Bispo britânico elogia Talebã e causa polêmica

Bispo Stephen Venner (foto: Igreja Anglicana)

O novo bispo anglicano para as Forças Armadas britânicas, Stephen Venner, causou polêmica ao declarar em uma entrevista que os militantes do Talebã poderiam “talvez ser admirados por sua convicção à fé e seu senso de lealdade uns com os outros”.

Em uma entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph publicada nesta segunda-feira, Venner afirmou que ninguém nos países ocidentais poderia aprovar o que o Talebã defende, mas a atitude em relação ao movimento é muito “simplista”.

“Existe um grande número de coisas que o Talebã defende e que nenhum de nós no Ocidente poderíamos aprovar, mas simplesmente afirmar que tudo o que eles fazem é ruim não está ajudando na situação”, disse.

As declarações de Venner levaram um parlamentar britânico, o liberal democrata Bob Russell, a acusar o bispo anglicano de oferecer “consolo e auxílio ao inimigo”.

Russel acrescentou que o bispo deveria se concentrar em “melhorar o moral de nossas Forças Armadas ao invés de melhorar o moral do nosso inimigo”.

Já o bispo disse em entrevista à BBC que suas afirmações foram tiradas do contexto pelo Daily Telegraph.

“Não estou tentando apoiar o Talebã. No momento, o que eles estão fazendo é maligno”, disse.

Venner afirmou que ficaria “profundamente angustiado” se alguém se sentisse ofendido e esperava não ter ameaçado seu trabalho.

Na entrevista à BBC, Venner admitiu que pode ter sido ingênuo ao fazer os comentários para o Daily Telegraph.

“Não estou tentando apoiar o Talebã. Longe disso. Apoio muito nossas forças”, disse.

“E se o que eu disse e a forma como foi divulgado ofendeu alguém, então, é claro, estou profundamente angustiado e muito arrependido, e se a isto se aplica o rótulo de ingenuidade, então eu meu considero culpado”, afirmou.

O bispo afirma que a forma com que a entrevista foi escrita, fez com que seus comentários parecessem “incrivelmente insensíveis”.

Venner também defendeu a afirmação que fez, durante a entrevista, da necessidade de trabalhar com o Talebã quando a operação militar no Afeganistão for encerrada.

“Foi uma pequena frase em uma entrevista muito longa, e uma frase que simplesmente afirmava que você não pode descrever todo mundo do Talebã como igualmente sombrio, igualmente mau”, disse.

“Estes (militantes) são seres humanos e existem alguns entre eles que podem – não sabemos – que poderiam talvez ser as pessoas com quem, no final das contas, poderíamos negociar.”

Venner também divulgou uma declaração condenando as ações do Talebã.

“A forma como o Talebã está lutando no Afeganistão é má, tanto com as mortes indiscriminadas de civis como com a forma com que eles aterrorizam a população. Nenhuma religião pode tolerar suas ações.”

“Dou apoio total aos soldados britânicos e aliados que estão no país, tentando trabalhar com o governo afegão para trazer a estabilidade, democracia e uma paz duradoura”, acrescentou.

O bispo anglicano Stephen Venner foi apontado para o cargo nas Forças Armadas em julho de 2009.

Papa quer ''enterrar'' a Teologia da Libertação

Pensei não tocar no assunto… Mas como vários amigas e amigas insistiram em me enviar a informação, aqui vai! O único que lamento é que, quase 25 anos depois, os fantasmas continuem a habitar mentes e corações de pessoas que teriam bem outras coisas que se preocupar. Governar a Igreja tendo como único objetivo a vingança pessoal, institucional e acadêmica, não sugere bom destino prá ninguém, nem prá pessoas, muito menos para as instituições. Só toco este tema aqui para dar testemunho de que o considero “profundamente lamentável”.
Bento XVI diz que a Teologia da Libertação provocou “rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia”.
A reportagem é do sítio Religión Digital, 06-12-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O Papa Bento XVI alertou um grupo de bispos (do Rio Grande do sul e Santa Catarina), neste sábado, sobre os perigos da teologia da libertação. Diante de prelados provindos do Brasil, aos quais recebeu em audiência no Palácio Apostólico do Vaticano, ele lembrou o 25º aniversário da instrução “Libertatis nuntius”, um documento dedicado a essa teologia surgida após o Concílio Vaticano II.
“Nela, se advertia sobre o perigo que a apropriação acrítica, assumida por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, comportava”, disse o Pontífice.
Ele acrescentou que essa proposta de pensamento provocou consequências “mais ou menos visíveis”, entre as quais se destacam a “rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia”.
De acordo com o líder máximo da Igreja Católica, essa situação cria entre as comunidades diocesanas “um grande sofrimento ou uma grave perda de forças vivas”.
“Suplico aos que, de algum modo, se sintam atraídos, envolvidos ou implicados em certos princípios enganosos da teologia da libertação, que se confrontem novamente com a referida instrução”, pediu Bento XVI.
Publicada no dia 06 de agosto de 1984 pela Congregação para a Doutrina da Fé, então guiada por Joseph Ratzinger, a “Libertatis nuntius” pôs fim a uma corrente que, na América Latina, buscou defender movimentos católicos com princípios cristãos.
A instrução advertia sobre “os riscos de desvio, ruinosos para a fé e para vida cristã, que são trazidos por certas formas de teologia da libertação que usam, de uma forma insuficientemente crítica, conceitos tomados de várias correntes do pensamento marxista”.
O documento acrescenta que os “graves desvios ideológicos” dessa ideologia “conduzem inevitavelmente à traição da causa dos pobres”.

Igreja Anglicana elege primeira bispa abertamente homossexual

Mary Glasspool

Eleição de Mary Glasspool reacende polêmica na Igreja Anglicana.

A Igreja Anglicana na cidade americana de Los Angeles reacendeu neste domingo uma enorme polêmica ao eleger o que será o segundo bispo abertamente gay da igreja em todo o mundo.

A reverenda Mary Glasspool, de Baltimore, foi eleita bispa assistente, mas ainda precisa que a maioria da Igreja Episcopal nacional apóie a escolha.

Há seis anos, a eleição do primeiro bispo abertamente gay, Gene Robinson, de New Hampshire, causou enormes divisões entre os clérigos e fiéis.

Glasspool, de 55 anos, atuou como cânone da Diocese de Maryland por oito anos.

Em um comunicado divulgado após a eleição, ela disse que “qualquer grupo de pessoas que tenha sido oprimido por causa de qualquer elemento isolado de sua personalidade clama por justiça e direitos iguais”.

Os conservadores já expressaram sua oposição à escolha da bispa.

Eles insistem que a Bíblia rejeita o homossexualismo, enquanto os mais liberais dizem que o livro deve ser reinterpretado sob a luz do conhecimento contemporâneo.

Na época da escolha do primeiro bispo gay, a briga levou à formação de um movimento alternativo conservador nos Estados Unidos, a Igreja Anglicana da América do Norte.

O chefe da comunidade anglicana mundial, o Arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, está sob pressão para reconhecer o movimento.

O correspondente da BBC para assuntos religiosos, Chris Landau, disse que a eleição de Glasspool é mais uma evidência das divisões da Igreja em relação à questão da homossexualidade.

Segundo ele, para muitos fiéis nos Estados Unidos, a eleição de bispos abertamente gays é simplesmente um reflexo da diversidade que vem sendo defendida pela Igreja Anglicana há muito tempo.

A Igreja Anglicana possui 77 milhões de fiéis em todo o mundo.

POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

Eis o que queria dizer: é preciso saber pedir. Essa estratégia funcionou com a quadrilha de Brasília. As imagens divulgadas na TV mostram a bandidagem escondendo dinheiro no bolso, na cueca e nas meias, no episódio do mensalão, tudo isso prá quê? Oh, céus, pra comprar panetones e distribuí-los aos pobres. Estava lá o primeiro escalão do governo e o próprio governador José Roberto Arruda (DEM – vixe, vixe!), flagrados com a mão no cofre pela Policia Federal, na Operação Caixa de Pandora.

Sem qualquer escrúpulo, os sacripantas criaram um grupo de oração. As imagens são chocantes e patéticas. De mãos dadas e olhos fechados, três bandidos de colarinho branco rezam, agradecendo a Deus a “graça especial” alcançada. Com a versão candanga do Pai Nosso, impetraram um habeas corpus preventivo:

– O Panetone nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai a formação do Caixa 2, assim como nós perdoamos os outros partidos que antes de nós desviaram recursos.

Esse é o dado novo do mensalão do DEM (vixe, vixe!). Eles criaram um modus operandi inédito e despudorado: usar a reza como alavanca para arrombar cofres públicos, o que não foi registrado em nenhum lugar do mundo, nem com os dois mensalões operados pelo careca Marcos Valério: o do PSDB de MG, em 1998, e o do PT, em 2005. O Brasil é mesmo o país mais cristão do mundo. Até pra roubar, a gente reza. E na falta de cueca, esconde dólar dentro da bíblia, como fez a bispa Sônia.

Arruda já solicitou ao Papa Bento XVI a canonização de Judas Iscariotes – o que botou na ceroula trinta dinares – para sagrá-lo padroeiro da Pastoral da Propina. A Oração a São Judas Iscariotes, rezada em Brasília, diz:

– São Judas Iscariotes, apóstolo incompreendido de Cristo, eu te saúdo e te louvo, por haveres usados os 30 dinares para pagar a conta da Última Ceia, sendo injustamente acusado de vendilhão e traidor. Quero te imitar, comprometendo-me a usar o dinheiro desviado em obras sociais. E$pero alcançar a graça que imploro através de tua interce$ão. Amém.

No Amazonas, surgiram vários grupos de oração. Um deles, com os agentes de pastoral Amazonino Mendes, Carijó, os irmãos Souza e Orleir Messias Cameli, do Acre. O outro com Dudu Braga, Belão, Mello e Adair, todos eles rezando a versão regional do Pai Nosso:

– A Pupunha nossa de cada dia, nos dai hoje.

Todos esses agentes da Pastoral usam cuecas com seis bolsos sanfonados, três na frente e três atrás.

Com a voz embargada, Arruda disse que confia na Justiça. Todos eles confiam. Pudera! Até eu! Na reeleição para governador de Minas, no século passado, mais precisamente em 1998, Eduardo Azeredo (PSDB) montou esquema de desvio de dinheiro e só agora, no dia 3 de dezembro, é que o STF, em votação apertada, abriu ação penal para investigar as denúncias. A defesa dele vai apresentar “embargo de declaração”, e não há previsão de quando deve começar a ação penal. Eu falei começar, porque onze anos depois do crime, ela ainda não começou.

Mais chocante ainda do que a imagem da bandidagem rezando e desmoralizando a oração, é a anestesia quase geral da nação e a impunidade desse tipo de crime. Nesse sentido, o que ainda nos salva é a invasão e ocupação da Assembléia Legislativa de Brasília pelos meninos do PSOL. Quem diria: na continuidade da ação desses meninos repousa a nossa esperança e o nosso destino!

Proibição de minaretes na Suíça

A aprovação de uma medida a favor da proibição da construção de minaretes na Suíça, votada em referendo no domingo, provocou reações dentro e fora do país.

Pouco mais de 57% dos eleitores suíços se manifestaram contra a construção das pequenas torres nas mesquitas de onde se anuncia a hora das orações.

A proposta havia sido apresentada pelo Partido do Povo (SVP), de direita, que tem maioria no Parlamento e argumenta que as torres das mesquitas são um sinal de “islamização” da Suíça.

Mas o governo suíço, do Partido Social-Democrático (SPS), havia feito nos últimos dias um apelo para que a população votasse contra a proibição.

Na terça-feira, a ministra das Relações Exteriores da Suíça, Micheline Calmy-Rey, comentou que o resultado da votação é um revés para a coexistência das diferentes culturas e religiões no país, e pode se tornar uma ameaça à segurança.

Ela ponderou que a decisão do referendo não deve afetar as relações do país com nações muçulmanas, mas o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, condenou a decisão.

Erdogan afirmou que o referendo é reflexo de “ondas de racismo e nacionalismo extremo crescente na Europa”. Ele pediu ainda que o “erro” seja corrigido “o mais rapidamente possível”.

As Nações Unidas também criticaram o referendo. Segundo a chefe do setor de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, a medida é “discriminatória” e “profundamente divisora”.

Quem polui mais?

O Burundi é um dos países com o menor índice de poluição per capita do planeta. Uma pessoa nos Estados Unidos polui o planeta quase 400 vezes mais do que um burundiano, segundo dados do governo americano.

Em média, cada americano emite 19,78 toneladas de metro cúbico de CO2 por ano, de acordo com estatísticas da agência americana de energia Energy Information Administration. No Burundi, a emissão per capita anual é de apenas 0,05 toneladas.

Alguns fatores explicam porque o índice de emissões de CO2 é tão baixo no país. Em primeiro lugar, o Burundi ainda é um país essencialmente rural, com baixa atividade industrial. Em segundo lugar, o consumo de bens e comidas no país é baixíssimo, já que o Burundi é um dos países mais pobres do planeta.

O terceiro fator é uma certa distorção nos dados de emissões de CO2, que não levam em conta o desmatamento, um problema cada vez mais comum no país.

País rural

Com população total de 8,7 milhões de pessoas, o Burundi ainda é essencialmente um país rural. Menos de 4% da população total do país vive em Bujumbura, a capital e maior cidade. Apenas 10% das pessoas vivem em meios urbanos, onde estão concentradas as poucas indústrias do país.

A grande maioria dos burundianos vive no campo. Mais de 90% das pessoas vivem da agricultura de subsistência, plantando os alimentos que comem e vendendo o pequeno excedente em mercados e nas ruas. Com exceção de algumas grandes plantações de chá e café no norte do país, que respondem quase que exclusivamente pelas exportações do Burundi, todo o país funciona à base da agricultura de subsistência.

O resultado disso é que os alimentos são baratos e geram pouco CO2 no ambiente. Os agricultores plantam os alimentos para consumo próprio em terras alugadas. O excedente dos alimentos é vendido para o dono da terra, em pequenos mercados de rua ou de porta em porta na capital.

Mãe e crianças vendendo comida

Durante o dia, as ruas de cidades como Bujumbura são tomadas por vendedores ambulantes de alimentos diversos como ovos, bananas e mangas. O transporte do alimento até o consumidor final também é ecológico, já que os ambulantes andam a pé ou de bicicleta.

Também não há emissão de CO2 por estocagem de alimentos em frigoríficos. Os burundianos praticamente só consomem frutas e verduras da estação a preços baixos. Uma manga vendida no outono, por exemplo, custa cerca de US$ 0,20. Nos Estados Unidos, o preço da mesma fruta – vendida o ano todo – pode ultrapassar U$ 2,00 a unidade. Parte do custo é atribuída ao transporte e estocagem do produto.

País pobre

A economia do Burundi ainda é o principal fator que faz com que o país tenha um baixo índice de emissões de CO2 per capita. Tanto na lista do FMI como do Banco Mundial, o Burundi tem a menor renda per capita nominal do planeta. A renda mensal média de cada burundiano é de pouco mais de US$ 9.

A economia do país já era uma das mais frágeis do mundo no começo dos anos 90, quando estourou a guerra civil no país. O Burundi passou por dez anos de declínio econômico, devido à guerra e a embargos comerciais de outros países da região. Nesse período, a renda per capita anual do Burundi desabou de US$ 180, em 1993, para US$ 110, em 2007, segundo dados do Banco Mundial.

Como resultado, mesmo as famílias com melhor renda no país não têm acesso a bens de consumo, como computadores e máquinas de lavar. É o caso de Willy Rwankineza e Espérance Iradukunda, uma família de classe média visitada pela BBC Brasil (assista ao vídeo).

O consumo de energia – um dos principais responsáveis por emissões de CO2 – também é baixo no Burundi, e boa parte da matriz energética do país é hidrelétrica, que gera pouco gás carbônico. A casa de Willy e Espérance, onde moram outras seis pessoas, consome cerca de 120 kWh mensais e paga menos de US$ 5 de conta de luz.

E mesmo assim, o consumo é limitado, já que não há energia no país para todos e o Burundi passa por uma grave crise energética. A luz é desligada diariamente das 22h às 6pm. A geladeira da família vive vazia e às vezes até desligada, porque não há condições de se estocar alimentos com tantas interrupções de luz.

Nos últimos meses, os apagões têm acontecido com mais frequência e sem aviso prévio. No mês passado, o ministro de Energia do país, Samuel Ndayiragije, foi demitido devido à crise energética no país.

Desmatamento

O terceiro fator que explica porque o Burundi tem uma baixa taxa de emissão de CO2 per capita é que o desmatamento de florestas não é contabilizado pelas estatísticas, o que gera uma certa distorção nos números.

Os dados de emissão de CO2 per capita disponíveis atualmente levam em consideração apenas o consumo total de combustíveis fósseis da população. Mas o desmatamento, que é uma atividade que emite muito CO2, não é calculado, já que em muitos países há poucos dados confiáveis sobre o assunto.

O Brasil sofre da mesma distorção. Cada brasileiro emite, em média, 2 toneladas de metros cúbicos de CO2 por ano, cerca de 40 vezes mais do que uma pessoa no Burundi. No entanto, esse número não leva em conta o desmatamento das florestas brasileiras. Estima-se que até 70% das emissões brasileiras são causadas por desmatamento.

No Burundi, a economia se expande com base na agricultura, gerando muito desmatamento. Estima-se que quase metade das floresta original do país foi desmatada. Além disso, a lenha é uma importante fonte de energia nas casas de muitos burundianos. Na casa de Willy e Espérance, por exemplo, não há fogão a gás ou elétrico. A comida é cozinhada com água esquentada a lenha, que é vendida por ambulantes.

Número de novas infecções por Aids diminuiu 17% desde 2000, diz ONU

HIV

No total, 2,8 milhões de pessoas contraíram o vírus em 2008

O número de novos infectados pelo vírus da Aids no mundo diminuiu 17% entre 2000 e 2008, segundo o relatório anual da Unaids, agência das Nações Unidas para o combate à Aids, publicado nesta terça-feira em Genebra, Suíça, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o relatório, a diminuição no número de novos casos da doença se deve, principalmente, à prevenção.

A agência da ONU ainda aponta o Brasil como um exemplo na implementação de políticas de prevenção à Aids.

“A América Latina oferece exemplos fortes de liderança na prevenção ao vírus HIV. Em particular, o Brasil, que vem sendo apontado por ter implementado cedo medidas de prevenção ao vírus HIV que ajudaram a atenuar a gravidade da epidemia no país”, diz o documento divulgado nesta terça-feira.

No total, 2,8 milhões de pessoas contraíram o vírus HIV no ano passado, sendo 1,9 milhão na África subsaariana, região mais afetada do planeta.

A menor progressão foi registrada na região da Oceania, com 3 mil novos casos.

Longevidade

Apesar disso, a quantidade de pessoas portadoras do vírus HIV continua crescendo. Em 2008, 33,4 milhões de pessoas viviam com a doença em todo o mundo, contra 29 milhões em 2001.

A Unaids explica que o aumento no número de pessoas infectadas se deve aos novos casos, mas também à eficiência dos tratamentos antirretrovirais, “que têm permitido uma maior longevidade dos doentes”.

Segundo a agência, nos países de baixa renda ou em desenvolvimento, entre eles o Brasil, os dados também indicam que o maior acesso ao tratamento tem contribuído para aumentar a longevidade dos infectados.

“No Brasil, que tem disponibilizado tratamento gratuito desde 1996, a sobrevida depois do primeiro diagnóstico da doença passou, no Estado de São Paulo, de quatro meses, entre 1992 e 1995, para 50 meses, entre 1998 e 2001”, diz o relatório.

Ainda segundo os dados da Unaids e da OMS, desde o início da epidemia de Aids, 60 milhões de pessoas já foram infectadas pelo vírus em todo o mundo, e 25 milhões morreram em decorrência da doença.

A maior incidência continua sendo na África subsaariana, onde 22,4 milhões de pessoas são portadoras do vírus HIV. Na América Latina, o número de portadores é de 2 milhões.

Por trás das pirâmides, lixo

Visitar o Egito é um dos roteiros preferidos dos brasileiros. Geralmente, roteiro incluídos no chamado “turismo religioso”: grupos de cristãos que vão visitar a Palestina e os “lugares santos”. Como mostra a reportagem abaixo, o “turismo religioso” não inclui a visita aos lugares onde hoje moram os cristãos do Egito… Imagino que, se alguma agência de turismo incluir uma visita aos “descendentes de Cristo” que moram no Egito…

A menos de vinte minutos das pirâmides de Gizé, principal ponto turístico do Egito, está um lugar que não figura entre os cartões-postais. A Cidade do Lixo é como um canto escondido da capital, Cairo, um tanto por suas imagens chocantes e seus odores repugnantes, mas também por ser a casa da minoria cristã do país. Cerca de 30 mil habitantes vivem praticamente isolados, a coletar e transformar lixo em mercadoria. São os zabbalin, o povo que faz do lixo a sua própria identidade.

“Sou muito feliz e não penso em sair daqui. Esta é a minha vida: encontrar frutas e alimentos em bom estado nestes restos orgânicos”, explica uma das moradoras do bairro, enquanto enfia os braços num saco preto, já tomado por moscas.

O cheiro é de revirar o estômago, mas a mulher manuseia o saco com naturalidade. Os zabbalin parecem nem se importar com as montanhas de dejetos que invadem suas casas. Tudo que é descartado pela população do Cairo vai para a Cidade do Lixo e por vezes até vira brinquedo para as crianças ou objeto de decoração no lar dos zabbalin.

A cidade está localizada na base da montanha Mokattam, que significa “montanha partida”. Segundo uma lenda local, foi palco de um milagre no século X. Naquela época, os cristãos foram desafiados a provar o poder de sua religião. Caso contrário, seriam expulsos do país ou mortos. O desafio: mover a montanha ao fim de três dias apenas com a força da fé.

Centenas de bispos e arcebispos se aglomeraram ao pé da montanha para rezar, mas, diz a lenda, foi um sapateiro chamado Simão quem operou o milagre. A Mokattam se abriu e foi possível ver o sol do outro lado. Depois disso, muitos muçulmanos teriam se convertido ao cristianismo.

Para celebrar o milagre, os cristãos construíram no interior da montanha a Igreja de São Simão, com o formato semelhante ao de uma caverna. As paredes de pedra ganharam ilustrações que detalham o feito do sapateiro. A igreja é bonita e limpa, bem diferente do bairro que dorme aos seus pés.

Os zabbalin, cristãos, estão quase sempre em pé de guerra com o governo egípcio. Em abril deste ano, centenas deles se confrontaram com a polícia após o presidente Hosni Mubarak ter ordenado o sacrifício de todos os porcos do país (cerca de 350 mil) com a justificativa de evitar a disseminação da gripe suína. A Organização Mundial da Saúde afirmou que os animais não transmitem a doença, mas o Egito não interrompeu a matança, mesmo sob protestos internos e externos. O jornal egípcio Al-Masri Al-Youm contou que os funcionários do governo usavam uma pá para jogar os animais vivos em grandes caminhões de lixo, depois os esfaqueavam e os empilhavam.

A polêmica cresceu porque a carne de porco é proibida na dieta dos mulçumanos, cerca de 90% da população egípcia. Por isso, a medida foi encarada como uma provocação aos cristãos. Os porcos tinham papel importante na Cidade do Lixo: comiam os restos orgânicos recolhidos pela comunidade. Sem eles, os zabbalin não conseguem eliminar todo o lixo orgânico.

O governo disse ter agido não apenas no combate à gripe suína, mas para levar mais higiene à região. Há muito os moradores esperam, em vão, melhorias neste quesito. Em outras ocasiões, companhias particulares foram contratadas para fazer a limpeza no Cairo. Mas nunca deram conta do montante produzido pelos quase 8 milhões de habitantes da maior cidade do país e pouco mudou para os zabbalin, que permaneceram como principais coletores.

“O governo diz querer limpar a Cidade do Lixo, mas não entende as consequências na vida desses catadores. Acabar com o lugar trará problemas econômicos e sociais para o Cairo”, afirma Syada Greiss, diretora da Associação de Proteção do Meio Ambiente, organização não-governamental que realiza oficinas de reciclagem no local.

Os zabbalin são responsáveis pela coleta de quase 60% do lixo da cidade e não recebem nada do governo. A comunidade sobrevive da venda, principalmente, de plástico e papelão para fábricas de reciclagem. Cerca de 90% das 7 toneladas de lixo levadas pelos caminhões diariamente são reaproveitadas. Todos participam do processo, de crianças a idosos. Normalmente, os homens fazem a coleta e as mulheres cuidam da seleção. Na maioria das famílias, apenas o filho mais velho frequenta a escola. O sistema é o mesmo desde o fim da década de 40, quando camponeses migraram para o Cairo à procura de trabalho e passaram a catar lixo.

As famílias que não sobrevivem dessa atividade são exceção. Marian Rifaat e seus quatros filhos fazem parte dessa minoria. Ela é dona de uma venda de frutas e faz questão de que seus filhos frequentem a escola. “Não trabalho com lixo, não gosto. Quero uma vida melhor para os meninos. Mesmo assim, não penso em me mudar, estou aqui há 30 anos, pertenço a este lugar.”

Separada dos centros mais movimentados do Cairo pela montanha Mokattam, a população da Cidade do Lixo parece mesmo viver uma realidade à parte. Animais dividem espaço com as pessoas nas ruas estreitas, mulheres e crianças andam descalças e maltrapilhas, mas ninguém parece se importar. A maioria não gosta de ser fotografada ou de dar entrevista. Preferem permanecer quase invisíveis, independentes de um governo no qual não confiam, e isolados de uma cidade da qual não se sentem parte.

Rio Grande do Sul: um Estado sem norte

Abaixo mais um excelente artigo-análise da situação política do Rio Grande do Sul. A autoria é de

O atual cenário político no Rio Grande do Sul é de incertezas. Incertezas e confusão. Se até alguns meses se podia trabalhar com a idéia de um confronto entre o PT e o PSDB, entre Tarso Genro e Yeda Crusius, hoje há inúmeras possibilidades. Neste momento, a mais provável é o lançamento de várias alternativas, cada uma delas se apresentando aos eleitores gaúchos como a verdadeira portadora da ética, da justiça e do desenvolvimento.

Esta semana, foi a vez dos trabalhistas (PDT e PTB, mais o DEM) lançarem um balão de ensaio afirmando a possibilidade de candidatura própria por uma terceira via. Semana passada foi o PSB, com o deputado Beto Albuquerque, quem tentou colocar-se no partidor como alternativa.

No campo governista, a crise é tão grande que a agenda mínima possível é simplesmente não permitir que a governadora caia. Para isso, fez-se necessário um pacto de silêncio e proteção que faria inveja a máfia siciliana. Tal grau de proteção para Yeda Crusius só é possível porque existe um ambiente social que o permite. Ou seja, do ponto de vista eleitoral, Yeda não é carta fora do baralho e, se é provável que fique fora do segundo turno em 2010, também é possível que venha a ser decisiva no processo.

Se há conflitos intransponíveis na situação, por exemplo, entre a governadora e seu vice, na oposição o quadro não é muito diferente. Tarso Genro até agora conseguiu unificar o seu partido, mas convencer o PT gaúcho de que ele precisa abrir mão de posições para outras forças já são outros quinhentos. O resultado é que hoje o mais provável é que Tarso concorra sozinho no primeiro turno, e tenha de enfrentar antigos aliados, como o socialista Beto Albuquerque, o PCdoB e possíveis aliados mais recentes, como petebista Luis Augusto Lara, lançado candidato a governador pela sigla. Mas, claro, nada disso impede Tarso de sonhar em ser o próximo governador.

Análises mais rigorosas colocam o PMDB gaúcho no campo da direita. O eleitor, contudo, tem a memória do compromisso do MDB com a luta democrática e ainda hoje compreende os candidatos peemedebistas como alternativas de centro. Hoje, o velho MDB é o responsável pelo círculo de silêncio que garante a possibilidade de Yeda continuar governadora. Conudo, o PMDB, com José Fogaça, prefeito de Porto Alegre, ou Germano Rigotto, ex-governador, trabalha intensamente para retornar ao Palácio Piratini. No momento, tudo indica que Fogaça, numa inflexão pró-Serra, seja o candidato de centro “para derrotar o PT”.

Socialistas, capitalistas, petistas, pepistas, trabalhistas, liberais, comunistas, social-democratas e democratas – todos, todos no Rio Grande do Sul têm uma coisa em comum: estão sem norte.

Vamos ver o que povo diz
Caetano Veloso, entre seus arroubos de genialidade, tem um verso que considero chave para entender o país: “Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína”. Escrito antes do desastre neoliberal, e muito antes do analfabetismo político confesso criticando nosso presidente (meu e dele, também), o verso faz parte de uma música que anuncia o novo/velho Brasil fora da ordem, “fora da nova ordem mundial”.

Fui entender de onde Caetano tirou essa idéia quando viajei pelo sul da Bahia há uns quinze anos. Na época, fiquei impressionado com a quantidade de construções populares abandonadas pela metade. Passando de cidade em cidade num ônibus pinga-pinga pude ver que na Bahia tudo era construção e já era ruína. Parecia que o povo fazia um enorme esforço, investia suas economias e sua energia num projeto, mas era obrigado a abandonar antes de chegar ao fim. Também lembro que o número de homens parados, conversando de manhã, de tarde ou de noite me impressionou. Nunca havia visto tanta gente reunida em grupos dispersos sem nada para fazer.

Recentemente voltei à Bahia. Vi muitas construções novas e não encontrei mais a paisagem da desocupação de quinze anos atrás. Encontrei uma Bahia “fora da nova ordem mundial” que soube, como o Brasil, fortalecer-se e superar-se diante da crise. Sinceramente, não sei se isso é corroborado pelos números frios da economia e das taxas de crescimento, mas a impressão que me ficou foi essa.

A ordem e a desordem em comum
Tudo muito diferente do Rio Grande do Sul. Quando o povo baiano lutava há quinze anos contra as ruínas, no Rio Grande do Sul montávamos sonhos de poder à esquerda, à direita e ao centro. O Rio Grande do Sul, em geral, prosperava fora da ordem brasileira. A cada período de quatro anos vínhamos e seguimos perseguindo a ordem e a contra-ordem mundial. Oscilamos entre alternativas neoliberais, socialistas e centristas com grande radicalidade, todas muito bem ordenadas ou contrárias à ordem.

Fizemos muito no Rio Grande. Mas não tivemos a capacidade que o Brasil teve de construir o novo, de superar padrões e conceitos. Ficamos aprisionados no pampa gaúcho aos velhos dogmas. A arrogância gaúcha – “sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”, afirma o hino do Estado – norteou todas as construções políticas do pampa. Quem não lembra de Leonel Brizola dando lições de política? De Pedro Simon ensinando ética? De Antônio Britto, defensor da cartilha privatista? Do PT de Porto Alegre, demiurgo do Orçamento Participativo e do Fórum Social Mundial?

Hoje, a desordem gaúcha, a falta de projeto e de comando, produz o mesmo que a ordem baiana sob ACM: confusão e atraso. Ainda não se vê grupos de “gaúchos a pé” na beira das estradas conversando, mas as rodas de chimarrão que ainda existem já são cada vez mais longas. E lentas.

O convencimento do povo gaúcho hoje é de que sua elite de direita, de centro ou de esquerda não possui ética. Que suas estruturas de poder – Estado, Detran, Tribunal de Contas, Prefeituras, etc, etc – estão corrompidas. E pari passo com o conjunto do povo brasileiro, o povo gaúcho não chega a ver grande problema nisso. O problema que o povo vê é que hoje o Rio Grande está tomado pela mediocridade, pela falta de iniciativa, pela ausência de projetos, pelo pensar rasteiro, pela política miúda.

O Rio Grande do Sul hoje é um Estado sem norte e suas lideranças batem cabeça tentando entender o que se passa, mas têm enorme dificuldade.

É neste cenário de incertezas em que a democracia (ou a falta dela) demonstra o seu valor. Por sorte, neste país que venceu a crise com a força do trabalho, hoje temos uma democracia razoavelmente sólida. E ano que vem, 2010, o povo gaúcho vai decidir o rumo que quer tomar. Eu, de minha parte, como Caetano, apenas digo que “não espero pelo dia em que todos os homens concordem. Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final”.

Cardeal Walter Kasper: “Não se trata de proselitismo, não roubamos os fiéis da outra Igreja”.

Durante a semana passada, celebrou-se em Chipre a reunião da Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa em seu conjunto, que discutiu a questão do primado do Bispo de Roma no primeiro milênio. Sobre esta reunião, apresentamos uma entrevista com o cardeal Walter Kasper, co-presidente da Comissão mista e presidente do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos.

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Cardeal Walter KasperEminência, nestes dias o senhor abordou a questão do primado do Papa com os ortodoxos. Há resultados?

Posso dizer que temos dado pequenos passos avante. Não há grandes resultados, mas devemos ter em mente que estava em discussão um argumento difícil e delicado, cuja simples menção, até há pouco tempo, era suficiente para desencadear polêmicas nos ambientes ortodoxos. O mais importante é que todos os membros da Comissão mista, formada tanto por católicos como por ortodoxos, reiteraram sua firme resolução de continuar o diálogo e buscar um acordo sobre a doutrina do primado. Certamente, isso demandará tempo, mas o caminho está assinalado e ninguém quer voltar atrás.

Tratemos de explicar, também para quem não é teólogo, em que ponto se encontra a discussão…

Nestas reuniões temos examinado a questão do primado do Bispo de Roma no primeiro milênio. Parece-me que surgiu um acordo unânime sobre o fato de que não se tratava simplesmente de um primado honorífico. É algo mais. No momento, sem dúvida, não há acordo sobre como definir exatamente esta forma de autoridade. Devemos continuar discutindo.

Um membro autorizado da Comissão, o bispo ortodoxo Gennadios, disse que os trabalhos procedem muito lentamente…

E eu estou totalmente de acordo com ele! Porém, devemos nos perguntar o porquê. Nosso método de trabalho remonta há trinta anos atrás, quando foi constituída a Comissão mista para o diálogo teológico com os ortodoxos em seu conjunto, o que implica a participação de todas as Iglesias autocéfalas, cada uma com seus delegados e com suas posições. Se houver uma proposta para agilizar os trabalhos, esta será bem aceita.

Recentemente o senhor afirmou que terminou a estação de frio intenso entre católicos e ortodoxos. Isso quer dizer que as relações se fizeram muito calorosas?

Estamos em alta temporada com os ortodoxos. Porém, até mesmo no verão às vezes há grandes temporais. Aqui0 em Chipre vimos um temporal repentino, mas, felizmente, passageiro. A contestação pública de um grupo de fanáticos contrários ao diálogo com a Igreja Católica foi condenada imediatamente pelo arcebispo Chrysostomos II (número um da Igreja ortodoxa do Chipre) e também pelo Santo Sínodo da Igreja de Grécia.

As contestações perturbaram os seus trabalhos?

Absolutamente não. Bom, elas criaram um pouco de incômodo naqueles que nos hospedaram. Porém, eu lhes disse que no Ocidente estamos acostumados às minorias barulhentas. Fui decano da universidade depois dos anos 68 e me recordo que as contestações estavam na ordem do dia.

Eminência, a Igreja Católica abre as portas ao regresso dos anglicanos. Que impacto essa decisão histórica terá sobre o diálogo ecumênico?

O assunto não foi conduzido pelo Conselho para a Unidade dos Cristãos, mas sim pela Congregação para a Doutrina da Fé. Obviamente, não estávamos informados. Devo limpar o terreno das interpretações falsas: não se trata de proselitismo, não roubamos os fiéis da outra Igreja. O Papa respondeu a um pedido premente de alguns setores da Igreja anglicana. Um gesto de grande apertura e acolhida realizado em espírito de diálogo. Neste sentido, terá um reflexo positivo sobre o ecumenismo.