patriotismo e disse não saber afirmar se os períodos da ditadura e da escravidão foram ruins porque não os viveu. Invocou a dedicação para justificar a presença de jogadores de futebol duvidável como Doni, Gilberto, Josué, Gilberto Silva, Felipe Mello, Julio Batista, Elano… dai já vai praticamente metade da patota.

No dia 21 de maio, a seleção da CBF começou a sua preparação para a Copa no Centro de Treinamento do Caju, do Clube Atlético Paranaense. Dizem a más línguas, que o fato de a seleção ter o Caju como base de treinamento fez parte do acordo para o Atlético-PR votar no candidato da CBF Kléber Leite, na eleição dos Clube dos 13, em abril.

Contudo o que se viu nesse período em que o time de Dunga esteve treinando no Brasil foi tudo menos os jogadores e futebol. Portões fechados para a imprensa e a torcida. Protestos e revolta por parte dos fãs curitibanos que queriam ver os seus ídolos de perto. Permissão concedida pela cúpula da comissão técnica apenas no último dia em Curitiba. Problema resolvido com o povo, deve ter pensado Dunga. Porém a outra parte dos que estavam presentes, para informar o resto da população brasileira, a imprensa, não ficam tão feliz e assim começou um atrito com o “carismático” técnico da seleção que viria se agravar com o tempo.

Em seguida, os jogadores, comissão técnica e o alto escalão da CBF, entre eles o presidente Ricardo Teixeira e o chefe da delegação brasileira na África do Sul, o presidente do Corinthians e amigo pessoal de Teixeira, Andres Sanches – que também votou a favor de Kleber Leite na eleição do Clube dos 13 – viajaram para Brasília. No Palácio do Planalto foram recebidos pelo presidente Lula. Neste encontro duas cenas no mínimo engraçadas: na primeira, na foto geral com todos os jogadores, o presidente Teixeira se viu espremido entre a barriga do presidente Sanches e o ombro do presidente Lula. Na outra, o patriótico e carrancudo Dunga cumprimenta de cara fechada e com a mão no bolso o sorridente presidente da República.

Rumo à África do Sul surgiu um boato de ordem política e organizacional, mas em relação a Copa de 2014 no Brasil. Os amigos Teixeira e Sanches parecem ter trocados figurinhas durante o vôo sobre uma certa construção que abalaria moralmente e politicamente um inimigo em comum: o presidente do São Paulo Futebol Clube, Juvenal Juvêncio. Juvenal, por sinal, estava na chapa vencedora de Fabio Koff na eleição do Clube dos 13. Mas voltando a construção: trata-se da arena multi-uso que seria erguida em São Paulo para servir de abertura para o torneio mundial de 2014. Com essa decisão o Corinthians ganharia de presente o seu tão sonhado estádio e Teixeira acabaria com as esperanças de Juvêncio de ver o Morumbi como abertura para a Copa de 2014. No olho deste furacão, o prefeito Gilberto Kassab por enquanto se esquivou: “nada a declarar”.

Voltando a Dunga e a preparação para a Copa deste ano. A seleção da CBF está hospedada num hotel construído especificamente para o mundial e de acordo com o padrão Dunga de segurança e reclusão. Faz corridas no campo de golfe anexo ao hotel e treina numa escola particular próxima. Todas as instalações utilizadas pelos jogadores e comissão técnica ficam numa área de altíssimo nível na periferia da gélida Joanesburgo, frequentada praticamente apenas por brancos, segregação social herdada do apartheid – período em que essa separação era explicitamente racial.

Como de praxe, a seleção realizará amistosos para servir de preparação técnica antes do início do torneio. Só que neste ano, como também tem sido de praxe por parte da CBF de Teixeira, os amistosos terão interesses econômicos. Juntos, os amistosos contra Zimbábue e Tanzânia arrecadarão aos cofres da entidade 5 milhões de euros. Mesmo tecnicamente, esses jogos são questionáveis porque ambas seleções ficaram longe de se classificar para o Mundial e estão aquém de outros conjuntos nacionais africanos que o Brasil poderia enfrentar como a anfitriã África do Sul e a irmã Angola, que enviaram convites a CBF logo recusados.

O amistoso contra o Zimbábue no dia 2 de junho envolve questões políticas muito delicadas que a seleção brasileira, em fase de preparação para a Copa, não deveria se envolver. O Zimbábue é um dos países mais pobres do mundo, não tem uma moeda corrente própria por causa da incalculável inflação e está sob um sangrento regime de repressão há trinta anos comandado pelo ditador Robert Mugabe, que foi o mais beneficiado pelo amistoso. Mugabe desembolsou milhões de euros para dar um dia de paz e alegria para o seu povo poder ir assistir os “samba boys” brasileiros no estádio Nacional de Harare, capital do país, reformado recentemente com dinheiro e trabalhadores chineses. Na capa de hoje do jornal do governo zimbabuano, o de maior circulação no país, o ditador Mugabe aparece cumprimentando o sorridente Kaká. Vitória de Mugabe.

De volta a Joannesburgo, os jogadores brasileiros realizaram um treinamento no estádio de Glastonbury, em Soweto, bairro pobre da periferia da capital que ficou famoso pela resistência ao apartheid e que tem como morador ilustre o ex-presidente Nelson Mandela. O evento foi organizado pela Fifa e tinha como objetivo aproximar a população mais pobre sul-africana do rico evento que a federação está organizando no país.

Nesta mesma quinta-feira 3, a rixa entre imprensa e comissão técnica teve mais um episódio. O auxiliar Jorginho reclamou que os jornalistas andam apenas criticando e parece que estão torcendo contra a seleção. Revoltado, ressaltou que essa disputa apenas fortalece e não atrapalha. Aparentemente Jorginho e Dunga estão acostumados com a parte da imprensa que tem como slogan “o nosso compromisso é torcer pelo Brasil” e se esqueceu que o papel dos jornalistas não é torcer nem a favor e nem contra, mas de apenas analisar e informar a situação apresentada.

A seleção segue treinando entre a elite até domingo quando parte para a Tanzânia para um novo amistoso contra a seleção local na segunda-feira. Pelo menos na Tanzânia há uma democracia.

Amantes de padres católicos pedem fim de celibato em carta

Representantes de um grupo de mulheres que dizem ter relações sentimentais com sacerdotes católicos divulgaram uma carta aberta que enviaram ao Vaticano para pedir o fim do celibato para os padres.

O grupo é formado por cerca de 40 mulheres de várias cidades da Itália, que tiveram ou ainda têm um relacionamento com padres católicos. Elas se conheceram e se comunicam através da internet.

Elas dividem experiências e pedem orientações. A maioria prefere manter a própria identidade sob sigilo.

Recentemente, 10 mulheres deste grupo escreveram uma carta aberta ao Papa, pedindo que o celibato seja eliminado ou se torne opcional.

“Estamos acostumadas a viver de forma anônima os poucos momentos que os padres nos concedem e vivemos diariamente o medo e as inseguranças dos nossos homens, suprindo suas carências afetivas e sofrendo as consequências da obrigação do celibato”, diz o texto da carta, que foi enviada a 150 órgãos de imprensa italianos.

A carta foi assinada apenas por três mulheres: Antonella Carisio, Maria Grazia Filipucci e Stefania Salomone. As outras preferiram permanecer no anonimato.

“Todos têm medo porque estamos perto do Vaticano. As mulheres, os padres e as pessoas que sabem dos casos preferem não falar. Por causa disso é difícil que na Itália exista uma verdadeira associação, como existe na França, na Suíça ou na Espanha”, disse Stefania Salomone à BBC Brasil.

Embora exista desde 2007, o grupo só ficou conhecido recentemente, devido ao escândalo dos abusos sexuais cometidos por padres católicos.

O celibato foi apontado como uma das possíveis causas dos abusos e a ala progressista da Igreja Católica defende sua abolição. O papa Bento 16, no entanto, reafirmou que o celibato é obrigatório e que seu valor é “sagrado”.

“Quando ouvimos mais uma vez o papa declarar que o celibato é sagrado, decidimos escrever pedindo que ele seja eliminado ou que se torne opcional”, disse Stefania, 42 anos, de Roma.

Ela disse que teve um relacionamento de 5 anos com um sacerdote. Casos como o seu são comuns, segundo ela, embora não sejam divulgados.

“A coisa fundamental é que não se saiba. O superior do religioso não tem interesse de impedir que o padre se encontre com uma mulher ou mesmo com um homem. O problema surge quando isto se torna público, ou quando desta relação nasce um filho. No grupo temos mulheres com filhos de padres.”

Transferência
Quando os casos são descobertos, segundo ela, os clérigos são transferidos para outras dioceses, como ocorreu com um padre brasileiro que teria se envolvido com outra mulher do grupo.

Antonella Carisio, de 42 anos, divorciada, com um filho de 15 anos, diz que teve uma relação de quase dois anos com o sacerdote brasileiro.

O religioso foi transferido para o Brasil, depois que o caso foi descoberto.

“Tenho certeza que ele quis voltar ao Brasil para colocar um fim no nosso relacionamento, que foi muito intenso.”, declarou Antonella à BBC Brasil.

“Todos na minha família o conheciam, até minha avó, e eram cordiais com ele. Chegamos a sair diversas vezes com meu filho, que eu não teria envolvido se não fosse um relacionamento sério”, afirmou Antonella.

A família do sacerdote no Brasil contudo, não sabia de nada. “Seria um choque para sua mãe, familiares e amigos” , diz a italiana.

“Eu estava disposta a ficar a seu lado do mesmo jeito, nunca impus que deixasse o sacerdócio. Seria difícil para ele, que entrou no seminário aos 12 anos de idade e viveu 30 anos nesta condição. Eu teria aceito ficar na sombra”.

Na avaliação de Antonella, os sacerdotes não têm o apoio necessário para enfrentar os problemas ligados à sexualidade e aos sentimentos.

“Nos seminários ensinam apenas a excluir os sentimentos da própria vida e a criar uma parede entre si e os outros. Como podem entender certas situações que nunca viveram?”

De acordo com Stefania Salomone, dificilmente um padre envolvido com uma mulher deixa o sacerdócio.

“A maior parte não abandona o sacerdócio por uma mulher. Preferem ter as duas coisas pois não suportam deixar de ser ministros sagrados para entrar na rotina de um casamento”.

O grupo tem o apoio de outros movimentos católicos que defendem o fim do celibato, como a associação de padres casados e o movimento internacional “Nós somos Igreja” .

Um estudo publicado pela revista Civiltà Cattolica, da Ordem dos Jesuitas, aponta que em 40 anos, de 1964 a 2004, 69 mil padres deixaram o sacerdócio no mundo. A maior parte dos pedidos de dispensa, segundo o estudo, deve-se a situações de instabilidade afetiva.

Bolsa Família aumenta renda de beneficiário em 48%, diz governo

As famílias que recebem os benefícios do Bolsa Família conseguem aumentar seus ganhos mensais em 48% com o programa de distribuição de renda, indica um levantamento divulgado nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome.

De acordo com o estudo, sem o benefício essas famílias teriam uma renda mensal per capita de R$ 48,69. O ganho, no entanto, sobe para R$ 72,42 quando a ajuda do governo federal é contabilizada.

A pesquisa também traz uma atualização sobre o perfil dos beneficiários. A maior parte das pessoas que compõem essas famílias mora em áreas urbanas (70%), tem casa própria (61,6%), é mulher (54%) e de cor parda (64%).

A família típica do Programa, segundo o estudo, é formada por quatro pessoas, além de ter como responsável legal uma mulher de 37 anos de idade, parda e com a 4ª série do ensino fundamental completa.

Criado em 2003, o Bolsa Família tem cerca de 12 milhões de famílias cadastradas, com um orçamento aproximado de R$ 13 bilhões.

Feminista diz em livro que movimento ecológico oprime as mães

Bebê sendo amamentado

Um livro escrito pela filósofa e feminista francesa Elisabeth Badinter, que será lançado este ano no Brasil, está causando grande polêmica na França por acusar os movimentos ecológicos de contribuir para a regressão do papel da mulher na sociedade ao “impor” a amamentação, o uso de fraldas de pano e a necessidade de alimentar os bebês somente com produtos naturais, preparados em casa.

O livro Le Conflit – La Femme et la mère (O Conflito – A Mulher e a mãe, em tradução literal – o título da edição brasileira, que deve ser lançada pela Editora Record até o final do ano, ainda não foi definido) já vendeu mais de 150 mil exemplares e está na lista de best-sellers na França desde seu lançamento, em fevereiro.

Atualmente na 11ª posição global, segundo o ranking da revista Livres Hebdo, o livro chegou a ser número um de vendas e ocupou durante várias semanas consecutivas o segundo ou terceiro lugares.

Segundo a autora, o discurso ecológico está limitando as mulheres ao papel único de mãe ao exigir uma série de comportamentos e deveres que tornam a maternidade um “trabalho em tempo integral”.

‘Tirania da mãe perfeita

Na prática, para Badinter, o movimento naturalista incitaria as mulheres a ficar em casa para cuidar dos filhos.

“Estamos assistindo a uma verdadeira mudança radical, que está ocorrendo de forma subterrânea. Há um aumento incrível dos deveres maternos. A natureza se tornou um novo Deus, com critérios morais que culpam quem não seguir o discurso”, disse Badinter em entrevista à BBC Brasil.

A filósofa afirma que “há uma tirania da mãe perfeita” e que “uma boa mãe”, nos dias de hoje, segundo as teorias ecológicas, é “aquela que amamenta durante pelo menos seis meses, não coloca o filho em creches tão cedo porque deve existir uma relação de fusão com a criança, não usa fraldas descartáveis nem alimentos industrializados”.

“Os potinhos para bebê se tornaram um sinal de egoísmo da mãe, então voltamos para os purês preparados em casa”, afirma.

“Em nome desta ideologia naturalista, nos países escandinavos quase não há mais anestesia peridural nos partos, ela até mesmo é fortemente desaconselhada”, diz Badinter.

Revolta

Na França, o livro suscitou inúmeras críticas de pediatras, políticos e até mesmo feministas, além de pessoas ligadas a movimentos ecologistas, que se autodenominaram “verdes de raiva” em relação ao livro em discussões na internet.

Não critico a amamentação. Só não quero que seja um modelo imposto. Nos hospitais, há pressão para que as mulheres façam isso. Mas a mamadeira também é boa para a criança. Não somos todas iguais, como chimpanzés. Há mulheres que não gostam de amamentar.

Elisabeth Badinter

“Tornar a ecologia responsável pelas carências herdadas do mundo patriarcal europeu é algo errado e estéril”, diz Cécile Duflot, secretária-geral do Partido Verde francês.

“Elisabeth Badinter deveria questionar as diferenças salariais entre homens e mulheres e o problema da divisão das tarefas domésticas.”

Duflot acrescenta, em resposta ao livro, que apesar de ela ser ecologista, em sua casa é seu marido quem toma conta dos filhos.

Crise econômica

Badinter também afirma que a primeira causa da regressão da condição feminina são as crises econômicas, “que mudaram profundamente as mentalidades”.

Ela diz que desde os anos 80 a situação no emprego vem se tornando mais difícil, principalmente para as mulheres, mal pagas e “demitidas como um lenço de papel usado”.

“As mulheres passaram a questionar se valeria a pena trabalhar duro, sem satisfação pessoal, para ganhar um salário baixo ou se seria melhor cuidar dos filhos em casa e se realizar plenamente como mãe”, afirma a feminista.

Na França e em outros países europeus isso é possível porque existem auxílios financeiros concedidos às famílias de baixa renda que praticamente podem compensar o fato de um membro do casal não trabalhar.

Segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos Demográficos da França, o número de francesas que cessaram ou diminuíram sua atividade profissional após o nascimento do primeiro filho passou de 10% para 25% entre 2005 e 2008.

O número aumenta para 32% no caso do nascimento de outros filhos depois. Além disso, o estudo revela que as francesas realizam quase 80% das tarefas domésticas e que esse desequilíbrio no casal é ainda maior quando eles têm filhos.

“Sem as crises econômicas, esse discurso naturalista, de uma vida com menos ambições inúteis, mais voltada para a natureza e com menos consumismo, não teria ganhado força”, diz.

Amamentação

Para Badinter, esse modelo de maternidade, com teorias “ecológicas moralizadoras, que fazem a natureza passar na frente das mulheres, torna impossível a igualdade entre os sexos”.

A escritora diz que a necessidade da amamentação se tornou o centro dos deveres maternos e também demonstra o fortalecimento do discurso naturalista que começou nos Estados Unidos, com a Liga do Leite, e no norte da Europa.

Badinter afirma no livro que o “direito de amamentar” está se tornando uma obrigação, reforçada pela Organização Mundial da Saúde, para todas as mulheres, o que também provocou críticas na França de pessoas que apontam os benefícios do leito materno.

“Não critico a amamentação. Só não quero que seja um modelo imposto. Nos hospitais, há pressão para que as mulheres façam isso. Mas a mamadeira também é boa para a criança. Não somos todas iguais, como chimpanzés. Há mulheres que não gostam de amamentar”, afirma.

A França registra a segunda maior taxa de natalidade da União Europeia, após a Irlanda, segundo a Eurostat (agência europeia de estatísticas).

Badinter também já havia criado grande polêmica na França com outro livro, lançado há 30 anos, no qual afirma, baseada em fatos históricos, que o instinto materno não existe.

Impunidade de crimes da ditadura é 'mancha moral do Brasil', diz ONG

O arquivamento da ação que questionava a abrangência da Lei da Anistia, no fim de abril, “é uma mancha na moral do Brasil”, na avaliação de um porta-voz da Anistia Internacional entrevistado pela BBC Brasil nesta terça-feira.

Após o lançamento do relatório anual da organização não-governamental em Londres, o porta-voz Tim Cahill disse que o assunto “é fundamental” e só não foi detalhado no relatório anual porque ele foi fechado em dezembro de 2009 (o informe cobre o período de janeiro a dezembro).

“A impunidade não é coisa do passado. É preciso acabar com essa separação de que a vítima da classe média sendo torturado porque lutava por ideais políticos é diferente do jovem negro sendo torturado em uma instituição sócio-educacional. É preciso quebrar esse mito”, disse Cahill.

Para o representante da Anistia Internacional, o arquivamento da reinterpretação da lei transmite a mensagem de que a violência oficial “é aceitável em certos casos”.

“A mensagem que está sendo claramente enviada a policiais e delegacias é que quando o Estado tortura e mata não existe punição.”

Violência policial

A violência policial, por sinal, é uma das críticas mais veementes no capítulo dedicado ao Brasil no novo relatório da ONG.

“A questão da segurança pública é o principal problema e a Lei da Anistia reflete uma realidade de que certos atos são aceitáveis”, disse Cahill.

O documento da ONG afirma que em todo o país “houve relatos persistentes de uso excessivo da força, de execuções extrajudiciais e de torturas cometidas por policiais”.

“Moradores de favelas ou de comunidades pobres, frequentemente sob o controle de grupos criminosos armados, foram submetidos a incursões policiais no estilo militar”, afirma o relatório.

Os observadores da Anistia destacam que muitos policiais “na linha de frente” também foram mortos “no cumprimento do dever”.

O estudo da ONG cita os casos específicos de projetos como as Unidades de Polícia Pacificadora, no Rio de Janeiro; o Pacto pela Vida, de Pernambuco; e as operações Saturação, em São Paulo.

‘Autos de resistência’

O relatório destaca que estes projetos foram “bem recebidos por alguns setores da sociedade” e que ofereceram “alternativa aos métodos de policiamento repressivos e abusivos de antes”, mas afirma que “moradores de algumas áreas reclamaram de discriminação”.

Mas as críticas da organização se concentram nas ações cometidas fora destes projetos. O relatório criticou a descrição oficial de centenas de mortes cometidas por policiais como “autos de resistência”, o que, segundo Tim Cahill, garante “impunidade automática” aos autores das mortes.

“Em contrariedade às recomendações do relator especial da ONU sobre execuções sumárias, arbitrárias ou extrajudiciais, e em contrariedade ao III Plano Nacional de Direitos Humanos.”

“Centenas de homicídios não foram devidamente investigados e houve poucas ações judiciais, se é que houve alguma.”

Outro caso específico citado no relatório foi o de incursões nas favelas de Acari e da Maré, no Rio de Janeiro, em que, moradores “relataram que as operações policiais violentas coincidiam regularmente com a saída das crianças da escola”.

As milícias também mereceram destaque no relatório, já que teriam se aproveitado “de seu poder sobre as comunidades para obter vantagens econômicas e políticas ilícitas”, além de “ameaçar a vida de moradores” e instituições do Estado.

“Juízes, promotores, policiais e um deputado estadual receberam repetidas ameaças de morte das milícias.”

Política internacional

Os observadores da Anistia ressaltaram a política de “construção de uma aliança ‘Sul'” do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, embora critiquem que esse esforço tenha se dado “à custa do apoio a uma plataforma mais abrangente de direitos humanos”.

De acordo com Tim Cahill, a política internacional de Lula preferiu não adotar uma posição contrária a países como Zimbábue, Irã e outros no Oriente Médio em organismos internacionais como o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

“Com isso, o Brasil fragilizou o sistema de direitos humanos internacional. O país tem muito mais para contribuir internacionalmente e ao mesmo tempo assegurar o respeito aos direitos humanos no próprio país”, disse Cahill.

Para a Anistia Internacional – que afirma ter enviado uma carta aos pré-candidatos à Presidência exigindo um posicionamento sobre a questão de direitos humanos – o saldo dos oito anos de governo Lula, no entanto, foi positivo.

“Houve avanços importantes como o reconhecimento de vários temas, a implantação de mecanismos de defesa dos direitos humanos, reformas na legislação e investimentos sociais, como o Bolsa Família, que melhoraram reduziram a desigualdade no país”, afirmou.

O porta-voz da Anistia Internacional ressaltou entretanto que ao esbarrar em “interesses econômicos”, o governo recua.

“Megaprojetos econômicos são feitos à custa de direitos humanos de povos indígenas, populações ribeirinhas”, disse Cahill, citando os exemplos do projeto hidrelétrico de Belo Monte e de planos de const
rução no Rio de Janeiro e no Amazonas.

Direitos indígenas

O relatório da Anistia voltou a detalhar a situação dos indígenas brasileiros, destacada no relatório do ano passado, após os episódios de violência na reserva Raposa Serra do Sol.

Dessa vez, a decisão de março de 2009 do Supremo Tribunal Federal rejeitando a legalidade da reserva foi elogiada pela Anistia.

No entanto, o relatório denuncia problemas graves no Mato Grosso do Sul.

“O Estado continuou a ser foco de abusos graves contra os direitos humanos dos povos indígenas do Brasil. O governo estadual e o poderoso lobby dos produtores rurais fizeram uso dos tribunais para impedir a identificação de terras indígenas.”

No entanto, a Anistia reconheceu avanços no reconhecimento de terras indígenas através da homologação de nove áreas em Roraima, Pará, Amazonas e Mato Grosso do Sul.

O relatório se baseou em observações realizadas durante os meses de janeiro a dezembro de 2009, com visitas de representantes da Anistia Internacional em maio e dezembro.

Sistema carcerário

No trecho dedicado ao sistema carcerário brasileiro, a Anistia volta a criticar o Brasil.

“Os detentos continuaram sendo mantidos em condições crueis, desumanas ou degradantes. A tortura era utilizada regularmente como método de controle, de humilhação e de extorsão”, diz o documento.

Além disso, o relatório cita ainda a superlotação carcerária como “problema grave” e um aumento da violência nas prisões por causa do “controle dos centros de detenção por gangues”.

Segundo a ONG, os relatos mais graves saíram do Espírito Santo.

“Houve denúncias de tortura, assim como de superlotação extrema e de utilização de navios (chamados ‘microondas’) como celas”, afirma o documento.

Estudo: mortalidade infantil no Brasil caiu 61% em 20 anos

A taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu 61,7% entre 1990 e 2010 – de 52,04 mortes por mil nascimentos em 1990 para 19,88/mil em 2010 -, de acordo com um estudo publicado na última edição da revista médica The Lancet.

O Brasil subiu nove posições no ranking internacional de mortalidade infantil nas últimas duas décadas e estaria a caminho de cumprir uma das metas do Milênio da ONU: diminuir a mortalidade infantil em dois terços até 2015.

A mortalidade infantil caiu no Brasil a uma taxa anual de 4,8% de 1970 a 2010. A ONU estima que seria necessário um índice de redução anual médio de 4,4% entre 1990 e 2015 para o cumprimento da meta, mas a média anual de redução registrada na análise de 187 países foi de 2,1%.

Apesar do esforço, o Brasil está em 90º lugar no ranking, com número bem mais alto de mortes na faixa etária de 0 a 5 anos do que o encontrado nos países desenvolvidos. A mortalidade infantil no Brasil – que caiu de 120,7 a cada mil nascimentos vivos, em 1970, para 19,88 em 2010 – ainda é muito superior a dos países com o menor índice de mortalidade: Islândia (2,6) Suécia (2,7) e Chipre (2,8). Na Itália, o número é de 3,3, na Noruega de 3,4 e na França de 3,8.

O Brasil também perde em comparação com outros países em desenvolvimento, como o Chile (6,48), Cuba (5,25), China (15,4), México (16,5), Colômbia (15,3) e Argentina (12,8). Os países com maior índice de mortalidade do mundo são a Nigéria (168,7), Guiné-Bissau (158,6), Niger (161), Máli (161) e Chade (114,4).
A análise de dados realizada pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington – que avalia estatísticas sobre saúde – afirma que a taxa de mortalidade entre as crianças com menos de cinco anos de idade em todo o mundo é mais baixa do que a estimada pelo Unicef em 2008.

Estudos anteriores destacaram que menos de um quarto dos países estava no caminho de cumprir a meta da ONU, mas este novo estudo afirma que o número de mortes na faixa etária diminuiu em 4,2 milhões de 1990 até 2010, caindo de 11,9 milhões para 7,7 milhões (estimativa).

Na lista, 56 dos 187 países aparecem com uma taxa de redução anual média igual, ou superior a 4,4% (o número estimado pela ONU como necessário para o cumprimento da meta). Globalmente, as taxas de mortalidade infantil declinaram em cerca de 60% no período de 1970 a 2010.

Um estudo anterior do Unicef estimava o número de mortes na faixa etária em 8,77 milhões em 2008, mas o estudo do IHME estima que o número no mesmo período foi, na verdade, de 7,95 milhões.

A nova análise afirma que a estimativa mais baixa se deve a novas pesquisas que mostram que o declínio na mortalidade infantil foi mais rápido do que o projetado, além da inclusão de outros métodos de medição. Os autores afirmam que isso mostra a importância de se atualizar constantemente os métodos de medição para auxiliar os países na tarefa de determinar seu progresso no cumprimento da meta.
O estudo ainda mostra que o maior progresso foi visto entre os países pobres – nas Ilhas Maldivas a taxa de redução anual média foi de 9,2%, a mais alta entre os 187 países analisados entre os anos de 1970 e 2010. A taxa de mortalidade infantil no país caiu de 247,06 mortes a cada mil nascimentos vivos para 14 crianças em 2010. Um terço das mortes infantis ocorrem no sul da Ásia e metade na África sub-saariana.

Segundo o estudo, o progresso é promissor. Em 1970, havia 40 países com taxa de mortalidade mais alta do que 200 mortes a cada mil nascimentos vivos. Em 1990 este número havia caído para 12 países e em 2010 não há nenhum país com índices tão altos. O ritmo de declínio também aumentou em 13 regiões do mundo no período de 2000 a 2010, em comparação com 1990 a 2000, inclusive todas as regiões da África sub-saariana.

A Grã-Bretanha aparece como o país com maior taxa de mortalidade infantil na Europa Ocidental, com 5,3 mortes por mil nascimentos vivos. No ranking global da taxa de mortalidade, a Grã-Bretanha caiu de 12ª posição, em 1970, para 33ª em 2010. Apesar disso, o país diminuiu sua taxa de mortalidade infantil em três quartos desde 1970.

Os Estados Unidos estão em 42º lugar no ranking, com a estimativa de 6,7 mortes por cada mil nascimentos vivos em 2010. O índice de declínio da taxa de mortalidade infantil nos Estados Unidos e Canadá variou entre 2% e 3% ao ano, enquanto que nos outros países o declínio anual deu-se a uma taxa de 3% a 5%.

Dos 38 países com taxa de mortalidade infantil acima de 80 a cada mil nascimentos vivos em 2010, 34 estão na África sub-saariana.

Raúl Castro tem raro encontro com líderes católicos em Cuba

Raúl Castro (esq.), monsenhor Dionísio Garcia (centro) e cardeal  Jaime Ortega (direita) em Havana

O presidente de Cuba, Raúl Castro, teve um raro encontro com líderes da Igreja Católica nesta quarta-feira, em Havana.

Castro se reuniu com o cardeal cubano Jaime Ortega, líder da Igreja Católica no país, e também com o arcebispo de Santiago, Dionísio Garcia.

De acordo com informações de membros da igreja, a reunião de quarta-feira tocou em várias questões polêmicas como a dos dissidentes políticos presos em Cuba. No entanto, não há mais detalhes.

A reunião entre Castro e as autoridades da Igreja Católica ocorreu antes da visita do secretário do Exterior do Vaticano, arcebispo Dominique Memberti, que deve ocorrer em junho.

Os dissidentes esperam que a visita de Memberti possa levar à libertação de alguns prisioneiros políticos, segundo o correspondente da BBC em Havana Michael Voss.

O governo de Cuba afirma que os dissidentes políticos são mercenários, pagos pelo governo dos Estados Unidos.

No entanto, o jornal oficial cubano Granma informou que as discussões durante a reunião giraram em torno de questões domésticas e internacionais e o “desenvolvimento favorável” das relações entre Igreja e Estado.

Quando questionado se as discussões de quarta-feira poderiam levar a um acordo para a libertação de dissidentes, o arcebispo Dionísio Garcia, líder da conferência dos bispos de Cuba, foi cauteloso.

“Vai haver um processo e este processo tem que começar com pequenos passos, e estes pequenos passos serão tomados”, disse Garcia à agência de notícias AFP. “Esperamos que esta conversa vá nesta direção.”

No começo de maio, o cardeal Ortega foi o mediador bem-sucedido nas negociações entre as autoridades cubanas e o grupo das familiares de presos políticos, conhecido como “Damas de Branco”.

A negociação resultou no grupo obtendo permissão para retomar suas manifestações, sempre aos domingos, sem serem importunadas por partidários do governo.

Logo depois da revolução, Cuba se transformou oficialmente em um Estado ateu. Mas as relações com a Igreja Católica estão melhorando desde a histórica visita do papa João Paulo 2º à Cuba, em 1998.

Atualmente, de acordo com Michael Voss, é possível praticar uma religião e ser membro do Partido Comunista, mas a educação religiosa ainda não é permitida nas escolas.

Machismo "de esquerda"

Ao explicar as dificuldades para administrar os palanques duplos que a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, terá nos Estados, o presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra, afirmou que “ciúme de político é pior que ciúme de mulher”. O petista avaliava a resistência do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), em aceitar que Dilma participe de eventos de campanha de seu principal adversário, o ex-governador Anthony Garotinho (PR), que vem cobrando, reiteradamente,manifestações de apoio da pré-candidata.
Questões eleitorais à parte, a frase do presidente do PT é importante na medida em que demonstra que, apesar de opções políticas ditas libertárias, continua a existir na esquerda brasileira um ranço machista. Poderíamos perguntar: as mulheres são mais ciumentas que os homens? Há alguma prova “científica” disso? E se houvesse uma prova dita “científica”, está mais de que provada que a ciência muitas vezes agiu e continua agindo a partir de preconceitos… Muitos cientistas comprovaram cientificamente a superioridade dos brancos sobre os negros e asiáticos… para não falar da raça ariana sobre as outras raças!
Será que a Dilma vai ficar quieta diante desse machismo explícito? Espero que não…

Em missa, dom Cláudio Hummes reconhece avanço no combate à pobreza nos últimos anos

Em missa, dom Cláudio Hummes reconhece avanço no combate à pobreza  nos últimos anos

O cardeal Dom Claúdio Hummes disse hoje em seu sermão durante a missa do excluídos, que faz parte da programação do XVI Congresso Eucarístico Nacional, em Brasília, que o governo tem feito avanços no combate à pobreza nos últimos anos e que isso não pode regredir. A pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, foi à missa e ressaltou a importância do sermão de Dom Cláudio.

“Essa missa é muito importante, porque ela tem significado muito grande e tem partes belíssimas. Eu estava vendo essa parte que diz que o povo sofrido quer ter vez, voz e lugar. Então, eu acho que é um momento grande desse Congresso da Eucaristia a missa dos excluídos. Para mim é muito importante ter vindo”, salientou.
Durante sermão, Dom Cláudio lembrou a necessidade de as pessoas ajudarem os excluídos. Mas frisou que não é bom que as pessoas “se acostumem com a situação” e cobrem melhorias. “Temos que reconhecer que nos últimos governos se avançou bastante para combater a pobreza. Temos que cuidar para que isso não volte atrás”, pregou.
Durante a missa, Dilma foi abraçada por muitos fiéis que queriam tirar fotos e dar presentes à petista. Ela ganhou um terço de uma das fiéis e vários bilhetes. Ao sair da Igreja, Dilma foi questionada sobre sua posição em relação ao aborto e repetiu que essa era uma questão de saúde pública. Segundo ela, nos casos previstos em lei é preciso que o Estado dê condições para que a prática seja realizada com segurança.
“Nenhuma mulher é a favor do aborto. Acho, inclusive, isso uma distorção a respeito de nós, porque o aborto é uma violência”, argumentou. “Agora, essa é uma questão de foro íntimo o fato de eu achar que é uma imensa violência. Agora, enquanto atividade pública, temos que tratar o aborto como aquilo que ele é, problema de saúde pública.”