A tragédia no Golfo do México, o carro elétrico e as apostas brasileiras

Por Gustavo dos Santos, Luiz Salomão e Rodrigo Medeiros

Há semanas o mundo assiste perplexo o fracasso da maior potência tecnológica do planeta em conter o vazamento de petróleo a 1.500 metros de profundidade no Golfo do México. Esse vazamento será estancado. Em Engenharia, geralmente, a grande questão não é se uma obra ou intervenção é possível, mas quanto ela custa.

O custo será muito alto. Além de estancar o derramamento, há os custos de recuperação ambiental e econômica das regiões atingidas. A British Petroleum foi obrigada a criar um fundo de 20 bilhões de dólares para cobrir as indenizações. Estima-se, entretanto, que essas possam atingir a cifra de US$ 60 bilhões.

A maior tragédia ambiental da história causada por derramamento ainda deverá trazer grandes impactos. Os impactos climáticos e de saúde causados pelo consumo de petróleo são muito conhecidos. A partir desse acidente, a indústria carregará para sempre uma percepção de alto risco ambiental na produção em águas profundas.

O petróleo em águas profundas é a grande esperança da indústria para suprir o crescimento da demanda nos próximos anos, e adiar o declínio da produção conforme os prognósticos da teoria do Pico do petróleo de Hubbert.

Essa nova percepção de risco ambiental elevará significativamente o custo de produção por exigência de medidas de segurança mais rigorosas, equipamentos mais sofisticados, regulação mais severa e prêmios de seguro mais abrangentes e caros. Implicará, assim, em preços futuros do insumo ainda maiores que o atual. Isso será duplamente positivo para o Brasil, porque exportará petróleo cada vez mais caro e porque agregará cada vez mais equipamentos, tecnologia e serviços nacionais em sistemas de exploração e prevenção de acidentes cada vez mais complexos.

Em nível global, o impacto será negativo. Preços de derivados de petróleo ainda maiores do que os atuais impactarão severamente nos custos dos transportes. Os dois principais destinos da energia primária no mundo são os transportes e a geração de eletricidade. O petróleo é a fonte de energia predominante para os transportes, mas secundária para a produção de energia elétrica.

Hoje, no mundo, a pesquisa e aplicação de tecnologias limpas para redução das emissões de carbono têm se concentrado mais na produção de energia elétrica: eólica, nuclear, solar, biomassa, melhorias nas termelétricas, captura de carbono etc. Nos transportes, umas das poucas experiências práticas são o etanol e o biodiesel. Porém, em relação a esses combustíveis, a capacidade mundial de produção não permite uma substituição significativa dos derivados de petróleo destinados aos transportes, a nível global. Mesmo no Brasil, não se vislumbra uma substituição muito superior a 50%. Mas, com exceção do Brasil, essas e outras alternativas à utilização do petróleo nos transportes recebem relativamente menos investimentos do que as tecnologias de redução de emissões na produção de energia elétrica. Isso é um aparente paradoxo, porque, tendo em vista que, por unidade de energia contida, o petróleo é significativamente mais caro do que o carvão e o gás natural, principais combustíveis fósseis usados na produção de energia elétrica.

Além do custo mais alto, os derivados de petróleo são utilizados de forma menos eficiente do que a energia elétrica nos meios de transporte. A eficiência dos motores elétricos é quase 4 vezes superior a dos motores a combustão e nos veículos elétricos é possível aproveitar as frenagens e descidas para poupar energia, gerando ganhos adicionais entre 20 e 40%.

Os veículos elétricos tornaram-se economicamente viáveis graças à elevação extraordinária do preço do petróleo a partir de 2003, à preocupação ambiental e ao desenvolvimento tecnológico. O acidente do Golfo tornou mais claro que o preço do petróleo não só não vai cair, como continuará aumentando. A era de socialização dos custos ambientais e do petróleo “barato” realmente acabaram.

Entretanto, ainda havia resistências à substituição do petróleo na matriz de transportes vindas da indústria do petróleo e parcialmente das grandes montadoras. Algumas delas enxergavam, no carro elétrico, um risco em razão da possibilidade da entrada de novos concorrentes e, principalmente, em razão de uma esperada depreciação de boa parte de seu capital tecnologico e social de produção. As velhas indústrias de petróleo e automobilística viveram em perfeita simbiose por quase cem anos. Não se pode também esquecer a resistência dos países cuja prosperidade, e mesmo a sobrevivência, depende do petróleo. Por anos, essas forças dificultaram o aparecimento de tecnologias alternativas.

Hoje essa resistência não é interessante para ninguém. A maioria das empresas do setor automotivo entraram na corrida para produzir veículos elétricos. As maiores empresas petrolíferas estão se tornando empresas energéticas, diversificando sua área de atuação. O contínuo crescimento da demanda por petróleo, especialmente na Ásia, combinado aos problemas de oferta, tende a aumentar seu preço e poderá até trazer o risco de desabastecimento e de conflitos. Assim, as resistências contra os carros verdes continuarão diminuindo.

Na próxima década, a preferência pelos veículos elétricos a bateria poderá ser limitada por restrições técnicas ao abastecimento rápido de baterias, e pelo seu alto custo e menor autonomia. Porém, a penetração dos carros a bateria deve aumentar na próxima década. A escassez de petróleo, os problemas ambientais e o desenvolvimento tecnológico tornarão as alternativas elétricas mais competitivas. Porém, o processo será suficientemente lento para todos se adaptarem. A indústria do petróleo, do etanol e os países exportadores de combustíveis, como o Brasil, não precisam resistir à expansão dos veículos elétricos. Pelo contrário, deveriam investir nas novas tecnologias, que respondem a condicionantes naturais e técnicos e motivações globais que acabarão por prevalecer. Poderão, assim, tirar proveito do novo mundo que emergirá. Se perderem o trem dessa grande revolução tecnológica, será impossível competir com as indústrias e nações que estarão na vanguarda, especialmente a China, que vem investindo pesadamente e tem a vantagem de poder queimar etapas, visto que sua indústria automotiva é das mais novas.

É importante e urgente buscar o consenso em torno de políticas para viabilizar o carro elétrico no Brasil, pois nossa energia elétrica é gerada, predominantemente, por fontes renováveis, podendo no futuro distante praticamente zerar a emissão de gases do efeito estufa no automóveis. Mas é preciso entender que isso pode ser feito sem prejudicar as apostas brasileiras no etanol e no pré-sal. Hoje o diesel é o principal combustível consumido no país. Novas tecnologias permitem que os veículos pesados possam substitui-lo por etanol. Os ônibus a etanol com os eficientes motores híbridos seriam uma benção contra o ar tóxico das grandes cidades. Em um segundo momento, a meta é os caminhões. Assim, o ar das grandes cidades será cada vez mais saudável e se economizará na importação de diesel, que alcançou US$ 4 bilhões em 2008. A utilização do etanol em veículos de ciclo diesel manterá suas exportações crescentes.

De qualquer forma, convém lembrar que a expansão dessas tecnologias será irremediavelmente lenta para superar o declínio da oferta de petróleo frente ao crescimento da demanda por energia. O mundo ficará mais limpo, mas continuará sedento pelo petróleo do pré-sal.

Católicos se dividem entre Dilma e Serra, e evangélicos preferem tucano

Donos de um quarto dos votos no país, os evangélicos se dizem mais dispostos a optar por José Serra (PSDB) do que por Dilma Rousseff (PT) na corrida presidencial.

A disputa está tecnicamente empatada entre os católicos, que representam 62% do eleitorado. Eles dão 40% das intenções de voto ao tucano e 41% à petista.

De acordo com o Datafolha, Serra aparece 9 pontos percentuais à frente de Dilma entre os fiéis de igrejas pentecostais, que somam 16% dos entrevistados. No segmento, Serra tem 42%, e Dilma, 33%.

Desde o ano passado, os candidatos travam batalha pelo apoio dos líderes das principais denominações.

Editoria de Arte/Folhapress
DATAFOLHA Voto por religião

Serra articula aliança com o presidente do maior ramo da Assembleia de Deus, pastor José Wellington Bezerra da Costa. Dilma conta com os votos da Igreja Universal, do bispo Edir Macedo.

Entre os fiéis de igrejas não pentecostais (7% dos eleitores), o tucano aparece com vantagem de 5 pontos sobre a petista: 38% a 33%.

Serra também está à frente de Dilma entre os espíritas, que somam 3% dos entrevistados. O grupo lhe dá dianteira de 11 pontos: 44% a 33%.

O duelo volta a se equilibrar entre o eleitorado que diz não seguir religião alguma. No segmento, o tucano tem 35%, contra 33% da petista, o que configura um empate técnico entre os dois.

Serra se declara católico. Dilma, que já disse não ter certeza da existência de Deus, tem procurado se apresentar como católica.

Única evangélica entre os candidatos ao Planalto, Marina Silva (PV) tem mais apoio dos companheiros de crença do que dos católicos.

A verde aparece com 13% das intenções de voto nos dois grupos evangélicos. Entre os católicos, cai para 8%.

Curiosamente, o melhor resultado da candidata é entre os eleitores que dizem não ter religião: 18%.

Brasileiros são os latino-americanos que mais confiam no rumo do país, diz pesquisa

Uma pesquisa feita em 18 países da América Latina mostrou que os brasileiros são os que mais acreditam que o país e suas famílias “caminham na direção certa”.

Segundo a pesquisa, 91% dos brasileiros aprovam o rumo de suas famílias e 75%, o do Brasil.

A confiança no caminho seguido pelo país, apesar de 16 pontos inferior à depositada no rumo da própria família, está bem à frente à média regional, de apenas 45%.

Os chilenos vêm em segundo nesse quesito com 65% de aprovação no rumo do país. Os argentinos, por outro lado, foram os que manifestaram maior ceticismo, com apenas 19% dos que participaram da pesquisa confiantes no futuro da Argentina.

O Latinobarómetro detectou ainda uma mudança acentuada, em apenas um ano, na visão que a região tem dos Estados Unidos.

Em 2009, a aprovação dos Estados Unidos alcançou o ponto mais alto desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1997, quando esse percentual era de 65%.

Em 2003, a visão positiva alcançou seu ponto mais baixo, de 55%. De 2008 para 2009, após a eleição de Barack Obama para a Presidência, a visão positiva dos Estados Unidos deu um salto de 10 pontos percentuais, passando de uma aprovação por 64% dos entrevistados para 74%.

“A imagem dos Estados Unidos passa por uma lua-de-mel com a eleição de Barack Obama”, resume a pesquisa, destacando ainda que a região passa por um momento de prosperidade e de fortalecimento da democracia.

Resto do mundo

A pesquisa abordou ainda a visão regional sobre outros países e potências. Os Estados Unidos contaram com a aprovação mais expressiva, seguidos pela Espanha (65%), o Japão e a União Europeia (ambos com 63%), o Canadá e a China (ambos com 58%) e Cuba (com 41%).

A República Dominicana é o país onde a visão dos EUA é mais positiva, com 91% de aprovação entre os entrevistados. O Brasil vem em 9º lugar, com 73% de visão positiva sobre os EUA.

A Venezuela é o país com menor índice de aprovação sobre os Estados Unidos (32%), atrás da Bolívia (42%) e da Argentina (57%).

A opinião dos brasileiros sobre a China é menos favorável com apenas 53% enxergando o país de forma positiva. O percentual é abaixo da média geral, de 58%.

Também abaixo da média geral, de 40%, é a visão positiva que os brasileiros têm de Cuba. Apenas 38% veem o país positivamente.

A pesquisa foi feita entre 21 de setembro e 26 de outubro de 2009 pela Latinobarómetro, uma ONG com sede em Santiago, no Chile.

Papa Bento 16 não vai testemunhar em tribunal dos EUA, diz Vaticano

O advogado do Vaticano nos Estados Unidos, Jeffrey Lena, disse nesta terça-feira que é “absolutamente infundada” a hipótese de que o papa Bento 16 seja chamado a testemunhar nos tribunais norte-americanos em processos sobre pedofilia.

Em entrevista à imprensa italiana, Lena comentou a decisão da Suprema Corte do país, que resolveu não se pronunciar acerca de um recurso encaminhado pela Santa Sé e reenviou a um tribunal do Oregon a decisão sobre se o Vaticano pode ou não ser civicamente responsável pelas ações de padres que cometeram abusos.

Papa Bento 16 não vai testemunha em tribunal dos EUA, diz advogado  do Vaticano
Papa Bento 16 não vai testemunha em tribunal dos EUA sobre pedofilia, diz advogado do Vaticano

“A Suprema Corte decidiu que não está pronta para confrontar a questão específica que submetemos a sua atenção”, ou o “objetivo de emprego” que uniria a Santa Sé aos padres em todo o mundo.

De acordo com Lena, “não há um relacionamento de trabalho dependente” entre os sacerdotes e o Vaticano, porque este “não paga o salário dos padres nem garante seus benefícios de previdência, assim como não exercita qualquer tipo de controle cotidiano sobre o trabalho realizado, diferente do que acontece da parte das dioceses e ordens”.

A Santa Sé é acusada na Justiça norte-americana de ter transferido o sacerdote irlandês já falecido Andrew Ronan de seu país natal a Chicago, e posteriormente a Portland, mesmo sabendo das repetidas denúncias de abuso sexual contra menores associadas a ele.

Com a rejeição do recurso, o debate sobre se o padre pedófilo era ou não dependente da instituição católica, o que justificaria a culpa do Vaticano no processo, retorna à Corte Distrital do Oregon.

O advogado que acusa a Santa Sé, Jeff Anderson, admitiu hoje a um jornal italiano que não pensa “que será possível processar o papa enquanto papa”, mas que “o Vaticano poderá ter que responder na Justiça pelos abusos cometidos pelos sacerdotes”.

Ele também afirmou que buscará conseguir o depoimento de Bento 16, e que seu próximo movimento será recolher os testemunhos do decano dos cardeais, Angelo Sodano, e do atual secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone.

“Eles, um como secretário de Estado [durante o pontificado de João Paulo 2º] e o outro como chefe do Colégio dos Cardeais foram os personagens-chave. Nas suas posições, houve o centro das coberturas por um longo período. Assim como o foi o cardeal [Joseph] Ratzinger, atual papa, quando tinha responsabilidade na Cúria [Romana]”, afirmou.

Igreja quer plebiscito sobre casamento entre homossexuais na Argentina

A Igreja da Argentina reivindica a convocação de um plebiscito sobre o casamento entre homossexuais, direito respaldado pelo governo e cuja aprovação depende do sinal verde do Senado.

A convocação de um plebiscito “seria uma via mais razoável que a seguida pelos legisladores, muitos dos quais atuam sob pressão”, disse o bispo Antonio Marino em entrevista publicada neste domingo no jornal “La Nación”, de Buenos Aires.

“Há muita pressa para sancionar a lei. Em outros países o debate levou anos”, afirmou o bispo, para quem os legisladores que respondem ao governo peronista de Cristina Fernández de Kirchner “têm medo de um plebiscito”.

Marino, um teólogo de 68 anos, foi designado pela Conferência Episcopal Argentina para acompanhar o debate parlamentar de uma reforma do Código Civil, já aprovada pela Câmara dos Deputados, para permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“Conversei com vários senadores para lhes apresentar a postura da Igreja e muitos admitem que concordam com nossa posição, mas depois aparece o realismo político e terminam apoiando a lei”, comentou.

O religioso defende que para os senadores as pressões governamentais pesam “mais que suas próprias convicções”.

Disse que os senadores “ignoram as implicações encapsuladas no texto da lei”, em referência a permissão para que os casais homossexuais adotem crianças, a consequência “mais negativa” desta reforma legal.

“Chama muito a atenção que em momentos em que a sociedade está preocupada com o índice de inflação, a insegurança, o desemprego e o drama da droga, entre outros graves problemas, se coloque como prioridade legislativa este tipo de lei”, especificou.

Marino, bispo auxiliar de La Plata, capital da província de Buenos Aires, insistiu que é preciso “mais tempo para uma decisão mais sã”.

O Departamento de Laicos do Episcopado argentino convocou uma manifestação em frente à sede do Parlamento para o dia 13 de julho, véspera do debate da reforma no Senado, onde há uma leve maioria a favor de aprovar definitivamente o casamento entre homossexuais, segundo fontes parlamentares.

O governista Frente para a Vitória, facção predominante no Partido Justicialista (peronista), que controla 34 das 72 cadeiras do Senado, acredita que a reforma será aprovada no dia 14 de julho.

Na Argentina só é permitida a união civil entre pessoas do mesmo sexo em quatro cidades, entre elas Buenos Aires. Ao aprovar as uniões homossexuais em 2002, os portenhos criaram um antecedente no país e no continente, sendo o primeiro local a reconhecer os casais homossexuais na América Latina.

Mais de uma dezena de casamentos homossexuais já foram realizados na Argentina, apesar de apelações judiciais de grupos religiosos.

Igualdade de gênero melhora na América Latina

Igualdade de gênero melhora na América Latina

A América Latina e o Caribe mostram progressos significativos no combate à desigualdade de gênero. A conclusão é do Relatório sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2010, lançado anteontem, pela Organização das Nações Unidas (ONU). As duas regiões foram as que mais avançaram na proporção de cargos parlamentares ocupados por mulheres, passando de 15% em 2000 para 23% em 2003.

A porcentagem global de mulheres nos parlamentos continua sendo melhorada lentamente, tendo chegado ao recorde de 19% em 2010. Em 1995, apenas 11% dos parlamentares do mundo eram mulheres. Todavia, a meta de 30% dos cargos parlamentares para mulheres está longe de ser alcançada.

Em 26 países, esta meta de 30% de parlamentares mulheres já foi alcançada. Existem sete países em que 40% dos parlamentares são mulheres, entre eles, Ruanda, Suécia , África do Sul e Bolívia.

Entre a legislatura passada e a atual no Brasil, o número de deputadas federais passou de 32 para 45. Mesmo assim, elas ocupam menos de 10% das 513 cadeiras da Câmara. Já em nove países, não há nenhuma parlamentar, como em Comores, Micronésia e Arábia Saudita. Outros 58 países têm 10% ou menos de parlamentares mulheres.

Mas não basta ser parlamentar, é preciso liderar. Até janeiro deste ano, 35 mulheres presidiam parlamentos. Em 1995, só 24 eram presidentes.

Somente 16% dos ministros no mundo são mulheres. Só 30 países no mundo tem mais de uma ministra. Em 16 países do norte da África, Ásia Ocidental, Caribe e Oceania, não há nenhuma mulher na gestão ministerial.

Em 2010, apenas nove dos 151 chefes de Estado eleitos no mundo eram mulheres, o equivalente a 6%. Isso representa uma melhora em relação a 2008, quando só sete mulheres eram chefes de Estado. Na América Latina, a chilena Michele Bachelet (na foto com o presidente Lula) presidiu o seu país até este ano.

A proporção de cargos de nível elevados ocupados por elas também teve o segundo maior avanço no mundo, alcançando a marca de 32% em 2008. Já na Ásia Ocidental, sul da Ásia e norte da África, menos de 10% dos postos de trabalho de alto nível são ocupados por mulheres.

O Direito da Natureza à Vida

Milton Nogueira

A Natureza tem direito à vida. Mesmo que impensável na atual filosofia, o direito inalienável da Natureza deveria ser incluído na constituição. O planeta onde estão rios, pássaros, atmosfera, animais, geleiras, oceanos, plantas e chuvas, faz tudo funcionar em equilíbrio dinâmico, dentro de leis físicas, químicas, botânicas, biológicas que regulam cada fenômeno terrestre. A preservação desse jogo e contra jogo é a garantia de sobrevivência de todas as espécies, especialmente da humana. Sem equilíbrio dinâmico, o complexo sistema terrestre entraria em colapso de proporções bíblicas.

As religiões consideram a natureza uma criatura sagrada, às vezes chamada Jardim do Senhor, o Éden, Nirvana, Valhala, Campos Elíseos, Arcádia.e designam deuses especiais para cuidar dela. Pelo mundo afora há sítios de veneração que são considerados transcendentais justamente porque estão em trechos de rios, montanhas, lagos.

Vários países consagram os direitos dos diferentes pedacinhos do mundo natural, tais os dos animais e das plantas. Rios têm regulamentos de bacias. Os oceanos têm leis de proteção e limites de uso. A Antártida e o Ártico são, em razão de tratados internacionais, intocáveis para exploração comercial de recursos naturais. Até mesmo a Lua e os planetas estão protegidos, sendo as espaçonaves impedidas de levar qualquer bactéria, espécime ou objeto que lhes causem danos. Ou seja alguns pedacinhos têm seus direitos, mas não o todo.

Mas, não falta proteger a Natureza aqui na Terra? Não falta reconhecer que ela tenha seus direitos reconhecidos nas constituições nacionais, tal como já fez o Equador em 2008? Outros países já estudam mudar suas constituições em breve.

Se adotados no Brasil, os direitos constitucionais da Natureza consagrariam a formula ideal de prosperidade para o povo, a busca do equilíbrio e a boa garantia todas as gerações. Está na hora mostrar que um povo magnânimo é aquele capaz de retribuir à mãe terra o que ela nos dá, o pleno direito à vida.

Escritor português José Samarago morre aos 87 anos

José Saramago

O escritor português José Samarago morreu nesta sexta-feira em sua casa em Lanzarote, nas ilhas Canárias, Espanha, aos 87 anos.

Saramago ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1998.

O escritor passou recentemente vários períodos hospitalizado por problemas respiratórios.

Saramago é autor de obras como O Evangelho Segundo Jesus Cristo, A Viagem do Elefante e Ensaio sobre a Cegueira, que foi transformado em filme dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles em 2008.

Falha do glifosato gera temor por uso de agrotóxicos ainda mais violentos

O que leva uma grande corporação a admitir que um de seus principais produtos é falho? A pergunta vem sendo repetida nas últimas semanas, à medida que a Monsanto divulga mais informações de que o glifosato, base de seu principal herbicida, o Roundup, não dá conta das promessas de que seria infalível.

Usado em ampla escala, o produto da principal empresa de sementes e agrotóxicos do mundo foi apresentado durante anos como a solução para se obter uma lavoura com altíssima produtividade e custos mais baixos. A empresa de St. Louis, nos Estados Unidos, desenvolveu para isso as variedades de sementes Roundup Ready, que em tese resultariam nas únicas plantas resistentes à solução à base de glifosato – todo o resto ao redor morreria, inclusive as ervas daninhas que incomodam os produtores.

Mas, hoje, só nos Estados Unidos há 130 tipos de super-ervas daninhas capazes de resistir ao Roundup, a maioria nas plantações de soja e de algodão. A Monsanto aponta que vai buscar uma solução para o caso.

Paulo Kageyama, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo, entende que aí está a admissão dos problemas no herbicida: o desenvolvimento de um novo produto. O integrante da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio), órgão responsável pela liberação de novos transgênicos e pela autorização de testes para produtos e agrotóxicos, aponta que é melhor admitir a falha do Roundup para aumentar a importância da eventual solução a ser apresentada. “Essa é a prática da indústria de sementes. Querem ter o domínio do mercado pensando que o avanço da tecnologia é o uso de cada vez mais agroquímicos”, pondera Kageyama.

A promessa da empresa é de que a nova linha chegará ao produtor com custos mais baixos que os atuais. Mas é preciso saber como será essa nova linha, quais seus efeitos para a saúde dos trabalhadores rurais e do consumidor final. Agrotóxicos estão para as plantas como alguns tipos de remédios estão para o corpo humano: quanto mais se usa, menor será o efeito e será preciso recorrer a um novo produto, muitas vezes mais forte que o anterior, com possíveis efeitos colaterais graves.

Por isso, é de se esperar um novo coquetel de agrotóxicos altamente violento. Kageyama teme a confirmação dos rumores de que o novo produto da Monsanto tenha como base o 2,4-D. Esse produto era um dos componentes do Agente Laranja, primeiro herbicida “seletivo” a ter uso comercial. O agente foi utilizado inicialmente na década de 1960, durante a Guerra do Vietnã. A intenção oficial era desfolhar dezenas de milhares de hectares de florestas para evitar ataques-surpresa e acabar com as lavouras que alimentavam as tropas vietnamitas.

Além dos efeitos imediatos sentidos pela população, como intoxicação, o 2,4-D provoca problemas na renovação celular, gerando leucemia – efeito registrado em vários veteranos de guerra dos Estados Unidos.

Outra possibilidade é a ampliação do uso de glufosinato de amônio, aplicado em lavouras de milho e de arroz. A expectativa é de que as demais empresas de biotecnologia busquem o avanço do produto, banido no ano passado em toda a União Europeia. A conclusão dos especialistas consultados pela Comissão Europeia é de que o glufosinato apresenta alta toxicidade, com riscos para os humanos, em especial para as crianças.

“O argumento inicial, que era o benefício ao meio ambiente, já foi enterrado. E economicamente também não vale a pena para o produtor, que tem de usar cada vez mais agrotóxicos e cada vez mais fortes”, argumenta Iran Magno, coordenador da Campanha sobre Transgênicos do Greenpeace.

Questão econômica – “A forma como usamos o glifosato é que acaba gerando complicações. Eu diria que a gente tem informações técnicas que permitem controlar o problema ou até evitar”, afirma Dionísio Grazieiro, pesquisador da Embrapa Soja, a estatal de pesquisa agrícola.

Paulo Kageyama discorda. Ele aponta que os produtores passaram a utilizar amplamente as sementes transgênicas – e os agrotóxicos que as acompanham – graças a uma eficiente estratégia de marketing que prometia alta rentabilidade. “Sempre vão culpar o agricultor, dizer que é ‘burro’. Não que a propaganda é que é enganosa. Esse é o problema da indústria química, que é poderosa e ‘tratora’ tudo”, lamenta.

Uma das explicações para que o Roundup perca efetividade – o uso repetido – tem por trás de si outras duas questões. A primeira é de ordem econômica: se os preços da soja compensam, os produtores acabam optando pela monocultura, que favorece amplamente as ervas daninhas. Por outro lado, há pouca saída para o proprietário. Aquele que opta pelo cultivo de soja transgênica está fadado a pagar royalties cada vez mais altos às empresas de biotecnologia. Deixar de pagar esses direitos de uso tampouco é fácil: a área agricultada teria de ficar algum tempo sem ser utilizada até que recupere a ‘normalidade’. Esta alternativa é penosa e poucos produtores estão dispostos ou têm possibilidades financeiras de arcar com ela.

Os sojicultores têm reagido à Monsanto, acusada de “manipulação” e “imposição de regras”. A Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) decidiu recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça para barrar o poder da multinacional.

“Se você produzir acima da média de 55 sacas por hectare, tem que pagar um adicional de 2%. Se misturar com convencional, também paga. Eles querem fazer papel de governo”, afirma o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira da Silva, ao jornal Valor Econômico.

“Outro problema é que em algumas regiões a Monsanto estimulou os sementeiros a produzirem muito mais sementes transgênicas do que convencionais. Hoje em dia, é difícil achar a semente convencional para retornar a esse tipo de cultivo”, adiciona Magno, do Greenpeace.

Aparentemente, não haverá saída para este caso, pelo menos a curto prazo. O anseio por retorno econômico imediato segue sendo a arma para convencer os produtores de que o melhor é optar pelas variedades transgênicas, mesmo que isso signifique o uso cada vez maior de agrotóxicos. E, caso o uso de 2,4-D passe a ser difundido, os riscos para a saúde se incrementam.

“É o uso de cada vez mais agrotóxicos como um sinônimo de avanço tecnológico. Estamos vivendo um momento muito difícil”, pontua Kageyama, e finaliza: “Todas as coisas que a gente acha que deveriam avançar na biossegurança, eles acham que deve ser a biotecnologia pela biotecnologia.