Arquivo mensal: outubro 2012
Até que ponto a religião influencia o voto do brasileiro?
Jefferson Puff da BBC Brasil, em São Paulo

Às vésperas do primeiro turno das eleições em 5.561 municípios de todo o país, a BBC Brasil ouviu especialistas para tentar dimensionar as relações entre a religião e o voto do brasileiro.
Embora a opção religiosa e os valores morais atrelados a diferentes grupos tenham sido temas recorrentes nas últimas campanhas eleitorais, ainda há divergências entre cientistas políticos sobre o peso da religião nas escolhas do eleitor.
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Uma parte vê o cenário atual como indicador de padrões que devem se fortalecer cada vez mais, tanto do “voto do fiel” como da ascensão política dos evangélicos. Eles se baseiam em dados como os do último censo do IBGE, que apontou um crescimento de 15,4% para 22,2% da população evangélica no Brasil entre 2000 e 2010.
Trinta anos atrás, eles não eram mais do que 6,6% da população. E entre as diversas vertentes evangélicas, os pentecostais são de longe a maioria, com 60% dos fiéis.
“É uma tendência, é um crescimento exponencial. Veja a Marcha para Jesus [que reuniu mais de 300 mil fiéis em São Paulo neste ano]. Os evangélicos acumularam um capital político que não pode mais ser ignorado. É uma presença consolidada e irreversível”, analisa Eduardo Oyakawa, professor de sociologia da religião da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).
Moral e consumo
O analista diz que os valores morais e a exclusão da sociedade de consumo estão no cerne do “voto evangélico”.
“O voto em candidatos conservadores atrelados à religião se dá muito mais por conta da identificação com um sistema de valores morais do que a opção religiosa em si. Estamos falando de pessoas invisíveis no dia a dia. Elas moram nas periferias das grandes metrópoles e não se sentem protegidas pelo Estado. A dificuldade para ter acesso a bens de consumo também colabora para que encontrem refúgio na religião”.
Já Alberto Carlos Almeida, autor do livro A Cabeça do Eleitor, diz que o principal fator na decisão dos eleitores é a avaliação dos candidatos incumbentes, que estão deixando o cargo ou buscam reeleição. “Sem dúvida, o desempenho do governo atual é o que decide uma eleição”, diz.
Marcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência, usa o caso da eleição para prefeito de São Paulo para relativizar a relação entre religião e opção de voto.
Ela pondera o favoritismo do candidato Celso Russomano (PRB) entre os evangélicos, e diz que embora o percentual seja maior, os fiéis também apoiam os outros candidatos.
Uma pesquisa do Datafolha do início de setembro mostrou que o apoio dos pentecostais aos principais candidatos estava distribuído da seguinte forma: Russomano (PRB) tinha 45%, José Serra (PSDB) 17%, Fernando Haddad (PT) 16% e Gabriel Chalita (PMDB) 6%.
“Se a religião fosse um fator tão crucial, ele teria 70%, 80% dos votos entre os evangélicos”, afirma, avaliando que as cifras não permitem concluir que a religião foi determinante.
“Há muitas variáveis para você isolar somente a religião. É mais uma, sem dúvida, mas é difícil dizer que foi algo decisivo.”
Diversidade
Alberto Carlos Almeida diz ver a presença maior da agenda pentecostal no debate eleitoral como algo natural.
“Trata-se de um cenário normal de maior pluralismo e diversidade de forças políticas. É apenas mais um grupo, com sua bancada, seus representantes e interesses”, diz o pesquisador.
Ele diz que o panorama atual é esperado de uma sociedade em evolução. “Há mais forças entrando em jogo, é natural. Agora, precisamos diferenciar: uma coisa é o cenário político duradouro, outra coisa é o processo de eleição”.
“Ninguém provou até hoje, com dados concretos, que o eleitor está decidindo seus candidatos porque eles se associam a determinadas religiões.”
Mas ainda que pesquisas não tenham conseguido determinar uma relação clara entre religião e sucesso nas urnas, é cada mais vez recorrente a associação de candidatos a forças religiosas.
A distribuição de apoio aos candidatos em São Paulo aponta ainda discrepâncias entre os evangélicos pentecostais, que, em muitas situações, mostram posições divergentes e rivalizam por fiéis.
Apesar da busca por apoio em diferentes grupos religiosos, é justamente entre os pentecostais que a disputa política de maior destaque se concentra, já que eles formam o grupo mais numeroso e poderoso dentro do universo evangélico, com cinco igrejas dominando o cenário: Universal, Assembleia de Deus, Renascer e Mundial do Poder de Deus.
Não por acaso a grande maioria dos 70 deputados federais e três senadores que integram a bancada evangélica no Congresso pertencem a esses cinco grupos.
Neste panorama, Russomano (PRB) conta com apoio da Igreja Universal do Reino de Deus, Haddad (PT) tem a seu favor a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, Serra (PSDB) conquistou a chancela dos evangélicos pentecostais da Assembleia de Deus e da Igreja Mundial do Poder de Deus (dissidente da Universal) e Chalita (PMDB) tem simpatizantes entre os pentecostais da Sara Nossa Terra e da Renovação Carismática Católica.
Projeto de poder?
Apesar das diferenças sobre o impacto religioso de forma geral, analistas concordam que as igrejas evangélicas estão consolidadas como uma força política com a qual todos os partidos precisam negociar.
Além disso, a penetração de grupos religiosos na esfera pública nacional, por meio de canais de televisão, tem aumentado gradativamente.
“As igrejas evangélicas, além de grupo religioso, constituíram uma força política, vide a bancada no Congresso”, diz Maria Teresa Micelli Kerbauy, cientista política da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo). “Elas querem uma inserção política.”
“Só o discurso religioso não é suficiente para ganhar novos adeptos, e se essa tendência já vinha se manifestando desde a década de 1990, ela atinge seu boom agora com a eleição de São Paulo”, diz a pesquisadora.
Para a estudiosa, a tendência identificada é de uma expansão da base de fiéis evangélicos e maior penetração dessas igrejas e seus representantes na política brasileira.
Maria Teresa acrescenta que pode ser um exagero falar em um “projeto de poder”, mas identifica um claro “projeto de participação mais intensa no sistema político brasileiro, colocando suas demandas”.
Entre elas estão a agenda moral conservadora da bancada em Brasília, contrária ao aborto e à união civil entre homossexuais e a luta por facilidades na obtenção de licenças de funcionamento para igrejas.
“É cedo para medir a força da religião no processo eleitoral, mas que ela está mais presente do que no passado, é um fato inquestionável”, diz Marcia Cavallari, do Ibope Inteligência. “Como isso vai se dar, se vai ser um fator de influência decisivo, só poderemos observar com o tempo.”
O absoluto é Deus, e o coabsoluto são os pobres. Entrevista especial com Jon Sobrino
“Fazer teologia é ajudar, a partir do pensar, para que Deus seja mais real na história e que os pobres – no caso, a fome – deixem de sê-lo”, afirmar o teólogo jesuíta.
Já são 40 anos de Teologia da Libertação e permanece a dúvida em relação às razões pelas quais ela é tão criticada, perseguida, difamada pelos poderes do mundo, inclusive pela hierarquia da Igreja. Pois quem ajuda nessa compreensão é o renomado teólogo jesuíta salvadorenho, de origem espanhola, Jon Sobrino, que aceitou conceder a entrevista a seguir para a IHU On-Line, por e-mail, afirmando que para responder a essa pergunta não é necessário nenhum estudo sofisticado, nem de discernimento diante de Deus. Tal perseguição ocorre “ou por má vontade ou por ignorância”, pelo fato de que aquela teologia “foi vista como uma ameaça”. E explica: “certamente, ameaça ao capitalismo, e daí a reação de Rockefeller em 1969 e dos assessores de Reagan, em 1980. E ameaça à segurança nacional, e daí as reações dos generais na década de 1980. Também no interior da Igreja, por ignorância, por medo de perder o poder ou por obstinação de não querer reconhecer a verdade com que se respondiam às críticas”.
Sobrino pensa que, no Concílio Vaticano II, “a Igreja sentiu o impulso de humanizar o mundo e de se humanizar juntamente com ele, sem se envergonhar diante do mundo moderno e de usar o moderno para tornar mais crível o Deus cristão”. E o teólogo acredita que, o que se chamou de Teologia da Libertação, “pode aportar a ambas as coisas: racionalizar a fé em um mundo de injustiça e oferecer uma imagem mais limpa de Deus, não manchada com a imundície das divindades que dão morte aos pobres”.

Jon Sobrino é professor da Universidade Centro-Americana – UCA -, de San Salvador. Doutor em Teologia pela Hochschule Sankt Georgen, em Frankfurt (Alemanha) e diretor da Revista Latinoamericana de Teologia e do informativo Cartas a las Iglesias.
Ele é autor de, entre muitos outros livros, Cristologia a partir da América Latina: esboço a partir do seguimento do Jesus histórico (Petrópolis: Vozes, 1983). Ele estará na Unisinos participando do Congresso Continental de Teologia, com a conferência inaugural do evento, intitulada “Um novo Congresso e um Congresso novo”.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Para o senhor, qual o significado de celebrar os 50 anos do início do Concílio Vaticano II e os 40 anos da publicação do livro de Gustavo Gutiérrez – Teologia da Libertação? Que perspectivas podem se abrir a partir do Congresso Continental de Teologia?
Jon Sobrino – Naqueles anos, de 1966 a 1974, estive em Frankfurt estudando Teologia. Tive notícias do Concílio, mas parciais. Por Medellín e o livro de Gustavo Gutiérrez, só cheguei a me interessar em 1974, com a minha chegada a El Salvador. Com isso quero dizer que, diferentemente de muitos da minha geração, eu fui um ignorante do que estava acontecendo e obviamente não fui nenhum apaixonado. Depois, tudo mudou. Mais do que acontecimento, penso que foi a realidade salvadorenha dos pobres e os companheiros que se entregavam a eles que me levaram a valorizar os acontecimentos que haviam ocorrido e a ler os textos de bispos e de teólogos que os acompanhavam. Esse esclarecimento talvez ajude a compreender as respostas que vou dar a seguir. Perguntam-me qual é o significado de celebrar, e penso que, se levarmos a sério a pergunta, cada um terá uma resposta própria.
Dos acontecimentos mencionados, eu continuo celebrando que foram rupturas profundas e humanizadoras na história da Igreja. Fizeram-nos respirar. Pensando no Concílio, “o impossível se fez possível”. Pensando em Medellín, Gustavo Gutiérrez e depois em Dom Romero, a Igreja decidiu se voltar ao pobre e a Jesus. E deu “ultimidade” à justiça e à esperança de que fosse possível “que o rico não triunfe sobre o pobre, nem o verdugo sobre a vítima”. Nessa tarefa, assomava-se com clareza o Deus de Jesus. E se eu me centro mais em Medellín do que no Concílio é porque eu o conheço melhor.
Outro cristianismo é possível
Isso produziu alegria e esperança de que, como se diz hoje, não sei se com demasiada facilidade, outra Igreja, outra fé, outro cristianismo “é possível”, e o era porque “era real”. Hoje celebramos o despertar “do sonho de séculos de cruel desumanidade”, como nos pedia Montesinos, a decisão de trabalhar pelos pobres e sua libertação, e a lançar a sorte com eles. Celebramos a difícil conversão e o novo que foi aparecendo: liturgias, catequese, música popular, poesias, nova teologia, a de Gustavo, um compromisso desconhecido e uma luta contra os ídolos. E, sobretudo, a entrega da vida de centenas e milhares de fiéis cristãos. De bispos e sacerdotes. Na vida e na morte se pareceram com Jesus. Os feitos são evidentes. Dom Pedro Casaldáliga escreveu “São Romero da América, pastor e mártir nosso”, embora várias cúrias romanas não sabem o que fazer com esse mártires, tantos e tão numerosos são eles. As normativas às que devem ser fiéis não são pensadas para aceitar o evidente.
Hoje, no continente, mudaram algumas coisas, persistem a pobreza, as estruturas de injustiça e de opressão, e aumenta a crueldade das migrações.
Mudaram mais as coisas na Igreja. De Puebla em diante, deslizou-se por uma ladeira sem que Aparecida tenha impedido isso significativamente. Há coisas boas e inovadoramente boas, mas já não é o de antes. Havia honradez institucional, abundante, ao menos o suficiente, com o real, denúncia vigorosa e analisada contra o horror dos pobres, utopia pela qual trabalhar e lutar, cartas pastorais que lembravam Bartolomé de las Casas e a ciência de Vitória, homilias proféticas de sacerdotes, teologias audazes… Agora isso não fica claro. Fizeram presente um Deus mais latino-americano, pobre, esperançoso, libertador e crucificado. E devolveram ao continente e a suas igrejas um Jesus que esteve sequestrado durante séculos.
Olhar para trás
O que significa, então, celebrar anos depois o Concílio, o livro de Gustavo Gutierrez, Medellín, o martírio de Dom Romero? O que ocorreu foi muito bom e muito humanizador. Hoje, já não abunda. E por isso é preciso olhar para trás, embora as palavras não soem politicamente corretas. Certamente é preciso prosseguir com o novo no pensar teológico: a mulher, os indígenas, as religiões, a irmã terra, a utopia de outros mundos, igrejas, democracias “possíveis”. Mas é preciso ter cuidado para não cair na ameaça de Jeremias: “Abandonaram a mim, fonte de água viva, e cavaram para si poços, poços rachados que não seguram a água” (2, 13). O que mencionamos antes são fontes de água viva até o dia de hoje. E mais o serão se voltarmos a elas ativa e criativamente. É certo, “o Espírito nos move para frente”. Mas tal como estamos, menos se pode esquecer que “o Espírito nos remete a Jesus de Nazaré”, eterna fonte de água viva.
IHU On-Line – O que significa fazer e pensar a Teologia a partir da realidade da América Latina e do Caribe?
Jon Sobrino – A teologia não é o primeiro a ser pensado. O primeiro é a realidade e, no caso da Teologia, a realidade absoluta. Com sua agudeza habitual, Dom Pedro Casaldáliga, ao se referir ao absoluto, diz que “tudo é relativo, menos Deus e a fome”. O absoluto é Deus, e o coabsoluto são os pobres. Fazer teologia é, então, ajudar, a partir do pensar, para que Deus seja mais real na história e que os pobres – a fome – deixem de sê-lo. Para que o pensar possa ajudar nessa tarefa, lembremos o que Ellacuría entendia por inteligir a realidade. Explicava-o em três passos:
– O primeiro é “assumir a realidade”; em palavras simples, captar como são e como estão as coisas. Em 2006, olhando o mundo universo, Casaldáliga escrevia: “Hoje, há mais riqueza na Terra, mas há mais injustiça. Dois milhões e meio de pessoas sobrevivem na Terra com menos de dois euros por dia, e 25 mil pessoas morrem diretamente de fome, segundo a FAO. A desertificação ameaça a vida de 1,2 milhões de pessoas em uma centena de países. Aos emigrantes é negada a fraternidade, o solo abaixo dos pés. Os Estados Unidos constroem um muro de 1,5 mil quilômetros contra a América Latina. E a Europa, ao sul da Espanha, levanta uma cerca contra a África. Tudo o que, além de iníquo, é programado”. O presente não o desmente.
– O segundo passo é “encarregar-se da realidade”. Sua finalidade não consiste simplesmente em fazer crescer conhecimentos por bons e necessários que sejam, mas em fazer crescer a realidade. E em uma direção determinada: a da salvação, da compaixão, da misericórdia e do amor. A teologia é intellectus amoris.
– O terceiro passo é “carregar a realidade”, e com uma realidade que é pesada. Sob ela vivem os anawim da Escritura, os encurvados. A carga que pode fazer até com que privem a vida de alguém. Teólogos e teólogas sofreram perseguição, e alguns acabaram mártires. Isso pode acontecer quando o fazer teologia está perpassado de atitude ética.
Costumamos acrescentar um quarto passo: “deixar-se carregar pela realidade”. O trabalhar e o sofrer assim também podem ser graça para quem faz teologia. Então, o teólogo sabe que faz parte do povo pobre, não é externo a ele. Sabe que é levado por ele e recebe o agradecimento dos pobres. Fazer teologia é, então, “uma pesada carga leve”, como dizia Rahner, que é o Evangelho.
IHU On-Line – Como o senhor analisa a atual conjuntura cultural, socioeconômica e político mundial, a partir do horizonte latino-americano? Nesse contexto, quais os desafios e tarefas que implicam à teologia?
Jon Sobrino – Creio que na atualidade há muitos rostos de Deus na América Latina. Uns emergiram no passado e ali ficaram. Seguem mantendo muita gente com vida e dignidade – embora com a limitação de não animar ao compromisso. Outros coexistem com superstição desumanizante. Hoje proliferam novas Igrejas e movimentos de todo o tipo, em sua maioria carismáticos e pentecostais, com seus novos rostos de Deus. Pessoalmente, compreendo e às vezes aprecio a bondade das pessoas que os veneram, pois, em parte, deve-se a longas épocas de desamparo eclesial. Mas nem sempre é fácil para mim colocá-los junto ao Jesus de Nazaré do Evangelho. Entre intelectuais e antigos revolucionários existem agnósticos e alguns ateus. São minorias, mas estão aumentando. Creio que, em poucos lugares, surgiu o rosto de um Deus crucificado, de que fala Moltmann, mas não creio que em países como El Salvador e Guatemala seja possível aceitar, a longo prazo, um Deus que não afeta o seu sofrimento, que o próprio Deus sofra em seus filhos e filhas crucificados. Em meio a esses rostos, creio que a novidade maior é a dupla formulação que Puebla fez em 1979. Positivamente, Deus é essencialmente um Deus libertador. Defende e ama os pobres – e nessa ordem – pelo mero fato de serem-no. Seja qual for sua situação pessoal e moral. Dialeticamente, Deus é essencialmente um Deus de vida contra divindades da morte. Puebla analisou isso cuidadosamente e apresentou os ídolos de acordo com uma hierarquia: o ídolo da riqueza, o poder, as armas… Dom Romero, junto com Ignacio Ellacurría, explicou-o admiravelmente para a situação salvadorenha.
IHU On-Line – Qual é o rosto de Deus que emerge da realidade latino-americana? E como a Igreja tem assumido esse rosto?
Jon Sobrino – É preciso perguntar isso a eles, e não tomarmos, nós, o seu lugar. Mas podemos dizer algo. Em Morazán, em meio às atrocidades da guerra dos campesinos, perguntavam ao sacerdote que os acompanhava: “Padre, se Deus é um Deus de vida, como acontece tudo isso conosco?”. É a pergunta de Jó e de Epicuro . Para responder a essa pergunta não me ocorrem conteúdos nem razões, mas sim atitudes. A primeira é lhes falar “com proximidade”. E não qualquer proximidade, mas a de Dom Romero: “Peço ao Senhor durante toda a semana, enquanto vou recolhendo o clamor do povo e a dor de tanto crime, a ignomínia de tanta violência, que me dê a palavra oportuna para consolar, para denunciar, para chamar ao arrependimento”. A segunda é falar “com credibilidade”. E, de novo, não qualquer credibilidade, mas a de Dom Romero: “Eu não quero segurança enquanto não a deem a meu povo”. O bispo não respondia apelando a milagres celestiais, mas sim mostrando em sua própria carne o amor terrenal. O que sentiam em seu coração os campesinos que sofriam e perguntavam, pertence a seu mistério. Aqueles que o viam de fora acreditam que o bispo lhes falou do amor de Deus. E que as suas palavras foram uma boa notícia. Resta aos intelectuais dialogar com Epicuro e Dostoiévski , acolher Paulo e Moltmann. E não é tarefa ociosa. Mas, entre nós, o que mais ressoa é a proximidade e a credibilidade do Monsenhor.
IHU On-Line – Como falar de Deus a partir da realidade de sofrimento que vivem os excluídos, os que estão à margem da sociedade privilegiada?
Jon Sobrino – As teologias não crescem, perduram ou decaem como sistemas formais de pensamento, não contaminadas pelo real. A Teologia da Libertação formulou com rigor e vigor que no Êxodo Deus “libertou os escravos”, que na sinagoga de Nazaré, Jesus “libertou os cativos”. O que, como e quanto disso guiou o pensamento nesses 40 anos é uma coisa a se analisar. Já disse que antes isso ocorreu mais do que agora. Desde já, a Teologia da Libertação não está na moda. Mas não me parece correto responsabilizar disso o que começou com Gustavo Gutiérrez, Juan Luis Segundo, Leonardo Boff, Ignacio Ellacuría e com Dom Helder Camara, Leonidas Proaño, Angelelli e Romero. Às pessoas mencionadas é preciso continuar agradecendo que ao longo desses 40 anos se mantiveram impulsos de teologia libertadora e se estenderam a novos âmbitos, como o do gênero, das religiões, da mãe terra… E aqueles de boa vontade que lamentam a queda da teologia da libertação, que voltem ao Deus do Êxodo e a Jesus de Nazaré. Indubitavelmente, houve limitações, erros, exageros. Pode ter havido reducionismos anti-intelectuais em favor da práxis, preguiça intelectual diante de escritos como os de Juan Luis Segundo ou Ellacuría, vislumbres de demagogia diante do pensamento científico de outros lares, ignorância das críticas ou prepotência diante delas. Mas, pessoalmente, não vejo que tenha surgido outro impulso teológico tão humano, frutífero, evangélico e latino-americano como o que surgiu há 40 anos.
IHU On-Line – Como o senhor analisa esses quarenta anos da Teologia da Libertação? Por que ela foi tão criticada, perseguida, difamada pelos poderes do mundo, inclusive pela hierarquia da Igreja?
Jon Sobrino – Outra coisa é a menor qualidade na produção da teologia da libertação. Não é fácil que se repita a geração dos fundadores, embora tenham surgido novos teólogos e teólogas de qualidade. E não se pode esquecer que algo parecido pode ocorrer hoje em outras escolas, tradições e movimentos de teologia. Os Barth, Rahner, de Lubac, von Balthasar, Bultmann, Käsemann não têm muitos sucessores dessa altura.
A resposta à segunda pergunta não precisa de nenhum estudo sofisticado, nem de discernimento diante de Deus. Ou por má vontade ou por ignorância, aquela teologia foi vista como uma ameaça. Certamente, ameaça ao capitalismo, e daí a reação de Rockefeller em 1969 e dos assessores de Reagan, em 1980. E ameaça à segurança nacional, e daí as reações dos generais na década de 1980. Também no interior da Igreja, por ignorância, por medo de perder o poder ou por obstinação de não querer reconhecer a verdade com que se respondiam às críticas. Lembre-se de Dom López Trujillo e de vários bispos e cardeais. E a instrução da Congregação para a Doutrina da Fé, de 1984, sem que a de 1986 conseguisse consertar totalmente o anterior.
IHU On-Line – Qual o significado teológico e antropológico da expressão “libertação”, a partir do contexto latino-americano? Como essa perspectiva teológica se implica no atual contexto de sociedade e de Igreja?
Jon Sobrino – Se me lembro bem, o conceito de “libertação” foi usado para superar o conceito de “desenvolvimento”, a solução que o mundo ocidental propunha para superar a pobreza. Na Igreja, redescobriu-se que era um termo-chave no Êxodo e em Lucas para expressar salvação. Parece-me importante ter presente que “a libertação” foi redescoberta na América Latina, o chamado terceiro mundo, por ser um continente não só atrasado ou subdesenvolvido, mas também oprimido e escravizado pelo primeiro mundo, europeus e norte-americanos. E em Igrejas, se não oprimidas pelas europeias, fortemente dependentes delas. O termo “libertação” remetia de forma muito importante à opressão e à repressão, isto é, à privação injusta e cruel da vida, o que se mantém até os dias de hoje. Outra coisa é que, felizmente, o conceito foi estendendo seu significado na teologia para designar libertação da indignidade, da opressão de gênero, do despotismo de uma religião… E é preciso ter presente também que a teologia da libertação, diferentemente de outras teologias e ideologias, dá prioridade ao “povo” sobre o “individualismo”, e à “abertura à transcendência” sobre o “positivismo”, como disse Ellacuría em uma reunião de religiões abraâmicas. Em todo caso, embora com o retorno massivo a individualismos espiritualistas, a teologia da libertação introduziu a dimensão religiosa do humano no âmbito do mundo exterior. Ela a tornou presente na realidade social, por direito próprio e sem que possa ser facilmente ignorada. É religião política, afim à de Metz, o que não é um pequeno benefício.
IHU On-Line – Fazendo memória de Dom Oscar Romero, Ignácio Ellacuría e Companheiros, dentre tantos outros rostos que foram assassinados porque assumiram a causa dos empobrecidos e marginalizados, o que significa ser Igreja, hoje, no limiar do século XXI?
Jon Sobrino – Menciono duas sentenças. Ignacio Ellacuría, no funeral celebrado na UCA, disse: “Com Dom Romero, Deus passou por El Salvador”. Ser Igreja é trabalhar com decisão e simplicidade, para que Deus passe por esse mundo desumano. E para o não crente trabalhar para que a solidariedade e a dignidade, o melhor do humano, passe por este mundo, que embora seja mais secular, continua sendo desumano. Dom Romero, na Universidade de Louvain, no dia 2 de fevereiro de 1980, poucos dias antes de ser assassinado, disse: “A glória de Deus é que o pobre viva”.
Ser Igreja é trabalhar pela glória de Deus. E para o não crente “a glória da humanidade é que os pobres vivam, cheguem a formar parte da família humana”. Por isso, é preciso trabalhar. E termino com algo que me faz pensar. Penso que no Concílio a Igreja sentiu o impulso de humanizar o mundo e de se humanizar juntamente com ele, sem se envergonhar diante do mundo moderno e de usar o moderno para tornar mais crível o Deus cristão. A finalidade é magnífica. Em Medellín, a Igreja sentiu o impulso de não se envergonhar dos pobres e de não escutar a repreensão da Escritura: “Por causa de vocês, blasfema-se o nome de Deus entre as nações”. E com humildade se pôs a “limpar o rosto de Deus”. Acredito que o que se chamou de Teologia da Libertação pode aportar a ambas as coisas: racionalizar a fé em um mundo de injustiça e oferecer uma imagem mais limpa de Deus, não manchada com a imundície das divindades que dão morte aos pobres.
Tatu-bola: pProtesto e repressão
| Manifestantes ficaram feridos, assim como três policiais Crdito: André Ávila |
Na manhã seguinte ao confronto entre manifestantes e policiis militares no Centro de Porto Alegre, o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), major André Luiz Córdova, avaliou que não houve excessos por parte da polícia que interveio com balas de borracha e gás de efeito moral. “Mostra uma resposta proporcional a uma agressão real, atual e iminente contra os policiais ou contra terceiros. Essa é a nossa linha, o nosso mantra de ação policial”, disse em entrevista a Rádio Guaíba nesta sexta-feira.
Conforme o comandante, o grupo que promoveu o protesto não tinha líder e não comunicou as autoridades sobre o ato. O major contou que cerca de 300 pessoas que se reuniam desde a tarde dessa quinta-feira na área central começaram, por volta das 23h, a arrancar as grades que cercavam o tatu-bola – símbola da Copa do Mundo de 2014, que fica no Largo Glênio Peres. Segundo o oficial, os manifestantes atiraram pedras e paus contra o boneco inflável, que acabou estourando.
Havia 20 policiais militares no local, segundo Córdova. “Eles iniciaram arremessando contra o tatu-bola, quando o policial se interpôs para evitar que aquele símbolo fosse danificado, os arremessos continuaram e aí os policiais já estavam no meio”, relatou. A guarnição pediu auxílio do 1º e 20º BPM, além do pelotão de prontidão do Batalhão de Operações Especiais (BOE), totalizando 65 policiais.
De acordo com o major, três policiais foram feridos, assim como alguns manifestantes e jornalistas que cobriam o ato. Um grupo atirou pedras contra viaturas e veículos da imprensa e destruiu a porta de um agência bancária. Quatro pessoas foram detidas. A Brigada Militar estuda abrir um inquérito para apurar se houve algum tipo de excesso por parte dos policiais durante o confronto.
Segundo os manifestantes, a polícia agiu com truculência para conter os protestos. O grupo que promoveu o ato denomidado “Defesa Pública da Alegria”, se concentrou primeiramente na Praça Montevideo para realizar a “apropriação dos espaços públicos”, conforme os integrantes. Após, foram até a frente do Mercado Público. A intenção era protestar contra o cercamento do Auditório Araújo Vianna e contra as parcerias público-privadas (PPPs) firmadas pela prefeitura, incluindo a que permitiu instalar chafarizes no Largo Glênio Peres.
E o futuro [não] é mais como era antigamente…
VATICAN INFORMATION SERVICE
AÑO XXII – N° 179
FECHA 05-10-2012
Sumario:
– INDULGENCIA PLENARIA POR EL AÑO DE LAFE
– PRESENTACION DEL SINODO SOBRE LA NUEVA EVANGELIZACION
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INDULGENCIA PLENARIA POR EL AÑO DE LAFE
Ciudad del Vaticano, 5 octubre 2012 (VIS).- -Benedicto XVI concederá a los fieles la indulgencia plenaria con motivo del Año de la Fe que será válida desde su apertura (11 de octubre de 2012 hasta su clausura, 24 de noviembre de 2013) , según informa el decreto hecho público hoy firmado por el cardenal Manuel Monteiro de Castro y por el obispo Krzysztof Nykiel, respectivamente Penitenciario Mayor y Regente de la Penitenciaría Apostólica.
“En el día del cincuenta aniversario de la solemne apertura del Concilio Vaticano II -dice el texto- el Sumo Pontífice Benedicto XVI ha establecido el inicio de un Año particularmente dedicado a la profesión de la fe verdadera y a su recta interpretación, con la lectura o, mejor, la piadosa meditación de los Actos del Concilio y de los artículos del Catecismo de la Iglesia Católica”.
“Ya que se trata, ante todo, de desarrollar en grado sumo -por cuanto sea posible en esta tierra- la santidad de vida y de obtener, por lo tanto, en el grado más alto la pureza del alma, será muy útil el gran don de las indulgencias que la Iglesia, en virtud del poder conferido de Cristo, ofrece a cuantos que, con las debidas disposiciones, cumplen las prescripciones especiales para conseguirlas”.
“Durante todo el arco del Año de la Fe -convocado del 11 de octubre de 2012 al 24 de noviembre de 2013- podrán conseguir la Indulgencia plenaria de la pena temporal por los propios pecados impartida por la misericordia de Dios, aplicable en sufragio de las almas de los fieles difuntos, todos los fieles verdaderamente arrepentidos, debidamente confesados, que hayan comulgado sacramentalmente y que recen según las oraciones del pontífice:
A)Cada vez que participen al menos en tres momentos de predicación durante las Sagradas Misiones, o al menos, en tres lecciones sobre los Actos del Concilio Vaticano II y sobre los artículos del Catecismo de la Iglesia en cualquier iglesia o lugar idóneo.
B)Cada vez que visiten en peregrinación una basílica papal, una catacumba cristiana o un lugar sagrado designado por el Ordinario del lugar para el Año de la Fe (por ejemplo basílicas menores, santuarios marianos o de los apóstoles y patronos) y participen en una ceremonia sacra o, al menos, se recojan durante un tiempo en meditación y concluyan con el rezo del Padre nuestro, la Profesión de fe en cualquier forma legítima, las invocaciones a la Virgen María y, según el caso, a los santos apóstoles o patronos.
C) Cada vez que en los días determinados por el Ordinario del lugar para el Año de la Fe, participen en cualquier lugar sagrado en una solemne celebración eucarística o en la liturgia de las horas, añadiendo la Profesión de fe en cualquier forma legítima.
D) Un día, elegido libremente, durante el Año de la Fe, para visitar el baptisterio o cualquier otro lugar donde recibieron el sacramento del Bautismo, si renuevan las promesas bautismales de cualquier forma legítima.
Los obispos diocesanos o eparquiales y los que están equiparados a ellos por derecho, en los días oportunos o con ocasión de las celebraciones principales, podrán impartir la Bendición Papal con la Indulgencia plenaria a los fieles.
El documento concluye recordando que los fieles que “por enfermedad o justa causa” no puedan salir de casa o del lugar donde se encuentren, podrán obtener la indulgencia plenaria, si “unidos con el espíritu y el pensamiento a los fieles presentes, particularmente cuando las palabras del Sumo Pontífice o de los obispos diocesanos se transmitan por radio o televisión, recen, allí donde se encuentren, el Padre nuestro, la Profesión de fe en cualquier forma legítima y otras oraciones conformes a la finalidad del Año de la Fe ofreciendo sus sufrimientos o los problemas de su vida”.
Edir Macedo contra-ataca PT com mensalão, kit gay, Enem
![]() Com o apoio de Lula, Edir Macedo construiu um império da comunicação. (Foto: ) |
Principal apoiador de Celso Russomanno (PRB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo, o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, bispo Edir Macedo, centrou fogo contra Fernando Haddad (PT).
Em ataque ao petista, Macedo publicou um texto com cinco motivos para não votar em Haddad. O principal, segundo o bispo, é que o petista “infestará as escolas municipais com seu kit gay”, se eleito. O documento associa o candidato do PT ao mensalão e diz que os “comparsas” de Haddad “roubaram o Brasil e agora assaltarão São Paulo”. Fala ainda dos problemas do Enem que marcaram a gestão do petista quando ministro da Educação.
Em seu blog, Macedo publicou ontem o texto “Desabafo da revolta”, como se fosse uma carta recebida por ele de alguém que assina como “amigo”. No texto, o autor diz que Haddad “tentou obrigar” a distribuição “uma publicação que defende a homossexualidade, que estimula nossas crianças a viverem em pecado” e afirma que Haddad distribuirá o kit gay nas escolas.
O texto é permeado do início ao fim por ataques ao petista. “Haddad mente. Ataca sem argumentos os demais candidatos, principalmente o líder nas pesquisas, Celso Russomanno”, diz. O documento diz que Haddad não é “sério” e que não “assumiu seus erros” quando houve problemas no Enem.
O “desabafo” publicado pelo bispo diz que “José Dirceu, Genoino, Delúbio [Soares] e Marcos Valério”, réus no julgamento do mensalão, “são todos companheiros” de Haddad. “Mesmo que sejam condenados, quem nos garante que irão para a cadeia? Quem nos garante que, no dia seguinte à posse, não estarão devidamente instalados nos gabinetes do secretariado da prefeitura? E mesmo que não sejam eles pessoalmente, seus indicados estarão lá”.
Por fim, defende Russomanno
Os ataques ao PT fazem parte da estratégia adotada às vésperas do primeiro turno. Além de o candidato subir o tom contra Haddad, a campanha reforçou a ofensiva por meio da igreja neopentecostal e de folhetos contra o petista.
A candidatura distribuiu panfletos com críticas à principal proposta do PT, o Bilhete Único Mensal. “Na proposta do Haddad, uma família com quatro pessoas vai pagar R$ 560 por mês só com o Bilhete Único Mensal do PT”, diz o folheto. “Você quer pagar menos? A proposta de Russomanno tornará a passagem mais barata”.
A campanha prepara novos ataques. “Estamos em stand by, mas podemos lançar novos materiais gráficos até sábado”, disse o marqueteiro da campanha, Ricardo Bérgamo.
Em sua fala, Russomanno assumiu de vez o discurso agressivo contra o PT e repetiu por 14 vezes, em 14 minutos, que Haddad “mente”. O candidato rebateu críticas à sua proposta de cobrar a passagem de ônibus de acordo com o trajeto percorrido. Para Haddad, isso prejudicará os pobres, que vivem na periferia.
“Haddad está mentindo literalmente, deslavadamente a respeito da minha proposta. Ele é mentiroso”, declarou, antes de fazer uma carreata na zona leste. “Ele [Haddad] vai para o segundo turno comigo e vai fazer todos os debates comigo. Agora chegue ao segundo turno (sic). Seja competente para chegar, porque até agora não foi”.
O candidato evitou falar do vínculo com o bispo Macedo. “Não falo mais sobre isso. Sou católico. Vocês querem acompanhar o batismo do meu filho para saber quem eu sou?”
Ao ser questionado sobre as críticas de Macedo, Haddad buscou não relacionar o episódio à opinião pessoal do bispo Edir Macedo. Segundo o petista, a campanha enviará carta para rebater, ponto a ponto, as críticas do texto. “Vamos informar o remetente das injustiças, das injúrias que está cometendo. Muito provavelmente não o faz por má fé, mas por desinformação”, afirmou. O petista evitou polemizar.
Russomanno, ao mesmo tempo em que ataca o PT, poupa o candidato do PSDB, José Serra. Ontem a campanha tucana começou a distribuir panfletos dizendo que o candidato do PRB é vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus e mostrando denúncias contra o candidato. Russomanno evitou comentar. “Estamos acompanhando. Se houver irregularidade nós vamos tomar as providências jurídicas”, afirmou.
Ao comentar sua queda nas pesquisas, Russomanno mostrou-se como “vítima do ataque de sete partidos”. “Tenho dois minutos de televisão e os outros têm sete minutos cada. Todos estão me bombardeando”, disse. Segundo o Datafolha divulgado ontem, Russomanno caiu cinco pontos percentuais em uma semana e está com 25% das intenções de voto, em empate técnico com Serra, que tem 23%. Haddad tem 19%.
Francisco de Assis. O Santo dos pobres e da ecologia – Notícias DomTotal
![]() Francisco de Assis: Patrono da Ecologia (Foto: ) |
Filho de comerciantes, Francisco Bernardone nasceu em Assis, na Umbria, em 1182. Nasceu em berço de ouro, pois a família tinha posses suficientes para que levasse uma vida sem preocupações. Não seguiu a profissão do pai, embora este o desejasse. Alegre, jovial, simpático, era mais chegado às festas, ostentando um ar de príncipe que encantava.
Mas mesmo dado às frivolidades dos eventos sociais, manteve em toda a juventude profunda solidariedade com os pobres. Proclamava jamais negar uma esmola, chegando a dar o próprio manto a um pedinte por não ter dinheiro no momento. Jamais se desviou da educação cristã que recebeu da mãe, mantendo-se casto.
Francisco logo percebeu não ser aquela a vida que almejava. Chegou a lutar numa guerra, mas o coração o chamava à religião. Um dia, despojou-se de todos os bens, até das roupas que usava no momento, entregando-as ao pai revoltado. Passou a dedicar-se aos doentes e aos pobres. Tinha vinte e cinco anos e seu gesto marcou o cristianismo. Foi considerado pelo papa Pio XI o maior imitador de Cristo em sua época.
A partir daí viveu na mais completa miséria, arregimentando cada vez mais seguidores. Fundou a Primeira Ordem, os conhecidos frades franciscanos, em 1209, fixando residência com seus jovens companheiros numa casa pobre e abandonada. Pregava a humildade total e absoluta e o amor aos pássaros e à natureza. Escreveu poemas lindíssimos homenageando-a, ao mesmo tempo que acolhia, sem piscar, todos os doentes e aflitos que o procuravam. Certa vez, ele rezava no monte Alverne com tanta fé que em seu corpo manifestaram-se as chagas de Cristo.
Achando-se indigno, escondeu sempre as marcas sagradas, que só foram descobertas após a sua morte. Hoje, seu exemplo muito frutificou. Fundador de diversas ordens, seus seguidores ainda são respeitados e imitados.
Franciscanos, capuchinhos, conventuais, terceiros e outros são sempre recebidos com carinho e afeto pelo povo de qualquer parte do mundo.
Morreu em 4 de outubro de 1226, com quarenta e quatro anos. Dois anos depois, o papa Gregório IX o canonizou. São Francisco de Assis viveu na pobreza, mas sua obra é de uma riqueza jamais igualada para toda a Igreja Católica e para a humanidade. O Pobrezinho de Assis, por sua vida tão exemplar na imitação de Cristo, foi declarado o santo padroeiro oficial da Itália. Numa terra tão profundamente católica como a Itália, não poderia ter sido outro o escolhido senão são Francisco de Assis, que é, sem dúvida, um dos santos mais amados por devotos do mundo inteiro.
Assim, nada mais adequado ter ele sido escolhido como o padroeiro do meio ambiente e da ecologia. Por isso que no dia de sua festa é comemorado o “Dia Universal da Anistia”, o “Dia Mundial da Natureza” e o “Dia Mundial dos Animais”. Mas poderia ser, mesmo, o Dia da Caridade e de tantos outros atributos. A data de sua morte foi, ao mesmo tempo, a do nascimento de uma nova consciência mundial de paz, a ser partilhada com a solidariedade total entre os seres humanos de boa vontade, numa convivência respeitosa com a natureza.
Oração de São Francisco
Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.



