Eleições na Nicarágua: o insólito de uma esperança
Acompanho estas eleições pois elas fazem parte da nova América Latina que se está a construir mesmo que, em alguns lugares, com os mesmos caudilhos como protagonistas.
Quem quiser acompanhar os resultados pode ser na internet os jornais locais:
La Prensa, históricamente antisandinista e El Nuevo Diário que, durante o período revolucionário foi um bastião de defesa da revolução e que agora, sem renunciar ao sandinismo, é declaradamente antiorteguista.
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Crise no mundo árabe ou crise do capitalismo?
Naquela época, Nicarágua, El Salvador, Guatemala, Colômbia, Peru, entre outros, viviam guerras civis que enfrentavam os exércitos nacionais, trinados, financiados e dirigidos pelas diversas agências militares norte-americanas com movimentos revolucionários que se identificavam como socialistas e que pretendiam reproduzir no continente o modelo político e econômico da Europa do Leste e de Cuba. Baseados numa ideologia secular – o comunismo – estes movimentos revolucionários pretendiam derrubar o capitalismo – tanto na sua dimensão nacional como na internacional – e criar condições de autonomia para os países do continente e melhores condições de vida para seus habitantes.
Os atuais movimentos populares do mundo árabe não são motivados por uma ideologia política secular, mas por uma motivação religiosa – o islamismo – que, sim, inclui uma proposta política: a implantação da lei islâmica – a sharia – como forma de reger as relações entre os habitantes destes países e purificá-los da presença opressora dos estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos.
Alguns noticiários e alguns analistas políticos apresentam a irrupção destes movimentos como uma grande novidade e até mesmo como uma grande surpresa. Um olhar mais atento, no entanto, nos deixa ver que não há novidade nenhuma no que está acontecendo no Norte da África e no Oriente Próximo. Em 1979 a Revolução Islâmica no Irâ foi o primeiro movimento revolucionário inspirado pelo Islã a implantar uma República com base na lei islâmica. Em seguida tivemos o Afeganistão e o governo dos estudantes de teologia, os talibãs. A vitório da Frente Islâmica de Salvação na Argélia nas eleições de 1991 e o consequente Golpe Militar que se estendeu numa guerra civil com mais de 300 mil mortos… Depois veio a Al-Qaeda e o Hezbollah que, numa atuação internacional, buscam a expulsão da presença norte-americana e ocidental e a implantação de regimes islâmicos.
Por trás de tudo, a dependência norte-americana, européia e japonesa do petróleo depositado sob as areias dos desertos do Oriente Próximo. As duas Guerras Mundiais contra o Iraque deixaram a problemática do petróleo completamente explícita.
Visto numa perspectiva longa do tempo, a agitação nos países árabes é mais um episódio da longa crise do capitalismo do século XX. Crise que teve seus momentos fortes na Primeira Guerra Mundial, na ascenção dos regimes naz-fascitas na Europa que culminou com a Segunda Guerra Mundial, a simbólica Guerra do Vietnã, as lutas pela independência na África,a s guerrilhas socialistas dos anos 60 e 70 na América Latina, a reconfiguração da África Negra nos anos 80 e 90 e, agora, a eclosão islâmica no mundo árabel.
Onde tudo isso vai levar? Como diriam os norte-americanos, nobody nows! O mais provável é que tudo ainda tenha apenas terminado de começar. Muitos episódios nos aguardam. Duros e sanguinários, muito provavelmente. O único que podemos fazer é solidarizar-nos com as dores de tantos homens, mulheres, velhos e crianças que sofrem as consequências de uma situação que eles não criaram e muito menos desejaram. E pedir a Deus, chamê-mo-lo de Deus-Trindade ou de Allá, que destas dores de parto nasça uma nova realidade de vida para estas nações.
Chico Anísio e Tiririca
Desde 02 de dezembro o humorista Chico Anísio está internado num hospital do Rio de Janeiro com problemas cardíacos e pulmonares. No noticiário de hoje (15 de fevereiro) anunciou-se que está fazendo fonoterapia para recuperar a articulação da fala.
Chico Anísio é um dos personagens mais antigos da minha memória televisiva. Na metade dos anos 70, eu ainda criança, no interior (sic!) de Vila Flores, conheci-o no delecioso programa humorístico Chico City da Globo onde ele encarnava um cem número de personagens. Toda quinta-feira nosso programa era ir até o vizinho abastado que tinha conseguido comprar uma televisão (preto e branco) e, toda a vizinhança reunida, nos deleciávamos com o humor politicamente correto – para os tempos da ditadura – do nobre cearense.
De todos os personagens de Chico Anísio, os que mais me marcaram foram o Bento Carneiro e o Washinton, “o comunista mais comunista que todos os outros comunistas”.
Diante da prolongada internação do ator, dois toques de humor (é a melhor maneira para falar de Chico Anísio) vem à minha mente. O primeiro é que, ao sair do hospital, talvez um dos personagens que Chico venha a encarnar para diante seja o de um doutor. Segundo, um homem que soube tão bem trabalhar a multiplicidade de tons e sons, agora, fazendo fonoterapia, certamente terá capacidade de criar muitas outras vozes e assim nos divertir ainda mais.
Se eu pudesse, daria uma sugestão para o Chico Anísio: criar um personagem a partir do “palhaço” Tiririca! Talvez, com isso, a mídia oficial o promova (ao Tiririca) ao nível de humorista.
