Arquivo do autor:Vanildo Luiz Zugno
Habemus Papam
Anos depois, caiu-me em mãos um belo conto do russo Leonid Andreiev sobre o mesmo tema: “A Conversão do Diabo”. Um demônio meio chinfrim, entediado com suas diabruras numa pequena igreja de Florença, resolve procurar o padre para que este lhe ensine o que é “fazer o bem”. Começam a debater o assunto e, a certa altura, o pároco lhe recomenda: “Fazer o bem é: se te pedem a camisa, dê, embora não tenhas outra; se te dão uma bofetada, oferece a outra face. É muito simples!”
Duas semanas depois, retorna o diabo todo machucado, mas com uma camisa nova. Um velho tinha lhe batido na cabeça com a bengala e ele devolveu a pancada. “Não me deram na cara, mas na cabeça. Se fosse no rosto, saberia como fazer…” Quanto à camisa branquinha, tinha comprado para dá-la se alguém pedisse, mas ninguém o fizera. “Mas te pediram pão?”, pergunta o padre, exasperado. “Sim. Não dei porque esperava que me pedissem a camisa…” É um conto incrível, que mostra como até “fazer o bem” é relativo.
Outra grande obra anti-maniqueísta é “O Visconde Partido ao Meio”, de Ítalo Calvino, a fábula do cavaleiro Medardo di Terralba, que recebe um tiro de canhão e sai pelo mundo manquitolando, dividido em duas partes: uma totalmente boa e outra totalmente má. É fascinante como acabamos por ganhar certa antipatia do bonzinho e a torcer pelo malvado, porque o bem soa falso para quem não é beneficiado por ele. O mal, não, é verdadeiro porque atinge todo mundo igualmente, sem diferença.
Conto tudo isso para chegar a “Habemus Papam”, do italiano Nanni Moretti, o filme que descreve o desespero de um homem, ungido papa, que entra em crise na hora de se acercar ao balcão para anunciar sua escolha ao mundo. O cardeal Melville se sente pequeno, demasiado humano, para levar em frente a tarefa colossal de ser o guia de milhões de católicos, “representante de Deus” sobre a face da Terra. Não acha que merece, não se sente digno. É um homem bom no sentido místico do termo: frágil, falho, cheio de dúvidas, e humilde. Havia feito na vida inclusive “algumas bondades”, segundo conta. Moretti retrata na película a igreja “ideal” de nossos sonhos pueris, com freiras e padres contentes e desprovidos de vaidade, amigos entre si a mais não poder, como colegas de grêmio estudantil que costumam jogar bola na hora do recreio. E no filme eles jogam, mesmo. Enquanto contam seus prosaicos dramas ao psicanalista (vivido por Moretti) contratado para cuidar do sumo sacerdote, o próprio papa está perdido nas ruas, revisitando seu passado de ser humano, sem a proteção da Igreja e de ninguém, abandonado naquele momento talvez até por Deus. “Ser ou não ser papa?”, se pergunta nosso Hamlet de batina.
O cardeal guarda algumas semelhanças com o Jesus Cristo do “Evangelho” de José Saramago, que também se revolta diante da enormidade de sua muitas vezes cruel tarefa (aliás, no livro o diabo tampouco é pintado como “ruim”). Sempre me surpreendeu a resistência da Igreja Católica a um Cristo tão humano, que a mim parece bem mais próximo das pessoas do que aquele do Novo Testamento, um tanto marqueteiro em minha opinião – aquele negócio de dizer para uns “não conte para ninguém” e para outros “espalhe a boa nova”, me perdoem, é estratégia típica de marketing político.
O papa e os religiosos de Nanni Moretti me dão a impressão de serem todos homens de fé, regidos pela bondade, exatamente ao contrário da imagem que nós, não-católicos (e mesmo alguns católicos), costumamos ter do Vaticano: um lugar um tanto lúgubre, repleto de pessoas extremamente vaidosas e loucas para serem papas no lugar do papa. Onde a bondade é um norte a ser seguido nas palavras da homilia, mas não no dia a dia das relações políticas da igreja, dominada por disputas egocêntricas, traições e vendetas, como qualquer outra arena de poder.
Olho para Bento 16, o alemão Joseph Ratzinger, todo apegado a seus dogmas milenares sob a sotaina dourada, e nada enxergo da humildade e da humanidade do cardeal Melville. Vejo um sacerdote poderoso, soberbo, seguro de si e impávido ante as mudanças do mundo que ocorrem céleres à sua frente, de braços cruzados diante dos fiéis que lhe pedem respostas urgentes a tantos dramas tão atuais. Uma semi-divindade sem absolutamente nenhuma vontade de dizer “sim”. E me pergunto: o papa é um homem bom?
Milícia que derrubou ex-presidente do Haiti volta a se mobilizar no país
Luis Kawaguti

As principais exigências da milícia são a recriação do Exército – uma promessa do atual presidente Michel Martelly – e o pagamento de pensões a militares reformados.
O governo haitiano e a Polícia Nacional tentam resolver o impasse de forma pacífica, segundo o general brasileiro Fernando Rodrigues Goulart, comandante da missão de paz da ONU no Haiti.
Ele afirmou à BBC Brasil que as forças internacionais acompanham a negociação à distância, mas podem intervir se necessário.
“Estamos preparados para cumprir qualquer tarefa”, disse Goulart.
Dos 10.700 militares em missão de paz da ONU no Haiti, 2.132 são brasileiros.
Mobilização
O Exército haitiano foi dissolvido em 1995 pelo então presidente Aristide, que temia sofrer um golpe militar.
Em 2004, uma milícia de ex-militares se aliou ao grupo 184 (bloco político de direita) e conquistou militarmente o norte do país. Aristide deixou o poder dias depois e a ONU enviou capacetes azuis ao Haiti.
Os ex-militares operaram ilegalmente até 2005, quando foram desbaratados por forças da ONU. Seu líder, Remissanthe Ravix, foi morto pela polícia.
Porém, no fim do ano passado jovens interessados em integrar o novo Exército prometido por Martelly se juntaram a ex-militares para pressionar o governo. Eles ocuparam bases militares abandonadas e começaram a treinar.
Liderança
Armados e fardados, invadiram edifícios públicos em março de 2012. O maior deles é o escritório da Secretaria de Agricultura, em Cap Haitien (segunda maior cidade do Haiti), que permanece ocupado.
O movimento não tem uma liderança clara. O assessor do governo haitiano, Georges Michel, estimou o grupo em 15 mil integrantes e recomendou ao presidente criar um comando militar interino para preencher o vácuo de poder.
Em meio a uma crise política, Martelly vem pedindo calma e orientando os ex-militares a voltarem às suas casas enquanto o governo toma uma decisão sobre a recriação do Exército.
No último dia 29, Guy Philippe, o ex-líder do golpista grupo 184, disse em entrevista a uma rádio local que os ex-militares devem chegar em breve aos 30 mil homens.
“Eles têm armas e são treinados. Caso se tornem um Exército livre ninguém será capaz de controlá-los”, disse.
Segurança
Apesar da turbulência política, a situação de segurança no país permanece estável, segundo o general Goulart.
“Tivemos recentemente relatos de tiros em Cité Soleil [principal favela haitiana], mas quando nossa tropa chegou ao local indicado não havia mais nada”. Segundo ele não há região do país onde as tropas da ONU não operem.
Ordenação de Mulheres na Igreja Católica Romana
Para quem quiser manter-se atualizado a respeito da prática de ordenação presbiteral de mulheres na Igreja Católica Romana, uma boa sugestão é seguir o seguinte link: ARCWP Home
CNBB convoca Vigília às vésperas do julgamento do STF
Aborto de anencéfalos: CNBB convoca Vigília às vésperas do julgamento do STF
Aproveitando a proximidade entre a data do julgamento e um período santo no calendário cristão, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou na sexta-feira Santa 6 uma carta convocando todos os bispos do Brasil para uma “Vigília de Oração pela Vida”. O ato começou nesta terça-feira 10 e só acaba no dia seguinte, às 18 horas.
Na carta, a CNBB argumenta que os fetos anencéfalos “erroneamente, têm sido interpretados como não possuindo todo o encéfalo, situação que seria totalmente incompatível com a vida, até mesmo pela incapacidade de respirar. Tais circunstâncias, todavia, não diminuem a dignidade da vida humana em gestação.”
“Entendemos que os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação, (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, da Constituição Federal) referem-se também aos fetos anencefálicos”, prossegue o documento.
Racha na bancada religiosa Embora nas mãos do Judiciário, a questão também movimenta o Congresso. Em um artigo com o título “O Silêncio do Santos”, o deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) criticou a suposta indiferença mostrada por evangélicos em relação ao assunto.
O texto, publicado em seu blog, faz uso da máxima de Martin Luther King “não tenho medo do barulho dos maus, mais me apavora o silêncio dos bons”, que resume o descontentamento de Feliciano com a bancada evangélica.
Segundo o deputado, “faltam pensadores, faltam pessoas que se dediquem, faltam os profetas” em referência à falta de militância dos evangélicos. “E pasmem, não estou falando de pró-abortistas, mas de alguns pseudos-santos-cristãos, que vociferaram dizendo: Mas nessa vigília terá um andor com uma imagem”, completa.
Prévias favoráveis à descriminalização
De acordo com a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, quatro ministros do STF anunciaram que votarão a favor da descriminalização do aborto em casos de anencefalia.
Segundo a jornalista, os ministros que apoiam a legalização são Ayres Britto, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa. Com isso, apenas dois votos bastariam para aprovar a descriminalização.
O aborto em casos de anencefalia é defendido por movimentos feministas e cientistas, sob o argumento de que o bebê não consegue sobreviver após o parto. No entanto, o procedimento é condenado pela Igreja Católica.
As Malvinas/Falklands são argentinas ou são britânicas?
Na data de hoje, em que britânicos e argentinos comemoram, cada um a seu modo, a Guerra das Malvinas, cabe uma pergunta que, nesses momentos, nem todos tem o tempo ou se dão conta de que é necessário colocar: o que faz com que um determinado território pertença a esse ou aquele país?
As águas, rios, montanhas, pedras, florestas, campos…que constituem as ilhas não escolheram e talvez nunca possam escolher uma nacionalidade ou outra… São as pessoas que escolhem serem, no caso, argentinos ou britânicos. Pelo que sabemos, a maioria dos moradores do arquipélago preferem ser cidadãos britânicos. Mas há uma outra pergunta: por quê eles estão aí? Resquícios do Império Britânico que, em um período recente de nossa história, dominou o mundo. Dizer que as Malvinas são argentinas, neste momento, é uma afirmação de antiimperialismo, tanto em relação aos impérios antigos como aos novos impérios.
Mas, e os kelpers, como ficam nessa história? A grande maioria deles, com certeza, não optaram estar morando no Atlântico Sul. Simplesmente as circunstâncias da vida os levaram a estas paragens. Como ficariam eles no caso de as Malvinas voltarem a ser Argentinas? É uma pergunta que tem que ser respondida de modo diferente a como os britânicos trataram os territórios conquistados.
Mas é uma questão que vai longe e que tem que ser pensada na perspectiva de resistân cia a todos os impérios de turno.
Millor Fernandes
Dentre as muitas contribuições que Millor Fernandes deixou para a cultura brasileira, a menos conhecida é a do teatro. Em suas peças, com a mesma verve irônica e profunda, analisa pessoas e sociedade. Uma das mais interessantes é, sem dúvida, “A história é uma estória e o homem é o único animal que ri”. Abaixo uma amostra da peça disponível no youtube
Ato marca início das obras da Sala Sinfônica da Ospa
Tarde histórica para Porto Alegre: finalmente, depois de 60 anos de espera, o começo das obras do Teatro da OSPA. A tarde de calor foi pouco a pouco cedendo espaço à brisa do Guaíba que, com a chegada de centenas de pessoas, foi ocupando o espaço. Depois das falas oficiais, o início da apresentação que mostrava Maestro, solistas e músicos com a qualidade e um entusiasmo que aumentar
am ainda mais com o anúncio que passou a ser realidade. Oxalá tudo corra bem e possamos em breve desfrutar de mais um espaço cultural de alta qualidade em Porto Alegre.
O texto abaixo que traz as informações, bem como a foto acima, são da edição eletrônica do Correio do Povo (www.cpovo.net)
O início simbólico das obras da Sala Sinfônica da Osrquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) ocorreu no fim da tarde deste domingo, no Parque Harmonia, com o aperto do botão da máquina responsável pelas fundações. O sonho da comunidade cultural gaúcha, que terá espaço para 1,5 mil lugares, deve se concretizar até 2014.
O evento contou com a presença do governador Tarso Genro, do secretário de Cultura, Luiz Antônio de Assis Brasil, do prefeito José Fortunati, do presidente da Ospa, Ivo Nesralla, e do deputado Paulo Pimenta.
O ato ocorreu antes do Concerto de Abertura da Ospa em 2012, com obras de Tchaikovsky (“Capricho Italiano” e “Abertura 1812”), Rossini (O , Bizet (“Carmen”), Donizetti, Puccini “(“Tosca”) e outros, sob regência de Tiago Flores, com os solistas Juremir Vieira (tenor) e Carlos Rodriguez (barítono) e a banda do 3º Batalhão da Polícia do Exército.
O governador Tarso Genro ressaltou que esta Sala “é uma conquista do Rio Grande que não pode ser menosprezada, que terá uma qualidade técnica e de acústica em padrões internacionais”. O presidente da Ospa, Ivo Nesralla, destacou que o momento é de emoção pelo início da obra de realização de um sonho que dura 60 anos da sede própria da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.
O secretário de Cultura, Luiz Antônio de Assis Brasil agradeceu a todos que envidaram esforços para que este sonho começasse a se materializar em especial à bancada gaúcha na Câmara dos Deputados, representada naquele momento pelo presidente da Comissão de Orçamento, Paulo Pimenta, por aprovar uma verba de bancada, de R$ 20 milhões, empenhada pelo Ministério da Cultura e que será conveniada nas próximas duas semanas. Aos músicos, Assis prometeu resolver o problema da precariedade do local de ensaios provisório no Cais do Porto e também um estudo sobre o equacionamento dos salários para competir em valores com as demais orquestras públicas do mercado nacional.
Sexta de noite: funk e vigília evangélica.
Morar na intercessão entre un setor residencial de classe média e uma das áreas mais pobres de Porto Alegre provoca experiências muito interessantes. E isso se mostra de forma especial nos finais de semana. Você vai passando pela rua e, de um lado, um cassino clandestino acolhe – sem nen
huma preocupação com ocultação ou sequer disfarce – o que há de mais fino na sociedade porto alegrense. Do outro lado, jovens, adolescentes e crianças do Campo da Tuca sobem e descem tendo numa das mãos uma caixinha de som conectada a MP3 ou celulare tocando os raps e funks mais raseiros que se possa imaginar e na outra uma trouxinha de maconha, pedra ou coca que vão entregar na esquina a um taxista que faz a telentrega. Tudo em ecumênica convivência sem que um grupo sequer esboce a possibilidade de reconhecer que o outro existe.
Mas ontem foi um dia muito especial. Numa rua, do lado da Volta da Cobra, havia uma festa de aniversário animada com foguetório e música funk. Do outro lado, baixando o Campo da Tuca, uma vigília evangélica. E os dois eventos com o som a toda! As músicas de um lado e de outro chegando com a mesma intgensidade e ao mesmo tempo construiam frases fantásticas tipo: “Vai, vai, vai cachorra… em nome de Jesus! Escorrega, escorrega, escorrega…prá que essa alma possa subir ao céu livre do demônio… vem quentinha, vem quentinha, sobe,sobe, sobe… que a salvação chegou hoje a essa casa!” Haja sono!
Mas, tudo bem Brasil!
Dia Internacional da Mulher
Para comemorar o dia, um vídeo com a música “Mujeres” de Ricardo Arjona. Parabéns a todas!


