Arquivo mensal: setembro 2012

Pesquisa feita no RS mostra relação entre medicina e espiritualidade

Roberta Salinet Da RBS TV

 

 

 

Uma pesquisa desenvolvida por dois médicos no Hospital São Francisco, do Complexo da Santa Casa de Porto Alegre, mostra a relação entre a medicina e a espiritualidade. No levantamento feito com 260 pacientes desde maio deste ano, a conclusão foi que a fé tem influência no tratamento de doenças. Os números da primeira fase do estudo serão apresentados no 67º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que será realizado de 14 a 17 de setembro em Recife (PE).

 

“Nós temos a presença de Deus no nosso dia a dia. Eu tenho inúmeras histórias na minha vida de cirurgião cardíaco em que a gente sente a presença de Deus”, diz o cirurgião cardiovascular Fernando Lucchese, que é católico. Ele e o cardiologista Mauro Pontes, seu parceiro na pesquisa e espírita, fazem parte de uma parcela de pesquisadores que crê em Deus. “Milagre para nós é quase que um fato diário”, diz Pontes.

 

Na primeira etapa, o estudo conduzido pelos dois médicos procurou saber o que os doentes e médicos pensam sobre a espiritualidade e perceber como a religião ajuda a superar as doenças. Entre os 260 pacientes ouvidos, todos disseram que acreditam em Deus. Quando questionados sobre a crença na vida depois da morte, 71,1% dos participantes da pesquisa disseram acreditar. Quando se cruzam as perguntas sobre religião e saúde, fica evidente a importância da espiritualidade: mais de 84% acredita que ter fé faz bem à saúde e 88,2% usa a fé como conforto na doença.

 

“Eu sempre tive fé, desde o ambiente familiar me criei com fé. Respeito Deus, gosto de Deus, acredito em Deus, tenho fé em Deus”, diz Antônio Gilberto Lehnen, que passou por um transplante de coração há 10 anos. “Eu devo a minha saúde a duas situações. Uma é a competência médica, a ciência. De outro lado está a oração, muita oração”, conta ele, que é um dos pacientes de Lucchese.

 

 

Para surpresa dos pesquisadores, mais da metade dos pacientes gostaria que o médico falasse sobre espiritualidade. Mais de 70%, no entanto, diz que o médico nunca falou sobre o assunto. Outro dado chamou a atenção dos médicos: 16% dos pacientes acham que a doença é um castigo de Deus.

 

“Eles têm a crença de que o comportamento deles foi inadequado. Acham que tiveram culpa pelo desenvolvimento da doença e acham que Deus está punindo eles por causa desse comportamento”, explica Pontes. Esses pacientes, diz o cardiologista, têm um índice de mortalidade 50% maior, mas o motivo ainda não foi descoberto. “O mecanismo que associa essa crença com o aumento da mortalidade ainda está sendo esclarecido”, conclui.

 

Outro aspecto que está sendo estudado é a influência do comportamento e do estado de espírito dos pacientes na cura. “Estamos chegando progressivamente à bioquímica das doenças da alma. Por exemplo, um sujeito que é raivoso, explosivo, a gente não pode dizer que seja doente mental, ele tem uma doença da alma, a raiva”, diz Lucchese.

 

Por meio de exames de sangue, foi verificado que as pessoas raivosas têm maior nível de interleucina 6 no sangue. “Nós somos corpo, mente e espírito. Nestes indivíduos se detectou que no sangue eles há um produto em nível mais alto, que é chamado marcador de inflamação. É a interleucina 6, proteína C reativa ultrassensível, são marcadores que indicam no organismo alguma coisa que vá nos levar à doença”, explica o médico.

 

Por outro lado, há estudos demonstrando que em comunidades religiosas os integrantes têm índices mais baixos de interleucina 6 no sangue. “Nossa próxima fase na pesquisa será exatamente isso. Estudar a bioquímica nos procedimentos cardiovasculares”, conclui.

Não faça de seu voto uma arma…

Em menos de um mês o Brasil conhecerá os novos profeit@s de seus municípios. Em todas as cidades, desde as menores até a maior de todas, São Paulo, vive-se a emoção e a tensão pré-eleitoral. Propaganda nas ruas, nos jornais, revistas, televisão e rádio. É tanta propaganda que nem mais prestamos atenção nela.
Ontem, no entanto, estava voltando do serviço ouvindo rádio e, em meio à programação musical, uma propaganda do TSE chamando para o voto consciente com o slogan “Faça de seu voto sua arma”. Em seguidinha o programa de notícias da emissora e, entre as informações, a de que, só no início do feriadão, 30 pessoas haviam sido assassinadas no Rio Grande do Sul. Impossível não conectar as informações: voto=arma=30 assassinatos no feriadão…
Dei-me conta então da infeliz metáfora escolhida pelo TSE para a propaganda. Num país estremamente violento como o nosso onde a violência do quotidiano mata mais do muitas guerras, apelar para a imagem da arma como estímulo para o voto consciente, não é, com certeza, o melhor argumento…
A que entendimentos pode nos conduzir tal imagem¿ Alguém poderia pensar numa solução literal: “a melhor forma de acabar com os maus políticos, é matá-los…” Outros poderiam pensar: já que a disputa política não resolve, voltemos para a forma bruta de resolver as diferenças e, quem tiver mais força, que vença!
Numa sociedade civilizada, voto não é arma. Voto é exercício de cidadania. Votamos porque somos cidadãos e queremos resolver nossas diferenças de força civilizada.
Neste 07 de outubro, não faça de seu voto uma arma. Faça dele um exercício de cidadania.
Bom voto a todos…

CNBB lança campanha por um Estado a serviço de todos

As manifestações acontecem durante toda a semana da Pátria, até o dia 7 de setembro

O Brasil é a sexta maior economia do planeta e, ao mesmo tempo, lidera os índices de injustiça social – é o quarto país mais desigual da América Latina – e de corrupção – ocupa o 69º lugar de um ranking com 91 países. Por isso, durante a semana de comemoração da Independência do Brasil, ocorrerão por todo o País uma série de caminhadas e atos públicos em defesa de um Estado mais justo e a serviço da população.

As manifestações fazem parte do Grito dos Excluídos, um evento nacional organizado pela Confederência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com diversos movimentos sociais. Segundo o bispo da CNBB, dom Guilherme Werlang, o Estado tem se mostrado muito mais a serviço de interesses particulares do que a serviço da nação. “O grito é para que o Estado atenda aos direitos da população nos mais diversos aspectos”, afirma. “Se todos somos iguais perante a lei, o Estado deveria garantir isso”, completa dom Guilherme .

Dessa forma, sob o lema Um Estado a Serviço da Nação, que Garanta Direitos de Toda a População, a Pastoral Social da CNBB agiu como incentivadora e organizadora de diversas manifestações de movimentos sociais com as mais variadas demandas por todo o país.

As principais mobilizações do Grito dos Excluídos de 2012 alcançam desde a violência contra os jovens e a diferença racial até a corrupção e as implicações das obras preparativas para a Copa do Mundo.

“O principal objetivo do ‘Grito’ é ajudar as pessoas a perceberem que a realidade não é tão simples como os líderes políticos mostram e incitar o gérmen da democracia participativa”, explica Ari Alberti, coordenador do evento.

“É preciso que a população discuta durante essa semana para quem o Estado serve. Essa é a grande questão”, diz Iury Paulino, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) na Amazônia. “Durante o Grito dos Excluídos vamos discutir para quem a energia de Belo Monte servirá”, adianta. “Se servirá aos brasileiros ou ao capital estrangeiro e as mineradoras que atuam na Amazônia”, completa Paulino.

O Grito dos Excluídos de 2012 conta com atos e panfletagens em todos os estados brasileiros durante a semana da Pátria – que se encerra no dia 7 de setembro. “As pautas de reivindicação dependem de cada local, mas nossa intenção é criar um interesse e uma organização que discuta permantemente os problemas locais e os solucione de forma participativa e conjunta”, conclui o coordenador Alberti.

CANTOS DO SUL DA TERRA

Para quem está cansado da mesmice dos programas de “música gauchesca”, uma novidade que vale a pena conferir:CANTOS DO SUL DA TERRA. Um programa da Rádio Cultura da Fundação Cultural Piratini. Confira no link: http://www.tve.com.br/?model=conteudo&menu=176

Vale a pena!

-

Foto: –

A expansão das fronteiras culturais e a valorização do cenário musical latino-americano. A música do Rio Grande do Sul, da Argentina, do Uruguai, são os destaques do Cantos do Sul da Terra da FM Cultura. Cantos do Sul da Terra apresenta melodias que caracterizam essa verdadeira aldeia, composta pelas diversidades da cultura indígena, negra, colona e imigrante, em suas expressões musicais, na literatura e na cultura popular. O programa vai ao ar de segunda à sexta, às 11h. Apresentação e produção de Demétrio Xavier.

 Reprises todos os dias, às 6h.

Igreja Católica 'parou há 200 anos', diz cardeal italiano

 

Cardeal Martini (Foto: AFP)A Igreja Católica está “200 anos atrás” dos tempos atuais, nas palavras do cardeal italiano Carlo Maria Martini, que morreu na sexta-feira aos 85 anos.
A opinião do religioso – que chegou a ser citado como cotado ao papado – foi dada durante a sua última entrevista, gravada em agosto e publicada pelo diário Corriere della Sera, de Milão.
“A nossa cultura envelheceu, as nossas igrejas são grandes e vazias e a burocracia eclesiástica está crescendo, os nossos ritos religiosos e vestimentas são pomposos”, afirmou o cardeal na entrevista, em que propôs uma mudança de direção radical.
Milhares de pessoas vêm prestando as suas últimas homenagens a Martini na catedral de Milão, onde ele foi arcebispo por mais de 20 anos, até se aposentar em 2002, já sofrendo do Mal de Parkinson.
Em sua última entrevista, o cardeal afirmou que muitos católicos perderam a confiança na Igreja Católica e defendeu, entre outras adaptações, uma postura mais generosa em relação aos divorciados.
Além disso, ele pediu que a mudança comece no topo com uma “transformação radical, começando pelo papa e seus arcebispos”.
Martini tinha voltado à Itália recentemente, depois de passar os últimos se aprofundando em estudos bíblicos em Jerusalém.
“Os escândalos sexuais envolvendo crianças nos obrigam a uma viagem de transformação”, disse Martini, referindo-se às várias acusações de pedofilia que surgiram contra líderes católicos nos últimos anos.
O popular cardeal jesuíta era considerado liberal em diversos aspectos e foi muito respeitado pelos papas João Paulo II e seu sucessor, Bento XVI.Analistas dizem que ele ficou conhecido como crítico corajoso durante a sua passagem pela maior diocese da Europa.Ele não se furtava a tocar em temas que muitos no Vaticano consideram tabu, entre eles, o uso de preservativos para combater a Aids na África e o papel das mulheres no clero.
Em 2008, ele chegou a criticar a proibição da Igreja à contracepção, afirmando que a postura possivelmente afastou muitos fieis. Dois anos antes, ele declarara publicamente acreditar que camisinhas são, em algumas situações, “o menor dos males”.No entanto, é muito incomum que um integrante do alto escalão do clero critique abertamente a forma com que a Igreja põe seus ensinamentos em prática.Analistas afirmam que o papa agora tem pela frente uma decisão difícil: comparecer ou não ao funeral de Martini na segunda-feira – o que, para muitos, seria uma poderosa afirmação da unidade da Igreja Católica.O atual pontífice é conhecido por não premiar líderes católicos que se atrevam a questionar a doutrina.A última entrevista do religioso foi dada no início de agosto a um jornalista e ao também jesuíta Georg Sporschill.O cardeal Martini foi um acadêmico e estudioso da bíblia respeitado, além de prolífico autor de livros populares sobre religião.